The Devil Within

3 2x03 - Famous Last Words


Notas iniciais
Então viram o novo episódio? Eu estava desde de manhã de ontem esperando sair a legenda, e quando saiu, juro que dei um grito do tipo "saiu a legenda". E valeu a pena parecer louca (não, minha família já está acostumada) porque foi o melhor episódio da temporada, com certeza um dos melhores dos últimos anos e até um dos melhores da série. Crowley, Castiel, Dean, Sam... Todos deram um show. Estou defendendo uma cota de 10 min de cenas de Crowley por episódio, só para garantir a boa qualidade. Bom capítulo!

Agora eu sei

Que não posso fazer você ficar

Mas onde está seu coração?

Mas onde está seu coração?

Mas onde está seu...

E eu sei, não há nada que eu possa dizer

Para mudar essa parte

Para mudar essa parte

Para mudar

Tantas luzes brilhando que formam sombras

Mas eu posso falar?

Bem, isso é difícil de entender?

Uma vida que é tão exigente

Eu estou tão fraco

Um amor que é tão exigente

Não consigo falar

Eu não tenho medo de continuar vivendo

Eu não tenho medo de caminhar por esse mundo sozinho

Querida, se você ficar, serei perdoado

Nada do que você dizer vai me impedir de ir para casa

My Chemical Romance

20 de julho de 2006

Dean, Sam e Alicia observavam o pai queimar numa grande pira. Estavam escondidos na floresta, perto do local onde tinha sido o ataque de Azazel. Era um funeral de caçador.

Dean estava em completo silêncio, o olhar perdido. Sam estava com os olhos cheios de lagrimas. Alicia estava chorando, silenciosamente, mas de forma intensa. Sam estava abraçado a ela.

–Ele disse alguma coisa antes de... Ele morrer? – perguntou Sam, a voz fraca.

–Não. Nada. – respondeu Dean, sem olhar para o casal.

27 de julho de 2006. Casa do Bobby. Manhã cedo.

–Como está indo o conserto do carro? – perguntou Sam. Ele tinha acabado de acordar, mas parecia que Dean estava acordado há horas. Ele estava debaixo do Impala, só seus pés aparecendo.

–Lento.

–Você precisa de alguma ajuda?

–Sua ajuda? Não, obrigado.

–Precisa de mais alguma coisa?

Dean saiu debaixo do carro.

–Pare com isso, Sam. Pare de perguntar se eu preciso de alguma coisa, se eu estou bem. Eu estou ok, realmente.

–Tudo bem, Dean... É que estamos aqui no Bobby há uma semana e você não mencionou papai nenhuma vez.

–Você sabe o que? Você está certo. Venha cá. Vou deitar minha cabeça no seu ombro. Talvez a gente possa chorar, se abraçar e talvez até dançar uma dança lenta. Espere, onde está a Alicia? Você não deveria estar fazendo essas coisas com ela?

–Não aja dessa maneira, Dean. O papai está morto, a Colt sumiu e parece que o demônio está por trás de tudo isso, e vocês dois continuam agindo como se nada tivesse acontecido.

–O que você quer que eu diga?

–Diga alguma coisa, ok? Qualquer coisa! Você não está bravo? Você não quer vingança? Mas tudo o que você faz é sentar embaixo desse carro o dia todo.

–Vingança, hm? Soa bem. Você tem alguma pista de onde o demônio está? Porque eu não tenho. Mas você sabe, podemos fazer isso e encontrá-lo. Espere, como você disse, a Colt sumiu. Mas podemos encontrar outra maneira de matá-lo. Sam, nós não temos nada, não podemos fazer nada e a única coisa que posso fazer é trabalhar no meu carro.

Houve uma pausa tensa.

–O que será que a Allie está fazendo de café da manhã? – perguntou Dean, mais para si mesmo do que para Sam, e voltou para baixo do carro.

Sam suspirou e foi para a cozinha, tentar falar com a namorada. Ela tinha levantado antes dele naquela manhã, mas ele tinha ido direito falar com Dean.

–Ei, bom dia, Sam. – Alicia disse, beijando os lábios dele. Pelo cheiro, Alicia estava fazendo panquecas.

–Bom dia – ele disse, com um sorriso, olhando uma panela cheia de um liquido escuro – isso é o que estou pensando?

–Calda caseira de framboesa, a sua favorita. – ela disse. Sam a abraçou pela cintura e beijou o pescoço dela.

