The End
5 Reencontros e desencontros
Três semanas...
Estava aturando o Senhor das Trevas em minha casa por três semanas. Dia após dia... Hora após hora... Desde assuntos da realeza até passar a geleia no café da manhã. Tem sido torturante.
Não sabia como lidar com esse conflito dentro de mim, no jantar tenho vontade de me levantar e anunciar todos os seus planos e interesses. Mas não posso.
A presença dele fortifica meus pesadelos sobre a destruição de Hyrule, não consigo dormir, a quantidade de comida do meu prato diminui cada vez mais. Está tudo mais forte que da última vez, estou tendo desmaios e dores de cabeça constantes. Um Sheikah vê e sente a verdade, talvez o conhecimento dela seja um “poder” que todos querem.
Mas a verdade dói, chega e destrói sua mente sem nenhum aviso prévio. Te proibindo de ter noites tranquilas.
Costumo a ficar em um pequeno cômodo que é próximo a Sala do Trono. Existe uma janelinha e eu fico observando por ela. Às vezes Ganondorf me encara, quando papai está falando com o povo de Gerudo e ao nosso sobre os benefícios da união que fariam, e lá está ele... Encarando-me, como se lesse todos os meus mais profundos pensamentos. Não duvidava muito desta possibilidade, pois às vezes ele me olhava com certa raiva. Eu o encaro também, devolvendo seu ódio.
O acordo que os dois irão fechar em oito dias irá dar total liberdade a Ganondorf no castelo e dará a mesma liberdade ao meu pai em Gerudo.
Estava naquela salinha, havia o símbolo da Triforce estampado no chão e Impa estava do meu lado. Olhava nervosamente para a janelinha, mais uma reunião iria começar.
Os povos de ambos os reinos estavam se acomodando nos bancos que havia em volta do longo tapete vermelho que levava ao trono, alguns conversavam e riam. Outros faziam discussões, provavelmente sobre a união.
Até que então reparei em uma Gerudo ela era diferente das outras, tinha equipamentos melhores do que o exército que vi naquele dia. Estava com armas ao redor de sua calça, aparentemente feita de seda, enquanto as outras não estavam, seria ela responsável pela segurança de Ganondorf?
Tinha um rosto sério, enquanto as outras flertavam com Hylians ela se mantinha na posição de um guerreiro. Lembrei-me de quem ela era, Nabooru, talvez a única gerudo que se mantinha contrária ao governo de Ganon.
Meu olhar foi atraído para uma garotinha agarrada à seda de sua calça, não possuía pele morena como as outras, mas mantinha o padrão dos cabelos vermelhos. Parecia ser um pouco mais velha que eu, nunca tinha a visto... Parecia ser bem grudada a Nabooru, como se ela fosse sua “Impa”. Vestia um vestido branco de seda e em seu cabelo havia uma coroa de flores.
Até que passou pela minha cabeça que ela fosse a filha de Ganondorf.
– Algum problema pequenina? – Impa chamou minha atenção.
Sacudi a cabeça, ignorando aquele pensamento tolo, até por que essa garota não estava com ele no castelo quando os sete anos começaram.
– Só meio tensa, nada sério.
– Acha que essa união pode dar problemas?
– Talvez...
– Por quê?
– Não confio muito neste homem. Acho que ele não tem as mesmas intenções que papai tem.
– Só pagando para ver, certo? ... Um pouco de água aliviaria sua tensão?
– Acredito que sim.
Impa saiu para buscar minha água e ouvi o som dos trompetes. Meu pai havia chegado a sala e a reunião foi iniciada.
Voltei para meu lugarzinho perto da janela e fiquei observando, ainda faltava Ganon chegar para realmente iniciar, enquanto isso papai ficou conversando com todos... Realmente, o melhor rei que este povo já teve.
Comecei a ouvir gritos vindos do jardim, eram dos guardas... Eles gritavam “HEY! VOLTE AQUI”. Mas estava tão concentrada em saber da onde veio àquela garota que nem prestei muita atenção. Provavelmente algum cavalo deve ter escapado dos estábulos, de novo.
Criei minhas teorias sobre ela, mas nenhuma fez sentido, então joguei a toalha e a classifiquei como “garota aleatória de vestido”.
Escutei o som de alguém entrando pela minha janela e virei-me. Olhei o cidadão de baixo para cima, tentando não explodir ao reconhecê-lo.
Botas marrons de um explorador, roupas verdes e um gorrinho de mesma cor, carregava uma espada em seu cinto do lado esquerdo e no direito carregava uma mochilinha. Uma fadinha de cor azul-celeste estava a sua direita. Suas roupas estavam um pouco sujas, deduzi que ele teria acabado de sair de alguma batalha ou algo assim. Rapidamente meus olhos procuraram por algum machucado, havia alguns arranhões, mas nada muito sério.
Ele levantou o olhar para mim e consegui ver seu rosto. Loiro e olhos azuis.
Link, meu amado irmão, após anos... Ele estava ali, na minha frente.
Mesmo que ele tivesse 10 anos agora e se portava como um guerreiro, eu ainda via a criança adormecida que teve que nos deixar aquele dia.
