The Guardian
11 Capitulo XI
Notas iniciais
A porta foi aberta e fechada com extrema força, e como um furacão, Dean adentrou na sala chamando pelo seu irmão mais novo.
– Sam! Sam! – continuou a chamar, mas encontrou com o garoto de cabelos negros e olhos azuis sentado na poltrona assistindo algum programa na televisão – Cadê o Sam, Ethan? – perguntou arfante.
– No quarto dele, eu acho – disse dando de ombros sem olhar para o loiro, e Dean dirigiu-se rapidamente para a escada – eu não perderia meu tempo indo lá, é óbvio que ele não vai querer falar com você – Ethan finalmente olhou para Dean.
– Mas eu tenho que falar com ele – Dean falou firme.
– A única coisa que você vai conseguir é aborrecê-lo ainda mais, se é que isso é possível – Ethan riu da própria piada – como eu disse antes, por causa do licor, as emoções do Sam ficaram instáveis, e é por isso que em vez de você ter ido na casa daquela garota você devia ter ficado aqui! – exaltou-se – Mas que droga! Não me admira se o Sam acabar entrando em depressão e corte os próprios pulsos – Dean pegou Ethan pela gola da camisa, erguendo-o do chão.
– Isso é tudo culpa sua – Dean acusou irado – Se não tivesse dado essa porcaria para o Sam, a gente não estaria passando por isso – Ethan segurou nos antebraços do loiro, e Dean sentiu uma dor forte em seus ossos, fazendo-o largar o garoto e cair de joelhos no chão.
– Será que você não é homem nem para admitir seus próprios erros? – Ethan indagou soltando os braços do loiro – mas para trair a pessoa que ama...
– Eu não o trair e você sabe disso – Dean sussurrou ainda de joelhos e com a cabeça baixa.
– Não sei não Dean – Ethan sentou-se no chão em frente ao loiro – você deitado numa cama junto com uma garota seminua, parece traição para mim – Ethan falou e Dean se manteve de cabeça baixa.
– Eu preciso falar com ele – Dean continuou com o tom baixo, e Ethan suspirou.
– Dean está ficando tarde, eu acho melhor você ir dormir – Ethan levantou-se e o loiro também – Amanhã você conversa com o Sam, quando ambos estiverem mais calmos – o garoto dirigiu-se a cozinha, mas percebeu Dean indo em direção a escada – Tem um quarto de hospedes no fim do corredor em frente ao meu quarto – Ethan falou fazendo Dean parar no primeiro degrau – Está um pouco empoeirado, mas eu acho melhor você ficar lá – sorriu cúmplice e com um suspiro o loiro continuou a subir a escada.
Ethan voltou a sentar-se na poltrona. Seria difícil consertar as coisas com aqueles dois.
Enquanto Ethan arquitetava mais um de seus planos. Dean estava parado em frente ao quarto que antes dividia com Sam, decidindo se batia ou não na porta. Queria muito ver seu irmão, mas não queria piorar ainda mais a situação como Ethan havia avisado. Dean encostou sua cabeça na porta.
– Me desculpe Sam – sussurrou mesmo sabendo que o moreno não o ouviria. Aquele momento lhe parecia muito familiar, ele andava pedindo muitas desculpas a Sam ultimamente. O loiro soltou um suspiro arrastado e afastou-se da porta indo em direção ao quarto de hospedes que ainda não tinha sido lhe apresentado, e na opinião de Dean, nem queria que fosse.
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Seus olhos doíam e pesavam, mas as lágrimas não se cansavam de escorrer pelo seu rosto e caírem no travesseiro.
Sam não conseguia evitar, seu peito doía como nunca doeu. Ele se sentia um lixo, algo que se usava e logo depois descartava.
Apertou ainda mais o travesseiro amigo, trazendo mais para si. As imagens de Dean junto com aquela "outra" passavam e repassavam em sua mente, lhe atormentando, como se mostrasse que o que ele e Dean tinham, ou o que ele achava que tinham, não teria futuro nenhum. Que eles não foram feitos um para o outro.
