The King

55 Pela Esperança.


Notas iniciais
Boa noite, queridos leitores da minha noiva! ^-^' Hoje fui eu quem tive que betar o capítulo e vim aqui para postar porque, adivinhem só? A Candy está ocupada fazendo um trabalho. XD Não tenho muito o que falar, nem posso falar muito, porque... Não sei o que falar...? Mas enfim, só queria deixar expressa as desculpas da minha noiva, que anda bastante ocupada com qualquer coisa do casamento, o trabalho, a família, a faculdade e as colegas de grupo problemáticas. Comigo também, vai. Eu admito. Desculpem por isso. Sem mais, boa leitura pessoal!

Capítulo 55 – Pela Esperança

Fugaku Uchiha não era um homem flexível.

Nem minimamente.

Era firme e calculista: o tipo de pessoa que planejava friamente cada passo dado, sendo ele seu ou dos que estivessem à sua volta e, portanto, sempre se sentia furioso quando algo fugia de suas mãos.

Detestava não ter controle.

O duque Uchiha realmente odiava a frustrante sensação de erro, mas tinha idade, esperteza e experiência o suficiente para saber como lidar com isso; de quando e que tipo de acordos devia propor quando se mostrasse necessário.

Embora detestasse admitir, sabia que a situação com Sasuke havia saído de seu controle. Sempre havia sabido que o filho seria contra os seus ideais, pois tal como a falecida mãe, tinha marcada em sua alma a ideia de lealdade. Mas havia imaginado que, uma hora ou outra, a lealdade que deveria sentir por sua família se sobreporia à fidelidade por seu soberano, e esse provavelmente fora o erro de cálculo mais drástico da vida do duque.

De fato, era uma sorte ter Sakura para manipulá-lo.

Embora fosse muito difícil acreditar, e ainda mais difícil compreender, Sasuke parecia tão loucamente apaixonado por sua inadequada esposa quanto o próprio Fugaku fora por Mikoto. E mesmo que Sakura Haruno fosse a criatura mais escandalosa e desnecessariamente dramática do universo, Fugaku sabia que os sentimentos de Sasuke não mudariam.

Mesmo se a degolasse em sua frente, mesmo que acabasse com a vida e sumisse com seu corpo, Sasuke jamais deixaria de pensar nela.

Ele era seu filho, afinal.

Ele era um Uchiha. E tal como um Uchiha, seus sentimentos eram fortes e fieis.

Sua nora devia ser a pessoa que mais detestava na face da terra. Sakura era um erro, um peso, que surgira simplesmente para acabar com os planos que o duque havia levado anos e anos para arquitetar... Mas, no fim, havia tido sua utilidade.

Fugaku não exigira muito em seu acordo com o filho. Sasuke simplesmente teria que ser gentil e respeitoso, tanto para com a nova rainha quanto para com o seu pai. Não tinha que concordar com suas ações, mas teria que trabalhar a favor deles em absolutamente todos os sentidos. Em troca, Fugaku libertaria Sakura de seu cárcere e finalmente a aceitaria como “senhora Sasuke Uchiha”. Garantiu sua segurança antes e depois do nascimento do novo rebento Uchiha, fosse menino ou menina.

Também se comprometera a libertar Hinata da Torre (algo já previamente decidido), e garantiu que daria à antiga rainha o máximo de conforto, paz e tranquilidade que sua situação lhe permitia. Sasuke ficaria ciente de absolutamente tudo e qualquer coisa que ocorresse com a desafortunada viúva de Naruto, e deveria servir de ponte entre os novos governantes e a [frustrante e irritantemente bem sucedida] resistência levantada por Suzuki Hyuuga.

O jovem Uchiha tendia a ser exageradamente protetor, tal como seu irmão, então facilmente aceitou os termos propostos, e nos três meses que se sucederam à partida de Hinata Uzumaki da Torre, de fato tudo ocorreu da melhor forma possível.

Sasuke contribuíra com o pai em todas as ocasiões em que havia sido necessário: opinou francamente quando fora convocado para discussões estratégicas, fez o seu melhor para controlar e acalmar o povo e, à sua maneira, foi gentil e cortês com a rainha e seus complicados tios. No fim das contas, havia se mostrado muito mais útil do que Yahiko poderia imaginar, e bastaram poucas semanas para que os tolos sentimentos platônicos da ruiva Uzumaki voltassem a assombrá-la, ainda que o Uchiha não os tivesse incitado nem uma única vez.

Fugaku também cumprira com sua palavra, e Sakura agora era tida como a ilustre esposa de Sasuke Uchiha: era bem cuidada e bem tratada por todo e qualquer serviçal, além de extremamente respeitada por qualquer membro de força militar.

Mas Fugaku sabia que mesmo com prestígio e atenção, nenhum dos dois estava feliz. A saúde da nora – lamentavelmente, apenas a psicológica – parecia se deteriorar cada vez mais, pouco a pouco; ela sempre estava sozinha em seu quarto, e Fugaku suspeitaria que tivesse desistido de ter companhia se não conversasse diária e constantemente com Kasumi e Shizune – que, no fim, pelo bem da nora, também havia sido libertada.

Fugaku sabia que ela mal vinha conseguindo comer. As servas já haviam lhe reportado que a senhora de Sasuke botava para fora qualquer coisa que a servissem, isso quando comia alguma coisa, o que fez o duque ter esperanças de que, de alguma forma, poderia morrer no parto.

Se Sakura partisse de maneira natural, Sasuke não teria do que se queixar.

Quando a nora entrou em trabalho de parto em uma manhã, aos sete meses e meio de gravidez, suas expectativas só fizeram aumentar. Ela estava fraca, depressiva e frágil. Pessoas perdiam a vida com muito menos.

Sasuke pareceu chegar à mesma conclusão que o pai, e aquilo o desolou. Tanto, que ele mal conseguiu respirar, mal conseguiu pensar durante as dez horas em que a esposa havia passado no quarto, com Kasumi, Shizune e mais três mulheres do hospital.

