Notas iniciais
To postando hoje porque meu dia foi muito louco e me deu uns cinco minutos de vontade de postar. Meu professor cancelou a primeira aula amanhã e só vou entrar as 10h, agora pensa numa pessoa assim: *_* VOU PODER DORMIR! DORMIR! Eu ainda me lembro de como era a sensação de não estar cansada e sobrevivendo a base de café e chocolate. Provavelmente é por essa felicidade que eu postei o capítulo hoje. Sobre o capítulo: A foto que ilustra esse capítulo é da Eva Green na nova série Penny Dreadful e a personagem que ela interpreta é possuída por um demônio. Acabei achando por acaso, mas já to vendo que essa série vai render boas imagens para mim. E vou assistir claro (na minha cabeça eu tenho tempo de acompanhar 20 séries e as baixo toda semana, mesmo não assistindo) Outra coisa: vocês usam twitter? O meu é @autopsias_, me passem os seus ou me sigam lá. Bom capítulo!

Premeditação matará a confiança

Eles nunca saberão que você me teme

A cada segundo juntando restos

Sinto-me tão de saco cheio e cansado

Pois ela pertence aos céus

Ela está vindo como um suicídio

É a mesma droga, a mesma droga de antes

Outro complexo suicídio

É a mesma droga, a mesma droga de antes

Ela vai te matar com uma única facada

Ela está te possuindo muito rápido

Nenhum remédio pode curar a lúxuria

Então reze pelo doente

Pois ela pertence aos céus

Ela está vindo como um suicídio

Seether

3 de fevereiro de 2007, casa do Bobby.

O dia estava amanhecendo. Bobby pousou um bule de café e uma garrafa de whiskey na mesa. Dean pegou uma xicara e rapidamente se serviu de ambos.

–E quando vocês dois idjits iam me contar sobre a Allie? – Bobby disse, puxando uma cadeira.

–Bem, Bobby, assim que ela decidiu contar a nós sobre ela mesma. O que só aconteceu há dois meses. – respondeu Dean – e desde então, tivemos alguns problemas.

–Com ela?

–Não, por incrível que pareça. Com Sam. – respondeu Dean. Bobby estava por dentro do que estava acontecendo com Sam e também tinha sabido do problema com Gordon – as visões e outras coisas assim. Enfim, nós tivemos medo de contar sobre a Allie para alguém e que ela fosse caçada.

–Tanto faz isso agora – respondeu Bobby. – vocês tem que estar preparados. Para essa guerra e também...

Bobby olhou fixamente para Sam, que estava de cabeça baixa, encarando a mesa e distante dali. Ele sentiu os olhos de Bobby nele e finalmente levantou a cabeça.

–O que? – perguntou Sam, na defensiva.

–Nós não sabemos como ou até mesmo se a Alicia vai acordar. Mas o que acontece é que ela pode acordar e não ser ela mesma.

Todos entendiam o que aquilo significava, mas ninguém queria pensar nisso.

–Nós precisamos de um plano então. – disse Sam – precisamos que ela acorde e precisamos mantê-la segura.

Dean, Bobby e Jo olharam tristemente para Sam. De fato, não tinham como saber como Alicia acordaria. Agora ela não seria mais humana. Não tinham onde pesquisar sobre o assunto, não tinha como ajuda-la, porque isso nunca tinha acontecido antes. Nenhum deles acreditava que Alicia ia morrer, mas tinham medo do que ela se transformaria. E ainda havia a informação chocante que anjos existiam.

Nem ao menos Bobby jamais tinha ouvido falar sobre anjos.

–-

4 de fevereiro de 2007.

Sam estava desesperado. Ele não podia perdê-la. Não suportaria perdê-la, nem para a morte, nem em caso Alicia se transformasse em alguma coisa. Ele já tinha passado horas apenas olhando para ela, deitada na cama, inerte como morta.

Mas ela ainda respirava.

Sam, tentando se manter ocupado, começou a procurar nos livros de Bobby por respostas. Nunca tinha ouvido falar desse demônio, Asmodeus.

Conhecido como O Destruidor, é um dos príncipes do inferno. Está relacionado com a luxuria, jogos e tentações, meios pelo qual utiliza de levar almas para o inferno. Conhecido por ser extremamente orgulhoso e cruel, segundo as lendas é o primeiro filho entre Lucifer e Lilith. Só está abaixo de Lúcifer no comando do inferno.

Mas para aquilo ser verdade, era de se esperar que Lúcifer e toda a mitologia cristã fossem verdade, o que era simplesmente loucura para Sam. Mas bem, a vida deles era louca e se existiam demônios, fantasmas e até unicórnios, por que não Lúcifer e outros anjos?

E anjos existiam, e como Alicia tinha dito, provavelmente não estavam nem ai para a humanidade. Por que tanto mal no mundo? Por que todo o peso nas costas deles?

