Notas iniciais
Gente, olha que emoção. :v Parece que faz um século desde a última vez que eu postei, rsrsrs... Snif, snif, snif... De verdade, pessoinhas! Eu sinto muito! Acabei entrando em um hiatus não planejado, que na realidade, foi ocasionado por um súbito e terrível bloqueio mental. Um bloqueio extremamente forte, que essa autora sinceramente não deseja para ninguém. Faz mais de três meses que eu não posto, e eu do fundo do meu coração lamento por isso!... ;-; Quero deixar bem claro que em nenhum momento eu pensei em desistir da fic, e ainda não penso, mas muitas coisas aconteceram. Ah~!!! Eu tenho tanta coisa pra falar aos meus amados leitores~!! Mas primeiro quero agradecer, como sempre. Agradecimentos especiais à Hinatinhagueixa, autora da 47ª recomendação da fic! E agradecimentos (também lindos e especiais) a todos os que comentaram, stalkearam e cobraram a tia Candy, mesmo depois de tooooda essa demora pra postar! Obrigada por estarem do meu lado! ~ Bem, como vocês sabem, como é de costume, eu viajei ao Rio. Passei as férias com o meu querido namorado que agora... huhuhu' É O MEU NOIVO! É isso aí, pessoinhas lindas! A Tia Candy vai casar! 8Dv Meu amado honey-honey me pediu na virada do ano. Um pedido constrangedoramente lindo, que me emocionou de tal maneira que eu me envergonho só de lembrar! sz~ A tia Candy ganhou um anel de noivado como sempre sonhou!... Um anel lindo, prateado, brilhante e com uma pedrinha de coração azul! *-* Fuaa~... Meu coração queima só de lembrar... Como vocês podem perceber, eu estou no ápice da minha paixão. Então foi realmente muito difícil me separar do meu noivo nessa última viagem. Falando sério, eu fiquei bastante deprimida... Tanto que meio que afundei no trabalho e nas ideias do casamento pra tentar espairecer um pouco, sabe? E acabei não conseguindo terminar o capítulo até então. Eu sinto muitíssimo pela espera de vocês, mas torço para que valha a pena! Esse capítulo foi um verdadeiro parto pra sair, mas eu espero que vocês compreendam. Até porque o coração da tia Candy está quebrado. s/z É incrível, não é? Como você pode ficar estupendamente feliz com uma coisa e ao mesmo tempo depressiva por outra. Oo Eu acho que sou uma pessoa muito estranha, mas é exatamente isso o que eu estou sentindo por esses dias HUSAUHASHUA Extrema tristeza pela separação, imensa alegria pelo noivado. Mais uma vez eu agradeço por tudo, pessoal! Espero que curtam o capítulo. Tia Candy quase se matou pra escrever, mas acho que ficou bom, rsrsrs... Boa leitura! sz

Capítulo 54 – Acordos.

Quanto tempo havia se passado?

Desde que tinha despertado Naruto não conseguia deixar de se perguntar.

Talvez fossem semanas?... Quem sabe meses? Francamente, ele não sabia. Não importava o quão desesperado e aflito estivesse por uma resposta, não fazia nem ideia.

Tsunade lhe afirmara que mal se passara uma semana, mas o Uzumaki não sabia se podia acreditar. Como poderia ter certeza, afinal?!... Todos estavam estupidamente preocupados com o estado físico e psicológico do Rei. E Naruto sabia que, para protegê-lo, ninguém se importaria em contá-lo mentiras.

Sentia-se tão frustrado, tão furioso que toda aquela preocupação lhe parecia lixo.

Como poderiam se preocupar com ele, quando Hinata estava presa?!

– Nós vamos ter um bebê...

Apertou seus olhos.

Aquela frase não deixava de torturá-lo nem por um segundo.

Ele não podia ficar parado ali, hospedado em uma cabana que ficava só Deus sabe onde, sendo tratado pela melhor médica do país, enquanto sua esposa e seu filho estavam presos nas mãos do mesmo homem que havia matado os seus pais!

Tinha que fazer alguma coisa... Qualquer coisa!

Tinha que salvá-la agora! Imediatamente!

– Porcaria! – Exclamou alto, irritado.

A ponta da agulha havia transpassado por seu peito repentinamente. Até segundos atrás ele estava consciente de que a princesa Tsunade refaria os seus pontos (pela terceira vez desde que havia acordado), mas sua mente havia alcançado um lugar tão distante...

– Fique quieto e relaxe. – Ela ordenou. – Se ficar nervoso vai doer.

Naruto franziu os lábios.

Falar era fácil!

Ele apertou os olhos e esperou a agulha perfurar sua pele mais uma vez. Tsunade era cautelosa, mas a linha que haviam arranjado para seus pontos era irritantemente grossa, o que tornava tudo mais doloroso.

Tentou respirar fundo e se concentrar.

Eram quatro pontos no peito. Só precisava agüentar mais três.

Ele apertou os punhos com força no segundo ponto; fechou os olhos e enrijeceu o maxilar. Deu seu máximo para não praguejar em voz alta e se esforçou muito para não se mover enquanto a avó trabalhava, mas no último ponto, ele grunhiu.

Não havia sido um som muito alto, mas ecoou por toda a extensão da cabana.

Tsunade resmungou de maneira irritadiça. Ela parecia cada vez mais insatisfeita com seu inquieto paciente.

– Se você tentasse se acalmar, os seus pontos não estourariam.

Reclamou em tom alto e grosseiro, claramente contrariada.

Naruto tinha plena consciência de que a mulher tinha razão, mas ainda assim bufou malcriadamente. Ele sabia que devia manter a calma e pensar de maneira otimista; sabia que todas aquelas reclamações só serviriam para fazer uma situação já ruim ficar pior, mas era simplesmente impossível conter os seus impulsos.

Como ele poderia se acalmar quando tantas dúvidas, tantos medos e tantas incertezas invadiam sua mente? Como se acalmar quando sua alma, tanto quanto seu coração havia sido despedaçada graças ao sentimento de impotência?

Hinata estava presa.

A mulher que ele amava estava presa.

A mulher que ele amava estava presa e grávida, carregando seu filho... E ele não podia fazer nada, além de esperar por notícias naquela maldita cabana.

Como qualquer um podia esperar que ele se acalmasse?!

– Suzuki vai tirá-la de lá.

Tsunade afirmou lentamente, com um tom de voz suave, arrependida pela acidez da bronca anterior.

Ela compreendia perfeitamente os sentimentos de seu neto, e por isso estava se esforçando para não se irritar com todo o mau humor e frustração que pareciam exalar pelo corpo do garoto de Kushina...

Afinal, assim como sua mãe, Naruto sempre havia tido uma personalidade forte.

Tsunade era sua avó, sua tutora e também a princesa anciã do Reino. Tinha o dever instruí-lo, apoiá-lo e acalmá-lo quando necessário, portanto devia ser paciente.

– Será mesmo, vovó...? – A voz dele soou baixa. Um murmúrio aflito. – Ou será que vão tentar matá-la, como fizeram comigo...?

Ela tinha que admitir: era uma possibilidade plausível. Mas Tsunade se recusava a ser tão pessimista a ponto de considerá-la realmente.

– Acho que pensar nisso só vai deixá-lo mais ansioso. E ansiedade resulta nisso.

De maneira repentina, ela apertou os fios do ponto. Naruto gemeu alto e se encolheu; encarou a avó como se ela fosse algum tipo de inimigo cruel e maligno, mas embora seus olhos dissessem muita coisa, nada saiu de seus lábios.

– Preste atenção, garoto. – Ela cortou o fio grosso enquanto falava. – Gaara está lá, e pelo menos oficialmente ainda há uma aliança a ser respeitada. – Banhou com álcool um pedaço de gaze e cuidadosamente limpou os resquícios de sangue que os pontos haviam deixado. – Por isso, sossegue.

