The Heir Of The Universe
1 Capítulo I
Notas iniciais

POV Isa
– E um, dois, três, quatro! — Gritei. Imediatamente, Cora começa a batida com a guitarra. Depois das cinco repetições, Luigi entrou com o baixo, fazendo a melodia de fundo. Contei em silêncio, 3... 2... 1... Bateria entra com o Samu. Esperei até dar as batidas e iniciei a letra.
– About time for anyone telling you off for all your deeds... No sign the roaring thunder stopped in cold to read. No time! — Cora começou com o solo de guitarra — Get mine and make no excuses waste of precious breath... No time! The sun shines on everyone, everyone love — Momento de silêncio — yourself to death. So you gotta fire up, you gotta let go, you'll never be loved till you've made your own. You gotta face up, you gotta get yours. You never know the top till you get too low! Silêncio. — A son of a stepfather, so sorry! A son of a... I'm so sorry! A son of a stepfather, so sorry! A son of a... I'm so sorry! No lies and no deceiving man is what he lose... I keep tryin' to conceive that death is from above... No time! — Me virei para a nossa banda. Perfeita harmonia.
Inquieta, fiquei dançando no nosso palco improvisado, a menos de dois metros do chão.
– Get mine and make no excuses waste of precious breath... No time! The sun shines on everyone, everyone love yourself to death. So you gotta fire up, you gotta let go, You'll never be loved till you've made your own. You gotta face up, you gotta get yours. You never know the top till you get too low! — Luigi tinha cronometrado perfeitamente os efeitos eletrônicos. Merecia um parabéns. — A son of a stepfather, a son of a... I'm so sorry! A son of a stepfather, a son of a... I'm so sorry! Os instrumentos silenciaram, Michele começou com o piano, uma melodia suave e baixa. Cora fez um pequeno vocal de fundo em alguns refrões. — Life isn't always what you think it'd be... Turn your head for one second and the tables turn... Weah, weah... And I know, I know that I did you wrong... But will you trust me when I say that I'll make it up to you... Somehow, somehow... Silêncio. — So you gotta fire up, you gotta let go, you'll never be loved till you, you've made your own! You gotta face up, you gotta get yours, you never know the top till you get too low! A son of a stepfather, a son of a... I'm so sorry! A son of a stepfather, a son of a... I'm so sorry! I'm so sorry! Woah! I'm so sorry! Wuh! I'm so sorry! Woh! I'm so sorry! Woh! A son of a... Solo de guitarra, baixo de fundo, últimas nota da bateria e... Fim.
Michele e eu soltamos um grito de comemoração simultâneo. Samu e Luigi trocaram um high five. Cora simplesmente se sentou no chão de madeira e começou a olhar para suas unhas como se fossem a coisa mais interessante do mundo. Os garotos começaram a conversar animadamente. Cora continuou olhando pra suas unhas. Michele voltou pro piano e tocou algumas melodias. O Acampamento precisava de alguma animação. Fizemos uma banda.
Agora íamos tocar semana que vem, na praia, com todos os efeitos especiais que tínhamos disponíveis. Quando sugeri a idéia, todos concordaram, animados. Aceitaram, e cá estamos. Mas só tinha uma pessoa que atrapalhava: Cora. Tínhamos apenas dois ensaios por semanas, de duas horas cada. E ela sempre fazia questão de se atrasar. Geralmente, vinha muito mal-humorada. Mas havia conseguido pensar em um modo de dar um pouco de animação.
– Hey Isa. — Disse Luigi, cortando meus pensamentos. — A I'm So Sorry ta pronta. Qual é a próxima? — Só um minuto. Abri a mochila e tirei a caixinha de som.
Coloquei o pen-drive, selecionei a faixa e deixei tocar. Samu, Michele e Luigi se aproximaram. Aumentei o som. Conforme a música tocava, os três assentiam com a cabeça. Pelo canto do olho, vi Cora mexer a cabeça no ritmo da música e sorrir.
– Isso é Hail To The King? — Sussurrou ela, ainda sorrindo.
– Sim, é Avenged Sevenfold. — Disse, e desliguei o som.
– Todos de acordo?
– Sim. — Disseram, animados. Especialmente Cora, que havia se levantado de um pulo.
– Certo. As partituras estão aqui. — Entreguei pra cada um, que folhearam as páginas, analisando a composição. — Até semana que vem.
Desmontaram os instrumentos, se despediram e desceram do palco. Fiquei ali por mais algum tempo, pensando no que tinha acontecido conosco há três anos.
Em três anos, a paz se alastrou pelo mundo, como uma doença altamente contagiosa, mas que ninguém queria encontrar a cura. A felicidade também. O Acampamento estava mais calmo. O número de monstros, desastres, etc, reduziram. Mais campistas chegavam em segurança. Não havia mais tantas mortes. Os acampamentos estavam trabalhando em sincronia.
Quando o sol se pôs, comecei a caminhar na direção da área dos chalés. Cumprimentei alguns semideuses quem passavam, que simplesmente sorriram de volta. De repente, parei.
– Se você acha que vai me assustar, pode parar bem aí.