Dean parou na porta do quarto onde tinham colocado Alicia. Sam estava sentado numa cadeira ao lado da cama, lendo um velho livro.

–O que você está fazendo? – perguntou Dean.

–Lendo sobre Asmodeus. O que eu mais posso fazer? Odeio ficar sem poder fazer nada. Odeio não poder salvá-la.

–Podemos caçá-lo. – disse Dean. Sam olhou para Dean, surpreso. – podemos caçar o desgraçado e obrigá-lo a dizer o que exatamente fez com ela e assim nós a salvaremos. Bobby e Jo estão de acordo.

–Então agora a Jo está caçando com a gente? – perguntou Sam, intrigado. – sempre pensei que você era contra isso. O que a Ellen pensa?

–Ellen não sabe, por enquanto. – respondeu Dean, agindo de maneira no mínimo estranha – e o que eu posso fazer para impedi-la? A garota é boa caçadora. Foi ideia dela.

Sam concordou. Procurar por vingança parecia um plano bem melhor do que se desesperar. Afinal, eles eram Winchester e o que os Winchester fazem? Procuram por vingança. Esse no fundo era o verdadeiro negocio da família. Ele relutava em deixar Alicia sozinha, mas sabia que ela entenderia. Era por ela que ele estava fazendo aquilo. Acharia Amodeus e o obrigaria a salvá-la.

Mesmo assim, não podia notar que seu irmão estava agindo bem estranho em relação a Jo.

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Estavam os quatro enfiados em livros há apenas uma hora quando de repente todas as luzes piscaram. Eles se colocaram em alerta e começaram a investigar a casa. Podia ser tanto Amodeus quanto Azazel.

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Mas não. Era Alicia. No andar de cima, ela tinha acabado de acordar, com a última noite em que esteve acordada grudada em sua mente. E ela sabia o que precisava fazer. Sabia que Bobby deixava uma faca na gaveta ao lado da cama. Sem chance, sem nenhuma chance, de ela permanecer viva sendo um monstro. Ela se sentia estranha, como se algo formigasse e queimasse dentro dela e o mundo em volta dela estava estranho, como se alguém tivesse intensificado as cores, os cheiros, as sensações e os sons. Todos seus sentidos pareciam multiplicados. Mas sentiu alivio ao perceber que ela ainda era mesma. Mas por quanto tempo?

Não, ela precisava acabar com isso antes que alguém se machucasse.

Girou a faca em sua mão lentamente. Sabia que Sam ou Dean jamais teriam coragem. Eles eram emotivos demais. Bobby também. Não, tinha que ser ela. Ninguém a ajudaria. Levantou a blusa que ela usava.

Ela enfiou a faca no seu próprio abdômen. A dor era... Diferente. Difusa. Sentiu o seu sangue espirrar para fora dela, encharcando o lençol branco e as roupas dela. Não se sentia mais fraca. Não se sentia morrendo. Doía, claro, mas... Ela fez um segundo movimento com a faca.

Eu não queria morrer agora, ela pensou. Mas não havia escolha.

A porta se abriu com força, Sam na frente, com Bobby, Dean e Jo logo atrás.

Sam correu até ela, abraçando-a com força, falando um monte de palavras sem sentido, principalmente tentando entender o que ela estava fazendo. Ele dobrou um pedaço do lençol, pressionando contra o ferimento dela, tentando estancar o sangramento.

–Escute. – Alicia falou, com urgência. Ela devia estar morrendo, mas por que não se sentia pior? – eu provavelmente não vou durar muito mais. Eu amo você. E eu sinto muito. Mas não posso viver assim.

Sam pressionou ainda mais o ferimento. Quando entrou ali, estava se perguntando quem a havia machucado. Então entendeu que ela tinha feito isso com ela mesma. Mas não ia deixar ela morrer. Eles encontrariam uma solução. Tinha que haver uma solução. Alicia ainda estava sendo Alicia e não algum tipo de monstro fora de controle. Exceto por uma coisa. No pânico, não tinha notado. Mas estava lá: os olhos dela eram amarelos como os do demônio. Era horripilante.

Sam a abraçou com força, apertando o corpo dela contra o dele, com a ideia que se abraçasse forte o suficiente, talvez ela não estivesse mais morrendo. A ideia de perde-la o destruía. Não poderia viver sem ela.

–Isso está demorando tempo demais. – Alicia falou, e havia medo em sua voz. Sam a afastou e tirou o lençol.

Não havia mais ferida. A pele dela estava intacta.

–Mas o que...? – perguntou Sam, sem entender nada. Ele tinha visto. Bobby, Dean e Jo estavam entrando no quarto, Bobby segurando umas caixas, provavelmente para fazer um curativo. Mas não seria mais necessário.

Alicia começou a rir histericamente.

–Ah Meu Deus. Ah mas que porra. Puta que pariu, eu não posso morrer.

