The Killer

26 XXV - Cada você, cada eu


Notas iniciais
Vai, eu sei que a pergunta que ainda predomina é: WHO THE FUCK ARE THIS GUY!? KKKKKKKKKKK Calma gente, Stefan é sangue bom!

Entao, eu trouxe um capitulo novo em folha pra voces! :)

Ah é... Tambem queroa dizer que eu amei as novas recomendações que a fic recebeu! Serio, foram perfeiras!

Boa leitura!

XXV — Cada você, cada eu

Narração: Cullen

Não dissemos nada. A revelação dela tirou-me o ar de forma bruta e a dor fora intensa, já que agora sabia o que sentia por ela. Bella estava quieta e tensa, eu podia sentir o cheiro do seu medo... Um medo diferente. Desta vez, ela não temia só por si mesma, mas também por mim! Passados devem permanecer no passado, porque quando é trazido para o presente, ele pode destruir seu futuro! Mas eu queria saber... E agüentaria as conseqüências de cabeça erguida, como sempre.

-Quem é Stefan? — perguntei por fim. Bella se encolheu.

-Parece que adoro me envolver romanticamente com homens fora da lei. — resmungou para si mesma. Revirei os olhos. "Stefan? Não parece ter nome de assassino..." vasculhei minha mente, atrás desse nome. -Como eu era tola... — eu mergulhei em sua historia, como se pudesse sentir as emoções que embargavam sua voz.

Era uma época difícil! Seth havia ido para Toronto de vez, se formar e criar raízes lá. Não fiquei feliz, é obvio, afinal, era ele que me prendia a mansão Swan! Foi ai que eu decidi sair de casa e achar meu próprio apartamento. Eu havia feito 18 anos a pouco tempo, nem experiência eu tinha. Estava simplesmente revoltada: revoltada com Charlie, com o Demônio, com Seth por ter ido embora... Ou seja, com a vida!

Bella soltou um suspiro entrecortado.

Estava vivendo um inferno com o Demônio tratando-me tão mal... Quando finalmente me mudei, assim como eu, tudo mudou! As primeiras semanas foram às melhores. Eu fazia o que queria, quando eu queria! Então, a faculdade começou a me sugar involuntariamente e as tarefas domesticas foram acumulando. Com dois meses sozinha, eu achei Emily e desde então, ela me salva a vida sem perceber.

-Não dá pra ir direto ao ponto? — perguntei.

-Shhhhh... Não me interrompa! — ralhou.

Era um porre todas aquelas matérias e livros! Mas eu agüentei por meu pai... Por mais que reclamasse sempre que me pedia algo, jamais negava! Foram anos comigo afundada em livros ate o pescoço, claro que, como não sou de ferro, saia à noite. Fazia parte do clube "Baladeiras de Plantão", ai eu conheci a Kim! Foi a primeira vez que eu senti algo por uma mulher... Aprendi a obter prazer com ela, que foi uma espécie de professora... Conheci um mundo alem do nerd-popular, que era o meu mundo. Por noites a fora, Kim e eu transamos em meu apartamento. E essa foi à rotina da minha estadia na faculdade: estudos, baladas e sexo. Quando terminei a faculdade, entrei para a empresa do meu pai com pequenos casos. Ele não amoleceu por eu ser filha, tratou-me como um empregado qualquer, obrigando-me crescer forçadamente.

E então...

-O que? — perguntei curioso. Ela chiou de novo, interrompendo-se.

Eu o conheci, como num sonho! Ate então, eu pensava que era lésbica e só, e havia aceitado tal fardo! Cabelos claros, olhos azuis, alto, magro e braços longos... Sempre me lembrarei de sua descrição, pois ela me fez enlouquecer quando o vi, tomando café e lendo jornal. Eu nunca parava naquela cafeteria, mas naquele dia eu entrei com o intuito de seduzi-lo o bastante para pegar meu numero. Mas Stefan era esperto... Tão esperto, que me atacou primeiro, antes mesmo de eu conseguir fazer algo!

-Bom dia. — disse ele por trás de mim, pegando-me desprevenida. "O que dizer agora?" pensei hipnotizada por seus olhos azuis escuros. Uns óculos de grau dava-o um charme a mais!

-Bom dia. — respondi arrogante.

-Toda manha... — disse, escondendo um sorriso. — Eu a vejo passar por aqui, sem se dar o trabalho de entrar. — mostrou-me um sorriso tão brilhante, que me tonteei. — Fiquei curioso. O que mudou hoje?

