The End
4 O inimigo dorme no quarto ao lado
Já havia se passado um tempo, estava com 10 anos... E aquele era o ano que, se não me falha a memória, Link retornaria... E aquele homem chegaria. Não podia evitar sua chegada, mesmo sabendo de tudo o que ele iria fazer.
Machuca...
Machuca saber que eu posso evitar anos de dor, que posso evitar destruição em massa e o choro de nossas crianças... Mas não posso mudar esse destino.
A família real de Ciracusa tinha vindo nos visitar, enquanto os adultos conversavam eu e Dimitry passeávamos pelo pátio da cidade.
Nossa cidade... Tão diferente da dele. Havia alguns jogos de tiro ao alvo e a loja de máscaras, que quase ninguém entra por que o vendedor recebe os clientes dizendo “Você se encontrou com um destino terrível, não é?” ele é realmente estranho, um pequeno bairro residencial e uma loja de armas.
– Desculpe por não ser tão colorida como a cidade de Ciracusa é – Disse, sentando-me na beira da fonte – Costumamos a usar cores padrão.
Por alguma razão a cidade estava melancólica, não via o casal que costumava a rodopiar pela cidade dia e noite e nem o cachorrinho de uma rica senhora.
– Por que as desculpas? Eu adorei a cidade – ele se sentou do meu lado – Hey... No caminho para cá, vi uma trilha que dava para um antigo templo... É alguma espécie de igreja?
– Não... É o templo do tempo, guardamos uma relíquia lá... E ela só será revelada ao herói merecedor dela.
– Templo do Tempo – ele riu – que trava-língua.
– Pois é.
– Mas... Vejo várias casas... E poucas pessoas na rua. Os outros estão onde?
– Excelente pergunta... A atmosfera está tensa, talvez eles estejam com medo.
Parei para analisar a atmosfera, era de puro terror... Eu reconhecia aquilo... O dia de hoje, seria a vinda daquele homem?
– Alguém anda ameaçando o seu reino?
– De tudo o que eu sei... Ainda está tudo em paz.
– Então por que este sentimento ruim?
– Talvez algo além de nosso conhecimento está por vir.
– Por que não diz isto pro seu pai?
– Ele diria que é só a imaginação de uma garotinha.
– Ele acha que você não tem capacidade para entender só por que é uma criança, certo?
– Na mosca.
– Meus pais também acham isso, sempre me deixam de fora das reuniões e nunca me deixam dar sugestões – Ele suspirou – Mas Zelda...
– Sim?
– Se algo acontecer... Mande-me uma carta avisando imediatamente, okay?
Adoraria fazer isso...
– Okay...
Após o fim de nossa conversa, ouvi o relinchar de cavalos e uma carruagem parando.
Os portões foram abertos... Guerreiras da raça Gerudo entraram em marcha.
Gerudos possuem pele bronzeada e cabelos ruivos, é uma raça quase 100% composta por mulheres, mas á cada 100 anos um homem nasce e ele se torna o rei desta raça.
– Uma visita inesperada? – Disse Dimitry após notar minha provável expressão de espanto.
– Sim...
Os sons de passos firmes foram se aproximando. Segurei firmemente a borda da fonte, estava mais perto. Fiquei encarando o chão por longos dois minutos... Tentando ignorar tudo a minha volta.
– Princesa Zelda, certo? — Uma grossa e familiar voz disse meu nome.
Levantei-me, ainda evitando o contato visual.
– Sim...
Ele se curvou diante de mim.
– Ganondorf, rei de Gerudo Valley. É um prazer vê-la.
Finalmente o encarei.
Era como todos... Moreno e ruivo... Porém suas vestimentas o indicavam como uma pessoa da alta-classe, ele tinha as melhores armas e a melhor armadura.
– O que te trouxe a cidade de Hyrule?
Ele se levantou e mostrou uma carta.
– Eu e seu pai, o rei, fizemos um tratado de paz e lealdade em proteger um ao outro... Vim para conversar pessoalmente, acertar mais algumas coisas e depois oficializar tudo.
– Ah... Por isso um dos quarto estava sendo preparado.
– Exato.
– Muito bem... Guiarei-te até a sala do trono – Olhei para Dimitry, ele parecia sentir a atmosfera que aquele homem transmitia – Deseja esperar ou gostaria de vir conosco?
– Eu fico... Sem problemas.
Eu e Ganondorf andamos até o castelo, lado a lado.
Estava andando com o homem que deseja acabar com minha descendência, o homem que irá destruir com tudo o que conheço e amo, tudo para satisfazer sua sede por poder. E não posso expulsá-lo, não posso ataca-lo. Tudo o que posso fazer é manda-lo para meu pai...
Estávamos na porta, abri-a levemente para não chamar a atenção... Daw e Elena conversavam com meu pai.
– Papai?
A conversa parou e ele olhou para mim, com um olhar satisfeito ao ver que Ganondorf estava do meu lado.
– Este homem, rei de Gerudo Valley, deseja falar com o senhor.
– Sim! Sim! Estava esperando por sua vinda! – ele olhou para Daw e Elena – Espero que não se incomodem.
– De jeito nenhum – Respondeu Daw.
Ganondorf me agradeceu, entrou e cerrou as portas me deixando para fora.
O inimigo estava em casa. E logo atacaria.
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