Notas iniciais
Indicação musical da semana: The Devlins. Essa é a música mais famosa deles: http://www.youtube.com/watch?v=s2wfHzyeLy0, mas todas as músicas valem a pena de ouvir. Bom capítulo!

Eu sou tóxico, eu sou tão impuro

Estou morrendo por dentro, morrendo para achar uma cura

Isolado, eu resisto rápido

Estou sozinho infectado com isso

Eu sou imune a você

Você é imune a mim

Nossas almas estão doentes

Com a mesma doença

Eu sou um show a parte, isolado e despedaçado,

Só você pode me tocar

Só você

Red

Sam não tinha se contaminado. Eles esperaram cinco horas e a Dra. Lee examinou o sangue dele. Para a surpresa deles, não só o sangue de Sam estava limpo, como o vírus e o enxofre presente nas amostras dos Tanner tinham desaparecido.

Os três pegaram a estrada, tentando fugir o mais rápido o possível de lá. Mas estavam muito cansados e logo pararam num motel. Como de costume, pegaram dois quartos, mas naquele momento nenhum deles queriam ficar separados. Apenas compraram comida e se juntaram no quarto que pertenceria a Dean.

Sam e Alicia estavam muito preocupados com as palavras de Dean. Será que estiveram tão concentrados neles mesmos que acabaram por deixar Dean de lado? Sam e Alicia sabiam muito bem o quanto ambos eram egoístas. Obviamente, ele não queria falar sobre o que tinha dito. “Pensei que íamos morrer, foi só isso”, disse apenas.

Eles comeram em silencio, hambúrguer e batata frita, nenhum deles realmente sentindo o gosto da comida, tamanho era o peso que havia naquele quarto. Dean quebrou o silêncio. Parecia estar a beira de um colapso.

“Antes do papai morrer, Sam, ele me disse uma coisa. Uma coisa sobre você. Espere. Por favor, não me interrompam. Isso é muito difícil. E você vai me odiar por isso, Sammy. Na noite em que mamãe morreu, havia um demônio em seu quarto. E ele fez alguma coisa com você. Mudou você. E papai disse que eu devo salvar você e se eu não conseguir... Eu devo matá-lo”.

Dean disse tudo rapidamente, sem olhar para nenhum dos dois, encarando fixamente o carpete com estampa de cachorrinhos.

–O que mais ele disse? – perguntou Sam e pela voz dele, ele estava tentando não se descontrolar – alguma coisa sobre os planos do demônio? Eu posso ir para o outro lado, é isso?

–Eu não sei; foi só isso que ele me disse, eu juro.

–Como você pode não me contar?

–Porque era o papai e ele implorou para mim.

–Quem se importa? Assuma alguma responsabilidade, Dean! Você não tinha o direito de esconder isso de mim!

–Você acha que queria isso? Eu desejo que ele nunca tivesse me contado isso, para que eu não ter que lidar com isso gritando na minha cabeça o tempo todo! Então você é imune a algum tipo bizarro de vírus demoníaco e eu estou surtando!

–Você tem medo que eu me transforme em algum tipo de assassino? É isso?

Antes que Dean pudesse responder; Sam simplesmente se levantou, derrubando um monte de batatas fritas no chão e bateu a porta com força. Pelo som de outra porta batendo, ele tinha ido para o outro quarto que tinham pego.

Alicia saiu correndo atrás de Sam. Seu coração não batia mais direito.

–-

–SAM! Abre essa porta ou eu juro por Deus que vou derrubá-la!

Para alivio dela, ele abriu. Ele estava chorando, os olhos muito vermelhos.

–Eu não posso estar com você, Allie. Não quando eu sou algum tipo de monstro! – ele não a olhava nos olhos.

Ela entrou no quarto, sem fechar a porta.

–Cala a boca, Sam. Nunca diga isso. Nunca mais. Você pensa o que, que eu tenho medo de você?

–Pois devia! Todas essas crianças especiais tornaram se assassinos! E algum demônio me transformou em alguma coisa. Eu sou uma criatura! Eu posso nem ao menos ser humano!

Alicia olhava para Sam sem piscar; ele estava chorando, tremendo, andando sem rumo para o quarto. Mas foram as palavras “eu posso nem ser humano” que a despertaram da sua própria confusão interna.