-Eu ti vi. — respondi, lisonjeada por ele ter me notado. — Bella. — estendi a mão. Num gesto atencioso e delicado, encostou os lábios em minha mão.

-Fico feliz que tenha finalmente me notado. — sorriu fixando os olhos nos meus.

Bella parou de falar. Provavelmente sentiu a tensão em meu corpo e resolveu dar uma pausa. Alguns fatos me ajudaram a entendê-la um pouco mais, um mínimo, mas ainda era bom! Entretanto agora eu já não tinha mais certeza se queria saber mesmo desse tal de Stefan, sua grande paixão. Não tinha mais certeza, mas ainda estava curioso. Se estavam apaixonados, porque se separaram!? O que ela quis dizer se envolver romanticamente com homens fora da lei? Eu queria perguntar com rapidez e encerrar o assunto, mas outra vez, Bella foi mais rápida e continuou a historia.

Sabe, eu não me sentia mais tão fria e arrogante depois que o conheci. Sesi é uma boa companhia e as vezes, ate conversávamos. Mas nada como uma pessoa! Demorou seis meses para ele me contar uma coisa... De inicio, eu só sabia que seu nome era Stefan e não me interessei por seu sobrenome. Erro meu, admito! Eu estava completamente apaixonada, não havia para onde correr, afinal, já havia declarado tal sentimento a ele. Seu nome completo era Stefan Sulpicia.

O choque me fez prender o ar. Agora eu entendera seu comentário!

Estava em Nova York planejando um grande assalto e se escondendo de tudo quanto é tipo de policia. Não liguei para o que ele era, mas sim para o que sentia. Eu o encobertei sem vergonha alguma, nem antes nem agora eu sinto isso. Em momento algum, eu o ajudei. Antes da revelação de ser um grande assaltante, eu morava em frente ao Central Park, num apartamento bem pequeno, depois, eu passei a viver onde você conhece muito bem. Ele resolvera viver comigo, cuidar de mim e fomos morar juntos, eu não me importava! Claro, Stefan tinha suas manias...

-Diga um presente que queria ganhar? – perguntou a mim, enquanto encaixotávamos minhas coisas.

-Eu não sei... O que quer me dar? – sorri deixando meus cabelos esconder minha face.

-Um piano! – exclamou alegre e bufando pelo esforço.

-Um piano!? – perguntei rindo.

-Sim... Assim eu posso tocar para você!

E ele tocava... Todo dia, toda noite! Me recebia no apartamento sempre com uma melodia diferente!

Novamente, Bella ficou em silencio. Eu quase podia sentir a dor dela fluir para mim, fazendo-me arrepender de ter perguntado algo. Ela saiu de cima de meu peitoral e se virou, ficando de costa para mim, encolhida no outro canto da cama. Sentei-me de costa para ela, pensando. Quase não ouvi sua doce voz continuar a contar...

Eu sei que sou bonita, mas todas as noites, observando Stefan dormir, eu me perguntava o que um homem de 36 anos havia visto em mim? Eu tinha 24 anos... Será que ele esperava proteção de mim? Sabia que eu era advogada... Mas nunca pediu nada! Talvez ele gostasse mesmo de mim, eu não sei... Eu, agora, tenho minhas duvidas de seus diversos "eu amo você". Ele disse que era o seu ultimo assalto grande, e então sumiria no mundo... Mudaria de nome e de aparência, viveria uma vida tranqüila gastando o dinheiro aos poucos e ate trabalhando quando quisesse, sem obrigação alguma! Stefan me chamou para ir com ele, vivermos o tão chamado sonho americano, perdidos em algum lugar do Pacifico.

Foi uma decisão difícil... Eu queria ir, mas algo me impedia! Gosto de pensar que era minha família: Charlie e Seth. Eu disse que não queria ir... Poucos dias depois, no Dia da Independência, houve um grande assalto, Stefan fez tudo sozinho, é claro! E então, ele me convidou uma ultima vez, antes de pegar um avião particular ate um lugar indeterminado. Foi à pior despedida que eu já tive... Doeu tanto que pensei que fosse desmaiar! Duas horas depois, peguei um avião para Toronto e chorei no colo de Seth! Ele me consolou por duas semanas, o tempo máximo em que me isolei. Quando voltei, fiz uma reviravolta... Tranquei aquela sala e nunca mais entrei lá, sozinha ou acompanhada. A única a entrar lá foi Emily, para limpar!

-Então, naquele dia depois da festa...? — perguntei, olhando-a por cima do ombro. Bella ainda estava de costa para mim.

