The King

12 Capítulo XII – O Plano de Minato.


Notas iniciais
Pois é! De alguma maneira já estamos no 12º capítulo! O_O Estou surpresa comigo mesma, foi realmente rápido! q Muito obrigada pela força que vocês me dão pelos comentários, pessoal! Vocês são linds. sz ~ Enfim, o trabalho não deu certo e estou novamente a procura. ;-; Se souberem de alguma biblioteca pública em SP precisando de gente, comuniquem-me. q ~ Eu terminei o capítulo hoje de madrugada, beteu agora, depois de acordar... Espero que esteja legal. :D A história do fundador acabou ficando bem curtinha, mas eu achei legal. Espero que concordem! :3 ~ Por fim... Divirtam-se sz

Capítulo XII – O Plano de Minato.

Em algum lugar hoje esquecido, escondida entre milhares de portas da Torre, havia uma sala muito importante, onde apenas pessoas importantes adentravam, embora odiassem isso.

Era nesta sala onde as estratégias de guerra geralmente eram tomadas. Ali, os guerreiros geralmente decidiam quando, como e onde começariam uma chacina. Os motivos nunca precisavam ser explicados, uma vez que eram óbvios.

Minato Namikaze era o filho de ninguém; um jovem bastardo de guerra, provavelmente abandonado por seus pais, que temiam morrer de fome. Ele fora encontrado e criado por Jiraya, que lhe deu educação e um sobrenome, ainda que não tivesse uma esposa para lhe dar como mãe.

Mesmo que criasse o menino como seu próprio filho, era loucura afirmar que o general Jiraya poderia sequer imaginar o destino do garotinho antes tão quieto e tímido, que posteriormente viria a se tornar o maior herói da história do país do Fogo.

Minato era inteligente, rápido e forte: características perfeitas para um bom soldado. Entretanto, foram seu senso de justiça, sua coragem e sua gentileza que acabaram por conquistar o coração da atual princesa de sua época: a jovem, doce e bela Kushina Uzumaki, a quem salvou de um preocupante sequestro.

O casamento foi reservado, e os novos governantes foram anunciados apenas para a cidade imperial, pois eram tempos de guerra. Guerra esta, entretanto, que não veio a durar muito.

Era um fatídico dia de inverno quando Minato, sua sogra, generais e capitães se reuniram na sala de estratégias, mas desta vez tudo estava para mudar, e mudou assim Fugaku Uchiha anunciara o fim da guerra. Embora fosse maravilhoso para qualquer alma minimamente humana, não era uma notícia lá muito boa para um país que cresceu consideravelmente graças aos lucros da guerra.

O Rei, entretanto, não conseguia conter-se de alegria, pois só a ideia de seu filho recém-nascido crescesse em um mundo de paz já lhe era satisfatória. – Perdoe-me, mas não compreendo como pode ficar tão feliz com isso, vossa majestade. – Fugaku ponderou com a voz tensa. – Nós nunca fomos um reino rico. Guerras são muito mais caras do que lucrativas, mas elas são o sustento de nossos soldados.

– E o que sugere? Que comecemos a atacar os países de paz? Isso seria loucura, acabariam se juntando contra nós.

– Com todo respeito, senhor, nós somos fortes.

– Se juntas, até formigas podem derrotar um gigante. – O Namikaze suspirou.

– Mas, senhor...! Um país sem homens é um país fraco! Nós temos o maior exército conhecido pelo mundo! O maior e mais bem treinado exército do século! Podemos muito bem continuar a conquistar terras, continuar a avançar! O que faremos, se não guerrear? – O Rei suspirou longamente.

– Como representante do povo, jamais permitiria que lhes faltassem qualquer coisa. Mas foi-me permitido ser Rei por minha justiça, pela lealdade que tenho para com meu povo e meus ideais. Eles me aceitaram de braços abertos... Eu jamais faria algo para decepcioná-los. – O senhor Uchiha apenas manteve-se calado, emburrado em seu lugar. – Não me leve a mal, Fugaku. Sabe que o respeito como se fosse meu próprio irmão mais velho. – Ele sorriu ao moreno, que assentiu com um suspirar.

– Só temo que sua bondade possa ser prejudicial a você mesmo, meu amigo. Eu não creio que os soldados vão concordar com algo tão radical quanto parar a expansão. Se for anunciar isso... Indico-lhe, irmão, que pense em um jeito de deixar eles e suas famílias tanto vivos como alimentados. – Sua majestade concordou com um assentir. Ele levantou-se. Tinha algo iluminado em sua expressão.

