The Fire Inside
6 Through the storm you are not alone
Notas iniciais
- Eu não consigo fazer isso! – Elena disse em um misto de exasperação e choramingo, os lábios torcidos em desgosto.
Ela largou a pequena bola branca de pelos no chão, e o coelho saiu correndo cambaleante em direção às árvores.
Stefan havia levado a mais nova vampira para caçar animais. Sua esperança era que Elena se acostumasse com aquele sangue desde o início e aprendesse a se controlar mais facilmente. A vampira, porém, não gostara nenhum pouco do sangue do coelho. Era amargo, como se estivesse comendo uma salada estragada de alface sem tempero algum. Além disso, ela não suportava a ideia de estar ferindo aquele inocente e frágil animalzinho.
- Vamos tentar com algum animal maior, então. É mais difícil, mas o gosto é melhor e talvez você não se sinta tão culpada. – Stefan tentava aparentar animado para incentivar Elena.
Elena soltou um suspiro frustrado, mas assentiu com a cabeça. Ela fechou os olhos assim como ele a havia ensinado anteriormente e concentrou-se nos sons da floresta. Ouvia vários animais pequenos, correndo frenéticos pelo mato, sentindo a presença dos dois predadores. Além disso, ouvia os inúmeros tipos de pássaros em suas diferentes cantorias. E então, mais afastado, ela pôde ouvir passos mais pesados e um som que lembrava muito alguém mastigando.
Elena abriu os olhos e recebeu um sinal positivo de Stefan, aproximando-se em sua nova velocidade do animal, sem emitir ruído algum. Um cervo pastava lentamente, alheio a tudo que acontecia a sua volta. A imagem do filme infantil Bambi veio rápida à mente de Elena, e ela se esforçou para afastá-la. Ela tinha que dar o melhor de si para aprender a se controlar, e, para isso, deveria deixar de lado essa pena que sentia. Além disso, ela não queria desapontar Stefan, o qual parecia tão esperançoso.
Em um bote certeiro, numa velocidade em que olhos humanos não seriam capazes de vê-la, Elena cravou suas presas no animal. Teve de segurá-lo com toda a sua recém adquirida força, pois o cervo se debatia freneticamente, tentando fugir do predador que o atacava. Elena sugou o máximo de sangue que conseguiu, apesar de o gosto não ser nada convidativo. A sede que causava uma ardência insuportável em sua garganta estava longe de ser saciada por aquele animal.
Quando o cervo estava prestes a desistir de lutar, Elena soltou-o. Não queria matá-lo. O animal cambaleou para longe dela, extremamente fraco e assustado. Ela passou as costas da mão nos lábios, limpando os restos de sangue que ali se encontravam, e olhou ao redor. Não enxergava nem escutava Stefan. Ele devia estar escondido observando-a.
Foi então que outra figura apareceu por detrás das árvores, não muito longe de onde ela estava. Além da pele extremamente branca e dos olhos incrivelmente azuis, todo o resto de seu corpo estava coberto de preto. Damon Salvatore encostou-se numa árvore, as mãos dentro dos bolsos, e encarou Elena com um sorriso torto, arrogante. Graças à visão aguçada da vampira, ele estava mais deslumbrante do que nunca.
- Você tem que admitir que isso não tem gosto de nada.
Elena observou-o por alguns segundos, lembranças da conversa daquela manhã passando por sua mente. Ela precisava muito falar com ele sobre suas recordações, sobre como estava se sentindo com tudo que ele lhe revelara.
Porém, ela foi distraída pelo cheiro inebriante que tomou conta de suas narinas e apagou qualquer outro pensamento de sua mente, fazendo as veias sob seus olhos saltarem. Seu olhar, agora enegrecido, recaiu sobre as mãos de Damon, que abriam uma bolsa de sangue e estendiam-na na direção da garota.
- Você deve estar querendo comida de verdade.
A vampira ficou paralisada onde estava, o cheiro delicioso fazendo a sua garganta ferver de tanta sede e trazendo lembranças do sangue daquela garota em sua língua. Ela deu um passo na direção de Damon, ansiando por sentir aquele gosto maravilhoso novamente, mas uma terceira voz a fez parar.
