The King
11 Capítulo XI – No Natal.
Notas iniciais

Capítulo XI – No Natal.
Nada no mundo poderia fazer Hinata Hyuuga sentir-se mais realizada do que ajudar alguém menos necessitado, ainda mais se este alguém vinha de uma família que tinha um lugar especial em seu coração, como era o caso de Moegi, filha da antiga ama de leite de Hanabi.
A ruivinha fora descoberta pelos conselheiros logo no dia seguinte após a sua chegada, graças a um mexerico de uma das servas que ajudava o herdeiro a se organizar de manhã. É claro que o príncipe e seus comparsas sabidos – Sakura e Sasuke, que estavam no quarto quando foram flagrados – foram imediatamente convocados pelos conselheiros para uma sala de reuniões.
Como era de se esperar, nada aconteceu ao Uzumaki, nem tão pouco à Sakura, que era uma das protegidas de Tsunade, mas à Sasuke... Além de um longo sermão, fora afastado de suas obrigações. Agora, ao invés de ser unicamente responsável pela princesa, retornara aos deveres anteriores, que era cuidar da proteção da Torre em geral.
Como o anúncio de Guardião da Princesa só seria feito após o casamento de Hinata e Naruto, ele não precisou se preocupar com a culpa que os responsáveis provavelmente sentiriam caso viessem saber. O único problema de fato foi fazer Itachi aceitar a punição do irmão – pois ele podia imaginar que o jovem era o menos culpado daquilo tudo, uma vez que era o mais sensato do grupo.
Embora os futuros governantes não fizessem nem ideia do mal que haviam causado ao Uchiha, o mesmo não podia se dizer da criadagem. E certa médica estava envolvida nesse meio.
Sakura realmente se espantou ao saber do castigo do rapaz, e sentiu-se imensamente culpada. Imediatamente quis desculpar-se, mas não teve coragem suficiente para fazê-lo.
A situação de Moegi na Torre logo foi arranjada, pois Hinata pediu caridosamente aos conselheiros que a adoentada ficasse sob sua tutela, pelo menos até que melhorasse; não houve sequer especulações de que ela estivesse envolvida na travessura que levara a mais jovem para dentro do lugar, então, após algumas análises e pesquisas das raízes da família ruivinha, o pedido foi prontamente aceito.
Foram necessárias apenas duas semanas para que ela estivesse completamente recuperada e graças ao tratamento de Sakura e aos cuidados de Hinata.
A ruivinha tornou-se uma boa amiga de Hanabi – o que acalmou o coração de Hina, uma vez que ela dificilmente envolvia-se com pessoas da mesma idade. Elas costumavam ficar enfurnadas na sala de visitas usada pela futura princesa, ora lendo, ora tocando piano, sempre sozinhas, já que a mais velha das Hyuuga estava ocupada demais. Ela tinha que acertar as vestes de casamento, e as da festa de natal, onde seu noivado seria mais uma vez oficialmente anunciado; devia optar pelas decorações e pelos pratos que seriam servidos em ambas as comemorações e ainda assim não abria mão dos cidadãos.
Ela foi responsável por eventos onde presentes doados por nobres – que deram de muito bom grado após o pedido gentil da princesa – seriam distribuídos para crianças carentes e empregos na agricultura foram gerados, pois Hiashi estava muito feliz com o casamento da filha, e parecia disposto a colaborar expandindo seus negócios.
Embora as ações de Hinata e suas tentativas de influenciar os que tinham poder para ajudar ao povo não fossem exatamente surpreendentes para os que a conheciam, era muito admirável ao olhar do seu noivo, que por algum motivo não conseguia mais desviar sua atenção dela nem mais por um momento.
Eles ainda não conversavam muito – apenas vez ou outra, quando ele decidia perguntar como estava Moegi ou Hanabi – e se ele não tivesse flagrado seus olhares durante um ou outro jantar, imaginaria que ela teria se esquecido de qualquer coisa que os relacionasse.
