The King

10 Capítulo X – O Frio.


Notas iniciais
OBRIGADA PELA RECOMENDAÇÃO, FOREVERTHEBEST. Foi realmente muito gentil da sua parte. sz Eu quero me desculpar por ainda não ter respondido os comentários. T-T Realmente tá complicado. @o@ Vou responder todos ainda hoje! u.u As roupas orientais, no fim, acabaram ganhando! Acho que só duas ou três pessoas votaram pelas roupas ocidentais... XD Eu gosto muito de ambas, então vou deixar avisada que ambas serão usadas. :D Eu estou resfriada (não é nenhuma novidade, porque eu vivo ficando doente... XD), então peço desculpas se tiver algum errinho ortográfico. Eu me esforcei bastante pra esse capítulo. Sabia exatamente o que ia acontecer, mas não conseguia fazer acontecer. y.y Mas no fim, não acho que tenha ficado tão ruim. :) Espero que gostem.

Capítulo X – O Frio.

Konohamaru bateu cinco vezes na porta, antes que ela fosse aberta maneira afobada pela mãe de Moegi, que teve que segurar as lágrimas ao ver o garoto sujo com flocos de neve.

Ele estava ofegante, o que denunciava a desesperada corrida que iniciara após Shikamaru informar qual o motivo de sua visita inesperada. – Obrigada, querido... – A senhora agradeceu, fungando tristonha. – Entre. – E deu espaço para que ele corresse para dentro da casa simples.

O jovem Sarutobi, embora prezasse muito a família de Moegi, não conseguiu sequer pensar em pedir licença para adentrar tão familiarmente na casa, e se apressou para alcançar o quarto da melhor amiga. Ele quis desabar, ao vê-la daquela forma...

Moegi tinha uma personalidade forte e era uma garota decidida; seus pensamentos dificilmente podiam ser manipulados depois de formados. Mas o que tinha de forte personalidade, tinha de saúde fraca.

A ruivinha estava deitada, encolhida, coberta por uma porção de cobertores finos e remendados; ela respirava de maneira descompassada, com visível dificuldade. Quando começou a tossir descontroladamente, ele não pôde controlar o impulso de se aproximar.

A garota chegou a se sentar, tão dificultoso estava sendo respirar deitada e o garoto se sentou ao lado dela no intuito de apoiá-la. – Konohamaru... – Ela murmurou baixo, e ele conteve-se para não contrair os lábios.

– O que aconteceu com você...?! – Ele questionou sem esconder a angústia na voz. – De novo essa falta de ar? – A resposta foi um breve assentir, antes de ela tornar a tossir. O Sarutobi, ao notar o quão quente ela parecia, mediu sua temperatura ao colocar a mão em sua testa, e após identificar a febre, retirou seu casaco pesado e encobriu-a.

– A mamãe... A mamãe ainda está chorando...? – Ela perguntou com dificuldade.

–... Provavelmente... Mas não pense nisso. – Puxou-a para confortá-la em seus braços, pois sabia que ela não tornaria a se deitar. – Você tem que ficar calma. Sempre tosse mais quando está nervosa. – E beijou a cabeleira ruiva levemente bagunçada.

– Eu acho que vou morrer... – Murmurou chorosa, encolhendo-se no peito do rapaz. – Eu estou com medo... – Ele apertou seus braços, e tudo ficou em silêncio. A única coisa que se podia ouvir eram os murmúrios chorosos da mãe de Moegi em outro cômodo, e o ronronar da respiração da garota, que já se sentia mais calma apenas por estar nos braços do Sarutobi. – Se eu morrer...

– Você não vai morrer! – Exclamou com irritação. E ela, embora quisesse, com todas as forças, continuar a sentença, apenas encolheu-se ainda mais e chorou em silêncio no peito do melhor amigo.

~

– Para onde vocês vão? – Hinata não pôde deixar de questionar; seu rosto estava pálido. Ela não podia perder o noivo! Aquele noivado era tudo o que Hiashi mais ansiou por toda sua vida, seria a entrada triunfal dos Hyuuga para a nobreza do país do Fogo...

