The Fire Inside

7 Like a rollercoaster


Notas iniciais
Olá, lindas! Sinto muito pela demora pra postar, mas eu meio que tranquei nesse capítulo, e também era meu aniversário esses dias e eu me ocupei bastante. Ah, aceito vários reviews como presente atrasado, ok? E quem sabe uma recomendação? ;) E para compensar vocês pela demora, podem ver que o capítulo está maiorzinho. Enfim, vamos à leitura!

Já fazia uma semana que Elena havia deixado para trás sua vida de humana. Ela ainda lutava para aprender a se controlar, e, com medo de algum outro deslize como aquele no Mystic Grill, Elena decidiu ficar em casa o máximo do tempo possível. Durante aquela semana, só saíra para visitar Caroline e Bonnie. Damon e Stefan estavam abastecendo-a com bastante sangue, de forma que ela não precisasse buscar e estivesse sempre bem alimentada, o que diminuía o risco de ela atacar alguém.

Stefan passara aqueles dias insistindo para que ela voltasse à escola. Elena achava um tanto desnecessário, agora que a eternidade se estendia à sua frente. Ninguém mais se importaria com um diploma do ensino médio, e ela nem sequer possuía um responsável na família para cobrá-la. No entanto, bem no fundo, o que a incomodava era o medo de não conseguir se controlar naquele ambiente cheio de artérias pulsantes.

Depois de todos esses dias e após prometerem que não sairiam do lado dela, Stefan e Caroline haviam conseguido, finalmente, convencê-la. Elena faria uma tentativa, mas ainda estava apreensiva. Quando a buzina do carro de Stefan soou do lado de fora da casa, ela sugou rapidamente o resto de sangue da bolsa e jogou-a no lixo, limpando o rosto antes de sair.

Stefan estava sentado no seu carro conversível, os olhos cobertos por um belo par de óculos escuros. Ao observá-lo, Elena achou-o extremamente charmoso, e seu humor rapidamente se transformou: quando ela sentou no carro ao lado dele, não simplesmente retribuiu o leve beijo que Stefan lhe deu, como agarrou-se aos cabelos dele e tentou aprofundá-lo. Nos últimos dias ela vinha sentindo desejos ardentes como nunca em toda sua vida. Eles vinham rápidos, inesperados, e tomavam conta de todo o seu ser, de forma que ela não conseguia controlá-los. Ela já pegara Stefan de surpresa inúmeras vezes, o que os rendera horas muito divertidas; no entanto, aquela foi a primeira em que ele não retribuiu.

Elena abriu os olhos e observou-o um tanto boquiaberta enquanto ele se afastava dela lentamente. Ele passou os dedos pelo rosto dela, tentando se desculpar.

– Vamos nos atrasar para a escola, Elena. – o seu tom também era suave, conciliador.

Ela virou-se para frente, irritada por ser contrariada, e ele deu partida no carro. No caminho até lá, ele a atualizou sobre todas as fofocas do colégio, e ela tinha certeza que ali havia uma pontada de Caroline. Nada a interessou, e ela, emburrada, permaneceu respondendo-o de forma monossilábica.

Quando eles chegaram, Stefan estacionou o carro e virou-se para ela antes de abrir a própria porta.

– Eu vou estar com você, ok? Não fique nervosa e tudo vai dar certo. – ele deu-lhe um beijo nos lábios e rapidamente saiu do carro, contornando-o e abrindo a porta para Elena.

Tudo parecia normal no seu colégio. As mesmas pessoas, ocupando os mesmos lugares, falando sobre os mesmos assuntos. Nada a interessava, e o burburinho das centenas de adolescentes pelos corredores estava deixando-a zonza. Stefan já havia assegurado a Elena que ela iria se acostumar com aquela audição excessiva, mas, por enquanto, muitas vezes ela desejava poder desligar os sons ao seu redor.

