The King
7 Capítulo VII – A Prometida.
Notas iniciais
Como vão?
Eu estou francamente cansada, com dor de cabeça e sono. Só fui dormir às cinco, ontem, e mal pude terminar de escrever! q
E como se não bastasse, ainda tenho que escrever 50 tons de Uchiha... Wha! Pelo menos eu enfim alcancei minhas sonhadas férias, e só vou ir na faculdade pra assinar! *-*
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Eu me esforcei muito pra escrever o capítulo, então espero que vocês gostem. :3
Capítulo VII – A Prometida.
– Um, dois, três... Já! – Assim que falei, a garotinha à minha frente se levantou, imitando-me. Nós dois começamos a atirar os grandes tomates na direção dos rapazes esnobes que, outro dia, tinham-na provocado.
Eles se viraram na nossa direção e xingaram, mas bastou que notassem meus cabelos loiros para correr pedindo desculpas, provavelmente temendo perder as cabeças por ofender o herdeiro da Coroa. – Ei! – O pai dos meninos saiu da casa; ele enfim pareceu ter notado a grande movimentação.
– Vamos correr! – Sasuke, que também estava ali, exclamou.
– Correr? Eu sou o filho do Rei! – Eu respondi; olhava-o como se fosse um grande idiota – o que de fato era. Ele suspirou.
– Você até pode ser, mas não eu. Nem Hinata. E, do mesmo jeito, seu pai vai encher o seu juízo se souber disso. – Eu fiz uma careta; não queria me rebaixar ao ponto de fugir de algo que eu mesmo havia provocado.
Notando a minha hesitação, Sasuke revirou os olhos. Pegou o pulso de Hinata e correu, arrastando-a, mesmo que ela visivelmente quisesse ficar ao meu lado. – Não corram, suas pestes! – O velho nobre gritou, e eu, mais para não ficar sozinho que por medo, corri na direção deles.
– Me esperem!
Os olhos azuis abriram-se de repente.
Mais uma vez, ele não sonhava com a mãe... Mesmo que não lembrasse muito bem do sonho, estava ciente de que a tal Hinata estava presente – ainda que ela fosse apenas uma menina, completamente diferente de duas noites atrás, quando eles haviam dançado juntos.
Ele se sentou, puxou a caixa de Mikoto e depois de procurar um pouco, encontrou o retrato sem cor da garotinha. Assim como ele suspeitava, era a mesma de sua lembrança... Com os mesmos cabelos curtos; os mesmos olhos perolados, grandes e um pouco assustados.
O som da fechadura se abrindo soou, e ele apressou-se em guardar as coisas. Sempre se sentia envergonhado por parecer nostálgico na frente de outros.
Jiraya pareceu surpreso ao ver o neto acordado tão cedo. – Pensei que teria que acordá-lo. – Ele comentou enquanto se aproximava. Itachi, que entrou logo atrás dele, foi abrir as cortinas que imediatamente incomodaram os olhos azuis sensíveis à luz.
– Feche isso! – O Uzumaki praguejou, e o avô riu.
– Não, ele não vai fechar. Vamos! Você tem que acordar! Não foi você quem decidiu que deveria ser introduzido ao povo com urgência? – O loiro fez uma careta, mas acabou por se levantar. – As servas vão banhá-lo e vesti-lo. – Diante da careta do neto, ele prosseguiu. – A menos que queira que servos te ajudem, é bom ir aceitando.
– Eu não posso nem tomar banho sozinho? – Reclamou com uma expressão de birra que fez Jiraya rir.
– Não seja tolo! Aproveite... Belas mulheres massageando suas costas, secando seu tórax e o vestindo... Consegue pensar em algo melhor?
– Avô, você é um pervertido. – O príncipe suspirou. – Eu sou fiel aos meus sentimentos, devia saber disso. Há apenas uma em meu coração, e é à ela que eu vou servir. – Mesmo que fosse uma frase bonita, não arrancou sorrisos de nenhum dos presentes, muito pelo contrário: o olhar deles foi de pura preocupação.
Ele não pareceu entender, ou talvez não tenha se importado; e enquanto ele seguia para a suíte dentro de seu quarto com bocejos, o avô lamentava por aquela ser uma decisão que ele, mesmo sendo um rei, não poderia tomar sozinho.
Afinal, a rainha não poderia ser escolhida por meros sentimentos.
