The Devil Within

20 2x20 – Underworld


Notas iniciais
oi, pessoal. Mais um capítulo hoje! Sei que é atualizações demais em pouco tempo, mas nesse momento, eu já estou na metade do sétimo capítulo da nova temporada. Bom capítulo :)

Havia uma verdade

Havia uma consequência

Contra você, uma defesa fraca

Então, havia eu, 17 anos

Procurando por uma briga

A minha vida inteira

Eu nunca estive presente

Sou apenas um fantasma

Fugindo de medo

Aqui nossos sonhos não são feitos

Eles são vencidos

Perdido na cidade dos anjos

No conforto de estranhos

Me encontrei nos alpes queimados

Na terra de um bilhão de luzes

Comprei meu destino, diretamente do inferno

30 Seconds to Mars

10 de abril de 2007. Londres.

Assim que entrou no banco de trás do carro alugado, Dean relaxou. Ele tinha que admirar Alicia por isso – ela tinha conseguido tirar um procurado do FBI dos EUA e colocá-lo na Inglaterra, graças a caçadores muito bem posicionados com a missão de permitir que caçadores saiam do país. E ele estava realmente muito feliz de ter chegado vivo a outro continente, mesmo que a viagem tenha sido um pesadelo. Nervoso demais para dormir ou até mesmo comer aquela comida horrível do avião, tudo o que Dean tinha feito era ouvir Metallica durante todas as longas horas de voo. Fora o medo de ser capturado pelo FBI. Mas, estar em terra firme novamente era o suficiente para ele relaxar. A noite, podiam ir conhecer os pubs ingleses, e principalmente, as mulheres inglesas.

A parada num hotel para trocarem de roupa foi muito rápida. Para a surpresa de Sam e Dean, era um bom hotel, com as reservas já feitas, tudo cortesia de alguns caçadores que Alicia conhecia. Era verão e o clima estava agradável, embora um pouco abafado.

Tanto Sam quanto Dean estavam curiosos para o lugar que Alicia os levariam. O Submundo, foi assim que ela chamou. Um bairro de Londres habitado exclusivamente por criaturas sobrenaturais, que lá tocavam suas vidas e faziam seus negócios. Caçadores e monstros conviveram quase pacificamente durante muitos anos no Submundo, mas agora as coisas tinham mudado um pouco e caçadores não eram mais tão bem vindos.

Alicia orientou ambos Winchester a se vestirem de preto – e assim eles compraram algumas roupas novas antes de partirem, camisas, calças e sapatos sociais pretos, para assim se adequaram ao local. E implorou para eles, especialmente Dean, deixar a raiva em casa e não apontar armas para nada nem ninguém, pois provavelmente iam começar uma guerra inútil e desnecessária, além de chamar muita atenção.

O Submundo não era muito longe do hotel em que eles estavam. Foram a pé, Alicia andando na frente deles, confiante. Sam fixou seu olhar na bunda de Alicia, que andava com firmeza mesmo estando usando saltos altíssimos. Por mais que Londres fosse incrível e que ele gostaria muito de conhecer a cidade com calma, de fato ele mal podia esperar para voltar para o hotel e testar aquela cama king size.

Sem olhar para trás, Alicia ia deixando os trechos mais movimentados da cidade e entrando em ruas escuras e menos movimentadas, sua mente muito longe dali, em outra época.

Estava nevando, muito. Alguns caçadores do Casa dos Lobos1 tinham até se oferecido para ir com ela, mas Alicia sabia que não era um oferecimento verdadeiro, e aliais, ela queria evitar mais curiosos. Não, ela tinha que vir sozinha.

Ela tinha chegado há Londres há 3 dias. Era uma noite de lua cheia e assim que voltava para o hotel, encontrou um lobisomem tocando o terror naquela região. Ela matou facilmente o lobo, e foi surpreendida pelos outros caçadores. Foi assim que Alicia foi acolhida no Casa de Lobos e assim que mencionou seu nome, logo perguntaram se ela estava relacionada com Dom Kavanagh. Nenhum deles sabiam quem Dom realmente era, apenas aquele nome era famoso. Foi assim que eles disseram a ela para procurar o Submundo, que lá teria toda a informação que ela precisava. Alicia só lembrava de sentir medo, ansiedade e a presença de Sam ao seu lado. Ela nunca tinha estado sem ele, nem por um segundo em sua vida inteira, e agora havia um oceano entre eles, mas ele ainda estava lá com ela. E Alicia lembrava, como assim que resolvesse tudo aquilo, queria voltar para Sam. Mal sabia que não haveria resolução.

