Capítulo 1

Era sempre na casa da Penny que acontecia nossas cessões de filmes, um dos motivos era a sua gloriosa TV de plasma que dava a impressão de estar num cinema, a outra era que sempre seus pais eram muito legais, sempre me tratando como se fosse filha deles, e é claro o principal de tudo era que eu podia ficar perto de Dimitri o garoto mais bonito do colégio, mas infelizmente irmão da minha melhor amiga.
Penny e eu éramos amigas desde da 7 serie, ninguém intendia o porque dela ser minha amiga, pois Penny é de uma família extremamente rica enquanto eu sou filha de um mecânico. Vivi durante 11 anos num orfanato, quando completei 12 fui adotada por Jack, um mecânico que trabalha em sua própria oficina, na garagem de casa. Penny nunca ligou para esse tipo de coisa — Dimy, um apelido de infância de Dimitri que ele tanto odeia — sempre fazia piadinhas, mas era sempre na oficina de Jack que ele concertava seu carro.

– Eu estava pensando... — Começou Dimy, mas foi interrompido por Penny.

– Serio? Isso é uma coisa que poderia fazer mais vezes — Penny nunca perdia uma oportunidade de perturbar o irmão.

– Contando que ele saiba beijar, pensar é o de menos — Falou Kelly entrando no quarto, revirei os olhos, essas palavras eram típicas dela, Kelly é o tipo de pessoa que não liga para a inteligência, o interesse dela é a beleza. Isso é o que me revolta mais, tipo como Dimitri um garoto bonito, inteligente, legal, engraçado, lindo pode namorar uma menina tão idiota quanto e superficial quanto a Kelly?

– Não me lembro te der convidado a sua espécie para o cine pipoca, Kelly — Falou Penny que assim como eu, detestava ela.

– O que foi que você disse? — Perguntou Kelly estreitando os olhos. Se Dimi não tivesse interrompido, eu tinha certeza que essas duas iriam se estapear.

– Nada. Penelope não disse nada. Afora vamos sair daqui. — Disse Dimmy se levantando do sofá.

– Você não vai assistir o filme? — Perguntei.

– Outro dia talvez, mas eu e Kally vamos sair agora. — Respondeu enquanto erra arrastado para fora do quarto.

– Bem... Então somos só nós duas, como sempre.


Depois do filme Penny e eu ficamos discutindo sobre quais garotos do terceiro ano que além de lindos era inteligente e mereciam a nossa admiração (palavras de Penny), por fim chegamos a conclusão de que Matt Sonolan o vice-presidente do Grêmio Estudantil era o mais gato do colégio, não mais que o Dimitri, é claro.
Quando deu onze oras no relógio, decidi que já estava na hora de ir para casa, a senhora Wilson insistiu que como estava tarde seria perigoso eu sair perambulando pela rua, e pediu a Dimy, que já havia chegado, para me levar para casa, o que foi uma péssima noticia, porque bem... se você nunca ficou sozinha com o menino que você gosta, não sabe o que é se sentir desconfortável. Eu disse que não precisava, que o ponto de ônibus ficava a só uma quadra de distancia, mas como previsto, ela não aceitou e disse que Dimy ia me levar e ponto final.
A metade do caminho foi um silêncio total, eu nunca fui de ficar sem assunto, mas Dimitri provocava isso em mim, essa timidez estupida. A única coisa que eu era capas de fazer naquele momento era de ficar observando ele enquanto dirigia, era lindo como seu cabelo caia sobre seus olhos dourados, meu olhar desceu até sua boca, onde eu vi um sorriso travesso se formar e foi nessa hora que eu percebi tarde demais que ele me viu o observando que nem uma retardada.

– Tem alguma coisa na minha cara? — Perguntou ele, me fazendo ficar nitidamente vermelha.

– Sim. Digo, não! Não tem nada de errado com você, nada mesmo, esquece isso.

Ele balançou a cabeça e voltou a olhar para a rua, com certeza imaginando "que menina retardada...". Dessa vez eu não desgrudei o olhar da janela. Alguns minutos se passaram e logo foi possível ver o Blink's, fiquei aliviada porque isso significava que já estávamos perto de casa.

