The Island of Bird
3 Capitulo - I Know I'm Gonna fall Down
Notas iniciais
Roman permanecera sentado sobre a janela observando o dia ser tomado pela escuridão do anoitecer. Sob as quase imperceptíveis gotas de chuva, um relâmpago difuso iluminou uma torrente de chuva tão poderosa que era como se estivessem tão próximo dele, se mexeu um pouco modificando-se sua posição, mas ainda continha um olhar perdido e vazio.
– Mas que droga o que você fez seu imbecil?! – berrou desesperado encarando o corpo ensanguentado no chão da loja.
Arfou de raiva, aquelas malditas lembranças sempre iriam acompanhá-lo por onde quer que fosse – até sua morte. O desespero nos olhos do rapaz atrás do balcão que tremia igual a um bambo verde sobre os fortes ventos de inverno. Lá fora, o céu ficara completamente escuro e o único som era o da chuva martelando o solo, novamente um relâmpago cortou o céu, seguido por um barulho ensurdecedor de trovão. As luzes piscaram descontroladamente, mas logo se estabeleceu.
Precisava fazer alguma coisa ou iria acabar enlouquecendo preso naquele maldito quarto, saltou da janela e caminhou com passos rápidos, pegou sua jaqueta e prosseguiu na direção da entrada, sentia sua respiração pesada e lenta.
Ao passar pela sala de estar se deparou com o olhar afiado da velha Morgan sobre ele como se quisesse arrancar sua cabeça com a força do pensamento, mas não estava dando a mínima sobre o que ela pensava a seu respeito, continuou seu trajeto, batendo a porta atrás de si com tamanha violência que fizera o quadro que estava sobre a mesinha de canto cair e espatifar o vidro.
Colocou a toca sobre a cabeça, ergueu seu rosto para o céu escuro e cinza, deliciou-se com as gotas geladas de chuva, respirou fundo, deixando com que o ar fresco enche seus pulmões. Seus passos eram lentos porém firmes, retirou o maço de cigarros do bolso que estava todo amassado, curvou o rosto para acendê-lo, a primeira tragada fora de forma lenta e aos pouco soltou a fumaça por entre os dentes cerrados. Seus olhos verdes analisavam o caminho, estava a apenas alguns metros do velho parque do píer que ficava diante de uma praça abandonada e mal iluminada quando a tempestade o apanhou, encharcando suas roupas, apressou os passos e assim que adentrou no bar o sino pendurado sobre a porta tocou, atraindo os olhares para ele – tinha umas quinze pessoas naquele lugar – quando aproximou do balcão.
– O que vai ser? – perguntou o homem de estatura alta e cabelos claros.
Roman virou se para os lados, fazendo os que o encarava se voltasse para seus assuntos o deixando em paz, voltou seus olhos verdes na direção do homem que limpava o copo com um guardanapo de forma impaciente.
– Uísque. – pediu.
Não demorou a que o homem colocasse o copo na frente de Roman, virou se para pegar a garrafa, despejando o liquido âmbar sobre o copo. Ele virou o copo de uma vez, limpou a boca com as costas da mão.
– Quem é vivo sempre aparece não é Roman?! – grunhiu uma voz bem familiar.
Roman respirou fundo e virou sobre o banco, lá estava ele parado com um sorriso estúpido naquele rosto patético.
– James o eterno puxa saco alheio. – respondeu Roman com uma pontada de ironia na voz.
O rapaz mostrou-lhe um sorriso amarelo.
– Ao menos não tive que mofar na cadeia, aliás, temos algumas dividas antiga a acertar.– disse enquanto coloca sua mão direita dentro do sobretudo.
Roman arqueou a sobrancelha não contendo uma risada sádica, levantou-se ficando cara a cara com James – que era praticamente da mesma altura que a sua.
– Acho que esta se referindo da noite que trepei aquela vadia que você estava namorando? – questionou encostando o dedo na cara de James.
O dono do bar permaneceu encarando ambos estava pronto se rolasse pancadaria novamente em seu estabelecimento – pegar o taco de beisebol que ficava debaixo do balcão – com o canto dos olhos Roman pode ver a aproximação de três homens.
– Irei fazer se arrepender de ter nascido seu bastardo, filho de uma puta. Irei tirar a limpo o que me fez há dezessete anos. – vociferou retirando um revolver do bolso.
Antes que pudesse engatilhar a bala no tambor do revolver, Roosevelt interveio com a ponta do bastão de beisebol fazendo ambos se afastarem, diferente deles o dono do bar era um oficial da marinha aposentado – Seal — e tinha quase dois metros de altura.
