Notas iniciais
Desculpem a demora

Enquanto caminhava, sentia a brisa gelada da noite açoitando meus cabelos, não estava frio, mas estava fresco o suficiente para eu sentir o arrependimento de não ter vestido uma blusa de manga cumprida.

Já fazia alguns minutos que eu saíra do Blink's, deixando para trás a carona de Dimy, mas eu não estava arrependida, talvez tenha sido melhor assim, não queria ver Dimitri me jogando para cima de seu amigo, pois por mais que Matt fosse uma cara legal e gentil, ele era um pouco... esnobe, os amigos de Dimy sempre se acharam os máximos, talvez fosse porque todos eles eram filhos de pais ricos, ou porque eles eram da galera popular e sempre tinha pessoas se matando simplesmente para ficar um minuto ao seu lado. Enfim eu não vou ser uma dessas pessoas, sei qual é meu lugar nisso tudo, e definitivamente não era ao lado do vice-presidente do grêmio estudantil. Senti meu celular vibrando eu meu bolso, era uma mensagem de Dimitri, perguntando o porquê de eu ter ido embora, respondi somente que não estava me sentindo bem, e em parte era verdade. Ele respondeu logo em seguida, dizendo que eu iria me arrepender, que agora eu teria que enfrentar 3 quilômetros de distância até a minha casa, ou eu poderia esperar onde eu estava, que ele viria me buscar. Neguei o convite e continuei meu caminho, afinal, já tinha andado muito mais que isso quando perdia o ônibus da escola e mesmo que quase todo o dia que eu passasse ali, nunca tinha reparado no estranho e novo bar que havia ali na beira da estrada.

O som alto e os gritos indicavam que o Covil do Natann estava bem cheio e perigoso e isso queria dizer "Alex fique longe e apresse o passo" e eu teria feito isso, juro que eu teria se eu não tivesse visto aquela garotinha chorando perto da entrada. A menina chorava tanto que soluçava, comovida (naturalmente) me aproximei da garota, ela tinha a pele morena e seu cabelo escuro e cachiadinho cobria seu rosto, ela segurava um medalhão, daqueles que põem míni fotos e estava tão desatenta que não me notou quando já estava ao seu lado.

– Você esta bem? — Perguntei, e quando ela não respondeu, tentei novamente.

– Você esta bem? — Perguntei, e quando ela não respondeu, tentei novamente.

– Ei, você se perdeu dos seus pais? — Não dizendo nada, ela balançou a cabeça e parou de soluçar — Quer ajuda para encontra-los?

– Você me ajudaria? — A garotinha perguntou, ainda com a cabeça abaixada.

– É claro. Eles estão ali dentro?

Ela não disse nada, mas soltou seu medalhão e tocou minha mão. Quando olhei sua mão, me espantei ao ver como elas estavam machucadas, era como se a menina as tivesse mergulhado em agua fervente, mas ela parecia não notar.

– Você jura que vai me ajudar? — Perguntou ela, com uma voz baixa e um pouco estranha, e devagar levantando sua cabeça. — Você jura pela sua alma?

Quando pude ver seu rosto por completo, tive que me segurara para não dar um grito de pavor. Os olhos da garota eram tão vermelhos quanto as marcas de sangue que estavam em seu rosto, sua boca estava entre aberta expondo seus dentes, pontiagudos idêntico ao de um a serra. Então de repente a garota de um grito e largou minha mão, e sem hesitar correu para o bar e entrou.

Eu não podia acreditar no que acabara de ver, aquilo deveria ser uma alucinação da minha cabeça, era a única explicação. Mas eu não podia ir para casa com essa dúvida. Então segui a garota.

Eu nunca tinha entrado num lugar tão cheio, fedido e barulhento em toda minha vida, os clientes do Covil não eram nada agradáveis, homens tatuados dos pés a cabeça, mulheres de lingerie e chicotinho, adolescentes metidos a góticos, tinha pessoas brincando com armas de verdade, mas estavam tão bêbados que felizmente ninguém me notou. Então abrindo espaço na multidão eu tentava procurar uma garotinha baixinha de uns cinco anos ou mais, e a cada segundo que passava eu ficava mais e mais enjoada com o cheiro daquele lugar, algumas pessoas dançavam, o que acabava fazendo com que eu fosse jogada de um lado para o outro, e foi nesse empurra empurra que acabei chegando até o balcão, e esbarrando num cara que estava ali sentado.

