The Horror of Our Love

5 I'm going down, so frail and cruel


Notas iniciais
Oi, pessoal! Mais um capítulo! Com uma linda imagem do fanartista chinês Pangurbann *-* Boa leitura!

O tempo parecia não passar para Kikyou, ainda olhando para o alto, na direção de onde Naraku desaparecera. Suas batidas cardíacas aceleradas provocavam um som enormes aos próprios ouvidos e ela se sentia entorpecida, como que num pesadelo tenebroso.

Bump-bump. Bump-bump.

Inuyasha, estático, a olhava sem poder acreditar no que ouvira. Tessaiga havia caído de suas mãos sem que o hanyou sentisse; ele esperava uma única negação da jovem, um único “não”.

Contudo, a sacerdotisa mais velha permanecia calada, imóvel, de joelhos no chão.

Por sua vez, a devastada Kagome se levantou com dificuldade e, com os olhos a escorrer incessantemente, também permaneceu olhando para a jovem. Apesar da dor horrenda que Naraku a fizera experimentar ao dizer-lhe aquele monte de verdades, a colegial não conseguia deixar de imaginar a vastidão da dor da outra. Tal atitude de Kikyou só poderia significar uma coisa para Kagome.

— I-Inuyasha... — chamou a menina, voz embargada, tremendo. — O que está esperando...? K-Kikyou... Ela precisa de ajuda, leve-a para que Kaede-obaa-chan cuide dela...

— O... O quê?! — volveu o hanyou, muito abalado. Lentamente, Kikyou voltou os olhos secos e saltados para a colegial; estava em choque, não conseguia sequer chorar.

Kagome respirou fundo ao receber aquele olhar vítreo sobre si e, condoída, expôs o pensamento que ela depreendeu da revelação de Naraku:

— Idiota... — afirmou a menina, irritada com a falta de ação do hanyou cão. — Não fique aí parado, Inuyasha... Você acredita mesmo que ela teve relações com ele porque quis?! Aquele demônio maldito a estuprou! Ela precisa de cuidados...

Inuyasha teve um grande estremeção. Ouvir aquilo o perturbou sobremaneira; afinal, essa fora exatamente a inferência que ele tivera quando o hanyou aracnídeo fizera a confissão. O maldito Naraku tinha péssimas intenções com a sacerdotisa desde que ainda era Onigumo. Então tudo fazia sentido, ele a havia violentado!

— Não, não, NÃO!!! Aquele desgraçado imundo, covarde! — berrou o hanyou, enfim saindo de sua letargia e extravasando a raiva socando o solo pedregoso. — Como ele pôde...?! Depois de tudo o que ela fez por ele no passado, naquela caverna maldita...! Como ousou macular o corpo dela...

— N-não é hora para isso — aparteou Kagome, se aproximando da outra sacerdotisa devagar. — Vem, Inu, vamos... Vamos mantê-la em segurança... Ele pode voltar...

Os ouvidos de Kikyou registraram vagamente aquelas palavras. Sentiu que Kagome a tocava nos ombros, indagando se ela gostaria de ajuda para se levantar. Até pensou em dizer que não, mas sua boca estava excessivamente seca e seus dentes, comprimidos. Tudo nela era choque.

O choque de ver que seu amor, Inuyasha, não a aceitava como ela era agora.

O choque de ouvir aquela declaração de amor da mocinha que viera de outra era, e ter sua vida poupada exatamente por ela.

O choque de perceber que, por instantes, ela se inflamara com ciúmes... de Naraku.

— Não — disse ela, num fio de voz, se afastando da colegial. — Não quero ver ninguém, não quero... Preciso ficar sozinha...

— Mas, Kikyou... — ia dizendo Inuyasha, quando os shinidamachuu surgiram nos ares, rodearam a sacerdotisa e a carregaram para longe sem que ele ou Kagome pudessem impedir. Agora, tudo o que havia no céu eram as estrelas, já que a noite estava começando.

Totalmente envergonhado, Inuyasha enfim se deu conta de que Kagome ainda estava ali, boquiaberta e pálida. Sem esconder sua angústia, o hanyou a chamou:

— Melhor sairmos daqui, Kagome.

— ...

Ele tocou a jovem, na intenção de tentar colocá-la em suas costas, mas foi repelido. Kagome passou por ele, como uma autômata, querendo ficar sozinha também.

Longe dali, a sacerdotisa Kikyou planava suavemente sobre um lago extenso e límpido. A mente embotada, os sentidos obscurecidos. Devagar, seus insetos a depositaram na beira do lago para que se sentasse. A lua cheia iluminava o local, que era belíssimo. Porém, nem mesmo aquela formidável paisagem bucólica demoveu Kikyou de suas dores. Como a jovem estava em estado de total consternação, não se lembrava de solicitar almas aos insetos reluzentes.

— A água... Está limpa — ciciou ela, olhos perdidos. — Mas o fundo do lago está sujo...

A moça saiu andando para dentro do regato.

— Estou limpa por fora, mas suja por dentro — repetia ela, ignorando o protesto de seu corpo em contato com a água fria. — Estou... Suja... Corrompida... Vil...

As lembranças intensas dela se doando para Naraku, somadas às do olhar aterrado de Inuyasha sobre si, com as das palavras de Kagome, a estavam deixando tonta. Lembrou-se de como tentara matar a menina e lhe roubara o fragmento da Joia, sem nenhuma explicação, de maneira totalmente grosseira e má. Lembrou-se de Inuyasha lhe dizendo que iria de bom grado para o mundo dos mortos consigo. Lembrou-se do hanyou aracnídeo lhe jurando um amor doentio e torto.

— Sou pior do que ele... Nem coragem para admitir que não fui forçada... — ela deu um arremedo de sorriso, que pareceu mais um esgar de raiva. Sua cabeça rodava, ela se sentia fraca. — Eu que o procurei... O provoquei, fiz de tudo com ele... Como uma vadia... Não mereço estar neste mundo...

Tudo ficou escuro para Kikyou, que enfim sucumbia à extrema tensão da última hora e tombava inconsciente n’água, afundando.