- O que você está fazendo, Damon? — Stefan perguntou exasperado, aparecendo por entre as árvores à direita de Elena.
- Ajudando-a a matar a sede, irmãozinho. – Damon respondeu com desdém na voz e no sorriso que exibia.
- Ela precisa aprender a se controlar, precisa se acostumar com o sangue de animais. Respeite pelo menos uma escolha dela, Damon! – mal Stefan, extremamente irritado, terminou de falar e o mais velho soltou uma risada de deboche.
- Escolha, Stefan? Só seria uma escolha verdadeira se ela conhecesse as suas opções e não tivesse sido influenciada por você. Não é você que sempre opta por seguir as escolhas de Elena? Então deixe-a escolher de fato. – ele tornou a observar a garota, estendendo a bolsa de sangue na direção dela.
Elena estava totalmente alheia à conversa dos irmãos. O sangue era tudo que ela enxergava, tudo no que ela conseguia pensar, e a ardência em sua garganta não ajudava em nada. Naquele instante, ela compreendia os Salvatore, compreendia as loucuras que eles já haviam feito e que ela havia repudiado. Elena não sabia se algum dia conseguiria lutar com aquela obsessão que tomava conta dela.
Ela deu um passo à frente e foi encorajada por um sinal positivo de Damon. Em um segundo, então, ela já estava parada em frente a ele e já havia tomado das mãos dele a bolsa de sangue. Ao sugar com toda a vontade que possuía, Elena sentiu-se extasiada pelo gosto indescritível, todos os outros sentidos nebulosos. Só o que existia no mundo era ela e aquele mais novo vício: o sangue.
Em algum lugar à direita dela, Stefan soltou um suspiro derrotado. Ele pensara que poderia acostumá-la a se alimentar apenas de animais, mas estava apenas enganando a si próprio. Nem mesmo ele, ao longo de mais de um século, conseguira se acostumar a isso, tendo que se render às bolsas de sangue.
Em menos de meio minuto, Elena sugou até a última gota de sangue. Ao terminar, deixou a bolsa vazia cair no chão. Lentamente, a expressão dela foi retornando ao normal, deixando para trás os traços de vampiro. Ao retomar a consciência total e perceber como sua face e suas roupas estavam sujas de sangue, Elena sentiu-se envergonhada e corou violentamente.
Foi Damon quem quebrou o silêncio constrangedor que se formou.
- Acho que já sabemos qual foi a escolha, irmãozinho. – o tom estava cheio de superioridade, e Stefan permaneceu em silêncio, aparentemente frustrado.
Elena observou-o com tristeza, sentindo-se culpada. Ela o havia decepcionado. Ela andou lentamente na direção dele até estar parada à sua frente e passou os dedos pelo rosto de Stefan.
- Sinto muito por lhe decepcionar... – ela murmurou com tristeza, e ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas ela o interrompeu. – Mais tarde nós falamos sobre isso. Agora eu preciso conversar com Damon. Você sabe... Sobre tudo. – Stefan concordou com a cabeça, ainda com uma expressão chateada, e beijou-a de leve.
- Boa sorte. – ele apenas moveu os lábios para ela, de forma que Damon não pudesse ouvir, e então sumiu entre as árvores.
Elena havia omitido de Stefan a conversa que tivera com o irmão dele naquela manhã, assim como as suas recordações. Ela não sabia exatamente o motivo pelo qual o fizera, mas algo em seu interior, bem no fundo, dizia-lhe que era porque aquelas coisas pertenciam a ela e a Damon, e ela não gostaria de compartilhar.
- Acho que eu lhe devo desculpas. – ela disse assim que deixou de ouvir os ruídos da movimentação de Stefan pela floresta. Virou-se lentamente para Damon, que continuava apoiado na mesma árvore, sem encará-la. Como ele não falou nada, ela resolveu continuar. – Quer dizer... Eu ainda não estou feliz com o fato de você ter me obrigado a me transformar e não ter respeitado a minha decisão. Foi egoísta sim. Mas... – ela fez uma pequena pausa, medindo suas palavras. – Não é como se você tenha sido sempre egoísta.
