Notas iniciais
Hoje The King completa um ano de vida! :D E, nesse um ano, conseguimos 45 capítulos, 938 comentários, 314 acompanhamentos, 147 favoritos, 36 recomendações e 19.955 visualizações! *Recupera o fôlego* Pois é pessoal! :D Francamente, estou bastante orgulhosa de mim mesma. De conseguir levar uma história tão séria e tensa por tanto tempo, e conseguir uma resposta tão boa, de leitores tão maravilhosos como vocês! Só tenho a agradecer. Aos comentários, às recomendações (Gleise Barbosa, obrigada pela trigésima terceira recomendação! sz~), e pelo fato de estarem comigo até agora! :D Eu estou muito feliz, e por isso, trouxe um capítulo muito especial para vocês! Acho que de todos, esse deve ser o capítulo mais longo. Foi possivelmente o mais trabalhoso a ser escrito... De verdade, eu estou exausta! x.x Bem, eu não vou me prolongar mais. Não quero parecer exagerada... ^-^' Mas estou muito, muito, muito feliz por chegar até aqui com The King! Boa leitura, pessoal!

Capítulo 45 – Aliança.

Kasumi havia ficado um minuto inteiro calada, observando debilmente Itachi falar com o seu amigo de infância. O marido carregava no rosto um sorriso cortês e forçado, que apenas ela poderia notar.

Em geral, Kasumi sabia facilmente quando o esposo lhe mentia, e era exatamente por isso que Itachi preferia omitir, ou evitá-la. Ele soube que a esposa havia notado sua tensão imediatamente, mas só conseguiu se sentir ainda mais tenso por isso.

Depois de recuperada do choque, a futura duquesa, senhora Itachi Uchiha, cumprindo o papel de ambos os seus títulos, havia sorrido ao amigo, e embora seu esforço para parecer indiferente à notícia de Urushi fosse inútil, o soldado não chegou a insistir, questionar ou pressioná-la sobre o assunto. Uma atitude muito sensata, na opinião do conselheiro.

Minutos depois de sua chegada, Urushi havia sido educadamente dispensado da ala dos conselheiros com os mais sinceros agradecimentos por parte de Itachi e sua esposa. Naturalmente, Miho havia ganhado instruções do patrão para guiar o jovem guarda até a saída de seus aposentos.

Ele havia se despedido da amiga de infância de maneira muito fraternal: com um abraço caloroso – que graças à aura incomodada de Itachi, acabou por ser muito curto –, um aperto de mãos e um “espero vê-la novamente” muito sincero.

Mas bastou estarem a sós, para que a “futura duquesa” voltasse a ser Kasumi, e apenas Kasumi.

Bastou que a porta se fechasse para que o doce sorriso forçado se desfizesse lentamente; que a postura reta descansasse e que os olhos castanhos nublassem. E então, lentamente, com visível hesitação, ela virou seu rosto até encontrar os olhos dele.

O fato de Itachi sentir tantas sensações quando ela apenas lhe lançava um olhar tristonho era mais uma prova incontestável de que ele a amava.

Mesmo que ela fosse à filha bastarda de um pária, e ele o herdeiro de um duque, ele sabia que ele a amava.

Mesmo que ela fosse a personificação da inconseqüência quando se deixava levar por seus impulsos – e ela sempre se deixava! –, enquanto ele era a da prudência e reserva, ele sabia que a amava.

Mesmo que Itachi soubesse que Kasumi o odiaria mais do que qualquer coisa quando perguntasse o que – ele sabia – estava a ponto de perguntar, Itachi não poderia deixar de amá-la. Ele já sabia disso antes, mas teve certeza quando ela lhe lançou aquele olhar, que era tristonho demais para ser inquisidor.

– Você o prendeu.

Não havia sido uma pergunta, nem uma acusação: apenas constatação.

– E depois me prendeu, para que não descobrisse.

Era naquele tipo de situação que Itachi começava a pensar no quão fácil seria sua vida, caso tivesse se casado com uma mulher rica, doce, submissa e pouco inteligente. Mesmo quando estavam erradas, era sempre muito difícil lidar com as conclusões da esposa. Quando estavam certas, era quase impossível.

Ela não desviou o olhar magoado nem por um segundo, e Itachi pensou que se sentiria melhor caso o tivesse espancado. Não que duvidasse que fosse acontecer.

Ele suspirou longamente; coçou a nuca, cansado e fechou os olhos. – Não, eu não fiz isso. Você estava doente, e por isso ficou no quarto... A prisão de Obito não tem nenhuma relação com você.

A menção ao nome “Obito”, e o tom usado para dizê-lo fez com que Kasumi percebesse que e Itachi devia estar ciente de absolutamente toda a história.

As sobrancelhas castanhas se estreitaram, e os pulsos pequenos apertaram.

Por que ele insistia em mentir, mesmo quando tudo estava tão claro?!

– Não estou doente. – Ela murmurou entre dentes. – Estou grávida... Do seu filho! – E encarou-o com raiva palpável. – Como se sentiria se você fosse preso sem o conhecimento dos seus filhos?!

Embora um bolo tivesse se formado na garganta de Itachi, ele conseguiu dizer, com muita firmeza: — Você não é filha dele.

Não foi surpresa quando a esposa, momentaneamente descontrolada, empurrou um dos vasos de decoração, que se espatifou no chão. – O que você sabe sobre isso?! – Gritou verdadeiramente furiosa. – No fim das contas, o que você sabe sobre mim, Itachi?! Do meu passado!

– O que eu sei, — Ele falou em tom firme, mas moderado. Não podia perder a razão. – É que foi seqüestrada pelo assassino de sua família! Tirada de seu lar, isolada da sociedade e negligenciada, até Kakashi salvá-la!

– Ele é o meu pai. – Kasumi insistiu. – E ainda que não fosse realmente meu pai, foi o único que eu conheci!... O único que me fez com que eu me sentisse alguém! – Ela pousou os punhos sobre o peito; tremia. – Ele é meu pai... É tudo o que eu tive... A única família que tenho... – Suas palavras foram um sussurro, mas Itachi pôde ouvi-las perfeitamente. Ele apertou os punhos e, num impulso que chegou a surpreender a si próprio, aproximou-se.

Puxou-a pelo antebraço e encarou-a firmemente, perturbado. – “A única família que teve”... – Repetiu com a voz trêmula. – Como eu devo enxergar isso? Significa que eu não sou nada para você? – Viu os olhos dela brilhando com lágrimas, mas não conseguiu conter o impulso de continuar a falar. – Que o nosso casamento não é nada, que os nossos filhos não são nada... É isso o que você quer dizer, Kasumi?

– Não faça isso... – Ela pediu num murmúrio. – Não faça com que eu me sinta culpada, quando é você que me trata como nada... – Os olhos negros se estreitaram ainda mais.

– Eu te trato como “nada”? – O Uchiha riu. – Bem que eu gostaria de tratá-la assim... Tem ideia do quanto eu desejo que você não seja nada para mim? Do quanto a minha vida seria fácil, se você fosse só a mulher que o meu pai me escolheu?... De quanto sofrimento eu estaria sendo poupado, se não a amasse como amo? Se eu não a amasse com a minha alma, com o meu coração...

– Não faça isso...

–... Do quão tudo seria fácil, se eu não morresse por você? – Ela não conseguiu respondê-lo; baixou a fronte, porque não queria encará-lo.

Estava furiosa!

Sentia cada membro de seu corpo tremer; sentia as malditas lágrimas escorrendo por seu rosto e queimando os seus olhos. Queria bater nele! Espancá-lo, até que confessasse que a havia o prendido, até que confessasse que ele a havia enganado e omitido algo que claramente sabia que lhe era importante. Mas ainda que estivesse queimando de raiva, não conseguiu fazer nada além de encarar o chão... Até sentir as mãos grandes apertando seu rosto e, erguendo-o, Itachi obrigou-a a fitá-lo.

