The Fire Inside

8 Pleasures remain, so does the pain


Notas iniciais
Olá, queridas! Eu estou viajando, tive um pouco de tempo hoje para revisar esse capítulo que já tava pronto e postar, mas acho que não vou ter tempo pra escrever um capítulo inteiro enquanto estiver aqui. Eu volto apenas domingo que vem, então gostaria de pedir paciência a vocês, suas lindas. Agora leiam logo que eu to ansiosa para saber a opinião de vocês!

Quando a consciência lentamente retornou à mente de Elena, ela sentiu-se como se alguém houvesse colocado 20 quilos em cima de sua cabeça. Ela parecia estar sendo empurrada para trás, de tão pesada que estava. Além disso, ela latejava incessantemente.

Alguns segundos se passaram até que Elena começasse a ser invadida pelas lembranças da noite anterior. Uísque, Rebekah, mais uísque, dança na mesa, gritos com Stefan, o corpo colado no de Damon... Merda, ela pensou. Seus olhos abriram-se devagar enquanto ela tentava se acostumar com a luz forte que brilhava por trás das cortinas fechadas.

Logo em seguida, quando seus olhos já acostumados com a claridade deslizaram para baixo, para o seu próprio corpo, ela percebeu que usava o mesmo vestido vermelho da noite anterior, com a diferença de que agora ele estava todo enrugado para cima, não cobrindo sequer a calcinha preta que usava.

Elena não lembrava qual fora a última vez em que bebera tanto. Talvez antes mesmo de conhecer Stefan, antes mesmo de seus pais morrerem, quando tudo em sua vida era mais simples. E agora, mesmo após todas essas transformações, quando ela não deveria mais se importar com bobagens como as fofocas da escola, ela sentia-se envergonhada com os acontecimentos da noite anterior. Tudo o que ela desejava era poder apagar a memória de cada um dos presentes na festa.

Ela virou-se lentamente para a sua mesa de cabeceira e assustou-se ao constatar que já passara das três horas da tarde. Não a admirava, agora, que sua garganta ardesse tão insistentemente. Foi com irritação que ela se lembrou de que não havia nenhuma bolsa de sangue em sua casa. Ela gostaria de poder se esconder em seu quarto, para não ter de encarar seu irmão, Damon, Stefan, ou qualquer um.

Elena não sabia em relação a qual Salvatore ela estava mais envergonhada. Ela provocara Damon e depois caíra em cima dele, e ela não precisava usar muito sua imaginação para saber como aquilo teria acabado se Stefan não chegasse bem naquela hora. Pobre Stefan... Ela gritara com ele na frente de toda a escola, declarando aos quatro ventos que ele era um chato que não sabia se divertir.

É claro que ela sabia que, em algum momento, deveria encará-los; mas, se a sua sede não estivesse tão insuportável, ela teria, com certeza, protelado esse momento. Foi a ardência na garganta que fez Elena levantar-se da cama e tomar um banho rápido. Ela vestiu-se com o primeiro short jeans que achou, uma blusa branca, um lenço e um par de longas botas. Por fim, amarrou o cabelo, o qual não se dera o trabalho de lavar – tamanha era a sua pressa –, e tomou o rumo da casa dos Salvatore, ainda sentindo a sua cabeça latejar.

Segundos após ela tocar a campainha, a porta se abriu e Damon, apoiado nela, encarou Elena com um sorrisinho torto.

- Bom dia, Pequena Miss Uísque. – o deboche estava claro no tom de voz do vampiro.

- Mau dia, Damon. Mau dia.– ela respondeu destilando seu mau humor.

- Você estava mais divertida ontem à noite, Elena. – Damon fingiu uma expressão chateada, mas seu tom ainda estava debochado. – Dançando pelo porão com a garrafa... Essa é uma cena que eu não vou esquecer tão cedo.

- Estou com sede. – Elena resmungou para ele, corando pelas lembranças da noite anterior e entrando na casa, evitando o olhar de Damon mas tendo que roçar a lateral de seu corpo no dele para conseguir passar pela pequena fresta que ele mantinha aberta. – Stefan está? – ela perguntou assim que Damon fechou a porta, já sentindo sua cabeça um pouco melhor pela falta de claridade da casa.

