The Killer
7 VI - Planos de ligação
Notas iniciais
VI – Planos de ligação
Narração: Swan
-Emily! – chamei-a entrando na cozinha e ajeitando o sobretudo ao mesmo tempo. Estava fazendo frio está manha. E provavelmente, Charlie enfiaria uma bala na minha cabeça por eu ter tirado o dia de folga ontem e chegar tarde hoje. Dane-se, né?!
-Sim? – me olhou com bondade nos olhos. Eu sempre ficava desconsertada com isso.
-Você poderia fazer compras?! Tipo abastecer mesmo? – perguntei.
-Claro!
-Então aqui esta... – e da carteira, tirei duas notas de 100 dólares. – E faz algo para o almoço!
-Quando a senhora diz almoço. Quer dizer meio dia ou cinco da tarde? – perguntou dobrando o dinheiro e botando no bolso.
-Cinco da tarde! – respondi sorrindo. –Agora eu tenho que ir...
-Não vai tomar café?! – ela perguntou um pouco assustada. Eu sempre tomava uma boa xícara de café!
-E tem? – rebati.
-Eu comprei ontem! – ela disse, indicando a cafeteira com o liquido. Salivei. Mordi o lábio, pensando. – Ah Isabella, é só uma xícara!
-Tem razão! – sorri, sentando-me no banco perto do balcão. – É só uma xícara. Grande, por favor!
-Vai querer creme?! – assenti, como uma criança feliz em frente ao bolo de aniversario.
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Narração: Cullen
Eu estava arrumado e pronto para ir à empresa. Eu queria era pedir demissão e arranjar outro, mas... Emprego você não acha no meio da rua! E eu sei que tinha a poupança muito bem recheada que daria para chegar ate minha segunda geração, mesmo que eles limpassem a bunda com o dinheiro. Mas eu tinha que ter a porra do emprego!
-Eu já estou in... – anunciei para as paredes da sala de jantar, onde estava sendo servido o café da manha hoje, nessa manha fria. Franzi a testa. Elas sempre acordavam antes de mim! Sem exceções! Suspirei e dei meia volta, eu iria avisar pelo menos Alice.
Subi as escadas de dois em dois degraus. Metade do terceiro andar da mansão era exclusivamente meu: total privacidade! A outra metade era dividida para Alice e Elizabeth. Um quarto de frente para o outro. O que nos dividíamos era o pequeno corredor. Parei em frente à porta personalizada de Allie: num tom de lavanda claro com espirais em um tom mais escuro. Pelo menos não era rosa!
Bati na porta duas vezes e abri.
-Allie? – chamei-a. Ela estava deitava parecendo uma morta. O que eu desconfiei, já que não via seu peito de mexendo com a respiração. – Alice?! – chamei-a de novo, preocupado.
-Hmmm? – gemeu, dando sinal de vida. Entrei no quarto, fechando a porta em minhas costas. Deixei a pasta no chão.
-O que houve? – perguntei preocupado. Ela estava doente!? Lembro-me que na madrugada de sábado para domingo, Lizzy mencionou um mal estar que Alice sofreu e não chamaram o medico. Faz três dias! Ela levantou a cabeça para me fitar. Os cabelos desgrenhados, olheiras profundas e o rosto pálido alem do normal.
-Não consegui dormir a noite inteira. – explicou numa voz baixa. Aproximei-me mais um pouco. –Eu passei m... – e se levantou num pulo, correndo para o banheiro. A preocupação agora tomava conta de mim. A segui ate o cômodo e a vi debruçada sobre a privada, tentando por as tripas para fora.
Ela estava fraca demais!
Quando Alice terminou de fazer vomito, porque não saía absolutamente nada, suas pernas fraquejaram. Antes que ela caísse no chão, eu a peguei em meus braços e voltei para o quarto, para pô-la na cama. Allie mal conseguia manter os olhos abertos.
-Vou chamar um medico. – falei serio, depositando-a sobre a cama e a embrulhando em seguida. Seu pijama de cetim rosa parecia fino demais!
-Eu estou bem! – disse, deixando a voz falhar no fim da frase.
-Não perguntei se está bem, apenas avisei que vou chamar um medico! – expliquei sem agressividade, apesar das palavras duras. Ela suspirou deixando os olhos se fecharem. –O que você acha que é?
-Um mal estar passageiro. – rebateu fria, se ajeitando nos travesseiros e virando as costas pra mim.
-Não quer que eu chame o medico porque tem medo da gravidez ser real, não é? – perguntei num sussuro. Allie manteve silencio. –Não quer falar... Tudo bem! – resmunguei. Dei um beijo em seus cabelos. –Espero que melhore! No caminho da empresa ligarei para o Gerandy e... Bom, você sabe o que dizer a um medico, não é?