Kasumi era sua vida. Sua alma, seu amor, sua família. Apenas o fato de estar ao lado dela fazia com que Itachi se sentisse completo.

Ao lado dela ele sentia raiva, ao lado dela que ele sentia amor. Ao lado dela, podia ser triste e feliz... Enquanto estivesse ao lado dela, poderia sempre ser Itachi. Não o herdeiro dos Uchiha, não o conselheiro do Rei, não o prodígio do exército; apenas Itachi. Simplesmente Itachi.

E era frustrante saber que ele não podia fazer o mesmo por ela; que ele não poderia cobrir seus vazios, como ela o fazia.

– Você... Tem ideia do quanto tudo seria mais fácil? – Ele murmurou afetado.

–... Mentiu para mim. – Foi tudo o que ela conseguiu dizer. Itachi havia se calado, então Kasumi prosseguiu: — Mentiu para mim, enganou-me. Isolou-me... – Ele não conseguiu respondê-la, porque era tudo verdade.

Omitira, isolou-a, enganou-a. Tudo isso naquela mesma conversa.

– O que o faz diferente dele? – Aquilo foi como um soco... Talvez pior que um soco: uma facada.

Naquele momento, Itachi havia percebido que nada o diferenciava de Obito Uchiha, além de sua sorte.

Itachi e Obito haviam nascido para herdar aquele maldito ducado. Os dois haviam sido postos a pulso no exército, e ambos se tornaram talentosos – um como prodígio, outro como esforçado, mas que diferencia isso fazia, quando ambos haviam alcançado poder?

Os dois haviam se apaixonado pelas mulheres erradas, e graças a isso, haviam acabado com suas vidas – porque realmente não acreditava que Kasumi fosse tão feliz naquele casamento quanto ele era.

Itachi havia conhecido o lado negro da nação do Fogo.

Obito havia conhecido o lado negro do mundo.

E acima de qualquer coisa, os dois amavam Kasumi. Tanto, que estavam prontos para serem odiados. Tanto, que estavam dispostos a dar suas almas pela futura duquesa.

A mentir para ela, por ela.

– Foi você quem o prendeu? – O silêncio foi sua resposta. Itachi não tinha porque mentir, ao menos não sobre aquilo. De qualquer forma, uma hora ou outra ela iria descobrir. – Por quê?

Aquela pergunta o havia surpreendido um pouco. Kasumi estava ciente da situação de Obito. Ele era um procurado! Procurado por assassinato! E, como se não bastasse, havia mentido ao rei. Tudo aquilo devia ser motivo suficiente para pô-lo atrás das grades, mas ainda assim ela tinha que perguntar... Itachi suspirou longamente. Soltou o antebraço da esposa, mas antes que pudesse se virar sentiu-a segurar seu pulso.

– Responda-me. – Kasumi exigiu. – Por que você o prendeu? – Ele virou o rosto de soslaio.

– Obito está envolvido no assassinato dos conselheiros. – Sentiu-se ligeiramente perturbado ao notar a falta de surpresa da esposa, mas ainda assim continuou. – Ele está envolvido com o atentado contra o rei.

O conselheiro esperava que aquela explicação não soasse como a desculpa de uma criança arrependida, mas quis que Kasumi a visse como um motivo a menos para odiá-lo.

–... Então você descobriu quem ele era... E o obrigou a confessar. – Mais um suspiro longo.

– Eu não o obriguei a confessar... – Não isso, ele adicionou mentalmente. – O próprio Rei o questionou. Obito confessou a autonomia dos crimes, sozinho, e o fez com muita facilidade.

–... Ele vai morrer? – Ela tentou parecer firme, mas sua voz soou como um fio trêmulo, choroso e tristonho. Itachi desviou seu olhar.

– O conselho irá julgá-lo... – Se esforçou para tornar a olhá-la. – E ele será tido como culpado. – Decidiu ser direto, porque aquela era a verdade, afinal de contas.

Por uma coisa ou outra, ele seria morto... E de que adiantava iludir a esposa?

–... O conselho vai votar... – Não foi uma pergunta, mas ainda assim, Itachi anuiu. Quando os olhos de Kasumi fitaram os seus, pareciam vazios. – O que o conselheiro Itachi Uchiha vai defender? – Ela perguntou com uma voz calma, quase sem sentimentos.

E ele mais uma vez sentiu o bolo na garganta se formar.

–... Os Uchihas não precisam de mais problemas, Kasumi. – Ele murmurou depois de muito hesitar. – Além do mais... De qualquer forma, ele...

– O que você vai dizer ao conselho, Itachi? – Ela tornou a questioná-lo, firmando seu olhar e sua voz.

–... Vou dizer que o acho culpado.

~

Fazia muito tempo desde que Nagato havia se sentido tão leve.

Estava em um cômodo de seus aposentos que servia como sala de jogos, sentado a uma mesa pequena, redonda e tinha à sua frente Konan e Yahiko, os melhores amigos de toda sua vida.

Yahiko estava acomodado a uma das cadeiras, cortando a baralho pela décima vez, ainda que nenhum dos três estivesse decidido a jogar. Konan, que estava sentada sobre uma de suas pernas, teimosamente ajeitava os dois primeiros botões da camisa que ele insistia em abrir novamente, embora já estivesse cansada de repreendê-lo por isso.

O comportamento daqueles dois, tão tranqüilo, casual e relaxado fez com que Nagato percebesse que também estavam mais leves. Não havia mais preocupação implícita nos sorrisos de Konan, e toda a irritação havia sumido dos olhos castanhos do – aos olhos de Nagato – verdadeiro líder da Akatsuki.

– Então, o nosso príncipe enfim decidiu o que fará de sua vida... – Yahiko comentou casualmente, com os olhos divertidos fixados no amigo de longa data. – Fico feliz que a crise de Karin o tenha feito tomar uma atitude, embora não fique feliz com a crise em si. – E olhou para a noiva. – Acho que essa garota anda muito mimada, desde que chegou à Torre.

Konan o sorriu. – Ela sempre foi muito mimada. – Observou. – Mas dessa vez só estava preocupada conosco.

Yahiko suspirou longamente e levou os olhos até a carta que descansava sobre a mesa. Puxou-a e desdobrou-a sem cuidado algum, ignorando completamente o selo real que já havia sido violado por Nagato e leu, em voz alta: — “Prezado príncipe, venho por meio de esta carta propor que juntemos nossas famílias esta noite, em um jantar particular e altamente reservado, para que possamos, sem formalidades, discutir sobre nossos desentendimentos. Eu e a rainha estaremos esperando o príncipe e a princesa ansiosamente na sala de jantar, no horário de praxe. Atenciosamente, Naruto Uzumaki”... Não seria mais fácil ele mandar um daqueles cães virem buscá-lo na hora? – Tornou a dobrar a carta.

– Não arranje mais dores de cabeça ao Nagato. – Konan o pediu com um tom de repreensão; puxou o bilhete e deixou-o sobre a mesa, próximo ao príncipe. – O Rei está sendo cuidadoso, é claro. Depois de seu último confronto...

– Ele diz “sua família” e “particular”. Será que nos quer longe?

– Pois se quiser, vai ficar querendo. – O príncipe levantou-se calmamente. Puxou a carta e guardou-a no bolso. – Vocês dois fazem parte da minha família. – Olhou firmemente para os amigos. – São o meu irmão e a minha irmã.