Caroline veio praticamente correndo na direção da amiga ao enxergá-la. Assim que a abraçou forte, a loira entregou um papel na mão de Elena, um sorriso tomando conta de seu rosto. Elena abaixou os olhos e leu rapidamente a propaganda da festa de Halloween que a amiga estava planejando para a noite seguinte.

– Dessa vez, fora da escola, onde possamos ter bebida de verdade! – a loira anunciou alegre, quase saltitando enquanto segurava uma pilha de outros papéis. – Sério, Elena, vai estar demais, você não pode faltar!

Elena não se sentia, nos últimos dias, nenhum pouco a fim de comemorar o que quer que seja, mas, por consideração à amiga, forçou um sorriso e confirmou com a cabeça.

– E eu tenho escolha? Você não me deixaria faltar. – Caroline deu uma risadinha assim que Elena terminou, longe de se sentir constrangida.

– Acho bom você começar a olhar uma fantasia! – e então a loira saiu rapidamente de perto dos amigos, indo entregar o resto dos papéis.

Elena virou-se para Stefan e revirou os olhos, arrancando uma risada fraca dele.

– Pense pelo lado bom, Elena: já temos com o que nos ocupar hoje à tarde.

Quando ela foi abrir a boca para reclamar, seu olhar fixou-se num ponto atrás de Stefan, e todo o seu corpo ficou tenso, os músculos enrijecidos. Uma espécie de rosnado escapou dos lábios contraídos de Elena, tão baixo que só Stefan poderia ter sido capaz de ouvir. Ele chegou mais perto dela, preocupado em controlá-la, enquanto as veias começavam a saltar sob seus olhos. Tentando de tudo para escondê-la das pessoas ao redor, Stefan olhou por cima de seu ombro e descobriu o porquê daquela mudança de humor de Elena.

Ela encarava o motivo de todas as provações que vinha enfrentando, de toda a desgraça que se abatera sobre ela nos últimos dias. Rebekah aparecera no final do corredor em que estavam, praticamente deslizando sobre o piso, seus cabelos loiros esvoaçantes e um sorriso confiante no rosto. No entanto, ao encontrar o olhar furioso de Elena, sua expressão tornou-se surpresa por uma fração de segundo, rápido o suficiente para que só Stefan e Elena fossem capazes de perceber. Depois disso, um sorriso debochado e com ares de superioridade tomou conta da vampira loira, que abanou na direção dos dois antes de parar para conversar com alguns garotos do time de futebol.

Rebekah colocara-se em frente ao carro de Matt, no meio da estrada, em função da suposta morte de seu irmão, Klaus, e causara o acidente que levou Elena à morte. É claro que a vampira Original ficara sabendo da sobrevivência de Elena, o que a deixara bastante desapontada, mas ela estava longe de saber sobre a recém adquirida imortalidade da garota.

Stefan colocou-se em frente à Elena, impedindo-a de enxergar Rebekah, e segurou-a pelos braços. A garota olhou para ele ainda com seus olhos avermelhados e suas veias saltadas, uma expressão de fúria tomando conta de seu rosto.

– Elena, controle-se! – ele murmurou agitado. – Você está assumindo a sua forma de vampira, não podemos arriscar que alguém a veja assim. Respire fundo, Elena!

Caroline, que estava parada a alguns metros de distância, conversando com um grupo de pessoas sobre sua festa, ouviu a conversa, apesar de Stefan estar falando baixo, e veio apressada na direção da amiga. Ela parou ao lado dela, tentando encobrir a visão que os outros poderiam ter de seu rosto, e tocou-lhe o ombro de leve.

– Sei que você consegue se controlar, Elena. Não adianta tentar atacar Rebekah ou algo do tipo. Ela é muito mais velha e muito mais poderosa do que qualquer um de nós. – Elena virou-se para a amiga, a expressão suavizando-se um pouco. Então Caroline diminuiu ainda mais o tom de voz, de forma que Rebekah não pudesse escutar. – Vamos destruí-la socialmente, Elena! Você sabe como ela é louca por ser popular, por ser a rainha da escola. Vamos tirar isso dela! – Caroline falava com determinação, e lentamente Elena foi voltando ao seu normal, o que arrancou um sorriso da loira.

