The Forgotten Rose
1 Prólogo - Sonhos Estranhos
Notas iniciais
Meia noite. Era exatamente meia noite quando os homens adentraram na caverna.
Tudo acontecia no escuro e as pedras durante o percurso fizeram alguns devotos do grupo demorarem a encontrar o local marcado. Quando todos chegaram, um silêncio tomou conta do local, exceto pelos ecos de uma pequena goteira ao longe.
Os membros da seita buscavam uns aos outros no escuro e lentamente se organizaram, formando um círculo perfeito. Um deles, visivelmente o mais velho, se dirigiu ao centro da roda, retirou uma vela negra da pequena bolsa que carregava, e cautelosamente a acendeu. Apesar do pouco tamanho da vela, a chama criada era alta, a luz e o calor emanados por ela eram de grande intensidade, fazendo com que os membros do grupo se sentissem um pouco mais confortáveis com a situação. De dentro dos mantos negros usados por eles, cada um retirou sua própria vela, dessa vez elas eram vermelhas. Um a um, foram solenemente até o centro e utilizaram a chama da vela negra para acenderem suas próprias.
Após todos voltarem para seus lugares originais eles se ajeitaram de forma uniforme, se entreolharam esperando por um sinal silencioso, e vagarosamente começaram a entoar um cântico que tomou conta da caverna, as vozes de todos se juntaram em um único tom uníssono, era um som solene, quase sacro, cantado numa língua cujo os homens desconhecem.
O velho então começou um canto próprio, diferente dos demais, calmo e focado ele recitava as palavras quase como um salmo, até que as mesmas foram ganhando força e suprimiram o cântico inicial, enquanto cantavam, todos estavam com os olhos fechados, exceto ele, seus olhos refletiam as chamas, tornando seu olhar um tanto quanto perturbador e penetrante.
Passados alguns minutos, a vela negra começa a derreter, sua cera escura escorre pelo seu corpo de forma lenta e uniforme, formando vagarosamente um círculo de cera líquida, um pequeno buraco negro ao centro da roda, e o velho se posicionou em frente a ele.
Quando o círculo de cera líquida já havia tomado um tamanho considerável, todas as vozes cessaram uniformemente, tornando o local quase silencioso novamente.
O homem ao meio encara firmemente a cera derretida ainda líquida, se abaixa, e vagarosamente começa a desenhar um círculo com giz em volta da poça negra. Em volta do círculo ele adiciona alguns símbolos. Era um círculo de proteção.
Terminado o trabalho, o velho se levanta, ergue as mãos e em alta voz, começa a clamar.
“Ó grande Mephisto, Senhor do quinto portão, o mais novo dos irmãos, atenda a nosso chamado e sacrifício! Venha até nós, que clamamos por sua poderosa presença!”
Como que ensaiado, da entrada da caverna veio caminhando outro ser encapuzado, puxando uma ovelha por uma corda velha e suja, o homem e o animal se locomoviam vagarosamente, de forma solene. Ele então soltou o animal, e no momento em que foi solta, a ovelha passou a caminhar em direção a poça de cera, uma caminhada quase hipnótica.
Ao chegar aos pés do homem ao centro, ela para, como se já esperasse o que iria acontecer.
O velho puxa de dentro do manto uma adaga negra, com símbolos talhados na lâmina, e uma pedra vermelha no punho. Num movimento rápido, ele rasga cuidadosamente o pescoço da oferenda com a lâmina afiada.
O sangue escorreu pelo corpo, até descer, gota por gota, para o círculo negro.
O rosto do homem ao centro esbanjava um sorriso.
Por um momento tudo que se ouvia era o som do sangue gotejando e da goteira ecoando ao longe.
Silenciosamente uma mão branca irrompeu do círculo de cera negra. Era uma mão quase que cadavérica, a única coisa com um pouco de coloração eram as veias de tom azulado que passavam por toda a mão. A mão tateou o ar em busca de alguma ajuda, e prontamente o homem ao centro estendeu o braço e a segurou.
Quando a mão foi puxada pelo velho, o resto do corpo começou a se mostrar. O braço ia aos poucos aparecendo por inteiro, logo após isso a cabeça apareceu, coberta por cabelos pretos, longos, sujos, fracos e opacos. Depois do outro braço aparecer, ele tateou o chão em busca de apoio, e ao firmar a mão no chão frio, ele impulsionou o resto do corpo pra fora da poça.
O corpo caiu no chão de forma estática, e após alguns segundos, começou a tentar se levantar.
“Você sabe que sacrifícios animais não são meus preferidos, não é mesmo Crowley?”
A voz que saiu daquele ser era baixa e sibilante, quase um silvo, mas entrava na alma das pessoas ali presentes, e gelava a espinha de todos.
Mephisto levantou o rosto, permitindo que todos pudessem olhar para ele.
O rosto era branco como mármore, realmente não havia nenhuma cor, exceto pelos olhos, eles eram de um azul cristalino, vibrante e gélido, a atenção de todos os presentes se voltou para aquele olhar penetrante.
“Me desculpe senhor, ultimamente não estamos na nossa melhor fase, nos perdoe.” Disse o velho Crowley, com a voz trêmula.
A risada do demônio ecoou por toda a caverna. Deixando todos com apreensivos.
“Mas você já me trouxe tudo o que eu preciso meu caro amigo, tudo o que eu necessito já está aqui. Na verdade, foi até um pouco mais do que eu precisava!”
E rapidamente atacou o velho, transpassando o peito do mesmo com a mão e deixando todos sem reação. Lentamente, ele foi retirando a mão de dentro do corpo morto de Crowley, segurando seu coração já inerte.
O corpo do homem caiu duro no chão.
Mephisto então começou a morder o coração, de forma lenta, como se saboreasse cada mordida. E a cada pedaço engolido, seu corpo recebia mais vida, seu rosto ficava corado aos poucos e seus músculos começavam a se desenvolver lentamente. Seu corpo aos poucos deixava de ser cadavérico para se tornar perfeitamente definido, sua pele continuava branca, mas de uma forma mais natural. Seus cabelos longos se iluminaram, deixaram de ser opacos e começaram a adquirir uma tonalidade de preto deslumbrante.
Ainda mastigando o resto do coração ele começou a se aproximar do resto das pessoas. A roda que fora formada pelos membros da seita já havia sido desmanchada, agora todos haviam se espalhado pela caverna.
“Sabe qual é o problema de vocês humanos? Vocês acham que são superiores a todos os outros, se acham muito espertos né?”
Mephisto soltou outra gargalhada, e ainda rindo atravessou calmamente o círculo de proteção. O demônio seguiu em direção ao homem mais próximo. Ele andou calmamente, se aproximou o suficiente e atacou o homem violentamente.
Agora se ouviam Gritos por todo lugar
À muitos quilômetros daquela caverna, Peter acordava suando, trêmulo e segurando um grito de susto. Ele levantou-se vagarosamente e olhou para o escuro com medo. Tivera um sonho muito estranho, e a única coisa de que lembrava era de grandes e gélidos olhos azuis.
Era o nono pesadelo que ele tinha em duas semanas.
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