The Devil Within
11 2x11 - Love and Other Shits
Notas iniciais

Felicidade, diretamente da garrafa
Quando a vida real é muito difícil de engolir
Three Days Grace
11 de dezembro de 2006. Lafayette, Indiana.
Havia um único motel naquela cidade, o Blue Rose. Dean estacionou o Impala e antes mesmo deles pegarem um quarto, resolveram espiar pelas janelas para ver se encontravam Sam. Não foi tão difícil. Sam estava realmente lá.
–Graças a Deus você está bem! – disse Dean e Alicia sorriu aliviada. Embora ela não tenha ficado tão feliz quando viu que havia uma mulher lá dentro. Podia não ser nada, mas ela ficou... Com ciúmes. Puta da vida. Não estava claro se ela e Sam ainda estavam juntos, mas mesmo que não estivessem, ele não tinha o direito de sumir e reaparecer num quarto de motel com alguma vadia.
Dean olhava para ela com um olhar preocupado.
–Eu sinto muito. – ele disse. Alicia o ignorou.
De repente, um tiro passou voando por eles e acertou a janela de Sam, que se abaixou bem a tempo. Dean e Alicia se viraram para ver de onde estava indo. Era do prédio em frente, do telhado. Eles começaram a correr.
Em cima do telhado, Dean se jogou em cima do homem que atirava. Era Gordon, o caçador especialista em vampiros.1
–Você faz isso com meu irmão, eu mato você!
–Dean, Alicia, esperem – ele diz e no momento de confusão, Gordon consegue nocautear ambos com um rápido movimento do rifle.
–-
Quando acordaram, estavam amarrados no que parecia ser uma velha cabana de caça, abandonada. Gordon estava segurando os celulares deles.
–Só quero ver para quem Sam Winchester vai ligar primeiro.
Poucos minutos depois, o celular de Dean começa a tocar. Sam tinha emprestado o celular de Ava.
–Alo? – fala Dean.
–Dean!
–Sam, eu e a Alicia estamos procurando por você.
–Sim. Eu sei. Estou em Indiana, Lafayette.
–Eu sei. Falamos com a Ellen. Acabamos de chegar. É uma cidade muito maneira. Você nos abandonou, Sam.
–Eu sei, sinto muito. Parece que tem alguém me perseguindo.
–Que? Quem?
–Eu não sei, é o que precisamos descobrir. Onde eu encontro você?
–Estamos na rua St. Monroe, 5673. Por que você não nos encontra aqui?
–Claro. Estou indo.
Gordou tirou o celular do ouvido de Dean, onde ele estava segurando.
–Foi assim tão difícil?
–Vá se foder. – falou Alicia, respondendo por Dean.
O que Gordon não sabia é que “cidade maneira” era o código deles para problemas.
Gordon estava caçando Sam. Durante um exorcismo, um demônio tinha dito a ele sobre uma guerra que estava por vir, em que haveria soldados humanos lutando ao lado dos demônios, humanos não totalmente humanos, pois possuíam poderes psíquicos. E o demônio disse para Gordon que Sam Winchester era um desses. Gordon conferiu a história com alguns contatos da Roadhouse. E há um mês, ele tinha matado um desses paranormais nessa mesma cidade em que estavam agora.
Gordon desconfiava que Dean tivesse avisado Sam do problema e não o estava esperando pela porta da frente. Na verdade, ele preparou uma armadilha na porta dos fundos.
–-
Algum tempo depois.
–Gordon, por favor – disse Alicia – eu conheço Sam mais do que qualquer um. Ele é aquele tipo de cara que se sente culpado por assistir pornografia.
–Talvez você esteja certa, mas um dia ele será um monstro.
–Como um cara como Sam se torna um monstro?
–Eu não sei, mas vai acontecer.
–Não, você não sabe disso! – disse Dean, irritado.
–Eu até entendo a moça fazer drama, mas estou surpreso com você, Dean, sendo tão emocional. Eu soube que você era mais profissional. Vamos dizer que você encontrasse com o Hitler ainda criança. Naquela época ele era só um artista ruim e frustrado, mas você sabe o que ele vai se tornar, então você atira, certo?