Stefan suspirou aliviado, olhando agradecido para Caroline. Ela pegou a mão da amiga e começou a puxá-la em direção à sala de aula, falando sem parar sobre como elas já poderiam começar na festa da noite seguinte. Stefan seguiu-as e observou que, durante toda a aula, as duas trocaram mensagens pelo celular, provavelmente bolando algum plano contra Rebekah.

Ele não controlou uma risadinha, sentindo-se em um daqueles filmes ruins cheios de adolescentes tentando destruir a vida social uma da outra.

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Elena deslizou os dedos pelas dezenas de fantasias penduradas, sem muita animação para escolher uma. Por que ela se fantasiaria para uma festa de Halloween se ela própria já era um monstro?

Stefan acordou-a de seus pensamentos quando abriu a cortina do provador. Ela virou-se para ele e não conteve uma risadinha ao vê-lo naquela roupa de zumbi. Ele tinha a camisa e a calça rasgadas, cobertas por manchas vermelhas que imitavam sangue.

– Com um pouco de maquiagem vai ficar melhor ainda! – Stefan disse animado, observando a si mesmo no espelho. – Já escolheu a sua?

Elena olhou para as fantasias penduradas sem prestar muita atenção, escolhendo aquela na qual a sua mão havia pousado aleatoriamente. Ela ergueu o cabide para Stefan, arrancando dele um sorrisinho malicioso.

– Diabinha, Elena? – ela deu de ombros.

– Achei que vampira seria muita falta de criatividade. — ela forçou um sorrisinho de volta, tentando fingir algum bom humor, e entrou no provador ao lado rapidamente.

Algum tempo depois, ela abriu a cortina meio indecisa. Stefan já estava vestido normalmente e um sorriso corrompido se formou em seus lábios ao observar a garota de cima a baixo.

– Não poderia ter escolhido melhor. – ele murmurou com malícia ao se aproximar dela, as mãos envolvendo a cintura de Elena enquanto ele a pressionava contra a parede do provador. Quando os lábios dele tentaram alcançar os dela, Elena desviou o rosto e afastou-o um pouco.

– “Vamos nos atrasar para a escola, Elena.” – ela disse em uma perfeita imitação da voz de Stefan, logo abrindo um sorriso vingativo. Ele, no entanto, assumiu uma expressão emburrada, certamente igual a que ela fizera naquela manhã. Elena não se conteve e riu, logo depois empurrando-o para fora do provador para poder tirar aquela fantasia.

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Elena jogou fora a oitava bolsa de sangue que esvaziou e apoiou as duas mãos no balcão da cozinha, tamborilando os dedos insistentemente e olhando ao redor. Soltou um suspiro e então foi até a sala, procurando uma garrafa de uísque do antigo bar de seu pai. Sem nem mesmo pegar um copo, Elena levou-a à boca, tomando um gole generoso e sentindo o líquido queimar a sua garganta. Ela atirou-se no sofá em seguida, ainda com a garrafa na mão, e ficou encarando o teto.

Ela estava extremamente nervosa com a ideia de ir a uma festa cheia de adolescentes, apesar de Stefan ter tentado tranquilizá-la. Não estava ainda segura de sua capacidade de se controlar, e tinha medo de que alguém acabasse se machucando e o cheiro de sangue a enlouquecesse. Por sorte, a festa era em um local aberto, próximo à floresta, para a qual ela poderia fugir caso algo desse errado.

Elena tomou outro longo gole de uísque e então voltou a guardar a garrafa ao ouvir os passos de Jeremy na escada. Ele logo apareceu na sala, vestido de super-homem, e Elena soltou uma risadinha.

– Vai salvar muitas garotinhas hoje? – ela provocou-o e recebeu uma careta como resposta.

Nesse instante, ela ouviu um carro se aproximando e parando em frente à casa deles.

– Stefan chegou. – ela anunciou, recebendo um olhar surpreso de Jeremy, que nada ouvira.