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Durante todos os longos – ou nem tanto – treze anos da vida de Konohamaru Sarutobi, ele nunca, jamais havia visto a vila de Konoha tão disposta a comemorações. Pelo menos não que ele pudesse se lembrar.
Estava comendo algumas goiabas – roubadas, diga-se de passagem – dos jardins que cercavam a torre, e caminhava distraidamente ao lado de Moegi, que era sua amiga desde que ele podia lembrar. Eles iam e vinham, em busca de qualquer lugar que fosse minimamente tranquilo, mas tudo estava agitado demais para que pudessem descansar em alguma sombra. – Será que os conselheiros farão algum anuncio? – A garotinha se perguntou, mas o amigo bufou e deu os ombros. Nada que viesse do governo importava-lhe, essa era a verdade.
– Vamos para a fonte. – Ele sugeriu, mas foi vetado quase imediatamente.
– Acho que os senhores ainda estão irritados com você. Podem reconhecê-lo... Não acho que vá ter a sorte de uma garota defendê-lo outra vez. – Ela ponderou. O rapazinho riu.
– Você o faria. – Mas as sobrancelhas ruivas da menina se arquearam, como se aquelas fossem as palavras mais absurdas que poderia ouvir. E então, pareceu que seus olhos acharam algo ainda mais interessante do que aquela conversa.
– Olha! É o Shikamaru! – Ela apontou curiosamente para um rapaz com vestes do exército e expressão preguiçosa que analisava uma prancheta. – Vamos perguntar a ele o que houve! – E sem esperar respostas, ela correu na direção dita. Konohamaru suspirou, mas acabou por segui-la.
Shikamaru Nara era um homem preguiçoso – nada o descrevia melhor do que esse adjetivo. Fora o aluno precioso e favorito de seu falecido tio, Asuma Sarutobi e a única coisa que podiam dizer ter em comum eram as lamentações pela morte dele. Ainda assim, o Nara tinha a estranha mania de querer se intrometer em todas as ações do rapazinho Sarutobi, como se este tivesse que lhe dar qualquer satisfação! Mesmo que o desejo fosse ajudar, aquilo incomodava – e muito – o garoto, e por isso ele detestava a ideia de ir atrás de qualquer informação por ele. Moegi sabia dos sentimentos do amigo, e ainda assim seguiu exclamando “Shikamaru!” “Shikamaru!” incansavelmente.
Quando os meninos alcançaram-no – ele estava sentado e suspirando – os olhos negros e sábios sorriram ao ver o sobrinho de seu mestre. – Shikamaru! – Moegi exclamou. – O que está acontecendo? Eu nunca vi a vila tão animada!
– Ora! Vocês não sabem? O príncipe voltou! Todos estão comentando! – Ele tentou parecer animado, mas o bocejo acabou com toda pose. Os olhos da ruivinha brilharam, ela deu pulinhos animados e bateu palmas.
– O príncipe?! – Mas Konohamaru bufou.
– Como se fosse possível voltar dos mortos. – Deu um olhar desacreditado à amiga, que parou imediatamente com suas comemorações. – Aliás, mesmo se pudesse o que ele poderia fazer? Além de aumentar os impostos, é claro. – Shika riu.
– Sua língua continua afiada. – Balançou a cabeça para censurá-lo. – Bem, ele pode conseguir muito mais do que os conselheiros conseguiram, se tratando de fé, esperança e influência. – Os olhos castanhos do garotinho reviraram. – Moegi, vá buscar duas maçãs. – O rapaz jogou uma moeda na direção da menina que, entendendo o recado, se afastou após pegá-la. – Sua tia está preocupada. – Disse quando ela não podia mais ouvir, mas o menino não pareceu dar crédito.
– Ela não é minha tia. –Murmurou irritado.
– Sabe que ela é. – Shikamaru se levantou. – Não aja dessa maneira, como um rebelde sem causa... – Bagunçou a cabeleira castanha. – Você é o único que pode ensinar o que é ser um Sarutobi ao seu primo, então volte para casa. – Mas o rapazinho se esquivou; correu para a amiga e puxou-a pelo braço.
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De braços dados com o primo, Hinata caminhava sorridente pela vila, que estava mais bela do que nunca: lanternas orientais estavam presas em todos os cantos, enfeites brilhantes eram vistos em todas as lojas e sorrisos estampavam todas as faces, do mais pobre ao mais rico.