- Não, ele saiu há algumas horas. Alguma coisa sobre ajudar na limpeza da festa. — ele respondeu enquanto a garota tomava a direção do porão. – Aliás... Dei uma volta por Mystic Falls hoje, e parece que você realmente foi a atração da noite passada. – ele a seguiu escada abaixo, parando no último degrau e apoiando-se na parede de pedra, observando enquanto ela sugava o sangue com vigor, obstinada a ignorá-lo. – Muitos elogios ao seu vestido curto, Elena... – o tom de voz dele carregava uma malícia oculta, e ela corou violentamente.

- Minhas lembranças já estão me martirizando o suficiente, Damon. Dá um tempo. – ela respondeu com irritação antes de levar o sangue aos lábios novamente.

Ele permaneceu um tempo em silêncio, e ela pôde, naquele curto intervalo, sentir-se agradecida por isso. No entanto, aquelas íris azuis a observavam com uma intensidade que começou a incomodá-la.

- O que foi? – Elena perguntou, de um jeito bastante mal educado, quando não conseguiu mais segurar a sua irritação.

Damon deu de ombros levemente, ignorando o tom com que ela falara com ele.

- Envergonhe-se o quanto quiser, Elena, mas não lembro de vê-la alguma vez tão livre, tão... – ele fez uma pausa, medindo suas palavras. — ...viva. Você estava realmente se divertindo, e estava com um brilho especial nos olhos, como se houvesse uma chama dentro de você. Ficou inclusive mais bonita. – agora Damon falava com suavidade, um tanto pensativo, sem nenhum vestígio de todo o deboche anterior.

À medida que ele ia falando, Elena corou ainda mais violentamente do que antes. Totalmente sem jeito ou resposta, ela ocupou-se com a bolsa de sangue, evitando o olhar de Damon. Assim que terminou, Elena jogou-a num lixo que havia sido estrategicamente colocado ao lado do pequeno freezer e, sem mais ocupação, deixou-se encarar aqueles olhos incrivelmente azuis.

Depois de se sentir desconcertada por alguns segundos, Elena pigarreou e caminhou na direção de Damon.

- Acho melhor eu ir agora. Devo desculpas ao Stefan. – ela parou na frente de Damon, esperando que ele saísse do caminho para que ela pudesse subir as escadas.

- Desculpas por dizer a verdade? – Damon perguntou com um sorrisinho irônico. – Meu irmãozinho não é exatamente conhecido por ser uma pessoa divertida, Elena. Tenho certeza que você apenas disse o que vinha guardando há tempos.

- Nada justifica a grosseria, Damon. Ele só estava preocupado comigo, ele me ama e... – Elena não pôde concluir, pois foi interrompida por Damon, que exibia uma expressão séria.

- Eu te amo, Elena, mas não preciso impedi-la de se divertir apenas porque me preocupo com você. – nada no rosto do Salvatore lembrava o deboche, a ironia e a diversão anteriores. Ele estava falando sério. Elena abriu a boca, totalmente surpresa por aquela declaração em alto e bom tom, mas nada conseguiu dizer. Parecendo perceber a falta de jeito dela, Damon deu uma risadinha sem humor e um passo para o lado, deixando o caminho livre. – Vá lá pedir suas desculpas, se acha que é isso que deve fazer.

Elena encarou profundamente aquelas íris tão azuis por um segundo que pareceu horas, e então, ainda sem encontrar sua voz, ela subiu as escadas com pressa. Elena atravessou a sala de estar dos Salvatore, sentindo o olhar de Damon nas suas costas, e saiu da casa. Só então ela parou e se apoiou na porta de entrada, respirando fundo e tentando afastar o turbilhão de sentimentos que as palavras de Damon haviam despertado nela. Era um misto de satisfação, culpa, desejo e confusão.

Alguns segundos depois, ela pegou o celular e ligou para Stefan, sem obter resposta. Lembrou-se do que Damon dissera sobre a limpeza da festa, e praticamente correu para o parque municipal onde ela ocorrera, parecendo nem notar que a distância era de alguns quilômetros. Elena precisava encontrá-lo, pedir desculpas, e buscar nele o equilíbrio e a tranquilidade que havia perdido naqueles poucos minutos na casa dos Salvatore. Com ele tudo era certo, tudo era calmo, e ela necessitava dessa calmaria após a tempestade de emoções que era estar próxima a Damon.