– Ah! Me desculpe! — Gritei, esperando que ele me ouvisse.

– Você esta cega?! Não me viu aqui não?! — Gritou ele de volta enquanto se virava para me encarar, com aqueles olhos azuis arrogantes. Detesto admitir, mais ele era incrivelmente lindo, lindo num sentido tipo que faz as meninas suspirar, não parecia ter mais que 17 anos era alto tinha os cabelos pretos, e se vestia muito parecido com os outros adolescentes dali, calça jeans escura, jaqueta de couro preto, e coturno, parecia um motoqueiro, mas esse estilo lhe caia bem. Mas eu não tinha tempo para a arrogância dele, muito menos para ficar imaginando que tipo de roupa lhe caia ou não bem.

– Eu já te pedi desculpa. — Tentei — Você por acaso viu uma garotinha passar por aqui?

– Estou com cara de babá de criança?

Eu estava a ponto de retrucar uma resposta igualmente malcriada, mas dai eu vi a menina bem no meio do bar, ela não estava sendo espremida como eu havia sido quando passei por aquele mesmo lugar, era o contrário, as pessoas mantiam uma distância dela como se estivessem com medo de encostar eu também estava, mas ignorei meu medo dei as costas para o adolescente e fui até ela e a puxei pelo braço. Só que quando ela me encarou, já não era aquele rosto assustador que eu tinha visto do lado de fora, para meu espanto era apenas uma criança normal, que estava muita raiva.

– Me larga sua estranha! Você não pode me ajudar! — Gritou e saiu correndo se misturando mais e mais no meio daquela gente. Um pouco amedrontada com a certeza que quando chegasse em casa teria que tomar um bom e forte remédio para a cabeça eu decidi ir embora. Infelizmente, minha noite não estava nem perto de acabar.

– Ei menina, você é nova aqui né? — Perguntou um homem próximo a mim, segurando uma bebida escura. — Beba isso, você vai gostar. — Disse.

– Não, obrigada. — Respondi me virando, mas ele não tinha desistido.

– Vamos lá, não dificulte as coisas. — Falou e subitamente agarrou meu braço com força. — Eu e meus amigos precisamos de um Feudo e você será o meu, por isso seja uma boa garota e beba isso.

– Eu não vou beber essa coisa. Agora me solte ou eu vou... — Vai o que? Você não pode fazer nada! — Perguntou ele, rindo de mim. — Clent venha cá, olhe o que eu encontrei aqui.

O tal Clent não veio sozinho, junto dele tinha outros dois homens, que pareciam lutadores de luta livre altos musculosos e arrepiantes, se eu ainda tinha chance de sair ilesa dali, essas se foram no memento em que aqueles brutamontes chegaram.

– Pois é Rick, você é ótimo em diferenciar essas dai das daquelas imprestáveis Darknest.

– Eu sei, eu sei agora pode segura-la por favor, ela esta se fazendo de dificl.

Os amigos de Rick gargalharam e Clent me segurou por tras, prendendo meus braços as minhas costas, não tinha como me soltar e também não tinha para quem pedir ajuda, já que obviamente não conhecia ninguém dali. Todos os outros ao redor pareciam não perceber o que estava acontecendo, até aquele estupido do balcão parecia não notar. Eu estava perdida.

Enqunto Rick aproximava aquela bebida do meu rosto, eu ficava imaginando o que aconteciria comigo quando eu finalmente a bebesse, e eu tinha um pessimo precentimento que se isso acontecesse, minha vida mudaria totalmente, e não era de um modo bom. Então uma voz impaciente soou atrás de mim.

– Porque não deixam a garota ir embora? — Todos se viraram ao mesmo tempo, o que me forçou a fazer o mesmo. Me surpreendi ao ver o menino do balcão, que tinha sido tão arrogante comigo, e agora esta ali, me defendendo.

– Wow Ethan, que tal você dar o fora e nos deixar em paz com a gracinha aqui — Respondeu Rick apontando para mim. — Eu detestaria se meus homens o matassem, nessa data tão especial.