Naruto revirou os olhos.

Como se Fugaku fosse se importar com o fato de terem ou não uma aliança.

– Eles precisam se livrar da Hinata para Karin se tornar a rainha de verdade, mas a própria Karin não deseja sua morte... Suzuki vai propor exilá-la do reino e, francamente, eles teriam que ser muito estúpidos para não enxergar isso como a melhor solução.

E dito isso, se calou.

Naruto estava insuportavelmente aflito, irritantemente ansioso, e a princesa sabia que qualquer coisa que lhe dissesse apenas serviria para aumentar a frustração causada por sua impotência. Ela sabia que o melhor a se fazer era se calar, mas já estava cansada de tanto pessimismo.

O silêncio perdurou. Naruto observou a avó depositar a agulha mediana dentro de um recipiente pequeno de prata cheio de álcool para beber. Tsunade prosseguiu o trabalho, desenrolando ataduras para cobrir os pontos, mas os olhos azuis do Rei continuaram fixos à agulha, assistindo debilmente seu sangue se soltar do metal para se espalhar pelo líquido de forte odor.

Seu sangue...

– Se descobrirem sobre a gravidez... O meu filho...

Tsunade suspirou longamente.

– Por que acha que Suzuki está agindo tão rápido?... Ela não é uma mulher imprudente, filho. Mas ama Hinata mais do que tudo. – Ela estreitou olhos. – Tenha certeza de que Suzuki não vai medir esforços para salvar a filha.

~

Suzuki não sabia o que estava fazendo.

De fato, não sabia nem como estava fazendo.

Estava de braços dados com um jovem líder de Estado (que surpreendentemente devia ter mais ou menos a idade de sua filha mais velha!) enquanto caminhava firmemente, de nariz empinado, na direção de uma rainha fajuta.

Uma rainha fajuta que roubara não só a coroa, como a liberdade de sua filha.

A viúva Hyuuga tinha total consciência de que todos os que estavam reunidos naquela imensa sala do trono tinham seus olhos e atenção, completamente fixos a ela, e apenas ela.

E isso, definitivamente, não era algo com que Suzuki estava habituada.

Nunca tivera muita atenção da sociedade, afinal. Nem nos poucos anos em que havia debutado. Anos em que havia sido considerado bela, mas não à altura da deslumbrante Kurenai Yuuhi; educada, mas não tanto quanto a doce Rin Nohara, e elegante, embora não chegasse aos pés de sua fascinante irmã, agora falecida.

Não.

Ela absolutamente não estava acostumada com a atenção da sociedade.

E agora todos estavam olhando para ela. Não com curiosidade, não com surpresa... Percebeu que a olhavam como fosse algum tipo de monstro. Uma criatura vinda de outro mundo.

Era no mínimo intimidador.

Suzuki não podia ouvi-los, embora os murmúrios comentados não fossem exatamente baixos. Mesmo assim, bastava olhar para a expressão de um ou outro para desvendar o que passava por suas mentes.

“Que ela tem na cabeça para desafiar o duque?!”

“Por que apareceu agora, justamente no dia da coroação?!”

“Os mercenários irão decepá-la assim que se pôr à frente deles”

Refletindo, Suzuki percebeu que talvez aqueles pensamentos fossem um reflexo de seus próprios medos... Talvez fosse a voz da pequena parte sã que ainda restava na em sua consciência desgastada.

Consciência que simplesmente se apagava, no instante em que pensava na figura de sua filha presa, solitária e isolada do resto do mundo.

No instante em que sua mente era preenchida com as memórias da menina que a havia escolhido como mãe, tantos anos atrás...

Memórias do dia do nascimento da tão esperada e preciosa Hinata, quando a adorável recém nascida havia puxado e apertado o seu dedo com as duas pequenas mãozinhas macias enquanto a tia tentava vesti-la para apresentá-la ao resto da família.

Memórias do bebê inocente que, no dia mais triste de todos, havia procurado em seus cabelos o cheiro da mãe que havia perdido tão cedo... Dos olhos grandes, brilhantes e curiosos que procuravam uma resposta para o choro inconsolável da tia, e do sorriso que preenchera o coração de Suzuki, tão cheio de raiva e rancor causados pelo assassinato da irmã, com o mais puro amor que podia existir.

Da garotinha que havia chorado com seu primo, por um tio que ela sequer se lembrava realmente... E da pequena princesa que, embora houvesse perdido seu título antes mesmo de conquistá-lo, sofrera puramente pela perda de seu amado companheiro de brincadeiras.

Lembranças da menininha que lhe pedia histórias antes de dormir, e que se sentava no colo da madrinha durante toda e qualquer visita, ansiosa para aprender bonitas músicas de piano.

Suzuki sentiu uma pontada dolorosa no coração.

Ela ergueu o rosto e encarou Fugaku com os olhos frios. Esperava que neles estivessem estampados todo o seu ódio, toda a sua raiva e decepção. Esperava que lhe dissessem “Mikoto cuspiria em você”, porque era o que ela mesma queria dizer.

Tão logo quanto pôde, sentindo-se enojada com a cara hipócrita do duque, a Hyuuga tornou a encarar a tola usurpadora. Não precisou se esforçar para mostrar-se superior, porque de fato se sentia superior à todos aqueles malditos ladrões.

– Ora, falsa majestade...

Ela esboçou um sorriso. O mais desdenhoso e provocador que pôde colocar no rosto, em direção à claramente chocada Uzumaki.

– Não fique tão surpresa. Eu esperei ansiosamente por esse dia, afinal...

Karin parecia tão confusa, tão perdida, que Suzuki quase sentiu pena.

Quase.

– Estou aqui para fazer um acordo, não se preocupe. – Seu sorriso tornou-se ligeiramente zombeteiro.

–... Acordo...?!

A menina balbuciou lentamente, sem compreender a situação.

Quem era aquela mulher...? O que queria?

Por que estava com o Kazekage?!

A cabeça de Karin, que já doía antes, começou a latejar. Tanto que ela pensou que cairia a qualquer momento, na frente de todos – e de fato foi uma verdadeira sorte não acontecer.

– É claro, querida...

Fosse quem fosse aquela mulher, Karin percebeu que a desprezava. E ao que parecia não sentia a menor hesitação, nem o mínimo de desconforto ao demonstrar isso aos outros.

– Eu sou Suzuki Hyuuga. – Se apresentou com uma leve mesura, não tão formal quanto devia se esperar diante de uma rainha recém coroada. – Há semanas venho tentando contatá-la, mas...

Suzuki forçou uma risada, uma risada falsa e desprezível, que pareceu ecoar por toda a extensa sala, que agora estava completamente silenciosa.

– É claro que é impossível, visto que preparavam essa tola cerimônia.

A Hyuuga quase podia sentir o ódio que expurgava dos olhos negros do duque.

Quase podia sentir a sede de sangue vinda daquele mercenário ruivo.

Embora fosse realmente intimidador, aquilo mais serviu para enfurecê-la do que para assustá-la. Afinal de contas, eles eram os intrusos na Torre. Eles eram os traidores da família real, e não ela!

A mãe de Hinata não precisou de muito esforço para lançar um olhar de desprezo ao redor; um olhar que foi direcionado não só aos convidados, como aos organizadores e à festa em si. Ela viu e encarou cada um dos membros da corte, incluindo os Inuzuka e, entre eles, Kiba.

Desprezou cada um deles.

Odiou cada um deles.

Quando voltou a encarar a rainha, estava tão furiosa e disposta a matar quanto qualquer um dos dois mercenários que faziam a guarda da menina ruiva.

– Será que agora, que está com a maldita coroa, — Ela falou de modo rude, sem medir – e nem pensar nisso! – as consequências. – Poderíamos falar sobre a liberdade da minha filha?

.