Os dois saíram pela porta e Elena trancou a casa. Enquanto o fazia, abriu um sorriso irônico, pensando que aqueles que realmente poderiam fazer mal aos dois não seriam impedidos por uma porta chaveada.

Ao entrar no carro, Elena abriu um sorrisinho ao ver Stefan com aquela fantasia de zumbi e com o rosto marcado pelas olheiras e cicatrizes falsas. Ele deu um sorriso de canto para Elena, apreciando-a naquela fantasia de diaba, e cumprimentou Jeremy em seguida.

Depois de alguns segundos, preenchidos apenas pela música animada que saía do rádio, Stefan quebrou o silêncio.

– Você está nervosa. – aquilo era uma afirmação, não uma pergunta.

– É claro que eu estou nervosa. – Elena retrucou com um súbito mau humor. No entanto, assim que pronunciou as palavras, percebeu como havia sido dura com Stefan e continuou a falar, agora em um tom conciliador. – Mas vai ficar tudo bem, você vai estar lá comigo. – ele sorriu de leve e permaneceu mais alguns segundos em silêncio.

– Você andou bebendo para se controlar. – ele afirmou novamente, agora com uma expressão divertida. – Senti o cheiro de uísque assim que entrou no carro.

Elena deu de ombros e soltou uma risadinha, agora mais bem humorada.

– Aprendi com os melhores, não é?

Não demorou muito para que os três chegassem à festa de Halloween. Stefan estacionou em frente a um parque municipal que ficava próximo a um lago e a uma floresta, mais afastado da cidade de Mystic Falls. Logo de cara, Elena podia ver o toque de Caroline em todos os detalhes. A entrada estava cheia de decorações de Halloween, com abóboras sorridentes por todos os lados. A luz era fraca e formava um caminho que conduzia até a parte do parque onde a festa estava acontecendo. Mesmo dali, a música já era bastante audível.

Após seguirem o caminho por alguns minutos, eles chegaram numa clareira já cheia de pessoas fantasiadas. Ela estava toda decorada também, e a iluminação não era muito mais forte ali, deixando tudo num clima sinistro. A música, porém, era animada, e todos já dançavam e bebiam descontroladamente.

Ao vê-los, Caroline veio correndo em sua direção, extremamente empolgada. Ela estava fantasiada de Deusa grega, e estava deslumbrante.

– Você está de matar, Elena! – ela gritou assim que parou em frente à amiga, segurando a mão da morena e fazendo-a dar uma voltinha. – Achei que vocês não iam chegar nunca! Lá é o bar e lá é onde vocês podem votar para escolher as melhores fantasias da noite! – ela ia apontando enquanto falava. – Você tem chance, viu Stefan? A sua está ótima! – e então Caroline ouviu alguém chamá-la e afastou-se, abanando para os amigos.

Logo Jeremy encontrou alguns amigos, e, enquanto Stefan ia buscar bebida para os dois, Elena ficou a procurar por algum conhecido, rindo de algumas fantasias ao mesmo tempo.

Então, ela se sobressaltou ao ouvir uma voz rouca sussurrar ao pé do seu ouvido, uma voz cujo dono ela sequer ouvira se aproximar e cujo tom a deixara completamente arrepiada.

– Estou pronto para ir para o inferno com você, Elena.

Ela não precisou virar-se para saber a quem a voz pertencia, mas ao fazê-lo, encontrou aquelas íris incrivelmente azuis que, naquele momento, possuíam um brilho diferente. Os lábios de Damon Salvatore estavam torcidos em um sorriso carregado de malícia enquanto ele encarava Elena dos pés à cabeça.

Ela estava realmente estonteante naquele tomara que caia vermelho e colado, que favorecia todos os seus pontos fortes. Ela usava também longas luvas vermelhas e uma tiara com duas guampinhas sobre os cabelos castanhos, aos quais ela havia dado mais volume, deixando-os ondulados. Para finalizar, um batom vermelho vivo nos lábios.