Diante a falta de resposta de Naruto, ela se aproximou cautelosamente. Tinha que se controlar, então respirou de maneira profunda e olhou no fundo dos orbes azuis. – Para onde vocês pretendem ir, senhor? – Repetiu com a voz moderada.

Naruto não conseguiu desviar da intensidade dos orbes perolados decepcionados; ele quis imediatamente contar, como se fosse uma criança arrependida dizendo à sua mãe o motivo de sua travessura, mas era fiel demais para tal coisa.

Sakura podia imaginar o constrangimento sentido pelo amigo diante a situação, então se apressou em manifestar-se. – Desculpe-me, senhora! – Ela exclamou se curvando, tomando a atenção da futura princesa. – A culpa é toda minha... – Ela murmurou lentamente, pensando bem no que diria a seguir. Os olhos da Hyuuga estavam sérios, e por mais que ela quisesse dizer “Cale-se, não é um assunto que eu queira tratar com você”, apenas ouviu a desculpa da rosada. –... Há uma garotinha doente. – Sak disse depois de hesitar um pouco. De alguma maneira, ela cria que Hinata tinha um bom coração. – Como deve saber, senhorita Hyuuga, eu e o príncipe somos amigos de longa data, portanto... Como médica, senti-me no dever de prezar pela vida da garotinha, e ainda que seja insolência da minha parte, pedi para que vossa alteza me acompanhasse.

– Você não me pediu nada! – Naruto suspirou; puxou os ombros de Hinata, fazendo-a olhar para ele, e corou, ao ver os orbes perolados grandes, surpresos e admirados. Demorou um segundo até que ele se lembrasse do que ia falar. – E- Eu quero ver com meus próprios olhos. – A prometida, entretanto, não soube o que dizer; tinha os olhos fixos nos dele, e por algum motivo sentia o seu coração acelerado, só pela aproximação. Ele não queria fugir, muito pelo contrário! Ele queria ajudar, ajudar o seu povo... Tal conclusão foi tão satisfatória, e o alívio tão grande, que ela sequer soube o que dizer.

Hanabi sorriu sinceramente feliz; ouvir aquilo era ter certeza de que o príncipe tinha um bom coração e, portanto, merecia ter sua adorada irmã como esposa. – Então nós devemos ir. – Ela disse com animação, tomando a atenção dos três mais velhos.

– “Nós”? – Naruto arqueou as sobrancelhas loiras, confuso. A mais jovem deu os ombros e sorrindo, apontou para suas próprias trouxas.

– Afinal, nós também queremos salvar algumas crianças.

~

Diferente de Neji, Sasuke preferiu esperar os familiares do lado de fora do hospital. O frio era extremo, mas a neve caia com uma leveza surpreendente.

O Uchiha ergueu os olhos para a fachada do hospital e admirou-o por um momento que durou muito pouco, já que Itachi e Kasumi saíram pela porta. A cunhada estava encolhida nos braços do marido, e embora não chorasse, sua expressão tinha uma dor quase palpável.

Sasuke não pôde deixar de notar o quão estranho era ver aquela imagem, já que a primeira vez que ele encontrara com Kasumi fora naquele mesmo lugar; lembrava-se da menina encolhida nos braços de Fugaku, uma menina que tinha olhos selvagens e irritadiços, e que ironicamente veio a se tornar uma das damas mais importantes da sociedade do país. – Você nos esperou? – Itachi questionou com um sorriso. O mais jovem deu os ombros. – Não era necessário. – Mas o rapaz suspirou.

– Eu sei, só estava... Preocupado. E, pelo que vejo, foi bom ficar... O que aconteceu? – A moça fungou, e limpou uma lágrima silenciosa que escorrera por seu rosto. Sorriu fraca ao olhar para o mais jovem.

– Desta vez, eu morri. – Disse; esquivou-se dos braços do marido e caminhou à frente deles. Itachi suspirou longamente; coçou a nuca e deixou que ela os ultrapassasse um pouco antes de segui-la a caminho de casa.