Segundos depois, um enxame de saimyousho apareceu nos céus. Um torvelinho negro surgiu após e ondas de miasma deram forma a uma silhueta masculina. Coberto apenas com a pele de babuíno, Naraku flutuou sobre o lago, observando a sacerdotisa desmaiada sendo engolida pela água; por não ter despregado os olhos dela, notou que a moça estava fraquejando por falta de almas. Meneou a cabeça com desdém.

— Humanos...

O hanyou ponderou por breves instantes. Seu maior objetivo era exterminar aquela mulher que, além de não corresponder ao único sentimento bom que possuía, tinha planos de aniquilá-lo e purificar a Joia de Quatro Almas, por quem ele tanto batalhava. Contudo...

O corpo imóvel não lhe permitia pensar muito mais do que isso. Os olhos vermelhos cintilaram. Sua fraqueza era aquela mulher. Se ele a perdesse, se perderia junto.

Naraku nem pensou em usar seus tentáculos para não se molhar — apenas saltou para dentro do lago, que era relativamente fundo, e enlaçou Kikyou em seus braços, trazendo-a para a superfície e deitando-a sobre a grama. A jovem não respirava.

— Muito fácil para você simplesmente querer morrer, sacerdotisa Kikyou. Mas não permitirei.

Ele então virou a cabeça de Kikyou para o lado, observando a água que lhe escorria pela boca, e olhou para os shinidama. Conjurar shikigami era uma magia que Naraku não sabia como manejar, já que a fonte de seus poderes era bem diferente da de Kikyou, entretanto isso não era empecilho para o que ele queria fazer.

Obedecendo à ordem telepática que recebera, a pequena Kanna se materializou ao lado dele. Sem despregar os olhos da sacerdotisa, o hanyou disse:

— Dê almas mortas para ela. Não quero almas vivas em hipótese alguma, entendeu?

— Sim — respondeu a menina youkai, laconicamente, envolvendo Kikyou com a luz que emanava de seu espelho. Logo a face da bela mulher adquiria um tom mais sadio e ela começou a tossir.

— Basta, Kanna. Agora vá.

Tão silenciosamente como veio, a pequena se foi. Kikyou agora tremia muito, com frio; apesar de estar recobrando a consciência, parecia extremamente frágil. Com a pele branca o cobrindo da cintura para baixo, Naraku permaneceu de joelhos ao seu lado, olhando-a; ela enfim se deu conta de onde estava e de que ele estava ali.

— N-Naraku...

Shhh. Poupe seu fôlego — interrompeu-a ele, frio. — Humanos frágeis não deveriam entrar em lagos. Nem espectros sem alma.

A jovem o olhou intensamente. A face do hanyou estava inexpressiva; nos olhos, um cintilar de irritação. Os longos cachos negros estavam ensopados, bem como toda a pele dele.

— O... O que a-aconteceu...? V-você... Molhado...

— Ah, isso? — respondeu ele em tom falsamente descontraído. — Não foi nada de mais, só resolvi me banhar aqui depois de estuprar você.

— O quê?! M-mas, não... Você jamais f-faria isso comigo.

— Mas não foi nisso que você deixou que seu querido Inuyasha acreditasse? — e Naraku deu uma risada irônica. — Bem mais fácil deixar que eles creiam que você foi apenas uma vítima, de novo. Afinal, o malvado Naraku já está cheio de pecados mesmo. O que tem de mal acrescentar em sua lista de crimes algo que ele não fez?

Com algum esforço, Kikyou se colocou sentada.

— E-eu não disse nada...

— Exato! Não disse NADA quando aquela garota deduziu isso. Deveria ter dito, já que você é tão honesta, não é verdade? Enfim, não ligo para o que dizem de minha pessoa. Contudo, esperava que a sacerdotisa Kikyou agisse segundo a alta moral que tanto apregoa.

— Você... Você expôs algo que dizia respeito apenas a mim...

— Apenas a você? Faça-me rir! Eu sou o que agora, um boneco?

— Eu ia contar para ele no momento certo!

— Oh, claro. O momento certo seria, digamos, depois da morte dele, não? Você contaria toda a verdade para Inuyasha enquanto ele estivesse sendo velado — afirmou Naraku, batendo palmas três vezes. — Palmas, honesta sacerdotisa Kikyou. Você é uma pessoa incrivelmente verdadeira.

— Já chega! Pare de se meter comigo, seu maldito!

Naraku finalmente demonstrou sua revolta e agarrou a jovem pelos ombros, comprimindo-a.

— Escute, sua miko maldita, eu estava muito bem antes de você aparecer me seduzindo! Eu estava muito tranquilo, preocupado apenas com a Joia, até que você viesse tirar o meu chão, esfregar na minha cara que falhei em esquecer você! — ele começou a gritar. — EU ESTAVA ACOSTUMADO A NÃO LEMBRAR QUE TE AMAVA, MAS DAÍ VOCÊ VEIO E ME ENCHEU DE ESPERANÇAS!

Enfim, trêmulo, Naraku se pôs de pé e se afastou a passos rápidos da moça aturdida.

— Você errou feio, Kikyou. Achou que eu, Naraku, era como um cão que pode ser domesticado... — os olhos vermelhos brilhavam, e Kikyou podia jurar que ele estava se contendo para não chorar. — Porém, eu sou um predador, maldita miko degenerada. Sou uma aranha que caça presas e as elimina, sem piedade. Ninguém, nem mesmo você, pode me domar. Ninguém brinca comigo. Ninguém tripudia dos meus sentimentos.

Os tentáculos saíram das costas nuas de Naraku e envolveram Kikyou, que levou um susto.

— Ei! O que está fazendo...? — indagou ela, vendo seu inimigo criar uma barreira em redor dos dois e voar rapidamente para cima.

— Cale-se. Não lhe devo satisfações.

— Mas...

— CALE A BOCA!

Não restou opção a Kikyou senão se manter em silêncio. Naraku voava a toda velocidade, mal dava para discernir a paisagem lá embaixo. Apesar da extrema ira do hanyou, a forma como ele a envolvia em suas patas era quase gentil, sem ferir o corpo fragilizado. Sobrevoavam o mar; foi impossível para a jovem não se lembrar de ouvir o perverso confessar a ela que amava a visão do oceano.