Elena corou com a expressão que Damon mantinha ao encará-la, bastante envergonhada. Ela precisou de alguns segundos para conseguir respondê-lo devidamente.

– Acho que nem para o inferno você merece ir, querido. – o tom dela era irônico, mas arrancou do mais velho dos Salvatore uma alta risada. Depois de alguns segundos, ele ficou sério. Só então que Elena percebeu que ele não vestia fantasia alguma, usando o seu típico conjunto preto: jaqueta, camisa, calça e sapato.

– Posso saber o que você está fazendo sozinha? Stefan não deveria deixá-la nem por um segundo.

– Eu não preciso de babá, Damon. – ela respondeu um tanto emburrada, cruzando os braços como uma criança e, logo em seguida, rindo de si próxima. – Ah, e você deveria estar de fantasia! – ela exclamou com indignação.

– Eu estou. Sou um vampiro. – ele abriu um sorrisinho e Elena revirou os olhos para ele, fazendo uma careta.

Antes que eles dissessem qualquer outra coisa, Rebekah apareceu do meio do nada e parou atrás de Elena. Ela vestia uma fantasia de coelhinha e tinha uma expressão irritantemente superior.

– Oh, não é que a doce Elena é agora uma de nós? – a voz cheia de sotaque estava também carregada de sarcasmo, e Elena respirou fundo antes de se virar para a loira. Damon deu um passo à frente, pronto para segurá-la caso as coisas saíssem de controle, mas ele próprio estava tenso de raiva. Era tudo culpa daquela loira insuportável, mas, a menos que tivesse uma adaga ou uma estaca de carvalho branco, nada poderia fazer para se vingar dela.

– Aposto como seu irmão deve estar feliz com você por acabar com a bolsa de sangue dele. – Elena abriu um sorriso irônico, o tom falsamente amigável.

– E eu sinto muito por tirar de você o seu futuro, querida. – Rebekah respondeu com um arrependimento totalmente fingido, o rosto todo demonstrando deboche, os lábios curvados em um sorrisinho.

Elena sentiu a fúria tomando conta dela, seu corpo tenso, suas presas começando a crescer. Antes, porém, que ela perdesse o controle, ela sentiu uma mão em seu braço, e o toque, ao mesmo tempo firme e delicado, fez com que ela voltasse a si mesma.

Rebekah, que assistiu tudo, deu uma risada debochada e, abanando, afastou-se dos dois, perdendo-se em meio à multidão.

Elena virou-se para Damon, o dono do toque que a mantivera controlada, e soltou uma espécie de grunhido.

– Eu odeio essa vadia. – ela falou com um tom grave, totalmente irritada.

Damon deu uma risadinha, achando graça do jeito de Elena, e depois confirmou com a cabeça.

– Todos odeiam, Elena.

Naquele instante, Stefan apareceu com dois copos na mão. Damon observou-o com uma sobrancelha erguida e riu descaradamente da fantasia do irmão antes de se afastar dali, buscando algo para se divertir um pouco.

Algumas horas e vários copos de bebida depois, Elena viu quando Caroline subiu numa espécie de palco improvisado e pegou um microfone para anunciar os vencedores da votação. Matt subiu com ela, segurando os troféus de abóbora que Caroline havia confeccionado. Caroline agradeceu a presença de todos e fez um enorme suspense, já bastante fora de si, o que arrancou umas boas risadas de Elena. Enquanto ela anunciava, Elena foi pegar mais bebida e deixou Stefan conversando com Bonnie. Ela encheu seu copo agora com uma dose exagerada de uísque, virando um pouco na mesa e dando uma risadinha dela mesma, achando graça do seu primeiro momento de falta de coordenação desde que virara uma vampira.

Depois de dois colegas com os quais ela não tinha muito contato serem premiados pelas fantasias, ela viu Matt pegando o microfone. Aquilo lhe chamou a atenção, uma vez que Matt não era muito chegado a exibições públicas. Porém, pela sua animação ao cumprimentar os convidados, ela pôde ter certeza que ele estava bêbado.