– O que aconteceu? – A voz do mais novo era ainda mais preocupada quando questionou o irmão, que deu os ombros.

– Você sabe como é a sua cunhada... – Ele não conseguia tirar os olhos das costas da amada. – Ela é a Senhora Itachi Uchiha, uma dama da sociedade, com uma linda filha. É nora de uma família importante... E ainda assim, cada criança perdida que dá entrada nesse hospital... Ela consegue se enxergar em cada uma delas. Frágil, doente, sozinha. – E suspirou melancolicamente. – Embora o pai tenha arranjado nosso casamento, eu realmente amo, sabe? Mas ainda que ela cubra todos os vazios que eu tive sendo criado como o filho mais velho da família Uchiha... Temo que eu não consiga fazer o mesmo. – Sasuke riu sem humor, e bateu de leve no ombro do mais velho, que sorria com tristeza.

– Você não é inseguro, Itachi. – Ele murmurou. – Não me assuste assim. – Riu no intuito de descontraí-lo, mas foi ele quem se distraiu, pois quando desviou dos olhos negros do mais velho, avistou um grupo de fugitivos que não era planejado, nem desejado. Ele contraiu os lábios com irritação, e empurrou o mais velho – Vá. – Disse, tentando esconder os outros com seu corpo. – Vá, fique com sua esposa. Eu vou voltar para a Torre, posso te cobrir. – Agradecido, o mais velho concordou, e após despedir-se com um aceno apressou os passos para alcançar a esposa.

Sasuke sequer esperou perdê-los de vista para ir atrás dos fugitivos, pois afinal de contas, Itachi sempre ficava cego quando se tratava de Kasumi.

– Por que vem em nossa direção? – Sak não pôde deixar de questionar; embora estivesse feliz por saber que a futura esposa de Naruto tinha um coração tão gentil quanto o dele próprio, a ponto de fugir com o inocente plano de distribuir alimentos saudáveis apropriados ao frio para os menos favorecidos, estava um pouco constrangida pelo fato de ter duas riquinhas ao seu encalço, seguindo-a como se estivessem vigiando.

– Não podemos fazer nada, já que vamos pra essa direção. – A mais nova deu os ombros. – Aliás, nós chegamos. – Ela sorriu e correu para a porta à frente, onde bateu duas vezes antes de ser atendida.

Sakura não pôde se mover, tamanha a surpresa, pois era a mesma casa da menininha adoentada. Ficou confusa por ver um soldado abrindo aporta, mas pôde ter certeza quando atrás do rapaz revelava-se a melancólica mãe, que se ajoelhou aos seus pés ao identificá-la. – Doutora! – Ela exclamou em rios de lágrimas. – Doutora, por favor! Minha filha está morrendo! – Sak agachou-se para levantá-la.

– Por favor, minha senhora... Eu vim ajudá-la. – Esclareceu com um sorriso doce. – Não se comporte dessa maneira, eu lhe trouxe visitas importantes. – E apontou para os companheiros; a mãe, entretanto, não parou para prestar atenção nos outros, e puxou a médica às pressas.

– Vamos, doutora. Ajude minha filha, por Deus! – Ela pedia descontrolada.

– O que é que vocês estão fazendo aqui?! – A voz de Sasuke soou irritada, frustrada e furiosa. Sakura, àquela altura, já havia sido puxada para dentro da residência. – Você não cansa de fugir?! – Exclamou com os olhos presos ao herdeiro, que constrangido, deu os ombros. – E você, Hinata! – Encarou a prima com decepção. – Eu disse que faria, e o fiz! Não há um mendigo solto na rua; você não precisava vir! – A Hyuuga baixou a cabeça, constrangida.

– A minha irmã não tem culpa! – Hana defendeu. – Eu praticamente a obriguei a participar disso! – Mas o Uchiha bufou; sabia muito bem que, embora Hanabi fosse teimosa, jamais iria faria algo que fosse de fato contra a vontade da irmã.

