The End
3 Pequeno Pássaro
Era manhã, a luz do sol encobria as trevas existentes em meu quarto e batiam diretamente em meus olhos. Abri-os lentamente e saltei da cama quando lembrei que dia era hoje. Iria conhecer o reino vizinho, algo que nunca tinha feito.
Acho que iremos conversar sobre a ida de meu irmão, já que foram eles que providenciaram uma coordenada para o levarem, vão nos dizer cada detalhe do local.
Quando terminei de me ajeitar sai e olhei para a porta ao lado, era do quarto de Link... Entrei lá e vi todas as armas de madeira que ele e papai tinham feito juntos penduradas nas paredes e mofando... Não eram utilizadas á semanas. Sentei-me na cama e percebi que o lençol estava molhado... Papai não estava superando aquele quarto vazio e para falar a verdade nem eu estava.
Levantei e fui às pressas ao encontro de meu pai que estava ajudando a preparar os cavalos para a nossa partida, iriamos a Ciracusa.
Nunca me importei muito com os reinos vizinhos e nem tinha os visitado profundamente na vez passada, afinal deveria ser a mesma coisa de Hyrule só que com outro nome.
– Papai...
– Sim minha querida?
– Com quem iremos falar ao chegarmos lá?
– Eu irei falar com o rei Daw e sua esposa Elena, você pode ficar com seu filho, Dimitry.
– Por que eu não posso estar com você?
– É uma conversa que apenas adultos entendem querida.
–... — inflei minhas bochechas – Certo...
– Fico feliz que é madura o suficiente para entender.
Sou mais madura do que imagina. . .
Estávamos a poucos quilômetros de Ciracusa... Já enxergava o portão de sua cidade, era de mármore e era enorme... Conseguia ouvir o barulho das pessoas ficando mais forte a cada passo que dávamos. Ficávamos mais perto e eu sentia o delicioso cheiro da comida das tabernas. Assim que nos identificamos no portão, deixamos nossos cavalos e entramos vi que a cidadezinha era muito maior do que a de Hyrule... Era mais florida e mais colorida, havia mais música e crianças correndo. Não que a nossa não fosse alegre, mas aquela era mais bem decorada e mais musical.
Aproximávamo-nos do castelo, havia pequenos ramos de rosas vermelhas presas á sua construção. Estava completamente maravilhada com a atmosfera do local, até mesmo o ar era diferente. A trilha que nos levava até o portão era de areia e contornada por pedrinhas, o caminho era abençoado pela presença de roseiras.
Finalmente entramos e fomos recebidos e acolhidos pelas governantas que nos mandaram sentar e aguardar. Em poucos minutos a família real estava a nossa frente. Daw tinha cabelos ruivos e um porte físico bem... Digamos... ”fofinho”, Elena era mais magra e era alta, tinha cabelos curtos e verdes e olhos de mesma cor. Não via Dimitry em local algum.
O rei Daw deu um abraço em meu pai:
– Richard! Há quanto tempo você não vinha nos fazer uma visita!
– Você está ainda mais gordo Daw.
– E você cada dia mais barbudo.
Os dois riram e ouvi uma fina risada de Elena, até que eu parei para repara-la bem... Duas mãos agarravam seu vestido e enxergava um fio de cabelo verde por trás dela.
Estiquei-me para ver melhor... vi as feições de um garotinho que tinha praticamente a minha idade.
– Você deve ser o Dimitry. Prazer – Estiquei minha mão direita para ele – Princesa Zelda, mas pode me chamar apenas de Zelda.
Ele apertou minha mão e consegui ouvi-lo murmurar “prazer”.
– Não tem que ser tímido meu pequeno – Elena disse enquanto dava passinhos para o lado fazendo-o abandonar seu esconderijo.
Ele olhava para baixo evitando fazer algum contato com meus olhos, até que sua mãe levantou seu rosto e o fez olhar para mim.
– Não é uma bela garota?
Estamos tentando desinibir o garoto e ela vai o fazer dizer que eu sou bonita... Acho que estamos levando as coisas para o caminho errado. Até eu ficaria constrangida se eu tivesse que dizer que alguém é bonito.
Ele olhou para o lado e apenas concordou com a cabeça.
– Por que não mostra para ela o jardim? Aposto que ela adoraria conhece-lo.
– Adoraria mesmo! Já no caminho daqui vi flores maravilhosas.
–. . .Acompanhe-me, por favor. – Ele por fim disse e começou a andar.
O segui... E antes de me retirar da sala ouvi Elena dizer: “Agora que eles saíram, podemos falar de Kokiri Forest”.