– Oh, por Deus! Não nos envolva nisso. Konan vai ter que usar um daqueles bolos de vestido, se for jantar com o rei. – Mas embora dissesse isso, o sorriso de Yahiko havia aumentado após ouvir as palavras do outro.

– Lamento por isso, mas se tenho que me vestir com pompa... Vou dividir minha dor. – Ele suspirou. – Vou avisar à Karin... Sobre tudo. – Konan lhe sorriu.

– Ela vai ficar feliz... – Nagato se limitou a respondê-la com um assentir.

Apertou o ombro de Yahiko, lançou um olhar e um acenar para Konan e, com um pouco de hesitação, retirou-se do cômodo, deixando os noivos a sós.

A mulher deixou um respiro aliviado escapar dos lábios, e seu noivo pareceu se divertir com isso, já que a lançou um olhar curioso. – O que? Não agüenta mais a presença de sua alteza? – Ela estreitou os olhos, mas sorria. – Eu entendo completamente. Desde que Nagato tornou-se príncipe, não é o mesmo.

– Deixe de dizer bobagens. – Konan lhe deu uma palmada no peito. – Estou aliviada por ele ter tomado essa decisão... Karin sofreria muito, caso se tornasse inimiga dos soberanos da nação do Fogo. Ela se apegou muito à rainha, ao senhor Uchiha...

– Ah, sim. O senhor Uchiha... – Os lábios de Yahiko se estreitaram. – Não gosto dos comentários que fazem por aí. De que minha sobrinha anda se atirando para um homem aparentemente muito bem casado. – Konan revirou os olhos.

– Ela não se atira em ninguém... Bem, talvez um pouco. Mas acredito que seja inevitável... – Ela fez uma careta.

– Inevitável?

– Sasuke Uchiha é muito bonito. – Ele estreitou os olhos. – Você já o viu com o uniforme da guarda real. É impossível não notar, mesmo para os homens. Karin é jovem, impulsiva, e foi salva por ele.

– Foi salva por Suigetsu. – Yahiko a corrigiu.

– Mas foi o senhor Uchiha quem a trouxe a galope para a Torre. É muito cavalheirismo, você tem que admitir. – Konan encolheu-se, abraçada à cintura do amado. – A nossa princesa tem todo o direito do mundo de estar apaixonada... E eu tenho certeza de que, apesar dos pesares, ela não vai passar da linha.

Yahiko não sabia se ela estava certa, mas preferiu acreditar. Acomodou-se à cadeira confortável e acolheu a mercenária carinhosamente. – Fico feliz por estarmos indo embora... – Ele confessou com um suspiro longo. Konan sorriu, e aconchegou seu rosto no peito largo e forte do Akatsuki.

– Eu também... Finalmente podemos voltar para casa. – Fechou os olhos ao sentir os lábios dele beijarem seus cabelos. – Você acha que o rei vai aceitar a proposta de Nagato?

– Não tenho dúvida disso. – Ele deslizou uma das mãos pelo braço da noiva, até alcançar a mão pequena, áspera por trabalho duro. – Quando Nagato garantir a aliança entre Konoha e a Akatsuki, tudo ficará bem... – Enlaçou os dedos. – E quando tudo estiver bem... – Puxou-a gentilmente; Konan abriu os olhos para vê-lo beijá-la. – A organização não vai mais precisar lutar para sobreviver... – Sorriu ao vê-la sorrir. – Quando criamos a Akatsuki, você disse que “não teríamos tempo para nada, além da organização”... – Ele fez uma careta, e Konan riu. – Por isso, quando voltarmos para casa... Você não vai ter mais nenhuma desculpa, ouviu?

~

Ele quase podia ouvir as teclas alisando o piano, quase podia ouvir a música tranquila e bonita que os dedos pequenos produziam.

Quase podia sentir o calor da lareira... O cheiro da comida fresca. Quase podia enxergar a luz das velas que haviam sido acesas ao anoitecer, velas que iluminariam uma pequena, respeitável e confortável residência que teriam se esforçado muito para conseguir.

Ele via Kasumi, sua pequena Kasumi levantar-se do piano modesto e correr impulsivamente até a mãe, que ajudava uma das criadas a servir a mesa. Viu-as rir e sorrir uma à outra, e foi feliz por isso.

Tudo aquilo era um sonho. Um devaneio. Uma mentira, mas Obito realmente não se importou. Continuou olhando na direção de Rin e Kasumi como se aquela imagem fosse a coisa mais verdadeira em todo o mundo. Seu coração queimou quando os dois pares de olhos castanhos se voltaram em sua direção, e com muito esforço, Obito retribuiu ao sorriso delas.

Se pudesse desejar ao menos uma coisa na vida, tornaria aquele sonho real.

Não se importaria com os comentários feitos na cidade imperial, nem com o desprezo dos pais de ambos, nem com a distância em que Mikoto seria obrigada a impor contra o irmão.

Se ele pudesse vê-las juntas, ao menos uma vez... Se pudesse vê-las sorrindo uma para outra, apenas uma única vez, Obito acreditava que poderia morrer feliz.

A casa aconchegante, a lareira quente e as duas das três únicas pessoas que verdadeiramente devia ter amado na vida estavam à sua frente, numa mentira.

E ele percebeu que não se importaria em morrer agora, mesmo que soubesse que tudo não passava de um sonho... Uma morte rápida, que o fizesse continuar naquela tão perfeita realidade distorcida. – Se ao menos eu pudesse morrer agora...

– Você não vai morrer agora. – Uma voz distante lhe disse. A voz chorosa e tristonha de outra mulher.

Da terceira pessoa que mais amava no mundo. – Você não pode morrer agora, Obito. Então agüente firme!

Ele não queria agüentar firme.

Queria partir agora, enquanto podia vê-las juntas... Enquanto pensasse que, se esticasse as mãos, poderia alcançá-las. – Está ardendo em febre... Por que ele está assim, jogado como um animal?! – Um grito soou, mas ainda estava distante. Ele pôde ouvir um choro embargar na garganta de alguém. – Prometeram-me um julgamento... Prometeram-me justiça! Então me diga: por que o meu irmão está doente?!

Não houve resposta.

– Não... Você não vai morrer! – Obito sentiu a mão quente de alguém tocar seu rosto, e a visão de seu mundo perfeito começou a embaçar.

– Kasumi... Rin...! – Ele tentou chamá-las, mas ambas continuaram a se distanciar. – Por favor...

– Chamem alguém! Um maldito médico! Qualquer coisa!

– Não... – Foi tudo o que ele conseguiu murmurar. – Por favor, irmã... Não...

– “Não” uma ova! – Foi o que Mikoto lhe disse. – Você não vai morrer aqui, ouviu? Não ouse morrer agora, Obito Uchiha! – Ele apertou o pulso da mão que alisava seu rosto e, com os olhos entreabertos, implorou à irmã para que parasse. – Você não vai morrer até eu provar que eles estão errados... Eu não vou permitir isso!

– Por favor...

– É só uma febre, duquesa. – Um dos guardas tentou acalmá-la. – Apenas uma febre. A prisão é fria, e por isso os condenados facilmente adoecem.

Ela sabia disso, mas ainda assim não conseguiu conter os seus impulsos.

– Quem você está chamando de condenado?! – O tom usado pela Uchiha fez com que o mais jovem se calasse. – Busque Shizune! – Ordenou. – Traga qualquer um, mas traga alguém! – Ela se livrou do manto que usava, feito com pele de algum animal, e encobriu os ombros do irmão.

Mikoto havia recebido a notícia de que suas visitas eram permitidas pelo rei ao anoitecer, assim que retornara da cidade. E no mesmo instante em que leu a carta remetida pela “Torre”, vestiu seu melhor casaco e pediu para que a carruagem, que mal havia retornado, fosse preparada para mais uma saída.

