The Devil Within
7 2x07 – City Under Siege
Notas iniciais

Histeria em Massa
Cante-nos a canção do Século
Que soe como uma canção fúnebre americana
Green Day
6 de dezembro de 2006.
Tinham acabado de resolver um caso de fantasma assassino, e as coisas na cidade que eles investigavam não tinha acabado bem. Dean tinha dirigido como um louco por 6 horas seguidas, tentando colocar a maior distância entre eles e aquela cidade possível, ou, na versão de Alicia, entre eles e a garota maluca que ele tinha pego num bar, e que queria apresentar o agente do FBI Dean Herrikson aos pais, além de esfregá-lo na cara do ex-namorado. Movido a café e cerveja, Dean estava disposto a ir mais longe, até que Alicia ameaçou matá-lo se ele não parasse. Por fim, ela e Sam acabaram obrigando Dean a parar, porque ela estava irritada o suficiente para de fato matá-lo. O motel que tinham parado era ruim até para os padrões deles.
Agora Sam tinha acabado de sair do chuveiro – Alicia recusara a oferta de ir tomar banho com ele, ou usar o chuveiro antes dele – para encontrar a namorada sentada no sofá caindo aos pedaços do motel, comendo sorvete diretamente do pote, que ela devia ter saído e comprado da loja de conveniências vizinha ao motel.
–O que tem de errado? – Sam finalmente perguntou, esperando que não fosse nada com ele.
–Estou com cólica – Alicia respondeu, mas ela não parecia mais com um humor assassino que estava há 20 minutos, só parecia cansada. – E Dean nos arrastou por uma viagem de seis horas após um caso.
Sam se sentou ao lado dela.
–OK, certo. Vou descobrir onde tem uma farmácia e comprar seu remédio. E vou comprar alguma coisa para jantarmos, tudo bem? Eu estava pensando, tem um fogão elétrico, eu poderia fazer macarrão e comprar um vinho.
Alicia concordou com a cabeça. O que ela precisava agora era do remédio, que ela sempre se esquecia de comprar.
Ele de um beijo nos lábios dela, gelados devido ao sorvete, e disse:
–Já volto. Amo você.
–Também amo você. – ela murmurou, um leve sorriso em seus lábios.
–-
Sam mal tinha avançado no corredor do motel, que tinha carpete e papel de parede em tons de marrom e vermelho, se sentindo... Feliz. Era incrível como depois de tudo que tinham passado, ele e Alicia pudessem viver uma situação tão comum entre um casal. Estavam juntos há quase cinco meses. O bom de namorar a pessoa que você conhecera a vida inteira era que não havia expectativas – os dois se conheciam bem demais e sabiam muito bem quais manias, chatices e mau humor esperar, e era por isso que, mesmo vivendo o tempo todo juntos, há cinco meses, tudo estava bem. Alicia parecia bem, pelo menos Sam não a pegara fumando ou bebendo em exagero, nem vomitando no banheiro nem alterações na cor dos olhos dela. É claro que eles não conversavam exatamente sobre o passado – o que foi que aconteceu naqueles cinco anos que Alicia tinha passado desaparecida, ou então porque o pai dela a perseguia, ou ainda, se havia alguma coisa acontecendo com ela ultimamente. Eles realmente viviam muito próximos, e apesar de Sam estar atento a fenômenos estranhos, nada disso parecia ter acontecido ultimamente. Mas todas essas coisas eram pequenas nuvens negras num céu de felicidade e Sam, assim como Alicia, estava muito disposto a deixar isso enterrado. Se o preço para estar feliz com ela era deixar ela guardar alguns segredos, então Sam estava muito disposto a pagá-lo.
Para que estragar o que vinha sendo uma rotina de felicidade, poder se deitar na cama com ela após cada caçada e estar com ela, finalmente, viver um amor que Sam tinha achado a vida toda que seria apenas um sonho?
O único problema real estava com ele e suas visões, que estavam se tornando cada vez mais frequentes, embora pouco nítidas. Raramente ele conseguia identificar a cidade em que aconteceria o assassinato e isso era muito frustrante para ele.
Sentiu como se uma faca estivesse cortando seu crânio ao meio. Ele caiu de joelhos, lentamente o feio corredor desaparecendo da sua visão e ele começou a enxergar: Dean, Alicia, um homem amarrado. Dean segurava uma arma apontando para o homem e na parede, um cartaz, que deixou muito claro para ele qual era a cidade na qual ocorreria aquele incidente.
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Quando ele voltou à consciência, estava caído no chão do motel. Não devia ter passado muito tempo, pois se não Alicia teria notado a ausência dele. Ele ouviu passos no corredor, e se levantou correndo, odiaria ser encontrado daquela maneira. Mas era Dean, levando um pacote de seis cervejas e mais algumas sacolas.
