The King

17 Capítulo XVII – Mal Entendido.


Notas iniciais
Eu gostaria de agradecer à Kirashi-san, pela sétima recomendação de The King! Muito obrigada pela recomendação, e pela consideração nos comentários e nos MPs (que eu ainda não pude responder pela falta de tempo. XD). Também muito obrigada à todos que deixaram em seus reviews os maravilindos sentimentos que sustentam essa história, dando energia à autora para continuar! ò_óv ~ Enfim. Algumas coisas estão para acontecer, então acho que vocês vão gostar muito dos próximos capítulos. Eu também estou muito ansiosa para escrevê-los! ~ Como sempre, eu me esforcei muito pra esse capítulo sair! >3 Acho que vão gostar, mas sempre fico cm um friozinho na barriga quando posto! Então, por favor, comentem! XD ~ Boa leitura! sz~

Capítulo XVII – Mal Entendido.

Itachi Uchiha era um grande homem. Um soldado inteligente, forte, que não precisaria do nome de sua família para chegar aonde chegou. Geralmente reconhecido por sua frieza, sua calma e a cautela em resolver assuntos delicados, mas não estava muito disposto a tais gentilezas... Não àquela noite.

Eram quatro da manhã, e todos os residentes da Torre – ou ao menos uma boa parte deles – estavam despertos, ativos, ajeitando preparativos para comunicar ao povo sobre a invasão, traição ou qualquer coisa que tivesse sido aquele ataque!

Itachi era uma pessoa calma, mas até ele tinha suas limitações. E uma de suas maiores certamente era o irmão, portanto, vê-lo ferido, cambaleante e posteriormente com uma parte considerável do rosto costurado realmente foi horrível. Então, como era de se esperar, quando ele adentrou nas masmorras àquela manhã, após ser comunicado que Shikamaru Nara havia trazido Gaara, o Kazekage e seus irmãos, ele sem sombra de dúvidas pensou em vingar-se. Para a sorte dos Sabaku, entretanto, ele era racional o suficiente para se controlar.

As masmorras da Torre eram de um tipo clichê: pedras cinzentas altas, com janelas pequenas fechadas com grades e grades grandes, grossas, como portas. As celas eram mobiliadas com um colchonete mole, um cobertor fino e um travesseiro duro, e mais nada além de um balde para as necessidades dos presos.

Itachi adentrou em uma das celas recentemente ocupadas, e Gaara imediatamente levantou-se. Ele estava ansioso e nervoso. – Onde está o meu irmão? – Quis logo saber. – Se fizeram qualquer coisa a ele, eu juro que-.... – O Uchiha ergueu a mão direita para interrompê-lo.

– Seu irmão foi ferido, mas o capitão Nara está procurando um médico para tratá-lo imediatamente. – Aquilo pareceu tranquilizar o ruivo, que tornou a se sentar no colchão. – Embora eu realmente estivesse tentado a deixá-lo morrer por hemorragia, uma vez que o meu irmão chegou a ficar inconsciente, graças aos seus comparsas. – O ruivo estreitou as sobrancelhas.

– Eu sou o líder de uma nação, senhor. Uma nação aliada, aliás. Conheço muito bem os meus direitos, portanto gostaria de falar com os conselheiros imediatamente! – Itachi riu.

– Não que não saiba, Sabaku... Mas os conselheiros estão mortos. – O rapaz paralisou. – Mortos por seus parlamentares. – O moreno adicionou com um sorriso claramente irritado, e tudo começou a fazer sentido na mente do jovem Kazekage.

Ele suspirou longamente, coçou a nuca e bagunçou os cabelos ruivos. – Agora entendo... – Erguendo os olhos verdes, fitou o Uchiha decididamente. – Isso tudo não passa de um mal entendido, senhor... A carruagem de parlamentares foi assaltada enquanto vinham trazer-me a notícia do casamento de sua majestade, então certamente suas identificações devem ter sido roubadas! – Tentou explicar, mas Itachi não parecia muito apto a acreditá-lo.

