The Heart And Darkness
22 Corredores e Correntes.
Notas iniciais
— Finalmente... Um problema a menos. – Dizia uma voz serena e bela.
— Você quis dizer “três problemas a menos”, não? – E assim Pete ria, até ser intimidado por um ser de vestes negras que se aproximava. Seu cajado batia de modo oco ao chão, pelo menos até parar diante de uma mesa que emitia algum tipo de luz, a única luz do meio do antro escuro onde o grupo de pessoas se encontrava.
— Sim. Os três terem vindo parar justamente aqui, em suas terras foi um jogo de muita sorte.
— Ter encontrado ao menos um deles foi melhor ainda. Implantei mentiras na cabeça do garotinho oriental e ele saiu correndo, iludido de que iria conseguir reais Keyblades pra eles e seus amiguinhos. – E aproximando-se da mesa, eis que é revelado seu rosto: Jadis, a suposta rainha de Nárnia sorria, deixando o quanto era notável o resultado de suas ações más. Juntando-se a mulher de vestimentas claras, aproximara-se então a de roupas negras, e com a leve luz que vinha da mesa, isto deixou o quão claro e óbvio era Maleficent ali.
— O que acontecerá com os três, ao entrarem no castelo?
— Você verá...
— Aqui dentro é bem escuro, né? – Dizia Nina, forçando a vista e já não conseguindo mais depender da luz que vinha do imenso portão quebrado, ao qual eles usaram pra adentrar o castelo.
— Sim... Mas eu ainda consigo enxergar alguma coisa, qualquer problema, agarre-se em mim, Nina. – E com isso Eros agradecera pela amiga não enxergar quase nada, ou teria notado o rosto do amigo um tanto quanto vermelho. Não era possível ouvir nada, além dos três dentro do castelo, sendo que o mesmo era tão silencioso que bem ao longe era notável o barulho oco do sapato das crianças. Era tudo tão estranho, Nina tinha uma sensação de que já estivera ali antes, mas também tinha a certeza que não. Alguma coisa em sua cabeça estava confusa, pelo menos, até dar de cara com uma parede.
— AI! – Exclamou de dor. – Bati na parede...
— Cuidado... – E Lee a puxou delicadamente, indicando a direção certa. A escuridão parecia conseguir ficar ainda mais negra a cada passo que davam, então foi aí que tudo se tornou uma confusão só: uma escada surgiu. Ou pelo menos parecia ser uma, pois estava tão gasta e frágil com o passar do tempo que muito mais parecia um esqueleto em espiral. Pisaram nos primeiros degraus e tudo parecia bem. Olharam para o alto e de lá parecia vir algum tipo de luz verde que emanava, pairava no ar, o que dava uma leve impressão de ser uma subida infinita. Lentamente era possível ouvir os passos ocos de seus sapatos na solidão da escadaria, pelo menos até algo chamar a atenção de Nina: Havia certas interrupções na escada, o que dava espaço para corredores. Aquela escada ligava, pelo visto, então todos os andares. Parou de subir, e colocou os pés no corredor. Era tão escuro quanto o resto do castelo, mas ainda tinha a estranha aura verde, o que ajudava pelo menos um pouco a enxergar naquele lugar tão estranho. Ela foi andando pelo corredor, como se algo ali a chamasse e seguiu. Estava tão distraída quanto seus amigos que eles seguiram subindo e a deixaram para trás, assim como ela o fez. Mas então algo a assustou, o que a fez quase gritar, mas como seu coração parou, nenhum som saiu de sua boca. Um ser de altura bem próxima a dela, em vestimentas negras, corria de um modo que parecia desesperado. Pensou, mais por culpa de suas roupas, que poderia ser Lea, ou Axel, já não tinha mais importância para ela esse tipo de dúvida. Mas a julgar pela altura, ignorou que pudesse ser seu amigo, mas mesmo assim o seguiu, culpa de sua curiosidade quase compulsiva. Começou a correr, tentando entrar no ritmo do ser. Passava por muitos corredores, alguns assombrosos (piores com aquela luz meio verde, como se fossem vagalumes constantes) e outros até bem refinados, se não fosse por estar tão gasto, culpa do tempo. Subia escadas, descia outras, as vezes se confundia e até procurava em algumas portas. Atravessava salões gigantescos, de festas, recepção, tantas coisas elegantes pela qual passou muitos com lustres de cristal, decorações em carvalho e ouro, o que dava a impressão de que aquele castelo já fora muito importante um dia. Estava começando a se tornar cansativo essa brincadeira de gato e rato, quando estava em uma área bem