The Fire Inside

3 The Ugly Truth


Notas iniciais
Está aqui então o primeiro capítulo da minha nova fic. Ela é uma continuação da terceira temporada, e não porque eu não esteja gostando da quarta, estou achando ótima! É só uma visão diferente das coisas. Eu espero sinceramente que vocês gostem! Faço mais comentários depois.

Enquanto a consciência lentamente tomava conta de sua mente, ela começou a escutar sons progressivamente mais altos. Carros barulhentos passeavam pelas ruas, algum vizinho utilizava um cortador de grama ensurdecedor, alguém ouvia uma música alta e até mesmo os passarinhos pareciam estar mais entusiasmados em seus cantos. Lentamente passou a reparar também na luminosidade excessiva que ultrapassava suas pálpebras fechadas e fazia seus olhos arderem.

Onde estava? Sua cabeça latejava em um ritmo frenético e os sons estavam deixando-a mais irritada a cada instante. Ela não conseguia pensar direito. Não tinha lembranças do que fizera na noite anterior. Deduziu, então, que a dor de cabeça, a irritação e a memória ruim só poderiam ser decorrentes de uma coisa: ressaca. Entretanto... Ela não se lembrava de ter ido a nenhuma festa. A sua última lembrança clara era estar dentro de um carro, ansiosa para chegar a algum lugar, pois tinha algo importante a fazer. Mas o quê?

E então a compreensão a atingiu em cheio, deixando-a zonza. Visualizou Rebekah parada no meio da estrada e o carro em que estava caindo na Wickery Brigde... Oh, meu Deus, Matt! O desespero a sufocou enquanto revivia a cena embaixo d’água. Lembrava-se de sacudi-lo, de chutar a porta do carro inutilmente, de sentir seu nariz queimando internamente devido à água que o invadia. Lembrava-se de que estava prestes a desistir, mas algo ainda dera-lhe as últimas forças para resistir...

Stefan. A imagem voltou claramente contra suas pálpebras fechadas. Visualizou a si mesma insistindo para que ele salvasse Matt primeiro. Como sempre, ele respeitara as suas decisões. Ela sentiu seu peito um tanto mais aliviado por saber que Matt havia sido salvo. E então, como em outro turbilhão, os acontecimentos anteriores daquela noite voltaram à sua memória. Alaric matara Klaus, ela tivera que escolher se voltava para Mystic Falls ou se ia até Damon... Seu peito doeu novamente. Havia sido imensamente doloroso ter aquela conversa com Damon pelo telefone. Mas aquele não fora um adeus... Não, não poderia ter sido, Stefan ainda estava vivo, então Damon também estaria. Ela necessitava de uma boa conversa com ele.

No entanto, apenas uma coisa não estava se encaixando e deixava-a confusa. Agora ela lembrava claramente de quando a água começou a invadi-la. Lembrava-se da sensação dos seus pulmões sendo tomados pelo líquido, da sensação de sufocamento, da ardência na garganta...

Malditos passarinhos, maldito cortador de grama, maldita música! Ela sentia vontade de gritar. Ela gostaria de entender tudo que havia acontecido, mas aqueles sons a estavam deixando maluca e a dor de cabeça não estava colaborando com nada. Mystic Falls, sempre tão calma, parecia ter escolhido justamente aquela manhã para se tornar extremamente barulhenta. Além disso, havia aquela claridade. Será que deixara a cortina aberta?

Então, cerca de apenas 10 segundos depois de retomar a consciência, após todo esse turbilhão de pensamentos e lembranças, Elena Gilbert abriu os olhos lentamente. Eles demoraram algum tempo para se acostumar com a claridade, mas mesmo antes disso ela pôde perceber que havia alguém no quarto junto com ela. A respiração era alta, e ela se perguntou se a pessoa estaria nervosa ou assustada.

Stefan Salvatore, que estava de pé junto à cama da garota, sentou-se ao lado dela com cuidado. Ela quis sorrir, mas isso exigiu um esforço imenso, de forma que o sorriso saiu fraco, amarelo. Elena fez menção de que queria se sentar, e ele ajudou-a prontamente, colocando o travesseiro em suas costas. Ela se sentia extremamente cansada, como se tivesse realizado um esforço intenso na noite anterior.

