The Devil Within

2 2x02 - In My Time Of Dying


Notas iniciais
A trilha sonora dessa primeira parte (até o capítulo 2x07): http://8tracks.com/valentina_historys/the-devil-within Tem Digital Daggers, Foo Fighters, Three Days Grace, My Chemical Romance, Disturbed, 30 Seconds to Mars e Green Day.

Nessa cama eu me deito

Perdendo tudo

Eu posso ver minha vida passando por mim

Tudo isso era demais

Ou não era o suficiente?

Me acorde, estou vivendo um pesadelo

Eu não morrerei (não morrerei)

Eu sobreviverei

Three Days Grace

18 de Julho de 2006

Sam entrou no hospital, os dedos entrelaçados aos de Alicia. O mundo ao seu redor estava estranhamento fora de foco. O que ele se concentrava era na mão dela na dele. Não parecia real.

–Alguma mudança no caso de William e Derek Simon? – perguntou Alicia a enfermeira que estava no posto. Ela soltou a mão de Sam. Ali, eram irmãos. Os nomes eram do plano de saúde que John havia feito para todos eles.

–Não, não – ela respondeu, sem olhar para eles, mexendo nuns papéis a sua frente – ah, sim, William Simon está acordado e em recuperação. Vocês gostariam de vê-lo?

–E enquanto a Derek? – perguntou Sam. Um médico passando ouviu a pergunta e parou ali.

–Derek Simon? Eu sou o médico do seu irmão. Gostaria de conversar sobre o estado dele.

O médico os guiou até uma sala.

–Ele sofreu muito. Perda de sangue, contusões nos rins e no fígado. Mas é com o trauma na cabeça que estou preocupado. Tem sinais precoces de edema cerebral.

–Bem, o que podemos fazer? – perguntou Sam.

–Não saberemos a condição completa dele até ele acordar. Se ele acordar – ao registrar as expressões furiosas de Sam e Alicia, o médico continuou – a maioria dos pacientes nessas condições não sobrevivem tanto tempo. Ele está lutando muito, mas precisamos ter expectativas reais.

–-

Sam não conseguiria nem começar a explicar para John o relacionamento entre ele e Alicia — John havia criado eles juntos, e agora não era o melhor momento para explicar para John que o relacionamento entre eles era muito mais que fraternal. Se é que algum dia teria um momento bom para isso.

–John? – Alicia correu até ele, abraçando-o. O braço de John estava engessado. – estávamos tão preocupados!

–Escutem, o que os médicos dizem sobre Dean?

–Nada – respondeu Sam rapidamente – os médicos não vão fazer nada. Então nós faremos. Vou procurar algum sacerdote voodoo ou algo do tipo.

–Sam, eu não sei se você vai conseguir encontrar alguém – disse John.

–Por que não? Eu achei aquele homem que curava pela fé antes.*

–Aquilo foi um em um milhão.

–Nós vamos ficar aqui parados sem fazer nada e deixar ele morrer? – a voz de Sam já estava se elevando. Alicia discretamente tocou o braço dele.

–Eu vou dar um jeito, prometo. Vou procurar por todo o lugar – falou John – onde está a Colt?

–Seu filho está morrendo e você está preocupado com a Colt?

–Está no porta-malas – interrompeu Alicia – protegida por uma armadilha do diabo. Bobby já está a caminho para levá-lo de volta.

–Bom – disse John para Alicia – preciso que vocês encontrem Bobby e tragam essa arma discretamente para cá.

O celular de Alicia tocou.

–É ele – ela disse, e saiu do quarto para atender.

–Sam – John entregou uma lista para ele – consiga essas coisas com o Bobby. É para proteção.

–Certo. É, papai? O demônio disse que ele tinha um plano para mim e outras crianças como eu. Você tem ideia do que seja?

–Não, não tenho.

–-

Ferro-velho.

Sam e Alicia encontram com Bobby num ferro-velho, próximo ao local que aconteceu o acidente. O Impala estava completamente destruído.

–Cara, o Dean vai ficar pirado – disse Sam.

–Olha, Sam, vou te dizer uma coisa – falou Bobby, cuidadosamente – esse carro já era. Vamos esvaziar o porta-malas e deixar isso para lá. Não tem nada para consertar aqui.

–Não, Dean me mataria se fizermos isso. Quando ele melhorar, ele vai querer consertar isso. Se tem apenas uma parte funcionando, é o suficiente. Nós não vamos desistir.

–Ok. – respondeu Bobby, claramente pensando que Sam estava maluco.

–Meu pai pediu para conseguir essas coisas para ele. – Sam entregou a lista para Bobby e Alicia se aproximou para ler, com curiosidade. Sam não havia mencionado uma lista para ela.

–Para que John quer isso? – perguntou Bobby, a expressão de incredulidade. Alicia também olhava para Sam, parecendo chocada.