Ela seguiu rapidamente pelo caminho que levava à clareira, achando tudo muito diferente da noite anterior. Ao chegar, ela encontrou tudo praticamente limpo e meia dúzia de pessoas terminando de recolher as decorações. Nenhuma delas era Stefan, mas ela pôde identificar a voz de Caroline do outro lado da clareira, e aproximou-se quase correndo.

- Caroline! – ela chamou quando já estava mais perto. A loira virou-se com uma expressão mal humorada, mas logo a suavizou um pouco ao perceber quem a chamara.

- Oh, Elena! — Caroline parecia aliviada em vê-la. – Alguém com quem dividir minha ressaca moral! – a vampira deu uma risadinha sem humor.

- Não sei qual é maior: a física ou a moral. – Caroline fez uma careta, concordando com Elena. Logo ela lembrou o motivo pelo qual fora para lá. – Car, você viu o Stefan por aqui?

- Sim! Ele ajudou muito! Principalmente quando o Tyler veio aqui discutir comigo. – a loira suspirou e balançou a cabeça. – Mas o Stefan já saiu há tempo, Elena.

- Eu fui idiota ontem... Gritei com ele na frente de todo mundo. – Elena suspirou também. – E o Tyler? Bravo por ontem? – Caroline bufou e concordou.

- Ele disse que eu nunca consigo me controlar... – ela revirou os olhos e depois se virou para gritar com um garoto que havia deixado cair uma caixa cheia de decorações. Elena deu uma risadinha. Então Caroline pareceu se lembrar de alguma coisa. – Elena, você viu Bonnie ontem? – a morena confirmou com a cabeça. – Eu a achei tão triste! Ela nem achou graça da brincadeirinha com a Rebekah.

- Não falei muito com ela nesses últimos dias... Mas agora que você falou, ela parecia bastante desanimada mesmo. – Elena sentiu-se subitamente culpada por ter sido tão egoísta com a amiga, prestando atenção apenas aos próprios problemas.

- Acho que as bruxas do outro lado ainda estão bravas com ela. – Caroline comentou enquanto observava atentamente as pessoas que organizavam as decorações em caixas.

- Nós deveríamos visitá-la mais tarde. – Elena falou séria, tentando chamar a atenção da amiga.

- Claro, vamos lá. Só preciso terminar de organizar tudo aqui. Mais tarde eu ligo pra você, ok? – a loira falou antes de dar um abraço em Elena e se afastar, já gritando com uma garota que estava sentada ali perto, aparentemente descansando.

Elena balançou a cabeça, rindo do jeito autoritário da amiga, e então ouviu seu celular tocar no bolso. Ela o pegou rapidamente e o nome que ali apareceu a fez prender a respiração.

- Stefan... – Elena atendeu rapidamente, mas com o tom meio hesitante.

- Elena! Você está bem? – ele perguntou ansioso.

- Um pouco de ressaca, só... – ela deu uma risadinha sem humor. – Estou aqui na clareira, vim lhe procurar. Eu lhe devo desculpas, Stefan! Eu fui tão idiota, e...

- Shhh, Elena. Está tudo bem. Encontro você na sua casa daqui a uns dez minutos, pode ser? – a voz dele era suave, e fez Elena sentir-se mais tranquila.

- Claro! Até logo. Te amo! – ela acrescentou rapidamente, sorrindo, antes que ele desligasse o telefone.

Na volta para casa, Elena notou quantos quilômetros percorrera anteriormente até o parque, achando graça do fato de que nem chegara cansada. Não muito depois de entrar em casa, Elena ouviu a campainha tocar, e abriu a porta sorridente. Pediu todas as desculpas possíveis a Stefan, que a garantiu que não era necessário, uma vez que ele sabia que ela estava fora de si na noite anterior. Os dois riram um pouco das bobagens que ela fizera, e então Stefan a contou onde estivera naquele tempo entre o parque e a casa dela. Klaus aparecera do nada quando ele saía da clareira. Era a primeira vez que o avistavam desde a transformação de Elena. Ele não estava nada feliz com Damon por tê-la transformado, pois ele tinha um plano de drená-la e deixá-la morrer. Agora, nada de mais híbridos para Klaus, e aquilo estava longe de agradá-lo. Além disso, Klaus não esquecera o fato de que eles haviam o acorrentado, e fazia questão de recordar que, se eles não o tivessem feito, Rebekah nunca pensaria que ele estava morto e não se atiraria em frente ao carro de Matt. Em resumo, Klaus não estava feliz com eles, o que nunca poderia ser algo bom. A princípio, porém, tudo parecia bem.

