Notas iniciais
Então esse capítulo ficou MUITO pequeno porque fiquei ocupada vendo coisas da faculdade e agora não vou poder postar com tanta frequência também, mas não me larguem, tenham paciência que irei até o fim!

Ser rejeitada nunca é fácil. Ser vítima e, em uma antítese perfeita, ser culpada é tão difícil quanto acreditar que um dia as palavras de Ezra serão corretas e todo drama iria se dissolver. Aquele domingo estava um tanto quanto irônico. O céu estava com uma beleza inigualável e o sol grandão lá em cima, brilhando para cegar qualquer mortal que o olhasse. É como se ele soubesse que alguma alma havia se desprendido desse mundo cruel e estava na hora de equilibrar a tristeza com um dia bonito e animador. Podia ser aquele dia tão animador se mesmo sendo Aria uma das vítimas ao encontrar o corpo assassinado de Jenna sua mãe não a procurava para saber como estava ela se sentindo? Ser vítima não desvalidava ser culpada por aquela vez?

Desistiu de ligar para Spencer que estava muito provavelmente fazendo o trabalho de História. Hanna a acordou alegando a respeito do enforcamento, o que não a surpreendeu já que Jenna era forte o suficiente para não se tornar uma suicida. Emily também sabia do acontecido e as três combinaram de tentar comunicação com a última do grupo. Entretanto, Aria não estava preocupada com Spencer e sim em como –A chegou a tal devastador nível. Arruinar com sua família, machucar a mãe de Emily, contar ao professor de Spencer sobre o trabalho e denunciar os constantes roubos de Hanna não chega perto desse terrível ato de matar.

Foi quando ela pensou nisso pela quarta vez que seu telefone tocou. Era Ezra.

- Bom dia! – ele falou um pouco hesitante.

- Bom dia.

- Como você está depois de ontem? – a forma como ele se preocupava a abraçava naquela manhã.

- Péssima.

- Você quer vir aqui? Eu faço o almoço e você sabe como o meu macarrão é delicioso! – Ezra era perfeito em ser sarcástico quando queria.

- Eu ainda me pergunto como o queijo consegue ficar tão duro! – ela exclamou dando uma pitada a mais de humor.

- Tudo bem, não zoe do meu macarrão com queijo duro! Apenas venha. Você adora lasanha de microondas, não?

Aria não evitava o riso.

- Garanto que é melhor do que seu macarrão.

- Então você vem?

- Em uma hora ou duas estou aí.

Eles desligaram o telefone três minutos mais tarde. Aria pensou nele por alguns segundos antes de voltar aos pensamentos fúnebres e deprimentes. Encarou o sol e o xingou, tinha certeza que ele não estava tentando deixar ninguém melhor e sim caçoando da enorme tristeza que as quatro partilhavam. Chorou não somente por estar miseravelmente triste, também porque o sol a ardia o globo.

Toc toc toc. De repente Ella Montgomery surgia no quarto da ex-filha.

- Posso entrar?

- A casa ainda é sua. – foi um pouco fria.

- Aria, eu sei o que você está passando.

- Sabe?

- Sei. – bufou um pouquinho antes de continuar. – Quero dizer, eu imagino.

Aria nada disse, não se moveu, mal respirou.

- As coisas tem sido péssimas por aqui e eu sou péssima mãe. – há semanas não a ouvia assumir que era sua mãe. – Aria, você só tem dezesseis anos. Como você vai lidar com algo tão pesado?

- A morte é pesada para todos nós Ella, independente da idade.

- Eu não falo da Jenna ou da Alison. – a mãe começava a fungar. – Eu falo de nós. Você viu algo terrível e eu deveria castigar apenas o seu pai e não você.

- Parece que eu tenho a maldição de ver coisas terríveis.

- Para, eu to tentando me desculpar.

- Não precisa se desculpar. – Aria sentia que suas costas não pesavam tanto. – Eu só quero te chamar de mãe de novo e poder ser filha assim como Mike. Poder tomar café da manhã sem parecer estar em outro planeta e dar conta da minha vida a você. Aonde eu vou, com quem.

- Certo.

- Eu também errei. – pausou para as lágrimas de emoção tomarem conta. – E vou continuar errando porque sou humana e você também mãe.

As duas se abraçaram dando um ponto final a tragédia. Um abraço demorado cobrindo suas roupas de lágrima, umidecendo o dia.

- Vou preparar o almoço, vem me ajudar?

- Claro, deixa eu só desmarcar o almoço que eu tinha combinado com a Emily.

Pegou seu aparelho e notou que não iria conseguir falar com tamanha alegria. Era verdade, todas as palavrinhas que ele a disse no outro dia. E essa foi a primeira vez que Aria sentiu vontade de falar que o ama. Por sorte ele não estava ali para escutar e ela pode se controlar. O telefone estava já à mão, enviou-o então uma mensagem.

“Ezra não poderei ir hoje, algo incrível aconteceu. Explico mais tarde.”

Bateu uma saudadezinha dele, porém no momento decidiu que se focar em sua mãe era o melhor a fazer. Pouco tempo depois, ela recebeu duas mensagens:

“Sem problemas, te vejo amanhã depois da aula?”

“Sua família está quase bem, mas e a respeito do seu namoradinho? –A”

Olhou por todo quarto e pela janela e tinha certeza que não havia ninguém por lá. Como poderia –A já saber da reconciliação entre mãe e filha? Foi quando se preocupou com o que poderia acontecer com Ezra e cogitou em chama-lo de Senhor Fitz e acabar com o sentimento que nascia assim tão horripilantemente errado.

Notas finais
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