Claro que ele nunca admitiria estar interessado na garota; se ele fizesse aquilo, certamente seria sua perdição, uma vez que até os avós se colocariam a favor do casamento, e ele ficaria sozinho.
Seus sentimentos para com a noiva, entretanto, não eram nem minimamente românticos, eles não passavam da mais pura admiração. Mas para a tristeza da moça, ele não conseguia aceitar a ideia de se casar com uma mulher que conhecia tão pouco, ainda que mesmo aos seus olhos ela já fosse uma verdadeira rainha.
Era o fim da tarde, e todos já estavam prontos para o evento de natal em que anunciariam o noivado à corte – onde comemorariam também o aniversário da futura princesa, pois ela mesma havia vetado a ideia de fazer dois bailes em uma mesma semana – quando a senhora conselheira decidiu invadir os aposentos do príncipe herdeiro com uma caixa estranha nas mãos.
As servas terminavam de ajeitar suas vestes, então a velha Koharu preferiu esperar até que eles estivessem sozinhos sentada na longa cama. Não demorou muito, pois ninguém, nem as jovens criadas sentiam-se confortáveis na presença da senhora Utatane. Assim que o Uzumaki estava pronto, elas reverenciaram a ambos e retiraram-se do local. – Em dois dias sua prometida completará dezesseis anos. – Ela disse. – Eu creio que já tenha percebido que essa é considerara a maioridade no nosso país. – Ele concordou com um suspirar. – Logo vocês irão se unir em matrimônio. – Levantou-se e caminhou para perto do filho de Kushina em passos lentos. – Mas mesmo assim, não parecem muito próximos. – O loiro coçou a nuca desconfortavelmente.
– Nós não nos conhecemos. – Lembrou-a. – Não temos interesses em comum. – Aquilo não era inteiramente verdade, e pela sobrancelha arqueada da conselheira, ela parecia estar tão ciente disso quanto ele próprio.
– Vocês têm sim muitos interesses em comum, e esse casamento é o maior deles. – Colocou a caixa suspeita sobre as mãos do rapaz. – Eu quero entregue isso a ela esta noite, como presente de aniversário. – Ele ergueu a tampa e pôde vislumbrar uma tiara delicada que lhe era estranhamente familiar. – Pertenceu à sua mãe. – Koharu disse. – A tiara que ela usava quando princesa. – O loiro precisou de um minuto para absorver a informação.
– Você quer que eu entregue algo que foi da minha mãe à alguém que mal conheço?
– Não. Quero que entregue a coroa da antiga princesa, sua mãe, para a futura princesa, sua noiva. – Ele não respondeu. – Estão todos esperando por isso, vossa alteza. – A velha suspirou. – Sabe que ela não é uma má garota, então não a envergonhe diante de sua família. O pai dela espera muito deste casamento. – Mais uma vez, preferiu manter-se em silêncio, e a velha, ao perceber que nada mais tinha a falar, caminhou em direção à porta, parando dois passos antes de sair. – Suas majestades esperavam por esse casamento, vossa alteza. – E com uma educada reverência, deixou-o agonizando em pensamentos.
Afinal... Por que diabos aquele casamento parecia tão importante para todos?!
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A ligação entre Uchiha e Hyuuga nunca fora segredo para ninguém, então não foi surpresa quando ambas as famílias chegaram juntas, antes dos demais nobres, para a festa de natal.
Todo o salão principal já estava perfeitamente preparado, e o senhor Hyuuga parecia extremamente satisfeito com a decoração, pois pôde encontrar o gosto da filha em todos os cantos do lugar. A senhora Hyuuga também estava feliz e animada, não conseguia parar quieta em um lugar nem por um só minuto; preferia ficar zanzando pelos arredores do salão, observando a decoração e principalmente as comidas a serem servidas.
