The Island of Bird

27 Capitulo - I'll steady your Hand


Notas iniciais
... não me deixe aqui sentada nesse frio.... Boa Leitura!

Chris permanecia sentada naquela poltrona desconfortante há horas, seus olhos estavam inchados de tanto chorar. Observava a movimentação de forma caótica era como se todos estivessem em câmera lenta, enfermeiros, pacientes, médicos, todos eles.

Faziam algumas horas que o doutor Parker tinha aparecido na sala de espera para lhe avisar que a cirurgia de Roman era delicada, poderia não sobreviver. Aquelas palavras ecoavam em sua mente deixando seus olhos afogados em lágrimas, definitivamente não poderia viver sem aquele homem.

– Deus! — resmungou, em uma súplica enquanto fechava os olhos.

Aquela maldita dor que apertava seu coração de forma desumana. Uma das enfermeiras se aproximou com um copo grande de expresso quente.

– Chris! — chamou tentando não assustá-la, a morena abriu os olhos e encarou Betty. — Precisa tomar alguma coisa, já faz quase duas horas que não desgruda dessa poltrona.

– Estou bem, apenas preciso ficar sozinha. — respondeu, desviando seus olhos para o canto — Não precisa se preocupar.

Betty suspirou cansada, colocou o copo na frente de Chris e sentou-se ao seu lado.

– Como não me preocupar, querida? — questionou, enquanto franzia o cenho. — Está aqui há dois dias sem comer nada, e ainda quer que eu fique tranquila, Christie? — respondeu, pasmada. — Precisa ir descansar um pouco, refrescar a mente.

Chris respirou fundo e virou se na direção de Mary Betty.

– Tá de brincadeira, não é? Refrescar a mente sabendo que o Roman está lutando para viver! — rebateu com a voz alterada. — Sinceramente não sei como pode me aconselhar isto! Deus, se ele morrer, não sei o que irei fazer!

Mary Betty era uma velha conhecida de Chris, amigas desde o colegial. Sabia que Christie era forte, mas nunca a vira naquele estado tão deprimente, nem na época terminal de Garret. A loura segurou a mão de Chris, fazendo-a se virar novamente.

– Desculpa, apenas precisa descansar, pois não irá adiantar de nada ficar aqui desgastando sua saúde. Ele está nas mãos dos melhores médicos de Grand Island.

Chris assentiu, a loura a envolveu em um forte abraço. Mesmo não tento noção do quanto sua amiga estava sofrendo se compadecia dela.

– Os policiais estão à procura do possível atirador que disparou contra Roman Brookstein na tarde de quarta-feira dia 14. — disse a repórter do canal Five. — Não há pistas de seu paradeiro ou de sua identidade.

Chris se afastou de Betty e fixou seus olhos na tela da televisão, sentia seu coração pulsar violentamente contra o peito, sua mente estava tão agitada que mal cogitou que o autor do disparo era alguém bem próximo à eles.

– Christie. — chamou um voz bem familiar, a jovem se levantou para verificar quem a chamava e lá estava Charlie Morgan, parada próxima à porta. — Vim o mais rápido que pude. — disse, enquanto se aproximava de braços abertos.

– Me diz que isso é mentira. — choramingou a jovem enquanto se afundava nos braços de Charlie. — Não irei suportar novamente.

Charlie apertou-a em seus braços e encostou seu queixo sobre a cabeça de Chris, por mais que não gostasse de Roman, não poderia deixá-la sofrer sozinha. Betty encarava a cena com os olhos cheios de lágrimas.

– Obrigada por vir. — disse a jovem, enquanto se afastava de Charlie e mostrou um sorriso ralo.

– Sabe que pode contar com essa velha quando precisar, querida. — respondeu, afagando o rosto de Chris. — Agora você precisa ir para casa descansar, está com uma expressão horrível. Daqui a pouco você que precisará ser internada.

Christie balançou a cabeça de forma negativa. Não iria sair daquele lugar até ter a certeza que Ron estava bem. Mary Betty enxugou as lágrimas do rosto e com um gesto concordou com as palavras de Charlie. Antes que pudesse dizer algo, o doutor Parker apareceu na porta com uma expressão apática em seu rosto.

– Precisamos ter uma longa conversa. — anunciou, aumentando a angústia da jovem à sua frente. — Poderia me seguir? Mas apenas você. — acrescentou quando viu a velha Charlie.

Christie virou-se para Charlie e Betty que concordaram em ficar esperando por ela na recepção, logo o seguiu em direção à sua sala. O experiente médico abriu a porta, dando espaço para ela entrasse.

– Sente-se. — pediu, antes de fechar a porta, Chris concordou e sentou-se. Doutor Parker deu a volta em sua mesa e sentou-se. — Bom, terminamos a cirurgia e retiramos a bala, que comprometera uma pequena porcentagem do pulmão dele. Está em um estado equilibrado, não posso lhe certificar que este estado esteja fora de risco, pois ainda há chances dele piorar e enfim você sabe... — pausou por um minuto para tomar fôlego, logo prosseguiu. — Mas está sob observação, creio que isso seja um ponto positivo. Agora a senhorita trate de ir para sua casa e descansar nem que só por algumas horas.

Chris assentiu, limpou as lágrimas que escorriam por seu delicado rosto com as pontas dos dedos.

– Tenho fé que tudo ocorrerá conforme estamos pensando e logo ele poderá voltar para casa. — finalizou.

Ela se levantou e agradeceu pela dedicação que o doutor Parker estava tendo, ambos se conheciam de uma longa e torturante data, ele abraçou-a por alguns minutos.

As coisas que realizamos nunca são tão belas quanto às que sonhamos. Mas às vezes, nos acontecem coisas tão belas que nunca pensamos em sonhá-las. Talvez tenha sido por um olhar, talvez por um sorriso, talvez tenha sido por aquelas palavras ou talvez aquele instante contigo. Talvez um dia estaremos juntos e talvez tudo será esquecido. Talvez possa existir outros momentos e aí quem sabe, nem tudo estará perdido.

"Seu rosto estava tão próximo ao dela que podia sentir sua respiração rápida e quente, sentia seu coração batendo forte, Christie se aproximou e deixou os lábios roçarem o queixo firme. Trêmula, fechou os olhos e, com muita delicadeza, apertou os lábios contra os seus.

Quase gemeu, tão agradável foi a sensação. Percebeu que seus lábios continuavam pressionados aos dele e que, sem querer, ela havia se excedido um pouco. Abriu os olhos para ver a reação dele, mas ele recuou, sua expressão estava ainda mais distante."

Recordou.

Deus! Não poderia perdê-lo!