Os capangas balançaram a cabeça em concordância, mas Ethan continuou firme, isso me fez pensar o quanto ele era louco, aqueles homens eram definitivamente mais forte que ele, e estava em maior numero, o que ele pensava em fazer quando um deles decidisse parti pra briga? Descobri isso mais cedo do que esperava.

– Vocês sabem que não podem fazer isso com uma menor de idade, não sabem? Deixem-na ir e eu lhe garanto, que o concelho não ira ficar sabendo do que aconteceu aqui. — Disse ele numa voz calma. Rick fingiu considerar aquilo, então respondeu.

– Não sei não, acho que vou matar você e depois eu termino com ela.

Depois disso tudo aconteceu muito rápido, Rick tirou uma faca do bolso e voou pra cima de Ethan, pensei que esse seria o fim dele, mas Ethan era muito mais ágil e desviou da faca com facilidade e logo puxou uma... espada? É isso mesmo uma espada de lamina negra, isso fez Rick tropeçar e olhar com espanto para Ethan, Clent que até então estava me segurando me soltou do aperto e foi proteger seu chefe, assim como os outros, só para serem reprendidos.

– O que diabos vocês pensam que estão fazendo, peguem a garota!!! — Eles não obedeceram de imediato, ficaram na duvida se vinham atrás de mim, que estava me afastando aos poucos para não ser notada, ou se lutavam com Ethan. Assim como eu fiquei na dúvida, se corria ou se ajudava Ethan, mas quando olhei em seu rosto, sua expressão dizia: Corra. E foi isso que eu fiz.

Eu havia até esquecido que estava em um bar lotado de gente, o fato de estar cheio me ajudou a me esconder, já que eu não podia sair do bar, aqueles homens com certeza esperavam que eu corresse para fora e eu podia fazer isso, é claro, depois que passasse pela porta poderia correr e eles talvez não me alcançariam, mas e se estivem armados? Eu não podia corre de uma bala. Olhei ao redor procurando um esconderijo menos barulhento para que eu pudesse ligar para a polícia, subi as escadas que levavam para o andar de cima, era lá que ficavam os banheiros. Entrei, tranquei a porta e fiz a ligação.

– Emergência, posso ajudar?

– Preciso de ajuda, eu e meu amigo estamos sendo perseguidos por uma gangue de motoqueiros!! Eles vão nos matar!

– Mantenha a calma ok? Nos diga onde vocês estão e mandaremos uma viatura para o local.

Falei o endereço e o policial disse que chegariam em alguns minutos, como se eu tivesse alguns minutos, resmunguei uma maldição e sai novamente. Eu tinha que arrumar um jeito de salvar Ethan daqueles valentões, afinal ele não estaria em problemas se não tivesse tentando me ajudar, agora o motivo de ele me ajudar era o que ainda era um mistério.

Enquanto descia a escada me deparei com uma cena que não me agradou nem um pouco, era Clent e outro homem segurando Ethan, enquanto Rick apontava a faca para o pescoço de Ethan, me desesperei e tentei bolar um plano para tira-lo dessa, se eu pegasse o barriu de cerveja que estava próximo a eles, talvez se eu batesse na cabeças daqueles caras eles soltariam Ethan e então eu e ele fugiríamos. E foi isso que eu fiz, é claro que Rick não esperava que eu voltasse para salvar Ethan, portanto foi uma surpresa quando eu acertei seus capangas com aquele pesado barriu, felizmente eles caíram na hora. Rick e Ethan me encaravam com uma expressão surpresa, por isso que quando eu falei, soou muito impaciente.

– Tá esperando o que? Vamos!

Então depois de dar uma cotovelada no rosto de Rick, eu e ele saímos correndo daquele covil.

Já estávamos a alguns metros do bar no meio de um campo de plantação quando ele finalmente falou, digo gritou comigo.

– Por que diabos você volto?

– Para dar um abraço de despedida no Rick? Para ajuda-lo é claro!!!

– Eu poderia muito bem ter cuidado de mim mesmo, ao contrário de você! Você tem ideia do que eles fariam com você depois que bebesse o Elixir?

– Ele teria cortado sua garganta isso sim. E o que é esse tal elixir? — Perguntei. Ethan me olhou bem nos olhos, e ali vi passar varias emoções, raiva, surpresa e incredulidade. E quando ele falou, já não era gritando.

– O que você estava fazendo no Covil?