Hoje era um dia especial. Prova disso era o palanque montado no meio da praça, próximo à fonte que antes servia como ponto de assaltos. Todos usavam seus melhores trajes e até os mendigos estavam decentes – as roupas, surradas, mas apresentáveis haviam sido cortesia dos Hyuuga. Tudo isso porque hoje seria enfim o dia em que a verdade se revelaria, e a esperança se reestabeleceria. – Estão todos tão felizes. – Hinata observou sorrindo. – Eles até parecem saber.
– É claro que sabem. – Neji gargalhou da inocência da prima, que o olhou abismada. – Hinata, querida... Você deveria imaginar que coisas confidenciais se espalham mais rápido. As nobres comentam com as servas, que espalham por todos os cantos. – O rosto pálido da Hyuuga corou um pouco, já que ela própria havia compartilhado o segredo com Tenten. – Não se preocupe. Dentre todas as servas, duvido que alguma seja mais discreta do que a senhorita Mitsashi. – Ele garantiu, adivinhando a causa da vergonha repentina.
– Hinata! – Uma voz infantil exclamou, tomando a atenção dos Hyuuga. Uma garotinha muito bem vestida correu na direção de sua bem feitora, sorridente. – Hinata, Hinata! Veja só o que ganhei! – Ela rodopiou com o vestido novo, e Hina sorriu. – Não é maravilhoso? – A morena concordou, e agachou-se à altura da menina.
– Parece mais bonita do que as meninas da corte. – A Hyuuga murmurou baixinho, e a garotinha riu.
– Eu concordo! – A voz animada e gentil fez ambas se surpreenderem, e ao erguer os olhos perolados na direção de seu locutor, Hinata sentiu o corpo tremer, pois Naruto Uzumaki, o herdeiro, estava ali. O sorriso dele era oferecido a garotinha, mas ainda afetou a moça – pois afinal de contas, o príncipe era um homem muito bonito, e ficava ainda mais com o sorriso herdado do pai.
A menininha plebeia, entretanto, parecia assustada com a companhia do príncipe.
Sasuke Uchiha, embora não estivesse usando seu comum olhar ameaçador como usava nas rondas, tinha as mãos preparadas para sacar sua arma a qualquer momento. Por temer os olhos negros de falcão em alerta, ela acabou correndo sem agradecimentos, na ignorância de ter sido elogiada pelo futuro rei do país do Fogo.
Os amigos cumprimentaram Neji com um aceno cordial, mas não muito amigável, e à Hinata, com um beijo nas costas da mão. – Você está linda. – O moreno elogiou, mas ela estava muito envergonhada para ser grata a elogios.
– E- Este é meu primo! – Ela gaguejou quando notou que o príncipe encarava o rapaz Hyuuga. – Neji. – O loiro sorriu.
– Eu sou Naruto. – O herdeiro de Hiashi já sabia disso desde que seus olhos pousaram na cabeleira loira, mas ele tentou não ser descortês.
– É um prazer conhecê-lo, vossa alteza. – O reverenciou. – Mas não deveria estar na carruagem real, ao lado dos conselheiros? Não é muito seguro, aqui fora. Pelo que soube, o senhor foi ferido assim que chegou à cidade. – O Uzumaki deu os ombros.
– Eu tenho meu cão de guarda. – Ele bateu nos ombros de Sasuke como se fossem velhos amigos, mas o moreno revirou os olhos. – Prefiro assim. Ter contato com o povo é algo bom, para a minha função. Não acha, Sasuke? – O Uchiha não pôde deixar de concordar. – Soube que meu pai nunca entrava naquela carruagem, se não fosse uma viagem que não podia fazer a pé, ou a cavalo. – Hina sorriu com a lembrança.
– De fato. – Ela olhou para o primo quando foi fitada pelo príncipe. – Não é, Neji? Sempre víamos sua majestade correndo por nossos campos com seu cavalo branco, Bunta. – Neji concordou com um aceno, mas ele não parecia tão animado com a apresentação como a prima, que estranhou aquela reação.
Quando a carruagem real parou próxima ao palanque, Itachi se aproximou dos jovens. – Vamos, senhor. – Ele disse discretamente. – Eu vou levá-lo. Sasuke, você fica aqui e vigia. – O mais jovem dos Uchiha concordou prontamente, e os viu se afastar.