Mikoto e Fugaku, como sempre, ficaram sentados em suas mesas até que os outros convidados começassem a aparecer. Não demorou muito até que seus filhos – que estavam trabalhando até então – chegassem, e que Itachi tomasse seu lugar ao lado da amada esposa saudosa.
Sasuke, entretanto, não foi exatamente bem recebido. Pela expressão do senhor Uchiha, ele estava a ponto de ser espancado, e quando se sentou em seu lugar, ao lado da mãe, pôde ter certeza que era exatamente isso que ele queria fazer. – Não posso acreditar que vivi para ver algo assim... Um filho meu, rebaixado.
– Ele não foi rebaixado. – Itachi interviu. – Só não foi promovido. – Mas o pai bufou, cheio de revolta.
– Não tente me fazer de estúpido. Eu ainda não me aposentei do exército para ficar fora da situação. Sei que essa criança tola decidiu, de repente, ajudar o príncipe e sua amiguinha a salvar os pobres. Quando foi que lhe ensinei esse tipo de nobreza, Sasuke?!
– Fiz o que achei certo, meu pai. – O mais jovem respondeu com a voz moderada. – Não adianta de nada lamentar o que já passou, não há mais jeito. – Mas o outro não pareceu lhe dar ouvidos.
– Agora será substituído por Shino Aburame, veja só! Um molecote sem nome nenhum! Com pais cozinheiros, que por sorte veio a se tornar do exército! – Continuou tagarelando. – Um filho meu, substituído por um mero plebeu... – Já saturado de ouvir toda aquela baboseira sobre algo que ele nunca mais poderia intervir, já que era um fato passado, Sasuke se levantou.
– Sinto muito por não ser tão perfeito quanto meu irmão, senhor. – Murmurou com rancor e após um acenar curto com a cabeça, se afastou da mesa; estava tão irritado que não pôde notar a espectadora até bater o braço no dela.
Sak enrubesceu, lamentando ser flagrada, mas para sua surpresa, o soldado não quis ouvir explicações. – Você quer dançar? – Ele perguntou com uma pressa surpreendente, e com o rosto enrubescido, a garota concordou; ele assentiu, puxou-a pelo braço e guiou-a até o centro do salão, onde poucos casais bailavam.
Assim que ele pôs a mão sobre sua cintura, a senhorita Haruno perdeu qualquer desculpa que poderia ter em mente, mas depois de alguns minutos sendo guiada pelo Uchiha – que era, a propósito, um belo dançarino – decidiu que qualquer coisa era melhor do que aquele silêncio. – Sasuke-kun... – Ela começou com timidez, e enfim tomou a atenção do rapaz, que mais parecia estar amargando as palavras do pai do que prestando atenção na dança. – Eu gostaria de me desculpar... – Ela falou baixinho. Ele arqueou a sobrancelha negra.
– Desculpar-se? – Viu-a assentir. – Por acaso se arrepende? – Depois de pensar por um segundo, Sakura negou. – Você faria diferente, se pudéssemos voltar no tempo? – Mais uma vez negou, fazendo o encantador sorriso de canto aparecer nos lábios do rapaz. – Então não devia se desculpar.
– Mas... Você perdeu uma posição importante... Foi o único a sofrer as consequências, quando na realidade foi o único suficientemente sensato para pensar em nos parar!
– Fale baixo. – Ele pediu com cautela, fazendo-a corar ainda mais. – Escute... – Suspirou profundamente. – Na verdade, não foi tão ruim assim. Continuei no meu posto, apenas... Diferente de meu pai, eu não ligo para o reconhecimento do estado. – Apenas para o reconhecimento dele, adicionou mentalmente. – A verdade é que minha vida vai ser muito mais tranquila sem ser o guarda-costas da Hinata. – E sorriu.
– Não tente me convencer. Eu sei que queria cuidar dela... – Os olhos verdes fitavam o chão, tamanho o constrangimento, e tristeza que doíam seu coração ao pronunciar aquelas palavras. – Eu sei que a preza muito... – A sobrancelha negra do Uchiha se arqueou.