–Oi, o que você está fazendo aqui? – perguntou Dean, curioso. – Allie naquele humor terrível te jogou fora? Mas hey – ele levantou uma sacola – comprei o remédio dela. Quem sabe assim eu salvo minha vida. E aparentemente a sua também. Que cara é essa?
–Eu tive outra visão – falou Sam, a cabeça ainda dolorida, a angústia clara em sua voz – com você. Atirando em um homem. Acho que sei onde vai ser.
–Certo. Vamos para lá agora, ou...?
Sam não estava mais lá, voltou correndo para o quarto onde estava Alicia. Odiava dizer a ela, mas eles teriam que partir ainda naquela noite.
–-
Rivergrove, Oregon. 7 de dezembro de 2006.
Dean estava entrando na cidade. Como sempre, ele não estava muito feliz com de estarem seguindo uma das visões de Sam. A cada visão que Sam tinha, mais perturbado Dean ficava. E como essa visão especifica envolvia Dean atirando em um homem amarrado à uma cadeira, Dean estava ainda mais perturbado. Eles tinham tido a mesma discussão de sempre – Sam queria seguir a visão, feliz por saber onde ela ocorreria; Dean queria ir na direção oposta, mas não tinha um motivo razoável para isso. Apenas seu medo do que estava acontecendo com Sam.
O que está acontecendo com Sam?, Alicia se perguntou a milésima vez. Ela queria rir e chorar com as piadas do destino – qual era a probabilidade real dela e Sam terem ligações com demônios? Mas era isso que estava acontecendo, mas a ligação de Sam com o Demônio de Olhos Amarelos e todas aquelas Crianças Especiais, bem, isso era ainda mais misterioso do que Alicia. Ela era filha de um demônio, ponto. O que estava acontecendo com Sam, qual era o plano de Azazel, bem, isso era de infinitas possibilidades, mas por mais que Alicia pensasse, ela não conseguia chegar a uma resposta.
–Ali. Esse é um dos homens que estava na minha visão – Sam indicou um homem velho sentado em frente a uma madeireira. Ele estava limpando um rifle. O plano combinado era bem simples: tinham que achar o garoto que Sam viu amarrado em seu sonho; ele tinha uma grande cicatriz no rosto.
Dean estacionou o carro à distância. Os dois meninos iam se apresentar como policial federal. Assim, Alicia ficou esperando.
Em menos de cinco minutos, eles estavam de volta.
–O nome do garoto é Duane Tanner – disse Sam assim que chegou até ela. Alicia olhava fixamente para um poste, onde uma única palavra estava gravada.
O casal trocou um olhar cheio de significados. Dean se aproximou para ler a palavra, mas não significava nada para ele.
Sam já se sentia exasperado.
–Roanoke? A colônia perdia? Te lembra alguma coisa? Dean, você prestou atenção em alguma aula de história?
Dean parecia ainda mais confuso.
–Roanoke foi uma das primeiras colônias americanas. – disse Sam, daquele jeito garoto-da-faculdade que Alicia adorava – em 1500.
–Ahh – disse Dean – aquela que desapareceu, deixando para trás uma única palavra gravada na árvore.
–É. Croatoan era a palavra. – falou Alicia. Tinha alguma maneira da vida deles ficar mais estranha? – tem várias teorias, índios, doença, mas ninguém sabe o que realmente aconteceu, eles simplesmente sumiram do dia para a noite.
–Espere – falou Dean, a expressão ficando de confusa para preocupada – vocês não pensam que é isso que está acontecendo aqui, pensam?
–Eu não sei – respondeu Sam – mas seja lá o que eu vi na minha cabeça, não era bom. Todas as minhas visões estão relacionadas com o Demônio de Olhos Amarelos, mas...
–Como isso estaria relacionado a ele? – Alicia estava sentindo medo. – eu não sei, devíamos conseguir ajuda. Ellen, Bobby. Alguém.
Os Winchesters concordaram. Mas quando pegaram seus celulares, todos estavam sem serviço. Ao procurar um telefone publico, a voz eletrônica informou a eles que estava fora de serviço também. Ainda assim, tentaram várias vezes.
–Se eu fosse massacrar uma cidade, cortar a comunicação seria meu primeiro passo – declarou Dean, como numa profecia sinistra.
–-
Ainda fingindo ser da polícia federal, Sam e Dean foram até a casa dos Tanner procurar por Duane. Enquanto ambos falavam com o irmão de Duane e depois o pai, Alicia caminhava pelo terreno da casa, procurando sinais de qualquer coisa estranha. Em menos de cinco minutos de conversa, Dean e Sam se juntaram a ela no fundo da casa.