– Acho que já te falei para não apontar uma arma dentro do meu estabelecimento. – grunhiu na direção de James — Mas vou lhe dar uma segunda chance meu caro, abaixe essa sua arminha ou irei socar esse bastão bem no meio da sua cara feia e você. – disse voltando se para Roman — Veja como fala de alguém aqui dentro. Se realmente querem se matar, saiam do meu bar!– berrou batendo o bastão contra o balcão fazendo James recuar.
Antes de sair James lançou um olhar raivoso na direção de Roman que permanecia parado encarando-o.
– Só não irei te expulsar do meu bar por respeito a seu irmão, que Deus o tenha em bom lugar. – disse voltando se para trás do balcão.
Roman retirou uma nota de vinte pratas do bolso e colocou sobre o balcão, precisava sair daquele lugar – maldita hora que pensara em parar ali – lhe corroía muito mais ouvir o nome de seu irmão do que aquela ameaça furada de James Nórton. Assim que abriu a porta verificou se a rua estava deserta e prosseguiu, mas antes que pudesse chegar à praça sentiu uma forte pancada nas costelas que fez urrar de dor e cair sobre os joelhos.
– Desgraçado agora irei te mostrar quem manda nesse pedaço do píer! – vociferou James ficando de frente para Roman que estava encurvado sobre o asfalto molhado. – Primeiro irei te dar uma surra e só depois irei fazer com que nade com os peixes, o que achas? – disse abaixando e encarando o dentro de seus olhos.
Roman cuspiu – acertando lhe bem no meio do rosto – James socou a lateral do abdômen dele usando seu soco inglês, fazendo o cair contra o asfalto. Gesticulou para um dos rapazes que estava com ele que entregasse o pedaço de pau para acertar-lhe, mas o som das sirenes da policia interrompeu em tempo, fazendo os três rapazes correrem em direção escura da rua, deixando apenas James e Roman.
– Mas que droga James! – berrou o policial apontando lhe a arma. – Larga isso agora! – berrou, gesticulou para o ajudando enquadrar os dois.
Oficial encarou Roman com um olhar analítico como se quisesse dizer:“dançou marginal.” Ambos foram algemados para a delegacia local. Droga! Se descobrissem que estava na condicional teria sérios problemas burocráticos a enfrentar no tribunal. Assim que chegaram à seccional, ficaram presos dentro de uma pequena cela que dava de frente com a escrivaninha do delegado, James virou se na direção do oficial Parker e o encarou.
– Irei fazer com que perca sua farda seu imprestável. – balbuciou.
Parker parou e se aproximou do rapaz, agarrou a gola da blusa dele e o suspendeu do chão.
– Não dessa vez seu verme mimado, pois irá responder por porte ilegal de arma, o que acha? O papai terá que encobrir, mais essa burrada sua.
Roman permaneceu sentado observando a cena patética, estava bem ferrado naquela altura. Em questão de segundos um dos advogados dos Nórton apareceu para libertar o rapaz, que antes de sair da cela, mostrou o dedo do meio para ele.
Mas pode ouvir uma voz bem familiar e por alguns segundos não conseguiu acreditar que sua cunhada estava parada conversando com o delegado local.
– Eu sei que tem que registrar o ocorrido, mas pelo amor de Deus! – disse Christie encarando-o – Roosevelt disse que fora o James quem começou toda essa confusão, ele esta em condicional e se for pego voltará para a cadeia.
O delegado voltou se na direção de onde estava Roman.
– Pequena Christie, não posso fazer nada, ele é um criminoso e terá que responder por seus erros. – respondeu.
Christie arregalou os olhos.
– Erros? Quais Steven? E todos sabem que o filho dos Nórton só causa confusão, pelo amor de Deus será que esta cego também? – grunhiu – Meu pai não iria acreditar que até você esta se rendendo aos caprichos daquele maldito riquinho.
Ele assentiu, gesticulou para um dos guardas liberarem o rapaz, a jovem se aproximou da cela, mas Roman nem sequer encarou a ou agradeceu por limpar sua barra, caminhou na direção da saída, mas antes que pudesse chegar se a porta sentiu a mão do delegado apertar lhe o braço.
– Tenha cuidado meu caro, leve isso como uma gentileza em respeito a meu antigo amigo Aid.
Roman encarou-o desprendendo seu braço e continuando seu caminho na direção da velha caminhonete Ford, não demorou a que a jovem aparecesse, aquele fora o trajeto mais longo de toda sua vida, mas Christie não disse uma palavra sequer, apenas se ouvia o barulho da chuva caindo do lado de fora do veiculo em andamento.

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