–Eu sei o que você está passando, Sam. – ela disse lentamente. Odiava ver Sam sofrer. Era como se a dor dele doesse nela.

–Como você pode ao menos desconfiar o que eu estou sentindo agora?Não tem como, Allie. Você nunca teve que descobrir que é um monstro.

–Eu sei exatamente o que você está passando, Sammy. Pelo amor de Deus. Como você pode achar que eu de todas as pessoas...

Sam parou para finalmente a olhar nos olhos. Ele estava juntando as peças. Então Alicia percebeu o que tinha dito no calor da emoção. Ela estava falando como uma louca, como se Sam soubesse a verdade sobre ela.

–O que você tem escondido de mim esse tempo todo?

A voz aumentou de intensidade até virar um grito furioso. Mas Alicia parecia ter perdido as palavras.

–O que está acontecendo aqui? – perguntou Dean. Claramente ele estava parado na porta do quarto há algum tempo. – você está escondendo alguma coisa?

–O que está acontecendo é que ela mentiu para mim, Dean. De novo. Assim como você. Me diz uma coisa, o que eu fiz para eu merecer vocês dois escondendo coisas de mim?

Congelada. Pega. Como ela podia ter deixado escapar? Foi na emoção. Foi na tentativa de tentar alcançar Sam nesse buraco escuro que ele estava se jogando. Porque Alicia conhecia o que ele estava sentindo tão bem. Ela mordeu os lábios com força, até sair sangue.

–Me diz, Alicia. Você é um demônio? – perguntou Sam. Ele estava furioso, era claro pela expressão dele, pelo tom de voz. Desprezo. Ele a desprezava. E assim o coração dela começou a se partir. – uma bruxa?

–Não. – ela disse, tão baixinho, que achou que talvez Dean e Sam não a ouvissem. Mas os dois estavam com os olhos grudados nela, Sam com raiva, Dean confuso.

–Então – falou Sam – qual parte da história não era totalmente verdade?

Alicia se sentou numa das camas. Ela não conseguia dizer. Ela nunca tinha dito na vida inteira aquelas palavras. Não era agora que ia sair fácil.

–Allie, por que você mente para mim? Você jurou para mim que tinha me contado tudo que sabia. – falava Sam. Ele estava chorando tanto que soluçava.

–Porque eu me sinto como lixo. Porque eu me sinto mal. Porque eu não consigo dizer isso.

–Dizer o que? – perguntou Dean, muito serio. A voz dele era um sopro, vazia, sem sentimento algum. – fale, Alicia. Eu não estou brincando. Eu aceitei sua história sobre seu pai que estava morto e depois vivo e não disse nada. Mas você jurou para mim que não estava escondendo mais nada.

Os dois irmãos a encaravam, esperando a resposta. Ela se odiou por ter perdido o controle, por ter se colocado naquela situação, mas a verdade era que, ela precisava falar. Não aguentava mais esconder aquilo deles. Já fazia mais de um ano que Alicia carregava aquela mentira e já fazia muito tempo que ela levava o peso da verdade sozinha. Talvez eles a odiassem, mas seria um alivio poder falar.

–Eu não espero que vocês me entendam. – ela começou, ela estava chorando e ainda não conseguia dizer as palavras mais difíceis da vida dela.

–Já chega disso! Por que não diz logo, Alicia? Porque não diz que seu pai ele é... Ele é... Um demônio. – falou Sam.

Alicia não sabia dizer se ele tinha descoberto aquilo há muito tempo ou estava apenas chutando. Provavelmente a primeira opção; Sam era esperto. Era bobeira pensar que poderia enganá-lo.

Ela não se preocupou em negar, seus olhos se prenderam em Sam, que ainda esperava a confirmação.

–Isso é verdade? – perguntou Dean, contendo a raiva.

–Ela não precisa confirmar, Dean. O silêncio é toda a resposta que eu preciso. – falou Sam. No caso dele, a raiva era tudo que era ouvido nas suas palavras.

Alicia levantou para os dois Winchesters, os dois parados em frente a ela, com alguma coisa nos olhos que para ela era desprezo. Ela se levantou.

–Então eu acho que eu estou indo embora. – ela disse, caminhando em direção a porta, tentando não chorar ainda mais.

–Espere. Para onde você pensa que vai? – perguntou Dean, de forma grosseira.