– Soubemos desta história por sua irmã mais velha... Mas francamente, meu senhor, quem decide se vive ou morre é o rei. Entretanto, sua majestade não está... Disposta a resolver problemas nesse momento.

– Não podem nos punir sem a permissão do rei! – O ruivo exclamou, levantando-se com uma postura séria.

– De fato, mas podemos prendê-los até segunda ordem. Quanto ao seu irmão... Não se preocupe, ele será cuidado, por via das duvidas. Mas gostaria de deixar bem claro que se ele não tivesse resistido à prisão, certamente não teria sido ferido. – Gaara apertou os punhos. É claro que ele sabia disso! Mas Kankurou era tão teimoso quanto Temari, quando o assunto era proteção e lealdade, portanto jamais permitiria que o ruivo fosse tratado de maneira descortês por ninguém, quem dirá em um reino vizinho.

– Eu gostaria de ver o rei e a rainha. – O rapaz insistiu. Sua voz parecia mais calma. – Assim que suas majestades estiverem dispostas, por favor...

– Certamente os avisarei. Mas, se eu estivesse no seu lugar, não ficaria muito otimista. – E sem curvar-se nem despedir-se, o guarda retirou-se da cela.

~

Embora Sakura tivesse sido terminantemente proibida de sair do quarto por Itachi – que estava realmente preocupado com a saúde psicológica e física da moça –, ela não conseguia, nem por um segundo, tirar sua mente da enfermaria, onde Sasuke lhe havia sido sincero.

Por algum motivo, não conseguia acreditar totalmente nas palavras dele. Talvez por ter presenciado sua reação para com aquele invasor que a havia machucado. Afinal, aos olhos da moça, estava claro que o rapaz só o matara por ela. – Não dormiu a noite toda... – Shizune suspirou preocupadamente; levantou-se e se sentou ao lado da moça.

– Estou sem sono... – Ela se encolheu, abraçando o travesseiro fofo.

– Posso preparar um chá, se quiser. – Mas antes que Sakura negasse mais aquela gentileza, alguém bateu à porta. Shizune levantou-se, sorrindo para a Haruno e atendeu ao soldado desconhecido pela mais jovem. – Kakashi?! – A morena pareceu surpresa.

– Shizune. – Ele se curvou educadamente. – É uma pena, termos nos reencontrado nessas circunstâncias, mas é preciso que vá até a enfermaria da carceragem. – Ela arregalou os olhos.

– E- Eu?! Na carceragem?! – Por algum motivo o rosto da morena empalideceu. Curiosa, Sak sentou-se.

– Os Sabaku, de Suna, foram rendidos. Um dos irmãos está ferido, e como sem a decisão de Naruto não podemos condená-los... Temos ao menos que dar um jeito em seu ferimento. – Sabaku? Suna? Um dos irmãos feridos?!

O coração de Sakura palpitou, e ela imediatamente levantou-se. – O que houve?! Por que o Kazekage está preso?! – Exclamou. Sua voz tinha preocupação palpável.

O soldado deu à rosada um olhar curioso e desconfiado. – Não sabe quem são os responsáveis pela invasão, senhorita? – Ela não respondeu. – Os irmãos Sabaku estão esperando a sentença de sua majestade. Tem algum problema com isso?

– Ela é de Suna! – Foi Shizune quem respondeu, e rapidamente. Afinal, apenas de olhar para as faces de Kakashi, podia imaginar as suposições que formava. – Uma órfã de Suna, que foi criada no orfanato em que eu e a princesa Tsunade nos escondíamos. – Ainda assim, o ar de desconfiança não foi retirado dos olhares do senhor Hatake. – Nós iremos, Kakashi. Imediatamente. – Garantiu, e o soldado concordou com hesitação. Depois, tornou a olhar para a de cabelos curtos e lhe sorriu.

– Já que não pudemos nos falar antes, quero deixar bem expressas as minhas boas vindas. – Puxou uma das mãos da médica e beijou-a cortês. – Bem vinda de volta. – Shizune retribuiu ao sorriso que lhe fora oferecido.