escura novamente. Começava a correr cada vez mais devagar, até sentir que algo lhe deu um esbarrão. Típicos daqueles de quando se movimenta na multidão, porém só havia ela e o desconhecido, o que a fizera se assustar com a nova visão: Logo em um corredor onde havia uma pequena janela (por onde entrava o brilho de uma lua bem redonda, interrompendo aquela atmosfera verde) outro ser de vestes negras (porém bem mais alto, se Nina alcançasse o ombro deste seria até demais) passara correndo por ela. Foi ele que esbarrou na garota. Engraçado que ele parecia fazer a mesma coisa que esta: seguir o menor em vestes negras. A visão dela foi algo rápido demais, mas pode ter certeza, ou ao menos, um fio de esperança que deixara seu rosto completamente vermelho. No momento em que se esbarraram o mais alto por instinto olhou para trás, tentando descobrir no que havia batido e assim ela pode espiar um mínimo que fosse debaixo de seu capuz de couro negro. Mechas de um cabelo que balançava de acordo com seu próprio ritmo, leve como uma seda e mesmo naquela atmosfera pode constatar, tratava-se de alguém com longas madeixas prateadas. A garota parou de correr de imediato. Em questão de segundos ele também foi parando até que este se virou para ela, um ficando de frente para o outro como se encarassem e tentassem se reconhecer. O rapaz colocou a mão em suas vestes negras como se fosse retirar o capuz, mas hesitou. Nina deu um passo à frente e esticou sua mão, mesmo estando cerca de uns 3 metros afastada. Ela queria tocá-lo, ter certeza de quem se tratava, mas este se virou e começou a correr, deixando-a para trás... Como alguém que não pode explicar o que está havendo no momento. E ele se foi, misturando-se a escuridão mais uma vez e com isso, sumiu. Ficou congelada ali, olhando para o nada, estática. Ainda na mesma posição como quem vai andar e de braço esticado para o nada. Seus olhos se encheram d’água, mas sacudiu a cabeça e ao invés de se sentir triste, sorriu encarando a situação de modo mais feliz. “Hoje... Eu o vi mais uma vez.”
Relaxou, e passou a ter pensamentos otimistas até se tocar de que estava completamente perdida no meio do castelo apodrecido. Mas não conseguia parar de pensar “Eu o vi! Tenho certeza disso... Era ele... Com certeza.” Estava mais feliz do que poderia querer. Seu coração estava disparado e seu rosto tão quente de rubro. Seus braços estavam arrepiados por baixo de seu casaquinho esportivo azul, além de sua perna direita tremer, o que poderia ser um novo tique nervoso, mas não importava. Dava passos pelo corredor iluminado pelo ar verde até que viu mais uma vez a escada em espiral. Voltou a correr (dessa vez bastante fatigada graças a corrida anterior) e subia os degraus sem muito ânimo. Mas ao ouvir barulhos distantes conteve-se mentalmente: “Não, eu sei que não conseguirei mais vê-lo por hoje.” E assim torceu para que fossem seus amigos. No fim da escadaria (que sinceramente parecia ter uns 70 andares de tão grande que era), ela chegou por um corredor, enquanto Eros estava parado, de costas para a amiga e Lee parecia vir também de algum outro corredor. Os três pareciam bastante cansados, até que alguém finalmente deu a palavra.
— Me desculpem por ter me separado de vocês, eu achei ter visto luz em um corredor muito a baixo daqui... – Disse Lee, meio sem graça.
— E eu vi alguém correndo, então fui checar o que houve... – Disse Nina, um pouco sem graça por admitir ter se separado dos amigos.
— Sem problemas, eu também vi alguém subir a escadas e comecei a correr pra ver se a alcançava. Mas já que estamos no alto do castelo e juntos mais uma vez... Só nos resta saber agora o que deve ter do outro lado. – E então Eros apontou para uma imensa porta negra ao fim do corredor. Ela era negra e mesmo com o passar do tempo manteve-se intacta. Seus adornos pareciam macabros, como se ali fosse o antro de uma bruxa ou algo do gênero. Os três engoliram em seco e caminharam para lá. Nina apressou o passo e ao chegar na porta estremeceu. Tentou puxá-la, mas seu peso era absurdo para uma garotinha de 14 anos. Então Eros e Lee se juntaram a garota, e com um esforço brutal eles conseguiram mover uma pequena brecha na porta, o que seria o suficiente se eles se apertassem para passar.
— Ai, ai, ai! – Gemeu Eros, sendo o último a passar.