Ela não se preocupou com a prudência. Não se importou com o fato de que àquela hora o rei e a rainha deviam estar jantando. Não se preocupou em ir vê-los, ou sequer avisar sobre sua presença. Simplesmente seguiu caminho à carceragem, apresentou a carta ordenada pelo rei e foi guiada pelos frios, fétidos, sujos e sinistros corredores cinzentos.

Um jovem soldado que ela já havia visto em alguma cerimônia do exército lhe abriu a cela, mas mesmo que a tivesse alertado sobre a sujeira que rodeava o prisioneiro, Mikoto não se conteve: adentrou às pressas, como se sua vida dependesse daquilo.

Encontrou o irmão jogado ao chão – na realidade, estava deitado sobre um monte de feno, mas era tão fino que podia ser desconsiderado –, vestido com a manta da maldita organização que o havia usado, encolhido, com os olhos abertos e ralas lágrimas escorrendo pelo rosto ferido.

Foi um choque grande, mas ela se manteve firme. Com a ajuda do guarda de nome desconhecido, aconchegou-o da melhor maneira possível; limpou seu rosto, pescoço e despiu-o da camisa para também limpar seu tronco.

Ele não havia movido sequer um músculo.

Com a ajuda do mesmo guarda, pôde trocar as vestes velhas e rasgadas por outras, velhas peças de roupas em bom estado, roupas que haviam pertencido ao próprio Obito, quando mais jovem. Mikoto as encontrara em um de seus baús velhos, no quarto intocável da mansão Uchiha. E, enquanto vestia Obito com sua antiga camisa social, pôde perceber o quão mudado ele estava. Pôde notar como seu peito e seus braços haviam ficado mais fortes, o quanto suas pernas haviam ficado largas e cumpridas.

Pôde perceber quantas cicatrizes novas havia ganhado.

Ela o cuidou calmamente, pacientemente, até os delírios começarem. Os murmúrios implorando pela morte a apavoraram de tal maneira que Mikoto não pôde esconder sua perturbação, ou conter os seus impulsos preocupados.

A duquesa sabia tão bem quanto o guarda que era só uma febre, uma febre como tantas outras que Obito havia tido durante a sua infância. Sabia que, mesmo sem a ajuda de Shizune, se o cuidasse e o aquecesse, o irmão estaria bem ao amanhecer, mas o medo faz coisas terríveis com a mente das pessoas, e foi por esse mesmo medo que a matrona Uchiha segurou firmemente o rosto de seu irmão e encarou-o, mesmo sem ter certeza se ele a enxergava por trás daqueles olhos nublados. – Eu não vou desistir de você, está ouvindo?! Mesmo que custe a minha vida, eu vou lutar por você, Obito! Mesmo que você desista, eu não vou!... – Ela fungou. – Eu não vou deixar o meu irmãozinho morrer antes de mim!

~

Sasuke e Genma haviam sido os guardas escolhidos, os encarregados para buscar Nagato e sua família na ala do príncipe. Nenhum dos dois demonstrou sequer a mínima surpresa quando quatro, e não duas pessoas se apresentaram como convidados.

Os guardas guiaram os três fundadores da Akatsuki e a princesa Karin até o local escolhido por sua majestade para o jantar, e os cinco permaneceram em profundo silêncio durante todo o percurso consideravelmente longo.

Por todo o caminho, Nagato pegou-se abismado. Por algum motivo, sentia que conhecia aqueles corredores... Pegou-se observando as paredes e as pinturas, e esforçou-se para lembrar-se aonde dariam.

Só teve certeza ao encontrar-se diante das portas duplas brancas de dois metros – talvez um pouco mais.

Sasuke abriu as portas, e anunciou aos quatro com uma voz naturalmente fria, e após um segundo de silêncio, deu espaço para que todos adentrassem ao local.

Nagato não viu o olhar significante que a filha lançou ao guarda – que se limitou a fingir não ver, como sempre fazia –, nem o olhar repreensivo que o cunhado a havia lançado depois disso. Ele se limitou a erguer os olhos e admirar as paredes que lhe remetiam sua infância; observou os papeis de parede, floridos em tons rosa e pastel, e a mesa grande que já havia sido palco muitas das suas brincadeiras com Kushina.

Os olhos lilás paralisaram quando enxergou, presos à parede central, três quadros consideravelmente grandes.

Em um deles, a imagem de Kushina sorria docemente, belamente. Ao seu lado, um homem muito parecido com o Naruto – o último rei, Nagato imaginou – lhe lançava um olhar de veneração muito bem expressa na pintura e, entre eles, uma pequena criança de cabelos louros.

No outro – extremamente parecido com o primeiro – seus pais e o próprio Nagato haviam sido retratados e, no terceiro, Mito e Hashirama.

Ele havia passado um minuto inteiro olhando para aquelas três pinturas, alheio à conversa ligeiramente ofensiva entre Naruto e Nagato, e ao constrangimento da filha e da rainha.

– Nagato. – A voz calma de Konan o despertou; ele olhou debilmente na direção da amiga, que discretamente, apontou a cabeça na direção do rei.

Naruto estava sentado ao centro da mesa, ao lado de sua esposa, ignorando os protocolos, e olhava curiosamente para o parente distante.

– Majestade. – O ruivo se curvou.

– Eu disse “sem formalidades” na carta, e falava sério. – Naruto fez menção para que os guardas se retirassem. Yahiko observou uma pequena hesitação vinda de Sasuke, que depois de trocar um olhar significativo com Jiraya – também presente naquela pequena reunião familiar –, retirou-se. – Essa é a sala de visitas...

– Da princesa Tsunade. – Nagato completou, e Naruto lhe sorriu.

– Exatamente. Minha avó me contou que você e mamãe costumavam passar muito tempo aqui, então achei que seria o lugar ideal para jantarmos em família. – Karin trocou um sorriso sincero com Hinata, que a retribuiu da mesma forma. – Por favor. – Naruto levantou-se. – Sentem-se. – Ele fez menção às cadeiras. – A mesa acaba de ser posta, então fiquem a vontade.

A mesa em questão era grande, mas não tanto quanto a usada para os bailes; Naruto se aproximou da prima, e puxou uma cadeira ao seu lado para que ela pudesse se acomodar. Karin lhe lançou um sorriso tímido e agradecido, sentou-se e viu Konan e Nagato seguirem para o outro lado da mesa.

Yahiko tomou o lugar ao lado dela, sem se importar com o fato de não ser nada além de um convidado indesejado, e Nagato tentou manter-se em silêncio enquanto sentava-se entre Konan e Tsunade.

A tia estava mais cabisbaixa que o comum... Mais pensativa que o comum.

– Então. – Naruto serviu-se de vinho. – Por onde podemos começar essa conversa, Nagato?

– Por onde quiser, majestade.

– Naruto. – O rei o corrigiu. – Sem formalidades, então me trate por Naruto... Bem. Nós poderíamos nos reunir, apenas os dois, e conversar francamente um com o outro... Mas você sempre insiste em mentir para mim. – Ele goleou da taça de prata.

Antes que a tensão pudesse se expandir pela mesa de refeições, prosseguiu: — Eu e você somos homens de família, no fim das contas. Gosto de compartilhar as coisas com minha esposa... – Ele apertou a mão de Hinata por baixo da mesa. – E, naturalmente, com os meus avôs. Imagino que seus amigos e sua filha tenham tanta influência sobre você, quanto os três tem sobre mim. E é por isso que pedi para que nos juntássemos em família.