–Ele disse que é para proteção contra o demônio.

–Sam – falou Alicia – essas coisas são usadas para invocar demônios...

–-

–Sam, por favor, não vá brigar com ele – Sam andava apressadamente até o quarto de John. Bobby tinha dado a ele as coisas que John pediu, mas mesmo assim, Sam estava furioso com o pai. E Alicia estava tentando impedir mais uma briga.

–Allie, ele não pensa! A única coisa que ele quer é matar esse demônio. Dean está morrendo!

–Ei, espere. – ele finalmente parou, e ela o abraçou. – por favor, eu sei. Nós vamos fazer alguma coisa. Eu só acho que provocar mais brigas agora é inútil. Por favor? Por mim?

–OK. – ele disse, e de um leve beijo nos lábios dela – vou fazer o meu melhor. Mas você sabe como ele é.

Sam entrou no quarto do pai, e Alicia esperou parada na porta. As primeiras palavras dele já mostraram que aquela briga ia ocorrer, de uma maneira ou outra. Mas ela não faria parte disso, a não ser que as coisas ficassem muito feias. Já era hora de Sam e John tentarem conversar como adultos.

–Você pensou que eu não ia descobrir? Aquelas coisas que você pediu para o Bobby, são usadas para invocar um demônio. Você está planejando trazê-lo aqui, e matá-lo.

–Eu tenho um plano, Sam.

–Esse é meu problema! Dean está morrendo, e você tem um plano. Você se importa mais em matar o demônio do que salvar o seu filho!

–Não me diga como eu me sinto! Eu estou fazendo isso por Dean!

–Como? Como vingança vai ajudá-lo? Você não está pensando em ninguém além de si mesmo, é a mesma obsessão egoísta!

–Você sabe, é engraçado. Pensei que fosse sua obsessão também. Esse demônio matou sua mãe, matou sua namorada. Você me implorou para fazer parte dessa caçada. Agora, se você tivesse matado a coisa quando teve oportunidade, nada disso teria acontecido.

–Estava possuindo você, eu teria te matado!

–E Dean estaria vivo agora!

–Chega! Já chega! – interrompeu Alicia, entrando no quarto para segurar Sam, que parecia estar prestes a bater no pai. – vocês dois não conseguem agir como adultos?

–Vá para o inferno – disse Sam, o olhar fixo no pai, sem olhar para Alicia.

–Eu nunca deveria ter levado vocês em primeiro lugar. Eu sabia que era um erro, eu sabia que eu estava errado...

De repente, um copo de água explodiu, voando cacos de vidro em todo o lugar.

–Tem alguma coisa acontecendo aqui – disse Alicia, observando o local onde estava o copo, a expressão em seu rosto desconfiada e pensativa – vocês sentiram um arrepio?

Um olhar pelo canto do olho a informou que Sam também sentira. Discretamente, ele concordava com ela com a cabeça.

–-

Dean teve uma parada cardíaca. Assim que Sam viu a cena, ele saiu correndo do quarto. Alicia passou a próxima hora procurando por Sam pelo hospital, até que o encontrou escondido no teto do hospital. Ele estava chorando.

–Eles conseguiram estabelecer o ritmo novamente – ela falou. Sentou-se ao lado dele, e ele encostou a cabeça no ombro dela. As lágrimas também estavam escorrendo pelos olhos dela.

–Você sabe de uma coisa... – falou Sam – Dean estava certo sobre nós. Nós realmente temos agido como um casal há quase um ano.

Alicia soltou algo entre uma risada e um soluço. Sam a beijou delicadamente, fazendo ambos sentir aquele forte frio na barriga, o chão sumindo dos seus pés. Cada vez que Sam a tocava, cada vez ela sentia algo novo. Parecia que ela jamais se cansaria de beijá-lo. Mas agora havia coisas mais urgentes, e ela interrompeu o beijo.

–Sam, eu acho que eu vi Dean. Eu senti alguma coisa.

–Como assim? – Sam arregalou os olhos.

–Como se o espirito de Dean ainda estivesse aqui. Olha, eu falei com o John... E ele disse para eu te dizer que ele prometeu não caçar esse demônio até Dean estar bem.

–Allie, se o espirito de Dean estiver realmente aqui... Precisamos encontrar um meio de nos comunicarmos com ele.

–-

Eles conseguiram um tabuleiro ouija. Alicia e Sam se sentaram no chão do quarto de Dean. Alicia fez a pergunta.

–Dean, você está ai?

Para a surpresa deles, o copo se move para SIM.

E depois para C, A, Ç...

–Caçando? Você está caçando aqui no hospital? – perguntou Sam. Novamente, se moveu para SIM.

–Você sabe o que é? – perguntou Sam — As letras formaram a palavra CEIFADOR.

–Um ceifador – diz Alicia – Dean, está atrás de você?

Novamente, foi para SIM.