– Grata... – Mas Sakura não estava com cabeça para boas vindas, e tão logo se postou ao lado da veterana.

Ambas foram guiadas pelo comandante até as instalações da prisão, e Sakura estava tão tensa com a situação que mal pôde analisar se era ou não um lugar decente. Ele as levou até um quarto que era muito pequeno se comparado aos quartos da Torre, mas certamente considerado confortável o suficiente para qualquer um que merecesse estar preso.

Sakura empalideceu ao ver Kankurou deitado em uma cama com parte do tronco ensanguentado; o choque era tão grande que ela sequer pôde perceber a presença de Sasuke, que embora tivesse tido uma longuíssima noite, e ainda que estivesse machucado, havia se oferecido prontamente a interrogar os prisioneiros no momento em que soube que estes haviam sido capturados. – Senhor Sabaku! – Ela exclamou cheia de preocupação, e só então o Uchiha a percebeu.

– Qual é a situação do paciente? – Shizune questionou aos soldados; foi até uma pia velha que ali ficava e higienizou suas mãos. – Sakura! – Ela não precisou explicar para que a Haruno fizesse o mesmo.

– Ele reagiu enquanto era preso. Obviamente nossos guardas tiveram que contra atacar. – Sasuke explicou, e ignorando-o completamente, Sakura aproximou-se do ferido para analisá-lo.

Ela rasgou a camisa ensanguentada do rapaz antes de despejar um tanto de água em seu peito, limpando o sangue no intuito de enxergar a ferida. – Escoriações por todo o tronco e uma ferida profunda. – Sak avisou enquanto apalpava o peitoral do rapaz cuidadosamente. – Um pouco abaixo da clavícula... O corte está inflamando... Temos que desinfetar, fechar a ferida e cicatrizá-la. – Sakura parecia tão séria que Sasuke não conseguiu evitar o sentimento incômodo.

Afinal, porque diabos ela estava cuidando de um traidor?!

~

– Naruto! Que deu em você para atormentar os filhos do senhor G? – Mamãe estava furiosa, mas eu não via motivos nisso. Simplesmente dei os ombros.

– Eles provocaram minha noiva, mamãe. E o papai sempre diz que temos que proteger as garotas antes de tudo. – Expliquei, mas Kushina ofereceu-me uma expressão de repreensão com a qual sinceramente não estava acostumado.

– Embora suas intenções tenham sido boas, não deixa de ter sido algo errado. Jogar tomates na casa de um nobre, meu filho... – Ela suspirou. – Se fizer isso, todos vão te odiar. É isso que você quer? – Senti o sangue fugir de meu rosto.

– Não! – Exclamei apressadamente. – Eu quero que todos me reconheçam... Quero que me vejam como veem o papai! – Mamãe sorriu-me de maneira doce, puxou-me gentilmente para que eu pudesse sentar sobre suas pernas.

– Então você deve aprender a maneira certa de defendê-la.

– Como?! – Quis saber, e mamãe riu da minha ansiedade.

– Sempre que a chamarem de plebeia, você deve tratá-la como uma princesa. Assim, ela não vai mais se importar com os outros. – Explicou-me, e concordei imediatamente. – Agora vá dormir. – Ela me recolocou no chão, e eu corri até a porta sem olhar para trás.

Ao abri-la, no entanto, já não era mais um menino, e ao invés do corredor, encontrei o mesmo quarto, que agora me pertencia.

Hinata estava lá.

Desprotegida, rendida por alguém cujo rosto eu não conseguia enxergar.

Ela estava ajoelhada em frente à cama, com os braços presos; seus olhos estavam assustados. Não por ela, mas por mim.

Eu quis voltar, quis voltar e pedir ajuda; quis voltar e dizer à Kushina que tratá-la como princesa não a protegeria de pessoas assim, mas não pude, uma vez que senti um forte impacto na cabeça e desmaiei.