Os dois preparam um almoço e passaram um tempo juntos, o que foi mais do que suficiente para acalmar as emoções antes efervescentes de Elena. Foi então que Caroline ligou e combinou de pegar Elena e dar-lhe uma carona até a casa de Bonnie.

Após tocarem a campainha, alguns segundos se passaram sem que elas ouvissem qualquer som no interior da casa. Elena chegou a pensar que a amiga saíra, mas, logo depois, ela ouviu passos arrastados. Bonnie abriu a porta lentamente, e o seu estado assustou as outras duas. Ela possuía olheiras pesadas sob os olhos e seu cabelo estava completamente bagunçado. Além disso, Bonnie parecia mais pálida e até mais fraca. Elena impressionou-se consigo mesma por não ter percebido tudo aquilo na noite anterior.

- Bonnie! O que aconteceu com você? – Caroline exclamou quase histérica enquanto a morena dava espaço para as duas entrarem em sua casa. – Parece que você não dorme ou come há dias!

A bruxa suspirou, chateada, e sentou-se numa poltrona enquanto as outras se ajeitavam no sofá. Ela abriu a boca, mas pareceu hesitar e ficou em silêncio.

- Bonnie... Converse com a gente. – Elena pediu suavemente, com muito mais delicadeza e tato do que Caroline.

Depois de alguns segundos em silêncio, Bonnie suspirou novamente e abaixou o olhar, mas começou a falar quase num sussurro.

- As bruxas ficam me perseguindo em sonhos e não me deixam dormir. Elas estão me castigando por ter protegido um Original e toda a sua linhagem. Elas dizem que eu poderia ter restabelecido grande parte do equilíbrio da natureza... – ela ficou em silêncio novamente, encarando as suas unhas mal feitas, e, lentamente, foi ficando irritada. – Eu não consigo mais nem acender uma vela! – ela exclamou, visivelmente alterada e erguendo os olhos para as amigas. Logo eles encheram-se de lágrimas, e as duas correram até a poltrona para abraçá-la. Caroline, que estava mais perto, passou os braços pelo corpo da bruxa, enquanto Elena acariciava seus cabelos negros que se encontravam cheios de nós. Bonnie nunca fora descuidada consigo mesma, o que demonstrava que ela estava claramente afetada por tudo aquilo.

Caroline e Elena passaram horas na casa da amiga, tentando distraí-la com filmes, fofocas e risadas. Fizeram questão de ficar ali aquela noite, e cozinharam uma massa al funghi, a preferida de Bonnie. Mais tarde, após assistirem dois filmes, as três foram dormir.

Durante a noite, Elena pôde notar que três vezes Bonnie acordou sobressaltada, e, além disso, que em vários momentos a amiga se debateu e choramingou enquanto dormia. Ela acabou tendo uma péssima noite, pois estava preocupada demais para conseguir pegar realmente no sono.

No dia seguinte, um domingo, Elena levantou cedo, sem conseguir dormir mais, e deixou um bilhete para as amigas, avisando que havia ido para casa pois não gostaria de deixar Jeremy sozinho por muito tempo. Antes de sair, observou que Bonnie parecia dormir um pouco mais tranquila, e sentiu-se levemente aliviada.

Após preparar-lhes um almoço e finalmente conversar – envergonhada – com o irmão sobre a festa – já que ela não o vira no dia anterior -, Elena resolveu deitar-se um pouco, uma vez que mal dormira naquela noite. Antes, porém, tomou um banho quente e demorado, tentando afastar de seu corpo a tensão de toda aquela noite de preocupação com a amiga. Um bom tempo depois, e bem mais relaxada, Elena saiu do banheiro enrolada em uma toalha, escolheu um short e uma blusa bem leves e deitou-se na cama com o cabelo molhado mesmo. No instante em que apoiou a cabeça no travesseiro, Elena caiu em um sono profundo, cansado.