– Eu tenho uma ideia. – Anunciou com seu sorriso encantador.

*~*

Tudo o que Tsunade Senju menos gostava de fazer era lembrar-se da filha. A filha e o genro, as pessoas mais bondosas, mais amorosas que ela conhecera na vida.

Talvez por isso houvesse evitado tanto falar disso com Naruto. Mas aquela hesitação era injusta. Injusta e até mesmo cruel para com seu neto. Ele devia saber tudo sobre seus pais, e mais que isso, ele devia saber a verdade por trás daquele casamento que, sem duvidas, era muito mais necessário do que ele devia supor.

Naruto havia se sentado no sofá ao lado da avó, que parecia reunir coragem para pronunciar as lembranças que preenchiam sua mente e a dor que consequentemente invadia seu coração. Ela procurou focar-se no rosto do garoto, que tinha os olhos alegres de sua menina, e sorriu ao encontrá-los curiosos. – Eu devo começar pela história da vila... – Ela disse mais para si mesma do que para ele. – Preste atenção, menino. – Ela pediu, e alisou as faces do Uzumaki. – Está é a história do seu país, da sua cidade, da sua família... – O garoto concordou, e depois de alguns instantes, ela começou: — Este país foi fundado por um homem sábio, rico e bondoso, que é conhecido por nós como O Fundador.



Quando o mundo começou a ser dividido pelos homens, ele adquirira muitas terras, pois era muito rico – nós nunca soubemos suas raízes antes disso. Após adquirir posses suficientes para fundar uma vila, usou-as para abrigar famílias que em troca de casa e terra para plantio, trabalhavam em prol do fundador.

Este rico senhor teve dois filhos: o mais velho, dotado de uma grande inteligência, naturalmente ficou com a maior parte das posses e metade da herança do pai; o mais jovem, além de ter a proteção do mais velho, teve uma pequena parcela de terras e metade da herança, herdara do pai o espírito forte, justo e otimista, que foi decisivo quando ficou claro que os até então aldeões necessitavam de um líder.

O tempo passou, e as terras agora eram decididas à base de lutas e violência: Konoha, como foi chamada a pequena vila agrícola, começou a se defender dos bandidos; quando a população ficou claramente maior do que as terras pertencentes aos irmãos podiam abrigar, foi decidido que seu território deveria expandir-se, e assim, com um exército de agricultores comandados pelos filhos de um velho homem rico, foi formado o país do Fogo: não o maior território geográfico, mas o de mais poder de exército. Os líderes ficaram famosos: o mais jovem, Uzumaki, tornou-se reconhecido por sua firme liderança, enquanto o mais velho, Uchiha empenhavam-se em expandir o reconhecimento do novo país.

Mais tempo se passou, e os nomes destes tornaram-se sobrenomes aos seus sucessores; títulos foram criados e a relação de sangue consequentemente foi esquecida. Os Uchiha tornaram-se donos de exércitos, e os Uzumaki, a Família Imperial.

Há muitos anos atrás, a filha mais jovem de um líder da família Uchiha acabou por se apaixonar pelo filho mais velho de um agricultor; ao entregar-se a ele, porém, causou grande dor ao pai, que a renegou. Seu amado a acolheu de braços abertos, e após o casamento, ela deixou de ser a Duquesa Uchiha para tornar-se a senhora Hyuuga. Seu pai não fez nada para prejudicá-la, além de bani-la de sua família, mas o fato de ficar longe de sua menina favorita lhe causou dor extrema, e ele veio a falecer não muito depois do nascimento do primeiro neto, fruto do casamento do filho mais velho com uma mulher rica.

A leitura do testamento do falecido Duque foi surpreendente, pois todas as terras para plantação foram deixadas para a filha renegada, assim como boa parte da herança. A decisão do pai não alegrou o filho mais velho, que sempre havia feito de tudo para agradá-lo, e a partir de então, aquele rapaz não fez questão de se envolver com a família da irmã. – Tsunade respirou fundo. Levantou-se, seguiu até uma mesa de canto e serviu-se com um pouco de água da jarra que ali descansava. Pela decepção e angustia nos olhos do neto, ele começava a entender a seriedade do assunto. – O motivo por trás do seu casamento é bem simples, querido... – Ela murmurou perdida nas memórias do dia em que o plano de Minato fora apresentado. – O seu pai...