-Edward, você vai se atrasar para o seu trabalho. – sua voz continuava fria. Assenti entortando a boca. “Seca e fria... Não é o habitual dela!” pensei magoado por ser tratado assim.
-Eu espero que você melhore Alice! – falei dando as costas para ela e caminhei para a saída. Peguei minha pasta, abri a porta...
-Edward? – ela falou aflita, se sentando na cama. Olhei para trás.
-Sim?
-Estou com medo! – e caiu nos travesseiros de novo, em prantos. O que se faz quando uma mulher chora!? A abraça? Diz que tudo vai ficar bem? Apenas a deixa botar pra fora? Eu nunca consolei uma mulher! Tornei fechar a porta e jogar a pasta no chão.
Alice era uma das raras pessoas que conseguia ocupar uma cama king size sozinha! E quando digo ocupar, é no quesito espaço da palavra! Sentei-me na beira da cama, não queria invadir o espaço dela! Recuou deixando-me me aproximar. Subi um pouco mais na cama. Ainda fungando e chorando, encostou o rosto na minha coxa.
Hesitando, levei a mão ate seus cabelos amarrados.
-Do que tem medo? – perguntei franzindo a testa.
-Não sei. – sussurou. – É apenas... Medo!
-Não precisa! – falei vago, sacando meu celular. Disquei rapidamente o numero da empresa. Três toques, Gianna atendeu.
-BusinessTechnology, bom dia! Com quem eu falo? – a voz de Gianna soou incrivelmente melosa.
-Gianna, sou eu...
-Oh, senhor Cullen! – e tornou o tom de voz mais polido. – Pois não?
-Se Molina me procurar, diga que me atrasarei! – falei, fazendo uma careta por uma nova crise de choro se abater em Alice.
-Algum motivo em especifico? – “Enxerida!” pensei acido.
-Problemas de família. – falei e antes que ela abrisse a boca de novo, a cortei. – E não senhorita Gianna, não é da sua conta! Irei para a empresa assim que possível.
-Mas senhor Cullen...
-Passar bem! – e desliguei. E comecei discar outro numero.
-Vai ligar pra quem agora? – ela perguntou com a voz sufocada.
-Doutor Gerandy. – e coloquei o aparelho no ouvido. –Pra quem mais seria!?
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Suspirei passando as mãos pelo rosto. Não é uma porra mesmo!? Cinco minutos depois do medico finalmente entrar pela porta do quarto da minha irmã, meu celular toca e um Molina não muito amigável pediu gentilmente que eu fosse imediatamente para a empresa. Resultando em: eu não sei o que minha irmã tem!
Foda-se, ela não é uma criança! E eu tenho trabalho a fazer. Analisei o site da Swan Law firm e memorizei o telefone da Swan mentirosa mor. Eu ia tocar o terror nela agora! Antes de ligar para ela, peguei um chip descartável numa gaveta da minha mesa e coloquei no meu celular. Eu não era idiota e sabia que na mesa dela teria, no mínimo, um identificador de chamadas.
Disquei o numero lentamente e apertei send. Começou a chamar!
-Swan Law firm, eu sou a Esme. No que posso ajudar? – a secretaria atendeu num tom amigável e simpático.
-Desejo falar com a senhorita Isabella, por gentileza. – usei o tom mais polido que eu tinha. Educação é tudo em certas ocasiões!
-Com quem eu falo? – perguntou de modo distraído.
-Se não se importa, prefiro me identificar somente com ela. – ensaiei um tom constrangido.
-Claro, vou passar a ligação. Um momento, por favor! – disse e uma musiquinha irritante e clássica começou a tocar estridentemente. Respirei fundo analisando o site distraidamente. Notei que em alguns aspectos, era parecido com o site de Harvard. Será que Isabella é tão inteligente assim para se formar numa universidade desse calibre?
Soltei uma risadinha.
Se ela era tudo o que realmente diziam, aposto que...
-Isabella Swan, bom dia. Com quem eu falo? – a sua voz doce era escorregadia e ecoou no fundo da minha mente. Crispei os olhos e fiz uma pausa dramática. – Alôôô? Por favor, advogados usam o sistema de silencio, então não vou sair falando por ai que me ligou!
-Ola mentirosa! – falei lentamente. Silencio total do outro lado da linha.
-V-você deve ser idiota o bastante para ligar de um celular. – eu notei o tom histérico manchando sua voz, mas devo admitir, ela sabia esconder o desespero. Ela estava se agarrando a qualquer coisa para me pôr medo.