Chegavam à Ilha Hashima; o hanyou agora descia em direção a uma propriedade não muito grande. Era uma moradia antiga da família Kagewaki, de aparência bela, no meio de um bosque de árvores frutíferas. O cheiro da grama úmida invadiu as narinas do casal. Sem cerimônia, Naraku abriu a porta e entrou, trazendo a moça consigo. Kikyou ainda não conseguia articular palavra alguma, mal conseguindo reparar na decoração chinesa da residência.

Chegaram a um cômodo com uma tina d’água, na qual Naraku deslizou os dedos sem razão aparente. Só então soltou a jovem, resmungando entre os dentes:

— Lave-se.

— ...

— Por que está parada aí? Vamos, tome um banho. Você está suja de lama e... Com mau cheiro de cachorro.

— Não está certo. Pela tradição é o homem que se banha primeiro.

— Tradições... Tolice. E foi você que quase se afogou há pouco, humana.

A moça fez cara de brava, mas, antes que replicasse, Naraku se afastou e fechou a porta de correr atrás de si. Dando de ombros, Kikyou começou a tirar a veste úmida e gelada. Nesse ínterim, o moreno ia à cozinha e pôs água em um vasilhame, fazendo-a ferver com seu youki. Em seguida foi para fora da moradia e alcançou um galho de macieira, cujas folhas seriam utilizadas para o chá. Olhou para o alto, ao ouvir um suspiro da jovem que, com certeza, não esperava que a água da tina estivesse deliciosamente morna.

Mesmo com toda revolta que sentia, Naraku queria que Kikyou ficasse confortável. Sua vontade era de ir até ela, lançar-se em seus braços como uma criança e pedir carinho, mas seu orgulho falava bem mais alto. Racional como sempre fora, o hanyou imaginava que o momento em que a sacerdotisa teria um contato íntimo com o híbrido chegaria, mas ele não contava com aquela erupção de ciúmes que o consumiria por dentro. Aquilo não era certo, na opinião do vilão; Kikyou não deveria perder tempo com aquele hanyou cão, que, notoriamente, amava a menina Kagome.

Lá em cima, a jovem tentava evitar o frenesi de emoções que ameaçava derrubá-la. Afinal, teria que aprender a lidar com as consequências de seus atos e, infelizmente, Naraku estava certo. Ela havia procedido muito mal, deleitando-se com o corpo dele, sendo que não o amava e sabendo o quanto ele era sentimentalmente ferido. Droga, mais uma vez pensando nele... Será que seu destino estaria selado ao do hanyou aracnídeo para sempre?

— Naraku... Por que isso aconteceu conosco? — sussurrou ela, baixinho, sabendo que seria ouvida. — Que espécie de brincadeira do destino é essa?

A voz dele, grave e pausada, ressoou pelas paredes do banheiro:

— Não é uma brincadeira do destino. São os efeitos das escolhas que você e eu fizemos.

Engolindo o pouco de altivez que lhe restava, a sacerdotisa disse, no mesmo tom:

— Por favor... Preciso vê-lo.

— Pois fique precisando.

A voz dela parecia embargada. Naraku se arrependeu por ter sido grosso e disse:

— O que é que você quer comigo, afinal?

— Apenas vê-lo... Não importo que não queira falar comigo, só não quero ficar sozinha.

No andar de baixo, Naraku se roía, extremamente tenso. Quanto mais ficasse perto dela, mais fragilizado se sentiria. E isso não poderia acontecer, diabos, ele era Naraku, o atual proprietário de grande parte da Joia de Quatro Almas! Um estalar de dedos e ele teria exércitos de samurais humanos e de youkais o servindo.

Todavia...

— Naraku... — balbuciou a sua sacerdotisa, envolta em amargura, desejando intensamente que ele cuidasse de si.

Ansioso, o hanyou se materializou diante do ofurô, fazendo a moça se assustar um pouco. Mesmo que a fisionomia dele continuasse fria e cruel, ela se sentiu melhor com sua presença.

Naraku e Kikyou se olharam. Ambos viam mágoas infinitas na alma um do outro. A jovem, já com o rosto contraído de choro, se colocou de pé e ergueu a pequena mão em direção a ele.

Em segundos o hanyou lançou longe a pele de babuíno e foi nu até a sacerdotisa, entrando na água ainda morna e enlaçando as mãos às dela. Aos poucos, os corpos se aproximaram, mas o estado de inquietação mental de ambos era imenso, de forma que não houve nenhuma excitação sexual naquele abraço. Kikyou, então, encostou a testa ao ombro dele, deixando que toda aquela dor lhe escapasse pelos olhos e por gemidos e soluços de angústia. Para a moça, ela era tão culpada quanto ele, pela maneira como as coisas resultaram.

Por sua vez, Naraku resistia estoicamente à tristeza e envolveu a cabeça de sua amada com a mão, enquanto a outra a aconchegava para bem perto de seu peito. Havia prometido a si mesmo não chorar nunca mais por Kikyou, mesmo que seu coração se arrebentasse e ele morresse de agonia. Cuidadoso, ele convidou a jovem a se sentar consigo na tina, abraçando-a com seus braços e suas pernas, dando-lhe beijos ocasionais no topo da cabeça e aspirando-lhe o perfume dos cabelos lisos.

O hanyou quis chamá-la, mas foi preciso se esforçar, já que ele todo estava travado. Seus maxilares protestavam um pouco pela forma com que eram comprimidos.

— K-Kik... Kikyou... Eu... — ele respirou profundamente, sem ter como continuar a falar. A jovem havia relaxado em contato com seu corpo e seu pranto seguia mais sereno agora, mas ainda longe de parar. Nem ele queria que ela se interrompesse; sabia o quanto aquelas sensações de culpa eram dolorosas.

Eu queria apenas dizer a ela que nunca mais voltaremos a fazer amor...”, pensava ele, acarinhando as costas da jovem.

—Kikyou...

Ela ergueu de leve os olhos já bem inchados. Atrapalhado, o hanyou gaguejou:

— Eu... Eu q-quero cuidar de você esta noite... Tudo bem?

A resposta foi a mão dela pousar delicadamente sobre o tórax de Naraku, mais precisamente sobre o coração dele. O gesto carinhoso o emocionou, mas ainda assim ele se manteve quieto.