-Sim, aquela foi à primeira vez em anos! — disse, virando-se para mim, com as mãos sob o rosto e os cabelos bagunçados envolta. -Dois anos, para ser exata!

-E o que houve com Stefan? — perguntei receoso. Bella suspirou, baixando os olhos.

-Ele se isolou numa ilha tranqüila, longe de confusões... — contou baixinho. — Me mandou um postal, assim que se acomodou. O lugar é lindo! — elogiou esticando um canto da boca. -Mandou-me também uma foto junto! Estava diferente... Os olhos continuavam azuis, mas os cabelos estavam negros. Confesso que fiquei abalada... — desviei o rosto, apoiando os cotovelos nas coxas e fixei-me no chão. -Edward?

-Fala! — resmunguei.

-Quando Stefan foi embora, apenas doeu. — ouvi Bella se remexer, mas não levantei a cabeça. Era difícil depois de eu ter falado de meus sentimentos, ouvir a paixão na voz dela ao dizer o nome de outro homem. -Mas... — hesitou e isso chamou minha atenção, fazendo meu coração acelerar. — Quando você me encontrou na cozinha com Seth... — sua voz falhou. — Eu pensei que fosse morrer quando me deu as costas! — alisou minhas costas, beijando minha nuca. -Por isso eu cortei minhas mãos, na verdade, eu queria cortar os pulsos...

-O que? — virei-me para ela, com os olhos injetados de descrença.

-Eu queria desviar o foco da dor! — alisou os meus cabelos da nuca. — Pensei que se sentisse dor física, a dor no peito passaria!

-Você é estúpida! — falei horrorizado.

Every me, every you – Placebo

-Não me deixe Edward, por favor, não me deixe! — sussurou. Envolvi sua face com uma mão, acariciando-lhe a bochecha que ganhou uma tonalidade mais corada.

-Eu não pretendo! — sussurei lentamente, olhando no fundo de seus olhos. Bella fechou os olhos e inclinou mais a cabeça na direção de minha mão. -Porque eu não ti conheci antes?

-Porque senão, nós não nos amaríamos... Como nos amamos agora! — respondeu minha pergunta retórica. Suspirou, ainda de olhos fechados. — Eu daria qualquer coisa para estar no Caribe agora!

-É mesmo? — perguntei com uma ponta de ironia. "Mas será possível que...?"

-Mas eu daria tudo para ter você lá comigo. — disse firme, encarando-me com seus belos olhos castanhos misteriosos e sem fundo.

Fez-se silencio! Dessa vez, a quietude não era ruim ou incomodação, era apenas um momento que não se precisava de palavras para expressar nada ou descrever coisa alguma. Voltei a me deitar, trazendo Bella para o meu peito, ajeitando-nos confortavelmente sobre os travesseiros. Eu estava bem! Não sentia raiva... Quer dizer, não mais aquela fome de sair matando qualquer vagabundo que se metesse na minha frente... Não, não assim! Eu só sentia essa fome quando se tratava de Bella! Dos malditos que a queriam morta. Eu teria que descobrir quem pediu a morte dela. Eu tinha cinco palpites:

Charlie (o pai), Demônio (a madrasta), Seth (o irmão apaixonado), a irmã de criação invejosa e qualquer outro que tenha motivos para se vingar, ou seja, qualquer um que já tenha ido para prisão por causa dela (o que é uma lista razoavelmente grande).

-Edward? — Bella chamou-me com... Medo?

-Diga. — incentivei-a. Acho que ela ainda sentia medo por eu ser perigoso, mas mal sabia ela que eu não a machucaria! Não teria coragem! Mas se eu ainda queria ter o respeito dela, então, eu a deixaria pensando que sou mesmo perigoso!

-Posso perguntar algo? — pediu arredia.

-Não precisa pedir autorização para perguntar. — falei rindo. Bella riu, aconchegando-se mais em meu corpo.

-Estou com medo do que minha pergunta vai causar em você... — disse pesarosa.

-Prometo não me zangar! — respondi solene. Ela respirou fundo, remexendo-se inquieta.

Narração: Swan

Eu queria pensar que a montanha russa de sentimentos havia passado e agora teríamos a tão falada calmaria! Mas... Se ele ficasse bravo comigo e soltasse os cachorros em cima de mim, eu ouviria tudo quieta e amaldiçoaria minha curiosidade mórbida. Clamei por ele ser compreensivo agora!

-Vamos Bella, sua pergunta esta me deixando com receio... — disse. — É tão grave assim?

-Porque você mata, Edward? — perguntei de uma vez.