– Duvido que tenha uma expressão tão feliz quanto a sua, Hinata. – Ele insinuou com uma risada, depois de o príncipe e o irmão sumirem entre a multidão. O rosto já corado da moça enrubesceu. – Soube que seu pai já falou com o conselho... O que foi decidido?
– Ela será anunciada como prometida ainda está tarde. – Foi Neji quem respondeu. – Meu tio teve que pressioná-los um pouco, pois eles não queriam ceder... Mas minha prima foi a escolha de Kushina, então não tinham muito a fazer.
– Sim... – Sasuke compreendeu. – Além disso, não vejo uma escolha melhor para rainha do que a Hina.
– Ainda assim... – Ela suspirou tristemente. – Eu não estou certa de que ele vai me aceitar de bom grado. – Hina murmurou cabisbaixa. O primo alisou-lhe os cabelos azulados gentilmente.
– Quem não poderia aceitá-la? – Os olhos perolados da mais jovem ergueram-se até os do mais velho, que eram gentis e cálidos. E, inocente de qualquer amor além do fraternal que Neji pudesse ter, ela expressou sua gratidão com um sorriso.
O Uchiha, porém, não estava tão alienado àqueles sentimentos. E então, com seus olhos analíticos, ele observou cada olhar trocado, e concluiu, para a felicidade dela e derrota dele, que eram unilaterais, que provavelmente jamais seriam anunciados e tão pouco aceitos.
Quando Jiraya desceu da carruagem a atenção dos três, que praticamente haviam crescido juntos, foi levada ao velho general que afastava os curiosos muito próximos. O resultado daquela ação, entretanto, foi uma pequena multidão se formando em volta do palco que nem deveria existir.
A ideia de se apresentar em plena praça pública fora do próprio herdeiro que, ignorante dos perigos que poderia correr com tanta exposição, afirmou que gostaria de ter “o máximo possível de contato com seu povo”. Ainda assim, mesmo que fosse uma atitude um tanto imprudente, os conselheiros, ao invés de anunciá-lo na igreja, como deveria ser, concordaram.
Nem Sasuke, nem Itachi, nem Jiraya haviam gostado da ideia, mas Tsunade, a princesa, havia decidido que apoiaria o neto em tudo, portanto, a decisão foi tomada de forma não muito burocrática.
Itachi ajudou Naruto a trocar o manto maltrapilho por uma nada discreta capa de veludo vermelho, e o jovem Uzumaki passou a seguir os passos dos conselheiros, que foram na frente.
Em geral, o anuncio não foi lá muito diferente do que havia sido o baile: eles disseram que a monarquia se reergueria, e traria novamente a paz e o equilíbrio entre o povo e o governo; como os nobres no baile, os plebeus também ficaram confusos inicialmente, mas assim que Naruto se apresentou como a imagem quase idêntica de seu pai, uma legião de exclamações e “vivas” soou; uma salva de palmas seguidas por “vida longa ao sangue de Minato!”, “Vida longa ao herdeiro de Kushina!” e “vida longa ao futuro Rei”.
O Uzumaki havia se tornado uma pessoa extremamente ansiosa, e embora gostasse de ajudar outras pessoas, toda aquela pressão quase o deixou zonzo, de modo que ele apenas sorriu por longos minutos, enquanto forçava sua mente a se lembrar do discurso que havia preparado com Sakura na mesma noite do baile; discurso que ele passou horas e horas lendo, mas que, naquele momento, não conseguia lembrar. – Povo de Konoha! – Exclamou quando o silêncio deixou claro que eles queriam ouvir. – Eu sou Naruto Uzumaki Namikaze; filho de Minato e Kushina, mas antes de qualquer coisa, filho do país do Fogo! – Gritos de “viva!” foram ouvidos. – Diferente do que vocês devem imaginar, eu não fui criado como um garotinho mimado, dentro de longas paredes que me privavam da vida, do contato com a sociedade. Eu sou como vocês, amigos! Assim como muito de vocês, cresci em uma casa simples, que não deveria sequer ter o tamanho do meu quarto de hoje! Trabalhei muito com essas mãos. – Ele retirou as luvas brancas pomposas e jogou no chão para exibir os riscos brancos cicatrizados, causados pelo trabalho duro. Todos ficaram em silêncio enquanto observavam. – E por isso, senhores, eu sinto que estou fazendo o certo. Que sinto que posso representá-los! E juntos, faremos o reino se reerguer! – Enquanto a maioria exclamava em apoio, o garoto Sarutobi, até agora um mero espectador, bufou.