Eram seis da manhã quando Naruto acordou repentinamente, com seus olhos azuis arregalados, o coração palpitante e a respiração ofegante.

Olhou para todos os lados, em busca de qualquer vestígio de que aquilo não fosse um sonho e encontrou sua esposa em paz, deitada sobre seu peito, dormindo com uma expressão cansada, como se tivesse estado acordada durante toda a madrugada.

Ele respirou com alívio, fechou os olhos e tentou conter a respiração. Fez de tudo para lembrar-se de como foi parar na cama, mas realmente não conseguia se lembrar, até porque sua cabeça doía muito para ser forçada.

Hinata se remexeu em seus braços, e ele interrompeu seus pensamentos para observá-la: ainda estava de vestido; não o vestido usado para a festa, mas um vestido que certamente não servia para dormir.

Notou que tinha leves olheiras, e se perguntou se seria muito mal educado mencionar isso de manhã.

Ela abriu os olhos lentamente, e olhou para o marido assim que pareceu lembrar-se de algo. Seu rosto enrubesceu ao encontrá-lo fitando-a. – Parece abatida, aconteceu algo? – Lhe perguntou com inocência. A rainha se sentou subitamente, e pôs uma das mãos sobre a testa do marido. Respirou aliviada ao ver que não tinha mais febre, e o abraçou de maneira saudosa, fazendo-o corar. – E- Ei!

– Você está bem...! – Ela exclamou sorridente, e fitou-o com alegria sincera. – E fiquei tão assustada... – Alisou as faces do Uzumaki. – Mas você está bem...

– Aconteceu algo? – Ele também se sentou, estava um pouco confuso. – Minha cabeça dói... – Reclamou fazendo uma careta, e a sua esposa deslizou as mãos de seu rosto até o calombo arroxeado que tinha na cabeça, escondido pela cabeleira loira.

– Te machucaram. – Hina murmurou com preocupação. – Acho que lhe acertaram algo... Você desmaiou por horas, mas finalmente despertou. – E então sorriu, e tornou a abraçá-lo. – Eu realmente fiquei assustada... – Naruto alisou a cabeleira azulada no intuito de tranquilizá-la.

– Acalme-se... – Ele pediu gentilmente. – Acalme-se e me conte o que houve.

–... Os conselheiros estão mortos... – Ela murmurou, encolhendo-se nos braços dele, depois de hesitar um pouco. Embora viesse pensado em um bom jeito para contar aquilo durante toda a madrugada, nada parecia vir-lhe à mente, e no fim ela imaginou que ser direta deveria ser a melhor escolha. Naruto não respondeu, pois realmente não tinha assimilado a ideia. – Houve uma invasão... Ao que parece, os focos foram este quarto e os dos conselheiros... – Ela apertou sua cintura, e teve que se conter para não chorar. – Todos que estavam presentes na ala no momento do ataque estão mortos... – Naruto nunca havia gostado realmente daqueles velhos, mas ainda assim, sentiu todos os membros de seu corpo paralisarem ao ouvir Hinata, gradativamente, na medida em que ele as compreendia, e ainda que soubesse a resposta, ele questionou:

– Por que...? Por que fariam isso?!

– Só consigo pensar que estão tentando organizar um golpe de estado. – A rainha suspirou longamente. – Aqueles dois faziam tudo nos conformes... Não havia razão para a revolta do povo.

– Talvez estivessem atrás de mim. – O louro refletiu, mas sua esposa negou.

– Não acredito que sejam civis... – Murmurou incerta, com a voz moderada. Era incrível como ela sempre arranjava uma maneira de partir em defesa dos civis. – Pois eles dificilmente têm acesso à Torre, e estou certa de que em sua maioria o apoiam, apenas pelo fato de ser o filho de Rei Minato... Estão pondo todas as expectativas em você, então não há lógica em matá-lo.

– Então... Talvez o exército? – Hinata hesitou muito antes de dar os ombros.