A entrada do jardim era um aro de ferro enfeitado com flores... O cheiro do local era simplesmente delicioso.
– Quem mantem o brilho disso tudo? – perguntei olhando para todos os lados, fascinada.
–. . .Eu, mamãe me ensinou muitas coisas quando eu era menor.
– Deve dar um trabalhão.
– Nem tanto, mamãe me ajuda às vezes.
– Interessante.
Meu olhar foi atraído por um balanço de madeira no meio do jardim... O chão perto dele estava coberto por milhares de pétalas.
A nostalgia logo bateu em meu peito... Lembrei-me do balanço de nosso jardim... Meu irmão costumava a me balançar nele e me balançar era a coisa que eu mais amava na terra, depois que ele se foi. . . Nunca mais tive coragem de ir naquele balanço novamente.
Dimitry percebeu que eu encarava o balanço com um sorriso (um tanto melancólico) nos meus lábios.
– Você pode balançar se quiser.
– É que... Eu não sei.
– Não seja por isso! – ele pegou-me pelo pulso e me sentou no balanço.
Foi para parte de trás e me empurrou... Aos poucos fui pegando altura, o vento batia contra meu rosto... Sentia-me livre como nunca mais havia me sentido.
O véu que usava para esconder meu cabelo voou com o vento... Deixando minha cabeleira loira ao vento. Eu estava tão feliz que comecei a rir... Voltei a ser um pequeno pássaro como Link costumava a me chamar nestes momentos.
“Você parece um pequeno pássaro que só quer ter seu momento de liberdade... E eu o cara que abro sua gaiola” Era assim que ele dizia. Fechei meus olhos... Sentindo a brisa.
Os abri novamente e olhei para Dimitry... Ele estava feliz pela minha felicidade e seu olhar era de fascínio (Por ele ter visto meu cabelo talvez).
Eu estava bem alto... Pulei do balanço.
O tempo parou naquele momento, eu vi toda a extensão do jardim, cada rosa e cada ninho de pássaro enquanto “voava”. Vi o céu se tornar laranja por causa do pôr-do-sol. . . Cai.
Pousei em dois braços, Dimitry tinha me pegado antes que eu chocasse contra o chão.
– Você é doida? – ele tentou ser bravo, mas acabou sorrindo ao ver que eu estava feliz pelo o que tinha acabado de fazer.
– Sou só um pássaro querendo as asas livres novamente.
Ele riu e olhou para o céu.
– Esta escurecendo, acho que deveríamos voltar.
– Já? – apontei para um banquinho – poderíamos ficar ali mais um tempinho.
– Está bem.
Sentamo-nos e ficamos admirando a noite cair, foi um breve momento de silêncio.
– Então... – ele quebrou o silêncio – Conte-me sobre você.
– Eu não sou uma pessoa muito interessante... Eu não mantenho jardins como você.
– Você não deve ser completamente inútil.
– Só sou boa em sorrir, acenar e se portar como princesa – suspirei.
– Então por isso seu desejo de voar?
– Sim... Voar para um local onde eu possa ser eu mesma. Sem ter que treinar a andar com sete livros na cabeça por três horas.
– Se eu puder ajudar a realizar seu sonho, conte comigo.
– Mas até lá... — ele colocou uma coroa de flores em minha cabeça – Você continua a ser a Princesa Zelda. Futura rainha de Hyrule.
– Pois é. Comandar uma nação. . Deve ser complicado.
– Meu pai disse que não é tão difícil como parece.
– Espero... Enfim – me levantei – podemos ir agora se quiser – disse recolhendo meu véu do chão.
Ele se levantou e fomos até a sala principal do castelo... Nossos pais estavam no fim da conversa.
Parei-o atrás de uma parede. Queria ouvir um pouco.
– Mas he-
– Shh!
Voltei a prestar atenção na conversa:
– Então essa garota, Saria, irá cuidar de meu filho?
– Ela prometeu para nós – disse Daw.
– É uma boa garota – afirmou Elena.
– Bem acho que isso é tudo que eu gostaria de saber, obrigado por tudo.
– Não há de que – Daw pousou a mão em seu ombro.
Eu e Dimitry esperamos alguns minutos e saímos de nosso esconderijo.
Houve uma despedida entre nós, e demorei mais para despedir-me de Dimitry... Estava muito agradecida pela felicidade que ele tinha me proporcionado aquele dia... Ele estava desapontado com minha ida, acho que ele não se dá muito bem com as outras crianças.
Após disto, voltamos para casa.
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