The Fire Inside

5 Bittersweet memories


Notas iniciais
Olá, queridos! Primeiro gostaria de pedir desculpas pela demora, mas passei vários dias dessa semana de cama, fraca, sem comer. Não tinha capacidade alguma de pensar em algo para escrever. Mas aqui está, finalmente! Além disso, gostaria de dizer que - com exceção de umas lindas que me deixam uns reviews mais lindos ainda - vocês estão comentando pouco! Qualquer um que escreve sabe como esses reviews são essenciais para motivar os autores. Vamos lá, gente!!

Do lado de fora da casa, Stefan ouvia apreensivo os gritos que vinham do andar de cima. Apesar de sua audição aguçada, ele não foi capaz de distinguir as palavras. Ele sabia que Damon não aceitaria facilmente a ideia, e que sentiria raiva do irmão mais novo. Afinal, não era segredo para ninguém que Damon Salvatore era apaixonado pela garota de seu irmão. Ele, Stefan, perdido de amores por Elena Gilbert, entendia como era difícil imaginar o mundo sem ela. Mas ele a compreendia, sabia que aquela vida não era para ela, e, por mais que seu coração sem vida doesse absurdamente, ele entendia que devia deixá-la ir. Damon, porém, não entendia. Ele a queria perto dele, da forma que fosse, não importando qual a opinião da garota. Apesar de seu irmão ser uma espécie de “rival”, Stefan o entendia. Afinal de contas, o amor pode tomar inúmeras faces diferentes.

Stefan foi chamado de volta de seus pensamentos por um silêncio estranho. Ele sabia que havia prometido a Elena que esperaria ali, mas o pânico tomou conta de sua mente. E se o tempo dela tivesse terminado? E se ela tivesse ido embora para sempre sem que ele tivesse tempo para se despedir? Desesperado, Stefan entrou correndo na casa, subindo as escadas numa velocidade em que um ser humano sequer o enxergaria.

Quando chegou ao quarto de Damon, Stefan ficou paralisado na porta. Elena estava deitada na cama, apoiada no peito de Damon e inconsciente. Porém, após os primeiros segundos de pânico, Stefan percebeu que a garota não tinha uma aparência fraca e morta, bem pelo contrário. Elena parecia bem, parecia forte, e foi só então que ele notou o resquício de um líquido avermelhado no canto dos lábios de Elena e a garota loira caída no chão.

– O que você fez? – perguntou Stefan, visivelmente alterado, olhando para o irmão pela primeira vez.

Damon, irônico, levou o dedo estendido aos lábios, sinalizando que o outro fizesse silêncio.

– Você a obrigou a se alimentar? – retornou a perguntar Stefan, ignorando Damon e falando alto. Ele sentia uma raiva crescente pelo irmão. Elena dissera-lhe claramente, olhando nos seus olhos, que não conseguiria lidar com a culpa, com o eterno autocontrole. Ela não queria aquilo.

– Não sou estúpido como você. – Damon respondeu simplesmente, colocando Elena deitada nos seus travesseiros e então se levantando. Ele foi até a garota no chão, ignorando o olhar do irmão, e levou seu pulso até a boca dela depois de perfurar a sua própria pele. Ela bebeu um pouco e lentamente acordou. Assim que ela o fez, Damon segurou-a pelo queixo e a compeliu a esquecer tudo que havia acontecido e ir embora. Após observá-la sair do quarto, Damon fez o mesmo, indiferente ao outro vampiro.

Stefan bufou e seguiu o irmão que descia as escadas, sem parar de falar pelo caminho.

– Não foi nos seus olhos que ela olhou e disse que não conseguiria viver como uma vampira, Damon! Ela não quer essa vida.

– Ela não conhece o suficiente para saber. – Damon disse enquanto parava em frente ao bar na enorme sala da casa, servindo-se de uma dose generosa de uísque. Stefan parou atrás dele.

– Não acha que ela já teve inúmeros exemplos ruins vindos de você, Damon? – perguntou Stefan com um sorriso irônico.

Damon virou-se lentamente para o irmão, observando-o com desdém enquanto tomava em um gole todo o conteúdo do copo que tinha nas mãos. E então ele abriu um sorriso arrogante.

– Ou de você, não é, meu irmãozinho estripador? – a sua voz saiu carregada de sarcasmo.