–Você é perfeita, sabia? – ele disse. Sam então virou Alicia de frente para ele – mas eu acho que você está exagerando um pouco nessa coisa de cozinha; não que eu esteja reclamando da comida, mas... É praticamente a única coisa que você faz desde que chegamos aqui.

Eles tinham chegado do funeral, e no dia seguinte tinha começado. Alicia fazia café da manhã, almoço e janta, mas fazia tudo, a ponto de fazer pão caseiro, sobremesa e até massa de macarrão caseira. Ela saia apenas para ir ao supermercado e passava a maior parte do tempo na cozinha. Alicia e comida, Dean e o Impala, e Sam sentia como se fosse à única pessoa se comportamento de maneira racional ali.

Sam lembrava que ela cozinhou para eles durante muitas vezes enquanto cresciam, tinha aprendido tudo por livros de receita e tentativa e erro, e muitas vezes tinha dado errado. Mas ela tinha se aprimorado, e tudo que ela cozinhava agora era uma delicia. Seria ótimo se isso não viesse acompanhado de um silêncio sobre John.

Ela suspirou.

–Sam, eu sei que você quer que a gente sente e converse sobre John. Sei que você precisa disso. – ela engoliu em seco – mas vou ser clara com você: eu não tenho maturidade emocional para lidar com isso. A única forma que eu consigo pensar de lidar com isso é alternando entre tri-bêbada e inconsciente. Mas eu prometi a você que eu seria uma pessoa melhor, então eu preciso me manter ocupada, ok?

–Ok – ele disse, acariciando os cabelos dela. Alicia tinha os olhos verdes brilhando de lagrimas. – obrigado, eu acho.

–Eu sei que isso deve ser pior para você do que qualquer um. Sei que você está perdendo as pessoas para esse demônio o tempo todo.

–É – Sam falou, sentindo a angustia aumentar no peito. Alicia colocou a mão nos ombros dele, fazendo carinho; ela queria desesperadamente que a dor de Sam desaparecesse. Ela faria qualquer coisa para fazer ele se sentir melhor, mas se ela mesma estava tão perdida, como podia ajuda-lo? – eu só gostaria de ter algum lugar para começar a procurar respostas. Mas não tenho nada. Eu queria ao menos saber o que é que acontece comigo. E Allie, eu fui terrível com meu pai. Passei os últimos anos sem falar com ele, e os últimos momentos da vida dele brigando por coisas que não parecem mais tão importantes. Eu disse para ele ir para o inferno.

Eles ficaram se olhando nos olhos. Atrás dela, a panela começou a borbulhar.

–Está tudo pronto, você quer comer? – ela perguntou.

–Claro – disse Sam, parecendo muito cansado. Ele pegou um prato e se serviu das panquecas, jogando um monte de calda por cima.

Eles comeram em silêncio. Bobby devia estar dormindo – ele raramente levantava antes das dez, e Dean estava seguindo os próprios horários. Alicia aproveitou o silêncio para reviver os momentos antes da morte de John. A última vez que tinha visto ele. Ele a puxou pelo braço e disse algumas palavras. Eram essas palavras que Alicia estava tentando recordar há uma semana, mas elas só surgiam em frases desconexas, nunca formando uma verdadeira frase. Ela se lembrava vagamente sobre alguma coisa de ser nascida em batalha. Era isso, não era? John tinha dito que ela era nascida em batalha. Ele já tinha dito isso antes, não era mesmo? Quando ele a tinha resgatado em Chicago.

–Allie?

–Oi? – ela foi arrancada dos pensamentos por Sam, que olhava para ela com curiosidade.

–Você está segurando esse garfo no ar há uns cinco minutos.

Ela rapidamente colocou o pedaço na boca e engoliu sem mastigar.

–O que você estava pensando?

–Em John – ela falou. Sam a olhou com curiosidade. – na última coisa que ele me disse. Há dias estou tentando me lembrar.

–Como você esqueceu? – Sam perguntou, e se arrependeu do seu tom impaciente e irritado. Agora, depois da morte do pai, parecia que tudo que ele tinha dito era precioso.

–Eu não sei, nada do que aconteceu naquele dia está muito claro na minha cabeça. Mas eu estou tentando lembrar. John me disse uma frase ou coisa assim. Sobre eu ser nascida em batalha.

Sam parecia desesperado e ansioso, mas um pouco decepcionado – como se esperasse alguma grande resposta no que Alicia ia dizer, mas aquilo não era nada.