Embora Fugaku lamentasse o estado do filho, não foi hipócrita suficiente para consolá-lo. Afinal, a morte de Sakura Haruno era tudo o que ele desejava desde o seu indesejado casamento.

Mas no fim, o anoitecer daquele dia angustiante trouxe alívio ao coração de Sasuke e decepção à alma do duque.

Sakura não só sobreviveu como também se tornou mãe do herdeiro dos Uchiha.

O menino minúsculo, que tinha cara de joelho e rala cabeleira negra foi chamado de Ryuuji Uchiha. E ironicamente, ao invés de tomar-lhe a vida, trouxera à sua mãe extremo vigor e alegria.

E a partir de então, Sasuke e Sakura foram felizes.

Ou ao menos tão felizes quanto as circunstâncias os permitiam.

O isolamento da antiga senhorita Haruno pareceu cansá-la e, de repente, de um dia para o outro, ela começou a sair do quarto; queria que o filho respirasse o ar fresco do jardim da Torre, que ele fosse banhado pelos raios de sol. Mesmo que tivesse duas babás, fazia questão de estar o tempo todo com Ryuuji nos braços.

Com quase um mês de idade, o pequeno Ryuu – como era carinhosamente tratado pela tia – já tinha feições. Ele tinha muitos traços do pai, mas era ridiculamente parecido com a mãe, especialmente por possuir os desagradáveis olhos verdes da estrangeira. Era um bebê quieto, mas sorridente demais, e logo Fugaku pôde perceber que estava longe de ser o seu tão esperado herdeiro.

Longe de ser o neto que ele sempre desejou.

E, no entanto, apesar da extrema decepção, o duque não pôde se preocupar com o bebê Uchiha por muito mais tempo. Exatamente cinco semanas depois do nascimento do filho de Sasuke e Sakura, uma carta chegou aos seus cuidados. Ela estava datada há um mês, e havia sido enviada pelo olheiro responsável por vigiar a rainha em seu distante exílio.

A carta trazia a lamentável notícia da gravidez de Hinata; notícia que confirmou mais uma vez à Fugaku sua teoria de que os Uzumaki deviam descender de baratas, pois parecia impossível livrar-se deles.

E como se só a novidade não fosse ruim o bastante, ao fim da tarde daquele mesmo dia, antes que o duque sequer pudesse pensar em uma estratégia para lidar com as reações de Sasuke e Karin, uma inesperada e indesejada visita surgiu.

Ele não ficou exatamente surpreso com a aparição de Suzuki. De fato, acreditava que a desagradável viúva Hyuuga devia ter tido conhecimento da situação de sua filha muito antes dele, talvez antes mesmo de a rainha deixar a Torre.

Ele não se surpreendeu com a visita, mas ficou abismado com a velocidade dela. Um timing perfeito demais para o seu gosto.

.

– Em que posso ajudá-la, madame?

Ele a questionou com educada polidez; tanta que fê-la revirar os olhos.

Fugaku a observou livrar-se do chapéu, das luvas e do delicado xale, aos quais entregou à sua jovem e tímida criada. Como sempre, Suzuki fazia questão de vestir-se com suas melhores roupas. O duque imaginou que talvez fizesse isso para provocá-lo, para deixar claro que apesar de sua viúves, da perda de seu título na corte e do exílio da filha, prosseguia com a mesma pompa de sempre.

E apesar de ter as mãos grossas e calejadas, apesar de ter emagrecido mais durante aqueles quatro meses do que em qualquer dieta maluca que algum dia já tivesse feito enquanto madame Hyuuga, obviamente graças a algum tipo de trabalho pesado, Suzuki continuava com a mesma elegância e o mesmo nariz empinado de sempre.

A senhora Hyuuga possuía a prepotência de uma Uchiha, Fugaku percebeu. E seria uma ótima mentirosa, caso sua nova silhueta – mais ereta, magra e com poucos músculos – não a denunciasse.

Ela havia sido direcionada ao Uchiha no instante em que pisara seus pés na Torre. Desde que o acordo entre a resistência e o novo governo havia sido oficialmente firmado, a senhora Hyuuga era obrigada a dizer tudo o que tivesse para falar ao duque, e só depois do julgamento de Fugaku poderia ser – ou não – levada até a nova rainha.

Era um cúmulo! Absurdo!... Mas não havia nada a fazer.

Embora de todos – ou ao menos a maioria dentro da Torre – soubessem sobre suas cruéis formas de manipulação, Fugaku gozava da mais plena confiança da tola Karin. O maldito era tido como um bom conselheiro, além de coordenar o exército de maneira excepcionalmente disciplinada.

Graças aos seus esforços, hoje a revolta estava contida, e a Akatsuki satisfeita.

Não importava que pessoas e famílias tivessem sido destroçadas para isso.

Por toda sua vida Suzuki julgara Hinata por suas inocentes manias de defensora da humanidade. Ironicamente, agora, justo ela era responsável por alimentar as pobres [e agora não tão poucas...] crianças maltrapilhas.

De sua mesa, Fugaku quase podia sentir o ódio exalando do corpo de Suzuki. Em seu íntimo, perguntava-se como, pelo amor de Deus, ela havia conseguido adivinhar. Afinal de contas, não podia saber da ciência de Fugaku pelo menos até o duque contar à Sasuke sobre a trágica gravidez da rainha exilada.

Ele tentou [por um instante realmente muito curto] pensar em outros motivos para Suzuki estar lá justamente naquele momento, qualquer motivo que não fosse o seu futuro neto, mas desistiu ao notar o olhar frio, extremamente analítico fincado em si.

Ela se sentou elegantemente na cadeira que ficava à frente da mesa do duque, e no mesmo instante seus guardas se empertigaram. Tolos, Fugaku pensou.