-Ah... — ele balbuciou surpreso. Eu me encolhi, esperando a tempestade. Não veio! -Era isso?

-Sim. — sussurei. Edward acariciou meus cabelos, ditando um ritmo que logo me faria dormir.

-Foi meu pai, Edward Anthony Cullen. — respondeu-me. -É algo complicado de explicar... Mas traduzindo para os dias de hoje, foi uma lavagem cerebral que sofri! E quase que literalmente...

Éramos uma família normal para os padrões de Nova Iorque. O pai e a mãe trabalham e o filho único fica com a governanta. Nossa rotina era essa! Eu estava ansioso para entrar para a escola, quando Lizzy ficou grávida de Alice, eu tinha 6 anos. Assim que ficamos sabendo, eu ansiei por um irmão ou irmã... Algo que faria minha rotina ser menos monótona! Edward, meu pai, me puxou para seu escritório. Aqueles poucos meses antes dela nascer, ele ainda tinha paciência.

Papai disse, com uma tranqüilidade absurda, que não podia mais ter filhos e que sendo assim, Alice seria minha irmã apenas por parte de mãe. Eu não entendi, é claro, era uma criança que não sabia das promiscuidades do mundo. Ele me contou, que chega uma certa idade e o homem não pode mais ter filhos... E que ele estava nessa idade! Perguntei se eu teria que me preocupar quando atingisse determinada fase, Edward riu e disse que a medicina teria evoluído muito quando eu atingisse tal idade. Fez-me prometer que eu protegeria Alice... Mesmo nos momentos que eu não gostasse dela! Eu não entendi, mas prometi mesmo assim!

Alice nasceu!

Eu não diria que ela foi o problema... Ela só os fez eles enxergarem o que ignoravam! As brigas começaram, os xingamentos feriam meus ouvidos assim como os socos que Edward dava na cabeça de Elizabeth. Na época, eu me escondia no quarto de Alice e a via dormir, mas quando os gritos começavam, eu me escondia no armário dela. Por um bom tempo foi assim, ate Alice completar seus 4 anos e eu, 10. A pior briga deles, o melhor relacionamento que eu tive com minha irmã!

-Edward! Edward! Edward! Edward! – a voz infantil e acompanhada do riso de sinos de Alice encheu-me a mente. Sorri para ela. – Edward, você viu aonde cheguei!? Você viu? Você viu!? Viu!? – a animação dela a fazia ficar repetitiva. Elétrica como era, enquanto falava não parava de pular, sacudindo os cabelos curtos. Eu gostava de sua animação, era contagiante!

-Claro que vi Allie! – respondi olhando a rapidamente por cima do ombro. Era a minha vez de rebater a bolinha de beisebol e novamente, Alice sairia em disparada, para pegar antes de mim. Por uma obra do destino, nossos pais estavam em casa.

-E eu vou correr de novo, e ti vencer na... Aaaahh! – e houve um baque surdo. Larguei o taco de beisebol no chão e me virei para ver minha irmã estatelada no chão, chorando estridentemente. Era melhor eu calá-la, antes que papai a ouvisse! Ele passou a odiar choro, risadas e qualquer outro derivado de som.

-Ei... Shhh! – murmurei ao seu lado. – Esta tudo bem, Allie! Não foi nada! – e ajudei-a a seu levantar. Seus joelhos estavam sujos de barro, manchando a meia calça branca. Mamãe a mataria por aquilo! –Que tal apostarmos uma corrida? – ela me encarou com os olhos úmidos e um biquinho nos lábios.

A bola que a maquina cuspiu, acertou minha cabeça. Fiz uma careta e ela riu, totalmente restaurada.

-Melhor de três? – propôs, já correndo de mim, rindo como sempre.

Era estranho ouvir Edward falar da irmã tão carinhosamente. Parecia que ele era tragado para outro mundo, tão distante que raramente o visitava... E minha pergunta o fez voltar numa época tão distante, que eu estava quase feliz por perguntar. Quase! Eu não sabia que o pior estava por vim.

-Parece uma historia normal... — comentei baixinho, não querendo interromper. Edward suspirou profundamente.

-É que o rumo da historia muda completamente agora. — e silenciou-se por alguns segundos. -Naquela noite, fui obrigado a mudar!

-VOCE É UMA VADIA! TEIMA EM ABRIR AS PERNAS PARA QUALQUER HOMEM QUE FREQUENTA AQUI EM CASA... – papai berrou e eu tapei as orelhas de Alice. Ela não precisava ouvir a baixaria toda. Ficaria traumatizada. Edward finalmente se cansara de fingir que não ouvia os ruídos da mamãe no lavabo, ao lado do escritório.