- Você se lembrou. – Damon disse simplesmente. Era uma afirmação, não uma pergunta.
- Por que você não me contou antes? – ela perguntou após algum tempo em que os dois permaneceram em silêncio, cada um perdido em seus pensamentos. – As coisas poderiam ter sido diferentes se eu soubesse que nós nos conhecemos antes e...
- Nada teria mudado, Elena. – ele cortou-a antes que ela pudesse terminar. Sua expressão estava vazia, e Elena começava a ficar irritada por não conseguir decifrá-lo.
- Como você pode ter certeza? – ela indagou com irritação aparente na voz, seu humor agora se transformando de formas tão rápidas que ela não era capaz de acompanhar. Damon deu de ombros.
- Eu era diferente naquela época. Tenho certeza que você se lembra. – várias lembranças passaram-se em frente aos olhos da vampira, lembranças de um tempo que parecia extremamente distante.
Elena deu-se por satisfeita com a resposta e seu humor rapidamente se transformou novamente. Ela precisaria de tempo para se acostumar com isso. Mais um período de silêncio se instalou entre os dois.
- Obrigada. – ela murmurou indicando a bolsa vazia de sangue. – Eu estava realmente precisando. – Damon abriu um pequeno sorriso, a expressão agora mais leve.
- Há mais de onde essa veio. Você sabe onde encontrá-las.
- Vou precisar de ajuda com tudo isso... – ela murmurou após alguns segundos de reflexão, mais para si mesma do que para ele.
- Você sabe onde encontrar isso também. – Elena sorriu com a resposta dele. – Acho que agora você tem alguns amigos para encontrar, não? – agora foi Damon quem sorriu com a expressão surpresa de Elena. A vampira havia esquecido completamente do fato de que todos seus amigos e até mesmo seu irmão ainda achavam que ela seguira sua decisão e estava agora morta.
Quando, porém, ela abriu a boca para falar, percebeu que Damon sumira em frente aos seus olhos, sem dizer nada e levando consigo a bolsa de sangue vazia. Ela balançou a cabeça, atordoada, e tomou a direção de sua casa.
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Sentada nos degraus da varanda da casa dos Gilbert, Elena tinha o rosto afundado nas mãos. Por entre seus cabelos bagunçados podia-se ouvir um choro descontrolado, e, quem prestasse bastante atenção, poderia notar que soluços sacudiam levemente o corpo da garota. Quando Jeremy chegou, acompanhado de Stefan, ele pegou a irmã nos braços e abraçou-a com força, tentando reconfortá-la. Stefan ficou a certa distância, não querendo interferir no momento dos irmãos.
Quando Elena ligara, Stefan ficara extremamente assustado. Mal conseguia entender as palavras dela por entre os soluços descontrolados, e logo imaginou os piores cenários, que sempre envolviam cadáveres e Damon. Foi só depois de muito esforço que ele entendeu qual era o problema, o que o aliviou bastante, apesar de deixá-lo triste.
Elena fora para lá trocar suas roupas sujas de sangue para depois poder encontrar os amigos. O problema, porém, era que ela não conseguira entrar na própria casa. Foi quando a consciência do que ela era agora tomou conta de Elena: ela era uma vampira, um monstro que só poderia entrar se fosse convidado pelo morador desavisado. Ela sentiu-se uma estranha no próprio corpo, sentiu como se tivesse perdido uma parte de si.
Ela precisou de muito tempo nos braços de Jeremy para se recompor. Só então foi que ele a convidou para entrar e ela finalmente ficou livre para ir e vir quando quisesse em sua própria casa. Após tomar um bom banho e tirar aquelas roupas sujas de sangue, Elena sentia-se um pouco melhor. Stefan decidiu deixá-la sozinha com Jeremy, de forma que ela pudesse contar ao irmão tudo que acontecera nas últimas horas. Ele também a atualizou quanto às notícias de Mystic Falls: Klaus estava vivo, graças a um feitiço de Bonnie, e o mesmo se aplicava a Tyler. As bruxas do outro lado, no entanto, não estavam muito felizes com ela, e Bonnie estava sem poder praticar magia. Elena decidiu, então, que estava mais do que na hora de encontrar as amigas.