Sam finalmente adormeceu, com seu rosto molhado e coração partido.
Ethan, que até então estava invisível dentro do quarto, olhava penalizado para o moreno. Qualquer ideia de junta-lo com Dean novamente, se extinguiu de sua mente assim que leu os pensamento de Sam. Chegou até a lamentar ter começado tudo aquilo, mas sua péssima mania de se meter aonde não era chamado foi mais forte, e olha no que deu.
O garoto de cabelos negros e olhos azuis viu Sam tremer um pouco, talvez sentindo falta do contato de um loiro que não teria mais. Ele se aproximou da cama, puxando o cobertor até ombro de Sam.
– Desculpe por fazer você passar por isso Sam – Ethan passou de leve a mão sobre a testa do moreno – Mas isso logo vai acabar, eu prometo – falou tristonho pondo sua mão sobre a bochecha de Sam e uma energia boa passou pelo corpo do mais novo dos Winchesters, fazendo-o suspirar aliviado e Ethan deu um pequeno sorriso forçado e afastou-se de Sam desaparecendo do quarto.
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O dia amanhecia e Ethan já estava acordado, sentado em uma cadeira da cozinha, ele bebia uma xícara de chá. O garoto não era muito chegado a essa bebida, mas sua mãe sempre dizia que ela era boa quando precisava acalmar os ânimos.
E naquele momento seria muito necessário, por isso encheu o bule inteiro. Sorriu ao lembrar-se de sua família e de alguns momentos engraçados que passava com eles.
Seus pensamentos foram interrompidos com o som de alguém descendo as escadas. Ele desviou os olhos para a entrada da cozinha, e logo Dean passou por ela.
– Bom dia – desejou o loiro sentando-se na cadeira de costas para a porta, e seu cumprimento foi quase inaudível.
– Pelo jeito, você não teve uma boa noite – Ethan disse vendo as olheiras abaixo dos olhos do loiro.
– Imagina, tive uma noite ótima, se você tirar a parte que eu não dormir nenhum pouco é claro – usou de seu sarcasmo matinal ao mesmo tempo em que coçava os olhos. Ethan deu um pequeno sorriso para o mau-humor de Dean – Eu só conseguia pensar no que eu falaria para o Sam, mas não saia nada de bom – ele suspirou.
Ethan levantou-se e pegou uma xícara de chá para o loiro.
– Tome – entregou ao loiro – vai te acalmar – Dean aspirou o cheiro do líquido e olhou desconfiado para Ethan, e o garoto revirou os olhos – é só chá – assegurou já se irritando.
Dean deu de ombros e bebericou o chá, sentiu o líquido quente aquecer todo o seu corpo e ele sentiu-se mais calmo também, viu umas bolachas de chocolate em um pratinho em cima da mesa e não hesitou em pegá-las para comer, Ethan sorriu para o loiro, mas logo seu sorriso foi substituído por um semblante sério assim que viu Sam descer as escadas.
Aquele seria o momento em que tudo que aconteceu com Sam e Dean seria decidido.
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Sam acordou com uma imensa dor de cabeça, fora a sensação de calor que só tinha aumentado. Ele olhou em volta, aquela cama de casal parecia tão grande agora, sentou-se sobre os travesseiros e abraçou suas pernas. Fechou os olhos e as imagens dele e Dean juntos debaixo daqueles lençóis vieram em sua mente, estava tão feliz, mas era apenas uma ilusão. Uma lágrima desceu solitária sobre sua face, mas ele logo tratou de enxugá-la.
Não queria e nem ia chorar mais.
Guardou esse sentimento pelo irmão por toda a vida. Sabia o quanto queria que Dean retribuísse a esse sentimento, ao ponto de pedir ajuda a Ethan. Mas se soubesse que na primeira oportunidade Dean lhe trairia, preferiria que nunca tivesse uma chance, e continuaria a viver somente como o irmão mais novo, amando-o em segredo.