Alicia entrou na conhecida rua sem saída. Quantas vezes ela não fizera um caminho tão parecido com aquele? Era engraçado estar com Sam e Dean ali. Parecia a junção de dois mundos, duas vidas, duas Alicias.

Mal tinham andado cinco metros na rua sem saída, que era a entrada para o Submundo, quando um homem alto e gordo, com um cabelo punk roxo e verde, impediu a passagem deles.

–Não ouviram que caçadores não são mais bem vindos? A trégua acabou. – declarou o homem, furioso. – voltem antes que eu tenha que fazer vocês saírem.

Alicia baixou os óculos escuros, seus olhos muito amarelos.

–Eu não sou uma caçadora. E eles estão comigo. Deixem eu ver Gleen.

–Ah, você sabe exatamente por quem procurar? – ele disse, irritado por não poder expulsar mais caçadores – Acredito que saiba onde encontra-lo então – ele respondeu, arrogante — Eu te conheço de algum lugar, não?

Alicia deixou o homem sem resposta. Sam e Dean andavam aos lados dela, e ela disse: “não olhem para trás de forma nenhuma”.

“Dom Kavanagh?” disse Oria, a bruxa. “Ah, mas você tem que ver Gleen, menina. Você sabe, ele costumava trabalhar com Dom”. A bruxa deu uma risada irônica. “Mas você tem certeza que é por esse homem que procura? Ou quer mesmo ter alguma coisa a ver com ele? Normalmente, todo mundo quer distância dele.”

Oria sabia quem Dom Kavanagh era, isso era claro.

Tanto Sam quanto Dean estavam surpresos e ao mesmo tempo lutando contra seu instintos de caçadores. O Submundo estava cheio de tudo o que eles caçavam – vampiros, lobisomens, bruxas, metamorfos e outras criaturas que eles nem reconheciam, todos vestidos de preto, alguns em trapos, outros em roupas muito elegantes, todos conversando. Havia comercio em todo o lugar – armas, estranhos pedaços de animais e plantas, amuletos, objetos, roupas, animais vivos. Havia uma barulheira de vozes, em vários tipos de línguas e sotaques, alguns completamente desconhecidos e talvez alguns sons mais animalescos. O cheiro era desagradavelmente doce, um cheiro que nunca teriam sentido igual. Tudo estava em tons de cinzento, menos o céu, que era extremamente azul e o sol brilhava, tornando o ar quente e pesado.

Alicia passava por tudo isso sem se afetar, se sentindo livre num ambiente que frequentara por muitos meses. O Casa de Lobos e o Submundo foram o lar dela durante quase um ano e esse foi o máximo de tempo em que ela passou num local a vida toda. Era o mais próximo que ela teve de casa.

Ela logo avistou Gleen, sentado em uma das inúmeras banquinhas. Mas a dele não havia objetos a venda. Como sempre, sua cabeça estava coberta por um capuz, indiferente do calor. Estava cercada de seres, mas Alicia sentiu os olhos dele nela, e com um gesto, ele dispersou a pequena multidão. Com um gesto, três cadeiras surgiram diante dele.

–Alicia – ele falou de forma carinhosa – e dessa vez acompanhada dos Winchester. Quanto tempo, não? O que te trás aqui?

–Olá, Gleen. – ela fala – como você está?

–Bem, bem. Mas você está perturbada. E há algo muito diferente sobre você, não? – ele sorriu.

–É. Mudanças. E venho aqui pelo mesmo motivo da outra vez.

–Quer encontrar Dom Kavanagh. Embora eu creia que agora que o nome dele é Asmodeus.

Alicia olhou o homem, com apenas o rosto branco e pálido e os olhos azuis aparecendo. Sim, estava irritada. E magoada.