Sua visão periférica captou a imagem de sua janela com a cortina fechada. A claridade excessiva causava-lhe certo estranhamento. O dia parecia estar espantosamente ensolarado, e a luminosidade deixava-a um pouco atordoada. Assim, desviou seus olhos para a sua escrivaninha, onde visualizou um copo cheio de água. Instantaneamente percebeu como estava com sede, sentindo sua garganta arder. Era como se não bebesse um bom gole de água há dias. Voltou sua atenção para Stefan, com o intuito de pedir pelo copo d’água. Porém, os traços de seu rosto pareciam especialmente perfeitos naquele dia, o que a distraiu de sua sede. A pele do mais novo dos irmãos Salvatore parecia de porcelana, sem nenhum defeito, nenhuma marca. Ele parecia ter sido esculpido por um talentoso artista.

Elena demorou alguns segundos para perceber que Stefan a chamava. Eram tantos pensamentos soltos em sua mente que ela estava encontrando dificuldade em se concentrar em alguma coisa. Ela sorriu para ele, agora com menos dificuldade.

– Então Klaus é realmente um grande mentiroso. Estou tão feliz que você está bem... que todos estão bem! – a alegria dela, porém, não foi correspondida. Stefan exibia uma expressão que não poderia significar outra coisa além de más notícias. – Stefan? Qual o problema? É o Alaric? Ele matou mais alguém... – ela fez uma pequena pausa, o rosto enchendo-se de desespero. – Damon?!

– Damon está bem. – Stefan falou pela primeira vez, a voz um tanto rouca, fraca. Ele analisava Elena atentamente, com uma preocupação excessiva, e o suspense começou a irritá-la.

– O que houve, então? – ela perguntou impaciente.

Stefan soltou um suspiro pesado, medindo as suas palavras com cautela.

– Você se lembra do acidente na Wickery Brigde? – ela afirmou lentamente com a cabeça, e então o medo invadiu o seu cérebro. E se...

– Matt? – Elena questionou à beira do desespero. Será que Stefan não conseguira salvá-lo a tempo?

– O garçom está ótimo, graças a Stefan. – uma terceira voz foi ouvida dentro do quarto, e Elena desviou os olhos até a direção dela.

Damon Salvatore estava escorado na parede ao lado da porta. Seus braços estavam cruzados sobre o peito protegido pela tradicional camiseta preta. Seu rosto estampava um sorriso irônico, e mesmo de longe Elena também conseguia perceber a perfeição de suas feições. Os olhos incrivelmente azuis exibiam um brilho que ela não conseguia identificar.

Ao processar as palavras dele, Elena respirou aliviada, abrindo um largo sorriso. No entanto, nenhum dos irmãos parecia retribuir a sua alegria: Damon mantinha uma expressão arrogante, enquanto Stefan exibia puro sofrimento em suas feições. Novamente confusa e irritada, Elena virou-se para o mais novo, que estava mais perto.

– Será que você pode me dizer qual é o problema, Stefan? – ela perguntou exasperada, cansada de todo aquele suspense e toda aquela cautela.

– Eu consegui retirar Matt da água a tempo, ele está bem. O problema, Elena, é que quando eu voltei para retirar você... – ele não conseguiu terminar a frase, sua voz falhando e sua mão encontrando a de Elena. Ao ouvi-lo, lembranças vívidas tomaram conta da garota, que parecia reviver a sensação da água entrando em sua garganta, em seus pulmões, o sufocamento...

Mas aquilo não fazia sentido. Ela estava ali e sentia-se bem apesar do cansaço, da dor de cabeça e da sede violenta. A confusão estampava o rosto de Elena, que buscava respostas nas expressões dos dois irmãos. Stefan parecia ter dificuldade de encará-la, e, mesmo que ele estivesse olhando para baixo, ela podia perceber o sofrimento descarado. Ela virou-se, então, para Damon, na esperança de que ele lhe desse alguma resposta.

A expressão do mais velho ainda exibia arrogância, mas ela era tão intensa que Elena percebeu que ela poderia estar escondendo algum outro sentimento. Damon não desviou os olhos dos dela, porém. Depois de alguns segundos de silêncio, ele bufou, irritado, e aproximou-se da cama com determinação.