Yahiko estreitou as sobrancelhas, surpreso com o fato de o rei cogitar sua aparição mesmo antes de acontecer. E, se seu lugar e o de Konan não estivessem perfeitamente postos, suspeitaria ser mentira.

– Sim, eles são. Fico feliz em saber que leva as pessoas a sua volta em consideração... Nem todo rei tem a consciência de que sua opinião não é absoluta.

– Ah, não. Definitivamente! – Naruto riu. – Poucas vezes pude tomar uma decisão sozinho, mas... – Ele deu os ombros. – Sou jovem. Compreendo que, graças à minha pouca experiência de vida, preciso ouvir os outros... Minha personalidade é impulsiva. – Ele franziu o cenho. – Sou dado a fazer idiotices, quando penso sozinho.

– Por favor. – Yahiko o interrompeu. – Vamos direto ao assunto? – Ele sugeriu enquanto se servia.

– Yahiko! – Konan o repreendeu.

– Não, tudo bem. – Naruto interveio. – Eu também não gosto de me prolongar. Sou um homem direto, afinal. – Ele pigarreou. – O fato é: não confio em nenhum de vocês. Absolutamente. E estou disposto a fazer tudo o que estiver ao meu alcance para fazê-los deixar a Torre.

Yahiko engoliu uma gargalhada, mas Nagato permaneceu calado, pasmo, encarando o rei. Ele realmente ainda não havia desistido daquela história?

–... Por quê? – Nagato conseguiu perguntar quando recuperado do choque. – Por que tanta desconfiança...? – Ele estreitou os olhos. – Você pode nos chutar daqui quando quiser, para começo de história... Sequer precisaria ter nos aceitado! Então por que...?

– Por que você é um Uzumaki. – Naruto pontuou. – Porque é parte da família... Porque foi tido como um irmão por minha mãe. – Os olhos azuis estavam fixos aos lilás. – Como já disse antes, eu não sou um homem de rodeios, Nagato. Não confio em você, mas quero confiar... Nós temos o mesmo sangue, e é por isso que eu quero ter esperanças... Esperanças de que, talvez, algum dia, você realmente possa me guiar. – O príncipe foi completamente calado por aquelas palavras. – Você salvou uma vila... – Naruto baixou a cabeça para fitar a taça de vinho. – Independente do que faz para mantê-la, para eles, você é um herói... – Ergueu os olhos na direção de Konan. – Vocês são.

– Nós... Vamos deixar a Torre. – Nagato contou finalmente, e tomou a atenção de todos à mesa instantaneamente. – A Akatsuki vai deixar a Torre, mas nossas relações não serão cortadas. – Ele explicou.

– Eu não esperava por isso. – Naruto confessou com um sorriso.

– Nagato Uzumaki – O ruivo prosseguiu. – Ainda será o príncipe de Konoha, e eu e minha filha continuaremos tendo direito a nossas respectivas partes de impostos. – Naruto anuiu lentamente. – Além disso, quero propor algo... Que, devo admitir, será mais favorável a nós, do que a vocês, mas... É um começo... – Ele suspirou. – Para que nossas relações se descompliquem.

– Prossiga. – O rei instruiu.

– Proponho uma aliança entre Konoha e a Akatsuki.

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E a aliança proposta por Nagato fora, de fato, extremamente desfavorável à nação do Fogo. A Akatsuki ganharia uma parte das terras férteis da nação do Fogo, contribuição militar, liberdade de trabalho e a tecnologia de Suna, enquanto o país de Naruto ganharia o inútil direito de ir e vir livremente.

Ainda assim, o acordo foi feito. Não porque Naruto pensava ser justo, ou por ser a maneira mais rápida de livrar a Torre da presença daqueles mercenários; ele havia sido feito porque o rei, sinceramente, não pensava ser justo que Nagato deixasse a Torre de mãos vazias, com nada além de um título, e uma cota miserável de impostos.

Naquele jantar, Naruto afirmou que a proposta seria analisada e discutida pelo conselho, mas estava decidido a assiná-la. Até então, esclareceu que não existiriam problemas, caso a organização quisesse continuar em Konoha até que todos os detalhes da negociação fossem acertados, e o povo avisado.

Foram precisas duas semanas, até que tudo estivesse certo. Shikamaru havia se esforçado muito para deixar aquela aliança minimamente favorável à nação do Fogo, ainda que o Rei não o tivesse pedido, e em duas semanas, tudo estava pronto.

Foi proposto pelo alto escalão um pequeno baile em comemoração à nova Aliança: um festejo modesto, para comemorar uma grande vitória para ambas as partes envolvidas no acordo. E foi na noite anterior ao baile que um inconveniente elemento, até então francamente esquecido pela família real, fora relembrado. Na noite anterior ao baile, chegou aos ouvidos do rei o fato de que as investigações sobre os crimes de Obito Uchiha haviam, enfim, sido concluídas.

Assim como fora previamente suposto, não houve indício nenhum que servisse como absolvição para Obito Uchiha. A mansão Nohara estava em ruínas, e nada poderia provar sua culpa ou inocência. Em contraposto, além de sua confissão, e do não mencionado depoimento de Sakura, nada poderia envolvê-lo com a chacina na ala dos conselheiros.

Embora estivesse se dando muito bem com Nagato, Naruto ainda não conseguia conceber a ideia de que a Akatsuki havia deixado um dos seus. Ele sabia, e entendia, que toda a prudência e reserva do príncipe dava-se ao fato de que não só sua própria vida estava em jogo, mas uma aliança, e a segurança de seus amigos e família, mas ainda assim...

O julgamento de Obito Uchiha fora curto e sua sentença, clara: estaria morto dentro de três dias – prazo dado apenas em consideração à nova aliança.

Em uma mesa de vinte homens – contando com conselheiros, soldados experientes e todo o alto escalão de Konoha, em sua maioria homens que ao menos um dia já haviam interagido com o filho perdido de Madara –, apenas Itachi havia se pronunciado. O futuro duque havia lembrado aos demais a impossibilidade de procurar indícios na mansão Nohara, e levara em consideração suas confissões. “Porque um homem que confessa matar dois conselheiros não confessaria o assassinato de uma simples família?”, fora o seu argumento, e graças a ele, a sentença da guilhotina fora reduzida à forca – coisa que, na opinião de Itachi, mais parecia um agravante do que uma redução. Apenas o fato de ser filho de um Uchiha deu-lhe o direito de morrer no terreno da Torre, longe dos olhos e curiosos da cidade.

Francamente, Naruto não estava feliz com a conclusão daquele caso.

Ele não gostava da ideia de ter a morte do irmão de Mikoto, do pai de Kasumi, do salvador de Kushina em suas mãos. Era um sentimento incômodo, um fardo pesado... Mas que ele teria que sustentar.

Só Deus poderia saber o tamanho da falação gerada pela pequena e inútil defesa de Itachi, mas o Uchiha não se importou. Na verdade, esperava que aqueles comentários chegassem logo aos ouvidos de sua mãe, e consequentemente, aos de sua esposa.

Kasumi havia voltado à mansão Uchiha no mesmo dia em que soubera sobre a prisão de Obito e foi decidido que lá ficaria até o nascimento do bebê. Como sempre, sua saúde havia sido usada como desculpa para o afastamento do marido e da mulher.

Itachi sabia que Mikoto não contaria a verdade sobre Obito – até porque o próprio Obito não queria que a filha soubesse a verdade –, mas ainda se preocupava.

A cada dia que se passava, Obito parecia mais e mais depressivo. A febre pós-tortura havia durado dois dias, mas ainda que estivesse saudável, o homem continuava sentado ou deitado no canto da cela durante todo o dia, ignorando conversas e pessoas.