Assim, o moreno a banhou, a levou para o quarto e a envolveu com cobertores, servindo-lhe chá em seguida para que não sentisse frio, já que aquela ilha tinha temperaturas mais baixas do que em Musashi. O casal permaneceu em silêncio durante aqueles pequenos ritos leves e românticos de Naraku.

Enfim, Kikyou acabou adormecendo, agarrada a ele, que, então, se permitiu dormir um pouco também. O dia seguinte chegaria, eles procurariam cada um o seu caminho e, como era de se esperar, ambos voltariam a tentar tirar a vida do outro.

Na madrugada, porém, a sacerdotisa despertou, sentindo a mão de Naraku sobre seu umbigo. Já bem mais calma, a jovem procurou voltar a dormir, não sem antes olhar para a face de seu inimigo adormecido.

Tão lindo. Tão proibido. Tão sexy.

Mais lágrimas ameaçaram saltar dos olhos castanhos de Kikyou, que sentia a culpa lhe tomar mais uma vez. Contudo, seu corpo deu mostras de querer algo mais de Naraku.

Ela já conhecia os pontos fracos daquele corpo esbelto. Virou-se para ele e deu-lhe um selinho nos lábios, enquanto suas mãos percorreram por seu peito, detendo-se nos mamilos pequenos dele, levando-os a se arrebitarem com seu toque. O hanyou deu um suspiro, mas permaneceu parado. Nem isso, porém, desanimou Kikyou, que baixou a cabeça para sugar a pele ao redor dos mamilos.

Evidentemente, Naraku já estava acordado, mas manteve firme o seu intento de não mais tocá-la. “Ela vai desistir quando notar que não reajo”, pensou ele.

Porém, nem tudo era tão simples. O pênis do aracnídeo estava totalmente desperto e pulsante. Ele agora se continha ao máximo, ao sentir que a jovem se abaixava mais e lambia seu umbigo. Parecia meio doida, a sacerdotisa, que gemia mordiscando e chupando a virilha dele. Retirando o cobertor de cima de Naraku, Kikyou ousou abrir as pernas dele e cheirou-lhe o saco escrotal, manipulando-o com delicadeza por seus dedos. Sem demora, a boca suave da moça engoliu a glande do hanyou, sugando-a com certa urgência. Perdendo de vez o autocontrole, Naraku gemeu alto e depois gritou, alucinado de prazer.

— OHH! NÃO! PARE DE BRINCAR COMIGO! AHH!

— Não estou brincando... — ofegou ela. — Estou desesperada... — e baixou os lábios sobre o falo rijo, repetidas vezes, colocando-o bem dentro de sua boca.

— MALDITA! VOCÊ SEMPRE ME SEDUZ E DEPOIS ME MAGOA! AHHH!

Mas Kikyou não se importou com a acusação, prosseguindo no que estava fazendo com seus lábios e mãos, até que o hanyou explodisse em gozo e inundasse sua boca por completo. Resfolegando, Naraku se sentou no futon, encarando-a: a moça lambeu e ingeriu o sêmen que lambuzara suas mãos. Aquilo não tinha um sabor tão agradável, mas ela queria provocá-lo. E conseguiu: o órgão viril do moreno estava inacreditavelmente pronto de novo.

— Além de tudo, é louca... — foi o que ele disse, olhando-a com uma expressão meio incrédula pelo que tinha acontecido. Contudo, a jovem se limitou a olhá-lo de volta com uma fisionomia faminta, agarrando-o pelos cabelos e esfregando o rosto do hanyou nos seus seios de bicos duros.

— Sou mesmo... Louca por você, louca pelo tesão que você me dá...

— Pare de agir como uma vadia...

— Chame-me do que quiser, não me importo! — dizendo isso, a sacerdotisa tomou um dos seios em sua mão e o deslizou pelos lábios de Naraku. O gesto o transtornou, como era de se esperar, e ele afirmou, malicioso:

— Mas que mulher safada você se tornou.

— Sou mesmo... Tão safada quanto você...

Ele deu um enorme sorriso.

— Sabe que chego a me comover quando você age assim, Kikyou?

— Assim como?

— Como uma mulher livre.

A resiliência do moreno desapareceu e ele enfim resolveu dar àqueles seios alvos o que Kikyou desejava: sugou-os com a intensidade que ela adorava, levando-a a gemer deliciosamente aos seus ouvidos. Seu órgão viril estava a ponto de explodir de desejo; foi quando ele teve a ideia de propor à sua querida algo inusitado.

— Vire-se de costas para mim.

O hanyou indicou à moça como gostaria que ela ficasse. Assim que Kikyou se colocou posicionada da forma como Naraku pedira, com os quadris próximos à cabeça dele, quase gritou ao sentir que ele separava suas nádegas e desferia lambidas inclementes sobre sua vulva. Naraku também parecia disposto a instigá-la ao máximo. Entontecida, Kikyou não pensou duas vezes e baixou os lábios para o membro ereto do seu inimigo; já não o sugava tanto pelo cansaço de tê-lo feito minutos antes, mas isso não a impediu de experimentar excitá-lo de outras maneiras. A jovem quis ousar um pouco mais e beijou carinhosamente os testículos do hanyou, que gemeu de satisfação.

— Isso dói? — indagou ela. Ele riu meio desvairado:

— Não... Você sabe exatamente como me tocar... Continue...

Naraku confiava seu corpo à sacerdotisa de maneira irrestrita, talvez pelas lembranças antigas que tinha dela cuidando das feridas de Onigumo há meio século atrás. E Kikyou tinha um jeito todo especial de descobri-lo, tocá-lo com suavidade e bem-querer. O hanyou prosseguiu beijando e deslizando os lábios pela vulva e clitóris da jovem, até que passou a prestar atenção na entrada anal ali acima. Sorrindo consigo mesmo, Naraku imaginou se desagradaria sua querida se a tocasse ali; não sentia o mínimo nojo, os dois haviam se banhado há poucas horas. Resolveu lamber a delicada estrutura do sexo de Kikyou com lentidão, começando pelo clitóris e terminando no períneo; a ideia foi boa, já que ela se remexeu contra a língua dele, pedindo mais. Sem se fazer de rogado, ele repetiu as carícias naquele mesmo padrão. Enfim, não resistiu e tocou-lhe o botão com a ponta da língua.