Sam saiu da cama, sabia que encontraria com Dean mais cedo ou mais tarde, não tinha como evitar. Mas ele dava preferência ao "mais tarde".
Seu estômago roncou, e Sam percebeu que não havia comido nada desde o almoço de ontem, mas quem pensaria em comida quando está passando por uma situação igual a dele?
Ele abriu a porta com um suspiro e dirigiu-se a escada, sem pressa desceu os degraus e foi em direção a cozinha. Viu Ethan o encarar, mas logo o garoto desviou os olhos e Sam seguiu seu olhar até Dean que estava sentado de costas para ele, comendo alguma coisa.
Dean levantou a cabeça e se virou em direção a Sam, seus olhos se encontraram com os dele. O moreno logo sentiu seu corpo formigar só de ter aquelas duas orbes esverdeadas lhe fitando. Por Dean estar comendo, suas bochechas estavam cheias e isso lhe dava um ar infantil e fofo.
Sam fechou os olhos, xingando mentalmente seu corpo por ser tão fraco.
Dean desviou seus olhos para o chão assim que viu Sam fechar seus olhos, como se não quisesse olhar para ele. Bebeu seu chá, já que agora as bolachas tinham certa dificuldade em descer por sua garganta.
Ethan via tudo calado, o clima estava tenso. Talvez ele precisasse beber um pouco mais chá também.
– Bom dia – Sam disse tão baixo quanto Dean tinha dito antes. O moreno sentou-se entre o loiro e Ethan, e logo o garoto lhe entregou uma xícara de chá e Sam agradeceu com um pequeno sorriso.
– Você quer uma bolacha? – Dean ofereceu sorrindo, tentando parecer descontraído – estão ótimas, foi o Eth...
– Não quero – interrompeu-o friamente e Dean ficou encarando-o de forma afetada, enquanto que Sam não ousava olhá-lo.
– Sam, você precisa se alimentar, você não comeu nada ontem – Ethan disse – que tal uma fruta? – Sam sorriu e acenou positivamente. Dean continuava a olhá-lo, mas em silencio – Tudo bem – falou o garoto e animadamente ele foi até a geladeira e começou a tirar várias coisas de lá. Desde frutas como maçãs, bananas e mamões, a bolos e biscoitos.
Sam e Dean olhavam abismado a quantidade de comida em cima da mesa.
– E eu comendo só uma bolachinha de nada – falou Dean sorrindo para Sam, mas o moreno não retribuiu.
– Você não pediu, eu não ia adivinhar – Ethan sorriu travesso e Dean o olhou descrente, Sam riu baixo e o loiro o olhou sorrindo o que fez com que o moreno ficasse sério novamente, e o sorriso de Dean se desfez também. Então Ethan percebeu que essa era a sua deixa – Bem, agora eu tenho que arrumar o meu quarto – não era mentira, o garoto de olhos azuis não era dos mais organizados principalmente com suas próprias coisas – Comam tudinho – falou sorrindo e Sam lhe retribuiu.
Ethan subiu para seu quarto, e Sam não sabia por onde começar a comer, optou por um pedaço generoso de bolo com calda de morango, seu estômago dava pulinhos de alegria a cada mordida.
Dean apenas o olhava, queria tanto tocá-lo, puxá-lo para seu colo e beijar cada parte de seu corpo, assim como fez ontem. Precisava disso, e agora sabia que não era só por causa dos feromônios.
– Sam, eu... – Dean começou meio hesitante.
– Deixe-me terminar de comer primeiro Dean – Sam falou enquanto que comia um pouco mais do bolo – Se já terminou, me espere no meu quarto, aqui na cozinha não é lugar para isso – Sam falou finalmente encarando seu irmão.
Dean sentiu um arrepio passar pelo seu corpo e as palavras que ensaiara para dizer a Sam desapareceram de sua mente.
– Tudo bem – concordou. O loiro levantou-se e saiu da cozinha.
