Notas iniciais
Gabriela Saraiva Duarte pertence à Gabriela Payne
Demais personagens pertencem à seus respectivos criadores
Não foi betada;desculpa qualquer erro

Seguir uma mulher estranha que debochara dela há menos se cinco minutos não fazia parte dos planos de Gabriela. De fato, nada que acontecera naquele dia fazia parte dos planos de Gabriela.

Para começar, ela acordara presa em uma jaula. Ora, uma executiva com o seu status não devia ser enjaulada como um animal! A primeira coisa que percebeu, foram as suas roupas. Todos aqueles tules, panos e laços vermelhos pareciam desnecessários para ela. E sem falar que aquele collant de couro preto que amarrava na frente mostrava mais pele que qualquer um de seus vestidos. Seu cabelo castanho estava preso em um coque mal feito e estava adornado com mais tule. Notou que na porta da jaula –na fechadura- estava amarrado um envelope com o seu nome escrito. Dentro dele, havia uma chave e um ingresso para uma espécie de circo. Destrancou a porta, sem pensar duas vezes, e saiu dali, deixando o ingresso para trás.

Passou por mais jaulas como aquela, mas todas estavam vazias. Uma música tocava ao fundo, mas Gabriela não prestou muita atenção. Logo, chegou ao coração do circo, um lugar cheio de tendas coloridas e barracas de jogos. Parou e tentou colocar sua cabeça no lugar. A escolha mais sensata a fazer no momento era tentar procurar alguém e perguntar onde diabos ela estava. Notou que, ao seu lado, havia uma placa no formato de uma seta, que dizia “Informações”. Convenientemente, apontava para uma tenda bem à sua frente.

Parecia ser a tenda principal. Era bem maior que as demais e, em seu interior, havia uma arquibancada e uma espécie de palco no centro. No palco, havia apenas uma barraca decorada com corações. “Barraca do Beijo – Informações por beijos”, dizia a placa na barraca.

“Só pode ser brincadeira...”, pensou, enquanto aproximava-se da barraca. Sua atendente era uma mulher loira de olhos azuis. Gabriela assustou-se ao perceber que seu rosto estava coberto por rachaduras e um de seus olhos era bem mais claro que o outro. Pigarreou.

–Hã... Onde exatamente é aqui? –perguntou.

A loira piscou algumas vezes e apontou para a placa. Gabriela sabia que aquilo não ia resultar em nada, mas tentou mais uma vez:

–Tem como fazer uma exceção? Eu gosto de homens, sabe como é.

A mulher não respondeu. Ela apenas moveu o corpo para frente, fazendo bico. A morena respirou fundo.

–Escuta, moça, eu não quero te beijar. Eu só quero saber onde eu estou para eu poder sair daqui o mais rápido possível! Eu sou uma pessoa ocupada! Eu não posso perder meu tempo num circo qualquer!

Dessa vez, ao invés de apenas ignorar a pergunta, ela virou-se, pegou um caderno preto velho e empoeirado e colocou-o em cima do balcão. Seu olhar para Gabriela era um misto de desafio com divertimento.

Pegou o livro, desconfiada, e começou a folhea-lo. Era um álbum de fotografias. As pessoas das fotos estavam sorridentes e pareciam estranhamente familiares. Na última página, havia uma lista de nomes. Um calafrio percorreu sua espinha ao lê-la. Cada uma daquelas pessoas trabalhou para ela e todas foram assassinadas. Até a última, aquela que conseguiu esfaquea-la antes de morrer – estranhamente, não conseguia lembrar o que acontecera depois disso, mas não se importava com isso naquele momento. Todas aquelas pessoas que entraram e seu caminho e que foram mortas. Gabriela não se lembrava de terem sido tantas. Fechou o livro e colocou-o de volta no balcão.

–Como você conseguiu isso? –perguntou, quase sussurrando.

A loira fez bico mais uma vez e apontava para os lábios.

–Quantas vezes eu preciso dizer? Eu não vou beijar você! -esbravejou.

A moça tombou a cabeça para o lado, deixando as rachaduras em seu rosto mais visível. Ela saiu de trás do balcão e parou em frente à Gabriela. Ela andava de um jeito estranho e dramático demais. Gabriela percebeu que a loira usava roupas muito parecida com as que ela vestia. A diferença é que a moça estava vestida em amarelo e rosa.

–Agora vai me dizer o que é esse lugar? –perguntou, tentando parecer paciente.