–Para longe, eu imagino. – Alicia se colocou na defensiva.

–Ninguém está indo para nenhum lugar! – ele gritou – você fica. Ainda somos uma família e vamos passar por tudo isso juntos.

–Dean – interrompeu Sam – ela passou todo esse tempo mentindo para nós friamente, e nem quando todas as vezes que ela falou que estava dizendo a verdade era outra mentira. Exatamente como um demônio faria.

Isso irritou Alicia profundamente.

–É exatamente por causa disso que eu não contei. – ela disse, a voz fria como gelo. – vocês me conhecerem a vida toda. E mesmo assim, eu estou caçando com vocês por quase dois anos. vocês sabem quem eu sou e ainda assim está desconfiando de mim.

–Você mente, Alicia! Você mente e nem pisca quando está fingindo! Como vamos saber o que é verdade e mentira? – continuou Sam, gritando – e por que achou que poderia contar agora, por que você pensa que eu sou como você?

Sam a desprezava. Muito. E era o que ela mais temia o tempo todo.

–É exatamente por causa disso que não contei – ela repetiu, perdendo a frieza e começando a chorar. – como você pode pensar isso de mim?

–Sam, fica quieto – disse Dean. – Vamos lá para o outro quarto. Alicia, fique aqui. Não se atreva a fugir.

Dean arrastou o irmão para fora, porque ele parecia estar muito disposto a continuar ali gritando com Alicia. A mágoa que Sam sentia estava o destruindo e ele odiava Alicia por ter mentido para ele e ele se odiava por estar magoando Alicia.

Parecia que tudo tinha perdido o sentido – ele podia se tornar maligno e Dean teria que matá-lo, Alicia era um anticristo e provavelmente só não estava pirando e com um monte de poderes por causa que alguém havia feito um feitiço de proteção.

–O que vamos fazer? – perguntou Sam a Dean.

–Eu não sei. – ele respondeu, profundamente infeliz com o rumo da vida deles – quero dizer, ela é nossa família. E eu não acredito que ela seja perigosa. Ela é a Allie. Eu cuidei tanto dela quanto cuidei de você.

–Ela é uma mentirosa, Dean. Ela mente facilmente, exatamente como os demônios fariam. O que mais ela pode estar escondendo?

–Eu não entendo você – falou Dean, agora irritado com Sam – você deveria amá-la. Eu sei que ela mentiu. Não a defendo. Mas você acha mesmo que foi fácil para ela? Porque eu não acho que ela está se divertindo com toda essa situação.

–Você escondeu coisas de mim também, Dean. E você não entende. Durante todos esses meses, eu tentei ajudá-la, pesquisar sobre os estranhos fenômenos que ela sofria. E em nenhum momento ela me disse nada, ela fingia o tempo todo que não sabia de nada...

–Allie sofria de fenômenos? – perguntou Dean surpreso – nenhum de vocês jamais me falou isso.

–Eu sinto muito, com minhas premonições acabou passando despercebido... Ela me disse que costumava acontecer o tempo todo, os olhos dela escureciam, ela tinha dor de cabeça e vomitava... Eu vi acontecer uma vez. E teve aquela outra vez, lembra? Que ela contou parte da história? Mas agora que estamos falando sobre o assunto, eu acho que faz muito tempo que não acontece.

Dean deu um longo suspiro.

–O que vamos fazer a respeito dela?

–Eu não sei. Eu tenho medo que ela não seja realmente a Allie. Eu não sei quem, ou o que, ela é.

–Ela é a Allie, Sam. Ela é nossa família. Não é porque ela é um... Anticristo ou coisa assim que ela deixa de ser família. E você a ama.

–Você acha que papai sabia sobre ela?

Dean parou um pouco, pensativo. Lembrou-se os meses antes da morte de John, que ele levou Alicia para longe e os dois ficaram realmente próximos. Sim, John devia saber.

–Eu acho que sim.

Sam não respondeu de primeiro, ficou encarando o carpete.

–E mesmo assim, não foi Alicia quem ele disse que você teria que matar. Fui eu. O que eu sou?

Notas finais
Baseado em: 2x09 - Croatoan e 2x10 - Hunted. E amanhã é dia de vestir o jaleco e voltar pra faculdade. Confesso que já tava com muitas saudades.