The Island of Bird

10 Capitulo - I'm Hoping That I'll Find


Notas iniciais
... sinta apenas o leve sopro dos ventos.... Boa Leitura!

Christie parou por alguns segundos e encarou Roman, que estava sentado nos degraus da entrada. Estava ficando tarde e os ventos gelados começavam a ganhar força. Ambos não disseram nenhuma palavra sequer, apenas trocaram olhares. Era noite beneficente dos veteranos da guerra.

Cabisbaixa e com passos rápidos, continuou seu trajeto na direção da entrada.

Abriu a porta de seu quarto, sua respiração estava lenta e profunda, balançou a cabeça tentando desfazer daqueles malditos pensamentos. Caminhou na direção da cama e jogou a bolsa nela.

Aos poucos fora se despindo, mas antes de entrar na suíte, parou em frente ao espelho. Observou seu corpo; não era tão sexy quanto o de Suzanne. Frustrada resmungou algo baixinho.

Não deveria se preocupar em ser mais desejável que uma qualquer. Mostrou um largo sorriso para seu reflexo e continuou seu trajeto até o banheiro.

Fechou os olhos enquanto a água morna percorria todo seu corpo, aquela era a melhor sensação do mundo. Esfregou a macia bucha contra sua pele, era o único momento que se esquecia de todos os problemas, incluindo Roman, claro! Um enorme suspiro de alívio escapou lhe pelos lábios, abriu os olhos lentamente. Era como se pudesse ver os momentos felizes que passara com Garret.

Girou a torneira, desligando o chuveiro e puxou a macia toalha branca em que mandara bordar as iniciais de seu nome e de Garret. Caminhou na direção da pia, pegou o secador para que pudesse secar os cabelos molhados, ou acabaria pegando um tremendo resfriado. Sua face estava pálida.

Ao terminar de secar os cabelos, caminhou na direção ao quarto, precisava se vestir antes que a velha Charlie começasse a bater em sua porta. Elegância casual, ela finalmente decidiu, usaria o vestido tomara que caia branco com detalhes em preto, com um decole discreto em "V".

Colocou maquiagem para dar um pouco de cor ao rosto pálido, ajeitou seus cabelos em um perfeito rabo de cavalo, pegou o perfume que ganhara de Garret de aniversário, colocou um de seus saltos e, antes de sair do quarto, pegou o blazer. Assim que abriu a porta sobressaltou-se ao se deparar com Charlie, parada em sua frente.

— Ora, será que sempre iremos nos atrasar pra tudo? — Questionou.

Christie assentiu e seguiu calada na direção da saída. Para sua surpresa, Ron não estava mais sentado nos degraus.

—Esta me ouvindo? Pelo amor de Deus, Chris onde esta com sua cabeça?! — Repreendeu a velha Morgan encarando-a. – Sabe que detesto chegar depois dos Stones ou daqueles metidos dos Credzes.

Chris balançou a cabeça e conteve uma risada. O percurso seria longo, ainda mais lento tendo que ouvir as velhas e monótonas reclamações de Charlie Morgan, como : "só quero ver o vestido daquela mulherzinha atoa" e "como se comportam mal em eventos essas crianças mal educadas".

Charlie, quase sempre, estava envolvida com algum evento de angariação de fundos para Igreja local em memoria dos veteranos, entre outros. Assim que fez a conversão a direita, estacionou a velha caminhonete na entrada do salão de eventos.

— Se prepare para os puxa sacos — anunciou Charlie enquanto abria a porta da caminhonete — E lá vem o primeiro!

Chris conteve uma risada ao ver Jilie Credze se aproximar do veiculo. Charlie o cumprimentou o mais formal que pode.

— Essa festa não estaria completa sem você — disse voltando-se para Christie, que agradeceu com um gesto. — Agora vamos meninas, pois os discursos do reverendo vão começar.

A essa altura, a espetacular e solidária senhora Credze havia empurrado mais duas cadeiras para que ambas ficassem na mesa com eles, se ergueu e contornou a mesa depressa, para saudá-las. De qualquer maneira, Charlie não simpatizava com ela e imaginou que não mudaria de ideia, mas ambas precisavam manter as aparências.

Chris pode notar que a cadeira de Suzane estava vazia, sentiu uma fisgada no estomago só de pensar que deveria estar deitada na cama de um motel de quinta categoria com Roman.

— Querida, a Suzy me disse que conversaram essa tarde — questionou Cindy enquanto limpava os lábios com o guardanapo. — Ela me falou que parecia abatida e tão distante, mas está tão linda essa noite. Chris forçou se a sorrir.