A moça emitiu um gritinho agudo de prazer e susto, olhando imediatamente para trás com olhos enormes e avistando a fisionomia brejeira e risonha do homem.

— O q-que foi isso, Naraku?!

— Nada demais, só quis conhecer melhor o seu buraquinho.

— Como se atreve?! — interrompeu-o ela, brava, enquanto ele ria. — Isso é pecado, é o cúmulo da perversão! Onde já se viu... AHH!

— Oh... Kikyou — volveu Naraku, aproveitando a distração da jovem para tocar-lhe o minúsculo orifício com o dedo úmido. — Diga o que quiser, mas não minta dizendo que não está gostando...

— Pare! PARE! — exclamava a sacerdotisa, desnorteada; o hanyou voltou a deslizar a língua por seu pequenino órgão erétil e a provocar com o dedo sobre o ânus, aproveitando a descontração momentânea dela e forçando um pouco mais a ponta do dedo naquele local. Era um prazer totalmente diferente e ela estava assustada com as reações do próprio corpo. — Isso é muito feio! Que vergonha!

— Vergonha de que, minha querida?

— Ainda pergunta?! AI! — a ponta do dedo intrometido finalmente era introduzida. Naraku prosseguiu com os beijos pelo sexo da moça, excitando-a ao extremo enquanto percebia que o anel muscular dela aos poucos não lhe oferecia a mesma resistência ferrenha.

Por sua vez, Kikyou ofegava e gemia. A sensação de estar mancomunada com aquela perversão de seu inimigo a devastava de prazer psicológico e até mesmo físico. Sentia-se irracionalmente grata a Naraku, por ele ser sempre tão gentil com seu corpo, explorando-o daquela maneira incrível que a convencia a se entregar por inteiro a ele. No momento a jovem não se continha e fazia muito barulho; dois dedos do hanyou entravam e saíam de seu ânus, agora quase acostumado àquilo, e seu clitóris era lambido e sugado numa sequência de carícias torturantes, já que Naraku parava com tudo para evitar que ela atingisse o clímax.

— N-Naraku, hmmm...

— Gosta disso, minha rainha? — volveu ele, luxurioso, com o timbre de voz rouco e sedutor que soava irresistível aos ouvidos da moça. — Parece que gosta... Está sugando meus dedos para dentro...

— Isso n-não deveria estar acontecendo... Estou sendo c-corrompida...

— Corrompida por descobrir que gosta de sexo? Está errada, Kikyou... Estamos apenas descobrindo o quanto é possível sentir prazer com nossos corpos... E é de prazer que eu vou te alucinar, quando... — o hanyou voltou a lambê-la com mais rapidez, fazendo-a gritar de tesão. — Quando eu começar a meter meu pau nesse seu rabo gostoso...

— AHHH!

Kikyou se contorcia sobre Naraku, a mão trêmula segurando fortemente o membro dele. Já não conseguia sequer lembrar de estimulá-lo mais — não que ele precisasse de estímulos extras. O moreno estava a ponto de explodir, alucinado de desejo e, ao mesmo tempo, uma ternura incrível. Ela era uma mulher proibida para ele. Não havia como viverem juntos, já que ela amava outro. Mas ele a amava. Isso, em seu coração, era suficiente, e vê-la se entregando para si era como o mais belo tesouro que ele conquistara, sem ter que matar ou destruir ninguém para tal.

— Eu prometo — asseverou Naraku, alternando suas palavras com as carícias no clitóris da sacerdotisa que parecia ter enlouquecido ao ouvir a indecência dele. Enfim, o moreno mandou seus bons modos às favas e introduziu-lhe com cuidado um terceiro dedo. — Prometo fazer você gozar bem gostoso enquanto eu estiver fodendo o seu cuzinho.

— HMMMF! PARE! AHH!

Era demais para Kikyou ouvir aquilo. Não bastasse a vergonha de estar sendo tocada daquela maneira, havia ainda o constrangimento de sentir prazer ouvindo palavras sujas. Entretanto, ouvir os palavrões daquela boca deliciosa do hanyou foram o ponto máximo para a sacerdotisa, que agora desejava muito saber como seria deixá-lo corromper aquele local tão íntimo.

— Parar? Você tem certeza de que quer que eu pare? Bem agora que te deixei do jeitinho que eu queria? — dizendo isso, Naraku retirou os dedos de dentro do canal da jovem e se limitou a sugá-la. Riu um pouco ao ouvi-la choramingar. Pediu licença e saiu debaixo do corpo dela, pedindo-lhe que permanecesse abaixada. Agilmente, o híbrido voltou a beijar-lhe o sexo, na clara intenção de levá-la ao ápice. — Vamos, miko safada, goze na boca de seu homem... Como você é gostosa!

— N-não aguento mais! — exclamou ela, aflita. — Eu... Não aguento mais, pare de me torturar!

— Hu, hu, hu, hu... — agora Naraku rodeava com a língua o pequeno botão, apreciando os arrufos de desespero de Kikyou. — Espero que agora aprenda a não mexer comigo, miko safada. Ousou me acordar daquele jeito... O que esperava que eu fizesse, depois de vê-la me chupar enquanto eu ainda dormia...?

O hanyou não fazia ideia do quanto sua inimiga estava enlouquecida, o desejando. Não demorou para que ela arqueasse as costas, se desfazendo num orgasmo violento. Era o momento que o moreno esperava; inclinando-se sobre o tronco de Kikyou, ele juntou os cabelos dela para o lado, beijando-lhe o ombro com carinho.

No coração de Naraku, as lembranças daquele mesmo ombro dilacerado e sangrento de cinquenta anos atrás continuam vívidas. No momento ele a beijava loucamente ali, como se estivesse querendo curá-la da ferida de suas memórias.

— Kikyou...

— D-diga.

— Eu estou louco para fazer isso com você, mas, vou respeitá-la caso não queira.

A jovem o encarou, aproveitando-se para deitar um pouco sobre o futon e repousar o corpo. O tórax de Naraku estava por inteiro colado às suas costas e Kikyou suspirou, sentindo-se confortável com aquela proximidade carinhosa.

— Eu estou com muito medo... — admitiu ela. — Muito medo mesmo.