– Naruto! – Sakura exclamou do lado de dentro da casa e o loiro, ignorando completamente os outros, correu com o baú – que estava cheio de materiais medicinais – para dentro da residência. Shikamaru o seguiu no intuito de guiá-lo.

– Não me diga que ele está com a médica de novo. – O Uchiha teve que contar até dez mentalmente para não explodir de raiva. Hina suspirou.

– Eles vieram ajudar uma criança, não seja cruel. – Ela murmurou antes de entrar, sendo seguida pela irmã e então, depois de muito praguejar, o próprio Sasuke.

Moegi não estava em um bom estado. Sak pôde perceber isso assim que adentrou no quarto e encontrou a menina sentada nos braços de um rapazinho que também parecia se importar muito com ela. A respiração da ruivinha era lenta e difícil, a rosada sabia que também deveria estar sendo dolorosa, e isso a preocupou ainda mais.

Ela se aproximou da cama e, depois de pedir para que o rapaz deitasse a garota, começou a examiná-la. O pulso estava compreensivelmente acelerado, já que ela forçava seus pulmões a inspirar e soltar como uma guerreira; a febre estava alta e o quarto não tinha a temperatura ideal, e o melhor cobertor ali era o casaco masculino que protegia os ombros da adoentada. – Eu vou morrer...? – Ela perguntou num sussurro, mas Sak, após um sorriso doce, negou.

– Você já teve essa falta de ar, lembra? E está viva. – Ela alisou a cabeleira ruiva e suada. – Não precisa ter medo, eu vou fazer de tudo para te ajudar. – Garantiu, e a menina sorriu.

~

O mundo era realmente pequeno, e a cidade imperial, então. Konoha era uma cidade pequena, que inicialmente era conhecida como vila; ela cresceu consideravelmente, mas ainda assim as coincidências eram evidentes.

Quando Hanabi Hyuuga deu à irmã a ideia de fazerem algo pelas crianças pobres, logo imaginou que a padaria de um antigo serviçal de sua família seria perfeita: os donos do lugar eram gentis e bondosos, e a mais jovem dos Hyuuga tinha um apego especial pela mãe desta família, já que esta fora sua ama de leite quando recém-nascida. Nada podia ser mais estranho do que chegar lá justamente quando a senhora mais precisava de algum apoio.

Hinata e a irmã logo descobriram que o dono da padaria tinha falecido há pouco, era um dos infelizes que fazia parte da “pequena parcela de mortos no inverno”; a mulher, então, estava sozinha, com a filha doente. Os leitos do hospital haviam acabado, e nem a base de suborno a maldita madre se pôs a ajudar a pobre garotinha.

No momento em que ouviu a declaração da mulher, Sasuke quis voltar àquele hospital no mesmo momento, e espancar aquela maldita mentirosa. Para ela, era uma sorte que ele fosse muito controlado.

Durante todo o tempo em que a doutora Haruno ficara no quarto, Hanabi ficou sentada ao lado de sua ama, que encolhida em seus braços, lamentava todas as dores que um inverno maldoso poderia causar. Hana era uma garota de personalidade forte, mas de coração amoroso; ver uma pessoa tão querida sofrendo tanto geralmente a fazia sofrer o dobro – uma qualidade que sem duvidas havia herdado da irmã.

Naruto ficou o tempo todo sentado entre Sasuke e o silencioso Shikamaru Nara; observava enquanto a Hyuuga mais jovem consolava a dona da casa e a Hyuuga mais velha, solidária e mais madura, preparou o jantar após perguntar à Sakura o que seria mais recomendado à Moegi e tratou de organizar toda a bagunça que o velório do pai da família – que havia sido no dia anterior – havia deixado. Ela conhecia a casa o suficiente para tal coisa. O príncipe, ainda que quieto, não pôde deixar de admirar tamanha sensibilidade.