Mal havia passado quinze minutos desde a frustrante surpresa da maldita viúva Hyuuga quando Fugaku decidiu terminar a festa. De um jeito bastante educado e elegante, ele empurrou toda a corja da corte para fora do castelo, e pediu aos malditos Akatsukis que o esperassem no novo escritório de Karin.

Naquele momento, tudo o que ele mais desejava saber era como diabos aquela mulher tinha conseguido invadir a coroação. Havia visto e revisto o plano de segurança proposto por Itachi e depois de checar tudo com seus próprios olhos, sabia que era impossível que ela tivesse por outro lugar que não fosse a porta da frente.

Era a única maldita brecha.

A única maldita chance de falha.

Mas só de pensar em Suzuki adentrando tranquilamente, justamente pela porta da frente – provavelmente enquanto com a ajuda do maldito traidor de Suna – era frustrante. Frustrante ao ponto de ser ridícula!

Se fosse o caso, obviamente o soldado instruído a receber os convidados era tolo e desinformado. Ou pior: um traidor, que facilitaria a entrada da viúva Hyuuga.

Fugaku praguejou baixo.

Ele mesmo havia distribuído seus homens!

– Eu vou matar essa maldita bastarda! – Ele exclamou em voz alta, furiosa e repentinamente. Embora soubesse que apesar de tudo, jamais seria capaz de fazê-lo.

Cada músculo de seu corpo tremia de irritação.

Sabia que uma oura ou outra Suzuki Hyuuga se mostraria um problema, pelo menos uma dor de cabeça... Mas tão cedo? E justamente no dia da coroação!... Aquela maldita só podia estar tentando provocá-lo.

Testá-lo.

Desafiá-lo.

– Qual é o problema?

Itachi soou desinteressado, quase entediado. Mas sua aparição foi tão repentina que Fugaku sentiu o coração saltar de surpresa. O Uchiha mais jovem fingiu não perceber a exaltação do pai, apenas para que o duque se sentisse mais a vontade.

– Isso não é a chave para a solução dos nossos problemas?... Quero dizer, exilar a Hinata.

Fugaku estreitou os olhos negros e encarou o filho com desconfiança palpável.

– Sei que não quer machucá-la.

Na verdade, ele não sabia.

Não fazia nem ideia dos reais sentimentos do Uchiha pela Rainha, mas esperava, com todas as suas forças, que o pai não fosse frio o suficiente para fingir todo o apreço e carinho que havia demonstrado por sua afilhada durante todos aqueles anos.

– Ela ainda é um risco. Kurenai disse que sim, mas não confio nela. E ainda não confirmei se as regras de Hinata estão ou não em ordem.

Itachi sentiu o estômago revirar.

– Ela não engravidou por um ano inteiro, milord. – Itachi sorriu em tom zombeteiro, embora sentisse todos os seus músculos rígidos. – Seria muita má sorte acontecer justamente agora. Não acha? Além disso, mesmo que ela estivesse grávida antes disso tudo, nenhum bebê...

Ele sentiu sua mente pesar.

Mesmo sem querer, a imagem da sorridente Kasumi alisando a barriga saliente inundou sua cabeça.

–... Nenhum bebê ia agüentar...

– Uzumakis são como baratas. – Fugaku resmungou. Sequer percebera a súbita mudança no tom de voz do filho. – Também se proliferam com extrema facilidade, nos momentos mais indesejados. Temos que ser cuidadosos.

–... Mesmo assim... – Itachi pigarreou. – Estando aqui ou estando exilada... De qualquer forma nós vamos observá-la. Exilando, agradamos a princesa, o Kazekage e, de quebra, fazemos a viúva sossegar...

– E qual é o seu interesse nisso? – Fugaku o interrompeu. – Se é que posso saber.

Seu primogênito se limitou a dar de ombros.

– Eu nunca disse que concordava com as suas ações. – Ele foi sincero, porque a sinceridade era sempre pintava a melhor máscara de todas. – Estou aqui por minha família, mas nem por isso quero ver a Hinata perdida.

O duque não o respondeu.

Ele permaneceu imóvel por um instante que pareceu eterno, encarando de maneira desconfiada. Itachi sentiu que o pai estava disposto a questionar cada uma de suas ações, atitudes e sentimentos, mas ao invés disso...

– Aquela mulher me desafiou. – Ele disse. – Esse é o problema.

E era mesmo verdade.

Ainda que tivesse consciência de que precisava se livrar de Hinata para manter Karin como verdadeira e única rainha do trono do Fogo, o duque não queria fazer mal à alguém que um dia havia sido tão amada por sua Mikoto.

Mas ninguém desafiava Fugaku Uchiha e saía ileso.

– Pelo amor de Deus! A filha dela está presa e esperando a morte!

Itachi apressou o passo; colocou-se na frente do pai, obrigando-o a parar.

– Não fez isso por você, fez isso por ela. Pela Hinata!... O que você faria se estivesse no lugar dela?!

Fugaku estreitou os lábios.

– Entendo o que está falando, Itachi. Mas...

– E o Sasuke?

O pai se calou.

– Essa é uma oportunidade. Será que não consegue enxergar?!... Os acordos são a melhor forma de se vencer uma guerra. Foi você quem me ensinou isso, lembra? – Os olhos negros do mais velho se fixaram no rosto do filho. – Já está na hora de acabar com essa guerra, não é?... Então engula o seu orgulho, milord. Você pode falar com a princesa, nós sabemos que ela vai aceitar... Depois disso, aqueles mercenários não terão como reagir.

~

O escritório de Fugaku Uchiha na Torre era tão grande, sombrio e imponente quanto o seu dono. Um lugar frio e escuro, com paredes altas de um tom que ficava entre o vermelho e o vinho, móveis e mobília de mogno avermelhado e carpete de madeira escura.

Suas janelas, embora altas e largas, eram amplamente escondidas por cortinas grandes e pesadas, de cor tão vermelha quanto sangue e com uma série de abstratos detalhes em dourado.

Seria tudo muito elegante – friamente elegante – se não fossem os livros. Eram tantos que as estantes saturadas já não agüentavam mais exemplares. Consequentemente, o cão amontoava pilhas de livros, muitos deles estrangeiros, escritos de um jeito que Suzuki mal conseguia ler seus títulos.

Não era muito elegante, mas... De alguma forma, aspirava organização.

Até a última e mais baixa pilha de livro, tudo era organizado.

Surpreendentemente organizado.

Incompreensivelmente organizado...

Sufocante.

Suzuki Hyuuga seria uma tola se não se sentisse acuada dentro daquele lugar. Mas seria ainda mais tola se o admitisse em voz alta, especialmente na presença daquele homem odioso.

Então continuou em pé, frente a frente com o duque traidor. Encarando-o como se Fugaku Uchiha fosse a criatura mais desprezível e inferior de todo o universo.

Talvez ele fosse mesmo.

Eles não estavam sozinhos no escritório do homem. Claro que não!

Depois da desastrosa cena durante a coroação de Karin, Suzuki e seus companheiros haviam sido imediatamente retirados da sala do trono. Haviam sido praticamente escorraçados, afastados tão rápido quanto possível do resto da corte.

Foram guiados por dois guardas bastante velhos, até uma sala que Shisui logo avisou pertencer ao duque. Tudo isso enquanto os tolos convidados prosseguiam com aquele estúpido teatro, fingindo idiotamente não terem presenciado a clara afronta ao duque e a princesinha marionete, suposta nova rainha.

Embora tivesse sido assustador, a senhora Hyuuga se sentia sinceramente divertida com toda a situação. Ela gostou especialmente do fato de Fugaku surgir no escritório tão cedo com a princesa e seus mercenários, sinal de que haviam ou adiado ou diminuído o tempo da comemoração.

Itachi também havia sido convidado para aquela reunião, ironicamente.

Era engraçado ver o rapaz que não só havia contribuído como também tinha pensado e planejado toda a situação, ao lado oposto ao que realmente estava e em uma posição de confiança. Suzuki tentou não dar muita atenção ao herdeiro dos Uchiha, mas era simplesmente cômico ver o quanto Fugaku confiava no filho que o traía descaradamente, bem debaixo de seu nariz.