Como encarregado pelo condenado, Itachi era obrigado a visitar aquela cela imunda todos os dias, sem exceções; até então, nunca havia tentado conversar com o tio.

Mas na noite da concretização de sua condenação, ele não teve como evitar isso. Como sempre, o conselheiro seguiu até a carceragem; como em todos os dias, andou sozinho pelos longos corredores, cumprimentando vez ou outra um guarda com acenos enquanto seguia decidido até a quarta cela do último corredor.

Naquela noite, ele abrira a cela, adentrou e sentou-se ao lado de seu tio e sogro, que naquelas muitas semanas, parecia ter envelhecido uma década.

Obito não se surpreendeu e nem se incomodou – para a surpresa de ambos! – com a presença do sobrinho. Eles haviam ficado calados por um bom tempo, olhando para a linha do horizonte, cada um perdido em seus próprios pensamentos, quando o prisioneiro enfim decidiu terminar aquela tortura.

– Para quando é a sentença? – Ele soou casual.

Itachi retirou do suporte de armas uma botelha feita com algum metal velho; arrancou a rolha com os dentes, tomou um gole do álcool e ofereceu ao tio, que bebeu do bom vinho sem nenhuma hesitação.

O conselheiro baixou a cabeça. – Três dias. – Respondeu finalmente.

Obito riu.

– Tudo isso? – O conselheiro anuiu. – Preferiria terminar logo com tudo... – Ele confessou num suspiro longo.

–... Sabe, eu consegui que você fosse poupado pelo assassinato Nohara. – Os olhos negros do mais jovem encararam o teto de pedra. – Se você...

– Eu não vou mudar minhas confissões, garoto.

Itachi passou mais um instante olhando para o teto, e então levou os orbes negros até Obito, que sorriu. – Matei os conselheiros, essa é a verdade... Matei mais gente do que nunca pensei que fosse matar... – Tornou a golear da garrafa. – Não tanta gente quanto você, possivelmente, mas muita gente... Homens muito melhores do que eu sou. Acho que eles merecem ser justiçados.

– É o nosso mundo, afinal...

Obito se manteve em silêncio por um longo minuto, até tomar coragem para dizer: — Se você tiver um filho... – Ele hesitou. – Se Kasumi der a luz a um garoto... Não o obrigue a fazer parte disso. – Baixou a cabeça. – Eu odiaria morrer sabendo que ela sofrerá o mesmo destino de Mikoto.

Itachi assentiu mentirosamente, e por saber que era uma mentira, Obito sorriu.

Olhou para o próprio peito e puxou o pequeno relicário escondido dentro de suas vestes. – Quando eu morrer, entregue isso a ela. – Instruiu. – Você pode fingir que é um presente... Mas entregue a ela. – O mais jovem anuiu.

E assim eles prosseguiram... Por toda uma noite, foram tio e sobrinho. Por toda uma noite, aproveitaram-se da companhia do outro, enquanto dividiam aqueles quinhentos miligramas de vinho do porto.

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Quando o dia em que a Aliança entraria em vigor enfim havia chegado, a Torre estava um caos. Todos – nobres e servos – mostraram-se verdadeiramente contentes com o fato de que os mercenários enfim deixariam, definitivamente, a Torre. Todos ansiavam pelo momento em que a Akatsuki deixaria o lugar, quando a tensão e os fortes sentimentos, que mais se assemelhavam à uma guerra fria deixariam o palácio imperial.

Após a prisão de Obito, ninguém mais acreditava na Akatsuki como uma “organização salvadora”. Tal como o rei, as pessoas acreditavam que a organização de mercenários estava envolvida na invasão, embora ninguém jamais ousasse abrir a boca. Os servos haviam trabalhado como escravos por aquela festa “modesta”, para que ela ocorresse da melhor maneira possível, o mais rápido quanto antes.

Naruto havia revezado seu escasso tempo entre o conselho e Hinata. Ele sabia que a rainha poderia cuidar perfeitamente dos arranjos para o baile, mas por ser algo de extrema importância, não queria deixar para a esposa todo o peso das decisões. Ou ao menos foi isso o que ele disse aos conselheiros.

Na verdade, Naruto gostava de contribuir na organização do evento; gostava de dividir as responsabilidades com Hinata, de discutir sobre pontos simplórios, como as cores dos guardanapos, e opinar sobre as indecisões da esposa, fossem ou não complexas.

Eles haviam seguido juntos para o quarto, mas se aprontaram em cômodos diferentes: ela, em seu quarto de vestir, com a ajuda de duas servas. Havia sido posta em um belo – e grande – vestido ocidental, presente do pai. Ele era azul-céu, bordado belamente; com mangas afofadas caídas aos ombros, o busto apertado em forma de espartilho e uma saia majestosamente rodada.

Uma maquiagem leve deu ênfase aos traços mais belos da rainha: seus olhos e lábios, e os longos cabelos escuros foram cuidadosamente – e com muito esforço – cacheados. A grande e significativa coroa que algum dia pertencera à Kushina fora sublimemente posta sobre sua cabeça, e assim que se sentiu pronta, Hinata se apresentou ao marido.

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Naruto se aprontava nos aposentos que dividia com Hinata; tinha aos seus pés – literalmente – duas jovens moças que o ajudavam a vestir aquelas irritantes roupas pomposas, quando Sasuke adentrou ao quarto.

– Majestade. – Ele curvou a fronte educadamente. – Uma visita. – Naruto estreitou as sobrancelhas, desacreditado.

– Quem?

– Eu. – O Uchiha fechou a porta sem cerimônias. – Preciso falar com você-... Com vossa majestade. – Corrigiu-se quando viu as servas surpresas – E quanto mais cedo, melhor.

– Pode dizer em quanto me visto...

– Sozinhos. – Ele esclareceu. O rei surpreendeu-se com a ansiedade implícita nos olhos do amigo, e com uma menção de cabeça, dispensou as ajudantes.

– Pois bem. – O loiro falou quando a última serva deixou o quarto. – Estamos sozinhos. Qual é o problema dessa vez? – Sasuke negou com a cabeça.

– Não é um problema, mas... – Suspirou longamente, e alisou o rosto, exasperado. – É algo que deve saber... – A hesitação de Sasuke fez com que Naruto se sentisse muito confuso e ligeiramente preocupado.

– Sasuke... O que foi? – Ele exigiu ansioso. Odiava sentir preocupação!

– Sakura... – Os olhos negros se ergueram. – Ela está grávida.

Aquela havia sido uma frase simples: curta e objetiva. Naruto nunca imaginou que algo tão simples pudesse abalá-lo de tal maneira.

Ele encarou debilmente o rosto do jovem guarda Uchiha, chocado. – Nós vamos ter um bebê. – Sasuke tornou a afirmar, respondendo a silenciosa pergunta que os olhos arregalados de Naruto lhe faziam. O rei continuou pasmo, olhando na direção dele como se esperasse que Sasuke se desmentisse, risse e admitisse que tudo não bastava de uma piada, mas tudo o que o Uchiha fez foi suspirar, alisar os cabelos, e tornar a falar: — Na verdade, já faz um tempo... – Ele coçou a nuca, tenso. – Mas não podemos mais omitir. A barriga vai começar a aparecer, então...

– Você... – Naruto o interrompeu. – Você... Realmente... Você vai ser pai! – Ele conseguiu exclamar, perturbado e inexplicavelmente raivoso.

Sasuke conteve o impulso de pedir desculpas, porque aquilo definitivamente não era algo que precisasse de desculpas. Ele pigarreou, tentando não se sentir constrangido; cruzou os braços e encarou o melhor amigo com seriedade. – Essa não é a questão, Naruto. O problema é seremos pais antes de vocês, mesmo que eu e Sakura tenhamos nos casado tanto tempo depois!... Talvez, graças a essa aliança, os comentários demorem a surgir... Mas, uma hora ou outra, vão aparecer. E quanto mais próximo meu filho estiver de nascer, mais próximo...