-COMO SE VOCE NÃO TRANSASSE COM QUALQUER VADIA! – mamãe exclamou. Alice fechou os olhos fortemente. Apoiei o queixo em seus cabelos. Ela nunca havia falado abertamente dos casos extraconjugais do papai.

-CALE ESSA BOCA SUJA, ELIZABETH! – papai esbravejou de novo. E os gritos começaram!

O corpo de Allie tremelicou, dando indícios de que estava chorando e mostrando que meus esforços estavam indo por água abaixo. A abracei um pouco mais forte. Éramos só crianças... Porque eles não nos respeitavam? Por quê? Porque não podíamos ter uma família normal, que nos dava amor, ao invés de gritos?

-Edward, faz isso parar! – Allie choramingou, escondendo o rosto no meu peito. Engoli minhas próprias lagrimas.

-Shh... – não tive coragem de murmurar outra coisa. Edward batia em Elizabeth em lugares que geralmente não aparecia marcas, ou seja, na cabeça. Era aonde ele dava mais socos! Uma vez ele me fez ver... Fechei os olhos bem fortes, repudiando a lembrança. Foi horrível vê-la desmaiada e grogue... Revirando os olhos debilmente!

Os gritos logo pararam.

-Alice, vai dormir! – eu falei, fazendo-a se deitar novamente na pequena cama. Eu sabia que mais gritos viriam! – Por favor, durma!

Ela assentiu, voltando para debaixo das cobertas e fechou os olhos, relaxando instantaneamente. A porta foi aberta com um estrondo alto por um chute impiedoso. Alice pulou da cama, amedrontada e se escondeu atrás da cama. Edward, nosso pai, era quase um demônio quando estava cheio de uísque!

-Vem cá! – rosnou, puxando-me pela gola da camiseta. Tentei lutar, mas ele era maior e muito mais forte do que eu. – Vou te ensinar uma coisa, Junior!

Eu odiava ser chamado de Junior. Aquela foi a ultima noite que chorei por Elizabeth e Alice. Eu tinha somente 10 anos. Eu tinha somente 10 anos quando fui obrigado a pensar como um homem de 35 anos! Edward disse que era assassino e que gostava de matar as pessoas e que só não matara Elizabeth por causa de Alice e de mim. Mas que eu seria obrigado a seguir seus passos... Porque a vida é dura e não era porque eu tinha um rostinho bonito que ela pegaria leve comigo.

A pior coisa foi sobreviver à fome, seu primeiro teste.

-Edward, que horror! — interrompi chocada. O abracei como pude. -Seu pai era cruel!

-Ele me tornou uma replica sua. — respondeu com frieza. Eu não gostei de senti-lo tão frio.

Fome, frio, xingamentos, socos e chutes... Ate tiros com colete eu levei! Foi um treinamento duro e cheio de dificuldades. Meu pai queria alguém resistente, tão resistente quanto ele era! Aos 15 anos, eu atirava melhor de olhos vendados do que ele, com os olhos abertos. Eu me tornei praticamente invencível. Sua ultima lição passada a mim: traçar a primeira vadia e finalmente, matar alguém. A primeira vadia a gente nunca esquece, segundo meu pai e ele tinha razão. A vadia se chamava Victoria, a mulher dos cabelos de fogo. A mais experiente, disseram-me.

-Eu perdi minha virgindade dois anos apos você. — resmunguei. Agora entendia a tara dele por cabelos vermelhos! Aposto que fizeram todas as posições do Kama Sutra... Afinal, ela era a vadia experiente!

-Com quem? — perguntou serio. "Outro assunto espinhoso!" pensei hesitando.

-Continue sua historia, Edward. — falei apressadamente.

Eu tinha que matar alguém!

O problema é que eu não queria carregar a fama do meu pai. Não queria ninguém com o mesmo nome que eu andando livremente por ai, só podia e pode existir somente um Edward Cullen. Elizabeth parecia querer deixar Alice longe de mim o máximo de tempo que conseguisse, então sempre iam para um lugar divertido: shopping, parque, tomar sorvete... Eu era o filho prodígio que tinha que seguir os passos do pai! Como sempre, ficamos sozinhos naquela tarde. Edward estava no escritório, ocupando com uma
cliente. Estava arriscando demais trazendo vadias para dentro de casa na ausência da mamãe, mas quem disse que ele ligava?