Ele concluiu que estava extremamente errado sobre a conduta de sua noiva, pois ela não parecia alguém que trairia seu próprio coração em prol de uma coroa (era o que diziam nas fofocas pela Torre, e o que ele imaginava depois de saber que seu noivado com Kiba Inuzuka havia sido rompido convenientemente após sua chegada).

Demoraram horas até que Konohamaru – não Sakura – saísse lá de dentro. Ele estava abatido demais para se surpreender com os convidados supostamente importantes. – Tia, a doutora que falar com você... – Ele falou em tom baixo.

A mulher, no mesmo instante, levantou-se e correu em direção ao quarto da filha; o Sarutobi suspirou pesadamente, e quase sem perceber que Hanabi estava sentada, desabou no sofá velho. – Você é o irmão? – A garota perguntou e dando os ombros, ele respondeu um “quase isso” murmurado, enquanto se aconchegava no encosto do sofá.

A Hyuuga sorriu tristonha; retirou seu xale dos ombros e jogou-o sobre o peito do rapaz, que sequer percebeu.

~

Sakura, depois de muito tentar, enfim havia conseguido baixar a febre da mocinha, que agora estava dormindo; como era de se esperar, sua respiração melhorou consideravelmente. Como a própria médica estava mais tranquila, e mais certa da melhora de sua paciente, pediu calmamente para que o rapazinho à sua porta chamasse pela mãe da garota, que não demorou sequer dois minutos para aparecer dentro do quarto. – Ela está bem. – Respondeu à pergunta silenciosa da mãe que, mais uma vez, caiu de joelhos aos seus pés, chorando.

– Obrigada, senhora! Obrigada! – Sak suspirou; ajoelhou-se à frente da mulher e a abraçou. As reações daquela mulher lembravam muito às da sua falecida mãe.

– Acalme-se. – Pediu. – Ainda farei um tratamento com beladona para que a respiração melhore... Esse não parece ser um problema contagioso, então julgo que seha crônico; ele que pode ser consideravelmente aumentado, mesmo que por um mero resfriado. Altas emoções também podem ter influências... – A mulher fungou, e assentiu.

– Meu marido acaba de morrer, senhora. – Ela confessou. – E minha filha ficou muito tempo fora do quarto, velando o corpo do pai. Provavelmente, por causa disso, um resfriado pode tê-la pego. – A rosada lamentou-se; lamentou-se porque não podia falar o que precisava falar para aquela mulher.

O fato era que Moegi não podia mais ficar naquela casa: ela precisava ser urgentemente levada para um lugar mais aconchegante, onde pudesse ser observada por um médico constantemente; o seu caso necessitava de observação, mas como falar isso a uma mulher que acabara de perder o marido?! Como ela podia tirar-lhe a filha?!

Pensava nisso enquanto fazia a garota inspirar o perfume das beladonas, muito úteis no controle da respiração para pessoas com aquele tipo de enfermidade. Depois do tratamento terminado, ela levantou-se e se retirou para a sala, onde todos os visitantes estavam reunidos em um só cômodo.

Ela pôde ver que tinham três tigelas de sopa reservadas; provavelmente para a mãe, a filha e ela mesma.

Já passava das duas, e Hanabi estava adormecida no ombro de Hinata, que alisava gentilmente a cabeleira castanha da mais nova; o garoto, amigo da ruivinha, estava praticamente babando no sofá ao lado das Hyuuga. Os outros rapazes, entretanto, pareciam extremamente acordados.

Ela surpreendeu-se ao ver Sasuke ali, mas fez questão de sentar-se ao seu lado, já que ela estava muito constrangida com a presença de Hinata para fazer qualquer menção de aproximação com Naruto. – Como ela está? – O Uchiha perguntou com a voz calma; a rosada deu os ombros.

– Ela vai ficar bem, desde que não fique aqui... – Hinata suspirou tristonha. – Eu não posso falar isso para a mãe... – Sak lamentou-se, escondendo o rosto entre as mãos. O senhor Uchiha, embora não fosse a pessoa mais sensível do mundo, não gostava de ver uma garota (muito menos a garota que havia se tornado a heroína da noite) em prantos, então envolveu-a gentilmente com os braços fortes. Naruto não gostou daquilo, e se ajeitou desconfortavelmente em sua cadeira.