–Você acha que isso tem algum significado? – Sam se sentia extremamente frustrado com tudo: o comportamento de Dean e Alicia, a morte do pai, o sumiço da Colt. Se sentia impotente, lutando contra alguma coisa que era grande demais para ele, e se sentia bobo, procurando respostas no vento.

–Eu não sei. Mas é a segunda vez que ele me disse isso, podemos pesquisar. Quero dizer, não temos nada. Vai que tenha algum significado. – ela falou as palavras uma atrás da outra, parecia ter ficado estranhamente perturbada e estava encarando o ar a sua frente.

–Allie, o que você está pensando?

Ela se virou para encarar Sam; seu rosto era uma mascara de horror congelado.

–Sam, o que John me disse... É como se ele soubesse que ia morrer.

Sam sentiu o mesmo horror de Alicia invadir seu peito e se espalhar pelo seu corpo. Ele só esperava que Alicia estivesse exagerando. Não tinha como dar uma resposta a ela. Esse mesmo medo esteve escondido dentre dele desde da morte. Ele estendeu a mão e pegou a mão dela.

Talvez tivesse coisas que era melhor não serem discutidas.

–-

Alicia estava sentada no chão da biblioteca de Bobby, com vários livros a sua volta. Bobby andava para cima e para baixo com Sam, atirando pesados e empoeirados livros nos braços estendidos do rapaz.

–Eu tenho certeza que já vi essa expressão em algum lugar. – falou o velho caçador – tenho certeza que tem algum significado.

–Isso vai ser uma longa busca – comentou Sam.

–É porque é algo raro. Não sei onde está.

–-

A previsão de Sam foi correta; o casal boa parte do dia folheando os livros, sem encontrar nada. Bobby os ajudou em alguns momentos, mas eventualmente precisou sair. Dean passou algumas vezes, ficou olhando o que eles faziam, mas não disse nada.

Já fazia algum tempo que Alicia não parava de espirrar. Ela era muito alérgica a poeira. Já fazia algumas horas que estavam procurando alguma coisa. Tinham almoçado apenas sanduiches.

–Não tem nada em lugar nenhum. – Alicia fechou um pesado livro, e espirrou – preciso de um banho, estou coçando.

–Sua alergia – murmurou Sam. A longa pesquisa estava dando em um grande nada. Se nos livros não conseguiam, imagina só na internet. Era algo muito especifico. Talvez a expressão não tivesse significado nenhum; a única pista que eles tinham eram que era as palavras finais de John e a vaga lembrança de Bobby que aquilo poderia ser importante.

Alicia subiu as escadas para o quarto; pisando talvez um pouco mais duro que gostaria na escada. Estava irritada com John, por suas palavras finais misteriosas. Estava mais irritada ainda com o demônio de olhos amarelos, arruinando a vida deles desde 1983. Bem, era de se considerar que se não fosse por esse demônio, ela nem ao menos conheceria os Winchesters, e muito menos estaria com Sam. Azazel, era assim que ela acreditava ser o nome dele. E que fim tinha levado a Colt? A única explicação era que, em dez minutos, John deixou Dean no quarto e foi assassinado, e a Colt sumiu. Sabia que, assim que todos eles se recuperassem emocionalmente, partiriam nessa caçada. A mesma caçada que ela vivia desde que nasceu.

Alicia estava tão cansada disso.

–Não fique desse jeito, amor. Pelo menos estamos tentando. – Sam havia seguido ela da biblioteca até o banheiro do quarto que estava dividindo. A casa de Bobby tinha 3 quartos no segundo andar: o dele, um com três camas de solteiro e mais um com uma cama de casal. Ele e Alicia estavam naquele quarto. Nenhum dos dois estava muito confortável com a ideia de deixar Dean sozinho, no entanto, mas ele tinha dito que não ligava. Aliais, parecia muito satisfeito em ficar sozinho. Dean evitava a todos desde a morte de John.

–Imagino que é questão de Dean terminar de consertar o Impala para estarmos na estrada caçando esse merda de demônio.

Sam sacudiu a cabeça.

–Vingança é tudo que temos, Allie.

–E você não acha que isso é um problema? – Ela suspirou, cansada – não vou entrar nessa conversa de novo. Estou coçando. Droga, eu odeio essa alergia. Isso não acontece dessa forma desde o México.