Oportunidade perfeita! Eu vesti o terno cinza que Elizabeth havia comprado ha pouco tempo para mim, peguei a pistola dele e o atrai ate a garagem. Meu pai caiu como um patinho! Eu fiquei cego naquele momento e quando voltei a enxergar, sentindo um prazer surreal, eu havia descarregado toda a munição no peito dele. Meu coração batia forte... E eu sentia orgulho de ter matado meu pai!

-Eu sabia... — balbuciou ele engasgando. Eu o olhei de cima, de modo superior. -Sabia que...

-Morre de uma vez! — cuspi entre dentes.

-Você carrega o legado da família agora... — sua voz falhou. — A maldição dos Cullen.

-Maldição? — perguntei confuso, hesitando pela primeira vez.

-Eu também matei meu pai... — disse segundos antes de virar a cabeça para o lado e finalmente, morrer!


Eu não comentei nada por alguns minutos, digerindo tudo o que ele havia me contado. Eu não sabia que Edward havia matado o próprio pai de modo tão frio como fez. Edward era mais perigoso do que eu pensava... Mas porque eu nunca havia visto tal violência nele? Mesmo quando fora me matar (muito determinado disso), eu não vi o perigo... Eu vi a beleza que minha morte tinha, mas não o perigo. O medo que eu deveria sentir não chegou e isso me fez soltar um suspiro aliviado.

-Bella? — chamou-me preocupado. — Sua pergunta foi respondida? — levantei a cabeça e encarei seus olhos grandes e verdes sedutores. -Está com medo?

-Medo? — ri. — Porque estaria?

-Sabe onde posso chegar... — deu de ombros não querendo repetir algum fato de sua historia. Eu não queria mais ouvir sua triste trajetória.

-Shhhh. — murmurei roçando o nariz em seu maxilar. A barba estava crescendo e pinicando, mas era bom! — Eu não tenho medo de você. Nunca tive!

-Nunca? — perguntou assustado. Sorri e fechei os olhos, continuando o movimento.

-Edward, odeio ti decepcionar, mas... Eu vi primeiro sua gostosura, depois sua pistola! — fiz um beicinho e me afastei, abrindo os olhos. — Digo, sua arma de fogo...

-Eu entendi. — riu entrelaçando os dedos nas raízes de meus cabelos. O ato não doeu, pelo contrario, Edward começou a massagear o local gentilmente. -Você é linda, Isabella...

-Ah não... — gemi escondendo o rosto quente. Eu devia estar corando inutilmente! — Elogios não!

-Por quê? — seus dentes alcançaram meu lóbulo numa pequena mordida provocadora. -Eu adoro ver seu rosto corado!

-Edward! — exclamei. O filho da mãe riu.

-Venha minha Mentirosa, vamos fazer algo em cima dessa cama... — sugou meu lóbulo de novo, arrancando arrepios de mim. — Cansei de conversar!

-Na na ni na não. — afastei-me dele, antes que eu sucumbisse, encharcada de desejo. — Você está debilitado porque apanhou muito...

-Não precisa lembrar que eu apanhei... — resmungou cruzando os braços e fechando a cara. Fingi que ele não me interrompeu.

-E o medico disse que você tem que repousar! E eu estou sendo indelicada ao não ti alimentar também...

-Eu virei um cachorrinho agora?- fez uma careta. Eu ri.

-Você precisa de nutrientes! — pus as mãos na cintura. — Vamos descer, pedirei para Carmen fazer algo saboroso!

-Nutrientes? E você sabe o que é isso? — ele perguntou descrente. — Você só come porcaria!

-Se Emily ouvir isso, ela bateria em você com o rolo de macarrão! — ralhei fingindo-me de brava. -Ela me deixa comer sanduíches de vez em quando, sempre me manda o almoço na empresa e sempre, sempre, sempre tem um tipo de salada! — falei presunçosamente. — Emily me faz sobreviver com pequenas porções mesmo quando não vai em... — parei de falar e arregalei os olhos. Edward se sentou no mesmo instante.

-O que foi? — perguntou levantando-se e envolveu meus ombros com suas mãos. — Bella?

-Sesi. — choraminguei. -Será que minha gata morreu?

-Não seja estúpida. — disse acariciando meu rosto. — Aposto que Emily esta cuidando muito bem dela.

-Mas ela ainda é minha! — insisti.

-Eu vou buscá-la! — sorriu torto. — Eu prometo. — e tentou me puxar para perto de si. Eu sei bem o que eu faria se entrasse em contato com sua pele pálida e absurdamente quente. Eu enfiaria a mão dentro de seu moletom e não sairíamos dali por tão cedo.

-Nada disso... Venha, vamos descer!