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- Nós temos que brindar! – Caroline exclamou já visivelmente alterada. – Eu achei que havia perdido Tyler e Elena e em poucas horas eu tenho os dois de volta! – e então ela acrescentou assim que ouviu o suspiro da amiga bruxa. — Não fique assim, Bonnie... Essa birrinha das bruxas vai passar e tudo vai voltar ao normal. Vamos, vamos! – ela exclamou novamente e ergueu seu copo de chopp, esperando a resposta das amigas.
Elena e Bonnie se entreolharam, e a última deu de ombros após alguns segundos, erguendo seu copo e atendendo ao desejo da amiga. As três brindaram sentadas em uma mesa do Mystic Grill. Bonnie estava visivelmente chateada com o seu problema com suas ancestrais e, mesmo não admitindo, Elena sabia, com tristeza, que a amiga não estava nada feliz com a sua transformação. Não era como se a própria Elena estivesse feliz com isso.
Ela observou Caroline beber em um gole só toda a sua caneca de chopp e erguer o braço para chamar Matt.
- Matt, traz mais três! – ela gritou empolgada, mesmo o amigo estando bem próximo.
- Caroline... Você tem certeza? – ele perguntou hesitante, recebendo um olhar gélido da loira e se calando. Bonnie lançou um olhar repreensivo para a vampira, que ignorou totalmente. Matt então deu de ombros e virou-se para ir buscar as bebidas, tudo isso sem nem encarar Elena.
Elena, porém, levou a mão até o braço dele, não querendo deixá-lo ir. No entanto, ela não estava ainda acostumada com a sua força descomunal, e o puxão inesperado quase derrubou Matt de costas no chão.
- Ai, desculpa! – ela exclamou envergonhada, levando as mãos à boca. Matt se endireitou, recuperando o equilíbrio, e, olhando para ela pela primeira vez desde que a vampira chegara, sua expressão exibia culpa. – Será que nós podemos conversar?
- Ahn... o Grill está bem cheio, não posso parar agora e... – ele gaguejava, mas parou de falar ao encarar Elena, que implorava com os olhos. Ele deu um suspiro derrotado e deu de ombros. – Claro, vamos lá atrás.
Matt foi na frente, mostrando o caminho, e levou Elena até um corredor escuro que possuía duas portas: uma dava para a cozinha e a outra para os fundos do bar, e foi essa última que ele abriu. Quando a porta se fechou, Elena suspirou agradecida; o barulho lá dentro estava deixando-a completamente zonza. Ela parou na frente do amigo, que continuou olhando para baixo.
- Matt, eu pude perceber que você tem me evitado. E eu sei porque você está fazendo isso, mas você não precisa. Você não precisa se sentir culpado pelo que aconteceu comigo! – ela segurou a mão dele, só continuando quando ele finalmente ergueu os olhos e a encarou. – Foi uma fatalidade, a culpa nunca foi sua. Se eu insisti para que Stefan salvasse você primeiro, foi por escolha própria. Eu sabia o que poderia acontecer comigo, mas eu não aguentaria a ideia de sobreviver se você não o fizesse também! – qualquer um poderia perceber a sinceridade que jorrava de cada palavra de Elena.
Matt encarou-a por alguns segundos em silêncio e então abraçou-a com força. Ela sorriu de leve, encostando o rosto no ombro do amigo e fechando os olhos. O cheiro dele, que sempre fora ótimo, estava ainda mais agradável agora.