– Vamos levá-la. – Foi Hina quem disse, surpreendendo a todos, que a encararam como se ela tivesse enlouquecido.

Os olhos perolados, entretanto, pareciam mais que lúcidos do que nunca – Embora esteja frio lá fora, não há vento. Se a aquecermos, podemos levá-la... Ela pode ficar nos meus aposentos.

– Não. – Sasuke falou como se não tivesse outra resposta. – A culpa vai cair sobre você. – Hina suspirou da teimosia do primo.

– Não é como se eles fossem expulsar-me de lá. – Ela deu os ombros, e tornou a olhar para a rosada. – Se nós podemos salvar essa garota, nós vamos salvá-la. – Lentamente, a Haruno concordou. Queria sorrir, mas na verdade estava surpresa demais; pôde ver, pela visão periférica, Sasuke praguejando baixo algo como “a sua bondade vai acabar lhe tirando a coroa”, mas sabia que ele não estava insatisfeito, pois os olhos negros não estavam tão raivosos.

Ele parecia mais temer pela desgraça da prima do que discordar de sua decisão. – E se a levarmos para o hospital? – Ele tornou a fitar a médica como se a ideia fosse genial. – Eu sei que aquela maldita disse que não haviam leitos, mas de alguma forma, Itachi conseguiu convencê-la e deixar os mendigos amontoados. – A sobrancelha rósea da Haruno se estreitou.

– Embora a asma não seja contagiosa, a gripe é. Se não tiver os cuidados certos, além de piorar; se ela pegar qualquer resfriado, por mais leve que seja, pode pôr em risco sua vida. E se essa mulher é tão fria a ponto de negar um leito a uma garotinha, imagino que não seja alguém em que eu confiaria para esse tipo de coisa. Prefiro que eu continue a tratá-la.

– Ela tem razão. – Hina concordou. Havia parado as carícias na cabeleira da irmã, que estava acordando aos poucos. – Eu não confio na madre. Se não tiver alguém importante vigiando, ela certamente negligenciará o paciente.

– Bem, nós vamos vigiá-la, então! – O Uchiha realmente não estava gostando do rumo da conversa. – Hinata, seu aniversário acontece em duas semanas, e seu casamento em três! – Naruto sentiu seu estômago congelar, pois não havia se dado conta do pouco tempo que lhe restava até ele ser dito em voz alta. – Você não está em posição de desafiar os conselheiros!

– Bom, se vocês permitem que eu expresse minha opinião... – Shikamaru se pronunciou com um suspiro, causando silêncio a todos. Até mesmo Konohamaru estava acordando após a conversa exaltada. – Embora, de fato, possa irritar os conselheiros inicialmente... Acho que é realmente admirável a princesa estar se dispondo à cuidar de uma garotinha sem recursos. Estou certo de que a população também vai concordar.

– Sim! – O rapazinho Sarutobi, embora não estivesse totalmente a par da situação, imaginou que devesse concordar com o pupilo de seu tio. – Sim! Certamente! Embora aqueles velhos acreditem que suas opiniões são mais importantes do que as do resto do mundo, não poderão discordar diante a pressão dos cidadãos. – Se arrependeu da escolha de palavras no mesmo instante, pois ele finalmente percebera quem eram os convidados de Moegi.

O rosto enrubesceu e ele se encolheu no xale de Hanabi desconfortavelmente, sem nem mesmo perceber a peça sobre seu corpo era feminina e feita de crochê rosa. Hana riu das palavras dele, e só parou com um olhar de censura da irmã. – De qualquer forma, acho que o garoto pode estar certo! – Sak exclamou; os olhos verdes estavam fixos nos de Sasuke, quase imploravam para que ele aceitasse.