*~*

– Eu tenho uma ideia. – Sua majestade anunciou com um sorriso encantador. Pelas expressões dos presentes, estavam mais preocupados do que curiosos. – É bem verdade que a fama do país do Fogo nasceu do nosso forte e destemido exército, mas devemos nos lembrar dos tempos de paz... Quando a vila de Konoha era vista apenas como um bom lugar para se plantar. – Sua expressão era de sincero otimismo.

– É muito difícil mudar a cultura de um país tão repentinamente. – Fugaku ponderou; tinha os braços cruzados e olhar sério, mas o loiro não se abalou.

– Nossos antepassados puderam, porque não nós? – O Uchiha suspirou.

– Estamos pobres demais para negociar com donos de terras. – Os braços do Rei cruzaram-se, e Tsunade o observou um tanto curiosa. Ela e o genro sempre conversavam muito, principalmente depois do nascimento de Naruto, quatro meses atrás, pois Kushina estava ligada demais ao seu primogênito para prestar atenção no resto do reino. Ainda assim, ele sequer havia mencionado tais planos.

– Isso também não vai ser problema. – Ele falou com uma voz moderada. – Eu soube que o senhor Hiashi, dos Hyuuga, teve uma filha pouco depois do natal. Uma menina, sua primogênita. – O senhor Uchiha ofereceu à sua majestade um olhar divertido e desconfiado.

– Realmente está arranjando um casamento para o seu filho de quatro meses? Com uma plebeia, ainda por cima? – O outro suspirou.

– Sim, estou. – Ele levou os olhos azuis sérios até os negros. – Não que eu goste de fazer isso, mas a verdade é que agora sou o líder dessa nação... E é meu dever, como rei, pensar no bem dos demais além da minha própria família.

– Além disso, não é como se os Hyuuga não tivessem boas raízes. – Lembrou Tsunade. – Vocês são parentes, não é? – Fugaku concordou.

– Sou o padrinho da menina em questão, a propósito. Por ela, faria muito gosto do casamento, mas não acho que sua esposa concordará de bom grado. – Aquela insinuação desagradou à mãe de Kushina, que após pigarrear, disse:

– Creio que minha filha, depois de entender os motivos por trás do casamento, não só aprove como apoie a decisão de seu marido. – Ela ajeitou a cabeleira loira desconfortavelmente. – Estou certa de que ela não se importará com a “classificação” da família em questão, e sim da educação que sua futura nora receberá. – Minato concordou.

– Aposto que vai querer trazê-la para o castelo a fim de ensiná-la o que achar necessário. – Ele concluiu com uma risada.

*~*

– E de fato aconteceu. – Tsunade murmurou com um sorriso. – Sua mãe não a trouxe para viverem sob o mesmo teto, mas era quase a mesma coisa. Quando Hinata completou quatro anos, a rainha decidiu que professores deveriam ensiná-la e sobre o quê, e a trazia quase diariamente para a Torre. Seus pais acreditavam que a convivência poderia contribuir para que seu amor aflorasse.

– Então é por isso... – Naruto refletia cabisbaixo. Ouvira toda a descrição da avó em silêncio e sinceramente concordou com o ponto de vista do pai.



– Kushina gostava muito de Hinata... – Tsu refletiu. – Ela não gostou da ideia de casamento arranjado inicialmente, mas bastou-lhe poucos meses de convivência para que considerasse a menina Hyuuga como sua própria filha, e ela tomou gosto pela ideia. – Diante dessas palavras, Naruto pôde vislumbrar uma imagem nostálgica da pequena Hinata caminhando timidamente ao lado de sua mãe. – Ela chorou muito quando eles... Foram... – A mulher não conseguiu concluir a frase, pois lembrar-se era doloroso.



– Elas eram muito próximas. – Não era uma pergunta, mas Tsu não pôde perceber isso.

– Sim. – Murmurou. – Ouso dizer que Hinata chegou a ser mais próxima de Kushina do que de sua própria mãe. Ainda hoje, em seu comportamento, vejo muito mais de Kushina do que da senhora Hyuuga. – Naruto assentiu, ergueu os olhos pensativos para a avó e sorriu desgraçadamente.

– Hinata é uma rainha. – Ele concordou antes de baixar a fronte novamente. – E nosso casamento é necessário para a estabilidade do país. – A avó concordou com hesitação; podia ver a batalha interna que se travava no inconsciente do jovem príncipe, que se levantou lentamente. – Obrigada, vovó. – Reverenciou-a educadamente, antes de sair cabisbaixo.