Ele subiu em um muro baixo e, com uma bela mira, conseguiu jogar uma das maçãs que Shikamaru havia lhe dado em direção ao palanque, acertando no ombro do príncipe, que ergueu os olhos em direção ao menino. – ABAIXO A MONARQUIA! VIVA A DEMOCRACIA! – O garotinho gritou, e antes que os guardas presentes pudessem segui-lo, puxando a amiga, ele correu com toda a rapidez que um garoto de quatorze anos pode ter. O herdeiro, que até então não esperava nenhuma represália, francamente ficou surpreso e acabou perdendo suas palavras.
Os conselheiros então entraram em ação; falaram dos futuros planos do governo, das futuras alianças com reinos próximos, e de como esperavam que a liderança de um Uzumaki pudesse dar credibilidade ao país do Fogo.
Naruto estava tão chocado com a rejeição de uma criança – justamente uma criança! – que mal podia ouvir as palavras dos de Koharu e Homura. A apresentação durou por volta de uma hora e meia, onde após as ideias de melhoria à economia e à sociedade serem anunciadas, recompondo-se ao ver que tinha a aceitação da maioria, o herdeiro fez questão de cumprimentar os trabalhadores, de elogiar as garotinhas e conversar com os garotinhos. Sua consideração para com o povo fez com que a admiração de sua prometida se elevasse ainda mais.
Depois, eles estavam livres; livres para voltar à gaiola que chamavam de Torre.
O final de tarde que se passou dentro dos muros da torre foi francamente tranquilo para todos os residentes do lugar. O garotinho desrespeitoso não havia sido nem pego, nem identificado, mas o exército estava fazendo seu melhor para capturá-lo, embora nem o príncipe, nem os conselheiros dessem muita atenção para isso.
Naruto passou o resto do tempo em seu quarto, trancado e estudando sobre estratégias de guerra. Ele se surpreendeu quando Itachi entrou sem permissão, dizendo que trazia uma convocação dos conselheiros que exigia sua presença imediatamente. Embora aquilo fosse estranho, o príncipe não hesitou em acatar a ordem, e assim, seguiu Itachi por um longo caminho até uma das saletas que os atuais governantes usavam como local para reuniões.
Lá estavam presentes, além dos conselheiros, Hinata, Neji e um homem muito parecido com eles. – Senhorita Hyuuga. – O Uzumaki fez questão de cumprimentá-la primeiro, cheio de educações, como havia ensinado sua avó. Depois, saudou ao restante com um aceno.
– Vossa alteza. – Hiashi ergueu-se quase de imediato, e sendo imitado pelo sobrinho, curvou-se diante do herdeiro. – É um imenso prazer revê-lo, senhor. É maravilhoso saber que está vivo, bem e saudável. – Nada poderia ser mais verdadeiro do que aquelas palavras.
Confuso, o rapaz levou os olhos azuis até os conselheiros, que se entreolhavam vez ou outra. – Este é Hiashi Hyuuga, vossa alteza. – Foi Homura quem apresentou. – É um senhor feudal; possivelmente o mais rico e influente do país. – O pai de Hinata sorriu; ele estava visivelmente feliz. – O rapaz se chama Neji Hyuuga; sobrinho do senhor Hyuuga e herdeiro de sua família. E a moça, que pelo que parece, já conhece, é Hinata Hyuuga. Filha mais velha de Hiashi. – Hinata, educadamente, reverenciou ao noivo, que retribuiu sem pensar.
O sorriso constrangido de Hinata foi muito doce, e ele concluiu para si que ela deveria ser uma garota encantadora.
Estava imaginando como seria o caráter daquela família, quando Homura o atentou com um estranho tom de voz, dizendo: – Senhor, nós precisamos conversar.
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Sasuke suspirou, incomodado. Ele realmente odiava ser excluído de coisas importantes, então era extremamente irritante ter que ficar do lado de fora da sala de reuniões, montando guarda na porta, enquanto não só Itachi, como mesmo Neji estavam lá dentro. Talvez fosse um pouco infantil de sua parte, mas ele realmente odiava aquilo, ficar atrás de seus rivais.