Quando despertou, ela sentiu como se tivesse dado um rápido cochilo, mas a falta de claridade por trás de suas pálpebras fechadas parecia indicar que a noite já caíra sobre Mystic Falls. Não era de se duvidar, pois ela estava tão exausta... Permanecendo imóvel na cama, Elena abriu os olhos lentamente para verificar a hora. No entanto, seu olhar recaiu sobre algo completamente inesperado, e isso a fez sentar em um sobressalto, uma exclamação escapando de sua garganta.

- Damon? – o tom de voz dela era quase histérico em função do susto que levara.

- Shhh, fique calma, Elena. – ele falou suavemente, em um tom baixo, contrastando totalmente com o dela e tentando acalmá-la.

Apesar da quase completa escuridão – era noite de lua nova -, a visão aguçada de Elena permitiu que ela identificasse imediatamente aquele que estava sentado na sua janela. Damon vestia as suas clássicas vestes pretas, e seus olhos pareciam mais azuis e mais reluzentes do que nunca. Eles eram as únicas coisas que pareciam vivas naquela escuridão.

Elena precisou de alguns segundos para voltar a ter controle sobre si mesma depois do susto, e então ela esticou o braço e ligou o abajur. O relógio marcava uma hora e dez minutos, o que significava que ela dormira quase onze horas. Ela ergueu os olhos novamente, encontrando aquela imensidão azulada, e constatou que Damon não parecia nada constrangido por ter sido flagrado no quarto dela no meio da noite.

- O que você está fazendo aqui?- ela perguntou em um tom mais baixo, mas ainda assim com uma pontada de histeria. E então uma lembrança se formou em sua mente. – Eu não preciso de babá! – ela disse agora com um quê de irritação.

- Não estou sendo sua babá. Você sabe que essa é a vocação do meu irmãozinho, não minha. – Damon disse com deboche, exibindo um sorrisinho torto nos lábios.

- Então o que você está fazendo aqui? – ela tornou a perguntar enquanto puxava o lençol até o seu peito, pois se lembrara de que o short que usava era tão curto que não cobria praticamente nada além de sua calcinha.

- Estou cumprindo minha promessa. – ele respondeu simplesmente, dando de ombros como se fosse algo sem importância. Ao perceber, porém, que Elena cerrara as sobrancelhas em uma expressão de confusão, Damon explicou-se melhor. – Eu prometi a você que não iria mais deixá-la sozinha, lembra? – ele tornou a dar de ombros, tentando soar despreocupado.

Lentamente a compreensão tomou conta de Elena, enquanto lembranças da noite em que perdera o controle no Mystic Grill eram revividas em sua mente. As palavras de Damon, a promessa que fizera... Aquilo a acalmou na hora, mas Elena não voltara a pensar nisso depois daquele momento. É claro que ela não levara as palavras a sério. No entanto, naquele instante, a lembrança da noite em que acordara e pensara ter visto olhos reluzentes na escuridão de seu quarto tomou conta de sua mente, e ela percebeu que talvez não estivesse imaginando.

Damon poderia estar em qualquer outro lugar, fazendo o que bem entendesse, mordendo pescoços pela cidade, mas estava ali, sentado em sua janela no meio da noite. A compreensão de tudo aquilo fez com que o turbilhão de sentimentos voltasse ao peito de Elena. Por mais que ela continuasse escolhendo Stefan, por mais que, constantemente, afastasse Damon, ele continuava ali.

Elena sentia-se desconcertada. Ele já declarara o seu amor por ela em alto e bom tom – no dia anterior, inclusive -, mas aquela atitude simples, que ao mesmo tempo significava tanto, deixara-a sem palavras. Confusa, sem saber muito bem o que fazia, Elena deixou suas pernas levantarem-na da cama e conduzirem-na na direção de Damon, que continuava sentado, uma expressão indecifrável no rosto. À medida que Elena se aproximava dele, Damon parecia mais e mais agitado internamente, uma chama parecendo bruxulear por trás de suas íris profundamente azuis.

- Você não precisava fazer isso... – Elena falou assim que parou em frente a ele, que se colocara de pé. A voz dela estava comovida, tomada por uma forte emoção que ela não conseguia explicar.

- Eu sei que não. – ele respondeu simplesmente, a voz quase um sussurro devido à proximidade entre os dois. Os seus olhos estavam fixos nas íris castanhas de Elena, e ele podia ver por trás delas aquela vivacidade que presenciara na noite em que ela aparecera bêbada em sua casa.