~

Yahiko estreitou os olhos ao adentrar naquele lugar nojento. Definitivamente, dentre todos os locais escolhidos para as reuniões do grupo, aquele devia ser o pior.

Tratava-se de uma antiga loja de doces que fora fechada por falta de pagamento de impostos aos arredores da cidade imperial do país do Fogo; havia sido alugado no nome de um dos simpatizantes da Akatsuki. – Yahiko! – Konan se atirou sobre o rapaz, abraçando-o saudosamente. Ele se constrangeu um pouco pelo fato de estarem sendo assistidos por outros dois, mas ainda assim retribuiu o gesto.

Depois de cumprimentá-los e tomar o seu lugar ao lado da mulher de cabelos azulados, procurou o resto do grupo sem sucesso. – Só nós?! – Ele exclamou.

– Um bando de mercenários não faria bem nenhum a está reunião. – O homem que estava sentado à ponta da mesa murmurou com um suspiro. Este usava uma capa negra longa e sua cabeça estava coberta por um capuz grande; bandagens escondiam metade de seu rosto. – Mas não se preocupe, já que eles estarão aqui para a operação.

– Então a data já foi decidida? – O ruivo ao lado do encapuzado assentiu de maneira duvidosa.

– Sim e não. – Foi sua resposta verbal, que fez o de cabelos alaranjados revirar os olhos.

– Seja mais exato, Nagato. – Yahiko pediu com um suspiro.

– Sabemos o período, mas não o dia.

– E quando seria isso? Eu preciso saber, para preparar o menino Sarutobi. – Konan baixou a cabeça; ela definitivamente não concordava com a ideia de usar uma criança em planos de traição, ainda que fosse a única maneira.

– Após o casamento do príncipe. – O encapuzado avisou enquanto soltava um audível bocejo. – Mas vamos, me fale sobre esse garoto, o tal Sarutobi. Como ele se comportou quando você o ameaçou? – Ele parecia sinceramente interessado, embora os outros três soubessem que era só parecer.

– É um bom menino. – Yahiko murmurou após refletir. – Um pouco teimoso, mas estou certo que depois de saber nossos verdadeiros propósitos, vai estar do nosso lado não só por medo. – E sorriu ao olhar para a única mulher presente. – Quando o vi pela primeira vez, estava atirando uma maçã no príncipe e dizendo algo como “viva a democracia”. Não é engraçado isso vir de um Sarutobi?

– Ele foi criado nas ruas, então acho um pouco natural. – O tal Nagato disse.

– É verdade. – O de capuz riu. – Se um Uzumaki pode se tornar um rebelde, porque não um Sarutobi? – O ruivo pareceu ficar desconfortável com a insinuação, mas não disse nada para contrariá-lo.

– Aliás, Tobi. Como vão suas queimaduras? – A voz de Konan foi ponderada, mas o homem duvidava de sua preocupação.

– Você se acostuma depois de vinte anos. – A voz dele soou dura, e ela imaginou que não deveria ter tocado no assunto. O silêncio se formou, e após alguns minutos ele suspirou. – Estou extremamente preocupado com a fidelidade dos cidadãos para com o garoto de Minato. Isso pode atrapalhar um pouco nossos planos.

– Não pense muito nisso. – Yahiko se acomodou em sua cadeira como se aquela fosse sua menor preocupação. – Miseráveis costumam ficar do lado que dá mais lucros ou menos impostos.

– Querido... – A voz de Konan possuía censura, mas seu noivo deu de ombros.

– É a verdade. Posso falar porque já fui um deles. – E suspirou. – Só não entendo porque não atacar antes ou durante o casamento. Eles vão ter a guarda baixa. – O outro bufou.

– “Guarda baixa”... – Balançou a cabeça como se aquilo fosse o maior absurdo já ouvido em sua vida. – Longe disso, meu jovem. – Tobi ergueu os olhos negros em sua direção. – Toda guarda real vai estar dentro da Torre, e toda a guarda da cidade imperial em torno do lugar. Vai ser mais fácil esperar a folga dos soldados, que só acontecerá após a cerimônia.

– E quando vamos saber? – Ele deu os ombros.

