The Island of Bird
5 Capitulo - I'll Never Know Why
Notas iniciais
Christie permanecia sentada na velha cadeira de balanço com um olhar distante, o sol estava se pondo, e um vento frio começara a soprar, Charlie estava ao seu lado calada como sempre e com os olhos grudados em seu crochê.
– Anda muito apreensiva ultimamente, aconteceu alguma coisa que deveria me preocupar? — questionou Charlie sem encará-la.
Christie encolheu os ombros.
– Não. — respondeu de forma seca.
Charlie assentiu com um gesto de cabeça, embora deixando claro que não estava nem um pouco a vontade com a presença de Roman naquela casa, a velha respirou fundo soltando o ar aos poucos. Sentia saudades de Garret e seu jeito animado de ser, depois de sua partida parecia que tudo havia mergulhado em trevas.
– Talvez seja aquele marginal do Roman. — grunhiu fazendo Christie se voltar em sua direção atordoada — Ele nos trouxe energia negativa.
A jovem mordeu o lábio. Não conseguia entender o motivo daquele rancor, pois fora ela quem os criara, antes que pudesse responder a voz rouca de Ron que estava parado a porta, anunciou que tinham visitas. Christie sobressaltou da cadeira e caminhou apreensiva na direção da sala de estar seguida a distancia por Roman e a velha Charlie, sentia-se um pouco nervosa, mas quando chegou a porta, deparou se com o velho Gordan Hill — um importante dono de editora local — a jovem mostrou-lhe um sorriso cálido e se aproximou.
– Senhora Brookstein! — saudou a estendendo sua mão que logo fora retribuído o gesto — Primeiramente meus pêsames pela perca, não sabe o quando Garret era adorado em nossa editora.
Christie assentiu.
– Bom, confesso que não sei por onde começar, mas... — disse pausadamente tentando colocar as palavras certas — Tínhamos um contrato com Garret, referente ao livro que estava desenvolvendo, e por ser um grande amigo de faculdade o adiantei metade do dinheiro estamos precisando que essa obra seja finalidade para nosso próximo lançamento daqui alguns meses.
Ela prendeu a respiração, surpresa, receosa, deixando claro que não estava a par das atividades de Garret.
– Confesso que não sei sobre o que esta falando, pois Garret nunca me contou sobre isso. — disse Christie — Apenas me falava que era sócio de sua editora, mas não que era um escritor.
Gordan a encarou sem graça – sócio? Mas do que ela estava falando? — ele se ajeitou no macio sofá sobre o olhar de espanto da jovem a sua frente e de Charlie e Roman parados próximos a porta.
– N-Não! Desculpa, mas não tenho sócios em minha editora. — disse — Talvez tenha entendido de forma errada.
Christie respirou fundo, virou se na direção de onde estava Roman e Charlie, a velha senhora tinha uma expressão assustada, já Ron permanecia normal e distante.
– Tudo bem, deve ter sido. — disse voltando se na direção de Gordan — Mas qual é o valor que adiantara? — quis saber.
Gordan estreitou seus olhos na direção da jovem.
– Estamos falando de uns vinte mil, referente aos direitos dentre outros fatores. — respondeu.
Christie assustou-se, levantou-se um pouco desconfortada, vinte mil era uma quantia altíssima! Mas logo disfarçou sua surpresa mostrando lhe um sorriso afável, estendeu a mão a direção de Gordan que aceitou, acompanhou até a porta de saída calada , mas por dentro sentia uma raiva crescente como Garret não lhe contara sobre o tal livro? E por que mentira que era sócio da editora?
– Espero que não me leve a mau, mas são negócios. — disse Gordan enquanto colocava seu chapéu — Passar bem senhora Brookstein.
Christie assentiu.
– Fique descansado irei fazer o máximo para te entregar o livro e por favor apenas Christie, passar bem senhor Gordan. — respondeu lhe.
Assim que fechara a porta atrás de si, caminhou na direção do sofá, sentou-se na beirada. Charlie se aproximou da jovem.
– Afinal quem esse sujeito acha que é para vir aqui e desrespeitar a memória de Garret? — grunhiu enquanto trincava os dentes.
Christie encarou-a por alguns segundos — sentia uma vontade esmagadora de chorar — a velha Charlie talvez não conseguisse enxergar a verdade da situação, e não estava acreditando que não conhecia Garret o suficiente.
– Tem muitas coisas que nunca conseguira entender quando se tratar de Garret. — anunciou Ron ainda parado próximo a porta. Christie virou se em sua direção e o encarou, mas Charlie fora a primeira a falar.
– Fique fora desse assunto seu marginal. — vociferou.
Mas não acreditava, pensou Christie. Nem por um instante. Porque aquilo significaria que tudo o que tinha vivido com seu marido era mentira.
– Então por que não me conta? — questionou Christie com os olhos rasos de água.
Charlie tentou intervir, mas a jovem gesticulou para que ela ficasse de fora — estava a muito tempo dando suas opiniões, sem ser consultada — Roman, ao contrário, não fazia rodeios. Se possuía uma opinião sobre algo, não mostrava medo de expressá-la. Talvez estivesse fazendo isso para se vigar de tudo que passara.
– Garret sempre fora um mentiroso nato, não o culpo, pois aprendeu com os mestres, não é Charlie? — disse dando enfase em cada palavra, inclusive no nome da senhora Morgan o que a deixara furiosa — Ele sempre levava vantagem em tudo, mas como passei dezessete anos de minha vida preso naquela maldita penitenciaria não posso te dizer muito, mas se estivesse na sua pele não ficaria muito surpresa com as artimanhas dele.
Christie precisou de toda a força de vontade do mundo para não virar a cabeça, ou acabaria surtando, a jovem levantou-se e caminhou na direção do corretor que dava para os quartos, mas parou do lado de Ron, se ele soubesse. Ao perceber o leve suspiro, e pelo modo como Christie o fitou, que ela sentira o mesmo que ele naquele instante — raiva, mas muita raiva — decepcionada. Mas não estava raciocinando direito, sentia-se sensível demais para ficar e ouvir as palavras acusadoras sobre Garret, precisava deitar-se.
Prosseguiu o trajeto na direção de seu quarto sem dizer nenhuma palavra sequer, sentia seu corpo pesar e sua respiração ficar lenta. Assim que fechou a porta atrás de si caiu no choro, cobriu o rosto com ambas mãos.

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