Alicia estava parada em frente a uma janela – havia uma mulher amarrada lá dentro. Os três observaram, chocados, quando Jack, o irmão de Duane, fez um corte no ombro da mulher. O pai da família, fez um corte em seu próprio braço e derramou seu sangue no corte da esposa.
Rapidamente, eles tentaram abrir a porta dos fundos, que felizmente estava destrancada. Dean atirou no homem mais velho, mas Sam hesitou e deixou Jack escapar. Alicia desamarrou a Sra. Tanner, que parecia estar fora de si. Ela não reagia a perguntas, simplesmente deixava-se ser guiada. Eles a colocaram no carro, assim como o Sr. Tanner, em quem Dean atirou. Dean dirigiu pelas ruas da cidade, procurando um médico.
A visão estava acontecendo, percebeu Sam. A clínica médica que eles entraram era a mesma e a enfermeira e a médica, Pam e Dra. Lee, também estavam presentes na sua visão. Ele sentiu uma forte ansiedade – seja lá o que fosse acontecer, que levaria Dean atirar em Duane Tanner, estava prestes acontecer, embora Duane ainda não estivesse presente.
A história de Beverly Tanner era a seguinte: o marido e o filho bateram nela e amarraram. Não havia histórico de abuso de drogas nem nada do tipo. As palavras dela para descrevem a situação: “Em um minuto era meu filho e meu marido. No seguinte, eles tinham o diabo neles”.
Alicia e os Winchesters se entreolharam. Eles saíram da sala onde Pam e a Dra. Lee cuidavam da mulher.
–Então o que vocês pensam? – falou Sam – demônios, possessão massiva?
–Eu não sei – respondeu Alicia – quando Dean atirou em Tanner, não houve aquela fumaça demoníaca. E mesmo assim o tiro funcionou, não teria funcionado se ele estivesse possuído. Eu investiguei a casa, não há nenhum sinal demoníaco lá.
–Alguma coisa os transformou em monstros – disse Dean – e Sam, se você tivesse pegado o outro, teria uma coisa a menos para nós nos preocuparmos.
–Eu sinto muito, Dean, eu hesitei, era uma criança!
–Não era uma criança, era uma criatura. Não é o melhor momento para um coração sensível, Sammy.
Uma porta se abriu, e a Dra. Lee entrou. Estava pálida e suando frio.
–Vocês mataram meu vizinho – ela declarou. – o que aconteceu?
–Nós não sabemos – respondeu Dean – e não tivemos escolha.
–Bem, precisamos contatar o xerife da região.
–Os telefones e celulares não estão funcionando – informou Sam.
–Eu sei, eu tentei. Vocês são da policia federal, não tem um rádio no carro?
–Sim, nós temos, mas deixou de funcionar como todo o resto. – falou Sam.
–Eu não entendo o que está acontecendo – disse a Dra. Lee.
Houve um silêncio pesado. Ninguém entendia. Não parecia um caso comum e era estranho do que todas as outras visões de Sam.
–Onde é a cidade mais próxima? – perguntou Dean.
–É Sidewinder, há uns 65 quilômetros daqui.
–Certo, eu vou até lá. Vou deixar meu parceiro aqui e a nossa especialista também. Eles vão manter vocês seguros.
Falar que Alicia era a especialista sempre funcionava. Ninguém fazia muitas perguntas e soava importante.
–Seguros do que? – a voz da Dra. Lee estava cheia de medo.
Dean não respondeu, apenas saiu da clinica. Essa era uma boa pergunta, afinal de contas.
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Na clínica, a Dra. Lee examinava o sangue do homem morto. Sam e Alicia ficaram sentados num canto do laboratório, esperando ele falar.
–A porcentagem de glóbulos brancos dele está muito mais elevada que o normal. Esse homem estava lutando contra uma infecção.
–Sério? Que tipo de vírus? – perguntou Alicia.
–Não posso dizer com certeza.
–Você acha que algum tipo de doença pode ter feito ele agir assim? – perguntou Sam.
–Nunca ouvi falar de nada parecido. Pode haver demência, mas nunca esse nível de violência. E nunca vi nada que fizesse isso com o sangue.
–O que? – falaram Sam e Alicia ao mesmo tempo.
–Esse estranho resíduo. Se eu não soubesse, eu diria que é enxofre.
–-
Enquanto isso, Dean falhava em tentar sair da cidade. Havia acidentes e massacres em todo o lugar. A rodovia estava bloqueada por vários carros e moradores com armas. Um deles diz que recebeu a ligação do xerife da região e a cidade estava em quarentena e assim ninguém poderia sair. Dean conseguiu fugir dos moradores enlouquecidos.
Era impossível deixar a cidade.
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