Como se pudesse fazer algo com aquela mulher (que literalmente de um mês para o outro havia conquistado mais da metade da nação, além de uma série considerável de aliados fora dela) àquela altura.

– Creio que nós dois sabemos os motivos de eu estar aqui. – A Hyuuga começou no instante em que a criada deixou o cômodo. – Quero estar segura de que minha filha e o meu neto estarão seguros, antes e depois do parto.

– Filho?... Parto?!

Fugaku tentou simular surpresa, mas Suzuki continuou séria. Uma das sobrancelhas escuras arqueou ligeiramente, como se ele estivesse bancando o idiota desnecessariamente.

Como se ela soubesse que ele sabia.

Como poderia?!

Afinal, nem Zetsu, nem Itachi, nem ninguém sabia daquela maldita carta! Ele sequer tinha tido tempo para pensar em um meio de se livrar daquele problema!...

Pensou no percurso da carta e não conseguiu imaginar uma brecha para que a informação vazasse para a resistência; o envelope havia sido lacrado e continuava assim quando chegou a suas mãos; a carta fora escrita em códigos que – obviamente – apenas o duque e pessoas de sua total confiança teriam capacidade para ler.

Suzuki teve que conter seu sorriso ao notar o espanto de seu odiado rival. De fato, pelo menos até então, ela não podia ter total certeza se o Uchiha sabia ou não sobre a situação de Hinata. Tudo o que tinha ouvido de Itachi era que “o duque havia recebido um comunicado realmente suspeito”.

Embora a incerteza tivesse refreado seu impulso por horas, Suzuki percebeu que devia seguir sua intuição. Mesmo que estivesse errada e Fugaku não soubesse de nada, a Hyuuga tinha total consciência de que uma hora ou outra, cedo ou tarde, ele descobriria. Portanto, era melhor lidar com ele mais rápido.

– Bem, há várias possibilidades, madame. – Ele deu um sorriso maldoso que a fez sentir náuseas. – Depois de um ano casados, um bebê nasce justamente após a morte do rei? Justamente meses depois de a rainha ser exilada?!... É bastante providencial. Providencial demais, se quer saber.

Suzuki apertou a saia, mas tentou conter a voz.

– Meu neto é O Herdeiro, Fugaku. Não um bastardo.

– Ou bastarda. – Ele sorriu ao corrigi-la, e Suzuki logo tratou de imitá-lo.

– Herdeira.

Fugaku não a respondeu. Era mesmo impossível sequer pensar na possibilidade de a criança de Hinata ser uma bastarda, visto que a rainha era absolutamente devotada e apaixonada pelo marido. Ela carregava um herdeiro, o herdeiro, enquanto Karin – graças à maldita Sakura Haruno! – sequer marido tinha.

Todos gostavam de bebês, o que era preocupante.

Embora fosse realmente difícil para Fugaku compreender (já que para ele crianças não eram nada além de trabalho, cansaço e dor de cabeça), ele sabia disso. E sabia das consequências que o filho do “casal real injustiçado” traria, caso sua existência viesse a público.

– Karin não deseja se casar. Talvez o adote?

Suzuki bufou.

– Como se eu fosse permitir que roubassem meu neto da minha filha... – Resmungou mal humorada. – Como se eu fosse permitir que meu neto fosse criado perto de alguém como você.

Fugaku sorriu.

– No entanto, Hinata foi criada perto de mim. – Fez questão de lembrá-la. – Ela foi quase uma irmã para os meus filhos, se não me falha a memória, e sempre nos demos muito bem.

– Quase irmã de seus filhos graças à Mikoto, não a você. – A viúva foi ríspida. – E sabemos que aquele Fugaku nunca existiu, não é?... Foi só uma máscara, não é? Amigo de todos; leal a todos... – Os olhos claros se estreitaram. – Se Mikoto estivesse viva, você a mataria de desgosto.

Foi como uma facada em seu coração, mas o duque se manteve firme.

– E o que a faz pensar, senhora Hyuuga, que minha esposa não sabia sobre os meus planos? – Ele foi frio. – Eu a amava com minha alma, e sabe que ela me amava. Por que não compartilharia meus ideais? Por que ela seria contra?

– Porque a Mikoto era fiel. Ela era nobre. Ela amava Hinata e amava Kushina, e morreria antes de permitir que você as destruísse como vem fazendo.

Embora quisesse sorrir só para provocá-la, Fugaku sequer conseguiu pensar em uma resposta à altura daquela declaração tão insuportavelmente verdadeira.

– Mas voltando ao assunto de minha filha, milord... – Suzuki ajeitou a postura, ficando ereta na cadeira vermelha ridiculamente desconfortável. – Gostaria de saber sobre as competências de sua nora mais jovem.

~

De certa forma, Fugaku havia cumprido sua promessa. Ele prometera ao filho “paz, conforto e tranquilidade” no exílio da Rainha, e aquela casa, escolhida a dedo pelo duque, era praticamente a personificação de tal descrição: pequena, distante, confortável. A casa em si era graciosa, mas pouco arejada, apesar do tamanho imenso da propriedade.

O casebre ficava longe de tudo e de todos, localizado numa cidadezinha chuvosa que ficava em algum lugar entre o país dos Ventos e a Vila da Chuva. A cidadezinha era simples e modesta, e tinha impregnado em seus ares a sensação de solidão.

Tal como a alma da rainha.

Hinata adorava Kurenai com todo o seu coração, mas mesmo sua presença não conseguia animá-la. O destino incerto de sua criança era um martírio, e tornava qualquer esforço da senhorita Yuuhi para fazê-la sentir-se melhor inútil.

A jovem Hyuuga sentia-se exausta... Sentia-se morta.

E cada dia parecia mais difícil de ser vivido... Ou sobrevivido.

Era quase impossível que fosse reconhecida na cidade, mas mesmo assim, Hinata não sentia a mínima vontade de sair da propriedade. De fato, era muito difícil para Kurenai sequer convencê-la a sair do quarto.

