The Devil Within
12 2x12 - Scarred Heart
Notas iniciais

Eu não me importaria em, eu não ousaria
Consertar a confusão que há em você
Você me mostrou, eventualmente,
O que você fará
Eu não ligo
Eu não me importo
Desde que você esteja aqui
Vá em frente e diga que está partindo de novo
Você voltará correndo
Segurando seu coração cicatrizado na mão
É tudo o mesmo
E eu vou aceitar você como você é
Se você me aceitar por tudo
Fazer tudo de novo
É tudo o mesmo
Sick Puppies
9 de janeiro de 2007. Cornwall, Connecticut.
Alicia se jogou na cama do hotel mal assombrado e agradeceu Ellen mentalmente por ter passado aquele caso. Foi uma benção deixar Peoria.
Um mês investigando aquele desaparecimento de Ava, um mês em que tanto Dean quanto Sam mal falaram com ela direito. As conversas eram sempre relacionadas ao caso. Para os irmãos, a história era bem simples: algum demônio matou o noivo de Ava e a levou.
Alicia tinha uma teoria diferente. Ava era uma das crianças paranormais e todas elas tinham matado alguém em algum momento. Bem, menos aquele cara com o irmão gêmeo louco, ambos controlavam mentes.1 Mas Alicia tinha certeza absoluta que ele não tinha matado o irmão porque ela tinha sido mais rápida em atirar. Ela podia lembrar dos olhos dele, segurando a arma.
Então, para ela, Ava havia enlouquecido, matado o noivo e fugido. Para onde? Provavelmente nem Deus saberia essa resposta.
Mas nenhum dos dois queria ouvir o óbvio. Queriam apenas salvar a garota. Obviamente, o principal argumento era que Andrew, esse era o nome dele, não tinha matado ninguém.
“Você matou, Alicia” disse Sam, deixando bem claro o que pensava dela. Filha de um demônio e assassina. Mas já fazia algumas semanas que Alicia não estava mais magoada, na verdade a cada dia que passava sua raiva crescia. Por que eles não deixavam ela ir embora? Mas toda vez que nas brigas ela dizia isso, Dean começava a dizer “somos uma família e vamos ficar juntos”.
Por que ela não tinha ido embora ainda? Bem, faltava coragem. Não queria deixar sua família. Então ela descontou toda sua frustração em odiar Ava e odiar Peoria e todo aquele maldito caso.
Agora era um hotel mal assombrado, tão clássico que já tinha sido abordado um milhão de vezes em Scooby-Doo. Ela não podia estar mais satisfeita de ter um caso “normal”.
Era tarde da noite e Alicia precisava criar coragem para levantar da cama e trocar de roupa. Tomar um banho. Tinham chegado naquele dia e começado as investigações. Embora em Peoria Alicia tinha dividido um quarto com Sam e Dean, agora ela queria um quarto só para ela. Precisava ficar sozinha. As vezes sentia que eles a vigiavam.
Alicia era exatamente a mesma. Quem estava desenvolvendo estranhos poderes era Sam.
As vezes se perguntava se tudo isso não era mania de perseguição. Talvez a tristeza, a solidão profunda e a raiva que sentia estivessem realmente a deixando paranoica. Provavelmente, Sam e Dean não estavam vigiando, nem esperando que ela criasse presas e asas no meio da madrugada. Eu espero isso de mim mesma. Anos e anos esperando o dia que eu vou virar um monstro.
Alguém bateu na porta e ela ignorou. A batida ficou mais insistente. Xingando, ela levantou da cama e pegou a arma que estava no criado mudo, carregada com balas de sal. Pelo que ela sabia, podia ser muito bem um espírito.
Alicia abriu a porta, desconfiada. Mas era Sam. Ele entrou no quarto sem dizer nada. Alicia baixou a arma, largando-a na cadeira mais próxima. Sam fechou a porta. Algo no jeito dele dizia uma coisa para ela.
–Você está bêbado? – ela perguntou. Voltou a se atirar na cama. Não poderia mais suportar uma briga com Sam, ainda mais ele estando bêbado e provavelmente disposto a gritar um monte de coisas horríveis para ela. – não quero brigar. Vá embora.
Sam não respondeu.
–Certo, se você não sair, eu vou. – ela se sentou na cama, extremamente irritada com Sam. Tudo o que ela queria era ficar quieta.
Sam se sentou na cama ao lado dela, os olhos fixos nela.
–Ok – ela disse – você está agindo esquisito e essa cama é pequena demais para nós dois. Alguém aqui tem que sair.
Sam riu, sacudindo a cabeça negativamente.
–Você nunca ligou que a cama fosse pequena demais.
Ele apenas se curvou, beijando-a. Alicia fechou os olhos, beijando- o também, com um surto de felicidade momentânea. Um mês sem Sam. Um mês e ela estava pirando. Mas agora ele estava ali e eles estavam se beijando, e ele estava a apertando com força e a derrubando na cama, se deitando por cima dela e eles não paravam de se beijar por um segundo...
Mas o gosto forte de bebida barata nos lábios de Sam era uma triste pedra que mantinha Alicia na realidade. Ela o afastou.
–O que? – ele perguntou.
–Você está bêbado. Eu não posso fazer isso.