Logo os dois entraram novamente no Mystic Grill e, enquanto Elena voltava à sua mesa com as garotas, Matt voltou para a cozinha. Quando ele abriu a porta, porém, aquele cheiro que a levava ao êxtase invadiu novamente as narinas de Elena. Ela paralisou onde estava, ali no meio daquele corredor, todos os outros sentidos ficando num segundo plano. Só o que importava era o sangue, que ela não sabia de onde vinha e tampouco lhe importava.
Elena sentiu seu rosto se transformando, as presas surgindo sob seus lábios e suas veias ficando avermelhadas sob seus olhos. Ela pôde ouvir Matt falando do lado de dentro da porta agora fechada:
- Oh, Dave! Como você fez isso?
- Ah, estava cortando a carne e me distraí... – respondeu uma segundo voz meio chorosa.
- Acho melhor levar você para fazer uns pontos, cara. – Matt falou novamente, e Elena ouviu passos cada vez mais perto da porta, o cheiro se aproximando ainda mais.
Sua garganta ardia novamente, como se ela não se alimentasse há dias.
- Caroline... Socorro! – foi só o que Elena conseguiu falar, implorando e ocupando o resto de consciência que ainda possuía e torcendo para que a amiga bêbada ouvisse lá do outro lado do Grill.
Foi então que a porta da cozinha se abriu e Matt apareceu junto com o outro garçom, Dave, cujo dedo estava enrolado num pano coberto de sangue. Perdendo de vez sua sanidade, Elena atirou-se na direção dos dois garotos, empurrando Matt com uma mão e fazendo-o cair no chão. Com outro movimento rápido ela arrancou o pano da mão de Dave e cravou suas presas no dedo do garoto, sugando o sangue que jorrava.
No mesmo instante em que ele começou a gritar, Caroline apareceu e puxou Elena pela blusa, arrancando-a de perto do garoto.
- Matt, segura ele! – ela gritou na direção do amigo que se levantava, e prensou Elena contra a parede do Grill, utilizando toda a sua força para conter a novata que se debatia e não tirava os olhos do garoto que sangrava. – Elena! Elena, sou eu, Caroline! Eu sei como é isso, sei como é a sede, sei como é difícil. Mas você precisa se concentrar, precisa pensar em outra coisa. Eu estou aqui também, estou louca para beber daquele sangue, mas eu aprendi a me controlar. Você é forte, sei que você consegue se controlar também. – a garota continuava se debatendo nos braços de Caroline, suas presas à mostra e cobertas de sangue, o olhar fixo no sangue que escorria, parecendo totalmente alheia às palavras da amiga. — Elena, você não pode machucar ninguém, você não suportaria. Você tem que se controlar!
Nesse instante, porém, entrou no estreito corredor em que estavam Damon Salvatore, com uma expressão obstinada e passos apressados. Ele segurou Elena pelos braços, sem parecer fazer muito esforço, e olhou para Caroline com uma expressão compenetrada, séria, antes de levar a novata para fora do bar pela porta dos fundos.
- Apague a memória dele e depois ajude Matt a levá-lo ao hospital. Certifique-se de que ninguém mais viu o que aconteceu aqui.
Então ele saiu do Grill com Elena, a qual ainda estava enlouquecida pelo cheiro do sangue. Ele puxou-a até o lado oposto do pequeno quintal cheio de sacos de lixo, apertando-a contra a grade e segurando o rosto dela com força, obrigando-a a encará-lo.
- Você precisa se controlar. Você vai encontrar situações como essa todos os dias, e você não pode atacar as pessoas assim. Você é melhor do que isso, Elena! Você é determinada, você é generosa, você é altruísta. Você não machuca os outros!
A garota, que antes se debatia, agora ouvia atentamente às palavras de Damon, que segurava o rosto dela extremamente próximo do seu. Após alguns segundos encarando aqueles olhos incrivelmente azuis, a expressão de Elena começou a retornar ao normal, assim como a sua consciência. O estado de êxtase em que se encontrava deu lugar, naquele ritmo frenético em que o seu humor mudava, para a culpa e a desolação.
Os olhos castanhos rapidamente encheram-se de lágrimas e os soluços logo começaram a fazê-la tremer. Damon segurou-a nos braços, limpando delicadamente o sangue que sujava o lábio inferior da garota e deixou-a chorar no seu ombro.