– Vou ficar nesse lugar por mais algum tempo, mas os manterei informados. – Todos concordaram. – Sobre o garoto, Yahiko... Arranje um jeito de mandá-lo achar alguma entrada para um grupo de dez pessoas. – O rapaz concordou, e o homem levantou-se. – Creio que seja tudo. – Sorriu e levou o olhar até Nagato, que estava sentado ereto na cadeira ao seu lado. – Aconselho a fazer um bom discurso, senhor Uzumaki, pois logo você se tornará o governador do país do Fogo.

~

Sempre odiei vestir roupas pomposas, pois elas me pinicam.

Ainda assim, ter a aparência semelhante à de um bolo parece ser o ideal para os príncipes de minha época, e eu sempre era obrigado a me apresentar com tais vestes em eventos importantes.

Aquele dia não era diferente, mas meu pai, justamente meu amado pai viera me aprontar. – Hoje é um grande dia. – Ele disse com um sorriso enorme.

– Um grande dia? – Perguntei com sincera curiosidade.

– Sim, meu filho. – Ele respondeu. – Hoje você conhecerá sua noiva. – Na época, com meus quatro anos e meio de idade, não pude realmente entender. Ainda assim, fiquei animado, pois papai parecia animado. – Sua mãe a está preparando. Ela é uma mocinha muito bonita, mas tímida. Então seja gentil, certo? – Eu concordei.

Papai me levou até a sala do trono, ela estava cheia com conhecidos e desconhecidos. Não muito tempo depois mamãe apareceu com uma garotinha que não me era estranha.

Lembrei-me que nas últimas semanas eu sempre as via juntas – mamãe e a garotinha – fossem nos jardins ou na biblioteca. Como sempre estava ocupado demais fugindo de meus tutores, nunca havia tido interesse suficiente para perguntar sobre ela.

Enquanto se aproximava, a rainha segurava as mãos pequenas e pálidas da garotinha. – Está é Hinata Hyuuga. – Apresentou-me; a menina tinha cabelos curtos, e usava um bonito quimono amarelo. – Ela é sua noiva desde que nasceram. – Mamãe anunciou sorrindo. – Não a acha muito bonita, vossa alteza? – Ela ergueu os tímidos olhos perolados e eu corei um pouco.

Levantando-me do trono, desci as escadas em sua direção. Podia até mesmo sentir os olhos do papai nas minhas costas, então me esforcei para ser cortês.

Curvei-me educadamente, puxei a mão menor que a minha e a beijei galantemente, como sempre via os senhores fazendo com senhoritas nos bailes no palácio.

Hinata enrubesceu, e não tirou os olhos dos meus por nem sequer um segundo. Mamãe riu, acho que achando graça da minha atitude precoce, e bagunçou meus cabelos loiros. – Eu espero que se deem bem. – Desejou sinceramente, com seu sorriso eternamente encantador. E naquele mesmo momento eu quis me casar, mesmo que apenas para agradar aos meus pais.

Aquele definitivamente não era um bom jeito de começar o dia. – Mas que belo sonho... – O herdeiro murmurou irritadiço e se levantou preguiçosamente.



As cortinas já estavam abertas, e quem estava lá, em posição de guarda, era Jiraya. Ele reverenciou-o quando o neto pareceu enxergá-lo. – Bom dia, vossa alteza. – Cumprimentou sorridente. A sobrancelha loira do rapaz se arqueou.



– Avô, é estranho, então não me chame assim. – Pediu, coçando a nuca de maneira constrangida. – O que faz aqui? Algum problema? – O velho general negou.



– Eu soube que conversou com sua avó ontem... – O rapaz suspirou.

– Não precisa me consolar.

– Eu não pretendia. – O velho riu. – Mas gostaria de levá-lo a um lugar. – Naruto arqueou a sobrancelha mais uma vez, mas acabou por concordar.

Para a sua alegria, Jiraya não fez questão de que ele esperasse as servas para banhar-se e vestir-se, e após estar prontos, eles saíram juntos do quarto.

Andaram pelo longo corredor para adentrarem no quarto vizinho ao do príncipe.

O quarto com papeis de parede bege desenhado com abstratos era muito maior do que o do herdeiro, mas um pouco empoeirado. – Era o quarto dos seus pais. – O avô avisou; andou até as janelas e abriu com um pouco de dificuldade as cortinas compridas.

Os dois tossiram com a poeira que se levantou pela ação. – Eles fizeram questão de que seu quarto fosse na mesma ala e ao lado do deles. – Embora não entendesse direito, pelo tom que Jiraya havia utilizado, ele acreditou que talvez aquela fosse uma ação estranha para a realeza.