– Creio que esteja interpretando de maneira errônea meus sentimentos, senhorita Haruno. – Isso a fez olhá-lo de canto. – Eu nunca, jamais, tive algum sentimento que não fosse fraternal pela senhorita Hyuuga.
–... Fico feliz em ouvir isso. – Ela sorriu de maneira tão tímida que ele se arrependeu imediatamente, percebendo que aquelas palavras podiam encorajar um sentimento que ele fazia questão de rejeitar. – Ainda assim, eu sinto muito por seu cargo... – Foi então que ele percebeu que ela usava o mesmo vestido verde de quando o príncipe fora introduzido à nobreza. Aquele que ele não pôde elogiar.
– Esse vestido fica muito bem em você. – Disse quase sem pensar, fazendo-a enrubescer. – Realça seus olhos. – Murmurou sinceramente, e sorriu à doutora, que o olhava com uma irritante expressão de apaixonada.
Constrangido, ele tossiu de propósito, a fim de desfazer qualquer clima que pudesse ter sido gerado pelo elogio inocente. – De qualquer forma... – Prosseguiu. – Por favor, não se desculpe por algo que não se arrependa, pois isso não faz nenhum sentido. E... Eu estou satisfeito por ter contribuído. – Naquele momento a musica parou, e ele se afastou com a desculpa de que devia ir até o herdeiro avisá-lo de algo importante. E, assim, sumiu entre os convidados, deixando a pobre Haruno apaixonada.
Hinata respirou fundo. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. Ainda assim, não era o suficiente para acalmá-la.
Ela estava dentro de seu quarto, em frente ao grande espelho, observando cada detalhe do vestido de baile estupidamente desconfortável. Seus cabelos, como sempre, estavam presos de um jeito elegante, e ela não conseguia parar de imaginar como seria aquele jantar, onde o propósito principal era anunciar à corte seu noivado com o Uzumaki, quando eles nem mesmo trocavam olhares. Certamente seu pai ficaria descontente ao ver o herdeiro do trono tratar sua filha tão querida com tanto descaso, mas o que poderia se fazer?
Eles não se conheciam, essa era a verdade, e embora não desgostassem um do outro, o que poderiam achar de interesses em comum? Ela havia sido criada como uma princesa, sempre fora educada para ser uma rainha, e ele, como um plebeu... Não que ela tivesse problemas com plebeus, mas ele parecia ter sérios problemas com a nobreza.
Alguém bateu a porta, e aliviada com o pensamento de que o primo havia ido buscá-la, Hinata apressou-se para abri-la. Quem estava lá, entretanto, era justamente a vítima de seus pensamentos.
Naruto estava cabisbaixo, as mãos escondidas sob as vestes superiores. Os olhos azuis ergueram-se um pouco depois da porta ser aberta, e seus olhos admiraram a bela figura feminina à sua frente.
Ela estava linda, sem duvidas... Uma princesa. – Vossa alteza?! – Ela exclamou realmente surpresa. O loiro sorriu.
– Sasuke pediu que eu viesse buscá-la. – Explicou. A Hyuuga não sabia se mais tarde ofenderia ou agradeceria ao primo, mas assim que seu noivo lhe ofereceu o braço, ela se apressou em aceitar. – Está pronta? – Ela assentiu rápido, visivelmente envergonhada com a situação. – Ele sorriu, olhou para frente, mas não conseguiu andar nem um passo sequer.
Confusa, Hinata o olhou de canto. – Alteza? – Chamou com hesitação. Naruto suspirou. – Algum problema? – Ele negou com a cabeça.
–... Vamos. – Murmurou baixo antes de guiá-la.
A grande entrada dos noivos foi esperada por todos, e comemorada por boa parte da corte – com exceção de algumas jovens despeitadas e de certo ex- noivo que guardava algumas mágoas do novo casal. Este rapaz, a propósito, sequer teve estômago para cumprimentá-los quando adentraram.