— Viu Nina? Eu não te disse que ele tinha um “encéfalo grotesco”? – A garota começou a rir, mas naquele lugar assombroso ela logo tratou de parar, sabe-se lá o motivo. Mas então, após os três terem passado, olharam a frente. Era mais um corredor, porém esse era diferente de todos os outros que havia visitado anteriormente, pois suas paredes gastas e empoeiradas eram naturalmente negras, o chão era em ladrilhos pretos e brancos, muitos quebrados e o que mais assustava naquele antro: eram as milhares de correntes espalhadas pelo local. Penduradas, jogadas no chão, no teto, nas portas, nas paredes... Os três iam passando por tudo aquilo com certo horror, evitando tocar em tudo, visando chegar ao fim do corredor. Estavam bem próximos, quando ao fim teria uma última esquina a virada. Lá teria apenas um “buraco” na parede, pois parecia que a porta fora arrancada de lá fazia muito tempo. Nina mais uma vez tomou a dianteira e se assustou com a área após o buraco: Era uma ampla sala. Enorme, tão grande que poderia caber até mesmo 2 quadras de basquete lá. Era assim como o corredor, negro, chão preto e branco e correntes e mais correntes. Mas o cenário não importava mais depois do que a garota captou com seus olhos azuis: bem no meio da sala haviam três pontos dourados flutuando. Eles brilhavam como três pequenos “sóis” no meio de tanta escuridão, daquele amplo lugar. Seu coração disparou e então desatou a correr. Ela tinha certeza, teria agora uma Keyblade de verdade, tudo finalmente começaria a dar certo. Ela iria então poder proteger a si mesma, seus amigos, ter ânimo de conversar com a Rainha Minnie e... Então lutar lado a lado com... Riku.
— Garotos! Vamos lá! – Sua voz soava de modo infantil, como quem corre para um parque de diversões ao ver um carrossel colorido.
— Calma Nina, espere um pouco... – Lee parecia finalmente, e com certeza, o mesmo de antes. Um garoto inteligente que contestava as coisas. Mas algo nele agilizava rapidamente, como se algo escondido finalmente tivesse sido revelado ante aos seus olhos. Mas antes que pudesse expor essa questão, já era bem tarde. Eros seguia Nina, até que estavam bem próximos do centro da sala. Lee não queria ficar atrás, então também fora, mas sem tirar a idéia da cabeça. “Uma armadilha t...” – Mas sua lógica fora interrompida por um grito agudo.
— O que é isso? – Gritava a garota. Suas mãos haviam sido agarradas por correntes negras que pendiam do teto do antro e a puxavam, querendo elevar seu corpo do chão. – SOCORRO! – Ela gritou.
— Espera, eu vou te ajudar! – Mas antes que Eros tomasse qualquer tipo de iniciativa, uma corrente agarrou sua barriga e em seguida também os seus braços. Eles não conseguiam ver exatamente de onde as correntes vinham, só podiam ter uma idéia de seria do teto graças a luz da lua, que por meio de um imenso arrombamento no teto dava o ar de sua graça. Lee então correu. Por vezes se jogava no chão, rolava, pulava e tentava desviar das correntes que insistiam em querer capturá-lo. Estava muito próximo a Nina em seu lado esquerdo, porém as correntes pareciam ter inteligência própria, e assim, ardilosamente, uma bateu na altura do estômago do garoto, desestabilizando-o. Assim, outra veio e bateu em suas pernas, jogando-o no chão, logo se dando por abatido. Presos, os três estavam sendo elevados pelas correntes por cerca de uns 3 metros do chão. O cenário ia escurecendo e tudo ia perdendo a pouca vida que tinha. Os olhos das três crianças começava a pender, a fechar, como um cansaço bem forte que se aproxima após um exausto dia de escola. Não demorou muito, por mais que a mente destes lutasse para que isto não acontecesse. E então... Caíram no mais profundo sono que seus corpos poderiam ter sentido algum dia. Apenas dormiam, em pé, erguidos pelas correntes, como quem não irá mais acordar. Tudo se distanciava, o castelo caiu mais uma vez em silêncio mórbido e mais nenhum ser vivo se mexeria lá dentro, tirando a respiração das crianças que agora ali residiam.
— Perfeito. – Dissera a voz arrastada de Maleficent. – Eles estão presos. Mas por quanto tempo assim ficarão? – Ela perguntou em um tom pouco preocupado.
— Aquele castelo é chamado de “Folhas do Tempo”, pelo fato de todos que ali ficam presos não conseguem sair sem que tenham envelhecido alguns anos. Mas se eles não se libertarem, iram dormir simplesmente... Para toda a eternidade. – Disse Jadis, a Feiticeira Branca, suposta rainha de Nárnia.
— E nunca mais acordar? – Vangloriava-se Pete. – Finamente! Menos problemas em nossos caminhos!
— Agora tenho de cuidar apenas de Sora... – E tranqüilamente a bruxa se retirou.
Eles dormiriam. Eles iriam então residir no castelo até que chegasse o fim da eternidade?
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