Ele suspirou pesadamente. – Veja bem... Meu cargo está correndo risco! Eu deveria estar cuidando da Hinata, e não ajudando a trazer uma maltrapilha para dentro da torre! – Ele também olhava diretamente para Sak, o que fazia a conversa parecer uma discussão apenas entre os dois.

– Eu posso dizer que fugi, e que você veio atrás de mim. – Hina se aproximou do primo, e com tantos olhares femininos implorando sua permissão, o Uchiha não pôde resistir por muito tempo.

Soltou o ar pesadamente, cruzando os braços e fechando a cara com uma expressão emburrada. – Quer saber! Façam o que quiser! Mas creio que seria melhor botar a culpa em vossa alteza. – Naruto realmente não se incomodava com a ironia na voz do amigo, pois sabia que, de todas as pessoas, Sasuke era a única que queria que ele fosse Rei pelo simples fato de acreditar em sua capacidade.

– Então vamos fazer isso. – O herdeiro falou simplesmente, dando os ombros e se levantando. – Eu posso dizer que fugi depois de ouvir Sasuke e Itachi conversando sobre os mortos – até porque era o que eu iria fazer, de qualquer maneira – e que coincidentemente, encontrei a mãe da menina nas ruas. Fiquei curioso e a segui, conheci sua filha e imediatamente a levei para a Torre para ser cuidada. – Ele sorria como se a desculpa fosse boa suficiente até mesmo para seus ouvidos.

O Uchiha não pôde deixar de sorrir em concordância, e as moças do recinto sequer piscaram enquanto ele explicava; estavam perplexas, pois o plano era realmente admirável e as palavras certamente seriam convincentes. – Mas... Como vamos dizer isso à ama...? – A voz de Hanabi foi tristonha, e todos os outros suspiraram como se tivessem voltado à estaca zero.

– Não se preocupem comigo. – A mãe da menina disse; ela estava na sala há algum tempo, viera buscar a sopa para a filha, mas preferiu ficar em silêncio enquanto ouvia a discussão dos mais jovens. – Se for salvar a minha menina...

– Sim! – Sakura exclamou, levantando-se. – Eu dou minha palavra, senhora, que ela será tratada com toda a atenção.

– E eu. – Hina aproximou-se, ficando ao lado da rosada. – Prometo que ela será cuidada com todo o respeito e cuidado que uma convidada deve ter. – Disse com gentileza, e a senhora concordou com uma expressão grata.

– Obrigada. – Disse antes de retornar ao quarto no intuito de vestir sua menina. Sak sorriu, mais tranquila, e ergueu os olhos na direção do cavalheiro, agradecida por sua concordância, como se ele fosse a presença mais importante do lugar. Ele lhe sorriu em resposta.

– Nós conseguimos irmã! – Hana exclamou, agarrando a cintura da mais velha, que alisou seus cabelos calmamente. – Salvamos alguém!

– Na realidade, querida, foi a senhorita Haruno quem a salvou. – Hina riu da animação da mais nova, e reverenciou a médica educadamente. – Obrigada por isso, senhorita. Realmente consideramos muito esta família. – Sakura se curvou à futura princesa com respeito imenso.

– Sou eu quem devo agradecer, princesa. – Falou. – Por seu bondoso coração que optou pela garota, ainda que sua reputação esteja em risco com os conselheiros. – E puxou as mãos da Hyuuga como se fossem íntimas, surpreendendo-a. – Será uma rainha maravilhosa.

– Embora eu ache que você deveria estar dizendo isso a ela... – Sasuke murmurou próximo ao herdeiro, que corou, mas revirou os olhos.

– Como se eu fosse falar algo assim... – Mesmo que dissesse isso, não conseguia desviar os olhos da prometida por mais de dois minutos, ainda que ela parecesse muito ocupada com sua irmã a ponto de não olhá-lo nem por um segundo.

Não demorou muito para que Moegi estivesse pronta para sair. O casaco de Konohamaru foi devolvido, e Hana, depois de pegar seu xale com um educado “com licença” que constrangeu muito o Sarutobi, vestiu-o na adoentada, que agradeceu timidamente.

