Notas iniciais
Off Topic - Eu estou legendando o filme The Devil's Carnival, então, caso alguém queira assistir, peça o link do download por MP c:
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Aria Oblonski/The Butcher pertence à V in Wonderland
Demais personagens pertencem ao Terrance Zdunich e ao Darren Lynn Bousman
Não foi betada;desculpa qualquer erro

Aria acordou num pulo. Não fazia noção de onde estava. Definitivamente, não era o mesmo local em que ela adormeceu. A última coisa que lembrava era de sentir sua garganta queimar por causa do arsênico que fora obrigada a ingerir e, depois disso, escuridão. Piscou algumas vezes, como se quisesse acordar de um sonho, porém nada aconteceu.

Olhou em volta. As paredes pareciam ser feitas de um tecido escuro e havia espelhos pendurados por toda a parte. Embaixo de si, havia um velho colchão vermelho e amarelo e no chão havia palha. Atrás, colocado em cima de um caixote, havia um envelope com seu nome escrito e ossos de diversas partes do corpo em volta.

Pegou o envelope e abriu-o, encontrando algo que parecia ser o ingresso para um circo. Guardou-o, pois algo em sua mente lhe disse que poderia ser útil. Levantou-se e andou até a frente de um dos espelhos. Estranhou suas roupas. Estava vestindo camisa e calças esfarrapadas e suspensórios mal ajustados. Seus cabelos castanhos estavam mais rebeldes que nunca e suas bochechas, sempre ruborizadas, agora estavam sem cor. Deu as costas ao espelho e saiu daquele lugar, sem prestar atenção na placa dizendo “não confie nessa pessoa”, que antes apontava para seu reflexo.

Pouco tempo depois, começou a ouvir música saindo de alto-falantes.

You’re in the Devil’s Carnival!

Come one, come two, come all!

Devil’s Carnival!

“Um nome estranho para um circo”, Aria pensou. Ela não percebera antes, mas agora via ao seu redor pessoas vestidas com roupas extravagantes, em pernas de pau, em trampolins e até cabras soltas por aí. Algumas pessoas até dançavam, à seu próprio ritmo –vezes mais lentas e outras mais agitadas. Não prestavam atenção em Aria, mesmo ela tendo esbarrado em alguns deles. Olhou para cima. O céu estava escuro, em uma noite que nunca terminaria. Ela começou a andar em direção aos grandes portões de ferro que viu mais para frente.

–Seu ingresso, por favor –pediu uma voz vinda de cima.

Ela olhou para o dono da voz. Era um homem magro — bem mais velho que ela, pelo que parecia-, o pouco cabelo que crescia pelas laterais de sua cabeça eram cinzentos, seu nariz era comprido e curvado para baixo. Ele vestia um casaco comprido, com mangas coloridas e usava um monóculo estranho. Ele estava em uma especie de posto de observação. Ela entregou o ingresso para ele.

–Obrigado -ele sorriu.

–Que lugar é esse? –perguntou.

O homem ignorou a pergunta. Ele olhou para alguém atrás dela e disse:

–Tamer, leve nossa convidada para a entrada. Creio que ela consegue encontrar seu caminho sozinha.

Ela sentiu alguém a empurrando em direção aos portões que vira anteriormente. Um homem –o tal de Tamer- passou a sua frente, abriu os portões e puxou-a pelo braço, fazendo ela perder o equilíbrio.

Ouviu os portões se fechando.

–Não quebre nenhuma regra! –ela ouviu, porém não se virou.

Começou a andar, sem rumo.

xXx

Aria já passara tendas e mais tendas, barracas e mais barracas e não encontrara ninguém. Avistou um monte de feno e sentou-se ali mesmo. Estava cansada de vagar sem rumo por aí.

Ouviu o som de uma gaita bem ao seu lado e levantou-se assustada, afinal, não havia ninguém por perto quando ela sentou-se lá ali.

O homem tocando a gaita usava maquiagem branca no rosto, um nariz vermelho de palhaço e tinha a barba por fazer. Ele vestia roupas no mesmo estado que as de Aria e usava um chapéu furado. Parecia mais que lógico para ela que aquele homem morava ali.

Ver aquela cena fez Aria pensar em todos os anos que viveu morando na rua e nos responsáveis por todo seu sofrimento. “Eu estava tão perto...”, pensou. Embora estivesse com raiva, resolveu ser gentil com o homem.

–Ahm... Olá?

Não houve resposta. O homem continuava a tocar sua música na gaita.

–Eu sou Aria Oblonski. Quem é você? –tentou mais uma vez.

O homem parou de tocar e olhou para ela com irritação. Ela percebeu que não havia cor ao redor de suas pupilas. Ela piscou algumas vezes.

–Você quer que eu vá embora?

O homem sorriu sarcástico. Ela o olhou indignada.

–Pois bem, então! –exclamou.

Deu dois passos para trás antes de se virar. Deu uma última olhada para trás, mas não havia mais ninguém lá. Ela encarou o monte de palha por alguns instante, confusa.

–É Aria, então. Um belo nome para uma bela moça. –elogiou alguém ao seu lado.

