The Dying Ladies

8 Quem nunca sonhou em ser amiga de um psicopata?


Notas iniciais
Digamos que esse pode ser o início de algo bem legal na história!

O barulho do relógio era audível mesmo a distância. Tic tac, tic tac. E era impossível detectar de onde vinha ou se não era invenção de sua cabeça enlouquecida. A razão da origem do som ser indetectável era pelo fato de Spencer estar em uma sala escura, tão escura que não conseguia enxergar suas mãos. E o som do relógio parecia mais alto. Tic tac, tic tac. Ela podia sentir algo se aproximar e isso a aterrorizava profundamente. O relógio parou o que piorou sua sensação de que algo muito ruim iria acontecer. Repentinamente sentiu o seu bolso vibrar com um baixo som de sms. Devagarzinho pegou o celular e abriu a mensagem.

“Não tem como escapar, você está no inferno presa a mim para sempre. Amor, –A”

Spencer quase deixou escapar um gritinho triste de sua garganta. Com o aparelho ainda em mãos o usou para iluminar o ambiente. Andou para a direita e viu paredes conhecidas, quando clareou outra área, a mesa escolar estava ali sólida e amadeirada como sempre, porém sem nenhuma carteira. Foi até o centro da sala e iluminou o teto esbranquiçado com algumas teias de aranha nas bordas. Riu do seu próprio medo sem sentido e deu um passo para trás. Em seu ombro sentiu algo tocar, trazendo calafrios em seu corpo. Virou-se sem pensar e iluminou o que havia gentilmente atingido sua pele. O grito que antes não conteve, saiu de uma vez em alto e bom som. Era um pé e ao colocar a luz do celular mais para cima, viu o rosto de Jenna sem óculos, com os seus cegos olhos arregalados com dor. E naquele momento ela gritava e gritava. Desesperada, atormentada, presa naquela pequena sala para sempre.

Os gritos não foram muito distintos daqueles que saíram de sua boca ao acordar daquele terrível pesadelo.

Suspirou aliviada, retirando toda tensão acumulada do maldito sonho. Foi até a cozinha em busca da sua família, mas aparentemente ninguém estava por lá. Ao menos não teria que explicar a ninguém seus gritos matutinos. Direcionou-se ao banheiro para sua higiene matinal e gostaria de dizer que estava tudo bem com ela, que não pensava em Jenna e o pesadelo que teve foi apenas bobeira de sua mente. Se eu falasse isso estaria mentindo.

Forte Spencer, Líder Spencer. Esses adjetivos eram pretextos para disfarçar a verdadeira Spencer Hastings: uma moça de fibra que tem problemas familiares e precisa mostrar para todos que é a melhor em tudo. E ser a melhor em tudo cansa demasiadamente, instiga. Nada melhor do que uma garrafa inteira de café para melhorar seu humor. Voltou à cozinha e pegou um copo descartável e fez rapidamente o líquido mágico que tanto adorava. Subiu as escadas cheirando, sentindo o aroma através da garrafa térmica.

Sentou-se em frente a sua mesinha de estudos e o notebook a encarava outra vez. Somos eu e você de novo caro inimigo, era o que dizia para a tela do Word. Naquela manhã domingueira, cada uma de suas amigas a telefonaram pelo menos duas vezes enquanto Spencer dormia mais do que de costume e estava disposta a não liga-las de volta até o fim do trabalho.

Após duas horas envolvida unicamente com seu computador e três copos de café, espreguiçou-se como um gato em sua cadeira. Levantou-se e deu alguns passos até sua janela. Ela foi vizinha de Alison, morava bem ao lado da casa que uma vez pertenceu aos DiLaurentis e com esse detalhe que no passado era virtude, seus olhos tinham acesso a Toby Cavanaugh e naquela manhã ele estava lá, sentado na varanda e parecia vê-la também. Toby deu um tímido aceno e, no susto, Spencer fechou as cortinas.

Mesmo não sendo uma pessoa de fé, ela rezou o Pai Nosso por pelo menos oito vezes ante de voltar ao trabalho. Sua concentração foi embora, mas conseguiu terminar o projeto antes do meio dia. Provavelmente não receberia um A e via aquele trabalho digno de um B, e o pior, B –. Estranhamente, foi a primeira vez que não se importou com isso.