–Foi no México que você foi atacada, não? – por algum motivo, aquele assunto nunca tinha surgido. Alicia podia sentir a curiosidade de Sam, louco para perguntar por detalhes. Mas não era a hora de revirar o passado mais uma vez.

–É. — ela se virou de costas para Sam – solte meu zíper, por favor.

O movimento de soltar o zíper do vestido foi acompanhado por um beijo na nunca dela. Alicia sentiu o corpo inteiro se arrepiar. Mesmo dormindo juntos, eles não tinham feito nada além de dormir. Talvez porque ambos estiveram num humor péssimo. Talvez porque ela tinha chorado até dormir todas as noites desde a morte de John. Ela se soltou dos braços de Sam, virando e beijando a boca dele. Parecia que finalmente ela estava sentindo alguma coisa que não fosse desespero.

Ele começou a puxar o vestido de Alicia para baixo. Finalmente sentia que ela estava deixando ele se aproximar dela novamente. Na última semana, ela estava fria e distante, trancada em algum lugar interior e afogada pela dor emocional. Ela parecia tão frágil nos braços dele agora.

–Você é a única coisa que ainda me faz sentir bem, Allie. – ele sussurrou em meio aos beijos, ambos caminhando em direção ao chuveiro.

–-

Alicia acordou com a luz baixa do por do sol entrando pela janela. Sam estava dormindo ainda, pela respiração profunda. Depois do banho, que tinha sido longo, eles tinham ido para cama e lá ficado por horas. Era isso que ela queria, desde aquela noite em que Sam tinha dito que a amava. Ficar na cama com ele por horas, sem precisar pensar nada. Só em Sam. Ele estava abraçado a ela, e ela se moveu delicadamente para não acordá-lo. A vida inteira Alicia estava esperando para poder acordar com Sam Winchester nu ao seu lado. Ele parecia tão doce e relaxado. Ela só queria congelar o momento. Talvez colocar um armário na porta e impedir os problemas de entrarem na vida de ambos.

De repente, a respiração mudou de ritmo e Sam abriu os olhos verdes.

–Oi, querido. – ele sorriu, e Alicia começou a beijá-lo.

–Eu estou tão feliz de estar aqui com você.

–Eu não tinha ideia que eu poderia me sentir tão feliz e tão triste ao mesmo tempo.

Alguém bateu na porta.

E de novo.

–Ei, sinto muito interromper – disse a voz de Dean – mas eu achei o que vocês estavam procurando.

Alicia se sentou, com um pulo.

–Só um minuto – ela disse, e correu atrás da mala dela para vestir alguma roupa. – Sam, vamos logo. Ela jogou uma camiseta para ele.

–-

Assim que Sam abriu a porta, Dean entrou segurando um velho livro.

–Cara, se eu soubesse que era só eu ficar em coma para vocês dois se entenderem, eu juro, eu teria fingindo um coma há meses. Vocês dois quase me deixaram louco.

–O que você achou, Dean? – perguntou Alicia. – Espere. Você realmente andou lendo livros? Você está doente?

Sam riu.

–Quieta, Allie. É um livro sobre profecias medievais, e eu estava fazendo isso por você, então não reclame.

–O que diz? – interrompeu Sam.

–Diz que nascido em batalha é literalmente uma pessoa que nasceu durante uma luta. Pelo que papai contava sobre seu nascimento, faz sentido. Mas segundo esse livro, quando alguém nascia em batalha, a pessoa tinha um grande destino, mas esse destino era questão de escolha. É a representação do livre árbitro. A vida de alguém nascido em batalha depende da escolha da pessoa, não há destino controlando.

–O que inferno John quis dizer com isso? – perguntou Alicia. Os dois irmãos se entreolharam. Não tinham a mínima ideia, e ela ainda não lembrava exatamente as palavras dele.

–E tem mais alguma coisa. – Dean tirou um velho celular do bolso – eu encontrei um dos celulares antigos do papai, e tem uma mensagem de quatro meses atrás.

Dean apertou alguns botões, e uma voz feminina falou da gravação:

“John, é Ellen. De novo. Olhe, não seja teimoso, você sabe que eu posso te ajudar. Me ligue”.

Notas finais
Sam tem um destino; Alicia tem uma escolha. Capítulo baseado no 2x02 – Everybody Loves a Clown. Acho que a música desse capítulo é realmente uma das minhas músicas favoritas. Eu tenho mil e umas músicas favoritas, mas essa com certeza está no TOP 10 há uns 4 anos.