The Island of Bird
26 Capitulo - But that's how it's got to Be
Notas iniciais
Chris permanecia sentada sobre a cadeira da varanda, a leve chuva caíra praticamente a tarde toda daquela quarta-feira, seus olhos se perderam nas linhas do romance épico e mal pôde notar que aos poucos o dia começava a dar espaço para a noite.
Encostou-se de forma preguiçosa contra a cadeira de balanço, fechou os olhos por alguns segundos e soltou um longo suspiro. As leves brisas produzidas pela calma chuva começavam a aumentar, causando-lhe arrepios.
Ao abrir os olhos notou que as luzes dos postes começavam acender, franziu o cenho e encarou o relógio de pulso. Os ponteiros marcavam dez para sete da noite, no inverno os dias eram curtos. Suspirou. Precisava admitir que perdera a noção das horas, e estranhou a demora de Ron.
Retirou o celular do bolso da blusa e discou para ele. Tocou, tocou até cair na caixa postal e nada.
Sentiu um arrepio percorrer toda sua espinha fazendo-a sobressaltar da cadeira. Chris respirou fundo. Estava apenas preocupada, era comum ficar naquele estado, mas depois da conversa que tivera com Roman na noite passada, começara a ficar incomodada. Se levantou e caminhou na direção da porta de entrada, precisava fazer algumas ligações para ficar com a mente tranquila.
Retirou o aparelho do gancho e discou o número que Roman havia anotado na agenda como sendo da casa de McCall, levou alguns segundos para que alguém enfim atendesse.
– Alô?! — soou a voz feminina do outro lado da linha.
– D-Desculpa está ligando, mas gostaria de saber se por acaso o Roman passou por aí? — questionou, enquanto enrolava o fio do telefone no dedo indicador.
– Espera um segundo.– pediu a voz, Chris conseguiu ouvir da mulher perguntar para McCall se tinha visto Roman durante a tarde e não tinha visto, para desespero de Chris. — Desculpa, mas McCall disse que não o vê desde segunda.
– Tudo bem, obrigada. — agradeceu.
Assim que colocou o aparelho no gancho, ela fechou os olhos e encostou sua cabeça contra a parede, estava tremendo. Se afastou em direção da sala, sua mente começava a manipular desculpas para Ron por causa da demora, mas por um minuto temeu em imaginar ele se encontrando novamente com Suzy. Balançou a cabeça, desfazendo aquele pensamento e desmoronou em cima do macio sofá.
– Deve ter ido no Roseevelt. — resmungou, enquanto apertava desesperadamente os botões do controle remoto. — Mas que droga de programação! — reclamou.
Vários segundos se passaram, e Chris acabara adormecendo com o controle remoto na mão, o som estridente do toque do telefone a fez acordar assustada. Levantou com tamanha agilidade que quase perdera o equilíbrio e caíra em cima da mesinha central.
–A-Alô? — soou desesperada.
A ligação estava péssima, cheia de ruídos.
– É da residência dos Brookstein's? — perguntou uma voz masculina do outro lado da linha.
Houve um breve silêncio, ela engoliu seco e por fim disse:
– Sim, por quê?
– É do hospital, é sobre um parente seu que deu entrada há alguns minutos atrás, poderia estar vindo até aqui para conversarmos melhor...?
Antes que a voz masculina terminasse de dizer, Chris soltou o aparelho que bateu contra o chão de forma violenta e correu desesperada na direção da garagem. Suas mãos tremiam tanto que até para colocar a chave na ignição do veículo demorou séculos. Sentia seus nervos alvoroçarem dentro de sua cabeça, era a mesma sensação da noite em que o Dr. Parker lhe dera a notícia sobre a morte de Garret.
Engatou a ré e arrancou da garagem com tamanha rapidez que acabou batendo no latão de lixo, arrastando-o para o meio da rua. Chris limpou a lágrima com as costas da mão, bateu suas duas mãos contra o volante da caminhonete e saiu cantando pneus.
– Senhora Brookstein? Eu sinto muito, mas não tínhamos mais o que fazer, seu marido acabou de falecer na sala de operação. — disse o médico de forma categórica.
Recordou.
Não poderia perdê-lo também! Assim que fez a conversão para a direita estacionou o veículo na lateral do hospital, abriu a porta e desceu.
E lá estava ela novamente na frente do hospital municipal de Grand Island. A jovem respirou fundo tentando tomar coragem, assim que abriu os olhos caminhou apressadamente na direção da recepção.
– P-Preciso saber se Roman Brookstein deu entrada nessa tarde. — perguntou com um tom de desespero na voz.
Antes que a recepcionista pudesse responder, sentiu uma mão pesada em seu ombro, fazendo-a se virar em sua direção, lá estava o doutor Phill Parker, encarando-a.
– Poderia me acompanhar, Christie? — pediu ele, ela assentiu e sem questionar o seguiu em silêncio, todo seu corpo tremia. Por fim ele abriu a porta de sua sala para que ela entrasse e a fechou em seguida. — É melhor se sentar, pois o assunto é serio. — apontou para a cadeira à sua frente.
Christie apenas limitou-se a encará-lo com os olhos afogados em lágrimas, caminhou de forma lenta na direção da cadeira e sentou-se.
– Bom, por onde começar...?
– Pelo amor de Deus, me fala logo doutor Parker, o que aconteceu? — interrompeu-o, eufórica.
O experiente médico a encarou e assentiu, sabia que fazer rodeios iria apenas aumentar o desespero da jovem.
– Roman foi encontrado por um dos trabalhadores do píer Theodor Five essa tarde. — pausou, aumentando o desespero nos olhos da jovem na sua frente, logo prosseguiu. — Ele foi alvejado nas costas, a bala está alojada em seu pulmão direito e seu estado é complicado, precisamos induzi-lo em coma para darmos início a cirurgia para que ela ocorra da forma que estamos imaginando. É uma retirada um tanto delicada e precisa, e mesmo se ocorrer tudo conforme planejamos, seu estado ainda permanecerá crítico.
Antes que pudesse terminar de falar, Christie não conseguiu conter as lágrimas, e novamente o destino estava colocando-a em um encruzilhada. Doutor Parker se levantou e ajoelhou-se próximo a ela e segurou sua mão entre as suas.
– Precisa ser forte querida, sei o quanto é duro dizer isso, mas precisamos de fé nesse momento. — disse, encarando-a. — Sei que já passou por essa dor terrível alguns meses, mas tenha fé.
Chris desviou seus olhos para um canto.
Quantas vezes mais precisaria passar por aquela situação?
Estava começando a achar que sua maldita sina era viver sozinha, como sempre dizem: “É tão fácil aconselhar quando se está do lado oposto da situação que se decorre”.
FÉ? Como poderia acreditar em algo que se tanto desejava, para no fim não consegui-lá?
Essa pequena palavra estava começando a desaparecer em seu dicionário. Daquele momento em diante, já sabia o que as pessoas iriam lhe dizer: tenha fé querida. O velho clichê da vida real quando se tratava de uma tragédia.

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