- Então por quê? – Elena questionou também em um murmúrio, suas sobrancelhas levemente unidas em confusão. Ela estava claramente agitada, desconcertada. A resposta de Damon demorou alguns segundos, e foi precedida por uma risadinha sem humor.

- A resposta não é óbvia? – o tom dele estava marcado por algo que lembrava levemente o desespero. Aquelas incríveis íris azuis demonstravam uma necessidade extrema, quase uma súplica, enquanto ele agarrava os braços da garota, seus dedos apertados na pele dela. – Elena, você não entende que eu amo vo...

Antes, porém, que ele pudesse terminar de falar, Elena venceu os poucos centímetros que separavam os seus lábios, unindo-os com um desespero declarado. O beijo foi aprofundado quase imediatamente, ambas as línguas saudosas se encontrando sem pudor. Elas se enroscavam, dançavam juntas num ritmo próprio, único, enquanto as mãos de Elena afundavam-se nos cabelos negros dele. Damon deslizou as suas, que antes seguravam os braços da garota, até as costas dela, numa tentativa ansiosa de acabar com qualquer espaço que existisse entre seus corpos.

Após alguns segundos daquele beijo sôfrego, Damon mordiscou o lábio inferior de Elena e ambos aproveitaram para respirar fundo. Porém, ele não deixou que os lábios dela ficassem separados dos dele por mais do que um breve instante, voltando a grudá-los naquela mesma ânsia anterior. Os dedos ágeis dela agarravam-se nos cabelos dele, puxando-os e bagunçando-os, ao mesmo tempo em que mantinha a cabeça dele próxima a sua, sem deixá-lo se afastar. Essa ideia sequer passava pelos pensamentos dele, que pressionava continuamente o corpo da garota contra o seu, como se a proximidade nunca fosse suficiente. E provavelmente nunca seria, pelo menos não para matar o desejo incessável que ele sentia por ela.

Elena sentiu as mãos fortes de Damon a puxando pelo quadril, e correspondeu imediatamente, dando um leve impulso com o próprio corpo e envolvendo a cintura dele com as suas pernas. Os dedos de Damon seguraram com força as coxas de Elena, e o toque firme dele contra a pele descoberta das pernas dela fez com que choques elétricos percorressem todo o seu corpo. Ela afastou os lábios dos dele, mas voltou a grudar os seus no pescoço dele, chupando a pele repetidas vezes, intercalando com algumas mordidas nada suaves. Ela podia ouvir a respiração cada vez mais entrecortada de Damon próxima ao seu ouvido, o que lhe causava arrepios.

Quando os dedos ágeis do Salvatore tocaram a pele das costas de Elena, por baixo da blusa de pijama que ela usava, a garota ofegou contra o pescoço dele, dando-lhe uma mordida mais forte do que as anteriores. Um sorriso triunfante tomou conta do rosto dela ao ouvir o gemido que escapou dos lábios entreabertos e inchados de Damon.

Os desejos constantes que ela vinha sentindo desde a sua transformação nada se comparavam com o fogo que ardia dentro de seu corpo naquele instante. Era como se ela estivesse próxima à combustão durante todos aqueles dias, e o toque de Damon era a faísca que lhe faltava. Agora, pegando fogo, Elena deixava seus impulsos a levarem, deixava as sensações que percorriam seu corpo tomarem conta também de sua consciência.

Quando Damon aproximou-se da cama, com ela no colo, e depois atirou Elena sobre os lençóis, era como se apenas os dois existissem. Nada lá fora importava enquanto ele deitava-se sobre ela, enquanto as mãos dele percorriam cada centímetro do corpo de Elena, demorando-se mais nas pernas quase totalmente descobertas. Só existia Damon, em toda a sua sensualidade, os cabelos bagunçados, os lábios vermelhos, o olhar enegrecido pelo desejo. Só existia Damon, enquanto ela passava os dedos por baixo da jaqueta preta dele, arrancando-a. Só existia Damon, enquanto ele deslizava os lábios pelo pescoço, peito e barriga descoberta de Elena, fazendo com que seus músculos se contraíssem sob o toque dele. Nenhum som importava, além da respiração ofegante dos dois, dos ocasionais gemidos e...