Afastei-me de Edward, que fez um biquinho sensual. Atravessei o grande quarto, tentando fazer meus movimentos não serem eróticos o suficiente para seduzi-lo, abri a porta do armário e peguei uma camisa de linho branca, impecavelmente passada. A vesti e abotoei, satisfeita por ela estar batendo no meio de minhas coxas. Passei as mãos pelos cabelos e o chamei com o dedo, indo para a porta do quarto.

-Você me paga, Isabella. — disse ameaçador.

-E eu estou ti devendo? — perguntei cinicamente. Ele correu na minha direção e pegou-me no colo. Balancei as pernas, esperneei e soltei um gritinho começando a rir. Jogou-me por cima do ombro e rosnou.

-O que você disse?

-Que estou morrendo de medo. — brinquei. Edward me pôs no chão.

-Muito bem, foi o que pensei ter ouvido. — e levantou o nariz esnobemente. Dei um tapinha em seu abdômen.

-Prepotente. — falei e sai do quarto. O melhor som do mundo foi sua gargalhada, bem atrás de mim, ao descermos as escadas. -Não sei do que esta rindo. — foi a minha vez de levantar o nariz.

-Aaahh minha Mentirosa, vem aqui... — segurou meus cabelos, obrigando meu corpo a parar. Envolveu minha cintura com um braço e beijou minha bochecha quando virei o rosto. Estávamos vivendo um momento épico! E era tão bom aproveitá-lo um pouquinho... Balancei a cabeça e ri, arrancando um sorriso torto dele. Chegamos ao fim da escada e meus olhos vagaram pela sala, sem querer. Meu sorriso morreu aos poucos e eu parei. O ar ali parecia mais gélido, me fazendo sentir vergonha por estar com as pernas de fora. Edward, mais alienado do que eu, demorou a ver quem estava ali. Coloquei a mão em seu peito, detendo-o. O fitei de modo serio, fazendo sua testa franzir.

-Edward. — falei sussurrante. Ele crispou os olhos e eu, sutilmente, indiquei com a cabeça para os sofás na sala. Lentamente, virou o rosto para onde eu havia indicado... E instantaneamente, seu corpo enrijeceu e os tendões do pescoço ficaram a mostra. Sua mão livre se fechou em punho e seu pescoço se tingiu de vermelho, assim como o rosto. Voltei meus olhos para os dois sofás.

-O que fazem aqui? — perguntou calmo. Engoli seco. A raiva nem era direcionada a mim e eu estava evitando os tremores que tanto me abalavam por dentro. -Pensei ter expulsado você e ele daqui de casa, mamãe.

“Ah... Então aquela mulher de cabelos longos e mechas claras era minha sogra? Hm..." pensei encarando o rosto de cada um.

-Pelo o que eu saiba, essa casa também é minha. — seu sorriso seria bonito se não fosse tão irônico. -Eu sou a viúva!

-Você e mais quantas? — Edward alfinetou, fazendo sua mãe se levantar bruscamente.

-Retire o que disse.

-Alice... — Edward ignorou a mãe, dando atenção à irmã. -Allie... — era quase um rosnado de lamentação. A decepção estava estampada na face de Edward.

-Edward, não me...

-Cale a boca, Elizabeth! — Alice grunhiu se levantando do sofá. Lançou-me um olhar raivoso, para então, olhar penetrantemente para Edward. — Você a traz... Então, eu trago ele! E então, Lizzy também pode!

-Não me desafie, Alice! — Edward rosnou. Eu segurei seu braço, detendo-o. -E você sabe que fez isso trazendo Jasper para cá!

-Eu trago quem eu quero, quando eu quero porque a casa também é minha! — Alice quebrou o quadril de lado, pôs uma mão na cintura e fez a expressão mais desafiadora possível.

-E se eu disser que essa casa não é sua, muito menos de Lizzy? O que fará? — ele começou a destilar seu sarcasmo.

-Edward, não... — sussurei, tentando impedir.

-O que você esta dizendo? — Elizabeth quis saber. — Carlisle, o que ele quis dizer?

O loiro se levantou, com os olhos cravados em mim. Recuei um passo, envergonhada demais para encarar qualquer par de olhos. Seu rosto lívido e cheio de desejo me deixava atônita apos nosso ultimo encontro bombástico no Tribunal. Ele desviou os olhos de mim e fitou Edward ao meu lado, serio e imparcial.

-Ele quis dizer que... — Carlisle disse com sua voz mansa. — Ele e o pai tinham segredos.

-Segredos? — Lizzy perguntou, fitando-o ao meu lado. — Que segredos?