Naquele momento todos os reunidos estavam ocupados cumprindo os termos para que aquela discussão seguisse de forma minimamente passiva. Kakashi e Shisui estavam lidando com Yahiko e outro Akatsuki, desarmando e sendo desarmados, enquanto o garoto Kazekage estava sendo revistado por Itachi.

A mulher mercenária se mantinha sentada ao lado de Karin, e tinha uma postura muito semelhante à de uma leoa próxima ao seu filhote.

Aparentemente Fugaku havia decidido cuidar de Suzuki.

– Erga os braços. – ele ordenou em dado momento. Seu tom de voz foi tão autoritário e grosseiro que Suzuki teve certeza de que estava tentando intimidá-la.

Lentamente, a viúva Hyuuga levou os olhos claros até os negros do Uchiha.

Eles não estavam exatamente distantes do resto do grupo reunido naquela [exageradamente grande] sala, mas naquele momento sentiram-se distantes. Como se uma camada do ódio que sentiam um pelo outro os separassem dos demais.

Como se estivessem presos em seu mundo de ódio, ameaças silenciosas e provocação, tudo misturado àquela intensa troca de olhares.

Como dois apaixonados às avessas.

Suzuki o encarou com firmeza e frieza, tanta que Fugaku esboçou um sorriso de canto. – Sem armas. Não foi essa a condição?... Então. Preciso revistá-la.

A sobrancelha negra da viúva se estreitou ligeiramente. Ela lançou um olhar sugestivo à bainha ainda carregada, presa ao uniforme do Uchiha. – Não vejo motivo para me livrar dela. — Explicou. – Não preciso disso para arrancar o seu pescoço, Suzuki.

Ela forçou uma risada divertida, embora tivesse lhe causado um arrepio.

– Gostaria de vê-lo tentar! – Exclamou alto, e enfim ergueu os braços. – Fique à vontade, milord. – O sorriso dela era pura provocação. – Essa vai ser a primeira e a última vez que vai me tocar.

Ele arqueou as sobrancelhas por um instante, mas sua expressão tornou à frieza habitual quando começou a trabalhar. Tal como a personalidade de Fugaku, suas mãos eram frias, rígidas, duras e ásperas, o que só tornava a situação ainda mais desconfortável.

Suzuki sabia que ele a estava machucando propositalmente. Apalpando com mais força que o necessário, em lugares que não deviam ser exatamente necessários, apenas para atormentá-la.

Era horrível. Repugnante! E ela realmente pensou que ia começar a chorar.

O duque estava com raiva. Furioso, até.

Ficara desconsertado com sua atitude, e agora estava se vingando.

Ele certamente havia passado semanas longas e trabalhosas, talvez até noites em claro enquanto planejava cuidadosamente cada detalhe da coroação, desde a segurança até os tira-gostos, de modo que tudo ocorresse de forma impecável.

O imbecil sequer devia sonhar com a traição do filho.

Ela apertou os olhos e respirou fundo quando sentiu a pressão desnecessária sobre a liga da meia. Era extremamente desnecessário, mas os dedos gélidos e nojentos lentamente adentraram em uma das meias da viúva.

– Já chega.

A voz de Shisui soou autoritária, e só então Suzuki e Fugaku puderam perceber que ele havia se aproximado.

Quando abriu os olhos, a Hyuuga pôde vê-lo agarrando firmemente o pulso do irmão por dentro do vestido erguido. O duque parecia bastante divertido, tanto com o olhar severo do irmão mais jovem quanto com o pavor de sua vítima.

– Pensei que ficaria feliz se o encontrasse com vida, Shisui...

Ele murmurou num tom que apenas os três poderiam ouvir, pois só a ideia de dar à Akatsuki o conhecimento de mais um Uchiha traidor afetava os seus nervos.

– Mas neste momento tudo o que quero fazer é quebrar o seu pescoço. Quase tanto quanto quero quebrar o dela.

– As revistas terminaram. – O mais jovem prosseguiu, ignorando completamente o irmão. – Só resta você, milord, livrar-se de suas armas. – Ele soltou a mão quando Fugaku finalmente recuou, afastando-se de Suzuki.

O duque deu os ombros. Livrou-se da capa pesada, soltou a bainha e começou a se livrar das inúmeras armas que escondia em lugares, na opinião de Suzuki, realmente inusitados.

Ela observou cautelosamente cada shuriken retirada das mangas de suas roupas; cada lâmina retirada das botas, e cada uma das duas adagas escondidas pelas vestes negras... E sorriu quando pareceu terminar.

Olhava diretamente para a viúva quando apontou para a mesa onde a maior parte dos convidados já estava acomodada.

– Podemos começar, madame?

Não esperou uma resposta antes de seguir ao seu próprio lugar.

A senhora Hyuuga permaneceu em silêncio, imóvel no mesmo lugar por mais tempo do que podia imaginar. E, com desprezo, viu cada um dos traidores se acomodarem nas cadeiras almofadadas da casa de Hinata.

– Você está bem? – Shisui perguntou discretamente, realmente preocupado com a palidez no rosto da viúva. – Ele não te tocou, não é? Não fez nada...

– Um momento. – Ela pediu em voz alta, repentinamente. Pouco a pouco seu rosto tornou à coloração normal, embora seus olhos ainda parecessem ligeiramente distantes, perdidos em alguma reflexão.

O duque suspirou longamente, exasperado.

Só queria acabar com aquilo de uma vez!

– Pois não, Suzuki? – Ele tentou sorrir. Tinha a impressão de que se a Hyuuga o percebesse impaciente, aí sim é que começaria a infernizar.

– Vocês estão em cinco. – Ela observou. – Nós estamos em três.

– Talvez queira adiar e se reunir com o resto de seus aliados?

Suzuki sorriu como se fosse o diabo.

– Na realidade pensei em algo muito melhor, milord.

~

Embora nunca tivesse sido habitada por lá muitas crianças, a ala infantil era uma das maiores da Torre. Tinha janelas amplas e cortinas de renda quase transparente; paredes coloridas em tons leves, mas alegres e brinquedos de todos os tipos, estrategicamente organizados, desde os quartos até o hall principal.

Era sem dúvidas o lugar mais iluminado e cheio de vida em todo o palácio.

Pelo menos, Sasuke pensou, havia sido até então.

Ele estava sentado em uma das poltronas do hall principal, observando cegamente sua sobrinha, a única criança dentro daquelas paredes tão altas, brincar solitariamente com qualquer coisa que estivesse em sua frente.

Primeiro um cavalo de madeira e logo depois um soldadinho; uma coroa que a tornava uma princesa que ria e sorria para uma série de bonecas; uma varinha de condão que havia transformado um urso de pelúcia em uma rainha.

De alguma forma, a nostalgia tomou conta do coração do rapaz Uchiha.

Ele se lembrava dos dias de glória da ala infantil, quando tudo era divertido, tudo era iluminado. Ao lado do príncipe, Sasuke havia sido o responsável pela época mais agitada – e possivelmente a mais terrível para as babás – daquele lugar. Assim como Akane agora encarnava de princesa à fada, ele e Naruto haviam sido capitães, piratas, reis e cavalheiros.

Haviam lutado por terras e mares, disputado por tronos, navios e até mesmo o coração da doce princesa Hinata em duelos que, embora não fossem exatamente mortais, sempre os rendiam bons hematomas.

Mas ao longo dos quase sete anos que haviam passado juntos em sua infância, Naruto e Sasuke nunca haviam vencido realmente um ao outro. Seus duelos costumavam ser interrompidos ou pelo choro de Hinata (que detestava assisti-los se machucando), ou pelas babás e mãe furiosas. Kasumi era campeã invicta durante as competições a cavalo e, nas corridas, era Hinata que sempre os vencia.