Me virei de costas. Ana Flávia sorria, mas parecia decepcionada.
– Mas... Argh. Como?
– Simples, quando a pessoa tenta todos os dias me assustar, fica fácil prever uma boa oportunidade. — Respondi, e ela riu.
– Droga. 10 a 2 pra você, Luminha.
– Luminha? — Coloquei as mãos no bolso da jaqueta. O clima estava esfriando. Estávamos perto do outono.
– Sim! — Respondeu ela, feliz. — Vaga-lume! É que você brilha muito. — Ela deu de ombros. Não aguentei e ri.
– E eu vou te chamar de pipoca. — Ana inclinou a cabeça para o lado, como um cachorro curioso. — Você é mais pálida que uma pipoca. Já sei, pipoca nariguda! — Toquei em seu nariz, e ela franziu a cara.
– Ei! Isso é bullying!
Retomei a caminhada para o chalé de Zeus, mal me aguentando de tanto rir, em meio a protestos de Flávia.
Sonhos não me atrapalhavam mais. Mas naquela noite, eles resolveram retornar. Não liguei. Acontecia as vezes. Acordei no meio da noite e adormeci logo depois. Mas dessa vez, tive uma sensação absurdamente ruim, como se a cada instante algo pudesse acontecer.
A manhã se desenrolou como qualquer outra. Tão calma e normal na medida do possível, as vezes, ao ponto de chegar a ser um tédio. Como a nossa noite de estréia estava chegando, havia preparado uma surpresa pro pessoal: novos instrumentos personalizados, com o símbolo do pai ou mãe olimpiano de cada um e o nome da nossa bandaOnly a Cover.
Decidimos ensaiar todos os dias, pra dar tempo de se lembrar de todas as partituras e lembrar da playlist. Em um dos ensaios, meu pressentimento de alguns dias atrás acabou por se tornar real. Em um dos ensaios, percebi que a música estava fora do compasso. Pedi para pararem.
– Que foi Isa? — Perguntou Cora.
– A bateria entrou fora do ritmo. — Me voltei para Samu — O que foi?
– Nada, desculpe. — Respondeu ele, meio sem jeito. — Me distraí.
– Certo. Do começo. 1,2,1,2,3,4!
Quando estava no refrão...
– Hail to the king! Haaaail to the one! — A bateria voltou a perder o ritmo. Pedi pra pararem. — Samu, o que foi? Tem alguma coisa te incomodando.
Samu apoiou a cabeça por entre as mãos, olhou fixamente para o chão, cerrou os punhos, levantou o olhar e explodiu:
– Eu não consigo! Tudo me lembra ela! Tudo me lembra de EU ter sido a causa da morte dela!
– Isabella? — Sussurrou Michelle baixinho.
– Sim. É culpa minha. Ela morreu pra me salvar. É MINHA CULPA! — Bradou ele, pro vazio.
– Sammy, eu te entend... — Comecei, mas ele me cortou.
– NÃO! VOCÊS NÃO ENTENDEM! NENHUM DE VOCÊS PERDEU UM ALGUÉM POR SUA CULPA! POR SUA DISTRAÇÃO!
– CALA A BOCA!– Foi minha vez de gritar. Todos olharam para mim. - EU ENTENDO SIM, SAMUEL. EU PERDI MINHA IRMÃ TAMBÉM, CARALHO!
O silêncio foi tamanho que podia ouvir as folhas das árvores ao redor da clareira farfalharem. Minha mente só se tocou do que eu havia dito depois de vinte segundos.
Abri a boca para tentar consertar o que havia dito, mas não havia conserto. Me afastei em silêncio, andando de costas. Depois de alguns passos, me virei e corri na direção das árvores. Ouvi Cora dizer algo para eles, mas não tentei apurar os ouvidos.
Corri até as árvores se tornarem borrões. Corri até minhas pernas protestarem. Corri até tropeçar em cascalhos. Corri até o solo se tornar macio. Corri até começar a tropeçar. Caí de joelhos na areia da praia, e soquei o chão até meus punhos quase rasgarem. A única coisa que eu não queria que soubessem.
A única coisa que eu havia guardado durante anos. Algo que eu apenas minha família e os poucos vizinhos sabiam. O som das ondas do mar e o cheiro de maresia me lembrava de Isabela, assim como os de batata frita e limonada me lembrava de Laura. Eu achei que tinha superado. Achei que criar distrações, treinamento, criar histórias que talvez nunca ninguém conhecesse, música, banda, meus amigos, algumas pouca festas. Mas não havia.
No fundo eu não havia dado conta. Cora havia superado e contado para todos. Algumas vezes tinhas recaídas, mas depois passavam. Os outros compreenderam e não fizeram perguntas. Pedi a ela que não contasse nada, pois ainda não queria que soubessem. Ela concordou. De que isso adianta agora? Assim que eu voltasse, me encheriam de perguntas. E eu não teria outra escolha além de falar a verdade. Teria? O som de passadas apressadas me forçou a erguer a cabeça.
