The Island of Bird

11 Capitulo - I'm Waiting Here in Line


Notas iniciais
... conte-me seus segredos.... Boa Leitura!

O ar noturno estava suave e gélido, adentravam pela janela aberta do quarto de Christie, ela parou para olhar as páginas em branco do manuscrito de Garret, sentia-se cansada, retirou o óculos de grau do rosto e o depositou sobre o criado mudo.

Sua cabeça estava a mil, não conseguia dormir.

Retirou os lençóis e levantou-se. Caminhou até a janela, encostou-se sobre ela e permaneceu alguns segundos se deliciando com a brisa gelada, seus olhos percorreu o céu escuro, não havia sinal das estrelas, as grossas nuvens deixara o céu tão escuro que podia apenas ver as luzes dos relâmpagos distantes.

Respirou fundo enquanto fechava as janelas, se afastou aos poucos em direção ao corredor, sentia seus músculos ficarem doloridos devido a posição que ficara enquanto lia o manuscrito, precisava de um copo de leite cheio.

Mas parou ao ouvir barulhos, girou sobre os calcanhares e seguiu na direção do pequeno porão. Abriu a porta o mais lento que pode, parou no terceiro degrau e colocou a mão sobre o peito ao perceber que a pequena janela estava entreaberta — temeu — sentia seu coração pulsar desesperadamente dentro do peito.

Controlou sua respiração, pegou o taco de beisebol que Garret sempre deixava no alto dos degraus — para que em caso de invasores, pudesse usá-lo — mas acabou se enroscando com a barra de seu moletom e acabou por cair fazendo um barulho, assustando Roman que estava concertando uma velha cadeira.

Ele se aproximou para ajudá-la, mais Chris recusou, se levantou sozinha e o encarou furiosa. Seu coração batia com toda a intensidade como se fosse sair do peito, Ron estava tão próximo que temeu que pudesse ouvir aquelas batidas desesperadas, rapidamente se afastou na direção dos degraus.

— Precisa de alguma coisa? — questionou Ron ainda parado observando-a.

A voz de Roman era grave e rouca que fez com que os pelos de todo seu corpo se arrepiassem, ela girou sobre os calcanhares e o encarou.

— Não! É que ouvi barulhos e vim me certificar que não eram invasores. — respondeu desviando os olhos para um canto — Pode voltar para o que estava fazendo, não irei atrapalhar.

Ron sorriu, deixando-a ainda mais desconsertada.

— Perdeu o sono? — quis saber. — Pode me fazer companhia se quiser, estava terminando de arrumar os pés daquelas cadeiras velhas.

Chris assentiu, ele era inegavelmente bonito. A tensão veio como se algum instinto profundo estivesse pronto para despertar, mais caminhou na direção do velho sofá e sentou-se.

Ron estendeu lhe uma garrafinha de cerveja, Chris agradeceu com um gesto, ele se virou pegando o martelo, ficando de costas para ela. Nunca pudera imaginar que Roman era tão parecido com Garret de costas ao ponto que poderia até se confundir.

— E você também perdeu o sono? — perguntou quebrando aquele silêncio torturante — O Garret passava horas aqui. Roman se virou e a encarou perplexo, respirou fundo encostou se sobre a mesa de ferro.

— Será que tem que sempre lembrar-se dele? — resmungou – Olha, nunca tive uma boa relação com Garret, por ele ser o preferido e eu o ovelha negra, como a velha Morgan já lhe deve ter dito várias e varias vezes. Poderia não dizer nada sobre ele? Me fale sobre você, o que gosta de fazer?

Christie assentiu, solveu um gole de sua cerveja e o encarou.

— Desculpe, é força do hábito. — respondeu encarando-o — Minha vida não é tão interessante quanto pensa. Me formei em contabilidade em Yale, nunca fui tão popular ou a ovelha negra, mais adoro The Beatles, gosto de teatro e musicas clássicas. — antes que terminasse de falar pode ouvir uma risada espontânea vinda de Ron — Está vendo? Não sou interessante e todos riam de mim, sou patética!

Ron balançou a cabeça e se aproximou dela, a boca dele entortou-se em um meio sorriso, sentou-se ao seu lado fazendo sua musculosa coxa roçar na dela.

— Adoro os Beatles, não curto teatro, mais encaro um cinema. — disse virando-se na direção dela, que agora, exibia um sorriso nos lábios rosados — Você não é patética e sim diferente.

Roman encostou-se no sofá, Chris permaneceu encarando-o enquanto dizia sobre suas vontades e sonhos – sim, ele tinha sonhos — sorriu, e a alegria dele, fez com que o coração dela batesse descompassadamente.

Christie o estudava atentamente, era tão diferente de Garret, não tinha medo de contar lhe seus sonhos.

—Venha aqui. — disse enquanto se levantava, Chris encarou o por alguns segundos — Não vou te morder, relaxa.

Ela colocou a garrafa do lado do sofá e se ergueu, caminhou na direção de Ron, ele lhe entregou o martelo. O rosto dele se tornara ainda, mais bonito quanto sorria. Seu sorriso era charmoso e embaralhou ainda mais seu estômago.

— O que quer que eu faça? — perguntou toda embaraçada enquanto segurava o martelo.

Ron ergueu uma velha cadeira e colocou a sobre a mesa, empurrou a na direção dela.

— Me ajude a retirar os pregos velhos. — disse encarando-a — Ou acha que iria ficar assistindo?

Chris assentiu, mesmo não tendo muita prática, iria ajudá-lo. Ron lhe contara como fora seu primeiro dia no acampamento de verão, diferente do que ela pensara, ele não era tão popular. E como acabou ficando preso em um dos balanços de pneus.

A morena observava o enquanto falava entusiasmado, continha um brilho nos olhos diferente de quando chegou — era fechado e inatingível — nunca se sentira tão feliz em toda sua vida.

— E como está o livro? — perguntou sem encará-la.

Chris respirou fundo, não tinha escrito nenhuma palavra, colocou o martelo sobre a mesa e encostou-se sobre ela.

— Não tenho a minima ideia de por onde começar, o personagem é orgulhoso e tão frívolo. Necessita de um amor forte o que a personagem não tem. — disse.

Ron arqueou a sobrancelha.

— Nunca fui de ler! — respondeu.

Christie arregalou os olhos e um sorriso curvou-lhe um dos cantos da boca. Como assim ele não gostava de ler? Era tão diferente dela, que devorava os livros da biblioteca, Ron sorriu e limpou a garganta de leve, erguendo uma sobrancelha quando Chris se virou para fitá-lo.

— Realmente você é muito misterioso senhor Roman. — disse enquanto o encarava — Posso dizer lhe que um grande enigma.

Chris sorriu, colocou de leve a mão sobre a dele enviando uma descarga elétrica através daquele contato, fazendo Ron retirar sua mão.

— Acho que é melhor ir. — disse um pouco áspero.

Estranhou aquela atitude, mais logo concordou, ergueu-se na ponta dos pés e beijou lhe a face, o contato leve e breve terminou quase no mesmo instante em que começou.

—Boa noite, Ron! — disse

Chris não pôde conter o sorriso.

Sentia-se tão bem! Girou sobre os calcanhares seguiu na direção dos degraus, assim que fechou a porta do porão caminhou lentamente, mais os apressou assim que viu a luz do quarto de Charlie acender, abriu a porta com tamanha rapidez — como se estivesse fazendo algo errado — fechou a atrás de si não contendo uma risada, caminhou na direção da cama e deitou-se com delicadeza, os olhos preocupados e cheios de desejo ao mesmo tempo.