Aria virou-se para encarar o homem. Ele era mais alto que ela, usava uma camiseta cinza rasgada em algumas áreas e uma jaqueta de couro por cima. Seu cabelo era preto. Pelo menos, ela pensou que era cabelo. Ele tinha um topete de aparência plástica, era pálido demais e tinha olheiras escuras demais para serem reais e ela conseguiu ver uma tatuagem de escorpião em seu pescoço. Era bonito, isso ela não pode negar, mas não era o tipo de homem por quem ela se atrairia. Porém, havia alguma coisa em seus olhos azuis que a fazia se sentir confortável perto dele. Parecia que eles já se conheciam e que ela podia confiar nele.

–Quem é você? –ela perguntou, sem conseguir desviar seus olhos dos dele.

–Eu sou o Scorpion –ele levantou a cabeça de Aria pelo queixo, gentilmente. –Seus olhos são tristes demais, não combinam com um rosto tão bonito.

Ela desviou os olhos. Estava se sentindo estranha, não costumava agir assim, muito menos perto de homens como ele. Mas ele tinha aquela coisa estranha no olhar que ela não conseguia identificar o que era.

–Vai me contar o que aconteceu? –ele pediu, sentando-se no lugar onde antes estava o homem tocando gaita.

–Eu... Eu não acho que deveria. –ela se afastou um pouco.

–Confie em mim. –ele se inclinou para frente e fez um sinal com a mão para ela sentar ao seu lado.

Hesitante, Aria sentou-se e começou a contar sua história. Contou sobre sua infância, sobre as passeatas que seus pais organizavam contra o governo, sobre como eles foram presos, torturados e mortos na frente de todos, sobre como ela viveu nas ruas depois disso. Também contou seus planos de vingança e como ela estava perto de realiza-los.

–Faltavam três... Apenas três que eu precisava matar. Então me pegaram e... Estranho... –franziu a testa. –Eu não me lembro.

Agora estava mais confusa que antes. Ela podia jurar que, há pouco tempo atrás, lembrava o que acontecia depois disso.

–Se você pudesse sair daqui, você mataria essas três pessoas? –Scorpion perguntou.

–Sim, é claro! Depois de tudo que eles me fizeram passar... Depois do que fizeram à minha família e aos meus amigos... Eu não posso perdoá-los! –exclamou.

–Eu... –ele pigarreou. –Posso te ajudar, se quiser.

Ela riu, seca.

–Eu acho que não. Eu preciso fazer isso sozinha.

Ele se levantou e estendeu a mão para ela levantar. Uma vez que os dois estavam de pé, ele ficou de frente para ela e puxou-a pela mão.

–Então eu posso te mostrar a saída. Você estaria livre para terminar sua vingança.

Ela arregalou os olhos. Sim! Ela não conseguia acreditar. Finalmente as coisas pareciam que iam dar certo em sua vida — ou talvez seja apenas o efeito que o Scorpion causava.

Ele a guiou até uma tenta colorida, como todas as outras. Era grande, listrada de vermelho e amarelo. Ela respirou fundo e parou em frente da entrada da tenda. Quando ela estava para entrar –ou, no caso, sair- ela ouviu o Scorpion chamando-a:

–Ah, Aria! Só mais uma coisa!

Ela virou para ele, sorrindo. Infelizmente, esse sorriso não durou muito. Ela sentiu algo gelado –uma faca- perfurando sua pele, parando em seu coração. A última coisa que viu foi Scorpion se aproximando, com um sorriso de satisfação no rosto.

xXx

Abriu os olhos novamente. Estava em pé. Em uma das mãos, segurava um lampião e vestia uma camisola branca. Estava em uma sala escura, a única luz do ambiente estava iluminando-a. Aria forçou os olhos. Ela conseguiu ver uma figura sentada nas sombras. Seriam aquilo chifres? A figura se ajeitou na cadeira e disse em uma voz grave:

–Faça o seu melhor, Butcher.


Notas finais
1- "As paredes pareciam ser feitas de um tecido escuro, havia espelhos pendurados por toda a parte": Creio eu que quem assistiu The Devil's Carnival reconhece esse lugar, já que é onde a Ms Merrywood acordou.
2- Hobo Clown ("homem tocando a gaita") e Scorpion: Demorou um tempinho para eu conseguir pensar em algum carnie para encaixar na história. E não, o Scorpion definitivamente não foi minha primeira opção. E eu também não acho que eles tem o mesmo modus operandi para todos os sinners.
3- "Deu uma última olhada para trás, mas não havia mais ninguém lá": Porque, ao que parece, todo mundo consegue se teletransportar.
4- "ou talvez seja apenas o efeito que o Scorpion causava": Eu tenho certeza que o Scorpion tem algum tipo de magia ou sei lá que faz ele parecer tão encantador (eu não aceito que a Tamara seja tão burra). No caso, a Aria não chegou a se apaixonar, apenas a confiar.
5- "Faça o seu melhor, Butcher": Porque é um headcannon universal que a cena de In All My Dreams I Drown (que está no youtube, pra quem quiser ver) é a iniciação da Tamara como Carnie.
Links úteis:
http://bit.ly/Nym8eL - Pra quem quer ver como é o sr. Scorpion em seu habitat natural (e a Painted Doll, que aparecerá futuramente)
http://bit.ly/GJL96y - O local da última cena
xXx
Desconsiderem a enormidade das notas de rodapé >
Olha só, para quem passou 6 meses sem escrever, até que não está ruim. Eu ainda não estou 100 %, mãããs...
Esperam que tenham gostado c:
XLupe Brown