O velho sorriu saudosamente. – Eles não queriam desgrudar do filhinho por um momento. – Aproximou-se e puxou o rapaz pelos ombros. – Seus pais tinham muita expectativa em você, garoto. Mas te amavam mais do que qualquer coisa. – Ele parou em frente à uma lareira e gesticulou com a cabeça para que o garoto pudesse ver o quadro grande de Minato e Kushina.

Ele não esperava por aquilo, e ver a imagem de seus sonhos estampadas em um quadro da realidade o abalou um pouco; ele sentiu as pernas bambas, e cairia se não tivesse o velho de apoio ao seu lado. – Eles eram grandes governantes... Mas também eram grandes pais, e embora Minato tentasse convencer a si mesmo deu que o reino era sua maior prioridade, nunca conseguiu se comportar dessa maneira. – O homem sorriu nostalgicamente, tal como Tsunade sorria ao falar de Kushina. – Ele te amava mais do que qualquer coisa no mundo. – Os olhos negros fitaram o rosto do neto, que ainda olhava para o quadro. – Eu sei, garoto, que você era a coisa mais importante da vida deles. Sei que fariam de tudo por você. – Naruto não disse uma palavra. – É por isso que... Se você realmente não puder se casar com essa garota... Quero que saiba que seus pais ficariam do seu lado, ainda que as circunstâncias fossem complicadas. Eles o apoiariam, passariam por cima de todos pelo bem do filho.

– Vovô... – Ele começou, mas parou antes de falar qualquer frase. Depois de pensar um pouco, retornou. – Eu gostaria que limpassem esse quarto. – E finalmente levou os olhos azuis até o rosto de seu antigo tutor. – Eu posso ficar aqui, certo? – O velho pareceu pensar por um instante.

– Creio que sim... – Respondeu depois de um tempo.

– Então eu quero ficar. – Falou por fim, e tornou a olhar para a foto. Jiraya não sabia bem o que fazer diante dessas palavras, mas imaginou que talvez o príncipe quisesse ficar sozinho por um tempo. Então soltou seus ombros, reverenciou-o e o deixou.

Naruto nunca imaginou que a solidão fosse algum dia ser tão confortável.

~

Hinata estava enfim sozinha. Depois de horas tendo que ensinar latim – pois ensinar era a melhor maneira de aprender – para o novo amiguinho de Hanabi, o menino Konohamaru, ela enfim conseguira um tempo.

A irmã, Moegi e o rapazinho estavam certamente fazendo alguma peraltice em qualquer canto da torre. Como Sasuke, Itachi ou qualquer soldado certamente estaria de olho neles, ela tentou não se preocupar demais.

Não que ela desgostasse da companhia dos mais jovens, longe disso. Ela, na realidade, odiava ficar sozinha, mas francamente havia momentos em que precisava pensar, principalmente depois de encontrar seu noivo de gracejos com outra garota. Aquilo a incomodava muito, pois era tão... Estranho.

O antigo Naruto, o amigo e noivo que ela lembrava tinha orgulho de ser herdeiro do trono, e sempre estava disposto a tudo para alcançar às expectativas de seus pais... Por que eles tinham que ser tão diferentes, ainda que fosse a mesma pessoa?! Porque este tinha que ser tão irresponsável?! Como ele tivera a coragem de desrespeitá-la a tal ponto, abraçando uma serva em publico, com tanta intimidade?!

Era tão irritante! Irritante e preocupante. O que ela faria, se os planos de Hiashi desmoronassem?! O que ela faria se Naruto decidisse deixá-la, abrir mão do reino apenas para ir atrás do amor da protegida de sua avó?!

Com esses tormentos em mente, ela decidiu sentar-se no piano. Havia semanas que não se sentava para tocar realmente, então ela imaginou que se sentiria renovada ao deslizar os dedos pelas teclas do instrumento de calda que havia ganhado de presente de Fugaku por seu aniversário de dezesseis anos.

E realmente foi renovador. Ela iniciou a musica com um toque calmo, leve, procurando tranquilidade... Mas à medida que os seus pensamentos voltavam-se para a lembrança incômoda do abraço entre a Haruno e o Uzumaki, seu toque parecia ficar mais forte, e a melodia mais dura, rígida e violenta.