– Gostaria de anunciar um prêmio surpresa! É claro que nós não poderíamos esquecer a nossa estonteante Rebekah Mikaelson, não é? – ele apontou para ela, que estava parada próximo às animadoras de torcida. Rebekah abriu um sorriso confiante, um tanto surpresa, mas cheia de si. – Sobe aqui, Rebekah! – ela rapidamente obedeceu, adorando ser o centro das atenções.

– Obrigada, Matt! – ela respondeu com a sua voz carregada de sotaque assim que parou ao lado dele no palco improvisado. Rebekah parecia encantada com o fato de Matt estar tratando-a tão bem após ela ter tentado matá-lo junto com Elena.

– Gostaria, então, de anunciar o nosso último prêmio, que não precisou de votação porque já é uma unanimidade. – ele deu uma olhada para Rebekah, que sorria animada. – Parabéns, Rebekah, a nossa Miss Vadia! – ao mesmo tempo em que ele anunciou no microfone para todos ouvirem, Caroline apareceu segurando um abacaxi como troféu para Rebekah.

Ela olhou para Matt e depois para Caroline, primeiro incrédula, e então furiosa. Ela apertou seus dedos, fechando seus pulsos e cravando as unhas na palma da própria mão para se controlar, e deu uma olhada para a plateia, que, em sua maioria, ria dela. Seus olhos se encheram de lágrimas e ela sufocou um gritinho de raiva antes de correr para fora do palco e sumir em direção à saída da festa.

Elena, que observava tudo da mesa de bebidas, não conseguiu segurar as gargalhadas. Era extremamente animador ver Rebekah sendo humilhada na frente de toda a escola na qual ela tentava tanto ser popular. Com certeza, todos se lembrariam dela agora.

Gargalhando também, Caroline e Matt desceram do palco e correram na direção de Elena.

– Vocês humilharam ela! – Elena gritou enquanto eles se aproximavam, erguendo as palmas das mãos para eles baterem nelas em comemoração.

– Alguém devia ter filmado a cara dela! – exclamou Caroline de forma entrecortada pelas risadas.

– Nós temos que brindar! – Matt disse enquanto pegava um copo para ele e para Caroline e enchia de cerveja. Elena, que já bebera toda sua dose, voltou a encher seu copo de uísque.

Os três brindaram de forma escandalosa, todos claramente alterados, rindo sem parar da sua pequena vingança contra a vampira que tentara matar Elena e Matt.

Em toda aquela empolgação, Caroline e Elena tomaram incontáveis copos de uísque. Matt sumira atrás de alguma garota desconhecida e nem Tyler nem Stefan estavam por perto. Como consequência de toda aquela bebida e da alegria que sentiam, as duas garotas logo se viram tontas, tropeçando enquanto dançavam, mas não paravam de rir de tudo. Quando deram por si, estavam dançando de forma provocante em meio aos garotos do time de futebol, os quais se mostravam cheios de segundas intenções para com elas. Ao perceberem isso, muito tempo depois do que teriam notado se estivessem em um estado normal, elas deram um jeito de fugir dali e foram encher novamente seus copos.

Foi Caroline quem deu a ideia de que elas subissem numa mesa que estava cheia de copos. Elena não hesitou em acompanhar a amiga, e logo as duas estavam chutando copos de plástico, alguns até mesmo cheios, enquanto dançavam em cima da mesa. A música tão alta, que teria atordoado Elena em uma situação normal, só servia agora para deixá-la ainda mais embriagada com toda a situação. Ela nunca agiria daquela forma se não estivesse completamente bêbada.

– Eu não me divirto assim desde que me transformei! – Elena gritou para Caroline, tentando se fazer escutar e rindo ao mesmo tempo. As palavras saiam todas enroladas, como se a língua de Elena estivesse pesada. – Aliás, não me divirto assim há bem mais tempo do que isso!

