The Island of Bird
29 Capitulo - The Pain of a Truth
Notas iniciais
O relógio que estava sobre o criado mudo marcava dez para as onze daquela noite de quarta-feira. Depois de muitos dias, Christie enfim conseguira dormir tranquilamente, sentiu seu corpo pesar sobre a cama e se virou para o lado, até por fim se levantar.
Sentou-se sobre a beirada da cama e encurvou o corpo para frente. Sentiu seu estômago reclamar, precisava comer algo ou acabaria com uma azia. Se levantou e caminhou de forma lenta na direção da porta, mas o som baixo da televisão lhe chamou atenção. Coçou os olhos e bochechou, parou próxima a entrada da sala reparou no noticiário, já que estava dormindo desde das seis da tarde.
– O jovem James Norton se entregou de livre e espontânea vontade na delegacia da cidade de Memphis esta tarde.– anunciou a repórter enquanto repassava a cena de James juntamente com seu advogado entrando na delegacia. — O rapaz confessou a tentativa de homicido, justificando como legitima defesa, pois tinha recebido ameaças da vitima, o ex-presidiário Romam Brookstein de 35 anos.– Chris permaneceu em choque enquanto observava a reportagem. — Segundo seu advogado de defesa o jovem agiu para proteger sua vida, justificando que estava no pier Theodor Five de rotina para certificar os galpões que tinha comprado no dia anterior.– continuou a repórter — Por outro lado fora constado que a vitima estava desarmada e com roupas de serviço. Segundo as informações que obtemos, o jovem empresário possa pegar uma pena de cinco a dez anos em regime fechado. Devemos repensar se a legalização de armas é necessária para a população. Este é o jornal da meia-noite...
Chris resmungou, pois sabia que por ser quem era, James logo estaria nas ruas novamente. Chamou a atenção de Charlie que assistia o tele-jornal, rapidamente ela mudou de canal e ligou a luz.
–Querida, está tudo bem? — perguntou. Chris balançou a cabeça um pouco confusa, Charlie deu a volta no sofá e se aproximou dela – Vamos, você precisa comer alguma coisa.
Custou para a velha Morgan convencesse Chris de acompanhá-la até a cozinha, por outro lado a jovem sentia uma leve tontura devido a falta de comida no estômago.
– Vou preparar um sanduíche com geleia como gosta. — disse de forma espontânea.
Chris assentiu e cruzou seus braços sobre o balcão gelado e encostou seu rosto sobre os mesmos, enquanto Charlie preparava o sanduíche, contava como fora seus dias em Atlanta na casa de sua prima. Falou sobre os passeios, os belos lugares, mas a jovem parecia estar distante. Ela fechou os olhos por alguns minutos, não conseguia imaginar que James Norton era capaz de matar Roman.
Mas, qual era o motivo? Havia tantas coisas que desconhecia.
– Ele tocou minha mão esta tarde. — soltou interrompendo o falatório eufórico da velha Morgan. — E saber que aquele desgraçado do James quase o matou... Dá pra acreditar que a senhora insistiu para que eu me envolve-se com ele? — indagou encarando a velha Charlie dentro dos olhos – Deus, ele era amigo de Garret e sempre frequentava nossa casa de fim de semana!
Charlie permaneceu muda, sua expressão se modificou — ficando séria — colocou o prato com o sanduíche na frente de Chris.
– Erramos, é dessa forma que aprendemos a viver. — justificou-se Charlie enquanto limpava a mão no avental preso a sua cintura — Nunca iria imaginar que o filho dos Norton's seria capaz de tamanha atrocidade, agora coma.
– A senhora sabia que Garret estava tendo um caso com Suzy Credzy antes de descobrir que estava com câncer? — questionou enquanto afastava o prato, Charlie balançou a cabeça incrédula. — Achei um retrato dela no manuscrito do livro dele, a principio achei estranho em referi-la por apenas "B" dai me recordei do velho apelido de colégio que ela tinha. Sabe, todos os anos que passei ao lado de Garret fui infeliz e por incrível que pareça, consegui fingir o contrário. — ela pausou bruscamente enquanto recuperava o folêgo, mas logo prosseguiu. — Minha grande decepção não foi ter a certeza que Garret me traiu todos aqueles anos, e sim por ter sido tão imbecil de tê-lo aturado todas as noites quando chegava bêbado em casa. Me dói lembrar, mas quando vi o Roman pela primeira vez, sentia algo estranho dentro de mim, era como se já o tinha conhecido antes. — Charlie tentou interrompê-la, mas Chris continuou. Não podia parar agora que tomara coragem. — Ainda lembro quando tentei beijá-lo na saída do Roosevelt e ele me impediu eu estava completamente bêbada, se fosse outro, só Deus sabe o que iria fazer comigo. O mau caráter que a senhora tanto desenhou acabou se mostrando um homem de verdade, o homem que seu querido Garret nunca foi pra mim.
Charlie não conteve as lágrimas.
– Eu amo tanto o Roman que daria tudo pra tê-lo encontrado antes de Garret. A forma com que ele me toca e seus olhos quando estão fixos nos meus me fazem sentir viva!- concluiu.
Sem ao menos tocar no sanduíche , Chris levantou-se e caminhou na direção do corredor deixando Charlie sozinha na cozinha.

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