-E você não devia ser inocente pensando que eu não saberia disso. – rebati, sentindo um estranho prazer de provocá-la.
-Eu meio que já estava esperando por isso... – murmurou. – O que você quer?
-Avisá-la que...
-Que você vai terminar o serviço? – concluiu, tirando as palavras da minha boca. – Ótimo, é o que estou esperando! – trinquei a mandíbula e bufei.
-E dessa vez...
-Você não vai falhar? – concluiu de novo. – É, também estou esperando por isso!
-Sabe o quanto é...
-Egocêntrica?! – fechei os olhos, inspirando uma grande quantidade de ar. “Bicha maldita do inferno!” pensei irado e vários métodos de tortura medieval dançaram pela minha mente, antes de eu matar ela. – É, eu já sei disso desde quando me entendo por gente!
-Já imaginou que esse é o motivo de quererem a sua morte? – rebati frio.
-Prefiro pensar que é sobre negócios! — disse com a voz pomposa e preguiçosa. — Ou inveja! Ouvi dizer que o Masen é seu advogado!
-E dai? — "Eu liguei para ameaçá-la... Mas é ela que esta mexendo comigo!" pensei inconformado.
-E dai que talvez ele esteja com medo de eu conseguir te por na cadeia, assassino Cullen! — eu quase pude ver o brilho da perversidade em seus olhos castanhos atentos. Quase!
-Despeça dos seus familiares logo, mentirosa, não tem muito tempo! — e desliguei o celular. -MAIS QUE MALDITA! — gritei. Gianna colocou a cabeça para dentro da minha sala. A fitei um tanto azedo. — QUE É?
-O senhor esta bem? — perguntou com a face pálida.
-E é da sua conta, Gianna? — eu devo confessar, estava estressado! — Volte para a sua mesa medíocre e continue cuidando da vida dos outros como sempre, mas sem me incluir nessa lista! — ela pestanejou lentamente e deu meia volta. Estava acostumada as minhas explosões, nem se magoava mais. Ou ainda assim, fazia? Porra, foda-se! Eu não ligo nem para os sentimentos da Alice ou Elizabeth...
Elizabeth...
Seu nome dançou pela minha mente. Ela estava planejando algo, querendo cravar a faca da cozinha em minhas costas na primeira oportunidade que eu estou sabendo. "Tenho que ficar esperto com ela..." pensei ao analisar o relatório a minha frente. Quer porra era aquela? Índice? Infração? Vá tomar no cu! Li e reli mais algumas vezes. Será que o Google traduz essa porra?
-Senhor Cullen?
-Fala Gianna! — "Gianna... Ela pode me ajudar!" sorri.
-O senhor Molina quer o relatório agora na mesa dele!
"Ótimo... Tem como o dia piorar? Se tiver, por favor, aconteça logo!"
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Narração: Swan
-Esme? — a chamei pelo interfone. Eu fiquei realmente perturbada com a ligação do meu assassino. Claro, perturbada de um jeito bom!
Mas ainda assim, fiquei preocupada!
-Sim, senhorita?
-Meu pai já voltou do almoço? — perguntei digitando uma informação solta sobre o caso Volturi. -Preciso falar com ele! — eu teria que abrir o jogo com meu pai sobre a tentativa de assassinato.
-Senhorita Isabella, o senhor Swan ligou e disse que não irá voltar! - Esme disse com a voz pesarosa. — Há algo em que eu possa ajudar?
-Ahn... — hesitei. Cocei a testa. E se eu dissesse pra ela sobre meu assassino? Ela realmente poderia me ajudar? "Não... Ninguém pode me ajudar!" pensei melancólica. Suspirei. — Não Esme, é só com ele mesmo! Mas obrigada!
-Disponha senhorita! — e desligou o interfone. Esse era o lado bom de ter Esme como secretaria, além de eficiente era discreta e prestativa. Era a pessoa em quem eu mais confiava nessa empresa! Inspirei uma grande quantidade de oxigênio e fitei opacamente o computador a minha frente. O caso Volturi podia esperar pelo menos mais um dia, minha vida não! Levantei-me num átimo e comecei arrumar minha pasta.
"Pra que eu tenho tantos papeis?" perguntei-me abismada com a quantidade deles que eu colocava dentro da pasta. "Advogados não vivem sem eles!" respondi a mim mesma, assentindo com a cabeça. Peguei meu sobretudo na costa da cadeira e o vesti rapidamente. Peguei a pasta e caminhei graciosamente ate a porta.
