The Island of Bird

6 Capitulo - What I could be Missing


Notas iniciais
.... o que eu poderia estar perdendo....

A porta estava aberta permitindo que os ar frio carregado com pequenas gotículas de chuva adentrassem, era noite de início de maio, Ron estava sentado no degrau de cimento. Seus olhos observavam a rua deserta e molhada, precisava beber alguma coisa ou iria surtar, mas algo comprimiu garganta de Roman, ante a visão angustiante.

Os malditos fantasmas do passado, mas os olhos tristes de Christie o fez sentir se impotente ante tudo que passara. Ele se levantou e caminhou na direção da porta, precisava pegar sua jaqueta. A casa estava vazia, a velha Morgan tinha ido rezar com as senhoras da igreja, já Christie não sabia, pois sairá antes do sol se pôr e não voltará.

Ameaçou fechar a porta atrás de si e naquele momento, o telefone tocou, fazendo-o voltar-se para atender, mesmo relutante.

– Alô! — disse impaciente.

Tinha muitos chiados o que estava quase impossível de ouvir, maldita linha telefônica.

É da casa dos Brookstein?– perguntou a voz masculina do outro lado da linha.

Ron estremeceu. Por um breve instante, esquecera que estava na casa de seu falecido irmão Garret.

– Sim! — respondeu de forma seca. — Com quem deseja falar? — quis saber.

Novamente aqueles chiados cortaram a ligação.

É Christie ela está bêbada, preciso que venha depressa, pois insiste em ir embora dirigindo, e como um velho amigo não posso permitir que ela se machuque. — disse. — É o Roosevelt quem está falando.

Ron respirou fundo, não respondeu apenas colocou o telefone no gancho, caminhou na direção da garagem. Para sua sorte, Garret ainda tinha a velha caminhonete Ford que ganhara de seu pai, abriu a porta e lá estavam as chaves no volante — ele nunca as tirava -ligou o potente motor e esperou a porta da garagem se abrir e saiu.

O bar de Roosevelt não ficava tão distante, mas preferiu ir de carro, sentir aquela velha emoção de estar atrás de um volante. Puxou o freio de mão, desligou o motor e caminhou em direção ao bar. Assim que adentrou, aquele maldito sino tinha que fazer barulho, e novamente era alvo de olhares. Arfou e continuou seu trajeto até o balcão onde Christie estava praticamente debruçada, mas ainda segurava o copo.

– Não sabia que bebia. — disse Ron sentando se ao lado da jovem. Roosevelt se aproximou e estendeu lhe uma garrafa de cerveja. — Acho que não sei muitas coisas a seu respeito, não é? — perguntou enquanto bebia sua cerveja.

Christie levantou seus olhos na direção dele e o encarou.

– Acho que nem eu sei. — respondeu com a voz embaralhada — Talvez nem sei mas o que estava fazendo da minha vida, mas você. — disse apontando na direção de Ron fazendo quase surgir um sorriso de canto. — É tão misterioso e calado, por que não me conta?

Ron solveu outro gole de sua cerveja.

– Gosto de ser assim, senhorita Christie! Isso deixa as pessoas distantes. — disse.

Christie encarou-o, não conteve uma risada, aproximou se de Ron e tampou a boca do rapaz com sua pequena mão.

– Da pra me chamar de Chris? Fica estranho a forma com que pronuncia meu nome. — disse encarando o bem dentro de seus belos olhos verdes — Aliás, não tinha reparado como seus olhos são lindos.

Ron retirou a mão dela de sobre seu rosto, desviou o olhar depressa, mas não rápido o suficiente, a julgar pelo breve sorriso que curvara um dos cantos da boca dele, enquanto o estudava.

–Esta vendo? Fica tão lindo sorrindo, deveria fazer mais vezes. — disse a jovem o pegando de surpresa, mas permaneceu calado. — Não sei como aguentou a velha Charlie, aquela mulher as vezes me faz querer jogá-la de um precipício.

Ele se virou na direção dela e aquela expressão escancarada em seu delicado rosto,conseguiu finalmente, arrancar uma risada espontânea de Ron.

– É serio!- disse enquanto tamborilavam os dedos sobre o balcão — Deve parar de se martirizar por causa do que os outros falam. — imitou-a.

Roman assentiu.

– Com o passar do tempo você aprende a ignorar as pessoas até que fique invisível para elas, mas não sabia o quanto adorava dessa forma.

Christie arfou.

– Às vezes achava que ela tinha ciúmes de quando estava ao lado de Garret, serio! Era como se ela quisesse me manter afastada dele, sem dizer que ela escutava tudo que fazíamos atrás da porta. — disse encarando Ron — Toda vez que ele me contava sobre você sentia que ele escondia algo, que o torturava por dentro. Pode não parecer mas ele o tinha como um herói. Mas você é tão diferente, Roman é como se eu pudesse ver sua alma em seus olhos.

O moreno abalançou a cabeça enquanto terminava sua cerveja, limpou a boca com a costa da mão direita.

– Mas não pode. Vamos temos que ir! — disse modificando sua expressão.

Deixando evidente que não estava disposto a se abrir, ele tirou uma nota de trinta dólares do bolso e colocou sobre o balcão. Caminharam na direção da saída, com o canto dos olhos Ron pode notar o quanto sua cunhada estava linda, a jovem usava um vestido preto colado ao corpo o que realçando suas curvas, e seus cabelos castanho-escuros cuidadosamente cortados na altura dos ombros, com pontas espetadas para fora. Christie acabou cruzando os pés fazendo a perder o equilíbrio e cair, mas segurou-se na grossa jaqueta de Roman, que virou se para ampará-la.

Seu rosto estava tão próximo ao dela que podia sentir sua respiração rápida e quente, mas sentia seu coração batendo forte, Christie se aproximou e deixou os lábios roçarem o queixo firme. Trêmula, fechou os olhos e, com muita delicadeza, apertou os lábios contra os seus.

Quase gemeu, tão agradável foi a sensação. Percebeu que seus lábios continuavam pressionados aos dele e que, sem querer, ela havia se excedido um pouco. Abriu os olhos para ver a reação dele, mas ele recuou, sua expressão estava ainda mas distante.

–Devemos ir embora. — disse de forma severa enquanto caminhava na direção da velha caminhonete.

Christie fechou os olhos, suspirou decepcionada — a que só fez sentir-se pior — uma ponta de culpa. O que tinha dado nela?

Notas finais
Boa Leitura!