–É o que eu quero fazer. Eu amo você. Não quero ficar longe de você. Não mais. Eu não aguento mais tudo isso. Por que amar você doí tanto?
Os olhos dele começaram a brilhar de lágrimas. Alicia não conseguia tirá-lo de cima dela. Sam era umas 3 ou 4 vezes maior que ela.
Houve umas batidas na porta e Sam saiu de cima dela, mas apenas se sentou na cama, confuso.
A porta se abriu.
–Alicia? Você viu o Sam? Um homem se enforcou num dos quartos. – disse Dean. Então ele viu ambos. – eu estou interrompendo alguma coisa?
–Não. – ela também se sentou na cama.
–Eu vi que o cara se enforcou – disse Sam, encarando o nada – eu não pude salvá-lo.
–Você está bêbado? – perguntou Dean, chocado.
–Sim. – respondeu Alicia. – ele está.
–Cara, você pirou? Estamos trabalhando num caso!
–Eu não pude salvá-lo – repetiu Sam.
–Do que você está falando? – disse Dean – você não poderia saber, você não poderia ter feito nada.
–Isso é uma desculpa, Dean. Eu deveria ter encontrado uma maneira de salvá-lo e de salvar Ava também.
–Bem, não podemos salvar todo mundo, você mesmo diz isso. – disse Alicia, delicadamente.
–Não, vocês não entendem! Quanto mais pessoas eu salvo, mais eu posso mudar.
–Mudar o que? – perguntou Dean.
–Meu destino!
–OK, já chega. Hora de dormir – declarou Alicia – por que você não se deita?
Delicadamente, ela tenta empurrá-lo na cama.
Inútil.
–Eu preciso que vocês me vigiem. – continuou Sam – e se um dia eu me transformar em algo que eu não sou... Vocês tem que me matar.
–Sam – começou Dean.
–Dean! Papai disse para você fazer, você tem que fazer.
–Papai é um idiota. Ele nunca deveria ter dito nada. Você não faz isso, não joga esse tipo de porcaria nos seus filhos. – Dean disse, revoltado.
–Não. Ele estava certo. Quem sabe no que vou me tornar? Até agora, todo mundo a minha volta morre!
–Isso não é verdade, eu e Dean estamos vivos. – disse Alicia. – vamos. Deite. Isso vai passar.
Sam a segura pelos ombros.
–Vocês dois tem que me prometer. São os únicos que podem fazer isso.
–Eu não posso fazer isso – disse Dean. – não me peça...
–Prometa!
–Eu prometo. – disse Alicia – e Dean também. Ok?
–É – disse Dean, ausente e triste.
–Obrigado – disse Sam, finalmente se deitando na cama. – você é incrível. Eu sinto muito por todo esse tipo de porcaria. Você fica aqui comigo? Por favor, não vá embora. Eu preciso de você.
Ele apagou.
–Como assim você prometeu essa merda para ele? – Dean praticamente gritou.
–É o que ele precisava ouvir. Dean? Sam nunca vai se tornar mal. Por favor, olhe só para ele.
Dean a olhou por um tempo. Alicia parecia ter certeza do que dizia e ela tinha mesmo. Sem dizer mais nada, ele apenas saiu do quarto, batendo a porta.
–-
Manhã seguinte.
–Allie?
Alicia abriu os olhos. Sentiu o corpo doer por ter dormido de mau jeito.
–Obrigado por ter ficado aqui comigo.
Certo. Sam. Bêbado na noite anterior. Era isso que tinha acontecido. Os locais onde o corpo dela encostava com o de Sam formigavam. Meu Deus, como era difícil ficar longe dele. Cada célula do corpo dela estava implorando por ele.
Sam se arrumou mais a ela, de modo que ficassem mais confortáveis. Viu que tinha acordado Alicia. Ele a abraçou, fazendo ela deitar a cabeça no peito dele. Inspirou profundamente. Os cabelos dela cheiravam a baunilha e menta. Ele não podia mais lidar com isso. Ficar longe dela provavelmente era a coisa mais difícil que já tinha feito. É claro que ainda estava irritado, mas o que tinha dito a ela antes era verdade: ele queria que desse certo. E estava disposto a perdoá-la.
Só queria conseguir confiar em Alicia novamente.
–Você se lembra da Missouri? – perguntou Sam.
–A vidente? Sim.
–Naquela vez, ela me disse uma coisa. Sobre você. Você e eu na verdade.
–É? – perguntou Alicia, curiosa. Sam estava agindo todo carinhoso com ela naquela manhã e ela realmente estava com medo de fazer movimentos bruscos e espantar ele.
–É, ela me disse que eu e você nos casaríamos um dia.
Alicia suspirou. Odiava videntes.
–Então você está aqui por que alguma vidente disse que você se casaria comigo.
–Não, eu estou aqui porque eu quero estar aqui com você. Por que você sempre tira a pior conclusão possível?
–Porque é a minha vida. E é sempre a pior coisa possível.
–Eu quero isso. Casar com você um dia. Quero ficar com você o resto da minha vida; não consigo mais me ver sem você. Eu quero perdoar você. Então por favor... Pare com essas mentiras e essas meias verdades. Pare de fugir. Por favor, me deixe amar você.
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