–Esse não é o caso de Sam! – respondeu Dean, ainda mais furioso.
–Sim, é sim. Vocês apenas não podem ver isso. É o destino dele. Mas eu entendo você, é seu irmão, você o ama. Isso vai doer muito para você. Mas sabe de uma coisa? Seu pai, se chegasse a hora de fazer isso, ele faria sem pensar duas vezes. Você está me dizendo que não é tão homem quanto ele?
Dean e Alicia trocaram um olhar furioso. Assim que pusessem as mãos em Gordon, iam cortá-lo em pedacinhos, de forma lenta e o mais dolorosa possível.
–-
Eles ouvem o barulho de um carro estacionando, em seguida alguém abrindo a porta dos fundos, que dava para um quartinho da cabana. A primeira explosão de granada. E a segunda também. Essa era a armadilha que Gordon tinha montado.
Tanto Dean e Alicia estavam angustiados, o coração batendo rapidamente, rezando por um milagre, para Sam perceber a armadilha. Rezando que Sam ainda estivesse vivo.
–Sinto muito. – Gordon diz para Dean e Alicia. Ele sai do quarto da frente, com o rifle apontado, entrando para o quartinho dos fundos.
–Largue a arma.
Era a voz de Sam. Dean e Alicia suspiraram aliviados, para em seguida voltarem a se preocupar. Sam precisava se livrar de Gordon, ou estariam todos ferrados.
Sam esperava a primeira armadilha; mas ao perceber que tinha uma segunda armadilha, simplesmente tirou os sapatos e os usou para causar a explosão, salvando-se.
–Não deveria tirar seus sapatos por aqui. Provavelmente vai pegar tétano.
–Abaixe isso agora! – diz Sam.
–Você não vai atirar em mim, vai, Sammy? Porque seu irmão e sua namorada, eles pensam que você é alguma espécie de santo.
–É? Eu não teria tanta certeza.
–Viu? É isso que eu disse. Você não é melhor que as coisas que você caça.
Sam se jogou em cima de Gordon, e o pegou de surpresa. Ele era muito mais alto e mais pesado que o outro caçador e o derrubou no chão. O rifle voou da mão de Gordon na queda. Sam o pegou, enquanto prendia o homem no chão com o joelho. Ele apontou a arma para Gordon.
–Faça isso. Faça isso! Mostre a eles quem você é realmente, Sammy.
Sam virou o rifle e deu uma pancada com ele na cabeça dele, que desmaiou.
–É Sam – ele falou, e foi para o outro quarto, onde encontrou Dean e Alicia, muito bem amarrados. Normalmente eles conseguiriam se desamarrar, mas Gordon tinha sido muito esperto.
O reencontro foi estranho. Todos estavam felizes de se reencontram vivos e bem. Mas Alicia não conseguia olhar Sam nos olhos. Não podia encará-lo. Muito menos falar com ele.
Não havia muito tempo para isso.
Dean pegou o rifle da mão de Sam e caminhou lentamente até a porta.
–Dean. Não. – disse Sam.
–Eu cometi o erro de deixa-lo vivo outra vez. Não vou cometer o mesmo erro novamente.1 – falou Dean.
–Eu cuidei disso. Vamos lá fora.
–-
Pouco tempo depois, Gordon saiu da cabana, uma arma em cada mão, parecendo possesso e furioso, como se fosse começar a dar tiros para todo o canto a qualquer momento. Dean, Sam e Alicia começaram a correr.
–Você chama isso de “cuidar”? – gritou Dean, ofegante, enquanto corriam. – que porra você está fazendo?
–Confiem em mim!
Gordon continua a correr, se aproximando deles. Então três carros de policia apareceram, as sirenes ligadas.
–Uma dica anônima para a polícia. – sorriu Sam.
–-
Sam estacionou diante do Blue Rose. Já tinha anoitecido e eles estavam cansados e estressados e provavelmente passariam a noite ali.
–Eu tenho uma ligação a fazer, antes de tudo. – disse Dean, pegando o celular.
Alicia se sentou no capô do Impala, Sam apenas encostou-se ao carro. Dean ficou de frente para eles.