-Sua gravidez, primeiramente. — Edward provocou, deixando a mãe pálida e sem palavras para protestar.

-Você ficou grávida, mãe? — Alice perguntou alargando os olhos.

-Eu conto ou você conta? — Edward estava frio e distante de novo.

-Edward, não... — falei de novo, afagando seu braço.

-Não testem minha paciência... — ele se afastou de mim, aproximando-se deles. Minhas mãos se estenderam debilmente, querendo-o deter. -Alice, você esta abusando de mim, tire Jasper daqui se você o quer mesmo vivo. — ela sustentou o olhar, fria como o irmão. -Vá, Alice! Você sabe que... — ele pigarreou. — Que eu tenho uma arma em cada cômodo dessa casa! Vá!

-Vem Jasper... — ela chamou o homem de cabelos cor de mel, que se levantou imediatamente. — Vamos sair daqui! — ele pegou a mão dela e vieram e nossa direção, onde eu desafiei-a e dei uma piscadela. Alice ficou vermelha e andou mais rápido, saindo pela porta da frente.

-Você costuma trabalhar assim agora, Swan? — Carlisle disse com maldade. Edward deu um passo para o lado, ficando na minha frente e bloqueou a visão dele.

-Não se dirija a ela. — rosnou. — Vão embora!

-Eu me recuso! — Elizabeth, restaurada da ameaça, se sentou no sofá. Edward se voltou a mim, pondo uma mão em meu rosto.

-Bella, porque você não vai à cozinha e pede para Carmen fazer algo bom para nós? Ahn?

-Qualquer coisa? — perguntei baixinho, não querendo despertar a atenção dos outros expectadores na sala. Ele assentiu.

-Qualquer coisa com nutrientes. — brincou. Assenti esticando o canto da boca. -Vai... — indicou com a cabeça. — Vai lá!

Afastei-me dele com demasiada lentidão. Passei na frente das escadas, o vão que levava ate o elevador de pequeno porte, os sofás onde estavam Elizabeth sentada e Carlisle de pé... Atravessei toda a sala por final! Eu estava quase saindo daquela cena familiar demais para mim... Afinal, Elizabeth que me lembrava o Demônio em praticamente tudo, ate pareciam irmãs! Ainda bem que eu sabia que a irmã do Demônio morava em outro continente... Oceania, se não me engano!

Eu estava cruzando a porta da sala do jantar para chegar a cozinha, quando ouvi a voz debochada.

-Se vendendo para clientes? É um trabalho extra? — Carlisle disse, travando meus movimentos. — Eu esperava isso de seu pai, herdeira do trono Swan, não de você! Estava precisando de dinheiro para pagar o tratamento de sua namorada, que esta na UTI?

Fechei as mãos em punho com força e tentei normalizar minha respiração acelerada. Carlisle cometeu um grande erro ao abrir a boca grande! Não esta ofendendo somente a mim, mas ao meu pai e a Kim. Ninguém ofendia as pessoas que eu amava na minha frente... Não sem agüentar as conseqüências! Avancei em sua direção e ergui o punho, gritando entre dentes. Eu precisava botar a raiva pra fora!

A sorte de Carlisle é que não havia nenhum objeto pontiagudo perto o bastante de mim... Senão, eu o mataria!

Notas finais
Nossa, que Bella sanguinolenta, hein?
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

E entao!? Entenderam a historia da Mentirosa e do Assassino? Duvidas?

Esse capitulo foi bem leve, porque o proximo... Eu ja vou avisando! Preparem suas foices e machados, porque o desejo que predominar vai ser: EU QUERO MATAR A NANDA!

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Respondendo:

"O que você mais gosta de fazer além de escrever?" (pergunta da leitora)
R: Olha pra alguem querer escrever, sua primeira paixao deve ser ler! Eu adoroooooooooooo ler! Acho simplesmente incrivel mergulhar num mundo que nao é meu... Poder imaginar! Eu amo, mesmo! :D

"Vc tem alguma fic favorita?? Aquela que mais te marcou??" (pergunta da leitora)
R: a minha favorita é Preguiça, Gula e Vaidade! Porra, eu amo essa fic... É um original muito bem escrito sobre pecados! Uma que me marcou... Foi MAV (Meu Anjo Vampiro) que eu li no Orkut e por obra do Destino nao terminei de ler. Eu chorei horrores naquela fic! :( rs

Vou rebater essa ultima pergunta! Vc tem alguma fic favorita?? Aquela que mais te marcou??

Nos vemos na proxima sexta!
Bj =*