Logo havia uma roda de pessoas ao redor da mesa em que as garotas estavam dançando, todos gritando e incentivando. Stefan, que estava mais afastado, próximo às árvores, apenas observando a festa, teve sua atenção presa pela aglomeração de pessoas. Só então ele percebeu quem eram as duas garotas que estavam de pé em cima de uma mesa. Quase correndo, ele aproximou-se delas, abrindo espaço entre a multidão e segurando a mão de Elena.

– Elena! Você precisa descer daí. Você bebeu demais! – ele gritava para ser escutado, mas Elena arrancou a mão da dele e ignorou-o. – Elena, você pode acabar caindo daí! E você vai morrer de vergonha amanhã!

– Me deixa em paz, Stefan! – ela exclamou para ele, exaltada, e recebeu alguns gritos de aprovação.

– Elena, por favor. Vamos para casa! – ele continuava gritando e tentando segurá-la.

– Eu estou me divertindo, para variar um pouco! Você deveria experimentar, Stefan! – ela gritou em resposta, ainda mais irritada com ele. Quando, porém, tentou dar um passo para trás para se afastar, Elena perdeu o equilíbrio, só não caindo da mesa porque Stefan foi mais rápido e a segurou pelo braço. – Tá bom, eu desço! – ela exclamou com raiva, dando-se por vencida.

Com a ajuda dele e sob gritos de reprovação, Elena desceu da mesa e, sem dizer mais nada, saiu andando para longe, com pressa. Stefan, agora alvo de vaias, rapidamente ajudou Caroline a descer também e então, quando voltou a olhar na direção em que Elena fora, não a enxergou em lugar nenhum.

– Merda! – ele exclamou, saindo apressado e preocupado em busca dela.

Para Stefan, uma Elena recém transformada e extremamente bêbada andando sozinha por Mystic Falls só poderia significar problemas.

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Ela abriu o pequeno freezer que ficava no porão e levou uma bolsa de sangue aos lábios, soltando um suspiro extremamente agradecido ao sentir o gosto férrico dançando na sua língua. Uma de suas mãos estava firme no freezer, ajudando-a a permanecer de pé apesar das tonturas que sentia.

– Elena? – ela ouviu a voz conhecida chamar de algum lugar nas suas costas.

– Oi, Damon... – Elena falou de forma enrolada, virando-se para ele e perdendo o equilíbrio, cambaleando para o lado. – Opa! – ela exclamou e riu, tomando outro longe gole de sangue e se segurando novamente.

– Você está bêbada. – ele afirmou, observando-a atentamente e dando uma risadinha. – Você veio até aqui sozinha?

– O Stefan estava sendo extremamente chato! – ela exclamou em voz alta, ficando imediatamente irritada de novo. Damon continuou observando-a, agora curioso. – Ele não me deixou ficar dançando na mesa! Ficou me mandando descer, ir para casa... Eu não queria! Eu estava me divertindo! – ela continuava praticamente gritando, extremamente indignada com Stefan.

Damon não conseguiu controlar uma risada, achando muita graça de toda aquela situação.

Você estava dançando em cima da mesa? – ele perguntou incrédulo, rindo ao mesmo tempo. – Eu não acredito que eu perdi toda a diversão!

– Estava! Aposto que ele ficou com ciúmes porque ele não sabe se divertir também! – ela continuaria falando, exaltada, se seu olhar não tivesse recaído sobre a garrafa de uísque que Damon segurava em uma das mãos, a qual estava bebendo antes de ouvi-la chegar. Elena aproximou-se e arrancou-a dele, bebendo um longo gole e depois saindo a dançar em círculos pelo porão, murmurando uma música qualquer e segurando a garrafa erguida sobre sua cabeça.

Damon continuou no mesmo lugar, sem conseguir parar de rir do jeito dela. Nunca havia visto Elena bêbada daquele jeito, e ela ficava extremamente divertida. Ele ainda não conseguia acreditar que perdera Elena Gilbert dançando em cima de uma mesa.