Sasuke despertou de seus devaneios quando a voz suave de Akane soou. Ela estava sentada no chão, olhando tediosamente para a boneca bonita à sua frente; enquanto penteava os cabelos falsos, cantarolava a mesma melodia que Kasumi costumava cantar ao pô-la na cama.

Sasuke sabia que a sobrinha, mais do que entediada, sentia-se chateada. Ele conhecia muito bem a sensação de ser a única criança de seu mundo; conhecia o vazio de seguir de um brinquedo para o outro e nunca se divertir de fato.

Conhecia melhor do que ninguém o sentimento de estar só.

– Suzuki... Ela vai tirá-la daqui, não vai?

A voz de Kasumi soou distante, quase oca. Sasuke virou o rosto de soslaio e percebeu que, assim como ele, a cunhada tinha seus olhos perdidos na imagem de sua solitária filha.

– Ela veio buscar a Hinata, não é...? E está com o Kazekage, então... Tem que conseguir tirá-la daqui...

O Uchiha baixou a fronte e refletiu por um instante.

Ele queria que Hinata ficasse bem; ansiava desesperadamente que a esposa de Naruto pudesse sair daquele lugar com vida, e de preferência para um lugar onde pudesse ao menos ter a ilusão de estar livre... Imaginou que a alma de Naruto só poderia realmente descansar em paz quando a vida de Hinata estivesse a salvo.

Mas, pensando fria e estrategicamente, era de fato muito difícil compreender os motivos para Fugaku e Yahiko estarem mantendo a verdadeira rainha viva e isolada dentro da Torre, quando claramente tinham que se livrar dela.

Hinata não era mais uma refém importante. Naruto estava morto, afinal.

Ela sequer era uma ameaça, então por que...?

Ele fechou os olhos e respirou fundo.

– Por que você acha que o pai não a matou?

Kasumi simplesmente deu os ombros.

– Talvez seja por causa da Mikoto... – Ela o olhou de canto. – Talvez seja por sua causa. – Sasuke estreitou os olhos. – Acho que seu pai quer os filhos como aliados, não como inimigos... Acho que ele sabe que, se matá-la, você jamais vai perdoá-lo.

Ele suspirou.

– Matando ou não, eu jamais vou perdoá-lo. – Sasuke admitiu; ergueu a cabeça e encarou a cunhada. – Nem ele, nem o Itachi. Porque eles não mataram apenas o meu irmão, Kasumi... Mataram os meus sonhos. A minha esperança de um lugar melhor.

A Uchiha anuiu lentamente antes de voltar seus olhos para a filha.

–... Também é culpa minha... – Ela sussurrou baixo, a voz quebrada, tomando a atenção do reflexivo rapaz. As pálpebras da senhora Uchiha piscaram rápido, e ele notou que seus olhos estavam ligeiramente úmidos. – Se eu não tivesse pedido para Obito ajudar o Naruto, ele não teria liberto Itachi. E se o Itachi tivesse continuado preso... Talvez o Naruto... – Ela estreitou os olhos. — Talvez o Shisui...

Por sua causa Naruto estava morto.

Por sua causa Shisui estava morto.

Tudo porque havia sido estúpida o bastante para acreditar em um mercenário.

Sentiu a mão de Sasuke pressionar a sua, mas não pôde olhar para ele.

Durante os últimos dias, eles haviam sido a única companhia amigável um do outro, então naturalmente Sasuke estava ciente de tudo o que Kasumi sabia sobre a explosão que ocasionara a suposta morte do rei.

– Naruto estava perdido, Kasumi. Se não fosse pelas mãos de Itachi, seria pelas mãos do Fugaku... Para ser sincero, eu fico aliviado ao saber que tudo acabou rápido para o meu amigo.

–... O que nós vamos fazer, Sasuke...? – Ela apertou a mão dele com tanta força que chegou a doer. – Nós temos tanto a fazer... E tanta gente a proteger... Mas nós estamos sozinhos...

Ele não pôde respondê-la.

Não sabia como.

Itachi não se surpreendeu ao encontrá-los juntos. Até porque, de uns tempos para cá, Sasuke e Kasumi sempre estavam juntos. Era compreensivo, uma vez que eram as únicas companhias permitidas um ao outro; também era bastante natural que, com o passar do tempo, ficassem mais unidos um ao outro.

Completamente compreensivo.

Absolutamente natural.

Mas ainda que soubesse disso, o herdeiro dos Uchiha sentiu uma pontada incômoda no coração ao encontrá-los de mãos dadas, com os ombros roçando enquanto provavelmente consolavam um ao outro.

Itachi se sentia o pior dos idiotas por se incomodar com aquilo, especialmente porque ele era parcialmente culpado pelo isolamento dos dois. Talvez, tivesse sido minimamente sincero com Kasumi... Pelo menos com Sasuke...!

Ele baixou os olhos e sorriu tristonho.

Já era tarde demais para isso.

Respirou fundo antes de se aproximar.

– Sasuke...

.

– Ele vai te matar. – Shisui afirmou categoricamente, com tanta convicção que Suzuki quis se encolher. Ela estreitou os lábios, incomodada com a sinceridade do Uchiha, e o encarou com clara irritação. – E na primeira oportunidade, Suzuki.

Francamente, Shisui não precisava dizer isso para que ela se sentisse acuada. Para isso bastavam os olhares intimidadores que o duque lançava em sua direção de minuto em minuto, desde que o filho mais velho havia deixado a sala.

Ainda estavam no escritório de Fugaku, embora agora separados em grupo. O grupo de Suzuki havia recuado para um canto próximo à porta enquanto esperava Itachi retornar, enquanto os Akatsukis, a princesa e o duque continuavam acomodados.

– Por que você tinha que fazer isso, hein?! Por que tinha que provocá-lo ainda mais?! Existe um limite para o que um homem pode agüentar, senhora Hyuuga. E os limites de Fugaku são extremamente fáceis de serem alcançados.

– Ele tentou me molestar! – Ela cochichou furiosamente.

– Não, não ia. Acha mesmo que eu iria permitir isso? Fiquei de olho em vocês desde que suas intenções ficaram claras. Ele sabia disso, e provavelmente tentava provocar a nós dois, quando começou a revistá-la... Sabe que eu jamais ficaria parado em tal situação.

Suzuki revirou os olhos, cruzou os braços e decidiu ignorá-lo.

Para a sorte de Gaara e Kakashi – que provavelmente teriam que intermediar as conversas entre o grupo a partir de então –, Itachi finalmente retornou ao lado dos confusos Sasuke e Kurenai.

A viúva Hyuuga sequer pôde conter o impulso de sorrir ao vê-los.

– Agora que as exigências da ilustríssima senhora Hyuuga foram atendidas, — Yahiko, pela primeira vez desde que haviam se encontrado, decidiu se pronunciar. Ele não parecia mais feliz que Fugaku. – Podemos começar a discussão?

– Naturalmente. – Suzuki afirmou, e em um instante estava de volta ao seu assento, bem de frente à Karin. Shisui e Kakashi imediatamente tomaram sua retaguarda, e Sasuke levou um instante para perceber o que estava acontecendo.

Suzuki pedira sua presença.

Suzuki pedira sua presença para discutir a soltura de Hinata. E, talvez o mais surpreendente de tudo, Fugaku aceitara sua exigência!

– Quero que libertem minha filha. – A Hyuuga explicou calmamente.

– Libertá-la? – Yahiko estreitou as sobrancelhas e sorriu de forma zombeteira. – Imagino que não tenha percebido, mas madame, nós precisamos nos livrar da sua filha, e não libertá-la.

Suzuki retribuiu ao sorriso dele.

– Imagino que tenha percebido, meu senhor, que a minha filha é muito mais que respeitada no reino. Mesmo antes de ser princesa, Hinata sempre teve uma ótima reputação na cidade, sempre foi admirada e amada.