A fúria de Stefan o cegou por um momento, seu rosto todo se transformando enquanto ele encarava o irmão. No entanto, ele respirou fundo por alguns segundos, retomando o controle sobre si que ele sempre lutava tanto para manter.

– Para Elena, até morrer era melhor do que completar a transição. Então parabéns, só o que você conseguiu foi dar a ela motivos para sofrer. E você sabia disso, Damon, mas não foi capaz de pensar em outra pessoa além de si mesmo. Agora, com licença, alguém precisa ajudá-la quando ela acordar. – Stefan disse tudo com frieza, dando meia volta quando terminou e subindo as escadas.


Damon virou-se para o bar e encheu o seu copo agora com sangue. Antes de levá-lo aos lábios, porém, ele revirou os olhos e deixou que escapasse de sua boca um baixo som de deboche.

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Voltando lentamente à consciência, Elena desejou que todos os acontecimentos dos últimos dias fossem apenas um péssimo pesadelo. Porém, os sons especialmente altos que invadiam seus tímpanos e os faziam zunir deixaram claro que era tudo uma triste realidade. Prestando atenção, Elena conseguiu identificar uma respiração lenta perto de si, e imaginou se seria Damon. A fúria borbulhou dentro do peito da nova vampira enquanto ela pensava no mais velho dos irmãos Salvatore e no que ele havia feito para ela.

Ao abrir os olhos, porém, Elena viu que quem dormia ao seu lado na cama era Stefan. Ele pegara no sono enquanto esperava a mais nova vampira de Mystic Falls retomar sua consciência. O mais silenciosamente que conseguiu, Elena sentou-se na cama e fechou os seus olhos, prestando atenção aos seus sentidos mais aguçados do que nunca. Um cheiro maravilhoso e inebriante emanava dos lençóis de Damon, uma mistura de canela com alguma flor que Elena não conhecia. O tecido sob seus dedos era macio, como se ela tocasse num chumaço fofo de algodão. Outro cheiro também invadia as suas narinas, e ela desconfiou vir de Stefan; era cítrico demais, e ela enrugou o nariz. E então ela se entregou aos sons que a incomodavam; até os agradáveis, como o canto dos pássaros, pareciam altos demais e faziam sua cabeça latejar. Tentando ignorar os mais elevados, que vinham da rua, Elena pôde ouvir alguns ruídos no andar inferior. Seu sangue tornou a ferver ao perceber que quem os estava produzindo era, provavelmente, Damon Salvatore.

Ao pensar nele, o gosto do sangue contra sua língua voltou vívido à sua memória. Era irresistível, adocicado, intoxicante. Com toda sua força de vontade, Elena tentou reprimir aquelas lembranças que faziam sua garganta arder, suplicando por mais. Focou-se na raiva que sentia de Damon e levantou-se da cama rapidamente, esquecendo completamente que Stefan dormia nela. Desceu os degraus na sua nova velocidade, ainda não acostumada com ela, e parou na porta da cozinha. Damon cozinhava alguma coisa, de costas para ela, mexendo a frigideira de forma a fazer a massa voar de um lado para o outro.

A fúria que sentia era tanta que Elena não sabia nem por onde começar. Tinha vontade de socá-lo, de xingá-lo, de simplesmente gritar coisas sem sentido, e o fato de ele estar claramente ignorando a presença dela ali, como se nada tivesse escutado, só a deixava ainda mais irritada.

– O que você tem na cabeça? – foi o que ela conseguiu falar, aos gritos.

Damon virou-se para ela, ainda com a frigideira na mão e abriu um sorriso, como se nada tivesse acontecido.

– Estou pensando no quão delicioso ficará esse café da manhã. – ele fez a massa dar mais um salto antes de colocá-la numa pilha com outras massas de panqueca.

– Eu falei claramente que eu não queria ser uma vampira, que eu não aguentaria essa vida. Eu não queria, Damon! Você não consegue respeitar as minhas decisões? – ela continuava gritando, ignorando totalmente as palavras dele.

– Você estava morrendo na minha frente, Elena. – ele deu de ombros e desligou o fogão, levando as panelas sujas até a pia. – Deveria estar agradecida pela chance de ter esse café da manhã.

– Agradecida por você ter me forçado a ser algo que eu não queria? Como eu vou conviver comigo mesma? – o fato de ele estar agindo normalmente só a tirava ainda mais do sério. Ele conseguia ser a pessoa mais cínica que ela conhecia.