Ela riu uma última vez, as luzes piscaram novamente. E então começou a chorar como uma criança, soluçando e tremendo, enquanto Sam a segurava. Ele e Dean trocaram um olhar preocupado.

Aquilo ficava mais estranho a cada segundo. Nenhuma caçada era mais assustador do que Alicia tinha acabado de tentar fazer. E teria conseguido muito facilmente, se não fosse pelos bizarros poderes que ela tinha.

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Biblioteca da casa de Bobby.

–Ei, Sam. – Dean abriu a porta. Já tinha se passado algumas horas desde o incidente. – eu e Jo compramos comida. Venha comer com a gente.

–Honestamente, não estou com fome. – Sam nem levantou a cabeça do livro.

–Sammy – disse Dean, se sentando ao frente dele – eu sei o que você acabou de passar com Alicia foi horrível, mas você não precisa se levar para o tumulo também. Nós vamos encontrar um jeito. Sempre encontramos, certo?

–Alicia não está indo para o tumulo.

–Não foi isso que eu quis dizer. Você sabe disso. Onde está ela?

–Ela está dormindo ou desmaiada, não sei com certeza. Ainda. – Sam suspirou, empurrando o cabelo para trás, extremamente cansado – eu estou tentando encontrar alguma coisa para conter os poderes dela. Eu acho que ela pode vir a morrer, pois seu corpo não aguentaria tanto poder de uma vez só.

–Eu estive pensando – falou Dean – não acho que Alicia corre risco de morte. Sério risco.

Sam o olhou como se pensasse: você é estupido?

–Realmente, Sam. – Dean puxou uma cadeira e se sentou de frente para Sam – pense bem. Aquele demônio maldito está tentando trazê-la ao mundo há séculos. Você acha que ele arriscaria perde-la assim tão fácil?

–Eu não sei e não quero pensar positivo nessa situação, Dean; não vale a pena o risco.

As luzes piscaram, a porta se abriu e a Alicia entrou.

–Vocês deviam me deixar morrer. – ela disse – pode ser a única chance de vocês, já que aparentemente eu não posso ser morta.

–Allie – Sam correu para ela, para ajuda-la. Ela cambaleava a cada passo. Ele a segurou e a sentou num sofá.

Alicia pegou um livro que estava lá, era sobre como matar demônios.

–Vocês realmente não estão pensando em ir caça-lo, né? – ela jogou o livro longe, e o livro começou a pegar fogo. – ah meu Deus, me desculpe, nunca foi essa a intenção.

E o livro parou de queimar.

–Allie, Dean acabou de dizer que pensa que seu pai não te mataria.

–É, talvez Dean esteja certo. – ela respondeu, lentamente, encarando o nada. – mas seria preferível eu morrer. Olhe meus olhos. Ou melhor, não olhe. Eu não consigo olhar. Que coisa mais tenebrosa.

Ela parecia distante, como se estivesse prestes a perder a consciência novamente.

–Eu agora sei... Um monte de coisas. – ela falou – monstros são enlouquecidos e assassinos por causa do poder. E eu tenho muito poder. Eu posso não morrer, mas vou me tornar louca. E malvada. Vocês precisam dar um jeito de me matar. A Colt provavelmente funcionaria.

Sam a olhava fixamente, os olhos cheios de lagrimas.

–Essa não é a única solução, Allie. Você poderia aprender a controlar esses poderes e não deixar eles te controlaram.

–A transformação ainda não começou... Eu sei que esse é só o inicio. Não sei o que eu serei ao fim dela, ninguém sabe.

–Allie... –

–Já chega, vocês dois. Estão esquecendo uma coisa. A mãe dela, Rebekah, era a merda de um anjo. Por que ela tinha que ser má? Papai sempre contou que Rebekah era diferente, especial, que transmitia calma. Alicia pode ser boa como a mãe. Não necessariamente uma louca como o pai. – disse Dean, cheio de esperança.

–Você realmente acredita que isso é possível, Dean? – perguntou Alicia, ainda mais ausente e totalmente sem esperança. Ela começou a tremer violentamente. – quando foi que alguma coisa deu tão certo?

–Dean! – gritou Sam – eu acho que ela está com febre. Ele deitou ela no sofá, que tremia quase tanto uma convulsão. Lentamente, ela foi deixando a consciência.

Notas finais
O título do capítulo é uma música do My Chemical Romance. A cena da Alicia com a faca foi inspirada em The Following, que embora tenha o FBI mais burro já visto na história da ficção, ainda é uma ótima série, e nela 3282892,67 pessoas morrem esfaqueadas por episódio. (e tem vários episódios baixados que eu não tenho tempo de assistir). Outra coisa em que essa cena foi inspirada na excelente série da Alma Katsu, que tem dois livros lançados: O Ladrão de Almas e Refém da Obsessão. Ps: ta na hora de alguns comentaristas esporádicos voltarem a aparecer nos comentários. Ps2: atualmente to trabalhando no terceiro capítulo da terceira temporada.