O hanyou a puxou para que ficasse deitada de lado com ele, sem parar de afagá-la, aproveitando para esfregar o pênis por sua vulva.

— Pode me mandar parar a hora que quiser, meu amor. Não quero machucá-la. Sua entradinha parece ser bastante sensível...

— E é sensível... Ainda dói um pouco.

— Só estou insistindo porque, quando eu disse aquilo — ele coçou a cabeça, meio envergonhado atrás de um sorriso mínimo — você pareceu gostar.

— Foi... E-eu... Gostei...

Naraku pegou a coxa direita de Kikyou e a ergueu para sobre sua própria perna, deixando-a assim bem exposta. Levou a mão à face suada da sacerdotisa, puxando-a para que o olhasse; assim ele mesmo apoiou a cabeça sobre o braço e pôde fitar demoradamente aqueles olhos castanhos. A jovem devolveu-lhe o olhar afetuoso; era como mergulhar num oceano de doces sonhos.

Então o moreno recuperou a libidinagem em sua fisionomia. Ela se arrepiou e deu um pulinho ao sentir que o hanyou lhe desferia pequenas pancadinhas entre as pernas com seu membro.

— Gosta disso, Kikyou?

— Ohh...! Isso... — ela agora suspirava forte, olhando para a atividade de Naraku em sua genitália. Ele a estimulava por fora e também por dentro, penetrando-lhe o canal vaginal e observando suas reações. Prosseguiu naquilo até que a respiração entrecortada da moça indicasse que faltava pouco para ela gozar; então, ele puxou o membro de dentro dela, olhando-a significativamente mais uma vez, enquanto lubrificava a entrada traseira da jovem com o fluido de sua vagina.

Nesse ínterim, Naraku ficou ligeiramente pensativo e conjurou um pequeno frasco com óleo de sândalo que estava no cômodo de banhos. Algo lhe dizia que aquilo seria não somente agradável como também necessário. Aplicou a fragrância no pênis; o cheiro envolvente inundou o cômodo e fez a jovem relaxar um pouco mais. Ele então tomou a mão de Kikyou e a colocou sobre o membro vultuoso e escorregadio. Ela o acariciou, sorrindo, enquanto ele indagava:

— Posso mesmo? Isso pode ser meio incômodo... Não sei se não vai doer.

— Você é tão carinhoso. Confio em você... — afirmou a moça. O moreno estava sério.

— Fico feliz ao ouvir isso, mas vou desistir caso te machuque.

Tendo dito isso, Naraku beijou o pescoço da sacerdotisa, subindo até sua orelha, permanecendo muito atento a como ela se portava. Murmurando luxúrias aos seus ouvidos, ele retornou a estimulação com os dois dedos no corpo da jovem até que notasse ela se entregando ao deleite. Longos minutos depois, retirando os dedos e posicionando o pênis em contato com a entrada anal de Kikyou, ele se limitou a pressioná-lo levemente nela, que, apesar do incômodo, demonstrava não estar sofrendo. Foi quando a glande venceu a resistência do anel e adentrou, levando a moça a gritar de dor.

Por sua vez, o hanyou se sentiu terrivelmente dividido — a sensação de estar dentro daquele orifício super apertado era a mais excitante que ele já havia experimentado. Assustada, Kikyou se contraiu, estrangulando a ponta do membro do moreno, que se conteve a duras penas. Havia prometido a ela que não continuaria aquilo caso a ferisse, o que parecia ser o caso ali, pois a jovem arfava de nervosismo. Ainda imóvel, Naraku beijou-lhe o rosto, constrangido.

— Eu... Eu sinto muito, não esperava que fosse doer tanto.

— D-dói, sim. Dói bastante — murmurou ela. — Mas não é isso que me preocupa...

— É o que, minha doce miko?

— Eu quero continuar... Só que tenho medo.

— Mas está te machucando!

— Naraku... — e ela respirou fundo, tentando relaxar seu corpo e fechando os olhos. — Vamos. Se eu não suportar por mais tempo, nós podemos parar com tudo... Mas eu QUERO.

— Confia em mim a tal ponto? — indagou o hanyou, piscando miúdo.

— Se você estivesse querendo me machucar desse jeito, já o poderia ter feito...

E, armando-se de coragem, Kikyou empurrou o corpo de encontro ao de Naraku, como que lhe dizendo para entrar um pouco mais. Ele suspirou, inebriado com a pressão forte em seu sexo. Era preciso bastante autocontrole naquela tarefa, pois ele queria muitíssimo impressioná-la.

Gentilmente, o hanyou segurou-lhe a perna para que a sacerdotisa não se cansasse de mantê-la erguida e se apoiou melhor no cotovelo, para poder olhar diretamente nos olhos de Kikyou.

— Então, querida...

— ...?

— Vai mesmo ficar com essa carinha de choro? Você sabe como eu queria te ver agora, não sabe?

— C-como...?

— Com aquela carinha maravilhosa de mulher safada que você faz...

— Perdoe-me, eu... Estou nervosa...

O moreno não pôde deixar de achar meiga a reação da jovem, de não entender que ele não estava lhe cobrando nada e sim querendo ajudá-la a descontrair.

— Te perdoo, com um condição... Sinta prazer comigo.

— Mas... — antes que ela pudesse completar sua frase, Naraku baixou a cabeça e sugou-lhe com vagar o seio. Pontadas no centro de prazer da jovem se pronunciaram, inexpressivas a princípio, até que o hanyou se pusesse a masturbá-la.

— Não tenha medo — ordenou ele, sedutoramente, ainda parado dentro dela. — Prometi te dar prazer, e vou fazê-lo...

Assim o moreno recomeçou a acariciar o corpo da moça e, vendo-a mais receptiva, entrou um pouco mais no canal apertado. Kikyou se contraiu um pouco mais; o fato de vivenciar aquela nova experiência a excitava sobremaneira, de forma de não lhe era tão difícil manter a calma. A dor estava suportável. A sacerdotisa agarrou o quadril do homem, enquanto desfrutava das carícias dele, que começou o intercurso de forma sutil. O corpo de Kikyou parecia engolir o sexo de Naraku, que mal se continha de vontade de ser mais enérgico.