– É questão de costume, Elena. Você tomou uma decisão precipitada e eu acertei as coisas no último instante. – Damon colocou as panquecas na mesa, que estava repleta de diferentes sabores de sucos.

– Você é um egoísta, Damon! – Elena gritou, totalmente fora de controle agora. Ela correu até ele e arrancou de sua mão o copo de suco que ele estava prestes a levar à boca, o qual se estilhaçou ao cair no chão, espalhando o líquido alaranjado. Finalmente ele ficou sério, encarando-a antes de falar. A sua expressão havia se transformado.

– Sim, Elena, eu sou egoísta. – o seu tom agora era gélido, e não havia nenhuma sombra de divertimento em seus olhos. Ele apenas estava sério, impassível. – Mas se fosse eu naquela ponte, teria sido egoísta desde o início. Seu amiguinho garçom teria morrido, mas você não teria que passar por essa situação. Você continuaria humana e teria todo o seu futuro pela frente. Então, Elena, eu só fui egoísta agora porque o meu irmãozinho querido fez a bobagem de ouvi-la naquela noite.

– Ele me respeitou, Damon! Essa foi a grande bobagem que você diz que ele fez! Ele pensou em mim, ele sabia que eu não suportaria a morte de Matt... – Damon, porém, interrompeu os gritos de Elena.

– Eu sou egoísta porque eu te amo, Elena. – ele não gritava, mas o seu tom era cortante de tão frio, e sua expressão estava totalmente indecifrável, exibindo apenas um sorriso irônico. Ele passou por Elena e saiu da cozinha com passos firmes. Logo em seguida, ela ouviu a porta de entrada bater com força.

As palavras dele atingiram Elena em cheio, deixando-a zonza e sem reação. Por aquilo ela definitivamente não esperava. É claro que Elena sabia que Damon nutria sentimentos por ela, isso era claro para todos que conviviam com os dois. No entanto, ela não imaginava ouvir isso saindo da boca dele, ainda mais daquela forma fria, naquele tom que não combinava com aquelas palavras.

Subitamente, como numa espécie de filme antigo, um tanto amarelado e com algumas falhas, ela visualizou Damon parado perto à janela. Porém, ela não estava mais naquela cozinha, e sim no seu quarto.

Pendurado nos dedos dele estava o colar de verbena de Elena.

– Eu só tenho que dizer uma coisa... – ele disse suavemente, aproximando-se um passo dela, que recuou instantaneamente.

– Por que precisa dizer com o meu colar? – ele foi pego de surpresa com a pergunta e gaguejou um pouco antes de responder.

– Porque o que vou dizer é provavelmente a coisa mais egoísta que já disse em toda minha vida. – Elena podia ver a fragilidade de Damon aparente como nunca em suas expressões.

– Damon, não faça isso... – ela suplicou, tentando pegar o colar.

– Eu só preciso dizer uma vez. – ele praticamente suplicava também, tentando se aproximar dela novamente. – E você só precisa escutar. – bem próximo a ela, olhando profundamente em seus olhos, ele pronunciou as palavras, decidido. – Eu te amo, Elena. E é porque eu te amo que eu não posso ser egoísta com você. Eu não posso fazer isso. Eu não mereço você. Mas meu irmão merece. – a dor ficou visível nos olhos de Damon naquele instante. E então, aproximando-se ainda mais, ele depositou um longo beijo em sua testa, um beijo cheio de significados e sentimentos. Damon levou seus dedos até o rosto de Elena e acariciou-a tristemente. – Deus, eu gostaria que você não precisasse esquecer isso. Mas precisa. – o olhar incrivelmente azul dele encontrou o de Elena com determinação, enquanto ele a compelia a esquecer tudo aquilo.

Então Elena piscou, e, quando percebeu, estava novamente sozinha na cozinha dos Salvatore. Aquelas lembranças inesperadas deixaram-na atordoada. A tristeza de Damon deixou o seu coração apertado, dolorido. Ela não se lembrava de já o ter visto tão frágil, e sabia como devia ter sido um momento difícil para ele. A fúria que sentia abriu um espaço considerável em seu coração para a compaixão.

Antes que pudesse pensar muito no que acabara de recordar, outro filme antigo pareceu rodar em frente a seus olhos.

Agora ela estava à beira da estrada, à noite, mas não estava sozinha. Damon estava parado à sua frente, na sua típica jaqueta preta. Elena sorria.

– Então, Damon, conte-me. O que é que eu quero?