– Aparentemente, os culpa pertence ao grupo visitante de Suna... Sasuke viu um dos que lhe atentaram, e confirmou ser um parlamentar. – A voz dela era hesitante, pensativa, e o marido notou isso.

– “Aparentemente”? – Questionou um pouco confuso, esquecendo-se momentaneamente da menção ao seu tutor.

– É estranho... – Hinata explicou. – Digo, o país dos Ventos tem grandes motivos para não querer entrar em guerra, e a menos que o senhor Kazekage tenha enlouquecido, eu não acredito que eles tenham interesse em um golpe de estado.

– O que quer dizer? – Ele estava realmente confuso com tudo aquilo.

– O exército do Fogo é grande, eles certamente se sentem intimidados... Além disso, apostam muito em inovações, portanto têm mais interesses em negócios do que em expansão, afinal já possuem uma grande área geográfica. – O loiro realmente não estava acompanhando a conversa, mas assentiu como se compreendesse. – É muito estranho... – Naruto suspirou.

– Talvez nós devêssemos nos encontrar. – A rainha concordou.

– Mas, antes disso... – Ela alisou a cabeleira loira como se quisesse dar forças ao marido. – Você deve contar ao povo... Sobre a morte dos conselheiros.

~

Sentada ao lado da cama, na enfermaria da carceragem da Torre, Sakura terminava de enfaixar o peito de Kankurou.

Todos os procedimentos médicos haviam sido feitos e concluídos com sucesso, e o rapaz já começava a se remexer, dando sinais de consciência.

Sakura realmente sentiu-se feliz por isso. Ela e os irmãos Sabaku conheciam-se há muito, desde meninos, pois os três haviam sido alunos de seu pai, Kizashi Haruno, quando este ainda vivia. – Sakura...? – Ele a reconheceu assim que pôs os olhos na cabeleira rósea, e a moça riu.

– Ótima memória. – Murmurou com timidez. – Não se mexa! – Exclamou ao vê-lo se sentar, mas ele a ignorou. – Senhor Sabaku! O seu ferimento foi grave, se fizer movimentos bruscos, pode acabar abrindo os pontos que acabo de fazer! Você não quer ter outra hemorragia, quer? – Toda aquela tola conversa descontraída começava a frustrar – e muito – o senhor Uchiha, que até agora se mantinha como um mero espectador ao esforço da senhorita Haruno. Porque diabos eles estavam tão próximos? E porque ela era tão íntima de um maldito traidor?!

– Ele pode falar? – O moreno questionou, já se levantando para aproximar-se. Shizune e Kakashi estavam afastados, a primeira terminava de limpar os materiais utilizados e o segundo observava com um sorriso divertido às reações do jovem Uchiha.

– Falar, pode... – Sak lhe avisou. – Mas-...

– Ótimo. – Interrompendo-a, e sem se importar com as possíveis – e prováveis – reações da médica, empurrou o corpo de Kankurou contra a parede, fazendo com que o mais velho gemesse de dor. – O que pretendem fazer, mandando invasores para dentro do palácio imperial? Acabar com uma aliança tão firme assim, do nada... É muita covardia, meu senhor.

– Sasuke-kun! – Sakura exclamou com censura, mas o moreno a ignorou.

– Do que diabos vocês estão falando?! – Kankurou bradou, mais por dor do que por desrespeito.– Nós não mandamos invasor nenhum! – Ele apertava punhos e olhos, como aquilo pudesse amenizar o latejar no peito.

– Oh, não foi o que me pareceu. – E apontou para os pontos em sua própria testa. – Um dos seus parlamentares fez. – E puxou Sakura pelo pulso, erguendo-o e exibindo o antebraço arroxeado da moça, que enrubesceu. – Vê essas marcas? – Sua voz era rancorosa. – Foi um serviço extra do seu matador.

– Sasuke-kun! – Sak tornou a exclamar, e embora tentasse se esquivar do aperto do amado, ele não parecia disposto a permitir. – Pare com isso, vai machucá-lo!