Tive a mesma sensação, mesmo vivenciando aquele momento duas vezes eu queria pular, agarrá-lo e dizer “Bem-vindo de volta”.
Ao invés disso, eu só pude dizer uma coisa:
– QUEM É VOCÊ? IMPA! – Disse, me afastando.
– Calma! Desculpe pela intromissão princesa – ele se curvou – Me chamo Link, sou de Kokiri Forest. E esta é minha fada, Navi.
– Prazer! – ela tinha uma voz fininha, mais engraçadinha e fofa do que eu me lembrava.
– Eh? Link... Hm... Esse nome não me é estranho. Porém, Kokiri Forest? Eu li que os elfos que saem dali morrem depois de umas horas.
– Eu também pensei que iria morrer talvez isso seja um mito.
– Talvez...
Sua mochila estava entre-aberta e consegui ver um objeto brilhante nela.
– O que é isso? – disse me aproximando.
– Ah, era sobre isso que gostaria de falar com sua majestade.
– Por favor, me chame de “você”.
Ele foi retirar o objeto de sua mochila, mas os trompetes tocaram. Olhei novamente para a janelinha... Ganondorf.
Não pude deixar de lançar meu olhar de ódio novamente.
–... Princesa?
–! – Olhei para ele – Perdão, mas aquele homem me incomoda muito. Então se eu agir estranho peço desculpas.
– Quem é? – Ele ficou do meu lado para observar também.
– Ganondorf, o líder da terra que queremos fazer uma aliança.
– Por que ele te incomoda?
– Não confio nele. A atmosfera que há perto dele pesa.
Ficamos o observando por um tempinho, ele andava pelo tapete. As pessoas observavam sua caminhada até chegar aos pés do trono, temerosas, ele impunha respeito a cada passo que dava, mesmo não estando lá senti a atmosfera.
Ele se curvou diante de papai e simplesmente do nada, virou a cabeça e olhou diretamente para a janelinha, onde eu e Link estávamos.
Senti um frio na espinha e recuei, Link continuou lá.
– Você tem bons motivos para ter medo, cara estranho.
– Hey! – Navi se pronunciou – Rei de Gerudo Valley, não?
– Sim –respondi – Ele tem me perturbado muito desde que ele chegou aqui.
– Talvez seja pelo passado – Navi continuou – Muitos o acusaram pelo desaparecimento dos Sheikahs. Hoje isso é apenas um mito, já que nunca comprovaram que foi realmente ele.
–... Pode ser. – respondi – Mas enfim, “fairy-boy” veio falar sobre o que?
– Ah sim! – ele tirou uma joia esverdeada e de detalhes amarelos – Reconhece?
– A esmeralda de kokiri... Uma das chaves do Templo...
– Antes de morrer, A grande árvore Deku disse que você sabia a localização das outras.
– U-... — Ia começar a falar, porém Impa chegou com minha água.
– Sinto muito pela demora, as governantas resolveram brigar no saguão então eu tive que resolver o pro – ela encarou meu convidado – blema... –ela quase deixou o copo cair no chão.
– Oi – Link a cumprimentou.
– Impa sabe! – disse – Certo Impa?
– Saber o que?
– A localização das três chaves do templo. Ele possui uma.
– Ah sim! Mas não seria muito perigoso para uma criança?
–... Sabe, eu enfrentei uma aranha gigante antes de chegar aqui. Pode mandar mais.
– Gohma para ser mais exata – concluiu Navi.
– Bem, se é assim – Disse Impa – A localização de uma é no reino dos Zoras e a outra é na montanha da morte, na caverna dos Gorons. A entrada da montanha é do lado do vilarejo que vivi antes de vir definitivamente para cá.
– Ah! – interrompi – Eu lembro que ele vai precisar de uma autorização real para entrar na montanha!
–... Como sabe disso? Não me lembro de ter te levado para lá.
– Intuição? Sempre tem algum lugar que precise de uma autorização! Já volto!
Sai correndo antes que notassem meu suor de nervosismo e fui até a sala de escrituras e peguei um pergaminho de uma estante empoeirada.
Sentei-me na mesinha de madeira e comecei a escrever a autorização.
– Zelda... Faça um favor a si mesma e cale a boca, você quase estragou tudo! – Resmungava nervosamente e baixinho para mim mesma. Batia o pé no tapete empoeirado e arrancava pedaços da pena que estava utilizando para escrever, mania minha quando estou nervosa.
Escutei a fina risadinha de uma garota, olhei para a porta e vi aquela garotinha ruiva me observando, não posso negar que eu parecia uma maluca assim e que realmente era engraçado.
Inflei minhas bochechas para ela, o que a fez soltar mais um risinho, até que Nabooru a chamou... “Anna” esse era seu nome. Ela deu um tchauzinho com a mão e saiu.
Voltei a focar na autorização e finalmente dei-lhe o selo real, enrolei e o amarrei para que não se soltasse e voltei às pressas para a salinha.
– Aqui! – entreguei o pergaminho a Link – Impa, pode acompanhá-lo?
– Claro princesa.
Link me agradeceu e os dois foram até o vilarejo Kakariko, atrás da segunda chave. Quando os dois saíram da sala, disse bem baixinho: “Boa sorte, irmão”.
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