–Gordon Walker estava caçando Sam?
–Sim, Ellen – respondeu Dean, puto da vida – e quase matou todos nós porque alguém ai não pode manter a boca fechada.
–E honestamente você pensa que fui eu? Ou Ash? Ou Jo? Sem chance.
–Bem, quem mais sabe sobre Sam? Eu quero dizer, vocês devem ter contado a alguém.
–Ei, você pode dizer um monte de coisas sobre nós, mas não somos desleais. Ou estúpidos. Nós não respiramos uma palavra sobre isso.
–Gordon disse que tinha conexões na Roadhouse, Ellen.
–E essa Roadhouse é cheia de caçadores. Eles são espertos. Eles sabem rastrear bem. Cada um deles tem seus padrões e conexões. Olha, inferno, eu poderia nomear vinte deles nesse momento que poderiam chegar a essa conclusão. Eu sinto muito sobre o que aconteceu, Dean. Mas eu não posso controlar essas pessoas. Ou no que eles escolhem acreditar.
–-
–Então – disse Dean, quando chegaram ao quarto que Sam tinha pegado antes – eu vou pegar outro quarto para mim, porque vocês dois... Precisam muito conversar.
Dean saiu fechando a porta.
–Então – disse Sam – eu não sei o que pensar, Alicia. Eu quero dizer... Eu achei que estava tudo bem com a gente. Que estávamos felizes. Pensei que agora finalmente ia dar certo. Mas eu não consigo entender porque, sabe. Você foge de mim, duas vezes. E quando não foge, está mentindo. Eu sei que você me ama. Mas não entendo que tipo de amor é esse.
Alicia olhou para o Sam, o Sam dela, tão magoado por culpa dela. Por que inferno ela sempre fodia com tudo? Ela tinha destruído tudo.
–O tipo de amor de alguém emocionalmente ferrado. – ela respondeu. – o tipo de amor de alguém que é metade demônio. Um anticristo. Um monstro. Eu sou assim.
Sam sacudiu a cabeça negativamente, mas não disse nada.
–Eu tenho toda uma história. Dean quis ouvi-la. – ela falou – mas acho que você não quer.
–Não. – respondeu Sam, sem olhar para ela. – não agora.
Alicia caminhou para a porta do quarto, abrindo, pronta para sair.
–Eu não tenho culpa se você se apaixonou pela pessoa errada, Sam. – ela disse e fechou a porta.
Estava andando pelo corredor quando deu de cara com Dean.
–Eu espero sinceramente que você não esteja fugindo, Allie – ele disse, sério. – nós vamos permanecer juntos. Somos uma família e vamos ficar juntos, entendeu?
–Eu só estou indo procurar um bar. – ela respondeu – juro que vou voltar.
–É bom mesmo, ou eu vou caçá-la. – ele falou brincando, mas depois percebeu o que tinha dito. – sinto muito, Allie. Sabe que não foi essa a intenção.
–Eu entendi. Você sabe, isso que aconteceu com Sam, é quase um aviso. Essa história sobre mim, bem, não pode sair daqui. Ou eu vou ser morta. Pelo que sabemos, Sam ainda é humano. Eu não sou.
Dean a olhou com um olhar muito, muito triste.
–-
Alicia tinha chegado há meia hora e dito ao garçom: “Por favor, me vê uma dose da coisa mais forte que você tem ai.”
Em meia hora, ela tinha bebido muito. Mas tantos anos de abuso ao álcool e ela não conseguia ficar bêbada facilmente. Precisava urgente de alguma coisa mais forte. Seu celular tocou. Era Dean.
–Então, não sei como te dizer isso... Mas lembra aquela garota que vimos com Sam? Então, ele está preocupado porque ela não atende o celular, ele quer ir até a cidade dela ver se ela está bem. Eu acho que não disse, mas ela é um dos paranormais.
Alicia concordou, dizendo o nome do bar em que estava para eles irem até lá busca-la.
Por favor, ela pensou, vendo o Impala chegar na rua escura e deserta. Por favor, não se apaixone por outra pessoa.
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