Sam suspirou, agora era o momento que ele tomaria sua decisão sobre tudo aquilo. Olhou para as guloseimas a sua frente, mas não sentia mais fome, perdera o apetite.
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Dean andava de um lado para o outro, passava as mãos pelos cabelos, tentava pensar em algo bom para dizer.
Mas parou de pensar em qualquer coisa que fosse, assim que Sam abriu a porta. Os dois se encaram por alguns instantes, mas o moreno logo quebrou o contato visual e dirigiu-se a sua mochila, ficando de costas para Dean.
– Sam – Dean disse enquanto se aproximava dele – por favor me escute, aquilo que você viu foi um engano – ele continuou – eu não estava com ela na cama, quero dizer, sim eu estava com ela na cama, mas não da forma que você imagina – Acabou por enrolar-se – Droga! Sam, olha para mim – Dean segurou-o pelos ombros e o fez virar se para si.
Sam estava com melhor semblante de indiferença que conseguia fazer, e Dean sentiu um aperto no peito.
– Sam... – o loiro lamuriou.
Então Sam retirou sua camisa, expondo seu tórax definido.
– O que está fazendo? – Dean indagou meio confuso.
– Oras o que achou que íamos fazer aqui? – Sam disse retirando sua calça também.
– Eu pensei que... – Dean tentou formular algo em sua cabeça, mas o cheiro de Sam não estava deixando-o raciocinar direito.
– Não me interessa o que você tem a dizer – Sam disse subido na cama e engatinhando sobre ela, e Dean seguia-o com os olhos, faminto por Sam – já que o que temos é só sexo – ele retirou sua cueca e empinou sua bunda – não é?
Dean não captou a amargura nem o sarcasmo nas palavras de Sam. Sua mente estava somente focada em Sam e em seu corpo todo entregue para si. Mas do que depressa Dean se livrou de suas roupas e deitou-se na cama. Segurou a cintura de Sam que estava na mesma posição.
Sam soltou um baixo gemido assim que sentiu toda a excitação de Dean contra suas nádegas. Dean beijava-lhe a linha de sua coluna, fazendo seu corpo ter tremores involuntários.
Dean virou seu irmão para que ficasse de frente para si. Sam evitava olhá-lo. O loiro começou beijando seu pescoço e desceu seus lábios até o mamilo direito, e Sam soltou um grunhido mais alto quando sentiu Dean chupando-o com força, como se quisesse lhe arrancar aquela parte do corpo.
Dean continuou a descer por sua barriga, distribuindo beijos e mordidas. Até chegar a parte que ainda não teve a oportunidade de tocar.
O membro de Sam estava totalmente ereto e escorria um líquido perolado, Dean não hesitou em por toda aquela extensão em sua boca. Faria Sam sentir tanto prazer que nunca pensaria em deixá-lo.
Sam se contorcia e gemia sem pudor, sabia que logo alcançaria o ápice. Dean sorriu de canto ao ver o estado do irmão, aumentou o ritmo das sucções, até que em um gemido mais alto do mais novo, ele sentiu sua boca encher daquele líquido que nunca pensara que degustaria um dia, tinha um gosto amargo e doce ao mesmo tempo. O gosto de Sam.
Dean ouviu Sam soltar um soluço contido, o loiro logo encarou seu irmão e o viu com lágrimas nos olhos.
– Sam – chamou segurando o rosto do mais novo, fazendo-o olhar para si. Seus rostos estavam muito próximos. Dean olhava atentamente cada detalhe do rosto do irmão, desde os olhos verdes iguais aos seus, ao seus lábios finos e tão atraentes.
Dean estava bem perto de beijá-lo, e uma parte de Sam queria muito isso, mas o moreno tinha receio e raiva do outro.
Sam virou o rosto.
Dean sentiu seu peito doer com a recusa do irmão, mas o que ele esperava? Que Sam simplesmente esqueceria tudo aquilo e ambos voltariam a agir normalmente? Ele queria que isso acontecesse, mas não ia.
– Vamos acabar logo com isso – Sam ditou, virando de costas para Dean, não queria encará-lo.
