The Island of Bird

9 Capitulo - So When do I Give Up


Notas iniciais
....mas eu estou sentindo falta de muita coisa... Boa Leitura!

A janela estava aberta, as cortinas balançavam deixando visível as pequenas gotículas de chuva eram carregadas pela leve brisa daquela manhã de domingo. Chris permanecera deitada sobre a cama, se remexeu um pouco até se acomodar melhor.

Sentia seu corpo dolorido por causa da noite mau dormida, sua mente estava tão confusa quando seu coração. Roman é irmão de seu falecido esposo, não podia permitir que uma intimidade indesejável, o afaste. Suspirou, sentindo um nó apertado de tristeza na garganta.

Levantou-se e permaneceu sentada na beirada da cama por alguns segundos, precisava terminar as pesquisas para a conclusão do livro. Balançou a cabeça e caminhou na direção ao guarda-roupa.

Para se vestir, levou o dobro do tempo do que de costume, mas acabou escolhendo uma velha calça de moletom e uma caxarrel de cor rose. Abriu a porta de forma lenta para não fazer barulho, não havia ninguém no corredor — pra sua sorte — ela ajeitou a bolsa na lateral de seu corpo e continuou seu trajeto, parou antes para tomar um gole do café de Charlie.

Assim que terminou de solver o último gole de café, ela depositou a xícara sobre o mármore frio da pia e ajeitou o cabelo, fazendo as pequenas mechas caíam-lhe em torno do rosto e pescoço, apressou os passos na direção da porta de saída.

Virou-se para trás para certificar que não tinha deixado nada, mas ao se voltar para frente acabou trombando com Roman que não impediu-a de cair contra o chão, Christie o encarou assustada — como se estivesse fazendo algo de errado — ela se levantou do chão frio e ajeitou sua blusa.

– Deve parar de ficar assustando as pessoas, Roman! — repreendeu-o.

Roman arqueou a sobrancelha, e com um olhar indiscreto a observou dos pés a cabeça, tinha que confessar que Chris era uma mulher atraente, mas se escondia naquelas roupas largas.

– Acho que devemos conversar sobre minha estadia nessa casa depois de ontem. — disse fazendo-a corar — Mesmo deixando evidente que não desejo a ajuda de ninguém, ainda preciso de uma moradia fixa por causa da minha condicional. Ouvi a velha Morgan, conversar com alguém no telefone essa manhã, algo que não me agradou. Por mais que tenha cometido uma merda no passado, quero deixar claro que não pretendo manter uma relação intima com vocês, depois que minha condicional acabar irei embora sem deixar paradeiros. — concluiu.

Christie deixou escapar um longo suspiro, encarou-o por alguns segundos, sentia seu coração apertar dentro do peito, enquanto suas mãos seguravam fortemente a alça da bolsa.

– Se assim preferir, não posso impedi-lo. — respondeu um pouco decepcionada — Mas agora preciso ir.

Antes que ele pudesse responder, ela caminhou na direção da saída, sem olhar para trás. Apressou seus passos pela calçada molhada, os olhos de Chris nublaram de lágrimas.

A lanchonete não ficava tão longe, umas cinco quadras na direção do centro.

Algumas lágrimas lhe escaparam, fungou e olhou para um ponto distante e invisível, por um longo momento enquanto diminuía seus passos. Podia sentir as leves gotículas molhar seus cabelos e seu delicado rosto. A lanchonete do velho Peter estava praticamente vazia, o sino sobre a porta tocou assim que Chris empurrou-a, caminhou em direção a ultima mesa, não queria ser incomodada, retirou alça da bolça de sobre o pescoço e a colocou sobre a mesa.

– Bom dia, Chris! O que vai ser hoje? — saudou a o velho Peter com um sorriso contagiante.

Chris respirou fundo.

– Um cappuccino e algumas torradas. — pediu.