–Porque se estar – ela falou, murmurando, quase falando para si mesma – não há como impedi-lo...

–Tem que haver um jeito! – disse Sam – vamos falar com o papai. Ele deve saber de algo.

–O que, como caçar a própria morte? – mas ela foi atrás de Sam, até o quarto de John.

Quando chegam ao quarto de John, a cama dele estava vazia.

–Eu não quero nem imaginar para onde ele pode ter ido – falou Alicia. – mas nós ainda temos o diário dele. Vamos ver se tem alguma coisa lá. Porque eu, sinceramente, não tenho a mínima ideia de como matar um ceifador.

–-

Bobby também não sabia como matar um ceifador. E John tinha sumido do quarto. Ela e Sam estavam parados no quarto de Dean, Sam olhando pela janela, Alicia de braços cruzados, os olhos fixos em Dean. John não estava no quarto, e isso a preocupava muito. Ainda mais depois ele ter pedido as coisas para invocar o demônio. O que ele estava planejando? Droga, ela queria entender o que se passava na cabeça dele. Não deveria ter deixado o material que ele tinha pedido com ele, mas como ela poderia dar a confirmação para John que também não confiava na promessa dele? Não era certo.

Dean estava morrendo. Ela repetia isso com frequência na sua cabeça, para ver se começava a fazer algum sentido. Mas não fazia. E Sam, bem, ele provavelmente estava pior que ela. Ela segurou forte a mão dele, e ele se virou.

–Vamos continuar tentando. Tem que haver um jeito de nos livrarmos do ceifador.

–Eu sei... Mas Sammy... Mesmo que nos livremos do ceifador, talvez não conseguimos salvar Dean. Se o problema é com o corpo dele.

–Tem que haver algum jeito, Alicia!

–Eu quero acreditar que tenha, mas eu estou com medo que... Que... – ela não conseguiu terminar a frase, e começou a chorar. Sam a abraçou forte, ele próprio contendo as lagrimas.

De repente, Dean começa a se remexer na cama. Primeiro de leve, depois com violência.

–Ajudem! Precisamos de ajuda! – grita Sam, e o quarto se encheu de médicos e enfermeiras.

–-

Algum tempo depois.

Dean estava deitado da cama, aparentemente bem. O médico conversava com ele, Sam e Alicia:

–Eu não sei o que aconteceu. O edema cerebral sumiu. Seus órgãos se curaram. Seus órgãos vitais estão bem. Você deve ter algum anjo olhando por você.

O médico saiu.

–Vocês disseram que um ceifador estava atrás de mim? – perguntou Dean.

–Bem, foi isso que achamos que você disse para nós. – respondeu Alicia, sorrindo.

–Você não se lembra de nada? – perguntou Sam.

–Não, exceto essa sensação no meu estomago. Tem alguma coisa errada.

Alguém bateu na porta; os três olharam. Era John.

–Como você está? – ele perguntou.

–Bem, eu acho. Estou vivo.

–Isso é o que importa.

Sam virou para ele, já com a expressão irritada.

–Onde você estava à noite passada?

–Eu tive uma coisa para cuidar.

–Nossa, como isso é especifico. Você foi atrás do demônio?

John fez não com a cabeça.

–Por que eu não acredito em você? – disse Sam, extremamente agressivo. Alicia segurou o braço do namorado, como um aviso, mas ele a ignorou.

–Podemos não brigar? – falou John, interrompendo – você sabe, passamos metade do tempo brigando. Eu nem sei mais sobre o que estamos brigando. Estamos apenas batendo a cabeça, Sammy. Eu, eu cometi alguns erros. Mas eu sempre fiz o melhor eu pude. Eu apenas não quero brigar mais, ok?

–Você está bem, papai? – perguntou Sam, de repente muito preocupado.

–Sim, só estou um pouco cansado. Você e Alicia poderiam pegar um pouco de café para mim?

Sam saiu do quarto e Alicia estava indo atrás dele, mas ao passar por John, ele segurou o braço dela.

–Apenas lembre-se, sempre. Você foi nascida em batalha. No final, isso fará toda a diferença – ele disse em voz baixa, apenas para Alicia ouvir. Dean olhava com curiosidade – agora vá.

Ela passou pelo corredor, estranhando muito o comportamento de John. Sam a esperava um pouco adiante no corredor, também com curiosidade.

Assim que eles voltaram para o quarto de John, 10 minutos depois, ele estava caído no chão. Morto. Ela, Dean e Sam acompanharam a tentativa de ressuscitação. Parecia que o chão havia sumido dos pés de Alicia. John. Ele estava bem. Tinham conversado fazia poucos minutos.

Alicia só percebeu que não podia ver mais depois de algum tempo. Toda sua visão tinha sido embaçada pelas lagrimas.

Notas finais
*1x12 – Faith. Capítulo baseado no 2x01 - In My Time of Dying Comentem ^^