A despedida da mãe foi rápida e dolorosa, pois já eram quase três horas, e eles precisavam se apressar se não queriam ser vistos. Sasuke levaria a garotinha nas costas e Naruto, suas malas.

Embora Konohamaru quisesse muito ficar perto de sua amiga, ele deveria entrar pelos portões da frente, assim como havia saído, para que seu envolvimento não fosse suspeito. Ele e Shikamaru retornaram juntos, e os outros se esgueiraram pelas ruas desertas, silenciosas e assustadoras, até aquela rua que aparentemente não tinha saída, para adentrar pela passagem secreta favorita do príncipe e seu melhor amigo.

Moegi foi acomodada no quarto do herdeiro; Sakura e Sasuke passariam o resto da madrugada ao lado da menina para evitar comentários desnecessários. Hanabi e Hinata, infelizmente, deveriam ficar em seus próprios aposentos. A mais jovem foi imediatamente despachada, mas Hinata quis ficar para uma conversa constrangedora com seu noivo, que foi timidamente chamado para o corredor, onde ficariam sozinhos.

Ficaram em silêncio por um bom tempo, ambos envergonhados. Ela brincava com os dedos e olhava para o chão, embora não enxergasse nada, e ele, coçava a nuca e pensava em alguma forma de agradecê-la por ajudar a convencer Sasuke. Quando enfim os olhos perolados se ergueram para fitar os azuis, ele perdeu as palavras. – Eu fico feliz... Que vossa alteza esteja se dedicando ao povo. Definitivamente, seus pais ficariam orgulhosos ao ver sua boa vontade está noite. – O Uzumaki riu.

– Você também foi muito bem. – Disse meio sem jeito. – Foi muito madura; acho que aquela casa ficaria uma bagunça se você não tivesse se prestado a ajudar. – Hina concordou. -... Também acho que ninguém teria coragem de trazê-la, se não tivesse se mostrado tão decidida. – Confessou, e ela assentiu com o rosto enrubescido.

– Então... Boa noite. – Ela disse depois de alguns segundos de silêncio.

– Boa noite... – Naruto respondeu com a voz moderada. Hina reverenciou-o educadamente e se pôs a caminhar em direção à sua ala. Ele hesitou, mas chamou-a antes que virasse o corredor. O corpo dela parou e seu rosto virou-se apenas parcialmente. – Sakura tem razão. – Ele falou com um sorriso sincero. – Você será uma rainha maravilhosa. – Embora parecesse impossível, o rosto dela enrubesceu ainda mais.

Ela balançou a cabeça como se agradecesse, e depois de reverenciá-lo mais uma vez, correu para seu quarto. Seu coração palpitava insuportavelmente rápido, e demorou muito até que conseguisse dormir de fato.

Ela só pôde se lembrar de um sonho pela manhã: era aquela mesma cena, onde o príncipe a elogiara, só que diferente da realidade, ela respondera corajosamente: “você também será um rei incrível”.

Notas finais
Bom, a partir do próximo capítulo, Naruto e Hinata vão se conhecer melhor. Isso será uma alegria para os fanáticos NaruHina, e também vai ser mais feliz pra mim escrever. q Bom, já que vocês estão tão participativos, eu gostaria de saber algo: sobre a história do fundador (que vai explicar essa malucagem das famílias), vocês preferem que eu faça um capítulo explicando detalhadamente ou apenas a Tsunade contando ao netinho a história da família? XD Dúvidas? Críticas? Sugestões? Me perdoem por não estar respondendo; eu faço questão de responder a todos os comentários hoje mesmo. x.x Vocês são tão gentis, seus comentários são tão lindinhos, e eu não conseguindo responder... ;-; Podem acreditar quando digo que não é falta de consideração, e sim de tempo. D: Muitas coisas tristes aconteceram essa semana, torçam para que tudo se resolva na família da tia Candy. :T Obrigada, mais uma vez, à Forever The Best pela minha segunda recomendação! sz Até semana que vem, amadinhos. :*