– Tive uma ideia! – ela gritou de repente, aproximando-se quase correndo de Damon novamente. Ela parou na frente dele e ficou na ponta dos pés. – Abre a boca! – ela mandou enquanto já virava a garrafa de uísque na direção dele. Damon riu, mas obedeceu, abrindo a boca e inclinando a cabeça para trás de forma que ficasse mais fácil para ela.

Elena despejou uma dose extremamente grande da bebida na boca de Damon, de forma que um pouco escorreu pelo queixo dele. Ela passou um dedo pelo líquido que caíra na pele e levou o dedo à boca, chupando-o e sorrindo para Damon. Ele teve que morder o seu lábio inferior para controlar-se frente à provocação de Elena, que estava longe de seu estado normal.

E então, tomada por uma tontura repentina, Elena cambaleou e tentou segurar-se em Damon, mas acabou derrubando-o no chão e caindo em cima dele, a garrafa de uísque voando para longe e se quebrando. Damon soltou um gemido pela pancada nas costas, mas a dor foi subitamente esquecida quando o olhar dele recaiu sobre os lábios vermelhos de Elena, que estavam a milímetros de distância dos seus. Ele podia sentir todo o corpo da garota pressionado contra o seu, e a respiração quente dela batendo sobre os seus próprios lábios.

Naquele centésimo de segundo, Damon não saberia dizer se teria força de vontade o suficiente para se afastar de Elena. Todo o seu cérebro estava tomado por um só desejo, que era o de grudar aqueles lábios avermelhados nos seus e só soltá-los quando os dois estivessem sem fôlego algum. No entanto, uma voz no andar superior o acordou daquele êxtase em que a proximidade de Elena o colocou.

– Damon? – Stefan gritou ao entrar na casa, extremamente preocupado com Elena. – Damon? – ele retornou a gritar ao não obter resposta.

Foi Elena quem fez o primeiro movimento, levantando-se um tanto tonta ainda e murmurando um pedido de desculpas para Damon enquanto ajeitava o seu vestido, repentinamente envergonhada.

– Aqui embaixo, Stefan! – Damon gritou de volta, também se levantando e ajeitando a roupa.

Segundos depois, Stefan apareceu correndo, pronto para questionar se o irmão sabia onde estava Elena. Quando a avistou, ele soltou um suspiro aliviado.

– Elena! Você não tem ideia de quão preocupado você me deixou! Achei que você poderia atacar alguém e... – ele ia falando ansioso, mas ela o interrompeu.

– Chegou o estraga-prazeres! — ela disse, novamente irritada com toda aquela ansiedade e preocupação dele. Ele abriu a boca para falar alguma coisa, uma expressão ao mesmo tempo incrédula e chateada, mas ela não o deixou dizer nada. – Eu não preciso de babá, Stefan! Eu estou indo para casa. Eu sei o caminho. – Elena, ainda visivelmente alterada, se aproximou do freezer, pegou mais duas bolsas de sangue e depois caminhou em direção às escadas, um pouco cambaleante e evitando encarar Damon.

Os dois irmãos ficaram em silêncio, ouvindo os passos da garota no andar superior até a porta de entrada se fechar com um baque. Stefan tentou esconder a sua expressão magoada ao começar a juntar os cacos de vidro e a bolsa vazia do chão. Antes de subir as escadas, Damon deu um tapinha nas costas do irmão, sem dizer nada, e então deixou-o sozinho com suas lamentações.

Enquanto saía em direção à casa dos Gilbert, Damon deu uma risadinha, divertindo-se com o estado de Elena e apreciando vê-la assim, mais solta, mais viva. E não, ele não chamaria aquilo de “servir de babá”. Ele simplesmente gostava de observá-la dormir.

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado. Eu quis mostrar a montanha russa de emoções na qual um vampiro novo se transforma, até aprender a lidar com todos os sentimentos multiplicados. E dá pra ver que a Elena tá numa nova fase, né? Tá até achando o Stefan chato... Melhor pro Damon! Enfim, deixem meus presentinhos logo a seguir, por favor. Haha! Brigadinha, lindas!