Estava de braços cruzados, amargando a exclusão quando a senhorita Haruno o surpreendeu, pondo-se à sua frente com um sorriso gentil e docinhos em um prato de porcelana. – Finalmente te encontrei! – Ela exclamou sorridente. – Veja! Eu e Shizune fizemos isso para você e o seu irmão, enquanto estavam na cidade; pensamos que poderiam gostar... – Mas antes de ela concluir o pensamento, teve a fala interrompida pelo Uchiha, que tapou seus lábios assim que o tom de voz soou minimamente alto.
– Fique quieta! – Ele murmurou baixo. – Eles estão tendo uma conversa séria ali dentro, cale-se! – Ela corou um pouco, mais envergonhada pela aproximação do que pelo jeito que ele a tratava.
– Desculpe. – Ela respondeu no mesmo tom. – Mas... Eu pensei que vocês poderiam gostar, então... – Sasuke suspirou.
– Não comemos doces, nunca gostamos. – A resposta fez com que ela sentisse a barriga congelar, tanto de constrangimento quanto de decepção. Mas, depois, irritando-se por estar tão sensível aos sentimentos dele, ela acabou os comendo irritada.
A atitude infantil o fez abafar uma risada. – Tudo bem, agora vá. Se a virem aqui, vai ser um problema. – Ele realmente agradeceu aos céus por ser o único de guarda fora da saleta. Sak fez uma careta.
– O que está acontecendo? – Perguntou com um olhar curioso; Sasuke suspirou.
– É uma reunião importante com a família Hyuuga. – Os olhos verdes não expressaram muita compreensão, então ele prosseguiu. – Eles são simplesmente a família feudal mais rica do país.
– Oh... – Ela ergueu as sobrancelhas. – Sua prima é uma Hyuuga, não é? – Ele assentiu, concordando.
– Nós somos parentes distantes, mas ela é afilhada de meus pais, então praticamente crescemos juntos...
– Ela é sua noiva?! – A voz ansiosa e temerosa dela não foi exatamente agradável aos ouvidos dele, que francamente estava evitando iludir qualquer sentimento tolo que ela, por ventura, viesse a desenvolver.
– Não. – Negou cauteloso. – Na verdade, ela é a noiva do Naruto. – Os olhos verdes foram de alívio ao espanto em um piscar.
– Do-... – Ela quis exclamar, mas foi mais uma vez interrompida pela mão de Sasuke, que mais uma vez lhe tapou a boca.
– Não sabe falar baixo?! – Ele questionou irritadiço; ela corou e baixou os olhos. – Sim, do Naruto. – Ele continuou. – Isso foi decidido assim que ela nasceu... Ou melhor, ela nasceu para isso. – A sobrancelha rósea se arqueou, confusa e Sasuke suspirou. – Creio que a senhorita não teve muitas oportunidades de conhecer o resto da corte, mas... De fato, há muitos jovens da idade de Naruto. – Ela concordou ao lembrar-se vagamente dos convidados do baile em que o amigo havia sido introduzido. – Pois bem. Como deve imaginar... Foi uma grande locomoção, quando foi decidido que a falecida rainha, mãe de Naruto, iria casar-se. Novos casais se formaram e os que já eram formados, como no caso dos meus pais, se apressaram para ter filhos. – O rosto de Sak corou ao entender o que ele estava dizendo. – Basicamente, todos queriam que seu filho tivesse a chance de se tornar o próximo herdeiro. Eu era a opção favorita, pois a família Uchiha tem grande influência e somos uma família militar... Como não nasciam homens Uzumaki há quase séculos, foi quase decidido. Mas então Naruto veio e frustrou todos os planos da minha família. – Ele abafou uma risada. – No fim, os Hyuuga foram presenteados com uma garotinha... Eles são exageradamente ricos; você não pode imaginar o quanto... Portanto, não foi difícil escolher entre os plebeus e os nobres falidos. Desde sempre, Hinata é a noiva de sua majestade. – Oh! Aquela era uma notícia nova! Tão nova, que Sak não pôde engolir imediatamente.
– Espere... Mas... Estou confusa... – Sasuke suspirou. – Quando achavam que o Naruto morreu... Ela não deveria ter arranjado outro noivo? – O rosto dela corou, e ele sabia que a pergunta formada na mente da senhorita Haruno era: “vocês não deviam estar noivos, já que suas famílias são tão influentes?”.