Hinata e Naruto foram só sorrisos durante toda a noite, e qualquer um que estivesse presente imaginaria que, de fato, eram um casal apaixonado. A representação conseguiu convencer a todos, e surpreendeu consideravelmente tanto Sasuke quanto Sakura, que dançaram por mais duas vezes durante a noite.
Os conselheiros ficaram satisfeitos, mas Tsunade e Jiraya não conseguiram sentir nada além de pena de seu amado neto, que acabara sendo arrastado para aquele tsunami de falsidades, para aquele jogo de interesses sujo.
Os noivos se reuniram em uma mesa longa com os Hyuuga, Uchiha e a parte mais importante do governo – que se resumia nos conselheiros, Tsunade.
Assim lhe fora instruído, o rapaz entregou o presente à noiva: a coroa que Kushina havia usado durante toda sua adolescência, até casar-se e tornar-se a rainha. Hinata ficou muito surpresa com o gesto do rapaz, e inexplicavelmente feliz. A felicidade, entretanto, esvaiu-se quando o Kiba aproximou-se, visivelmente insatisfeito com a conduta da ex- noiva – que em sua opinião, deveria estar desolada por romper seu noivado e começar outro com um homem que ela sequer conhecia.
Hiashi imediatamente sentiu-se incomodado, enviou um olhar furioso para os Uchiha, como se exigisse que eles o tirassem dali naquele mesmo instante, mas nenhum deles poderia fazer nada. – Hinata. – Ele cumprimentou com um sorriso forçado. – Há quanto tempo. – O rancor na voz era quase palpável. Seu humor obviamente havia sido alterado pelo vinho.
– Senhor Inuzuka. – Ela não o reverenciou, pois imaginou que, se não seu pai, os conselheiros a matariam se o fizesse. – Como vai? – Perguntou educadamente, mas o outro suspirou como se aquilo o incomodasse.
– Francamente, péssimo. Talvez, se dançássemos eu pudesse ficar melhor. – A situação não poderia ficar mais desconfortável, mas Naruto, de alguma forma, conseguiu amenizar o constrangimento.
– Isso será impossível. – Ele falou com um sorriso. – Afinal, eu havia acabado de convidá-la. – E se levantou sem esperar resposta, oferecendo a mão à noiva que prontamente aceitou. – Realmente sinto muito, senhor Inuzuka. – Disse antes de afastar-se, sem se importar com o olhar mortal que o outro lhe lançou.
– Obrigada. – Hinata murmurou baixo suficiente para que só ele pudesse ouvir; o loiro sorriu em resposta. Todos haviam se afastado no intuito de observarem o casal principal dançando e apenas os dois bailaram em meio ao salão.
Como era muito tímida, não havia palavras para descrever tamanho constrangimento sentido pela moça, mas Naruto não estava preocupado com isso, e sim com os olhares ameaçadores que Kiba visivelmente lançava em direção à moça. Sem duvidas, ele se certificaria de colocar alguém para vigiá-lo. – Eu sinto muito por isso... – Hinata falou baixinho, finalmente tomando a atenção do rapaz.
– Sente muito? – Ela assentiu.
– Kiba não costuma agir dessa maneira, mas... Acho que ele ficou decepcionado com o rompimento. – O rosto dela estava avermelhado.
–... Vocês estavam apaixonados? – Na realidade, esta duvida o corroia há tempos. – Eram noivos, não? – Hina hesitou demais para responder, mas decidiu que deveria ser sincera.
– Nós éramos muito amigos... – Ela confessou. – Há cerca de oito meses, ele me pediu em casamento. Eu fiquei surpresa. – Ergueu os olhos perolados. – Nunca havia pensado em nós como um casal, mas meu pai pareceu se agradar com a ideia... Então não vi problemas. Afinal, desde que eu nasci, sei que vou me casar com o homem que papai escolher. – Embora fosse um fato triste, ela não parecia se sentir assim. Era algo comum, então ela simplesmente não se importava. – Achei que seria mais fácil me casar com um amigo... Mas acho que estava errada. – Naruto riu com nervosismo.