Por quê? Por que ele tinha que ser tão insensível?! Por que ele não podia ver como suas atitudes a afetavam?! Por que não conseguia enxergar o charme que – ela sabia – boa parte dos rapazes da corte notava nela?! E o mais importante de tudo: porque ela, sendo inteligente e madura o suficiente para saber que jamais poderia manipular os sentimentos das pessoas, ainda que suas responsabilidades fossem grandes, sentia-se tão ofendida com aquele pequeno desliza de um príncipe que fora criado como plebeu?!

Tão estúpida! Tão estúpida! Tão estúpida! – Você toca muito bem. – A frase a fez parar imediatamente.

Com o rosto vermelho, envergonhada por seus pensamentos, Hinata levantou-se. Ela se surpreendeu ao enxergar o herdeiro ali, em frente à porta, sorrindo de maneira estranha, e o reverenciou educadamente.

Ele retribuiu o cumprimento e após fechar a porta, sentou-se em uma das poltronas. Com os olhos, fez menção para que ela também o fizesse, e a moça obedeceu imediatamente, constrangida demais para pensar em qualquer coisa.

Naruto pareceu pensar muito antes de falar. – Escute... – Ele disse depois de suspirar; coçou a nuca e focou as duas grandes safiras nos olhos da Hyuuga. – Hinata, eu... Por ontem... – O rosto da moça enrubesceu, e ela baixou a fronte. – Foi irresponsável da minha parte, portanto sinto muito. – Ela deu os ombros.

– Tudo bem. – Murmurou com a voz baixa. Estava envergonhada demais de si mesma para olhá-lo nos olhos.

–... A minha avó me falou sobre a origem do nosso noivado... Eu... Eu não sabia que era algo tão delicado. – Ele também estava constrangido, e baixou o rosto. – Mas... – Ergueu os olhos novamente. – Um casamento assim... Realmente te satisfaz? – A Hyuuga riu sem humor.

– Não diria que me satisfaz, mas não me desagrada. – Ela ergueu os olhos de lua até os dele, fazendo-o corar um pouco. Ela notou, e realmente gostou disso. – Creio que já tenha dito isso antes, senhor, mas eu nasci para me casar. Desde sempre foi minha responsabilidade encontrar um título para a minha família, então eu nunca pensei que o matrimônio devesse ser necessariamente romântico. – Aquelas palavras vindas dos lábios de uma garota tão jovem, linda e aparentemente frágil o surpreenderam um pouco.

– Sinto muito por isso. – Ela preferiu não responder. Hesitou um pouco, olhando fixamente para as mãos do rapaz e timidamente puxou-as.

– E também... – Tornou a falar; seu rosto estava enrubescido, e o dele um pouco corado. – Eu sempre fui criada com a ideia de que o amor viria depois do casamento. – E sorrindo nervosa e constrangida, fitou-o nos olhos.

Naruto recuou imediatamente, puxando suas mãos para livrar-se das dela sem nem mesmo imaginar o quão cruel tinha sido essa atitude. – Senhorita Hyuuga. – Ele falou firmemente. – Eu gostaria de deixar bem claro o fato de que estou perdidamente apaixonado por outra pessoa. – Ela notou o cuidado de não mencionar o nome da mulher que, ela tinha certeza, era a médica do outro dia. – Embora como príncipe... Eu não tenha muitas escolhas... – Ela preferiu ignorar a ofensa implícita naquela declaração. – Não pretendo alterar meus sentimentos. – E ergueu um olhar decidido até sua noiva, que nada disse. – Quero saber, senhorita Hyuuga... Se mesmo sabendo de minhas intenções, ainda quer aceitar a proposta de casamento.

Notas finais
Pois é, Tobinho apareceu para infernizar a vida do nosso adorado príncipe. q ~ Eu imagino que alguns vão ficar muito frustrados pela sinceridade do Naruto, embora eu ache que foi correto da parte dele expressar seus sentimentos de tal maneira. Embora goste da Hinata, ele mal a conhece, mas tem consideração suficiente para ser sincero, dizer que é apaixonado por outra e que não pretende mudar seus sentimentos. u.u Enfim... A sinceridade também magoa, acho. q ~ Eu pretendo responder os comentários logo. Perdoem-me a falta de tempo... ;-; ~ Dúvidas? Críticas? Sugestões? Muito obrigada por sempre comentarem, por sempre expressarem seus sentimentos nos reviews fofos que, embora não tenha tempo de responder, sempre leio! *-*