The Island of Bird

12 Capitulo - I Thought I Could Fly


Notas iniciais
... passou da hora de recomeçar .... Boa Leitura!

A manhã de segunda-feira chegou rápido demais, o que era a tendência natural. Abriu os olhos lentamente custando a acreditar. Praticamente se arrastou para fora da cama, foi até a janela e espiou entre a grossa cortina.

Precisava arrumar um emprego, pois passara tempo demais encostado naquela casa, antes que a velha Morgan começasse a cuspir marimbondos em sua direção.

O céu amanhecera cinzento e carregado.

Droga! Novamente iria chover.

Um trovão ecoou, fazendo-o se afastar da janela.

Na noite anterior, sentira-se tão bem, o que iria lhe fazer muita diferença naquela manhã. Apressou-se a tomar uma ducha antes de ir atrás de emprego, sentia seus músculos relaxarem com aquela água morna, apoiou as mãos contra a parede fria, um sorriso curvou-lhe em seus lábios lentamente.

Mas o estrondo ao longe de um trovão fez com que seus pensamentos se dispersassem, abriu os olhos lentamente e encarou o frio azulejo. Afinal o que estava pensando? Aquela era viúva de Garret! Arfou, havia prometido a si mesmo que não iria se envolver com ela.

Resmungou antes de fechar a torneira, puxou a toalha e enxugou o rosto logo depois os cabelos, por fim se envolveu nela e caminhou na direção da porta. Precisava se apressar ou não iria encontrar algo para ocupar sua mente. Vestiu uma calça jeans e uma blusa branca, pegou o moletom e seguiu na direção da cozinha, precisava de um bom gole de café antes de sair.

A casa estava completamente silenciosa, tentou caminhar sem fazer alardes, assim que atravessou o pequeno corredor, chegou a cozinha, ergueu seus olhos na direção do relógio que marcara dez para as sete da manhã.

Surpreendeu-se ao ver o café coado sobre a mesa, aproximou-se da pia para pegar uma xícara e se deparou com um pequeno bilhete colado no armário.

"Ron!

Recebi a ligação do Leon Nórton essa manhã, estava a sua procura, e pediu para que esteja na empresa dele antes das oitos. Fui levar a Charlie no encontro das senhoras da igreja da cidade de Ílion.

Beijos Chris."

Ele arrancou o bilhete e o encarou perplexo. O velho Nórton estava querendo vê-lo? Recordou-se do pequeno desentendimento que teve com o filho dele algumas noites atrás, balançou a cabeça e pegou a xícara para enfim tomar seu café. Não tinha nada a perder, amassou o pedaço de papel e o colocou no bolso, sorveu o café em apenas um gole e depositou a xícara sobre a pia, caminhou na direção da porta dos fundos.

Assim que abriu a porta da garagem, se deparou com o velho conversível, resmungou. O ar fresco, com sua névoa fria o fez fechar o zíper de seu moletom, destravou as portas do veículo, sem perder tempo deu a partida fazendo o motor aquecer, engatou a ré e saiu lentamente da garagem. respirou o cheiro úmido e verde da grama recém-cortada.

A empresa dos Nórtons não ficava tão longe, algumas quadras do píer abandonado. Fez a conversão enquanto seus olhos permaneciam fixados nas ruas desertas e molhadas pelo leve orvalho que descia do céu cinzento. Havia trabalhado para o velho Leon na adolescência, como ajudante na velha loja de marcenaria, mesmo tendo suas desavenças com James, onde agora era a empresa filial de seu império.

Ao menos alguém cresceu na vida. Pensou enquanto sorria.

Circulou o parque bem conservado da pequena da cidade, em direção a rua Street — onde era conhecida pelas empresas — A maioria das empresas ainda permaneciam fechadas, é claro. Eram apenas 7h40min da manhã. A Wood Nórton já estava aberta. Estacionou o veículo próximo a entrada da garagem dos funcionários, antes de descer respirou fundo.

Acionou as travas do veículo o fechando, caminhou lentamente até a porta de acesso aos funcionários na lateral do imenso galpão. Foi em direção da recepção. Aquele lugar havia sido modificado, surpreendeu-se com a reforma, pois a vinte e três anos atrás era apenas um galpão cheio de madeiras amontoadas.

– Bom dia, em que posso ajudar? — perguntou a atendente com um sorriso nos lábios pintados de rosa

Ele retribuiu o gesto e aproximou-se do balcão.

– Vim falar com o senhor Leon. Sou Roman Brookstein.- anunciou.

A jovem pediu para que aguardasse um pouco, interfonou para a sala do diretor, Ron permaneceu em pé encarando o lugar, mas uma voz bem familiar o fez girar sobre os calcanhares e se deparando com o velho Leon, — os anos lhe foram um tanto severos — sua feição estava abatida e os cabelos esbranquiçados. O senhor Norton fez um gesto para que o seguisse, sem questionar Roman obedeceu calado, caminhando pelo imenso corredor todo decorado.

– Entre! — disse abrindo a porta que dava lhe acesso a sua sala — Não sabe o quanto fiquei contente em saber de sua volta.

Ron se limitou a assentir. Leon fez um gesto para que se sentasse na cadeira a frente da bela mesa de cedro libanês.

– Olha, se for por causa daquela noite..

Antes que pudesse terminar de falar a voz do velho Nórton o interrompeu.

– Não se trata de James, meu caro. – disse encarando-o – Sabe que prezo seus serviços. Soube que passou por problemas com a lei e agora com a morte de seu irmão... pobre Christie mal tive tempo de ir desejar meus pêsames pessoalmente. – desviou seus olhos para o canto – Mas isso está no passado e ando precisando de alguém como você em minha empresa. Sua mão de obra é necessária, pois tenho alguns novos funcionários que nem sabem diferenciar um cedro de um carvalho. James havia comentado de sua vinda e achei necessário procurá-lo.

Ron concordou, não poderia recusar uma oferta daquela, ambos permaneceram conversando por alguns minutos. Leon folheou as páginas, narrando algumas normas da empresa, pegou o telefone do gancho e interfonou para a sala de James, que não demorou para ir ver quem era o novo funcionário. Entrou a sala sem bater, como sempre fazia.

–Me chamou, pai? — perguntou parado na porta.

A voz de James fez com que os cabelos da nuca de Roman se arrepiassem, o louro se aproximou da mesa e quando encarou o novo funcionário, não controlou sua raiva.

– O que esse marginal está fazendo aqui? — berrou.

Leon socou a mesa fazendo-o voltar-se para ele. James recusou com um movimento de cabeça a acreditar, levara um susto, estreitou seus olhos na direção de seu pai que o encarava com reprovação nos olhos.

– Roman irá trabalhar nessa empresa e espero que se mostre cortês, pois não fora essa educação que lhe dei. — ordenou — Agora já cuidar das papeladas e não ouse a me afrontar na frente dos funcionários novamente.

James desviou seus olhos na direção de Roman, encarou-o por alguns segundos.

– Está ficando caduco da cabeça. — respondeu voltando seus olhos na direção de seu pai — E você, marginal, não vai achando que irei lhe dar moleza, pois estarei sempre a espreita. — ameaçou-o antes de sair batendo a porta.

Leon sentou-se novamente na cadeira, sua expressão não era nada agradável. A rixa de Roman e James era antiga, desde da época do ginásio, tudo por causa de uma garota. Mas aquilo não importava no momento, ambos apertaram as mãos fechando o contrato, Leon pediu para que ele começasse naquela manhã mesmo.