Dean poderia muito bem ter desistido do sexo ali mesmo, se não fosse o seu extremo grau de excitação e a bunda de Sam que se movia contra seu pênis totalmente rígido.
Ele segurou em seu falo e o posicionou na entrada de Sam, que já se contraía a espera de ser preenchida por aquele grosso membro.
Dean foi lentamente empurrando seu pênis para dentro, não precisavam de qualquer lubrificante, preferiam a seco, mesmo que causasse dor para ambos, mas eles já eram acostumados com a dor.
Sam não segurou o gemido quando sentiu Dean todo dentro de si, preenchendo-o por completo. E o loiro não poupou na mordida que deu no pescoço do irmão assim que começou com as primeiras estocadas, mas de fato não machucou Sam, só serviu para aumentar o prazer de ambos.
Dean investia forte contra Sam, as vezes retirava totalmente seu pênis de dentro para depois enfia-lo de volta com mais força.
Sam sentia seu rosto molhado e percebeu que ainda continuava a chorar, para o desespero do loiro. Dean abraçou forte seu irmão, sem parar com as estocadas.
– Eu te amo, Sammy. Me perdoe – Dean revelou no ouvido de Sam, e com uma ultima investida se desfez dentro do moreno, enchendo-o com seu sêmen.
Mas Sam só conseguia lembrar e relembrar das imagens entre Dean e Cassie, e isso só aumentava sua tristeza e sua raiva do irmão.
Dean beijou a bochecha de Sam, o mais perto que conseguia chegar da boca dele, e sentiu o gosto salgado das lágrimas.
– Sam – chamou Dean puxando o queixo do moreno para poder olhá-lo, mas Sam se afastou-se de Dean, fazendo com que seu membro também saíssem de dentro de si junto com um pouco de esperma, que escorreu por suas pernas, e o moreno sentiu uma vontade imensa de recolher todo aquele líquido e pôr de volta.
– Era só isso Dean, você pode ir para o seu quarto agora – Sam falou ficando de costas para o loiro. O que irritou Dean.
– Olha para mim Sam – puxou seu irmão pelo ombro – quer parar de agir assim, você sabe que eu te amo e que aquilo que aconteceu foi um erro.
– Tem razão Dean – Sam sorriu falsamente – foi um erro, mas não o que você fez, e sim o que eu fiz – Dean o olhou confuso.
– O que você fez?
– Ter começado tudo isso – Sam soltou-se de Dean – Se eu não tivesse pedido a ajuda do Ethan, se eu continuasse escondendo esse sentimento, nós ainda poderíamos continuar sendo apenas irmãos, e nunca deveríamos ter atravessado essa barreira, mas eu fui fraco.
– Não. Eu também quis, e ainda quero – Dean segurou no rosto de Sam – por favor, me perdoe – e o beijou.
Um beijo calmo, mas ao mesmo tempo cheio de amor e tristeza. Sam queria muito ficar com o irmão, mas não suportaria passar por tudo aquilo de novo e ele ia se manter firme.
– Eu te perdoo Dean – e um sorriso imenso tomou conta do rosto do loiro – mas com a condição de que vamos esquecer tudo isso – Sam ditou sem olhá-lo, era uma atitude precipitada, mas era o melhor para os dois.
– Sam... – Dean disse triste.
– Por favor Dean, vai ser melhor assim – Sam quase que voltou a chorar quando olhou nos olhos tristes do irmão. E Dean fechou os olhos suspirando demoradamente, ele também estava sentia uma vontade de chorar.
– Eu... Se é isso que você quer – disse por fim encarando o edredom amarrotado e Sam deu um pequeno sorriso.
Um silêncio se instalou no quarto, até que Sam puxou Dean para um abraço que o loiro retribuiu fortemente.
– Dean, eu acho melhor a gente ir tomar um banho – Sam falou rindo de forma constrangida.
– Tem razão, eu vou para o meu quarto – Dean recolheu suas roupas e dirigiu-se a porta.