– E qual é o problema nisso?! – Ele finalmente explodiu, falando alto e encarando a rosada. – Eles te machucaram, me machucaram, machucaram sua majestade! Mataram os conselheiros, Sakura! Mataram! E você os trata como se fossem convidados importantes! – Bufou. – Aliás, você realmente parece mudar de interesse rapidamente, não é? – Os lábios dela se espremeram em linha reta, e ela tornou a tentar se esquivar inutilmente.

– Sasuke. – Kakashi lhe chamou; por sua expressão, parecia realmente divertido com aquela situação. – Embora eu consiga compreender um pouco o motivo de sua revolta, na realidade não é necessário machucar alguém já ferido. – Os olhos negros do Uchiha reviraram. Ele não conseguia compreender toda aquela atenção especial dada a um mero prisioneiro. – Entretanto, estou um tanto curioso senhorita Haruno... Você conhecia os Sabaku há muito? – A rosada corou, hesitou, mas concordou com um assentir.

– Meu falecido pai era esgrimista, e foi um dos tutores dos filhos do antigo governador, então eu já os conhecia. – Informou com hesitação, e pela primeira vez em sua vida Sasuke sentiu-se arrependido de suas palavras.

Ele ainda lembrava-se claramente da pequena discussão que haviam tido em um dos bailes, onde havia insinuado que ela “certamente não havia conhecido sequer um esgrimista pelo menos decente em toda a sua vida”. Olhou-a de canto e pela fonte baixa e tímida, imaginou que ela também tivesse se lembrado do incômodo e constrangedor acontecimento. – Oh, então você é natural de Suna... – O senhor Hatake refletiu com um sorriso maldoso. – Imagino que seja muito ligada ao seu país... – Especulou. – A senhorita conhece todos os corredores do palácio, não é mesmo? – Mas antes que pudesse prosseguir, Sasuke postou-se protetoramente à frente da médica.

– Eu sei aonde você quer chegar. – Ele murmurou com seriedade. – E eu não vou deixar. – Garantiu. – Sakura foi atacada, assim como eu.

– Mas estava desmaiado... Não poderia saber poderia, não é, Sasuke? – O comandante sorria desafiadoramente, de uma forma irritante. Claramente queria testar tanto os nervos de Sasuke quanto os de Sakura.

– Mas eu acordei. – O Uchiha o lembrou. – Portanto sou testemunha de que a senhorita Haruno, sendo ou não de Suna, machucou-se para proteger o Rei. – Ela quis puxar a manga do quimono do rapaz, queria demonstrar que, mais que por Naruto, ela havia lutado para defendê-lo, mas estava envergonhada demais para tal coisa, portanto apenas manteve a cabeça baixa.

– Só estou sendo cuidadoso, garoto. – O Hatake garantiu. – Onde estava senhorita Haruno, por volta das dez horas da noite passada? – A Haruno franziu o cenho, incomodada. Como diabos ela podia saber?! Todos aqueles acontecimentos haviam deixado-a tão confusa...

– Ela estava na biblioteca, Kakashi. – Sasuke garantiu. – Na minha companhia. – Adicionou, e Sak sentiu-se mal por fazê-lo mentir (ainda que não fosse totalmente mentira, pois ela de fato estava lá). – Mas acho que não vai querer saber o quê fazíamos. – O rosto da Haruno enrubesceu, e ela ergueu os olhos verdes arregalados, constrangida ao extremo.

Sasuke não parecia incomodado, de maneira nenhuma. Afinal, era como se matasse dois coelhos com uma só cajadada: Kakashi esqueceria as desconfianças e o maldito traidor não tentaria quaisquer gracejos para cima da moça. – Oh, é mesmo? – Seu antigo tutor não pareceu muito convencido, mas após ver o olhar de pavor da garota, imaginou que talvez fosse mesmo verdade, e deu os ombros. – Shikamaru está interrogando a senhorita Sabaku, e Itachi já conversou com Gaara.

– Eles estão bem?! – O ferido perguntou prontamente, o rosto enrubescido de ansiedade e medo pelos irmãos.

