The Island of Bird
8 Capitulo - Of Losing What I Never Found
Notas iniciais
Podia ouvir a voz de Garrett dentro de sua cabeça, parecia vir de muito longe e soava urgente. Mas o som de algo se quebrando a fez saltar da cadeira, irritada pela interrupção do sono, respirou de forma profunda, desejando que pudesse voltar ao sonho. Mas foi em vão. Ele se fora, como folhas levadas pelo vento. Abriu os olhos relutantes, sentiu suas mãos dolorosas, as mesmas sobre as quais a cabeça descansava, em cima da mesa sobre os papeis que achara dentro do armário secreto de Garrett.
Para sua surpresa Ron estava sentado na cadeira de balanço, tragando seu cigarro de forma lenta, com um olhar fixo no quintal escuro.
– Desde quando estou dormindo? — quis saber enquanto colocava a mão sobre a cabeça.
Não houve uma resposta rápida, Chris esfregou com força às mãos e flexionou os dedos. Ron virou-se na direção dela com uma expressão petrificada, na boca, um sorriso irônico se desenhava.
– Creio que desde as nove. — disse áspero voltando seus olhos para frente — Estava tendo um sonho bom, muito bom mesmo. Estava até dando risada.
Christie sentiu o rosto corar de leve.
– Concordo,Ron. Estava muito bom! — rebateu com ironia, fazendo-o observa-la com mais atenção. — Aliás, por onde andou o dia todo? — questionou.
Ron arqueou a sobrancelha, não devia explicações de sua rotina, Ela cruzando os braços, deliberadamente estava esperando uma resposta. Ele soltou uma risada.
– Por aí. Enfim, não ira querer saber o que andei fazendo. — respondeu enquanto virava a cadeira para ficar de frente a ela — Fique descansada não abusei de sua confiança ontem a noite e não irei fazer, nem se me pedir.
Chris colocou a mão sobre a boca abafando um protesto, mas sentiu sua face pegar fogo.
– Estava bêbada e aquilo não irá se repetir! — respondeu desviando os olhos para os papeis a sua frente.
Ele sorriu.
– Fique tranquila, não deve se martirizar por causa de um selinho. — disse encarando-a.
Christie queria que ele desaparecesse de sua frente. Mas ele ainda estava ali a importunando com aquelas palavras ásperas, estava começando a entender o porquê da rincha entre ele e a velha Morgan. A jovem sentia seu coração acelerar dentro do peito, por outro lado gostava daquele olhar misterioso dele.
– Por que faz isso? — questionou, ele a encarou curioso, enquanto ela prosseguia — Fica se afastando das pessoas como se fossem uma ameaça, você é um estranho, mas é irmão de Garrett. Preciso começar a entender o que passa em sua cabeça para ajudá-lo a liberar essa magoa.
Ron franziu o cenho.
– Me entender? Qual é, virei um livro de matemática para ser resolvido? — respondeu com um tom seco — Não preciso de sua ajuda ou de qualquer outra pessoa. Sou um estranho, mas fiz a gentileza de trazê-la para casa em segurança. Poderia ter feito muito mal pra você, já que estava desprotegida e alcoolizada.
Apesar de não querer demonstrar vulnerabilidade diante daquela situação, Chris recostou-se na cadeira. Mordeu o canto dos lábios e encarou-o.
– Por isso que o admiro, é diferente dos demais, até mesmo de Garrett. — disse enquanto um pequeno sorriso curvava lhe o canto dos lábios. — Tem algo em você que o faz especial.
Ron balançou a cabeça de forma negativa, jogou no chão a bituca de cigarro e a apagou com a ponta sapato, levantou-se e ameaçou entrar, mas Chris com um impulso rápido colocou-se em seu caminho, barrando-o e o deixando surpreso.
– Por que está sempre fugindo? Preciso saber o que realmente aconteceu e apenas você pode me dizer. Quando vi Garrett pela ultima vez, estava escancarado em seus olhos a culpa. — disse colocando sua pequena mão sobre o abdômen de Ron.
Sentindo uma fisgada no estômago, tomou a mão delicada de Chris entre as suas e forçou-se encará-la. Estava linda com aquela roupa simples, ela não precisava de muitos enfeites para ficar encantadora, diferente de Suzy que vivia escondida atrás da maquiagem.
A boca dele estava junto à dela antes que pudesse pensar em uma resposta. Um calor espalhou-se por todo o corpo dela, e em seu mundo, de repente, existiam apenas aqueles lábios quentes, acolhendo aquela exploração mais íntima, suas línguas se encontravam de forma desesperada, descobrindo pequenas sensações novas, e as batidas do coração dela ecoaram como tambores distantes em seus ouvidos conforme seu corpo encontrava um conforto natural contra a dureza sólida e máscula dele.
Interrompendo o beijo para pressionar seus lábios contra o pescoço dela, Ron passou os dedos por entre o cabelo dela e gemeu quando libertou as madeixas negras de trás das orelhas da jovem, colocando sua mão possessivamente na nuca de Chris.
Como em um instinto enlaçou a cintura esculpida de Christie e a ergueu do chão colocando a contra a fria parede, estava esperando aquele momento desde a noite passada. Céus como a desejou! Mas o som de algo caindo contra o chão duro, os fez saírem daquele transe.
Charlie Morgan estava parada, com um olhar de espanto na porta, Ron soltou Christie que respirou de forma profunda e desviou seus olhos para um canto.
– Eu disse que esse marginal ia aprontar, mas você. — repreendeu o com dureza, e virou-se na direção de Chris — Como pode? Seu marido morreu a poucos dias e já está se esfregando com esse verme!
Christie sentia seus nervos agitados, piscou algumas vezes para dispersar as lágrimas.
– N-Não aconteceu nada, apenas um beijo. Mas que droga agora vai me acusar de traição?! Não sabe o quanto sinto a falta de Garrett, realmente não sei o que me deu. — disse desesperadamente entre lágrimas.
Roman permanecia encarando a velha Morgan, sempre usando suas manipulações.
– Não é culpa dela, eu quem a beijei. — respondeu de forma fria — Já que quer alguém pra culpar, pode colocar na minha listinha, senhora Morgan.
Antes que pudesse responder-lhe, Ron caminhou na direção da porta. Charlie ergueu seus olhos na direção de Christie que sentiu o rosto empalidecer, caminhou cabisbaixa na direção da entrada. Apressou seus passos em direção de seu quarto, assim que fechou a porta atrás de si, encostou se nela e fechou os olhos, sentia uma mistura desejo e culpa fluir em suas veias, retirou suas vestes ficando apenas de calcinha e sutiã e deitou-se sobre a colcha creme da cama, sorriu.

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