– Quer comer alguma coisa? — Perguntou ele repentinamente, enquanto ia para o estacionamento do Blink's.

– Ah, não estou com fome — Respondi, o que era mentira, pois eu estava morrendo de fome.

Ele deu um suspiro e disse:

– Vamos lá, eu pago.

Eu quis negar, mas pelo menos eu poderia mostrar a ele que não sou tão louca quanto ele deve pensar que sou. Depois de estacionar, descemos e entramos no restaurante. Blink's era um lugar agitado onde os jogadores do colégio iam comemorar suas vitorias, mas hoje estava vazio exceto pelo garçom e pelo próprio senhor Blink ou Boris para os mais amigos.
Dimy me perguntou o que eu queria, respondi que só um Donut e um suco de laranja, me sentei e esperei, enquanto ele ia até o balcão falar com o Sr. Blink que era amigo dele. 5 minutos depois ele voltou acompanhado do garçom, que parecia estar achando muita graça no que Dimy dizia a ele.

– Alex quero te apresentar meu amigo Matt. E Matt como você sabe, esta é Alex, amiga da minha adorável irmã.- Apresentou ele. — Matt esta no fim do expediente, e vai se sentar aqui com a gente, tudo bem para você?

– Claro, porque não? Fique a vontade.

Com um sorriso, Matt se sentou ao lado da minha cadeira, enquanto Dimy se sentava a minha frente colocando a bandeja de lado. O silêncio se apoderou da nossa mesa, eu estava um pouco sem graça, mas para não demonstrar isso peguei meu copo e beberiquei um pouco de suco, só para descobrir, o quão azedo e horrível estava, notando minha expressão de desgosto, Dimy perguntou:

– Algo de errado?

– Não, é só esse suco, esta com um gosto horrível. Vou ali no balcão tro...

– Deixe que eu faço isso. — Se ofereceu Dimy, rapidamente pegando meu copo, saindo da
mesa.
Depois de um tempo pensando em como eu iria iniciar uma conversa com um não tão desconhecido, Matt se pronunciou primeiro. Falando o que eu nunca esperava ouvir dele.

– Então... Soube que fui eleito o garoto mais inteligente e lindo da escola. Isso é verdade. -Quando disse isso, eu me engasguei com o suco, acho que fiquei roxa. E isso fez Matt soltar uma risada baixa.

– Er... Bem sim. E se você já esta sabendo, aposto que Penny já postou isso no blog dela. — Disse eu relaxando um pouco. — Não leve muito a serio, o que Penny posta no blog, são coisas aleatórias e sem sentido. E nós nem tínhamos muita opção. — Disse dando de ombros.

– Vocês tinha toda população masculina do colégio.

– Pois é, se quiser eu peço para Penny colocar outra pessoa.

– Ah, não pode deixar do jeito que esta, não me importo.

– Então ta bom — Falei.

Achei estranho que Matt estivesse falando comigo depois de tanto tempo, estudávamos no mesmo colégio a três anos. É claro que ele não me notava, pois ele era da turma popular, minha turma era só a Penny, não que eu não tivesse amigos, mas a idéia de Matthew Snolan conversando com alguém que não seja da panelinha de populares era um pouco inimaginável, ainda mais quando esse alguém sou eu. Parte de mim estava um pouco empolgada, a outra parte com raiva, pois por mais que fosse constrangedor estar com Dimy num restaurante, eu queria estar com ele, só com ele, a não ser que... Dimitri estivesse me jogando para cima de seu amigo.

Nessa hora eu fiquei decepcionada e brava ao mesmo tempo.

– Bem, Dimy esta demorando, e eu perdi a fome. Estou indo embora. — Disse me levantando.

– Ei, espere. Eu disse algo errado?

– Não, não é isso. Eu só... Estou cansada.

Se Matt percebeu ou não que eu estava mentindo, ele não disse nada.

– Então deixe que eu te levo.

– Não, chega de carona. E vou sozinha, não se incomode com isso.

– Pode me passar seu número pelo menos?

Não neguei, talvez ele não me ligasse. Falei o número e ele anotou.

E depois fui embora e percebi só mais tarde, que essa tinha sido uma péssima escolha.