– Sim, estão muito melhor do que você. – O de cabelos brancos tranquilizou-o com um dar de ombros. – Sua majestade, o Rei Naruto, falará com seu irmão assim que o comunicado oficial da morte dos conselheiros for dado ao povo. Até lá, se não houver objeções, tanto a senhorita Haruno quanto o senhor Uchiha lhe farão companhia. – A Haruno concordou de imediato, e Sasuke o fez após confirmar a aceitação dela. Por algum motivo não conseguia sentir-se a vontade para deixar só àqueles dois.

Kakashi despediu-se com um acenar, não sem antes murmurar à rosada para que não se preocupasse, já que aquelas especulações definitivamente “não eram de maneira alguma pessoais”, e que se focasse em seu trabalho.

Shizune deixou a sala ao lado do comandante, após uma mesura educada aos três, e juntos, os mais velhos caminharam pelo longo corredor envolto por celas vazias. – Você pareceu preocupada quando a chamei. – O de cabelos esbranquiçados murmurou cauteloso, e a morena suspirou.

– Eu pensei que ele poderia ter sido pego... – Kakashi não disse mais nada até estarem em um local realmente reservado.

– Acredito que ele esteja envolvido. – Confessou sem olhar nos olhos da médica, que apertou os punhos ao ouvi-lo. – Meu grupo teve o desprazer de fazer a limpeza na ala dos velhos, e... Aquele estrago... Só um soldado treinado pelo país do Fogo teria capacidade de fazer tanto, em tão pouco tempo. – Shizune riu de maneira forçada.

– Por que ele faria isso?! – Exclamou com falsa desenvoltura. – É mais fácil continuar como fugitivo, não? Longe de problemas.

– Obito Uchiha não é uma pessoa que costuma ficar longe de problemas. – Os olhos castanhos do Hatake eram pensativos. – Eu tinha certeza de que ele voltaria para matar os conselheiros, algum dia...

–... Por vingança? – Ela arriscou, e o outro concordou.

– Entretanto... – O comandante franziu o cenho. – Por que ele atacaria Naruto...?

~

Hinata já estava vestida de preto quando atendeu às visitas do pai e do primo em seus aposentos. Eles, assim como toda a população de Konoha, estavam preocupados com toda a movimentação da Torre desde cedo, e Hina sinceramente agradeceu aos céus pela curiosidade daqueles dois. – Meu pai. – Ela curvou-se educadamente, e foi retribuída.

– Minha rainha. – Hiashi a cumprimentou com uma satisfação palpável na voz.

– Minha senhora, perdoe-nos por aparecer tão cedo, mas estávamos preocupados. – Neji prosseguiu com o tom de voz moderado e respeitoso. – Todos receberam comunicados para que aparecessem em frente aos portões da torre às nove horas. Que comunicado pode ser este? Tão importante a ponto de juntar plebeus e nobres...! – Hinata assentiu; verificou se a porta estava mesmo fechada e convidou os senhores Hyuuga a se sentarem.

Eles obedeceram, e esperaram pacientemente até que a senhora tivesse coragem de contar-lhes. – Os conselheiros estão mortos. – Disse-lhes enfim, surpreendendo-os.

– Mortos?! – Hiashi exclamou, levantando-se. – Mortos! Minha filha, acha que corre algum risco? – “Sim”, foi o que ela pensou, mas respondeu ao Hyuuga com um sorriso tranquilo, dizendo-lhe:

– Talvez, mas muito dificilmente. – Assim como esperava, aquilo tranquilizou tanto o pai quanto o primo. Embora o segundo não tivesse verbalizado suas preocupações, estavam claras para ela, apenas por reparar nos expressivos olhos do rapaz. – Há pouco conversei com Itachi... Segundo ele, o crime foi muito violento para causas além de pessoais. – Ela preferiu omitir a parte da invasão de seu quarto, até porque o próprio Uchiha havia lhe pedido. – Meu marido dará um comunicado geral, e os corpos serão velados no templo...