O casal respirava profundamente, absorvidos nos olhos um do outro. O hanyou, ansioso, confessou à sua querida:

— Meu amor, me perdoe.

— Pelo quê?

— Porque não estou aguentando mais, vou acabar explodindo... E havia te dito que te faria gozar...

Kikyou olhou para a vermelhidão do rosto suado de Naraku e, mais uma vez, se empurrou contra ele. O híbrido mordeu os lábios e fechou os olhos com força, gemendo enlouquecido.

— Você disse — respondeu ela, baixinho, enrubescendo também — que iria me fazer gozar metendo o pau no meu rabo, e agora quer desistir?

— OHH! Não fale desse jeito!

— Achou ruim? — indagou a moça, meio preocupada. O hanyou começou a estocá-la com um pouco mais de entusiasmo.

— Não, eu achei ótimo! — e a mão de Naraku voltou a estimular o sexo da sacerdotisa, até que ela estivesse tão excitada a ponto de pedir para que ele fosse um pouco mais rápido.

Foi aí que o moreno pediu a Kikyou que se pusesse deitada de frente para si. Sendo atendido, deitou-se cuidadosamente sobre ela e colocou metade do membro em sua entrada traseira, enquanto lhe pedia para que rodeasse seu quadril com as coxas. O fato de a posição nova dar a Kikyou mais visão do que lhe acontecia trouxe a ela mais tesão; a jovem agora estava de fato aproveitando sua primeira experiência anal. Até porque Naraku não cessava seus afagos pelo belo corpo em chamas, nem se detinha em suas afirmativas nada polidas.

Nenhum dos dois resistiria por mais tempo. A jovem gemia cada vez mais alto; seu prazer era mais psicológico do que físico, o que não era pouca coisa. Ver aquele demônio sensual sobre si, penetrando sua parte mais íntima, gemendo de tesão e dizendo todos aqueles palavrões a estava deixando louca. Logo ele voltava a beijar seus mamilos, olhando-a sem o mínimo pudor.

— Naraku... Não estou aguentando — choramingou ela.

— Quem não está mais aguentando sou eu, miko safada, seu cuzinho é guloso e apertado, sabia? Veja... — o hanyou retirou quase todo o pênis de dentro da moça, que, instintivamente, se contraiu para que ele não saísse. — Não se preocupe, não vou parar de foder seu cu delicioso até que você goze, meu amor.

E assim Naraku entrou mais uma vez em Kikyou, invadindo-a, gritando junto com ela, até que a jovem se agarrasse fortemente a ele, cravando as unhas em seus glúteos. Ela conseguiu atingir o ápice; por sua vez, o hanyou acabou não se contendo mais e investiu com um pouco mais de força, urrando em seguida ao ter o orgasmo mais forte de sua vida. Ele chegou a ficar momentaneamente tonto, antes de sair da moça de vez. Deitou-se ao lado dela, que ainda tinha a respiração entrecortada.

— Kami-sama... — ofegou ela, num fio de voz. — Estou exausta...

— Ainda dói? — inquiriu ele, sério. Kikyou lhe deu um sorriso cansado.

— Dói, mas eu vou ficar bem.

O moreno a tomou nos braços, gentilmente, e se foi para o cômodo de banhos.

— Posso banhar seu corpo, Kikyou?

— Ah... Sim, pode.

Naraku entrou na tina com a sua sacerdotisa que, mal sentiu o toque d’água no corpo, cochilou ali mesmo nos braços dele, que lhe lavou em silêncio. Dentro do coração dele, aquela inquietante angústia que lhe dizia que era o último momento de carinho dos dois.

Após cuidar de Kikyou, o híbrido a vestiu e saiu da Ilha Hashima com ela, voltando para seu castelo e velando o sono da moça durante o resto da madrugada. Notou o olhar estranho de Kagura sobre si, mas o ignorou, seguindo com a sacerdotisa que dormia para seu quarto e a colocando sobre o futon.

Assim que os primeiros raios de sol tingissem o céu com suas cores vibrantes, Kikyou acordou, olhando curiosa e tímida para o hanyou sentado ao lado de seu leito. Mesmo ele parecia um pouco envergonhado agora.

— Bom dia — disse a moça, se sentando e fazendo uma pequena careta de incômodo.

— Bom dia. Você está bem?

— Um pouco dolorida, mas nada muito sério.

— Fico mais tranquilo ao saber disso.

O casal se olhou. Mesmo que Naraku não houvesse dito nada, a moça percebeu que havia uma tristeza notória no seu olhar. Então, o hanyou se aproximou dela, se colocando de joelhos ao seu lado.

Kikyou viu, surpresa, seu rosto sendo envolvido pelas mãos compridas de Naraku, que lhe beijou a testa e a abraçou em seguida. Ela então sentiu o quanto ele estava sofrendo.

— Acabou, Kikyou — afirmou ele, meio rouco. — Sei que vai dizer que, na verdade, nunca fomos amantes, mas havia algo especial entre mim e você quando nos entregávamos um para o outro.

— Eu... Não sei o que dizer... — admitiu ela, encostando a testa à dele. Entretanto, Naraku não deixou e escondeu o rosto no ombro outrora destruído por ele no passado. — Por favor, deixe-me olhar para você.

— Não... — gemeu ele. — Não, não...

O hanyou olhou para os lados e para o alto, tentando conter a amargura que corrompia seu coração. Uma lágrima rolou por seu rosto lívido. Duas. Três. A jovem fez menção de enxugá-las, mas Naraku se esquivou rapidamente.

— Por que você voltou? Por que não continuou morta...?

— Naraku?!

— Eu não sou como aquela sua reencarnação idiota! Se você não me ama, não vou me conformar e deixar que vá viver com outro! Prefiro que morra, que sofra... Que seja torturada no inferno! KIKYOU, MALDITA! EU TE ODEIO!

Do lado de fora do quarto, Kanna havia parado, confusa com os gritos de seu mestre. Kagura veio silenciosa e rápida pelo corredor, agarrando a menina youkai pelo ombro e forçando-a a sair dali.

— O que houve? — indagou Kanna, com a voz baixa e inexpressiva de sempre.

— Melhor sairmos daqui, Kanna. Não sente o quanto Naraku está instável? Podemos ser mortas, como essa humana estranha que está com ele.