Não houve resposta. A loira sorriu com escárnio e correu para fora da tenda.

xXx

Quando se deu conta do que estava fazendo, já estava dentro de outra tenda. Era menor e mais escura. Havia uma grade de segurança a separando de um cenário de madeira escrito “Jogue P/ Diamante”, mesinhas cheias de tesouros e um homem. O homem usava uma cartola incrivelmente alta, um casaco vermelho sujo e em péssimas condições, luvas pretas adornadas com pedras vermelhas e segurava uma bengala. Porém, o que mais impressionava era sua pele verde e cheia de escamas como a de uma cobra. Seu cabelo preto e liso caia em volta de seu rosto como uma cortina. Ele constantemente bebia em um cantil de prata.

–Hey! –ela chamou. –Você viu uma mulher com roupas parecidas com a minha? Pensei ter a visto entrar aqui.

–Ah, sim! Mas ela pode ser bem rápida quando quer. Venha! –ele fez um sinal para Gabriela de aproximar.

Ela o fez, prestando atenção nas joias e pedras preciosas ao redor do homem.

–São reais? –perguntou, apontando para uma mesa cheia de joias.

–Só tenho os melhores. –o homem respondeu, sorrindo.

Ao perceber o interesse de Gabriela, ele foi até outra mesa e puxou um pano.

–Se você gostou desses, então olha só esse daqui.

Gabriela arregalou os olhos. Nunca vira um diamante tão grande em sua vida. Ele devia ter trinta centímetros de diâmetro, no mínimo. “Talvez eu possa parar um pouco aqui”, pensou a mulher. “Um diamante desses me tornará a pessoa mais rica da cidade!”

–Como eu ganho ele? –perguntou.

Mas quando levantou a cabeça, se deparou com uma mulher. Ela tinha cabelos lisos e compridos e olhos castanhos expressivos. Por um momento, achou estar olhando para um espelho, então notou que seu reflexo estava usando as mesmas roupas que o homem que estava ali. “Bom truque de espelhos”, pensou.

Ele –ou ela- tirou de dentro da cartola um ovo, tão grande quanto o diamante. Retirou a parte de cima do ovo, virou-o em sua mão e saíram moedas de ouro.

–O prêmio valioso triplica a aposta. Três chances para acertar, três chances para ganhá-lo. –Gabriela ouviu sua própria voz responder a pergunta.

Ele colocou três moedas em sua mão e três moedas de volta no ovo. Ela olhava para o diamante, quase hipnotizada. Para ela, não havia mais nada além do diamante e da voz instruindo-a como pegá-lo.

–E se eu perder? –perguntou, ainda que sem se importar muito.

–Então a sombra leva tudo, minha querida. A sombra leva tudo. –riu.

Gabriela assentiu com a cabeça, mesmo sem entender o que isso significava. Sua cópia se afastou. Parou a sua frente, apenas a alguns passos de distancia, segurando o ovo com as duas mãos.

–Então eu tenho que jogar essas moedas nesse ovo? Isso é fácil demais! –desdenhou.

Ela viu seu clone sorrir, desafiador. Inclinou-se sobre a grade de segurança e jogou a primeira moeda – que voou longe e alto demais e ricocheteou no cenário de madeira. Olhou para o lado e viu a mulher que encontrara mais cedo. Ela sorriu divertida e puxou os panos que adornavam a cabeça da morena, depois desapareceu na escuridão.

–O que? –perguntou perplexa.

Seu reflexo começou a gargalhar, divertido com a perda de Gabriela. Então ela percebeu o que significava “A sombra leva tudo”. Se ela não acertasse ao menos uma moeda dentro daquele ovo, ela ficaria sem nada. Continuava a ouvir sua risada saindo dos lábios do outro e isso lhe causava uma sensação desesperadora.

Jogou mais uma moeda, dessa vez com menos força. Ela bateu na lateral do ovo e caiu no chão. Mais uma vez a mulher apareceu e dessa vez, arrancou-lhe os tules que formavam sua saia. As risadas aumentaram.

Preparou-se para jogar, sem esperanças, mas algo em sua mente a fez parar. Respirou fundo e acalmou-se. Concentrou-se apenas no ovo. Quando sentiu-se pronta para atirar sua última moeda era como se não ouvisse mais as risadas.

Para sua surpresa –e de seu clone também- a moeda atingiu em cheio dentro do ovo. Gabriela riu aliviada. O homem –que agora voltara a ter aparência reptiliana- estava em choque. Ele estava boquiaberto e não dizia nada. A grade se abaixou, entrando no chão e permitindo-a passar. Ela levantou o diamante com as duas mãos. Estranhou o peso, era muito mais leve do que imaginava.