– Errada? Não digo que estava errada. Vocês não se casaram, então não pode ter certeza. – Mais uma vez, os olhos de lua fixaram-se nos seus. Eles eram tão... Impactantes, que todos os pensamentos se esvaíram da mente dele.
– Nem vou. – Ela pontuou. “Não vou desistir desse casamento”, era o que seus olhos diziam, e ele entendeu perfeitamente.
– Por quê? – Perguntou com sincera curiosidade.
– Porque eu nasci para isso. – Ele não respondeu. – Sei que essas palavras podem causar uma má impressão da minha pessoa, mas... Ser a Rainha... É algo de que eu não posso abrir mão. – Parecia agoniada. – Eu devo isso à minha família... Aos meus pais. E, de alguma forma, sinto que posso fazer isso. – Ele assentiu.
– Eu sei que pode. – Concordou sinceramente. – Eu não concordaria em dar a coroa de minha mãe, se não acreditasse nisso. – O sorriso dela foi triste, e os olhos tornaram a fitar o chão.
– Então você foi mesmo convencido a isso... – O rosto dele enrubesceu. – Está tudo bem. – Ela tranquilizou antes que ele começasse a se explicar. – Está tudo bem... – Repetiu mais para si mesma do que para ele.
–... Eu sinto muito, Hinata. – Ela cessou os passos.
– A musica acabou. – Disse, tornando a colocar um sorriso no rosto. – Vamos voltar. – E depois de uma salva de palmas, ambos retornaram à sua mesa.
Não trocaram mais um olhar sequer durante toda a noite.
Na manhã seguinte, tudo estava mais calmo. Toda a decoração já havia sido retirada e os soldados que haviam sido enfurnados dentro da Torre até então, sem permissão de deixar o palácio, foram enfim dispensados para suas famílias. Afinal, uma vez que o noivado havia sido oficializado, não mais precisavam se preocupar com qualquer indiscrição.
Hanabi havia passado toda a manhã trancada na sala de visitas de Hinata, emburrada por ter sido excluída da comemoração na noite anterior e revoltada por ser deixada de lado pela nova amiga, que aparentemente só tinha o velho amigo na cabeça.
Como Hina estava ocupada com seu casamento, ela ficou sozinha pela maioria do tempo, tocando piano com uma frustração quase palpável. Como tocava muito bem, sua interpretação foi surpreendente, e o som irritado acabou por chamar a atenção de Konohamaru, que havia se aproximado do local apenas porque a tia o havia pedido para pegar alguns livros a fim de preparar algumas aulas.
É claro que quando invadiu a saleta – que não era nem tão grande, nem tão pequena, se comparada aos outros cômodos – não fazia ideia de que se tratava de um dos aposentos oficiais da princesa. Ele se surpreendeu ao ver alguém tão pequena – que no momento, ele havia julgado ser consideravelmente mais jovem que ele mesmo – tocar de maneira tão magnífica.
Ela parou repentinamente, assim que percebeu sua presença e o olhou com o rosto vermelho; seu olhar parecia acusá-lo de ser um intruso. Ele se surpreendeu ao reconhecê-la, recuou e caiu de costas ao tropeçar em um baú que ficava de enfeite ao lado das portas.
Hana levantou-se imediatamente, e trocando sua expressão por uma mais preocupada, correu para socorrê-lo. – Você está bem?! – Perguntou assustada, e o rosto dele enrubesceu ao notar a aproximação.
– E- Eu estou bem. – Gaguejou sem jeito, tratando de se levantar.