– Você só está aqui porque a Dra. Fell utilizou o meu sangue para lhe curar mais cedo naquele dia. – ele cuspiu as palavras sem dó, sem rodeios, provavelmente também exasperado com a cautela de Stefan.

Palavras essas que atingiram Elena em cheio. No primeiro momento, elas não fizeram sentido algum. Porém, lentamente, o choque foi tomando conta da garota. Aquilo não podia ser verdade... Não quando aquilo significava que ela estava se transformando em...

Elena buscou os olhos de Stefan, esperando que ele desmentisse, que ele a segurasse antes que ela entrasse em um poço de desespero. Agora ele a encarava, mas ela preferiu que ele não o tivesse feito. Nos olhos dele, o mesmo desespero do qual Elena estava tentando fugir. Ela não precisou de nenhuma outra confirmação, e quando a verdade tomou conta de sua mente a já forte dor de cabeça deixou-lhe prestes a explodir.

Stefan não tivera tempo de salvá-la, e ela morrera. Era estranho pensar nisso, utilizar o verbo “morrer” na primeira pessoa e no pretérito. Mas era isso mesmo... “Eu morri”, pensou ela. Porém, graças ao sangue de Damon que circulava em seu organismo, agora ela estava ali, sentada naquela cama, sendo observada pelos dois irmãos Salvatore.

Suas emoções estavam confusas, deixando-a atordoada. Elena teve de fazer todo o esforço que conseguiu para deixar de lado todas as informações que tinha sobre a vida como um vampiro, sobre todos os desafios que pareciam se estender à sua frente. Se ela deixasse aqueles pensamentos terríveis tomarem conta de si, ela entraria em um desespero do qual não sabia se conseguiria sair.

Era isso: Elena Gilbert colocou-se em negação, agindo como um espectador que observa tudo à distância, sem qualquer comprometimento com a situação.

Ela gravou fracamente que a arrogância da expressão de Damon não estava mais conseguindo mascarar o verdadeiro sentimento que ele escondia: raiva. Seus olhos azuis estavam agora enegrecidos, e ela podia inclusive sentir a tensão que se formava entre os irmãos. Stefan, porém, continuava ali sentado, desolado, sem nenhum tipo de reação a isso.

Elena permaneceu ali sentada, atordoada com seus pensamentos, apenas observando, alheia a tudo. Ela assistiu enquanto a raiva de Damon ia tomando proporções absurdas, prestes a explodir. Viu quando ele, não conseguindo mais se controlar, segurou Stefan pela gola da camiseta e o jogou contra a parede do quarto dela. Normalmente, Elena teria gritado para que ele parasse, mas a verdade sobre sua condição a atingira com tanta força que ela sentia-se aérea, como se tivesse sido dali transportada e assistisse sem estar presente.

Caído no chão, Stefan ainda não esboçava nenhuma reação enquanto Damon aproximava-se com passos violentos e determinados. De pé ao lado do irmão caído, ele olhou-o de cima com desdém, como alguém que olha para um ser inferior que não merece consideração. E, quando ele falou, sua voz saiu gélida, emanando ondas de raiva.

– Parabéns, Stefan. Essa sua mania de seguir as decisões de Elena, em vez de protegê-la de qualquer coisa, acabou matando-a. Eu espero que a culpa o devore internamente, irmãozinho.

E então, determinado, Damon andou em direção à saída, todos os seus músculos tensos em função da raiva que sentia. Antes de sair, porém, falou com Elena, a voz mais controlada agora, mas sem se virar para o local onde ela estava.

– Se precisar de ajuda, sabe onde me procurar. — ainda alheia a tudo, como numa espécie de transe, ela observou enquanto Damon saía pela porta de seu quarto. Depois que ele desapareceu, ficou com a leve impressão de tê-lo ouvido sussurrar: – E vai precisar.


Notas finais
Sei que não aconteceu muita coisa, mas eu precisava trabalhar toda essa confusão da Elena que eu acho muito interessante. Descobrir que você morreu e está prestes a se transformar - ou você morre - deve ser um baita sentimento. Tomara que eu tenha conseguido expressar direito! Deixem reviews pra eu saber o que vocês acharam e obrigada pela atenção!