A rainha tornara-se uma pessoa quieta e taciturna, que passava a maior parte de seus dias presa em seus agonizantes devaneios, mas Kurenai não estava disposta a desistir dela.

Apesar de quase o tempo todo ser ignorada pela soberana, a senhorita Yuuhi parecia sempre ter assuntos a se falar. Assuntos que variavam entre os avanços na fala do pequeno Asuma até fofocas da cidade, sobre a vida de pessoas que Hinata sequer conhecia. Como nunca havia sido uma mulher tagarela, Hinata sabia que ela só estava se esforçando para fazer as coisas menos complicadas.

Hinata sabia que era injusto deixar todo o trabalho duro nas mãos de Kurenai: era ela quem cozinhava, limpava e lavava. Era ela quem ia sozinha à cidade e igualmente sozinha trazia suprimentos, tecidos e tudo o que fosse necessário para que seguissem com suas novas vidas. Cuidava de Asuma e de Hinata, e ainda assim sempre se mostrava disposta.

– Hoje uma velhota do mercado perguntou por que você não sai. – Kurenai comentou brevemente enquanto espanava os poucos livros que havia conseguido trazer. – Ela disse que já te viu na janela, que é muito jovem e muito bonita para ficar trancada nesse lugar, sabe... Eu concordo com ela. Se vamos seguir como civis, devíamos agir como civis.

Hinata não a respondeu. Apenas suspirou longamente, virou o rosto para a janela e, como se simplesmente não tivesse ouvido sua atual guardiã, fingiu-se interessada na constante garoa. Lentamente, quase sem perceber, as mãos alisaram a exorbitante barriga.

– É estranho ver chuva em julho, não acha?

A senhorita Yuuhi prosseguiu.

– Eu gosto de chuvas. – Hinata ouviu sua voz se aproximou, portanto não se assustou ao senti-la sentar-se ao seu lado. – Acho que nos ajuda a pensar... Refletir. – Murmurou em tom sereno. – Lava a alma, não é?

O silêncio se estendeu.

– Hinata... – Gentilmente, as mãos da antiga professora cobriram as da mais jovem. – Sei o que está sentindo... Sei, porque já senti. – Ela foi sincera. – Quando Asuma se foi, eu...

– Sabe por que olho para a chuva, Kurenai? – Hinata a interrompeu, e a mulher imediatamente calou-se. Lentamente, o rosto pálido e cansado virou-se na direção dela, e com a face séria, quase inexpressiva, a Uzumaki prosseguiu:

– Olho para a chuva porque ela me faz lembrar que não estou em casa... Porque ela me faz lembrar que o meu lugar não é aqui. – Os olhos perolados se estreitaram. – E que eu preciso voltar.

~

O ducado de Uchiha sempre havia sido uma região próspera; era bela, rica e extremamente movimentada. Era tido como a segunda capital da Nação do Fogo, e certamente, desde a morte de Kushina e Minato, havia se tornado o ponto de alto interesse para os viajantes, fossem eles estrangeiros ou não.

Por mais incrível que pudesse parecer, a ideia de visitar as terras dos Uchiha sequer havia passado pela cabeça de Naruto enquanto estava na Torre. O que foi uma grande tolice, ele percebeu.

Porque o ducado de Fugaku refletia absolutamente tudo sobre sua pútrida personalidade: seu centro era grandioso, e exageradamente majestoso. Com enormes jardins decorados e bem cuidados, residências chamativas rodeadas de gente que Naruto pôde identificar como arrogante mesmo a quilômetros de distância.

E, no entanto, mesmo com a fachada absurdamente exuberante, o interior do ducado era precário e completamente desestruturado.

A moradia dos trabalhadores não era nada além de barracos montados com barro e madeira podre. Na lavoura, homens, mulheres e crianças trabalhavam com afinco enquanto eram vigiados por capatazes que empunhavam açoites de dar arrepios.

– Devia ter dado dinheiro aos camponeses, não aos brutamontes.

O rei reclamou à Neji quando finalmente adentraram a floresta.

– Os camponeses não podem nos delatar, os capatazes sim. – Foi Shikamaru quem o respondeu. – Vamos, Kurama. Somos um grupo obviamente suspeito andando pelas terras do homem mais poderoso da Nação do Fogo. É claro que temos que fechar a boca das pessoas.

O fato de Naruto estar vivo era absolutamente confidencial, portanto uma nova identidade lhe fora conferida. Assim surgiu “Kurama”, um suposto mercenário em ascensão, vindo do país dos Ventos para contribuir com os interesses da resistência.

No começou foi um incômodo ter o termo “mercenário” pesando sobre seu novo nome, incômodo quase tão grande quanto usar a máscara de raposa absurdamente quente em seu rosto pela maior parte de seu dia, mas depois de tantos meses, o rei começava a se acostumar.

O título de mercenário levava as pessoas para longe, a máscara trazia desconfiança e lhe conferia privacidade, e tudo isso evitava uma série de problemas.

– O que o faz pensar que os brutamontes não vão dizer nada?

Shikamaru deu os ombros.

– Itachi. – Disse simplesmente. – Ele conhece cada pessoa nesse lugar.

– Pensei que tivéssemos concordado que Itachi Uchiha não saberia do refúgio do casal real. – Ultrajado, o mascarado Gaara o fez lembrar. O conselheiro de Naruto se limitou a suspirar.

– Eu não disse para onde vínhamos, só pedi informações.

– Imagino que Itachi seja esperto o suficiente para associar uma coisa à outra.

– Itachi é esperto o suficiente para adivinhar onde estamos, com ou sem as perguntas do Shikamaru. – Naruto murmurou irritadiço. – Já te disse que confio em meu conselheiro.

– Claro! Por que não confiar no filho do homem que te apunhalou?

– Talvez porque ele tenha salvado a minha vida.

