The Hunters - The story of our life
6 Apaixonada
Notas iniciais
Tomei um banho demorado, tentando relaxar. Sempre amei ficar mergulhada na água, é uma forma de eu ficar mais tranquila, uma coisa que me deixa mais leve. Mais nem a água estava adiantando, eu continuava furiosa. Não que eu já não imaginasse aquela hipótese, mais eu odiei ouvir daquele jeito. Me senti como um lixo, usada. Há alguns momentos da vida em que ficamos tão mal a ponto de não nos permitir chorar, coisa que eu não posso fazer, de qualquer forma.
Me sequei bem e me vesti. Abri a porta tentando andar normalmente, mais em frações de segundos, eu estava dentro do meu quarto, sentada na cama, olhando para as paredes. Eu me senti meio tonta, um devaneio rápido dos primeiros meses após minha transformação me deixou assim. No começo, eu cheguei a matar uma mulher, e fiquei horrorizada. Pensei no que havia acontecido com os meus pais, e logo me tranquei dentro de mim mesma pra não fazer aquilo novamente.
A Naná, a Carol, a Grazi e a Yanca ajudaram bastante, e depois, foi minha vez de ajudara Helô. Eu via nela o horror que provavelmente as garotas haviam visto em mim. Uma garota em choque, sem saber o que fazer, sua capacidade ou o que havia lhe acontecido. Nunca me conformei, sempre quis me matar, tentei umas vezes, mais não funcionou, pro meu azar. Desde então, eu vivo me escondendo dentro deste quarto, evitando ao máximo possível sair na rua, ter contato com quem quer que seja, humano ou vampiro. Nem sempre dá, as vezes tenho que ir comprar roupas novas, acabo rasgando muitas em caçadas. Mais pra ajudar, eu levo várias de uma vez, tipo pra uns dois meses.
O pior da minha vida, é o fato de eu ter perdido todas as expectativas antes dos vinte anos. Balancei a cabeça tentando me livrar de todos os maus pensamentos. Me levantei e fechei a porta, olhei no relógio e percebi que desde que cheguei haviam se passado vinte minutos. Peguei meus headphones vermelho sangue e pluguei no celular o mais alto que pude, me encolhi na cama depois de tirar o tênis para não suja-la, queria me distrair mais não conseguia. Depois de umas dez músicas tristes, coloquei Clarity — Zedd pra tocar. Assim que comecei a me distrair, senti duas mãos puxarem os fones. Abri os olhos e vi a Grazi me olhando com a cara de fofa que ela quase sempre fazia pra mim.
– Oi. — Eu disse.
– Oi amor. — Ela sorriu. — O que está acontecendo com a minha bebê?
– Nada, eu só não to muito bem. — Tentei sorrir mais não consegui, nem pude disfarçar.
– Nada não, tem algo sim, o que foi? O Volturi né? — Ela cochichou de forma baixa o bastante para que apenas nós pudéssemos ouvir.
– Aquele idiota ta me deixando louca. Sério, ele fica querendo me agarrar pra se exibir pro Demetri, ele é um safado. — Bufei.
– Sabia, você ta apaixonada por ele. Ta apaixonadinha, que coisa meiga! Minha bebê! Meu Deus, minha bebê ta apaixonada! — Ela quase gritou de felicidade.
– Não to não. — Eu a balancei segurando seus ombros.
– Tá sim! Não que eu goste dele, mais você gosta, e isso é o suficiente. — Ela sorriu de canto a canto, parecia a Naná feliz.
– Eu não to apaixonada por ele! Que droga! — Choraminguei. — Ok, vou sair daqui e chamar ele então. — Ela sorriu.
– Não! Eu pulo da janela e você nunca mais vai me ver! — Ameacei. — Nossa menina, que drama. Ok ok, não chamo. — Elas disse e saiu saltitando pela porta.
Fechei-a e ouvi ela cantarolar " Minha bebê está apaixonada" num ritmo musical daqueles cantarolantes e grudentos que ficam na cabeça. Soquei o travesseiro tentando conter a raiva, mais não ajudou nem um pouquinho. guardei os fones e me ajoelhei no tapete abaixo na cama, colocando meu rosto entre os lençóis. Ouvi alguém bater na porta.
– Que é? — Perguntei.
A pessoa bateu na porta de novo, sem responder.
– Ok ok to indo. — Eu disse me levantando.
Alec me olhou sério e então entrou sem ser convidado.
– Sai do meu quarto agora! — Gritei puxando-o pelo braço.
– Não. Eu não vou sair antes que você me dê o que eu quero. — Ele disse ainda sério.
– E o que você quer coisa chata? — Perguntei, lerda como sou.
– Um beijo. — Alec disse e me puxou pra mais perto.
– Desista. Depois sou eu que to gostando dos seus beijos não é? — Eu disse imitando-o.
– Como se não tivesse gostado. — Ele riu.
– Sai daqui logo sue convencido. Mimado, você se acha né? Acha que pode entrar aqui e simplesmente... — Eu dizia quando ele me beijou.
Tentei empurra-lo para longe, mais meu corpo não reagiu rápido o bastante, eu me arrepiei toda, e então tentei afasta-lo novamente, mais ele segurou meus braços. Virei o rosto mais ele me puxou novamente. Eu estava odiando aquilo, eu queria morrer, mais percebi que ele não ia desistir. Parei de tentar fugir, apenas fiquei imóvel. Assim que ele me soltou, o encarei furiosa. Ele sorriu e eu abri a porta novamente, mais Alec não saiu. Simplesmente se aproximou, me prendendo contra a porta, me olhou de um jeito que eu fiquei sem reação. Queria sair dali, mais novamente eu não conseguia me controlar.
– Eu sei que você está apaixonada, não pelo que a Graziella saiu dizendo, mais não é difícil perceber o que está acontecendo. — Ele acariciou meu rosto.
– Sai de perto de mim, fica longe, por favor. — Implorei desta vez mais calma.
– Não, é o que você diz, mais não é o que você quer. — Ele disse e me beijou novamente.
Desta vez, ele teve que parar na hora por que a Carol apareceu com os fones de ouvido na orelha e nos olhou de olhos arregalados sem acreditar no que estava vendo. Ele então siau e ela entrou. Percebeu que eu não era uma situação confortável pra mim, talvez porque certamente minha expressão era de quem queria chorar, e então me abraçou.
– Eu quero morrer. — Eu disse.
– Não fala isso amor. — Ela disse me apertando.
Ela ficou lá comigo e eu expliquei o que havia acontecido. Me dei conta de que, de certa forma, a Grazi e o Volturi metidinho estavam certos. Eu estava apaixonada por ele, e isso era idiotice pra mim, mais não era algo que eu pudesse controlar. Eu me senti péssima, porque fui me apaixonar logo por ele?
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