Yahiko se apoiou na mesa com uma expressão entediada.

– E que me importa isso, senhora?

Sasuke sorriu e tomou lugar ao lado da viúva Hyuuga; educadamente, pousou a mão no ombro da mãe de Hinata e, com um olhar, pediu-lhe permissão para falar. Suzuki o respondeu com um sorriso doce e agradecido, e logo os olhos negros do mais jovem dos irmãos Uchiha estavam fixos nos do líder Akatsuki.

– Muito, se pensar bem. – Ele sorriu irritantemente. – Trabalhadores presos, moças de família seqüestradas, mães e esposas capturadas para servir soldados em bordéis... Quanto mais é necessário para que um povo chegue ao limite?... Se bem me lembro, a Akatsuki foi formada para livrar a Vila da Chuva de um governo ditador e absurdo. Responda-me, senhor mercenário: qual foi o estopim para a revolta do seu povo?

Yahiko se levantou sem pensar; agarrou a primeira coisa pontiaguda que encontrou no caminho – no caso, a pequena lâmina que servia para abrir as cartas do duque – e se lançou sobre a mesa, na direção do jovem Uchiha.

Sasuke empurrou a cadeira de Suzuki para trás, colocando-se à frente da Hyuuga protetoramente ao mesmo tempo em que Fugaku avançou sobre o mercenário ruivo, agarrando a arma com as próprias mãos e, assim, impedindo-a e alcançar o filho.

– Tio! – Karin se levantou, assustada com a reação repentina do mercenário.

Desde quando seu tio se deixava levar por provocações?

– Protegendo o filhinho traidor, é? – Mesmo estando furioso, o mercenário gargalhou diante a expressão sombria do duque. Tentava se livrar dele a todo custo, mas parecia simplesmente impossível esquivar-se do aperto do Uchiha.

– Solte. – Fugaku comandou letal e lentamente. – Agora.

Mas aquilo só serviu para atiçar ainda mais a fúria do mercenário, que agora tentava forçar a lâmina na direção do duque.

– Tio! Pare!

– Já chega Yahiko!

Mas ele não podia ouvi-las, porque não queria parar.

Não confiava em Fugaku, nem gostava dele. Tinha a inexplicável sensação de que, ao matá-lo, todos os sentimentos de preocupação em relação à sua sobrinha simplesmente desapareceriam.

Mas querendo ou não, no fim das contas foi obrigado a se afastar. Itachi se aproximou quando teve certeza de que Shisui e Kakashi haviam afastado os abismados Sasuke e Suzuki o suficiente para que os Yahiko – ou Fugaku – pudessem rendê-los. Ele agarrou o Akatsuki com firmeza pelo pescoço e fez pressão suficiente para que ele se sentisse acuado.

Fugaku fez uma careta de dor, observou os cortes nas duas mãos antes de erguer o rosto e a arma na direção do filho mais velho. Itachi relaxou o aperto, mas não o libertou. – Mais calmo, senhor mercenário? – Ele perguntou suavemente ao homem, que assentiu enquanto tossia.

Quando finalmente se viu livre, Yahiko desabou na cadeira. Alisou o pescoço com uma careta e estreitou os lábios ao notar o olhar severo que a noiva lhe direcionava.

– Eu não me importo em libertar a Rainha. – A voz de Karin finalmente soou, baixa e frágil, tomando a atenção dos interessados. Ela olhava depressivamente na direção do grupo rival. – Percebo agora que a vingança é um ciclo sem fim, e não é isso o que eu desejo.

Ela foi sincera, e finalmente ergueu a cabeça.

– Talvez não acredite, senhora Hyuuga... Mas eu não queria nada disso. – Ela olhou com desprezo para a grande coroa de veludo vermelho que descansava sobre a mesa. – Eu nunca, nunca quis. – Tornou a encarar a Hyuuga. – Ninguém precisava morrer. Não precisava antes... E nem precisa agora.

Lentamente, como se estivesse absorvendo cada uma das palavras daquela menina, Suzuki anuiu. E lamentou-se terrivelmente ao perceber que Karin, no fim, era só mais uma vítima.

Uma menininha que fora arrastada para tudo aquilo, e obrigada a carregar um fardo que não lhe pertencia.

~

Hinata não sentia nada, absolutamente.

Já fazia algum tempo que as dores de seu corpo haviam passado, mas ela também não podia se mexer. Todos os músculos de seu corpo pareciam adormecidos, anestesiados... Cansados.

Tanto quanto o seu coração.

Tanto quanto a sua mente.

Imaginou que talvez a tivessem drogado. Isso explicaria a sensação de ter seu corpo totalmente à deriva, mas Hinata não podia ter certeza. Ela não se lembrava de muita coisa, afinal de contas... E, para ser sincera, não estava tentando se lembrar.

Francamente, não estava se esforçando nem para pensar.

Lembrar, pensar, raciocinar... Tudo era pesado e doloroso.

Seu mundo havia caído. Estava destroçado, aos pedaços. Tão destruído quanto aquele quarto grande em que haviam a prendido.

A Rainha da nação do Fogo estava quebrada, simplesmente... Era incapaz de pensar, incapaz de sentir, incapaz de se importar com qualquer coisa que não fosse o seu próprio inferno.

Estava cansada da vida.

Cansada da realidade.

– Querida...

Cansada de existir.

– Querida...

Os olhos fechados se estreitaram. Hinata franziu o cenho, mas não fez menção de mover o corpo. Aquela voz era suave e tranqüilizadora, mas parecia vir de muito longe...

– Hinata, meu amor...

Ela sorriu. Era uma voz familiar, que conseguia aquecer seu coração, que a confortava como nenhuma outra poderia fazer... Uma voz que ela desejava ter imaginado há muito, muito tempo: a voz de sua mãe.

Ah! Sua querida mãe!... Como gostaria de vê-la!

Como gostaria de ter a certeza de que ela estava bem, a salvo!... Certeza de que ao menos alguém que lhe era querido estava vivo e prosseguia com esperanças de continuar assim.

A voz murmurava “querida” de uma maneira tão doce que Hinata desejou nunca mais despertar. Ela soava tão gentil, tão amorosa... Àquela altura, a Rainha não se preocupava com as antigas e tolas discussões, não se importava com as diferenças de pensamentos. Só queria vê-la, ouvi-la e senti-la.

“Querida” era o modo como Suzuki costumava chamá-la ao despertá-la, por todas as manhãs de sua infância.

– Querida... – Fungou. – Meu amor, por favor...

Hinata então decidiu tentar abrir os olhos.

Fez lentamente, quase preguiçosa. Mais por curiosidade em saber se ainda continuava viva do que por qualquer coisa.

Seus olhos imediatamente se encontraram com os chorosos de Suzuki.

Sua mãe estava sentada ao seu lado, agachada em sua direção, com as paredes escuras de seu cárcere como paisagem de fundo; usava um de seus vestidos exagerados, como de costume, mas a saudade e o desespero fizeram com que a pobre Hinata a vislumbrasse como o mais brilhante e belo dos anjos.

Suzuki sorriu. Um sorriso que era um misto de dor e alívio.

– Ah, meu amor... A mamãe veio te salvar...

~

Fugaku respirou fundo.

Olhou para a garrafa de bebida como se ela fosse um desafio e depois voltou a olhar para as mãos. Com a menos ruim delas, puxou a garrafa; livrou-se da tampa com a boca e, ligeiramente temeroso, despejou o álcool sobre a que tinha o maior corte.

– Inferno! Inferno! Inferno! – Ele praguejou alto.

Poderia pedir para uma enfermeira cuidar daquilo, mas preferia que ninguém soubesse que suas duas mãos estariam inutilizadas por algumas semanas. – Porcaria! Porcaria! Porcaria!

A porta se abriu de repente, e ele se calou imediatamente.