– Bem, senhorita... De fato, eu mesmo acreditei que isso fosse acontecer: que meu pai ou o pai dela exigissem uma aliança para unificar, de vez, nossas famílias. Entretanto, esse arranjo nunca foi feito, acredito que por falta de interesses de ambas as partes... Nem meu pai, nem meu tio jamais insinuaram coisa alguma, ou planejaram, mesmo depois de minha prima perder a aliança com os antigos governantes. – A expressão dela foi de tamanho alívio que o constrangeu. – Entretanto, — Ele pigarreou incomodado. – Se algo assim fosse decidido, não acho que seria contra. – Ela não respondeu. Ficou em silêncio, olhando para qualquer direção que ele não soube identificar. – Pois a senhorita Hyuuga é extremamente doce e gentil; tem boas maneiras e foi educada para se tornar uma rainha... Tenho certeza que, em todo o país do Fogo, não existe uma pretendente como ela. – Os olhos verdes vazios se ergueram em sua direção. “eu entendo”, era o que expressavam, mas ela não conseguiu dizer nada. Apenas assentiu debilmente, e se afastou sem se despedir.
Sasuke suspirou; coçou a nuca e a observou se afastar. De fato, Sakura Haruno era uma bela garota... Tornar-se-ia uma bela mulher, e excelente médica. Entretanto... Ela não tinha boas relações, não tinha nome de família nem mesmo nome profissional; o Uchiha era suficientemente inteligente para saber que, sem aqueles requisitos, ela só seria uma indesejada no círculo de amizades de sua família.
Como ele sentia que, de alguma forma, devia-lhe gentilezas pelo modo que ela o cuidara, anos atrás, considerou que a melhor maneira era deixá-la cautelosamente afastada, pois qualquer paixão, ainda que unilateral, poderia vir a magoá-la.
Além disso... O quão irritante poderia ser ter em seus calcanhares uma garota que mal o conhecia apaixonada?
Ele não queria saber. De sentimentos falsos, ele estava farto.
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A saleta estava ainda mais silenciosa do que minutos atrás...
Naruto estava sentado, segurando firmemente o apoio de braço da cadeira aveludada, visivelmente chocado, não só com a explicação, como com a naturalidade que esta havia sido expressada.
Os olhos azuis ergueram-se lentamente, chocados, e encararam mais uma vez a senhora conselheira, que parecia surpresa com tamanho choque. – Noiva? – O herdeiro sibilou, chocado.
– Sim, senhor. – Homura respondeu. – Hinata Hyuuga é sua noiva desde que eram meninos. A família Hyuuga possui muitas terras, muitas riquezas e muita influência para com o povo no país; eles são considerados por muitos os feudais mais bondosos das bandas... – Sorriu com extrema falsidade na direção de Hiashi, que retribuiu na mesma moeda. – Portanto, é natural que vocês se unam em laço matrimonial. Sua mãe, a falecida rainha, senhora Kushina, aprovava o casamento. – Como se a aprovação de uma mãe morta, que ele mal podia lembrar-se fosse ter qualquer influência sobre seus sentimentos.
Hinata sinceramente sentiu-se ofendida com tal atitude, e como deveria ser a criatura mais envergonhada do mundo; apertou o braço do primo, como se implorasse que ele acelerasse aquela apresentação para que eles fossem para casa. Neji, entretanto, não podia fazer muita coisa, uma vez que o próprio Hiashi parecia disposto a ficar ali para sempre.
Os olhos azuis do Uzumaki seguiram em direção aos perolados de sua prometida. E embora eles fossem grandes, assustados e constrangidos, como no retrato de Mikoto, ele já não a considerava assim tão encantadora.
Notas finais
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Estou aliviada, pois finalmente a introdução da fanfic acabou, e eu REALMENTE vou poder começar a desenvolver os personagens. Oh, happy day! XD
Eu prevejo que alguns fanáticos por NaruHina vão considerar o final desse capítulo ofensivo, mas não me matem! :x
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Err... Não tenho muito mais o que falar, porque ainda tenho que tirar criatividade do nada pra escrever 50 tons de Uchiha, então... q
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Dúvidas; Críticas; sugestões... Fiquem sempre a vontade! Suas dúvidas me ajudam a pensar; suas críticas me ajudam a melhorar e suas sugestões contribuem com a minha criatividade! :)
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Obrigada por acompanharem!
Espero vê-los semana que vem. sz
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