–Sabia que ia ganhar – sussurrou, gabando-se, e saiu da tenda.

xXx

Sua estadia naquele lugar estava sendo mais proveitosa do que esperava, mas ainda precisava sair dali. Parou e olhou em volta. As tendas e barracas eram tão parecidas que não conseguia mais identificar de onde viera. Antes de decidir para que direção iria, sentiu duas mãos pesadas em suas costas, empurrando-a e a fazendo cair.

–Não! –gritou, enquanto o diamante rolava para longe.

Virou-se para ver sua agressora. Era aquela loira novamente. Antes que pudesse se levantar, a mulher abaixou-se e segurou os dois pulsos de Gabriela com uma mão só. Ela se debateu e tentou soltar-se daquele aperto de pedra em vão. Ela levantou a mão livre, se preparando para o ataque.

Tudo aconteceu muito rápido. Gabriela gritava e sua visão estava turva pela dor. Começou a tossir sangue. A última coisa que viu antes de tudo escurecer foi a visão de seus intestinos na mão da loira.

xXx

Acordou em uma pilha de almofadas em uma tenda desconhecida. Não tinha nenhuma lembrança de como chegara ali. A única coisa que havia naquele lugar eram as almofadas e um espelho grande e velho. Andou até ali.

Quase não se reconheceu. Estava mais pálida que nunca e seus olhos estavam amarelos. Seu cabelo estava em um coque perfeito, sem nenhum fio fora do lugar e vestia roupa de bailarina completa, toda preta. Virou-se, para ver suas costas e quase não conseguiu segurar um grito. No meio de suas costas havia uma chave — como aquelas de bonecos de corda. Ela girava lentamente e sem parar.

–Hey! –ouviu uma voz feminina chamando-a.

Virou-se, assustada. Uma mulher entrava na tenda. Ela tinha cabelos ondulados castanhos e bagunçados. Seu pescoço estava coberto por machas arroxeadas. Usava vestes brancas: uma regata e um corset, com um coração bordado do lado esquerdo, shorts e meia-calça arrastão rasgada. Havia sangue em suas mãos.

–Você deve ser a Swan Queen, certo? –continuou.

O nome parecia familiar, mesmo não se lembrando de se chamar assim.

–Isso é... –começou a pergunta, apontando para o sangue, mas foi interrompida.

–Sangue? É. Eu faço esculturas de sangue, sabe? –explicou.- Bom, antes que eu me esqueça: O Ticket-Keeper pediu para eu te avisar que a reunião vai começar daqui a pouco, lá na tenda principal. Ele disse que você sabe onde é.

Swan Queen tentou responder, mas não saiu som algum de seus lábios. Começou a se sentir fraca.

–Hm, eu acho melhor você dar corda. –a mulher disse, sinalizando para a chave, que agora girava mais lentamente.

Percebeu que a chave estava posicionada onde suas mãos alcançavam, podendo assim, dar corda facilmente e sem ajuda.

–Bom, é melhor eu ir. Não quero chegar atrasada. Ah! Aliás, eu sou a Butcher. –disse, deixando Swan Queen sozinha mais uma vez.

Notas finais
1- Foi escrita de um jeito diferente e houveram mais diálogos porque eu achei que a personagem se encaixou melhor desse jeito.
2- Painted Doll e Twin - A Painted Doll ~foi~ minha primeira escolha. O Twin demorou um pouco para se encaixar na histórias, mas eu acho que consegui.
3- Eu ~precisei~ transcrever Beautiful Stranger. É a minha cena favorita! Foi a coisa mais dificil que eu já escrevi, but...
4- "Jogue p/ Diamante" - "Toss 4 Diamond"
5- "Barraca do Beijo - Informações por beijos" - "Kissing Booth - Information for Kisses"
6- Sinners estrelam um capitulo. Carnies fazem cameos em outros capitulos e podem ou não estralar capitulos bonus. {e eu queria escrever a Butcher D:}
xXx
Links Úteis:
http://bit.ly/Vao7Hv - The Painted Doll
http://bit.ly/Vw48VH - The Twin
xXx
Não sei fazer notas normais, desculpa u-u
Eu reescrevi esse capitulo umas 5 vezes. Todas elas tinham um final diferente e esse foi o que eu mais gostei.
Eu demorei um século para postar porque eu não queria deixar vocês lerem qualquer porcaria (ainda que tem a possibilidade de eu reescrever de novo)
Enfim, espero que tenham gostado.
XLupe Brown