Ele abriu um sorriso de canto, parecendo achar graça de uma piada interna.

– Você quer um amor que a consuma. Você quer paixão, aventura. E um pouco de perigo. – ele abriu ainda mais o seu sorriso torto, e ela não conseguia desviar seus olhos daquela imensidão azul dos dele.

– Então... O que você quer? – ela perguntou de volta, e ele ficou um tanto surpreso, pesando lentamente sua resposta. Eles ouviram um carro se aproximando e ela se virou para olhar. – São meus pais. — quanto voltou a olhar para ele, no entanto, Damon estava mais próximo do que ela esperava. Seus olhos fitavam os dela de forma profunda, e, quando ele falou, seu tom estava intenso, apesar de baixo.

– Eu quero que você consiga tudo que você procura. Mas agora, preciso que você se esqueça disso. Ainda não podem saber que eu estou na cidade. Boa noite, Elena. – e, com uma pitada de tristeza no rosto, ele a encarou pela última vez antes de desaparecer num piscar de olhos.

Elena voltou à realidade ainda mais atordoada do que antes. Isso tudo significava que Damon havia aparecido na vida dela antes do que ela imaginava, antes mesmo do que Stefan. Elena recordou-se das palavras que dissera para ele naquela conversa dolorosa no telefone, na noite em que caíra da ponte: “talvez, se tivéssemos nos conhecido primeiro...”.

A compaixão por Damon só cresceu em seu peito. Deveria ter sido extremamente difícil ter passado por tudo isso, ter ouvido essas palavras saírem da boca de Elena e saber que, por opção, ele havia negado a ela, e a ele, aquela lembrança.

Damon Salvatore não era, no fim das contas, tão egoísta quanto Elena imaginava. Mais do que nunca, ela sabia que ele realmente a amava, e, mesmo ela sempre escolhendo o seu irmão, ele não deixava de fazer tudo para protegê-la. É claro que ele tomava decisões erradas, precipitadas, impulsivas, e muitas vezes sequer ouvia as opiniões de Elena sobre a situação, mas esse era Damon Salvatore. De sua forma distorcida, só o que ele queria ao transformá-la em vampira era manter a mulher que amava por perto, mesmo que fosse para ela ficar ao lado de Stefan, mesmo que fosse para ela odiá-lo. Ele estava disposto a tudo por ela – ou por aquilo que achava ser o melhor para ela, mesmo não sendo o que ela gostaria.

Algum tempo depois – que Elena não saberia dizer se eram segundos, minutos ou horas, pois permanecera perdida em seus pensamentos – Stefan apareceu na cozinha. Ele acabara de acordar, não tendo ouvido nada do alvoroço entre Damon e Elena. Preocupado, ele tentou acalmá-la quanto à transformação, enchendo-a de perguntas sobre como ela estava se sentindo. Ela tentou soar o mais normal possível, sem querer preocupá-lo ainda mais, mas estava completamente distraída pelas suas novas recordações, que ficavam se repetindo em sua memória. Tudo o que ela gostaria, naquele momento, era ficar sozinha com Damon, tentar reconfortá-lo de alguma forma.

A nova vampira, que acordara com seu peito borbulhando de raiva daquele que a obrigara a se transformar, agora se sentia, de certa forma, agradecida. Se não fosse por isso, ela não teria tido aquelas recordações que agora produziam inúmeros sentimentos inexplicáveis dentro de seu coração. E a forma como ele partira após largar aquela bomba no colo da garota, batendo a porta ao passar... Elena sentia pena de Damon, mas sabia que ele rejeitaria aquele sentimento.

Elena via Stefan falar, sentado à mesa junto com ela, mas não ouvia nada que o vampiro falava. Sua mente estava tomada por um único pensamento: Damon Salvatore.


Notas finais
Confissões do Damon! O que acharam? E Elena finalmente lembrou de tudo!! Aliás, só gostaria de reforçar que as partes em itálico não pertencem a mim, e sim aos episódios 2x08 e 3x22 de The Vampire Diaries. Deixem suas opiniões, suas críticas, tudo! Vou ficar feliz só de saber que vocês leram! Por último, gostaria de avisar que estou indo viajar nessa terça-feira e só retorno no dia 28 de janeiro. Até lá, infelizmente, só terei acesso à internet no celular, então não terei como atualizar. Desculpinhas, mas vou compensar vocês depois! Beijinhos e até a próxima!