The Island of Bird

2 Capitulo - I Shot For The Sky


Notas iniciais
... eu atiro para o céu, em busca de um novo caminho...

As grossas nuvens ainda pairavam no céu, bloqueando os primeiros raios de sol daquela manhã de segunda-feira, Roman permanecia deitado encarando o teto manchado daquele quarto de motel, sua respiração estava pesada e lenta, não era de seu feitio ficar pensando na vida, pois passara metade dela aprisionado em uma penitenciaria de alta contenção em algum lugar do estado do Arizona.

Mas fechou os olhos por alguns segundos, deliciando-se com o som de uma goteira próxima a janela. Recordou-se de sua infância nos campos verdes da fazenda, essas lembranças que o mantivera vivo dentro daquele inferno de altos muros. Mas o som de batidas na porta o fez saltar da cama assustado, caminhou com passos lentos, seu coração pesava lhe dentro do peito, temia ser trancafiado novamente.

Assim que girou a maçaneta abrindo uma pequena passagem para certificar quem estava do lado de fora, sentiu um pequeno alivio — ao menos fora o achou que sentira — e lá estava um homem magro de altura mediana acompanhado de outro que estava alguns passos de distancia desse.

– Você é Roman Brookstein? — perguntou de forma automática.

O rapaz encarou por entre a pequena passagem, mas logo que viu o imenso distintivo pendurado no cinto do tal desconhecido, assentiu abrindo a porta dando lhes passagem.

– Somos oficiais, sou Todd e esse é o Ian. — apresentou-se sem muitos pesares. Pelo canto dos olhos Roman pode ver que o outro oficial revistava o lugar com certo desprezo. — Estamos aqui para certificar que esteja cumprindo as ordens que recebera antes de deixar a penitenciaria. — anunciou — Mas acho que se esqueceram de lhe dizer que tem que ter uma residência fixa, o que esse quarto de motel de quinta categoria não é. — pausou de forma brusca sobre o olhar atendo de Roman e se aproximou — Tem até quarta-feira para arrumar uma residência fixa ou terei que tomar as providencias cabíveis da lei e sabe muito bem quais são.

O rosto Roman se enrijeceu. Os olhos se estreitaram. Ele não gostava de receber ameaças, mas controlava-se por dentro para não socar aquela fusa.

– Irá me mandar de volta, senhor oficial? — questionou ironicamente.

Oficial confirmou com um gesto de cabeça, aumentando a fúria dentro do rapaz, antes de sair fez a questão de frisar que: adoraria mandá-lo de volta. Um arrepio percorreu a espinha de Roman. Não teria outra opção, iria ter que pedir abrigo a viúva de seu irmão.

Roman socou a parede com tamanha força que afundara um pedaço.

– Desgraçados, malditos tiras! — vociferou enquanto encostava sua cabeça na parede.

Em questão de segundos ele pegara sua pequena trouxa de roupas — as únicas que tinha — e saiu, pode sentir as brisas geladas envolver seu rosto, era um dia cinza como se costumava dizer na prisão, cobriu a cabeça com o capuz da blusa e caminhou na direção da recepção daquele lugar xexelento.

Teria que pegar um ônibus para chegar até o píer abandonado da alameda 51. Abriu a velha carteira, tinha duas notas de cinco pratas — era o suficiente — resmungou algumas palavras e prosseguiu em direção ao ponto de ônibus.

Assim que subiu no ônibus, lembrou-se que teria que aguentar a velha senhora Charlie Morgan, seu estomago revirou – mas, antes ela que aqueles tiras. Encostou a cabeça no vidro e ficou admirando aquela paisagem, tudo estava modificado, havia mais prédios e casas — até o velho morro onde costumava brincar não existia mais — arfou.

Ao descer do transporte, pode se deparar vários com os olhos curiosos em sua direção, eram como se quisessem dizer: “vejam o criminoso retornou.” Desviou seus olhos para o chão e prosseguiu dessa forma até a última casa da Alameda.

Apertou a campainha uma vez, respirou fundo tomando coragem, assim que a maçaneta girou abrindo a porta desgastada pelo efeito do tempo se deparou com olhar de Christie — inquieto e distante-, encontrou o dele.

– Roman. — anunciou com um pouco de empolgação em vê-lo ali parado. — Que bom que veio, não sabe o quanto Garret estaria feliz!

A expressão dele era severa, realmente não estava ligando para o que seu falecido irmão iria pensar, pois precisava de uma moradia fixa e aquela era a única que contava no momento. Antes que pudesse dizer algo, ele ouviu a voz melancólica de Charlie ao fundo.

– Quem está na porta querida? — quis saber, mas ela parou ao se deparar com ele parado do lado de fora da casa. — Santo Deus! Não foi embora? Já lhe disse que não estamos querendo problemas por aqui! — grunhiu.

Christie virou se para encará-la, não conseguia entender o motivo de tanto rancor entre eles.

– Preciso de um lugar para ficar alguns dias. — anunciou Roman voltando seu olhar na direção da jovem inerte a sua frente — Ao contrario do que venha pensar ao meu respeito, não irei interferir nos seus assuntos pessoais e muito menos trarei problemas. — disse por fim levantando os olhos e encarando a velha Morgan.

Christie assentiu.

– Já procurou um Albergue? É pra isso que eles servem. — grunhiu a velha Charlie com um olhar penetrante de puro ódio.

Roman encarou-a, lembrando-se da raiva amarga que sentia ao lhe ser negada a entrada, as vezes não se recordava o motivo de ser tão odiado por Charlie Morgan, pois quando sua mãe faleceu ele ainda era uma criança de dez anos e seu pai sempre ausente, embriagado, um homem difícil de ser agradado.

– Não há necessidade. — interveio Christie — Pode ficar o tempo que for necessário, essa era a vontade de Garret e devemos respeitar, senhora Morgan.- disse encarando-a.

Charlie se afastou em direção a cozinha deixando-os a sós, Roman pode ver que os olhos dela estavam tristes, diferente dos seus que estava cheio de ódio e ressentimento pelo que passara, a jovem se aproximou dele e abraçou-lhe a cintura, o pegando de surpresa, não retribuiu o gesto, sentia o coração dela palpitando descompassadamente. Christie não podia mas evitar aquela dor que estava lhe rasgando por dentro e se entregou aos violentos soluços do choro, por fim Roman passou o braço sobre os delicados ombros da jovem envolvendo-a em um abraço, sentiu-se comovido por ela, pois mesmo que passara anos trancafiado em uma cela — igual a um animal — ainda tinha sentimentos.

Notas finais
Boa Leitura!