Talvez fosse pelo fato de haver um assassino do outro lado da rua. E talvez fosse também o assassino de Ali. Spencer tinha que descobrir a verdade, se Toby ainda estava fora na noite do celeiro, se Jenna sabia de algo e, por isso sua vida foi levada pelas mãos sem misericórdia de seu irmão de criação. Abriu devagar a cortina, ele ainda estava lá e esperava por ela como um lobo. Se havia uma frase que seu pai dizia e Spencer apoiava por inteiro era “Nesse mundo ou você é a caça ou o caçador”. E podia ter certeza que não seria a caça de ninguém. A partir daquele instante se tornaria uma leoa.

Colocou nos pés seu Oxford confortável e saiu batendo as portas da casa. Velozmente atravessou a rua, quase sendo atingida por um carro de um velho resmungão que gritava “Saia da frente Olívia Palito!” sem parar. O suspeito vizinho se levantou e seu rosto petrificado permaneceu até Spencer se pronunciar.

- O que você tanto olha? Não perdeu a mania de observar garotas no quarto?

- Por favor, nós dois sabemos que isso foi uma invenção ridícula da Alison. – ele afirmou com tanta convicção que quase acreditou.

- E por que Ali mentiria sobre isso? – a pergunta era retórica.

- Porque ela era a Alison. – porém até as perguntas retóricas podem ter respostas.

O estranho rapaz antes com o peito inflado relaxou os músculos, assistindo a vizinha concordar com a cabeça com aquela simples conclusão. Spencer se sentou ao seu lado.

- Eu ainda não acredito em você.

- Então o que você ainda faz aqui?

- Eu... eu não sei. – confessou sinceramente. – Alison era minha amiga, mas era má. E não só comigo, com as meninas também. Ela sabia os nossos segredos e sempre os usava contra nós.

- Não entendo porque vocês eram amigas dela. – Toby a olhava de forma pura e gentil.

- Nem eu.

A árvore que cobria a casa balançava para lá e para cá. O vento, assim como alguns poucos carros, eram os únicos sons audíveis na rua. Spencer apreciava a quietude e Toby necessitava depois dos últimos anos que teve. Entretanto, para que houve eterna calmaria precisava de aliados.

- Spencer.

- O que foi Toby?

- Eu sei sobre –A.

Se sua vida fosse uma novela, certamente era aquela hora de terminar o capítulo com a pergunta no ar: Como?

- Eu e Jenna estávamos sendo perseguidos por –A – Toby parecia honesto. – Ela sabia de algo e ia me contar quando chegasse em casa, pelo menos foi essa SMS que me mandou antes de aparecer... morta.

- Ai meu Deus! – surpreendeu-se. – Mas ela pareceu ter... se matado.

- Outra coisa que sabemos que não é verdade.

- Tudo bem, mas como você sabe sobre nós?

- Eu vejo como vocês tem se comportado. Isso sem contar que vocês são de longe o alvo mais fácil e próximas de –A.

- E por que eu deveria acreditar em você? – a moça estava feroz.

- Que outra opção você tem? – Toby e suas explicações lógicas.

Isso a fez pensar por segundos.

- Se –A estiver disposta a matar, acho que temos que dar um jeito nela.

- Isso quer dizer que acredita em mim?

- Eu não sei.

Spencer realmente não sabia no que acreditar. Despediu-se do mais novo comparsa e voltou para o seu quarto. Pegou seu celular e havia mais três ligações perdidas. Uma de cada amiga. E uma mensagem de Hanna:

“Spenc, está em todos os jornais matinais: Jenna não se enforcou, foi enforcada. Me liga!”

A notícia não era novidade para ela desde ontem com a ameaçadora mensagem de –A e a conversa com Toby se esclareceu ainda mais com a informação de assassinato confirmada. Havia duas opções: ou era Toby o bom cordeiro ou um lobo disfarçado. Só havia um modo de ela descobrir: estando ao lado dele. Mantenha seus amigos perto e seus inimigos mais perto ainda, qual seria a proximidade que deveria manter do novo aminimigo?

Notas finais
Reviews ♥