— Agradeça a Suzane pela preocupação — respondeu com uma pontada de ironia. — Se me derem licença, preciso tomar um pouco de ar.

Levantou-se, e sem mais nenhuma palavra, caminhou na direção da porta lateral.

Droga! Pensou atordoada por sua reação. Mas era tarde para voltar atrás. Pegou uma taça de vinho com um dos garçons e sentou-se em um dos velhos bancos do lado de fora do salão.

Não havia lua, apenas as escuras e densas nuvens de inverno. Os ventos gelados sopravam impetuosamente, fazendo seu rosto corar.

Aquele maldito beijo fez com que sentimentos adormecidos despertassem dentro de si, um turbilhão de cruéis pensamentos.

— Nunca irá me dar um filho Chris, porque é estéril! — Berrou Garret visivelmente embriagado parado na porta do quarto. — Quero ter uma dúzia de filhos correndo por esse corredor, mas a mulher que escolhi pra mim não presta nem pra me dar filhos!

Aquela amarga lembrança fez com que uma lágrima solitária escapasse pelo canto dos olhos, mas a impediu de continuar seu trajeto por seu rosto, limpou-a com as costas da mão. Sua respiração estava lenta, olhou o visor do celular. Ainda era dez e meia, estava há quase uma hora e meia sentada naquele lugar.

Encostou sua cabeça contra a parede fria e tentou não pensar, mas assim que se ajeitou sobre a cadeira, pode ver Roman e Suzane de mãos dadas se aproximando. Estreitou os olhos para certificar-se que era real aquela visão.

— Vejo que esta aproveitando o máximo dessa festa cafona — anunciou a ruiva.

Christie sentiu um nó apertado de raiva na garganta. Não disse nada, apenas concordou com a cabeça em resposta às palavras de Suzy.

Caminharam na direção da porta, mas Roman parou deixando-a espantada por sua reação — o que já se era de se esperar, tratando-se de Roman, a ruiva se aproximou dele e sussurrou algo em seu ouvido, mas ele discordou. A expressão de Suzy se fechou e, como uma criança mimada, entrou sozinha.

Roman respirou fundo e encarou Chris, que ao perceber que aqueles belos olhos verdes estavam fixados nela, desviou os seus para o canto.

— Pelo menos, posso sentar? — Quis saber.

A morena virou-se na direção dele e o analisou dos pés a cabeça, sem nenhum pudor. Concordou e deu espaço para que ele sentasse. Roman retirou o maço todo amaçado do bolso e acendeu o último cigarro, dando uma longa tragada.

Ron ofereceu o cigarro para ela, que aceitou, deixando-o surpreso.

— Realmente há muitas coisas que preciso aprender sobre você — disse Ron enquanto a encarava.

Chris deu uma longa tragada e devolveu o cigarro para ele enquanto soltava a fumaça pelo canto da boca.

— Aprendi a ocultar muitas coisas, Ron — respondeu encarando-o, mas logo voltou seus olhos para a escuridão. — Muitas mesmo. Não é só você que vive preso nas más lembranças, aliás, conhece esse retrato? — Perguntou enquanto retirava a folha toda dobrada do bolso do blazer

Roman pegou o papel e encarou o belo desenho, franziu o cenho, lhe era familiar, mas não conseguia se lembrar.

—Talvez...Quem te deu isso? — Quis saber.

Chris amassou a folha e arremessou no cesto de lixo.

— Ninguém, apenas queria saber se conhecia — mentiu.

Ela se levantou e caminhou na direção da entrada, mas parou e virou-se. Mostrou-lhe um sorriso cálido e prosseguiu, precisava descansar. Caminhou na direção do local onde havia estacionado a caminhonete.

Surpreendeu se ao ver a velha Charlie parada próxima ao veículo, parecia nervosa andando de um lado para o outro, mas parou ao ver Chris se aproximar.

— Ainda bem que está ai, precisamos ir embora ou irei afundar aquela fusa esticada de Cindy no purê! — resmungou — Nunca vi uma mulher tão fútil igual a ela, meu santo Deus!

Não estava se sentindo muito sociável no momento, mas não conteve uma risada. Deu a volta pela caminhonete e abriu-a, dando partida e arrancou em direção da velha estrada.

— Se visse com quem a filha dela veio, iria enlouquecer — anunciou Chris dando lhe uma rápida olhada.

Charlie encostou sua cabeça no banco e fechou os olhos, deixando evidente que não queria saber quem era o acompanhante.