– Eu estava seguindo uma garotinha, pensei que você soubesse, já que eu perguntei dela para você.

– A unica garotinha suficientemente estupida para entrar no Covil é você. Agora que Rick descidiu que você seria dele, ele vai te perseguir até que a tenha. Se eu fosse você encontraria protetores rapido. Agora se me der licenca, preciso cuidar da minha vida. — Dizendo isso ele se virou e começou a caminhar para a estrada.

– Ei! Espere! Eu não sei o que ele quis dizer com feldo, nem o que você quer dizer com Elixir, e muito menos o porque de eu precisar de protetores. Você não pode ir embora sem me esclarecer essa duvidas, eu preciso saber o que é isso tudo! — Eu gritei para ele, não esperava que ele parasse e voltasse, mas foi o que ele fez. Só para me deixar mais irritada.

– Olha garotinha, eu já te falei antes, não sou babá de crianças. Não tenho tempo para Novatos ignorante como você ok? — Falou ele com aquela voz que você usa para explicar para uma criança que o que ela esta fazendo é errado, mas que não precisa chorar. Entende, não da raiva disso?

Ethan pareceu pensar, então deu um longo suspiro e se aproximou de mim, ficando a poucos centímetros de distância. Eu queria gritar dizendo que não era uma garotinha, mas as palavras não saíram era como se minha mente estivesse esvaziada. Estranho, é claro que era estranho, mas eu não sabia o que fazer quando ele levou sua mão ao me queixo e levantando para que eu encarasse aqueles olhos azuis, sei que é loucura e muita idiotice da minha parte, mas juro que eu pensei que ele fosse me beijar naquele instante, e algo na minha mente dizia que se ele o fizesse, eu não iria reagir, tipo: eu deixaria rolar, simplesmente deixaria um estranho me beijar. Mas o que ele fez foi falar com uma voz estranhamente calma.

– Não precisa se preocupar com isso, volte para casa e esqueça o que aconteceu aqui. Esse mundo não lhe pertence. — Um arrepio levantou os pelos da minha nuca, me deixando apreensiva.

Depois disso ele foi embora, me deixando sozinha na beira de um lugar deserto. E como se isso não fosse ruim minutos depois quando eu estava voltando para a estrada, uma viatura da policia parou bem ao me lado, um policial desceu e veio até mim.

– Olá garota, desculpe atrapalhar sua caminhada, mas... Recebemos uma ligação de emergência de uma menina que dizia estar sendo perseguida por uma gangue de motoqueiros. Essa garota seria você?

– O que? Não. — Não sei porque eu tinha respondido aquilo, afinal eu tinha quase certeza de que eu queria a ajuda da policia, para alguma coisa só que... eu não me lembrava o porquê, porque eu chamaria a polícia? Ou melhor, o que eu estava fazendo no meio de um campo de plantação? Minha cabeça estava doendo e eu estava confusa, algo estava errado eu tinha que me lembrar eu tinha que... Para de me preocupar com isso e voltar para casa.

–Ah certo. Esta meio tarde para você estar na rua, não acha? Vou acompanha-la até em casa, antes que esses motoqueiros voltem.

– Eu não vi nenhum motoqueiro por aqui, eu só estava voltando para casa e... Bem parei aqui.

– No meio de um campo de plantação?

– Er... sim.

– Você não estava fugindo de alguma coisa ou de alguém?

– Eu acho que não.

– Você acha que não? Garota você esta bêbada?

– É claro que não.

– Sim, certo. Mas por medidas de segurança acho melhor leva-la até sua casa, é para a sua segurança.

Não vendo outra alternativa entrei na viatura e falei meu endereço, tive que aguentar o policial falando o caminho inteiro sobre os perigos de garotas adolescentes andando sozinha no meio da noite e blá blá blá. Não estava nem ouvindo, pois só tinha uma coisa que estava me preocupando, o que Luke diria quando me visse saindo de uma viatura no meio da noite, eu levaria uma bela bronca.

Quando a viatura parou na frente da minha casa, pude ver que as luzes apagadas, mas logo a porta se abriu e lá estava Luke ainda vestindo aquelas roupas sujas de graxa, nem sei descrever sua reação quando ele me viu descendo da viatura, uma coisa eu sabia, eu ia ouvir ele brigando a noite inteira.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.