– Chega, irmão. – Temari se pronunciou antes que o ruivo pudesse respondê-lo. – Suzuki-san garantiu que é um lugar escondido e discreto, lembra-se? Mesmo que Itachi saiba que estão no ducado, dificilmente poderá encontrá-los. Não é, Neji-san?

Neji anuiu prontamente.

– Tobirama Senju, meu tio-avô, construiu logo depois de se casar com a avó de Hinata.

Naruto franziu o cenho e tentou se lembrar de onde conhecia aquele sobrenome.

– Tobirama acreditava que devia manter os amigos próximos e os inimigos ainda mais próximos... Ele não confiava em Madara, então levantou um chalé no meio da floresta sem a permissão do duque. – Neji virou-se de soslaio. – O lugar em si é longe de qualquer suspeita, foi projetado para se caso Madara o encontrasse, concluísse que era resultado de uma provocação... – Explicou. – Mas está rodeado de abrigos, passagens e rotas de fuga. Faz mais de quarenta anos que está em pé, e nenhum Uchiha sequer o vislumbrou.

– Como pode ter tanta certeza? – Temari quis saber.

– Se Madara o tivesse descoberto, destruiria em um piscar de olhos. – Shikamaru explicou. – E se Fugaku o descobrisse, cobraria os impostos da propriedade no instante seguinte.

A garota de Ventos anuiu lentamente, compreendendo.

– Não é ocupado desde a morte de Tobirama, mas vocês vão conseguir se virar.

– É muito grande? – Naruto quis saber.

– Veja por si mesmo.

Neji desceu do cavalo e o guiou com as mãos. Tanto o rei quanto os demais o seguiram, imitando suas ações. E lá, escondido entre as árvores, antes das montanhas, ao lado de um adorável córrego cristalino e longe de qualquer trilha, estava o chalé. Pequeno, mas de aparência aconchegante, a casinha tinha dois andares, um cuidadoso acabamento de madeira e um teto coberto de palha velha.

– São dois quartos pequenos, que ficam em cima. Em baixo temos a cozinha e uma sala de estar, nada além disso. – Neji apontou para um canto. – Lá fica a casinha. É um pouco longe da casa, mas...

– É perfeito.

Naruto cruzou os braços, extremamente satisfeito.

– Podemos montar guarda na cidade. – Shikamaru refletiu. – Itachi conhece homens de confiança por aqui, será fácil nos infiltrar.

Gaara espremeu os lábios.

– Nara-san, eu já disse que...

– “Que não confia em traidores”. Sim, Kazekage, você já nos disse isso. – Shikamaru virou-se de soslaio. – Mas não temos muitas opções. – Ele foi claro. – Mas não se preocupe. – Prosseguiu antes de ser respondido. – Tudo será feito com a aprovação de Suzuki-san.

– O duque vai ficar furioso se descobrir que os pilares da revolta estão justamente em suas terras. – Temari riu ao observar; Shikamaru lhe ofereceu um sorriso divertido.

– É aí que está: ele jamais suspeitaria.

Naruto sorria como um bobo, alheio à discussão ao imaginar o filho correndo energeticamente pelo campo; quase podia vislumbrar Hinata, apavorada com a possibilidade de serem vistos, gritar ordens para que o príncipe voltasse para casa.

E então, com a mesma facilidade com que havia se formado, seu sorriso se desfez. E a chama de felicidade que havia aquecido o seu peito pela possibilidade se apagou repentinamente, como se um frio gélido a tivesse soprado.

Porque, afinal de contas, seu herdeiro jamais correria naquela floresta.

–... Vamos entrar logo.

.

E naquele mesmo instante, do outro lado do país, Tsunade Senju era convidada a adentrar numa simplória casa civil. Aquele vilarejo ficava tão distante de Konoha que facilmente era esquecido pela nobreza; um lugar pobre, com carência de segurança embora repleto de boas pessoas.

– Fico grata por ter me correspondido, Iruka.

O dono da residência a respondeu com um sorriso doce e um acenar tranquilo.

– Na atual circunstância, não me contataria se não fosse urgente... – Muito prestativo, ele serviu chá à princesa em uma velha caneca de barro. – E devo admitir estar muito curioso. Não faço ideia de em que posso ser-lhe prestativo, alteza.

Iruka Umino havia servido ao exército da Nação do Fogo como cadete, tanto tempo atrás. Não tinha muitos dons e nem era lá muito talentoso em combate; a verdade era que sequer gostava de lutar!... Mas conquistara a confiança da família da princesa Tsunade com sua generosidade e suas boas ações.

Em sua época, fora conhecido por cuidar de seus companheiros, conhecido por colocar sua vida em risco antes de deixar um camarada para trás, ato que resultou em sua prematura aposentadoria e uma grande e marcante cicatriz bem no meio de seu rosto.

Tsunade sorriu, aceitou a caneca e, após bebericar do chá aguado e sem gosto, fixou seus olhos nos castanhos do homem sorridente.

– Sabe que confio em você, não é?... Depois da morte de Kushina, é um dos poucos. – Iruka anuiu, compreensivo. – Estou prestes a pedi-lo algo muito sério, Iruka...

Ela pousou a caneca na mesa.

– Muito delicado, sério, e de grande importância.

As sobrancelhas do ex-soldado se arquearam de maneira desconfiada.

– Aproximadamente dez anos atrás, Jiraya e eu levamos meu neto, Naruto, para ser criado longe de Konoha. – Iruka assentiu; embora nunca nem mesmo tivesse visto o filho de Kushina, conhecia bem sua lamentável história. – Queríamos protegê-lo... Queríamos que ficasse seguro. – Ela suspirou longamente, parecendo perturbada.

– Princesa, por favor...

– Agora estamos em uma situação diferente. – Ela encarou o antigo cadete com seriedade. – Perdemos o trono, Iruka, e só Deus sabe se algum dia vamos recuperá-lo. Naruto foi apunhalado pelo duque, e sua esposa foi exilada...