Um homem de bermuda e blusa clara, carregava uma bolsa de couro marrom, lotada de cartas e pacotes. Em uma das mãos, segurava uma espécie de um cajado com duas cobras entrelaçadas, com os rostos voltados para a outra. No topo, haviam duas asas prateadas. Aquilo parecia demais com um caduceu. E o único ser ou deus que usava aquilo era Hermes. Me forcei a me levantar. O deus sorriu, buscou um papel e disse:
– Isadora?
– Eu mesma.
– Ótimo. — Hermes vasculhou em sua bolsa e me entregou uma pequena carta. Depois, ergueu as sobrancelhas como se dissesse que eu havia esquecido de algo. Franzi a testa. O deus suspirou. — As vezes eu me esqueço que vocês não sabem disso. Tem uma taxa de entrega. Três dracmas.
– Ah. Perdão. — Vasculhei os bolsos em busca das moedas quando duas vozes sibilantes me cortaram.
– Duvido que ela tenha dinheiro.– Disse a primeira. — Ela tem cara que ta devendo dinheiro pra alguém.
– O que? — Disse.
– Calado George!– Respondeu a segunda voz. - Seu trabalho é ajudar, e não ficar dando opiniões!
Quando ergui o olhar, Hermes balançava o caduceu, irritado, lançando para frente e para trás as duas cobras que aparentemente haviam ganhado vida própria.
– E o trabalho de vocês dois é não me interromper!
Engoli o riso e entreguei as moedas para o deus. Hermes agradeceu e saiu. Pouco tempo depois, desapareceu em uma curva. Me sentei na areia novamente e analisei a carta. O envelope era comum. Não tinha selo, nem endereço. Apenas meu nome como remetente. Estava preso com uma gota de cera.
O abri e desdobrei o papel cuidadosamente. Uma caligrafia rabiscada trazia a seguinte mensagem:
Há três anos eu fugi. Há três anos eu me rebelei. Há três anos eu reuni um exército. Há três anos eu uni meu corpo ao de um titã. Há três anos eu me tornei imortal. Há três anos eu iniciei uma guerra. Há três anos eu tinha a crença de que nada me impediria. Há três anos eu fracassei. Há três anos eu jurei me vingar. Durante três anos eu jurei vingança. Daqui a dias, eu irei voltar.
Lembrai-se disso, filha de Zeus. Vosso pai será o primeiro a perecer diante de mim.
Dobrei o papel e coloquei no envelope. Meu coração parecia ter parado. O sangue não circulava direito. Meus pensamentos estavam desorientados. Merda. Merda. Merda.
Era a única coisa que ocupava algum espaço na minha mente: Merda. Merda. Merda. Não. Podia ser alguém tentando me assustar. Ele tinha morrido. Será? Não. Claro que morreu. Só restara a espada. Não tinha mais nada. Nada. Era um blefe. Só podia ser. Gabriel estava morto. Fim de papo. É só algum babaca tentando me passar um trote muito sem graça. Me levantei, ainda receosa. Mas e se a carta for verdadeira? Disse uma vozinha. Aí fode tudo, né? Se a carta for verdadeira, direi a Quíron. Mas até lá, preciso descobrir.
Coloquei o envelope no bolso da calça jeans, de modo que o tecido disfarçasse o papel. Corri na direção do chalé de Hermes. Se tinha alguém que podia reconhecer um trote, era Ana ou Mila.
Dei seis batidas ritmadas na porta do chalé. Ana e Mila irromperam e sorriram.
– Não é uma boa pra sorrir. — Disse. Puxei as duas pra fora do chalé (Mila quase caiu) e as conduzi até uma parte da praia, próxima onde eu havia encontrado o pai das duas minutos atrás.
Contei a elas o que havia acontecido. As duas se animaram quando falei do pai, e protestaram, exigindo um pouco de atenção paternal, mas pararam de brincar quando recitei o que estava escrito na carta.
Ana pediu a carta e a entreguei. Ela passou uns bons minutos olhando pro verso do papel, onde as linhas se sobressaltavam. Mila fez o mesmo, mas com o lado da frente. Impaciente, me sentei em uma pedra e torci as mãos. As duas irmãs suspiraram. Levantei o olhar.
– Não é trote. — Disse Ana.
– Primeiro fato: não conhecemos essa caligrafia. — Continuou Mila.
– Segundo: a pessoa escreveu isso com muito ódio.
– Terceiro: sabemos que ninguém tem raiva de você, caso contrário, saberíamos por causa de boatos.
– Quarto: Coraline te odiava, mas vocês não brigam a anos.
– Quinto. — As duas disseram em uníssono. — Vai fazer quase quatro anos que Gabriel morreu.
As duas disseram com tanta convicção, que tive medo do que pudesse acontecer em seguida. Agradeci, e elas me deixaram sozinha. Antes de sair, Mila deu tapinhas no meu ombro. Fiquei ali, observando as ondas do mar até o sol se pôr.
Na mesma noite, sonhei com uma tempestade violenta, trovejando e relampeando, como se estivesse furiosa com algo. O mar também estava agitado. A terra tremia. Os animais estavam nervosos. Uma parte das nuvens se dispersaram. O céu ria diante do meu medo.
Notas finais
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Os capítulos serão postados toda sexta feira :3 até a próxima semana - LT
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