–Por que não me disse antes de eu ter que descobrir tudo sozinha?

–Porque, claro, não sou eu quem tinha que contar essa história. Eu vim de longe encontrar com você, Alicia. Ninguém além de mim podia te dizer onde encontrar Dom, como Oria bem te avisou. Então eu deixei meu exílio e vim ajuda-la. Te dei o direito da escolha, e como se lembra, eu te aconselhei a ir embora. Mas você queria respostas.

–Que você podia ter me dado, ao invés de me deixar procurar por ele! – Alicia elevou a voz, furiosa.

–Não, não podia. Não era a minha história.

–Sinto muito – interrompeu Sam – mas quem é você?

–Meu nome é Gleen e eu sou umas criaturas de Asmodeus. Eu convivo com ele há muitos séculos e já entrei e sai do serviço dele inúmeras vezes. Estou fora há meio século, atualmente, mas ainda sei tudo sobre ele.

–Criaturas? – perguntou Sam.

–Sou um ser humano em que Asmodeus, há séculos, tentou transformar em um elfo. Não deu muito certo.

–Claro – disse Dean, rindo – não há coisas como elfos.

Gleen baixou a cabeça, revelando orelhas muito pontudas.

–Hoje não, mas há muito tempo existia. Se há algum ainda vivo, estão muito bem escondidos. E como elfos, eu sou imortal.

–Então – falou Alicia, impaciente – onde está meu pai agora?

–O que você realmente precisa, Alicia? – perguntou Gleen, parecendo cansado.

–Preciso dos feitiços. – ela levantou as mãos, indicando o pulso – os feitiços que vão me manter viva. Os feitiços que estão com ele.

Gleen riu.

–Tenho que te dizer uma coisa, Alicia. Em todos esses anos, nunca vi alguém deixar Asmodeus lambendo as feridas. Mas você conseguiu. Se existe alguém no mundo capaz de finalmente destruí-lo, esse alguém é você. Você deveria considerar essa possibilidade. Ele é provavelmente a pior criatura que já andou nesse mundo. Infelizmente, não sei onde ele está. Só sei que fugiu para se reerguer e provavelmente procurará vingança assim que reorganizar seu exercito.

Ele pegou as mãos de Alicia.

–Eu acho que você não entendeu muito bem. Isso ajuda? Claro que sim, é por isso que agora você está bem, isso faz toda a diferença. Você terá total controle de si mesma quando tiver todas as marcas e também treinar seus poderes. Mas o motivo para você ter ficado tão mal enquanto estava nas mãos do seu pai é que ele estava tentando destruir a influencia de Sam Winchester em você.

Houve uma pausa, enquanto os três tentavam entender o que Glenn queria dizer.

Ele abriu um sorriso imenso.

–Enquanto Sam Winchester viver, a transformação não vai ocorrer. Mas seu pai, bem, ele não sabia disso. O que eu te digo, então? Apenas deixe Sam vivo e você ficará bem apenas com essas marcas que seu pai fez em você. – ele pegou novamente no pulso dela – são marcas de contenção dos poderes. Você pode aprender a controla-los melhor com o tempo, e enquanto Sam estiver vivo, eles não vão mata-la.

“Você tem vindo aqui todo o dia buscando por Dom Kavanagh. Bem, eu posso dizer onde encontra-lo, se é isso mesmo que quer.”

“É o que eu mais desejo. Quem é você?”

“Meu nome é Gleen. Eu costumava, hã, trabalhar com seu pai.”

“Caçando juntos?”

“É, alguma coisa assim.”

Ela tinha apenas 17 anos.

Notas finais
1 O nome do pub, Casa dos Lobos, é uma música do My Chemical Romance. (House of Wolves). A música é sobre um homem que está morrendo, e ao repensar sua vida, percebe que poderá ir para o inferno. Esse capítulo serve um pouco de introdução para a linha que a terceira temporada vai seguir. É quase como um prólogo dela. E eu tive que colocar esses flashbacks no meio. Era como se ela estivesse revivendo a cena, da primeira chegada dela até ali. Alicia finalmente terá paz? Aguardem o próximo capítulo, que vem amanhã.