Sasuke observou a cena por um instante: o pai em pé, com uma garrafa de bebida em uma das mãos e a outra, que pingava sangue, estendida na direção da pia. Ele fez uma careta de desagrado.

– Parece que o Itachi chamou a pessoa errada... – Ele recuou um passo, pronto para dar meia volta, mas Fugaku pareceu se desesperar.

– Não! Espere!

Ele se moveu com tanta brusquidão que a garrafa escapou da mão ferida, caiu e, com o baque, despedaçou-se no chão, espirrando o líquido fedorento por toda a parte. O duque bufou. – Ah! Inferno! – Praguejou! – Garrafa maldita!

E se agachou para tentar pegar os pedaços espalhados pelo chão.

Sasuke permaneceu na porta, olhando fixamente para o pai. Ele não queria ajudá-lo... Não devia fazê-lo, mas aquele homem havia ferido ambas as mãos só para protegê-lo. Os lábios do jovem Uchiha se estreitaram.

Ele podia ser um monstro, mas Sasuke sabia que devia.

Por fim, decidiu se aproximar. Talvez seu pai merecesse uma trégua, afinal. Pelo menos até ter as duas mãos enfaixadas.

– Sente-se. – Sasuke instruiu antes de se agachar para reunir os cacos de vidro.

– Não, não é necessário. Deixe isso de lado, meu filho...

Mas Sasuke o ignorou, e no fim, Fugaku decidiu se sentar.

–... Pensei que acompanharia a viúva... Para encontrar Hinata. – O duque tentou iniciar uma das conversas mais complicadas de sua vida.

– Itachi disse que o duque exigia a minha presença, então cá estou eu.

Ele foi seco e direto.

– Bom... A senhora Hyuuga está acompanhada por Kurenai. Eu tenho certeza de que juntas, poderão dar um jeito na Rainha. – Sasuke não o respondeu. – Devem partir amanhã, não é? A viagem é longa, mas tenho certeza de que Suzuki quer tirar logo a filha do isolamento.

Sasuke suspirou longamente.

– É óbvio.

E o silêncio se fez.

Fugaku se remexeu na cadeira, desconfortado. Nunca havia sentido tanta dificuldade em manter uma conversa!... Especialmente com Sasuke, que sempre havia sido um bom ouvinte.

– Estive pensando, meu filho... – Ele tentou continuar. Sasuke não parecia lhe dar muita atenção, mas Fugaku sabia que estava ouvindo. – Talvez... Talvez Hinata não seja a única que mereça sair do isolamento, afinal.

As mãos de Sasuke deixaram de trabalhar.

Lentamente, o rosto do Uchiha mais jovem se ergueu, e com os olhos fagulhando, encarou o pai. – Aonde quer chegar, Fugaku? – Ele foi ríspido.

– Hoje é um dia para acordos, não?... Talvez eu e você possamos fazer um.

~

Agachada no chão de carpete, ajoelhada e totalmente sem forças, Sakura não conseguia tirar os olhos do prato de comida à sua frente. Ele era tão grande e tão cheio que ela sentia vontade de vomitar só de olhar para ele.

Estava desde a revelação de Sasuke instalada em um quarto muito melhor do que qualquer outro que já havia ocupado na Torre, muito maior e muito mais confortável. Ficava no terceiro andar, e era bastante arejado e fresco. Todos os dias três servas o limpavam a ponto de deixá-lo com cheiro de lavanda...

Mas mesmo com todo aquele cuidado, Sakura não conseguia deixar de se sentir sufocada, presa e claustrofóbica dentro daquele lugar.

Ela percebeu que, de alguma forma, em algum momento, havia deixado e ser Sakura Uchiha para se transformar no “recipiente do herdeiro”. Alguém dispensável, mas que por certos motivos precisava viver.

Queria seu bebê. Mais do que qualquer coisa. Mais do que desejava viver!... Mas o medo e a incerteza a assombravam todos os dias.

E se for uma menina?

E se a criança dentro dela fosse uma menina, e não o tão esperado herdeiro?

O que aconteceria com seu bebê, caso não fosse o que Fugaku Uchiha desejava?

A rotineira lágrima deslizou por seu rosto lentamente

O que aconteceria com seu bebê se fosse o que o duque desejava?

Ela fechou os olhos e recostou a cabeça na parede.

– Pergunto-me como devo agir para fazer você parar de chorar, senhora Uchiha.

Com a mesma rapidez que os havia fechado, os olhos verdes de Sakura se arregalaram ao identificar a voz do marido.

Sasuke estava parado em frente à porta, mãos na cintura enquanto analisava os novos aposentos de sua esposa. Era um lugar bonito, delicado, amplo e bem cuidado, exatamente como havia imaginado que seria.

Ele baixou o rosto e sorriu para ela; aproximou-se lentamente, cautelosamente e se ajoelhou à sua frente. Fez uma careta ao ter que afastar o prato e, ao notá-lo cheio, lançou um olhar de desagrado à esposa.

Mas Sakura pareceu não notar, tamanho seu choque.

Apesar das condições muito melhores, Sasuke percebeu que havia perdido peso, seu rosto estava mais pálido e seu semblante, mais abatido, embora parecesse muito melhor do que havia estado em seu último encontro.

–... Sasuke-kun!

Ela exclamou num fio de voz, com tanta emoção que fez o marido sorrir. Ele agarrou o rosto fino e, com carinho extremo, pressionou a testa da esposa. Como havia beijado justamente sobre a cicatriz – agora higienizada e escondida com um pedaço de gaze –, Sakura se encolheu envergonhada.

– Ei... Calma... – Cuidadosamente, ele a puxou para mais perto.

Sakura estava mais leve, então foi fácil colocá-la sobre seu colo, ainda que a perna estivesse ligeiramente dolorida pelos ferimentos das semanas anteriores. – O que foi, hein...? Você está muito magra, senhora Uchiha.

Ele alisou carinhosamente as faces dela.

– Precisa comer, sabe... Não só por você.

Sakura fungou; envolveu-o com os braços, escondeu o rosto na dobra de seu pescoço e pôs-se a chorar. – Ei, ei... Tudo bem, querida... Eu estou aqui, e prometo que não vou mais sair de perto de você...

Embora tivesse anuído em concordância, Sakura o apertou com tanta força que Sasuke suspeitou que não acreditasse em suas palavras. Ela parecia tão assustada!... Tão acuada, e com medo da solidão!

Tudo o que Sakura mais queria era fechar os olhos e finalmente dormir. Mergulhar na inconsciência enquanto sentia-se segura nos braços do homem que amava... Mas seu coração doía tanto! Pesava tanto, que nem ali, envolvida pelos braços de seu porto seguro, ela conseguia sentir paz.

– O que será de nós, Sasuke-kun?!

Conseguiu soltar. Sua voz soou rouca de aflição.

– Quando o bebê nascer... O que vão fazer conosco?!... E se não for o menino que seu pai deseja?!... E se o nosso bebê não for o herdeiro dos Uchiha?! O que vai ser dela, Sasuke-kun, se nascer como menina?!

Sasuke estreitou os olhos.

Era natural que ela pensasse assim, afinal... Especialmente depois de todas as atrocidades que provavelmente havia passado pelas mãos do desprezível Fugaku.

Ele apertou o corpo da esposa contra o seu, quase sem pensar. A lembrança da imagem de sua Sakura ferida e assustada assombrava sua mente de tal maneira que era simplesmente impossível controlar o impulso de protegê-la. Sasuke beijou sua testa, os cabelos e o rosto da adorada esposa, com tanta veneração, tanto amor e tanta saudade que Sakura mal pôde reconhecê-lo.

– Sasuke-kun...

– Ah, meu amor... Meu amor!... – Ele encostou a testa na dela. – Eu juro pela minha vida que nada vai acontecer... Nem a você, nem ao nosso bebê, seja ele ou ela.

Sakura fungou, pressionou o rosto contra o peito do marido e encolheu-se.