A abri de uma vez, dando de cara com Marcus, um dos estagiários que meu pai auxilia.
-Senhorita Isabella...
-Amanha! — respondi andando com passos ligeiros na direção do elevador.
-Mas senhorita...
-Amanha! — repeti chegando em frente ao elevador com as portas tão espelhadas que eu podia me ver perfeitamente. Apertei o botão freneticamente.
-Mas é importante! — sua voz estava quase estridente. Virei-me de frente para ele, arqueando uma sobrancelha.
-Sobre o que é? — perguntei mordendo as bochechas por dentro para não soltar uma resposta rude.
-Eu queria saber se o juiz Vladimir...
-Você tem uma audiência com ele amanha? — perguntei na lata. Ele franziu a testa, mas negou com um aceno. — Nenhuma mesmo?
-Não! — seu olhar confuso me fez pressionar os lábios com um sorriso duro.
-Então pode esperar! — assim que me virei, as portas do elevador se abriram e eu entrei, dando um pequeno aceno em seguida. As portas se fecharam, me libertando de sua surpresa e confusão. Eu não estava acreditando, mas... Eu ia voltar para o meu inferno pessoal de alguns anos atrás, onde fui obrigada a ficar por poucos anos ate ter o meu apartamento próprio. Eu iria visitar a mansão dos Swan, meu antigo lar!
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Assim que a segurança me reconheceu por detrás dos vidros escuros, os portões de ferro superprotegidos se abriram para mim. Acelerei levemente meu Audi r8 e não evitei o suspiro que saiu de meus lábios. "Meu Aston..." pensei magoada. Agora meu Aston Martin estava no mecânico, sendo reparado pelos pequenos (mas graves!) danos. E enquanto ele estivesse lá, eu teria que andar com esse... Que podia ser rápido também, mas não era a mesma coisa!
Dei uma meia volta na grande fonte que jorrava água e desliguei o carro. Olhei a mansão exageradamente grande e soltei o ar dos pulmões. "Era hora de enfrentar o demônio!" não reprimi a careta. Lembro-me de que quando eu era mais jovem (lá pelos meus 15 anos) e ainda era o inicio do casamento, tinha um diário onde eu chamava Sue assim: o Demônio.
Soltei uma risadinha, pegando minha pasta e saindo do carro. Quase me desequilibrei no cascalho do chão, mas rapidamente cheguei às escadas de granito cinza e isso melhorou minha vida! Subi os poucos degraus relutante e com uma enorme vontade de dar meia volta e simplesmente ir embora, mas... Era tarde demais, eu já estava de frente para a porta. Eu não era de fugir da raia!
Apertei a campainha e esperei.
-Pois não? — a empregada abriu a porta e logo apos, arregalou os olhos. Eu me sentia sem jeito e desengonçada. Definitivamente, aquela casa não me fazia bem! — Ah... Senhorita Isabella! Quanto tempo! Por favor, entre!
-Ola Irina! — cumprimentei a velha governanta que me viu crescer. Ela sorriu bondosa, mostrando as rugas nos olhos e em todo seu rosto, fazendo-a parecer que estava murchando aos poucos.
-Venha menina, entre!
Entrei relutante, surpresa com as mudanças que ocorreram ali. Já de entrada, o hall era enorme e um grande lustre de cristal estava todo imponente ali, roubando ate a atenção para si! Vários vasos espalhados estrategicamente por onde tinha uma superfície plana. Mas... Tudo era branco! O chão, as paredes, os móveis... Era tudo de um gritante branco que chegava a doer os olhos! Quando eu ainda vivia aqui, as paredes eram de um amarelo pálido e ainda assim era bonito!
Porque ela mudou!?
Sue só quer um pretexto para sair esbanjando o dinheiro do meu pai!
Porra, foi só pensar no nome da desgraçada e ela me apareceu, vinda da cozinha, dentro de um tailleur vermelho e salto alto. Os cabelos sempre cortados num chanel perfeito e uma franja de lado. Os olhos verdes pareciam aquecidos com o melhor dos sentimentos, mas só quem convive com essa bruxa sabe o que ela é capaz de fazer. Apenas Charlie não enxerga!
Ou enxerga e ignora e mete um puta chifre nela! Sorri para a sua imagem enquanto andava com passos calmos e ritmados.
-Oi Sue! — cumprimentei-a com um aperto seco de mãos. Seu olhar era tão superior quanto o meu.
-Ola Isabella. — seu sorriso não parecia afetado. E isso me afetava! — A que devo a honra de sua ilustre presença?