Tsunade bebeu mais um gole da água quente na inútil tentativa de desfazer o bolo que havia se formado em sua garganta.

–... Ela está grávida. – Ela murmurou cuidadosamente, a voz cautelosa e a postura tensa. – Grávida do herdeiro, Iruka... Sabe o que isso significa?

– Significa que vão resgatá-la. – O homem concluiu facilmente. – Eu gostaria de ajudá-la, alteza... Mas não sou mais um soldado. Eu sou um velho homem que mal consegue se virar sozinho...

– Não que me ajude a resgatá-la, Iruka. – Tsunade o interrompeu. – Você é acima de qualquer suspeita... Fugaku sempre foi tão cheio de si, tão metido ao importante que duvido que se lembre de sua existência.

O homem sorriu.

– Eu também duvido. – Ele concordou com um tom divertido. – Aquele homem mal olhava nos olhos dos cadetes... Seu cavalo era muito alto para cumprimentar os mais simples... – Suspirou longamente. – Mas, se não quer ajuda no resgate...

Tsunade hesitou.

Hesitou por mais tempo do que devia se supor, e Iruka percebeu que aquele pedido, fosse o que fosse, se tornaria um peso... A maior responsabilidade de sua vida.

Lentamente, os olhos claros da princesa se ergueram.

– Quero que cuide do herdeiro, Iruka.

~

Sakura sentia cada músculo de seu corpo tenso. Estava contando cada um de seus respiros para tentar se acalmar, e ainda assim seu estômago estava encolhido, congelado de medo.

Ela odiava ter que ficar sozinha com Fugaku.

E odiou ainda mais quando um dos capangas do duque a avisou que o sogro exigia sua presença em seu escritório imediatamente, mas não disse sequer uma palavra sobre os motivos disso.

Sakura ajeitou o corpo na cadeira desconfortável, e se assustou quando a porta abriu repentinamente. Ela tentou não se mostrar nervosa, mas foi inútil; Fugaku parecia sentir o cheiro de medo, e talvez por isso, mais sinistro do que nunca, ele se aproximou lentamente de onde a nora estava sentada.

Sério e silencioso, puxou uma cadeira para sentar-se exatamente à frente dela.

– Eu vou perguntar uma vez, Sakura. – Ele falou em tom baixo, letal. E encarou a esposa de Sasuke como se fosse sua maior inimiga. – Por que Suzuki Hyuuga quer que você, dentre todos os mestres médicos que temos no país do Fogo, seja responsável por cuidar do parto da rainha?

Ainda que tenha sido uma pergunta simples e objetiva, Sakura não pôde compreender. Ela piscou duas vezes, francamente confusa, com o medo retardando suas conclusões.

–... O- O quê...?

Ele bateu forte na mesa ao lado, um soco alto e assustador, que fez a jovem se encolher de medo.

– Olhe pra mim. – Ele ordenou, agarrando os curtíssimos cabelos róseos de maneira violenta, obrigando-a a erguer a cabeça. – Estou perguntando por quê diabos Suzuki Hyuuga confiaria numa inútil como você?!

Sakura choramingou.

– E- Eu não sei! – Ela exclamou com sofreguidão, sentindo-se um bichinho acuado. – Juro, Fugaku-san... Eu não sei!...

– Escute bem o que eu vou falar, sua pequena traidora... – Ele se aproximou perigosamente, e encarou fixamente os acuados olhos verdes. – Você pode ser mãe de dez varões Uchiha, mas juro pelo meu sangue que se a criança de Naruto nascer, vou matá-la. – Puxou os fios ainda mais, fazendo-a gritar. – Lentamente, está ouvindo?... Dolorosamente. Com seu filho assistindo, se estiver inspirado.

– Não... – Com forças vindas do além, ela agarrou o pulso do sogro. – Não toque nele!... Não toque nele!... – Exclamou fracamente.

Fugaku estreitou os olhos e riu.

– “Não toque nele”?... Aquela criança me pertence, estrangeira burra. Não é sua nem de Sasuke, é minha. O meu herdeiro.

– Não!

– Acha que eu queria que fosse ele? Aquela maldita criança mestiça?... Mas você me tirou o verdadeiro herdeiro, não é? Pequena assassina. – Ele cuspiu as palavras. – Eu sei que engana Kasumi, Itachi e Sasuke com seu discursinho de “eu tentei salvá-lo”... Mas só estava tentando salvar a si mesma, salvar esse garoto inútil que agora sou obrigado a tomar como substituto!

– Não! – Ela gritou. – Não foi culpa minha, Fugaku. Foi culpa sua! – Ela cuspiu as palavras, a raiva crescendo mais que o medo. – Foi por sua culpa que a duquesa morreu! Foi por sua culpa que o seu neto não pôde nascer! Foi por sua...!

Calou-se quando sentiu o ar fugir da garganta.

Fugaku agarrara seu pescoço a força de um brutamonte, e Sakura agonizou. Ela se debateu; agarrou o braço estendido em sua direção e sem ar e sem forças, tentou inutilmente desvencilhá-lo.

– Mate o principezinho bastardo, ou eu juro que vai se arrepender.

E a soltou repentinamente, fazendo-a desabar da cadeira. Sakura ofegou, tossiu e tateou o pescoço, completamente perturbada. E depois de meio minuto da saída de Fugaku de escritório, Kasumi adentrou-o.

– Aquele maldito traidor! – Ela grunhiu entredentes, correndo para acudir a cunhada. – Sakura, respire fundo... Lentamente.

A rosada a obedeceu, trêmula.

– Acalme-se... – A morena acariciou suas faces.

– K- Kasumi-san...

– Não fale. Respire primeiro...

Kasumi acariciou as costas da mais jovem, e aos poucos o ar tornou aos pulmões da antiga senhorita Haruno.

– Eu a segui quando vi aquele homem imbecil te chamar. Quase invadi o escritório quando ouvi seu grito!... Deveria ter invadido! Deveria ter espancado aquele filho da...