Elena congelou do jeito que estava, com a mão nos cabelos negros de Damon enquanto ele beijava-a na altura do umbigo. Da porta fechada que dava para o banheiro que dividia com Jeremy, ela pôde ouvir a voz do irmão.

- Elena? – ele perguntou hesitante.

Ela não ouvira os passos do irmão se aproximando. Elena simplesmente esquecera o mundo ao redor.

Um rápido olhar dela para Damon bastou para que ele levantasse, juntasse sua jaqueta e se escondesse em um canto escuro do quarto, tudo em menos de um segundo. Elena então respirou fundo, tentando recuperar o fôlego, e organizou os lençóis e os cabelos. Fingiu então uma voz sonolenta.

- Jeremy? Pode entrar...

Ele abriu a porta lentamente e olhou para os lados, meio desconfiado, antes de entrar no quarto que só não estava em total escuridão em função do abajur ligado. Elena teve que controlar o nervosismo ao ver o irmão passar os olhos pelo lugar onde Damon estava escondido nas sombras.

- Você está bem? Você dormiu o dia inteiro, e depois ouvi uns gemidos... – ele balançou a cabeça, sem jeito, e pigarreou. – Achei que você pudesse estar passando mal.

- Estou ótima, Jeremy. Devia estar sonhando com alguma coisa. – ela forçou um sorriso que saiu um tanto amarelado em função do nervosismo.

- Boa noite, então. – ele concordou com a cabeça, com uma expressão ainda não muito convencida, e saiu do quarto, não sem antes dar uma rápida vasculhada com os olhos.

Assim que foi possível ouvir as duas portas do banheiro se fechando e Jeremy andando até a sua cama, Damon saiu das sombras. Ele deu alguns passos na direção da cama de Elena, mas parou ao ver a expressão que ela exibia. O irmão batendo em sua porta a acordara para a realidade que existia além daquele quarto, além do desejo incontrolável que sentia por Damon. Em algum lugar da Mansão Salvatore, Stefan ignorava tudo que estava acontecendo. Ela o escolhera, tivera os seus motivos, e não era certo fazer isso com ele. Ou com Damon. Ela deveria manter a sua decisão.

Os lábios de Damon logo foram tomados por um sorriso irônico. Ele balançou a cabeça quando Elena se levantou da cama e andou na direção dele, querendo se explicar, se desculpar. Não eram necessárias palavras para fazê-lo decifrar o que estava se passando na mente da garota. Era a mesma história novamente... E ele sabia qual era o resultado, quem era o escolhido.

- Damon, eu... – ela sussurrou tão baixo que só ele seria capaz de ouvir, mas Damon a interrompeu.

- Boa noite, Elena. – o tom de voz dele era gélido, assim como os seus olhos. Outro sorriso brotou nos seus lábios, ainda mais irônico do que o anterior, e, pela primeira vez, Elena achou-o feio. Seu rosto estava todo tenso, como se ele fizesse força para controlar algo que tentava tomar conta dele.

E então Damon tomou o rumo da janela, sem olhar para trás, sem esperar por nenhuma resposta. Nada que saísse da boca de Elena naquele momento o agradaria. Assim que aterrissou na grama do pátio dos Gilbert, andou para a escuridão da noite, em busca de um lugar onde não precisasse esconder a sua mágoa por trás de respostas frias e sorrisos irônicos. Ele caminhou sem parar, caminhou até conseguir se embrenhar no bosque o suficiente para não ter companhia.

Em algum lugar ali perto, pássaros voaram assustados para longe das árvores e uma garotinha foi acordada de seu sono tranquilo por algo que parecia um grito agoniado, um grito de puro sofrimento. Sua mãe tentou acalmá-la, mas também ela sentia-se assustada. Não havia nada de humano naquele som.

Notas finais
E aí? Compensei a espera de vocês por um momento Delena? Eu simplesmente AMEI escrever a cena dos dois, e espero que vocês gostem também. Mas tadinho, né? Podem imaginar como ele vai reagir agora? Enfim, gostaria de ler os reviews de vocês! Eles me fazem muito feliz. E não me importo se aparecerem leitores fantasmas, que até hoje nada tinham comentado. Pelo contrário, iria adorar! Por favor, façam a felicidade de uma autora carente de atenção hahaha. Até mais, e não esqueçam que eu vou passar a semana fora! Beijinhos