-Preciso falar com Charlie! — fui curta, grossa e direta, porque comigo e Sue era assim: transparente! Eu não gostava dela e ela não gostava de mim. Sentimento recíproco!
-Mas ele...
-Sue, eu estava na empresa ate agora, então não me diga que ele esta lá! — a cortei. Mas eu podia convencê-la de um jeito! Eu podia fingir! Desviei os olhos. — Mas... Deixa quieto! Serio, não precisa mais! Eu... Eu... Posso tentar...
-Fique aqui! — e me deu as costas, sumindo num grande corredor, indo (penso eu) para o escritório particular do papai. Suspirei sorrindo e coloquei a minha pasta na poltrona e me preparei para sentar-me no sofá.
-Mamãe, eu pensei ter ouvido a voz da... — e Leah apareceu na porta da cozinha. Estancou a me ver. — Isabella?
-Oi Leah! — minha voz era de uma falsidade alegre que ate uma criança de 5 anos reconheceria.
-Quem está ai Leah? — a voz masculina era grossa, familiar e reconfortante. E então, Seth apareceu ao lado da irmã. — BELLA! — gritou feliz, vindo correndo em minha direção, o que não foi muito difícil para ele, já que atravessou a sala em três passadas, enquanto eu gastaria no mínimo dez! Deu-me um abraço apertado, cheio de saudade que chegou me levantar do chão!
-Ah Seth... — murmurei apertando meus braços envolta de seu pescoço. — Quanto tempo!
-Estava com saudades! — sussurou em meu ouvido. Sua voz rouca era como musica pra mim! Seth era o irmão que eu sempre quis!
-Quando chegou? — perguntei com um sorriso bobo nos lábios, afastando-me pouco dele. Ele revirou os olhos e sorriu também, mostrando a fileira de dentes perfeitamente brancos.
-Acho que não faz nem duas horas... Charlie foi nos buscar no aeroporto. — assenti, sentindo uma pequena angustia. Meu próprio pai ocultara coisas de mim! Wow... — Não sabia?
-Devo ter me esquecido. — forcei um sorriso nascer no rosto novamente. — Ando trabalhando tanto!
-Você cresceu! — Seth alisou meus cabelos presos num coque. — Às vezes me esqueço que não é mais a pequena!
-Sempre serei a pequena! — falei. — Claro, comparada a você!
Seth jogou a cabeça para trás e gargalhou. Eu o acompanhei. Mas eu acho que Leah não consegue ver a alegria alheia, ela simplesmente tem que destruir! Igualzinha a mãe!
-Se eu fosse vocês, subia para o quarto. Acho que nem Charlie nem a mamãe vai querer presenciar uma cena de incesto! — e se sentou numa outra poltrona e cruzou suas longas pernas.
-Leah? — ele a chamou. Leah o olhou com doçura. — Tinha me esquecido de como é chato conviver com você! — soltei uma risadinha. Seth abraçou meus ombros. — Não liga pra ela, Bella! Você a conhece... Ela adora praticar bullying!
Seth era tão carinhoso comigo! Sempre foi.
Lembro-me de sempre me proteger de garotos que queriam somente sexo nas noites dos bailes. Ou em como me livrou de virar uma aposta e ter o coração despedaçado. Em como me ajudava a limpar os curativos e machucados que ganhava nas quedas pela rua. Eu estudei somente um ano com ele, no mesmo colégio, e aquele foi o melhor ano da minha vida estudantil!
Seth era o melhor irmão do mundo!
-Bella?
Charlie era uma pessoa dentro de casa. E outra totalmente diferente no trabalho e na rua. Na empresa ele sempre me chamava de Isabella, por mais que eu não gostasse. E quando nos víamos socialmente (o que era raro), era de Bella que ele me tratava.
-Oi pai. — o cumprimentei, espiando-o por debaixo do braço de Seth.
-Eu... — hesitou. "Se ele abrir a boca, destrói minha mentira!". Sutilmente, neguei com a cabeça e ele entendeu no mesmo instante. -Desculpa não ter te avisado que não ia voltar!
-Tudo bem. — dei de ombros, me agarrando ainda mais a Seth. — Mas preciso falar com você!
-Sobre? — questionou mudando a expressão do rosto.
-Algo pessoal. — e fitei os rostos de todos na sala e parei em meu pai de novo. — Só que é particular!
-Venha ate meu escritório! — chamou-me com a mão. Fitei Seth ao meu lado. Ele sorriu e beijou a minha testa demoradamente.
-Volte inteira!
-Prometo! — sorri me afastando. Charlie colocou a mão na base de minhas costas e me guiou pelo corredor extenso. Agora, o problema era abrir o jogo com ele!
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