– Não chore, por favor... – Ele implorou. Ergueu o rosto dela cuidadosamente e obrigou-se a sorrir, ainda que as lágrimas dela despedaçassem sua alma. – Por favor, senhora Uchiha... Tente acreditar em mim...

Os olhos verdes e brilhantes se abriram ligeiramente; estavam tão cheios d’água que tudo o que ela podia enxergar do marido era um borrão negro. – Sasuke... O que é que nós... – Ele a calou pousando o indicador sobre seus lábios.

Um minuto de silêncio se formou, até ele prosseguir.

– Eu te digo o que vamos fazer. – Disse em tom baixo, extremamente carinhoso, enquanto deslizava o polegar pelo rosto molhado da esposa. – Neste momento, nós vamos escolher nomes, senhora Uchiha... Porque em quase seis meses de gravidez, não paramos nem um momento para discutir que nome vai carregar o nosso filho.

– Nome...?! – As sobrancelhas róseas se estreitaram. – Enlouqueceu...?!

– Se for um menino, — Ele a interrompeu. – Talvez você queira chamá-lo “Kizashi”. Particularmente não gosto muito do nome. – Ele estreitou os lábios, parecendo divertido com o próprio pensamento. – Gosto de Takato... Talvez Sousuke. Ou Ryuuji São nomes fortes, não acha? Soa muito bem com o sobrenome Uchiha.

– Sasuke-kun...

– Não vou me opor se insistir em por o nome do seu pai, mas se for uma menina... – Ele sorriu. – Eu tenho um nome certo.

Sakura ficou tão surpresa que não sentiu capacidade de interrompê-lo.

Carinhosamente, Sasuke deslizou os lábios pelo rosto dela.

Queria tranqüilizá-la... Queria acalmar sua alma, seu coração.

– Pode não acreditar... Mas desde que descobrimos, sempre esperei que nosso bebê fosse uma garotinha. – Ele confessou. Sakura sentiu o corpo arrepiar quando a mão dele cautelosamente deslizou por sua barriga saliente. – Se for uma menina, eu quero que se chame Sarada Uchiha... – Ele deslizou os lábios até a orelha da esposa amada; beijou-a suavemente. – E eu prometo, meu amor... – Sussurrou baixinho, ao pé da orelha dela. – Que nada ruim vai acontecer à nossa princesa.

Era uma promessa sincera.

Uma promessa para Sakura, e para ele mesmo.

~

Graças ao vestido longo e aos saltos, Hinata precisou da ajuda do Kazekage para subir à carruagem alugada. Ela era discreta, quase feia. Nem muito grande, nem muito pequena e tão encoberta que era quase óbvio que queriam esconder quem quer que estivesse dentro.

Quando alcançou o último degrau, Hinata lançou um último olhar à Torre.

E, com um sorriso melancólico, despediu-se de seu lar.

– Obrigada. – Sussurrou baixo, quase como se fosse uma prece, antes de entrar no cubículo que serviria de transporte para Hinata, Sasuke, Itachi e o Kazekage, até sabe-se lá onde.

Hinata não sabia se sua perspectiva de tempo se dava à sua imensa chateação, mas sentiu como se apenas um instante tivesse passado até que todos estivessem acomodados e depois disso, em um piscar de olhos, a carruagem seguia para fora da Torre.

“Está bem acomodada?”

“Talvez precise de um gole de água?”

“Se por acaso sentir fome...”

Foram as únicas frases que Hinata pôde ouvir durante todo o longo percurso do jardim até a cidade. De certa forma, foi algo bom. Hinata não se sentia nem minimamente disposta a conversar.

Mas foi inevitável concluir que algo acontecera à Sasuke e Itachi. Não foi difícil imaginar que um deles – possivelmente Itachi, o mais realista e protetor dos irmãos – havia tomado parcialmente o lado de Fugaku.

Hinata não o culpava.

Até porque, que motivos Itachi teria para tomar partido de Naruto, quando o próprio Naruto nem sequer estava mais lá?

– Princesa!

Um grito infantil a assustou.

Hinata olhou para cada um dos três homens à sua volta, e todos pareciam igualmente surpresos.

– Princesa!... Princesa!

– Princesa!... Nós não vamos te esquecer!

Ela levou um segundo para reconhecer a voz de um dos rapazinhos da vila; se pendurou na porta da carruagem e tentou com muito esforço olhá-lo através das pequenas frestas entre as madeiras da carruagem.

– Princesa!... Nós estamos aqui!

Ela se espantou ao notar que uma legião de crianças corria na direção da carruagem. À frente de todas elas estava um garotinho pequeno e maltrapilho, que corria com todas as forças que suas perninhas finas e infantis podiam agüentar.

– Princesa!... Nós não vamos esquecê-la!

Rintarou Obake prometeu aos berros, antes de desabar no chão, exausto e sem mais nem uma gota de energia. As demais crianças conseguiram ultrapassá-lo e, agora, à frente dela, uma menininha de cabelos ruivos seguia.

– Nós vamos continuar aqui, majestade! – Makise prometeu. – Nós vamos esperá-la!... Então volte, custe o que custar!

Hinata sorriu.

Um enorme buraco havia sido aberto em seu peito, mas ela ainda assim sorriu.

Poderia não ter sido a melhor Rainha do país do Fogo, mas pelo menos agora sabia que tinha dado o seu melhor, e que pelo menos algumas pessoas eram gratas pelo pouco que havia conseguido fazer.

– Obrigada...

Ela encostou a testa na carruagem e respirou fundo.

– Até mais.

Notas finais
Eu fiquei em dúvida se acabava o capítulo na parte do Adeus à Torre, ou com as crianças correndo atrás da carruagem... Mas meu noivo (huhuhu' :$) disse que as crianças peraltas e corredoras não foi uma ideia tão ruim, então eu resolvi deixá-las. A propósito! Os créditos da betagem pertencem ao meu noivo amado. Obrigada, Rodidi! sz~ Cof, cof. Voltando... Na verdade, o responsável pela fofoca foi o senhor Itachi Uchiha, que está se fazendo de desentendido na carruagem. Eu não sei se vou lembrar de explicar isso no próximo capítulo (que a propósito já está sendo desenvolvido), então vou deixar aqui nas notas também. XD Ele quer que os cidadãos saibam do exílio da Hinata, então deixou "vazar" a informação. Não sobre o lugar, porque ele é uma das poucas pessoas que sabe, mas do exílio em si. ~ Outra coisa que eu gostaria de explicar é o silêncio do Itachi. Talvez algumas pessoas não tenham entendido, mas ele está guardando silêncio pela segurança do próprio Naruto... Itachi é o tipo de pessoa que acredita que o melhor disfarce é aquele que engana os seus aliados. É isso o que ele atualmente está fazendo com o Sasuke e a Kasumi. O mesmo se aplica ao fato de não contarem à Hinata o Naruto. Isso e o fato de que, se o Fugaku descobrir que ele está vivo, é capaz de querer degolar a Hinata só por vingança. @_@ Aliás, vocês devem ter percebido que esse capítulo foi mais focado na Suzuki e no Fugaku, não é? Bem, eu gostei de mostrar um pouco deles. Afinal, esse é o nascimento de uma grande rivalidade!... Ao contrário do que muitos pensam, The King não vai acabar ainda. Um dia sim, se Deus quiser! Mas provavelmente não logo! XD Tia Candy realmente espera que algum leitor fique feliz com isso. e.e Eu maias uma vez peço desculpas pelo meu atraso. *Se curva* Sinto muito por deixar meus leitores esperando em um momento tão crítico, mas eu juro, do fundo do meu coração, que nunca deixei de me esforçar. E nem vou! Não pretendo desistir de The King e espero que os meus leitores também não desistam, apesar dos pesares! ÇÇ Tia Candy agradece todo o carinho. sz~ Até mais ver! n.n