- Eu não vou conseguir, Damon... – ela choramingou de forma entrecortada pelos soluços, a voz abafada por estar com o rosto escondido no pescoço do vampiro.
- Você vai, Elena. Olhe pra mim. – após alguns segundos, Elena levantou o rosto inchado pelo choro e olhou para Damon. Ela possuía uma tristeza infinita no olhar, e ele acariciou a bochecha dela. – Você é forte, Elena. E você não está sozinha. Eu não vou mais deixar você sozinha, entendeu? Não vou. – o tom dele possuía uma determinação incontestável, e Elena confiou naquelas palavras, concordando lentamente com a cabeça enquanto ele secava uma lágrima que escorria pela bochecha dela.
- Eu quero ir para casa... – ela murmurou para ele, fechando os olhos sob o toque dos dedos dele em seu rosto.
Damon segurou-a pela cintura enquanto ela se apoiava nos ombros dele e a levou pelos fundos até o seu carro, estacionado não muito longe dali. Assim que eles pararam em frente à casa de Elena, ele ajudou-a a sair do veículo e a subir todas as escadas até o quarto dela. Ela se deitou de roupa mesmo e ele cobriu-a com o lençol, apagando a luz e sentando-se do lado dela.
- Obrigada... – ela murmurou de forma quase inaudível mesmo para os ouvidos aguçados de Damon.
Ele sorriu, mas Elena já havia fechado os olhos. Apesar da escuridão, a fraca luz que entrava pela cortina fechada já era suficiente para que Damon pudesse observá-la. Ele acariciou os cabelos dela por vários minutos, até mesmo após perceber, pela respiração, que ela já estava dormindo. Ele nunca cansaria de admirá-la em toda a sua beleza e delicadeza, que ultrapassavam de longe as do seu antigo amor, Katherine. Ele deu um leve sorriso novamente, perdido em pensamentos.
Ele só levantou quando ouviu ruídos no andar inferior. Desceu as escadas atento e encontrou seu irmão na cozinha, procurando por Elena.
- Elena está aqui? Procurei-a no Grill e... – Stefan perguntou preocupado e em voz alta assim que avistou o irmão.
- Shhh. Ela está dormindo. – Damon repreendeu o outro, levando os dedos aos lábios.
- Caroline me ligou dizendo que Elena tentara atacar alguém no Mystic Grill, mas ela estava nervosa e eu não entendi direito e... – Stefan atropelava as palavras, ansioso e preocupado.
- Eu consegui evitar que ela machucasse mais o garoto. Ele se cortou na cozinha e Elena perdeu o controle. Caroline deu um jeito nele. Está tudo bem agora, mas Elena está arrasada, com medo de machucar mais alguém. Consegui colocá-la para dormir. – Damon respondeu com simplicidade, sem emoção, dando as costas para o irmão e se direcionando para a porta da casa. Ainda de costas, porém, ele falou em um tom repreensivo, antes de sair. – Acho que você não tem mais nada para fazer aqui agora, irmãozinho.
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A noite ainda estava extremamente escura quando Elena abriu lentamente os olhos, e ela imaginou que deveria ser o auge da madrugada. Não se importou o suficiente, no entanto, para olhar no relógio e descobrir. Ela abraçou um dos seus travesseiros e virou-se para o outro lado, tentando voltar a dormir. Quando o fez, porém, levou um susto que a fez sentar na cama e esticar a mão até o abajur. A luz se acendeu e, no entanto, não havia mais ninguém no quarto. Ela tinha certeza que vira alguém sentado na janela, alguém que possuía olhos tão brilhantes que reluziam no escuro.
Elena esfregou os próprios olhos e deduziu que estava sonolenta demais para ter certeza de qualquer coisa. Ela apagou novamente a luz do abajur e fechou os olhos, pronta para voltar a dormir. Do lado de fora da casa, Damon Salvatore mostrava-se um homem de palavra. Ele não a deixaria sozinha.
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