Assim as duas se ausentaram do castelo.

Lá dentro, resfolegando, Naraku de fato se desestabilizou, ainda mais quando ouviu o sussurrar de sua serva do lado de fora. Seu youki se descontrolara e de repente ele criou uma kekkai ao redor de si mesmo e de Kikyou. A força maligna da kekkai afetou sobremaneira a sacerdotisa, que arregalou os olhos ao ver que as almas que guardava em seu corpo foram expulsas.

— N-Naraku, o q-que... — gaguejou ela, sentindo-se imensa e subitamente muito fraca, caindo deitada e o encarando com olhos esbugalhados. Kikyou foi engolfada por um frio intenso; tinha dificuldade para falar e sua cabeça pesou.

Então o hanyou finalmente se voltou para ela, se jogando de joelhos ao seu lado, falhando miseravelmente em conter o pranto. Seu olhar cintilava de revolta e rancor.

— Veja só, Kikyou... Eu posso matar você agora mesmo, pois, sem essas almas, você não resiste e perece, morre, apodrece... Eu posso acabar com sua existência, posso te DESTRUIR!

A moça respirava em estertores, pálida como a morte, estendendo a mão para ele por puro instinto, como que pedindo ajuda. Subitamente a kekkai se esvaneceu; as pequenas esferas reluzentes retornaram para o corpo da sacerdotisa. De joelhos, Naraku se entregava à mais frenética crise nervosa que jamais tivera em toda a sua existência.

— N-nem para matar você eu tenho condições — soluçou ele, sem conseguir erguer a cabeça. Kikyou a custo recobrou suas forças, tornando a se sentar.

No íntimo de sua alma, um aperto, uma incômoda dor se fez presente ao ver o sofrimento de Naraku. Lembrou-se de todos os doces momentos que tiveram e suspirou, ainda com palpitações e tremores pelo corpo. Se Kikyou dissesse que a dor de seu inimigo não lacerava seu espírito, estaria mentindo, e muito.

Era a segunda vez que ela o via chorar daquela forma desatada, como se tivesse perdido um ente querido. Derrotado, Naraku não teve forças para impedir que a jovem pegasse em suas mãos.

— Eu t-te amo tanto... — lamuriou-se ele, sentindo o calor dos dedos dela entrelaçados aos seus. Contudo, dessa vez não houve conforto algum.

Kikyou não resistiu e enlaçou a cabeça cacheada de seu inimigo, aconchegando-o a seu peito e chorando com ele.

— Naraku, eu... — a mão invisível que apertava a garganta da jovem pareceu comprimi-la um pouco mais.

Era um misto de agonia com luto e... Saudade.

— Eu sempre vou te amar! — exclamou ele, aflito.

— Eu... S-sinto muito...

— NÃO ERA ISSO QUE EU QUERIA OUVIR! — urrou o hanyou, enfim afastando Kikyou de perto de si.

— Mas é a verdade... — reiterou a jovem, enxugando as lágrimas. — Eu não... Nunca quis s-seu sofrimento. Eu o magoei... Denegri seu nome por uma fraqueza minha...

— Quem liga para nome, Kikyou?! Me diga, QUEM LIGA PARA ISSO?! Que me chamasse do que quisesse! EU SÓ QUERIA O SEU AMOR, MAIS NADA! NADA!

Kikyou notou que Naraku estava tremendo dos pés à cabeça, engolido pela própria dor, sua energia maligna instável. Nesse instante de extrema tensão, os shinidamachuu puderam entrar no local, rodeando o corpo da sacerdotisa e, sem que ela quisesse, ascenderam-na consigo. Naraku a tudo observava, olhos já inchados, soluçante e miserável, em nada lembrando o demônio altivo e elegante que era.

— Mas o que é isso?! — bradou ela, assustada, pois seus insetos não a obedeciam.

— Estou expulsando você daqui — respondeu o hanyou, feições endurecidas. — Estou expulsando você da minha vida, do meu coração.

— Isso não funciona dessa forma...

— COMIGO FUNCIONA! — berrou ele, descontrolado. — COMIGO FUNCIONA! ESSE MALDITO AMOR EXISTE APENAS PORQUE TENHO ESTE CORAÇÃO HUMANO! AGORA... — e Naraku exibiu um sorriso bizarro, estranho, que mostrava o quanto estava insano. Seus olhos chorosos agora tinham um lume cruel e perverso. — NÃO HAVERÁ AMOR OU MESMO HUMANIDADE QUE RESISTIRÁ QUANDO ESTE CORAÇÃO FOR SUPRIMIDO E EU, NARAKU, ME TORNAR UM YOUKAI COMPLETO!

— O quê?!

Mas era tarde — os shinidamachuu flutuaram com a jovem para fora do castelo. O youki de Naraku circundaram a propriedade e logo Kikyou viu a névoa mortífera de miasma saindo pelas janelas.

Das alturas, restou à sacerdotisa apenas fechar os olhos com força, deixando que as lágrimas rolassem a toda por seu rosto pálido. Saudades daqueles instantes onde nada mais importava para si. Instantes doces e inesquecíveis nos braços do homem que se despia de sua malignidade unicamente por ela e para ela...

A sacerdotisa chorou amargamente.

— Vou deixá-lo fazer o que pretende, Naraku. Reúna os fragmentos da Joia. Eu o purificarei e o enviarei para o inferno... Antes que a sua doença me contamine e... Eu me apaixone por você...

Kikyou se recusava terminantemente a admitir que, em seu coração, um sentimento diferente e inesperado pelo terrível hanyou aracnídeo começara a germinar naquele exato momento em que ele afirmara a tão significativa frase...

Acabou, Kikyou.

Notas finais
Os dois lados da natureza humana: a covardia de Kikyou e a fragilidade emocional de Naraku! =O AEEEEEEEE o/ A Kikyou começou a sentir algo mais pelo aranhudo das trevas! Sério, gente, eu nunca havia descrito um hentai com sexo anal antes #TodasFicaVermelhinha Espero que não tenha ficado ruim de ler... Naraku, cada vez mais alucinado pelo amor não-correspondido :( O que vai acontecer de agora em diante? Beijos da Mamãe ♥ ~Okaasan