Sakura encarou a cunhada com o rosto pálido, parecendo completamente chocada com o acontecimento.

– Naruto vai ter um filho... Naruto vai ter um bebê... E ele quer que eu mate o filho do Naruto... Do meu melhor amigo!... Eu não posso fazer isso, Kasumi-san!... E ele vai me matar se eu não fizer!

Kasumi estreitou os olhos e impulsivamente, sem nem pensar nisso, abraçou a esposa de Sasuke com força e carinho. Apertou-a firmemente, fraternalmente, e sentiu-a encolher-se em seus braços.

– Aquele maldito não vai tocar em você... – Ela apertou os olhos. – Você não vai matar ninguém, e ele vai ter que me matar antes de tocar em você.

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– Ele vai ter que me matar antes de tocar em você.

Sasuke afirmou lentamente, letal. Os olhos fagulhando em raiva.

Sakura, sentada sobre seu colo, encolheu-se em seus braços, completamente acuada, e ele sentiu cada músculo tremer. Tentou alisar os ombros pequenos, mas estava tenso, furioso!... Tudo o que mais queria era sair, bater na porta do quarto do duque e matá-lo a pancadas!

Como ele ousava...?! Depois de prometer que não a machucaria de novo!... Depois de prometer que a respeitaria, que a trataria da maneira correta! Não só assustara Sakura; a ameaçara, a torturara!

– O que a resistência está fazendo sobre isso?

– Aquele maldito jurou que só tomaria providências se nascesse homem. Jurou! Na frente daquela rainha imbecil!...

– Ah, querido. – Kasumi bufou. – Ele pode jurar perante um altar de ouro, na frente da imagem da sua mãe, e eu ainda saberia que está mentindo.

Sasuke estreitou os lábios.

– Suzuki disse algo parecido. – Ele confessou. – É claro que ela está tomando as devidas providências, mas eu não sei como as coisas vão ocorrer...

Carinhoso, ele afagou os cabelos da esposa e levou os olhos até a amada. – Não fique assustada, querida... Eu vou estar lá. – Ele prometeu, e pressionou os lábios na cicatriz de sua testa. – Foi uma das exigências de Suzuki. – Explicou, agora levando os olhos à Kasumi.

– Eu também vou. – A mais velha decidiu, e Sasuke riu.

– Ah, não vai não... Já vou ter problemas demais para cuidar da minha esposa.

– Eu é que vou ter que cuidar dos dois. Você nem sabe dar uma rasteira.

A morena cruzou os braços, séria.

– Não vou deixar dois patinhos no meio de uma matilha de lobos furiosos.

– O combinado é que um grupo discreto de soldados vai nos acompanhar...

– Ele vai colocar um exército em volta daquela casa, escute o que eu digo.

Sasuke franziu os lábios e revirou os olhos.

– Não podemos deixar que ele mate essa criança, Sasuke... – Ela soou séria. – E você sabe disso. Sabe o que um filho de Naruto pode significar para a Nação... Menino ou menina, essa criança vai ser um símbolo de esperança. – Apontou em direção à janela. – Vai dar àquelas pessoas uma razão para lutar.

Sasuke suspirou longamente. Coçou a nuca, incomodado com a pressão e balançou a cabeça, compreendendo as palavras da cunhada.

– Ele vai nascer, Kasumi... – Sakura murmurou baixo, tomando a atenção de ambos Uchihas. Ela apertou os olhos como se sentisse os olhares, e acomodou-se ainda mais no peito do marido. – Mesmo que eu morra.

O silêncio se alongou.

Kasumi viu os lábios de Sasuke espremerem aos poucos, até formarem uma linha reta perfeita que exalava frustração. Era fácil compreender o que Sakura queria dizer, e ainda mais fácil ainda compreender os sentimentos de Sasuke sobre aquilo.

– Você não vai morrer. – Os dois disseram ao mesmo tempo. Kasumi com a voz suave e compreensiva, Sasuke com um tom furioso. Quando Sakura manteve o silêncio, ele encarou a cunhada e a expulsou com os olhos.

A esposa de Itachi suspirou; levantou-se e deixou o quarto imediatamente.

– Está me ouvindo? – Sasuke apertou o rosto dela e ergueu-o com as mãos trêmulas. – Não pense nisso, porque você não vai morrer.

Ela assentiu lentamente; ofereceu ao esposo um sorriso frágil, e fungou chorosa.

– Ninguém vai tocá-la, Sakura... – Ele prometeu num murmúrio irritado, roçando os lábios nos dela. – Ninguém além de mim, entendeu...? – E a beijou.

~

Fugaku precisou de quatro dias para providenciar tudo.

Karin e Suzuki [e Fugaku, obviamente] concordaram que o nascimento da criança permaneceria em sigilo absoluto. Caso fosse uma princesa, Hinata prosseguiria no mesmo lugar, vivendo sua nova vida ao lado da filha em total anonimato, e caso fosse um varão...

Bem, a decisão seria tomada depois do parto.

Suzuki percebeu que a última coisa que Karin desejava era ter o sangue de um bebê nas mãos. Mas Karin era tola e ingênua, e claramente não enxergava atrás da máscara de formalidade de Fugaku.

A viúva Hyuuga sabia que ele tramava alguma coisa, tanto quanto Fugaku sabia que ela também estava tomando providências para o resgate da filha. Suzuki estava começando a se acostumar com aquele jogo de mentiras deslavadas, e percebeu – com muita satisfação – que se podia se sair tão bem dele quanto o maldito duque.

Fora acordado que, como ninguém sabia o tempo em que o herdeiro havia sido concebido, Sakura e Sasuke seriam mandados imediatamente para junto da antiga rainha. Com eles, mais uma médica para dar suporte à jovem senhora Uchiha e um grupo de seis guardas.

Como sempre, Obito estava incluído nesse meio. Seria mais uma das cobras.