– Tem certeza? Não se machucou?! – Ela estava realmente preocupada, ele podia dizer só de fitar os olhos perolados expressivos... E o rosto enrubesceu mais uma vez, ao perceber o quão estúpido deveria estar parecendo.
– Desculpe-me, senhorita Hyuuga. – Ele pediu constrangido, reverenciando-a.
– Eu te conheço?! – Ela parecia tão surpresa que o ofendeu.
– Sim. – E tossiu desconfortável. – Sou o... Bem... Sobrinho. Sobrinho da senhora Kurenai.
– Oh! – Ela arregalou os olhos ao perceber. – É claro, perdoe-me. – Corou um pouco, e os olhos se estreitaram ao perceber que conhecia aquele rosto. – Espere... – Ela pediu com os olhos curiosos. – Não é você o amigo da Moegi? – Ele concordou. – A pobrezinha deve estar procurando por você até agora! – Exclamou.
– Oh... – Ele tornou a reverenciá-la, e desta vez sorriu. – Fico grato, senhorita. Até mais. – E se virou para sair. Para sua surpresa, entretanto, foi interrompido: ela o havia segurado pelos dois braços. Quando a olhou de soslaio, o seu rosto estava vermelho, e as bochechas estufadas.
Ela parecia estar muito envergonhada com algo, mas muito tentada a falar. E aquela situação se estendeu por pelo menos um minuto. – Algum problema? – Ele murmurou um pouco envergonhado.
Os olhinhos de pérola ergueram-se novamente, pidões. – S- Será que... – Ela hesitou. – Será que poderiam voltar para cá, quando encontrá-la? – Pediu timidamente, e o rosto dele enrubesceu ao enxergar tamanha doçura que praticamente expurgavam daqueles olhos de pérola.
– C- Claro! – Ele exclamou, apressando-se em desviar o olhar. Hana sorriu e o abraçou intimamente.
– Obrigada! – Praticamente gritou, e depois o soltou. Correu para o piano e tornou a tocar como uma criança feliz.
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Já era rotina Sakura assistir as aulas de Sasuke e Naruto, afinal ela era a responsável de acudir o príncipe se qualquer eventualidade acontecesse, e aquele era um dever que ela simplesmente adorava fazer.
Deleitava-se sinceramente sempre que enxergava Sasuke dentro daquelas maravilhosas roupas orientais... Tanto os Uchiha quanto os Hyuuga, ela havia observado, ficavam muito bem quando estavam dentro daquelas vestes, e Sasuke era sem sombra de duvidas a sua visão favorita.
Ela estava particularmente alegre àquela manhã, pois havia descoberto na noite anterior que quando o senhor Uchiha havia mencionado “salvar os pobres” não falava unicamente da garotinha que eles haviam trazido para a Torre, e sim de um bando de mendigos que ele, com a ajuda de mais dois cavalheiros que ela não teve o mínimo interesse em saber o nome, conseguiram juntar e abrigar no hospital.
A cada descoberta dos feitos que ele fazia questão de esconder, Sak sentia-se cada vez mais atraída, cada vez mais apaixonada. Sim... Ela não podia mais negar a ninguém: estava apaixonada por Sasuke Uchiha. Ainda que eles não se conhecessem direito, ainda que ele pudesse se incomodar com aquilo.
Ele era lindo, forte e a havia salvo. Tinha uma personalidade forte, mas era humilde o suficiente para esconder suas boas ações. O tipo de cavalheiro misterioso que só se lê em romances. Ela não tinha dúvidas que declarar os seus próprios sentimentos não era o suficiente para conseguir os dele, mas também não pretendia desistir tão fácil. – Está bom por hoje. – A voz de seu amado pronunciou, e Naruto caiu sentado, exausto e arfando. – Senhorita Haruno, — O moreno a chamou e ela prontamente se colocou ao lado deles. – Eu devo ter acertado a perna dele, talvez fique arroxeado. – Sasuke também estava um pouco arfante, ela reparou.