– Dean! – Sam chamou a atenção do loiro e apontou para o chão onde estava a cueca de Dean.
– Ah! – exclamou e ambos riram desconcertados – muito importante, não posso esquecer. – Dean dirigiu-se a porta e a abriu, pôs a cabeça de fora conferindo se havia alguém no corredor e saiu.
Sam encarou a porta fechada por alguns instantes. Até cair deitado na cama, onde deixou que as lágrimas escorressem livres pelo seu rosto até adormecer.
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Sentia seu corpo tremer e um arrepio fez com que todos seus pelos se eriçarem. Sam procurou pelo cobertor com a mão, e quando o encontrou o puxou até a cabeça. Aconchegando-se melhor, sentindo aquele friozinho gostoso.
Frio?
Sam abriu os olhos no mesmo instante e sentou-se na cama, ainda estava nu, mas isso não vinha ao caso agora. O moreno olhava para suas mãos constatando a falta daquelas sensações de carência e tremores. Ele sorriu imensamente.
– Ethan – falou para si mesmo, se tinha alguém que tiraria essa dúvida, seria o garoto. Sam logo vestiu suas roupas e saiu do quarto – Ethan! – chamou no corredor. Ele não sabia que horas eram, mas tinha que encontra-lo – Ethan? – Sam perguntou da escada e viu o garoto assistindo televisão – Ethan – pôs a mão sobre o ombro do garoto, fazendo-o saltar da poltrona assustado.
– Sam! Não faça isso – repreendeu com a mão no coração – eu já ia chamar você e Dean para o almoço – Ethan disse, mas estranhou o sorriso no rosto de Sam – Que foi?
– Eu não to sentindo calor – falou animadamente e Ethan o encarou confuso.
– Bem, está um pouco frio sim. Passou na previsão que ia chover e...
– Não Ethan – Sam revirou os olhos – Não estou mais com calor, eu acho que o efeito do licor passou.
– Hum! – exclamou com entendimento – vamos ver isso direito.
– O que está havendo? – a voz de Dean ecoou no recinto e o loiro desceu as escadas. Sam percebeu a diferença, antes seu corpo entrava em brasa ao sentir a presença de Dean, mas agora sensações voltaram a ser as mesma que sentia pelo seu irmão.
– O Sam acha que talvez os efeitos do licor já tenham passado.
– Ah sério? – exclamou o loiro sem esconder o desapontamento. E Sam confirmou com um aceno de cabeça.
– Venha Sam, retire a camisa e deite-se aqui no sofá – Ethan pediu educadamente e Sam o fez.
Ethan passava a mão lentamente por cima do corpo, sem encostar em sua pele. Sua mão descia da cabeça, pescoço, peito e abdômen, mas quando chegou a um ponto um pouco abaixo do umbigo, ele parou e franziu o cenho
– O que foi? – Dean indagou ao perceber a mudança no semblante do garoto.
– Hãn? Não, nada. Parece que você tinha razão Sam. Está limpo – falou sorrindo e Sam retribuiu aliviado.
– Mas você disse que podia demorar duas semanas? – Dean relembrou, não queria que aquilo acabasse, já que era a única coisa que o ligaria, de uma forma bem mais íntima ao seu irmão.
– Ou dois dias, não prestou atenção no que eu disse, não?– disse sorrindo para o loiro que bufou de raiva, fazendo Sam rir e Dean acabou por rir também. Até que ambos se encararam e um silencio incomodo se instalou.
– Eu acho que já está na hora de cair na estrada não é? – Dean perguntou.
– Uhum, já sinto falta de caçar – Sam falou sorrindo ao pensar em ter sua estranha rotina de volta.
– Calma aí dupla dinâmica. O Sam ainda vai ficar aqui por algumas horas até eu ter certeza – Ethan avisou – E vocês já querem me abandonar, tão rápido? – o garoto fez um bico fofo, o que fez os dois irmãos rirem.
Talvez agora as coisas finalmente estivessem entrando em seus eixos.
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