– Eu sei! – O loiro exclamou. – Quando souberem que terão um filho, vão começar a falar e falar... – Ele bagunçou a cabeleira clara, irritadiço. – Vão começar a questionar e cobrar Hinata como se ela fosse culpada! Eu sei disso!

– Vocês estão ao menos tentando?

– É claro que estamos tentando! – Naruto exclamou alto, frustrado. – Eu quero um filho da minha esposa! E nós estamos tentando, mas...

– Com que frequência? – Sasuke parecia impaciente.

– Pouca. – Naruto confessou. – Vê em quantos problemas fomos envolvidos? Em quantas dores de cabeça... Como poderíamos ter tempo para pensar nisso?!

– Naruto, isso é sério! – Sasuke exclamou. – Hinata pode ser deposta. Você compreende a gravidade disso? Sua prima é muito próxima de nós, em idade. Se Nagato sequer cogitar a possibilidade de casá-los... Ele pode muito bem começar um movimento para depor a rainha, e eles vão matá-la! Matá-la, porque não pode te dar um filho! E depois, decidir por você uma nova esposa. – Naruto riu sem humor.

– Qualquer um que cogitasse fazer mal à Hinata, antes teria que passar por mim. – Os olhos azuis cintilaram de fúria.

– Só... – Sasuke apertou os punhos e praguejou alto. – Só a faça engravidar logo!

E naquele instante, Hinata surgiu.

Surpreendeu-se com o fato de apenas os dois estarem ali, mas nada disse. Sasuke e Naruto pareciam estar desconfortáveis em sua presença, e nenhum dos dois parecia estar em seus melhores humores, mas interromperam qualquer coisa que discutiam no instante em que ouviram a porta se abrir. Ela temeu ter interrompido uma conversa importante, mas mesmo assim decidiu aproximar-se.

– Algum problema? – Questionou-os com hesitação, e os dois negaram ao mesmo tempo.

– Que problema poderia haver, minha querida? Nós conseguimos tudo o que ansiamos por meses! – Naruto segurou seu rosto gentilmente, e beijou-lhe os lábios devotadamente. – Você está linda. – Ela lhe sorriu em resposta, mas não parecia convencida. Ajeitou o colarinho da pomposa veste do soberano e estreitou as sobrancelhas escuras.

– Você inda não está pronto...

– Fui interrompido muitas vezes. – O rei tentou se explicar; Hinata anuiu. Ela virou-se à Sasuke e sorriu ao Uchiha.

– Do que estavam falando? – Tentou fazer com que sua curiosidade soasse casual, mas os dois sabiam que não era.

– Mamãe não poderá vir à festa. – Sasuke lhe disse. – Meu pai a avisou sobre a condenação de Obito e ela... Não está disposta. – Pelo menos era verdade , e Hinata ficou abalada o bastante para não duvidar.

– Eu... – Ela baixou os olhos. – Realmente lamento... – Sasuke anuiu.

– Nós também... – Ele suspirou.

– Como está o seu pai? – Sasuke deu os ombros, simplesmente.

– Meu pai é uma fortaleza. – Uma fortaleza de gelo, ele pensou. Naruto concordou com suas palavras. – Mas discutimos por algum tempo, Itachi eu e meu pai, e pensamos que o melhor seria que ele também não comparecesse. Como parte do alto escalão estará de guarda, seria uma boa desculpa. – O rei limitou-se a concordar.

E nada mais foi dito sobre o assunto.

~

Os convidados nobres começaram a chegar uma hora antes do combinado, mas tudo já estava pronto.

Não importava quanto durassem, não importava a razão porque eram feitos: para Naruto, bailes sempre eram iguais. Sempre a mesma comida, a mesma música, as mesmas pessoas. Sempre a mesma entrada triunfal, um discurso desinteressante a se fazer, mãos a apertar, damas a dançar.

Na verdade, ele estava de muito mau humor. Não conseguia tirar os olhos de Sasuke e Sakura – os únicos Uchihas presentes na festa como convidados, uma vez que Kasumi havia ficado ao lado da sogra, Fugaku estava em ronda e Itachi, reunido com os conselheiros – por nem um instante, e sentiu-se terrível por invejá-los. Sak parecia iluminada de alegria, e ainda que ele ficasse feliz por isso, não conseguiu deixar de se perguntar como Hinata reagiria, quando lhe desse a notícia.

Porque ele tinha que dizer a ela.

Possivelmente ficaria chocada. Ofereceria um sorriso forçado ao marido, e diria “devemos dar algo bonito para a criança”. Talvez passasse o resto da noite calada, encarando as estelas... E então, quando se deitasse após fazer amor, começaria a chorar de culpa. Culpa por não poder dar a Naruto um filho que ela devia querer mais do que qualquer coisa.

Ainda que a culpa fosse dele.

– Pode sentir o gostinho de trabalho bem feito, enquanto olha para esse salão? – Hinata questionou num tom que apenas ele podia ouvir, animada ao admirar a decoração. – Realmente! As flores são a alma de qualquer baile. A senhora Akimichi é extremamente talentosa! – Naruto lhe ofereceu um sorriso.

– Então devemos mandar algo para ela... Uma medalha de melhor florista, o que acha? – Hina fez uma careta que fê-lo rir.

– Não uma medalha, mas poderíamos fazer algo por ela... – Hinata suspirou longamente. – Bem, posso pensar no quê quando essa festa acabar.

– O que vai acontecer logo. – Naruto constatou ao observar três criados prepararem algo no centro do local. – Devem ser os papeis que precisamos assinar... – O sentimento de ansiedade acalmou-se no instante em que as mãos pequenas e quentes, escondidas pelas luvas de renda branca, alisaram seu rosto.

– Tudo vai dar certo. – Hinata murmurou num sorriso que foi imediatamente retribuído. Naruto puxou seu pulso, segurou sua mão e carinhosamente beijou os dedos pequenos, sem quebrar o contato visual.

– Vamos, majestade... – Murmurou baixo, e gentilmente puxou-a até o centro do salão de bailes, ao mesmo tempo em que Nagato e a filha; caminhavam até a mesa alta que havia sido levada há segundos.

Konan e Yahiko, embora próximos, haviam permitido uma distância prudente da família real, e observaram sem muita atenção Naruto começar um discurso que, basicamente, dizia o quanto se sentia feliz por firmar aquele acordo. – Nós conseguimos... – Yahiko murmurou com um sorriso de claro orgulho.

– Sim... – Konan também sorriu, embora fosse um sorriso tristonho. Baixou a cabeça, pensativa. – Mas sacrificamos um homem para isso... – Yahiko estreitou os olhos, e fitou-a de soslaio.

– Por Deus, Konan... – Ele murmurou em um tom audível apenas para ela; tornou a olhar na direção da família real, e a sorrir como um boneco. – Ele não vai ser sacrificado porcaria nenhuma. – Sussurrou irritado, embora não demonstrasse nenhuma irritação em suas feições. – Me jogo de uma ponte, se aquele homem não tiver um meio de fuga. – E no instante em que o rei parou de falar, todos aplaudiram.

Naruto e Nagato aproximaram-se da mesa, sorrindo ansiosamente um para o outro; sobre ela uma carta longa e grande – em que Shikamaru havia trabalhado por noites a fio –, de título “Aliança” havia sido posta; um tinteiro e uma pena longa desnecessariamente chamativa e duas idênticas taças de vinho já servidas.

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Obito suspirou longamente, e encarou o teto.