Com um sorriso, assentiu. Ele arqueou as sobrancelhas diante a expressão boba da moça, suspirou e se retirou após despedir-se com um “até mais ver”, deixando-a sozinha com o amigo.
Bufando, a Haruno agachou-se; ajudou Naruto a afastar os tecidos da perna e observou o hematoma consideravelmente grande. – É só fazer uma compressa com água quente e plantas medicinais e some. – Aliviou-o, e o ajudou a se levantar.
Ela guiou o príncipe até o lugar em que anteriormente mantinha-se sentada, mas antes que pudesse se afastar teve seus pulsos segurados. – Nós não dançamos ontem... – Ele murmurou, e foi como se um raio passasse por todo seu corpo, lembrando-a de que Naruto era tão apaixonado por ela quanto ela era apaixonada por Sasuke. – E foi natal. Nunca passamos um natal sem dançar... – E a puxou gentilmente.
Sak tentou se esquivar quanto achou conveniente, esforçando-se para que ele não a considerasse cruel. – Olha só... Eu comprei isso antes de sairmos da vila. – Ele puxou do bolso um pequeno e simples colar com um pingente de cerejeira, e entregou a ela. Os olhos verdes se arregalaram ao reconhecê-lo.
– Isso...!
– Sim. – Naruto sorriu. – É o colar que te roubaram... Pelo menos eu acho. – Ele deslizou o dedo pelo pingente. – Mas é muito parecido, então espero que possa substituí-lo pelo-... – Antes que ele pudesse terminar a frase, sentiu os braços dela o envolvendo.
– Obrigada! – Ela exclamou realmente agradecida, pois aquele colar era a única lembrança que tinha dos pais, e havia sido roubado há dois anos.
Nenhum deles poderia imaginar que Hinata justamente passava pelo local justamente naquele momento; ela estava com três costureiras, e iriam refazer os ajustes no vestido na sala ao lado. E ela pôde claramente perceber que eles trocavam presentes.
Aquele, ela imaginou, não era um presente que ele havia sido convencido a dar.
Tsunade, que também passava por ali no momento espantou-se ao ver a cena da prometida flagrando seu noivo com pessoa que ele amava. – Naruto! – Ela apressou-se em exclamar e os amigos se afastaram num pulo.
O príncipe lamentou-se ao enxergar os olhos desolados de sua prometida, mas não quis se desculpar. Afinal, ele também queria ser sincero com ela, e não iria negar os sentimentos que sentia pela Haruno.
A avó, percebendo que a tensão só aumentaria se aqueles três continuassem no mesmo ambiente, apressou-se em chegar ao neto. – Hinata, você deveria seguir as costureiras. – Ela avisou gentilmente, e depois de uma reverência, a Hyuuga se apressou em sair dali, por algum motivo sentia seu coração despedaçado.
A Senju respirou fundo, mandou um olhar de censura a aprendiz, que enrubesceu. – O que pensam que estão fazendo?! Se abraçando em publico! – Aquilo fez a Haruno sentir-se péssima, pois pareceu mais uma insinuação de que eles faziam aquele tipo de coisa quando em particular.
– Eu sinto muito por tê-la posto em um momento desconfortável. – Ele disse com sinceridade. – Mas não sinto nenhuma vergonha de fazer o que fiz. Sou apaixonado pela Sakura. – O rosto da Haruno enrubesceu, e ela baixou a fronte. – E até agora ninguém me deu nenhum motivo real para que eu me casasse com a senhorita Hyuuga. – Os lábios de Tsu tornaram-se uma linha reta.
– Ótimo. – Ela murmurou com irritação. – Então vou lhe explicar tudo, detalhe por detalhe, e veremos se continua pensando dessa maneira egocêntrica. – E sem esperar qualquer resposta, puxou o neto pelo braço, levando-o para qualquer saleta onde poderiam conversar em particular.
Enfim, ele havia conseguido o que queria. Teria sua explicação.
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