Peter anotou no pequeno bloquinho que tinha entre as mãos e logo a deixou em paz, a jovem encostou seu corpo contra o macio estofado do banco e observou por alguns segundos o ambiente, voltou seus olhos na direção da janela de vidro, era um dia nublado e úmido, as ruas estavam praticamente desertas.

– Aqui está seu pedido. — disse Peter colocando a bandeja sobre a mesa.

Christie agradeceu com um gesto, retirou o manuscrito de Garret de dentro da bolsa, havia uma folha solta por entre as paginas, era um desenho de uma mulher — não era ela definitivamente — sorridente com uma pinta acima dos grossos lábios e no verso uma dedicatória.

"A minha querida B."

Mas afinal quem era essa B? Chris franziu o cenho confusa, havia passado a noite em claro lento aquele manuscrito incompleto, Garret o intitulara de "A Ilha dos Pássaros" um romance trágico entre uma jovem de classe rica e um pobre pescador.

– Garret sempre fora um mentiroso nato.

A voz de Ron adentrou em sua mente, deixando-a ainda mais atordoada, respirou fundo e uma cena lhe chamou atenção do lado de fora da lanchonete, um rapaz encurvando-se para amarrar o sapato de seu filho.

Aquilo prendeu a atenção de Chris. Garret sempre sonhara em ter uma duzia de filhos, mais quando descobriu que tinha problemas para engravidar, frustrou-o e passou a se afastar dela.

Ainda podia se lembrar de uma briga que teve com ele, a forma com que ele jogou em sua cara que era uma imprestável, todos sabiam que eles não viviam uma vida de mar de rosas, tinham suas brigas como todos os casais. Mas o fato dela nunca ter lhe dado um filho o fez se tornar frio. Seus olhos percorriam com devoção as páginas do manuscrito. Garret se auto descrevera naquele personagem infeliz e isolado. Os minutos pareciam se arrastar pelos números do velho relógio. Ela pegou o pequeno caderno e o lápis, começou a escrever.

Philipe fechou a mão em um aperto não muito firme e bateu com os dedos contra o batente da porta, para chamar a atenção de Melissa e trazê-la de volta ao momento presente.

Aquelas foram as últimas palavras de Garret. Seu personagem estava tão indeciso quanto a pobre garota, pois uma bela rosa de estufa não pode viver ao ar livre sem sofrer com as drásticas mudanças do clima. – Hey, Chris! — saudou-a Suzane.

Pegando a de surpresa e fazendo com que quebrasse a ponta do lápis, Chris encarou-a por alguns segundos, mas retribuiu o sorriso, gesticulou para que a ruiva sentasse.

Ambas não eram tão amigas, mas se conheciam desde o pré-escolar.

– E como está as coisas, depois da morte de Garret? A chegada do Ron deve ter te assustado não é? Ele é tão diferente do Garret. — quis saber.

Chris mordeu os lábios.

– Estão indo, Ron é um boa pessoa, apenas é mau compreendido. — respondeu.

Suzane mostrou lhe um sorriso debochado, estalou os dedos para que alguém a servisse, por um instante Chris a estudou de forma silenciosa sem que ela notasse.

– Mau compreendido? Qual é? Ele gosta de ser o bad boy da parada, e Deus ele é um perfeito cara mau. — disse enquanto mordia os lábios — Nas duas noites que o encontrei, te digo garota ele me levou a beira da loucura.

Suzy tomou apenas um gole de seu café e levantou-se, encarou Chris por alguns segundos.

– Deveria experimentar, pois o rancor que ele carrega o deixa um bicho na cama. — disse debochada sobre o olhar de espanto de Christie — Oh me perdoe! Você é a viuvinha de Garret, patética como sempre foi.

Naquele momento, Christie sentiu uma raiva afiada e totalmente inesperada, que lhe roubou o fôlego. Sem dúvida, desencadeada pelas palavras agressivas de Suzane.