– Já têm alguma ideia de quem pode ser o culpado? – Neji ainda demonstrava um quê de preocupação na voz.

– Suna. – Os Hyuuga surpreenderam-se, e a rainha suspirou. – Mas depois de pensar bem, eu não acho que isso seria lucrativo para eles. – O pai concordou.

– O Kazekage é um rapaz jovem, mas muito inteligente, não acho que faria algo assim sem pensar. – Hinata concordou, mesmo que não conhecesse Gaara pessoalmente, como o pai. – Nós temos boas relações de negócios, então não faz muito sentido.

– Eu também acho. – A moça concordou, após suspirar longamente, levantou-se. – Teremos uma audiência com o senhor Sabaku, eu e meu marido. Certamente direi ao rei meus pensamentos... Peço que compareçam nos portões da Torre às nove, como diz o comunicado, talvez nós tenhamos problemas, caso algum nobre se sinta ofendido por saberem sobre a morte dos senhores conselheiros de antemão. – Hiashi e Neji concordaram, e também se levantaram.

Hinata, ignorando o que a etiqueta comandava, despediu-se de sua família com abraços fortes e saudosos, antes de retirar-se de sua sala de visitas e, ao lado de Shino, seguir para a sala do trono.

Naruto já estava lá, sentado no trono. Assim como ela, estava vestido de preto. Ela curvou-se respeitosamente antes de sentar-se ao seu lado. Shino curvou-se a ambos. – Posso chamá-los? – Questionou, e sua majestade concordou com um acenar.

O guardião de Hinata, após mais uma mesura educada, retirou-se da sala por uma porta diferente da que havia entrado.

Menos de um minuto depois, Itachi adentrou ao local trazendo consigo um prisioneiro bonito e bem vestido, embora um pouco sujo.

Itachi o guiou até as escadas que davam ao trono, e após curvar-se em respeito aos reis, apresentou-o. – Este é o prisioneiro, Gaara Sabaku, o Kazekage. – O ruivo baixou a cabeça em um cumprimento educado.

Naruto se ajeitou no trono, olhava-o de maneira analítica. – Ontem eu e meus conselheiros sofremos um atentado. – O rei murmurou com falsa calma. – Eu sobrevivi, mas meus subordinados estão mortos. Segundo um homem de minha confiança, os invasores foram os parlamentares que o seu reino enviou... – Os olhos azuis estavam fixos aos verdes do Sabaku. – Diante disso, senhor Kazekage... O que tem a dizer?

– Eu não sou o culpado! – O ruivo exclamou com a voz firme e decidida, e Hinata teve certeza de que era inocente.

Mas... Quem mais poderia se interessar em começar uma guerra?!

Notas finais
Algumas pessoas pensaram que a Kasumi era desmemoriada, mas ela não é. Ela teve um passado complicado, mas lembra-se de tudo. @_@ Fico feliz que finalmente posso introduzir um pouquinho da história dela para vocês... Porque eu gosto muito da Kasumi. @@ ~ Hinata está com problemas~! Eu relamente não gostei muito de fazê-la chorar, porque ela é uma pessoa forte... O problema é que ela não consegue se sentir tão segura quando está sozinha com o marido, e eu quis mostrar isso à vocês. q Particularmente, acho normal ela ter esses deslizes emotivos. Afinal, ela só tem dezesseis anos, e já tem toda essa responsabilidade em cima dos ombros. Ela também se sente responsável pelas atitudes do Naruto, já que ela, diferente dele, foi criada para esse mundo. @_@ Eu gostaria de fazer um capítulo demonstrando todos os sentimentos dela, vamos ver se consigo! XD ~ Enfim! Eu gostei bastante do capítulo! Especialmente da última cena. q Kyah, espero que estejam ansiosos! sz~ ~ Mais uma vez quero agradecer à Kirashi-san! E a todos os meus leitores, que sempre se dedicam nos comentários que eu demoro tanto para responder. sz~ Obrigada por todo o apoio, pessoal! ~ Até semana que vem! :D