A prisão estava silenciosa e, com exceção do pobre soldado desimportante que guardava a porta daquele corredor, solitária.

Mikoto não havia aparecido àquela manhã, então Obito imaginava que talvez ele já soubesse. Ele suspirou longamente; sentou-se com um pouco de dificuldade – pois os resultados da tortura, mesmo depois daquele tempo, ainda faziam seu corpo doer.

Foi quando ouviu um barulho.

O familiar som de uma lâmina cortando a carne de alguém, e um gemido de dor facilmente abafado. Ainda assim, Obito não fez menção em se levantar.

Mesmo quando ouviu o som das chaves, e da porta do corredor se abrindo, não moveu um músculo sequer.

Passos calmos ecoaram pelo corredor vazio, e o barulho do molho de chaves tornava-se cada vez mais próximo. Os passos apenas cessaram quando em frente à sua cela. Foi só então que ele se obrigou a erguer o olhar.

– Ora, ora... Se não é Obito Uchiha... – O homem murmurou com um sorriso divertido. Era alto e pálido, e se vestia como criados prontos para servir em festas; possuía uma incomum cabeleira esverdeada e seus olhos, exoticamente amarelados eram grandes e assustadores, mas o Uchiha não parecia nenhum pouco amedrontado.

– Ora, ora... Se não é o Tobi Zetsu. – O criado riu alto.

– Você se lembra de mim! Fico muito feliz por isso, senhor Uchiha. – Ele se curvou com falsa admiração.

– Finalmente veio me matar? – O condenado perguntou casualmente, embora não acreditasse nisso. A resposta do homem foi um sorriso.

Ele testou cada chave do molho na fechadura da cela, uma por uma, e só na sétima delas o clique da fechadura se abrindo pôde ser aberto. – Vim dá-lo liberdade, Obito. – Por um segundo, o mercenário hesitou.

Tudo o que conseguiu pensar, naquele momento foi: “você está me mandando de volta para a prisão”, mas nada disse. – Vamos... – Tobi insistiu. – Você não quer deixar o chefe esperando... Ouvi dizer que ele tem um grande poder de persuasão sobre você, ainda que seja um rebelde.

Sem deixar a frieza do olhar, Obito levantou-se. Aceitou o manto que o outro lhe oferecera e vestiu-se num segundo. – Por que a prisão está vazia hoje?

Tobi deu os ombros.

– A Akatsuki e Konoha estão assinando uma aliança. – Explicou simplesmente, e Obito parou de andar no meio do corredor.

– E o que foi feito para impedir isso? – A pergunta soou como se ele não tivesse nem a mínima dúvida de que algo havia sido arranjado para impedi-la, e aquela certeza fez o outro rir.

– Absolutamente nada. – Tobi garantiu, e Obito estreitou os olhos com desconfiança. – A aliança não é um problema, senhor Uchiha. – O homem lhe explicou. – Então, não há motivos para querer atrapalhar. Se eles querem assinar, que assinem, maldição! Os problemas sempre acontecem depois disso. – Os olhos amarelos o encararam de soslaio. – Gosta de plantas, Obito? Bem, eu gosto muito delas... Mas acho que os Uzumaki não vão gostar muito, depois do brinde desta noite.

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Naruto e Nagato selaram aquele acordo como bem deveria ser: duas assinaturas, o selo real que comprovava sua autenticidade e um abraço verdadeiramente satisfeito, verdadeiramente fraternal.

As palmas e as exclamações de “viva!” soavam como uma música de fundo para ambos, enquanto eles davam as mãos em um aperto cordial, cheio de esperanças para o novo amanhã.

Criados ofereceram taças à Hinata e Karin, e cada um dos Uzumaki pegou uma das que descansavam sobre a mesa. – A partir de hoje, — Naruto falou em voz alta, erguendo sua taça. – A vila da Chuva e Konoha são apenas um! A partir de hoje, nossa família será unida! – Sorriu ao parente e ambos brindaram alegremente.

Nagato foi o primeiro a virar a taça; inicialmente, incomodou-se com o gosto estranho do vinho; ele olhou curiosamente para os demais, mas ao vê-los prosseguirem com a bebida, decidiu tomá-lo em um só gole.

A pior e mais idiota decisão de todas.

Os gritos de comemoração continuavam, altos e alegres à sua volta, mas ele se sentiu estranho. Tentou apoiar-se na mesa, zonzo, e apenas Naruto pôde perceber que se sentia indisposto. – Nagato? – Ele se aproximou. – Você está bem? – Mas antes de ter uma resposta, a taça desabou das mãos trêmulas do príncipe, que aos poucos se sentou ao chão. O som fez com que Karin percebesse que algo estranho ocorria.

Ela viu Naruto e Nagato agacharem-se lentamente, mas não soube compreender o que acontecia.

Naruto tentou apoiá-lo de alguma maneira; tentou fazer com que ele não caísse ao chão, mas foi inevitável. E o rei simplesmente não soube como reagir quando o corpo do outro começou a tremer convulsivamente.

– Nagato! – Exclamou, apavorado. – Nagato!

– Pai! – Assim que recuperada do choque, Karin se apressou em aproximar-se; ajoelhou-se, pálida e assim como o rei, tentou, de todas as maneiras, fazer com que o príncipe reagisse. – Pai... Papai!

E então, tão repentinamente como havia começado, o corpo parou de se debater.

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Obito foi guiado por muitos dos corredores da Torre.

Os guardas a postos sequer preocupavam-se em desviar os olhos da porta, quando passavam por elas; ainda que o reconhecesse, nenhum deles se preocupava em esboçar reação. Ao lado de Tobi, Obito se tornava invisível.

Eles pararam à frente de um dos escritórios que ficava dentro dos aposentos militares; as portas estavam desprotegidas, aquilo não era importante. Tobi abriu-as simplesmente, sem preocupações, e sorriu ao homem que esperava lá dentro, sentado atrás de uma mesa grande, extremamente despreocupado. – Eu trouxe o prisioneiro, senhor.

– Mande-o entrar. – O homem o instruiu, e o pálido Zetsu assim o fez.

Com muita hesitação, Obito adentrou no grande e impotente cômodo que há muito não visitava; ele afastou manta negra de sua cabeça com lentidão e falta de vontade, e ergueu os olhos frios até o sorridente homem à sua frente.

Fugaku Uchiha, o traidor do país do Fogo.

Notas finais
Pois é! Enfim, um dos mistérios foi revelado! ;) Eu fiz exatamente tudo o que eu queria ter feito nesse capítulo, e fico muito feliz por isso! Eu aposto que alguns dos leitores vão ficar: "Eu sabia!", e estou ansiosa para saber se consegui surpreender alguém! XDD Nossa, eu realmente to cansada. Pode parecer besteira, mas como é aniversário da Fic, eu realmente me esforcei ao máximo... Queria trazer pra vocês um capítulo emocionante, impactante! Espero que eu tenha conseguido, ao menos, surpreendê-los! Mais uma vez, agradeço a todos! Aos leitores que leem, aos que comentam, aos que recomendam... A todos vocês! Aos novos, e aos leitores que estão com a tia Candy desde o começo! Obrigada por fazer com que TK chegue até aqui! Obrigada por fazer com que eu tenha coragem de continuar, mesmo sendo tão difícil! Obrigada por dividirem uma parte tão importante da minha vida... Porque, mesmo que pareça besteira... As minhas histórias, para mim, são uma grande parte da minha vida; e apesar do trabalho, do esforço e das noites mal dormidas (sim!! eu passo por tudo isso pra escrever! xD), é a melhor parte da minha vida! Até semana que vem, pessoal! E parabéns pra TK! O/