Suzuki e Fugaku estavam terminantemente proibidos de se aproximar do exílio da Rainha. Ele, porque não era da confiança da viúva; ela, porque não era da confiança do duque.

– Não sei por que está irritado com isso. – Itachi comentou. – Com a Sakura fazendo o parto, tudo fica em família. – Ele deu um sorriso provocativo ao pai, que o encarou como num aviso. – Se a tratasse melhor, poderia conquistar a confiança dela. Sakura é quase tão... Hn... Ingênua. Isso. Quase tão ingênua quanto a sua querida boneca-rainha...

– Basta, Itachi. Só siga minhas instruções... – Fugaku afrouxou a gravata, frustrado. – Eu não vou seguir aqueles dois até a carruagem. Sei que estão metidos em qualquer que sejam os planos daquela... – Ele respirou fundo. – Não quero ver isso... Onde está o Ryuuji?

– Com Shizune, como combinado. – Fugaku anuiu. – Eu vou pedir para Kasumi cuidar dele... – Itachi suspirou. – Isso vai dar um pouco de tranquilidade ao Sasuke e a Sakura.

Fugaku anuiu, e fez menção para que ele se retirasse.

– Vá. Se apresse. Acompanhe Karin... Eu não estou com paciência para lidar com aquela mulher.

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– Obrigada por aceitar, querida.

Suzuki segurou as mãos de Sakura de maneira maternal, com um sorriso tão doce que fez com que a rosada enrubescesse.

– Sei que deve ter passado coisas difíceis graças ao meu pedido... Mas você está aqui. E tenho certeza que vai fazer um bom trabalho.

Sasuke sorriu.

– Tudo vai dar certo, madame. – Ele garantiu à Hyuuga.

– Eu vou fazer o meu melhor, Hyuuga-san...

– Certo, já estão todos aqui. – Obito avisou aos Uchiha. – Sasuke, você vem comigo na frente ou prefere ir dentro da carruagem?

Sasuke estava a ponto de dizer “qualquer um”, mas sentiu a esposa pressionar sua mão de maneira nervosa e ansiosa.

–... Com minha esposa... – Ele decidiu, e tentou acalmá-la com um sorriso.

– Certo, mas quem é a médica de apoio? Dependendo, as acomodações podem ficar apertadas...

Sasuke e Sakura se entreolharam, cheios de dúvida e tensão.

Ambos sabiam que falar justo para ele...

– Eu estou aqui. – Kasumi se pronunciou, apressando-se para tomar seu lugar ao lado dos cunhados e fazendo com que Obito enrijecesse imediatamente.

Que diabo pensava aquela menina?!...

– Oh! Kasumi!... – Suzuki pareceu verdadeiramente surpresa. – Mas...

– Não tenho formação, mas sempre gostei muito de cuidar das pessoas. Sei que vou ser uma boa ajudante à minha cunhada. – Com um sorriso animado, ela agarrou a mão de Sakura, que estreitou os lábios em uma expressão preocupada. – Vamos, Sakura! – Ela riu diante da cunhada. – Pelo menos finja que confia em mim!

– Você não vai.

Kasumi estava a ponto de retrucar com Obito, mas ao se virar na direção da voz, assustou-se com um Itachi ereto e furioso.

–... É- É claro que eu vou!

Ela tentou não parecer intimidada, mas foi inútil.

– Por que não iria?

– Porque eu sou seu marido e estou dizendo que você não vai.

Os lábios dela franziram.

– Pensei que fosse sua esposa, não sua propriedade.

Itachi forçou um sorriso. – Nesse país é quase a mesma coisa. – Ele argumentou, ignorando completamente o estreitar de olhos da amada. – Vai ficar e vai cuidar de Ryuuji, como uma cunhada deve fazer.

– Infelizmente, senhor Uchiha, esta decisão não cabe a você.

Suzuki os interrompeu. Itachi a olhou como se estivesse maluca, mas ela simplesmente lhe sorriu.

– De acordo com o combinado, sou eu quem decide quem vai poder tocar e cuidar de minha filha. Se Sakura acredita que Kasumi é o suficiente para ajudá-la com o parto, estou completamente de acordo...

Ela virou-se em direção à Haruno, seu olhar pedia por uma resposta.

–... Gostaria de trabalhar ao lado de minha cunhada. – Sakura murmurou.

Kasumi mordeu o lábio inferior para conter um sorriso de vitória, mas Suzuki não se importou em esconder o seu. – Viu? – Ela virou-se para o herdeiro de Fugaku. – Não há motivos para estresse, senhor Uchiha... Tudo vai ocorrer bem.

Itachi estava imóvel.

Queria agarrar os braços daquela mulher, sacudi-la até que ela vomitasse!... Queria perguntar que diabos ela achava que estava fazendo, mas sabia exatamente o que era.

Ela o estava provocando.

Dando a ele mais um motivo para ser fiel, como se Itachi precisasse disso.

– Vamos. – Sasuke enfim se pronunciou. – Hinata deve estar à nossa espera.

Notas finais
Bem, é o fim. Ela espera que vocês tenham gostado, e eu sei que vocês vão gostar, porque eu li... ^-^' Então, vamos lá! Vamos torcer para que ela consiga escrever o próximo capítulo essa semana, sim? Obrigado a todos que apoiam a minha noiva! Eu sei que The King é muito importante para ela, e também sei que todos os comentários são lidos com muito carinho. Posso afirmar, porque ela já me enviou um milhão deles. Não importa o quanto eu diga que o capítulo é bom, ela nunca acredita até ler a opinião dos leitores. ¬¬' Leiam e comentem! Ela sempre fica muito grato, e eu sempre sou grato a qualquer pessoa que faça a minha garota se sentir feliz! E, podem me fazer o favor de pedir pra essa garota escrever mais ItaKasu? Porque ela nunca me escuta. -_-" Por fim, até mais! XD Foi um prazer... Err... Falar com vocês?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.